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Sejam muito bem-vindos a esta edição de "O Campeão É", com um jogo de loucos, de hóquei em patins, chamem-lhe o que quiserem chamar, mas o que a França e Inglaterra fizeram ontem é daqueles jogos que nos vai fazer lembrar durante muito tempo que o futebol é realmente incrível. Hoje entrega-se o ouro também neste Mundial 2026. Espanha e Argentina jogam pelo troféu mais cobiçado entre seleções, um espetáculo que vai contar também com imensas atuações. Já lá vamos. Por cá, também no mercado, João Duran já chegou ao Benfica e Trincão já partiu para a Arábia. Destaques que vamos desenvolver nesta edição de "O Campeão É", hoje com o João Castro, o Pedro Henriques e também o Luís Pinto Coelho. Eu sou o João Costa e Silva, sejam todos muito bem-vindos. Já lá vamos a esse jogo frenético na luta pelo terceiro lugar neste Mundial 2026 entre França e Inglaterra. Primeiro, vamos antecipar essa final entre Espanha e Argentina, um duelo de gerações, um duelo entre Messi e Yamal. Sabemos que é muito mais do que isso. Luís Pinto Coelho, muito bom dia. A Argentina é a Argentina, mas esta Espanha sabemos que também consegue fazer coisas bonitas. Que jogo é que vamos ter hoje e para quem é que vai o teu favoritismo? Deixa-me dizer-te que ontem o João Pinto acertou.
Olá, bom dia. É verdade, o João Pinto está fortíssimo. Eu acho que hoje é mesmo 50-50. Acho que é difícil encontrar aqui um favorito. Acho que a Espanha parece-me mais forte coletivamente, mas a Argentina tem Messi e depois tem aquela garra que é difícil de os bater. Deixam sempre tudo e mais alguma coisa em campo. Acho mesmo que é 50-50, é um jogo que pode cair para qualquer lado. Há muita gente que diz que é a melhor seleção contra o melhor jogador. É um bocadinho isto também. Mas o meu coração está um bocadinho também dividido. Gosto das duas seleções. Gosto da Espanha, gosto do país, gosto da cultura, mas para mim é sempre difícil torcer contra a seleção que era de Maradona e que me fez apaixonar por futebol. Por isso é sempre um bocadinho difícil. Também estou mesmo dividido, embora hoje não tenha nenhuma camisola da Espanha, vou vestir a camisola de Maradona de 86. Por isso, espero que ganhe o melhor e que o jogo seja tão bom como o de ontem.
Não te vais comprometer, então. Pronto.
Não, não vou comprometer.
João Castro, tu não estiveste cá ontem, mas o João Pinto, e passo a citar, apostou nos Leões. Não sei muito bem o que isto quer dizer para a Nova Época, mas ele acertou. A Inglaterra venceu e garantiu o terceiro lugar. Nós já lá vamos. Mas para já, esta final, melhor ataque contra a melhor defesa. Acreditas que a Argentina possa passar mal com esta Espanha, que acabou por eliminar uma das grandes favoritas, a França?
Bom dia a todos. Uma pessoa não pode ir de férias. Temos o João Pinto a pedir por Leões, o Luís Pinto Coelho não aposta numa equipa que joga de azul e branco. Não sei o que se passa aqui. Deixa-me dizer que realmente é um grande jogo entre duas equipas completamente diferentes. A Espanha foi crescendo. Taticamente, para mim, é a melhor equipa, a equipa mais completa, que se parece se calhar mais com um clube em termos de trabalho, em termos de jogo posicional, em termos de soluções que tem para várias situações que o adversário coloca, quer pressionar com um, quer pressionar com dois. Eles estão realmente muito fortes, mas depois a Argentina é uma equipa que vive muito também, obviamente, do seu talento e da garra que emprega. Nunca dá o jogo por vencido e isso é uma grande arma para a Argentina. Depois, são muito agressivos. Eu acho que isso vai ser a chave do jogo, porque a Espanha, a maior dificuldade que teve foi quando Portugal também pressionava homem a homem. Não muito bem, mas a verdade é que conseguiu ali manietar um bocadinho a seleção espanhola e eles assim tiveram mais dificuldade. E eu acho que a Argentina, com a sua agressividade, poderá fazer o mesmo, embora tenha sempre um problema, é porque Messi praticamente já não defende, mas eles conseguem muito bem colmatar isso. Depois, lá está, é garra, as bolas paradas, a qualidade do Messi, a qualidade dos avançados. Vamos ver o que vai dar, mas eu acho que a Espanha realmente está muito bem preparada para tudo. Vamos ver é se está preparada para a genialidade de Lionel Messi.
Então a tua aposta: Espanha?
Sim, eu dou aqui um 51-49 para a Espanha.
Ok, pelo menos já assumos aqui uma posição. Pedro Henriques, o mais importante hoje também nesta grande final é perceber se Lamine Yamal vai acabar por aparecer, porque tem estado muito apagado neste mundial, a contrastar com Messi, que já leva oito golos. O que esperas desta final? Bom dia.
Bom dia. Em primeiro lugar, dizer que o João Pinto não acertou. O João Pinto disse que a Inglaterra ganhava 1 a 0. Isso não é acertar. Para pôr aqui para o ponto de ordem, o João Pinto não acertou nada. A única coisa que o João Pinto disse foi que ia apostar nos Leões e isso está neste momento já gravado e devidamente cortado para nós colocarmos aqui. Obrigado à Beatriz Canato, que fez esse favor e há que pôr estas coisas aqui no ponto de ordem. Posto isto, e uma vez que o João Pinto não está cá para se defender, lá está.
Pois isto é ingrato para ele.
Vai dar, deve estar Não, está a nos ouvir. É assim mesmo, tem que ser assim. A gente tem que criar pressão aqui no nosso grupo. Falando coisas sérias, o que vamos ter hoje? Acho que a gente fala um bocadinho do mesmo, até algumas pessoas que escrevem e que são comentadores, ex-jogadores, que é um bocadinho aquilo que é entre o futebol da emoção, e aí olhamos para a Argentina, e daquilo que é o futebol da racionalidade. Ou seja, como já foi aqui dito, tanto pelo Luís como por João Castro, esta questão de que realmente parece que a Espanha, dentro daquilo que nós olhamos para uma equipe/seleção, em termos de jogo jogado, posse de bola, e se calhar hoje vai acontecer o mesmo. Portanto, parece ser mais seleção, parece estar mais próximo daquilo que se pretende para uma equipe que eventualmente é campeã. A Argentina tem sido muito no esforço, a virar resultados. Alguns minutos do fim, as coisas não estavam favoráveis, mas depois vai buscar, junto com os seus adeptos, com o seu povo, como se costuma dizer, aquela garra, aquela força psicológica e mental. E sabemos que este é um fator determinante numa competição que é mata-mata. Ou seja, em que muitas vezes aquilo que é o normal e que faz de uma equipe, por exemplo, campeã ao fim de 30 ou 40 jornadas, que é no fundo a regularidade, aqui perde um bocadinho esse efeito quando estamos já no tal mata-mata, em que muitas vezes os aspectos emocionais podem vir ao de cima. Alguns aspectos sobre esta final para terminar. O interessante de ver, a Espanha sofreu só um gol até agora, certo? Estou a dizer bem. Está aqui só a consultar. O Messi está a dois gols de ser o melhor marcador, uma vez que uma AP ontem passou. Não deixa de ser um segundo duelo, porque obviamente tanto a Argentina como a Espanha, neste momento não querem recordes pessoais, querem ser campeões do mundo. Mas não deixa de ser interessante este aspecto. E depois aqueles lados paralelos ao jogo, como seja a questão dos bilhetes, em termos de revenda. Já eram caros e agora, para quem quer ir à Candonga, parece que tem que comprar entre 6 mil e 34 mil euros um bilhete para a final. Esta história americanizada que não dá para perceber, agora até vão dar um anel de campeão em estilo NBA a quem for campeão. Esta questão da conferência de imprensa última, os bilhetes serem pagos, isto é, nunca tinha visto uma coisa destas, pagar 70 euros para assistir a uma conferência de imprensa. E o cúmulo do cúmulo, que é esta questão dos 30 minutos de intervalo, porque não se trata de uma adaptação, trata-se de uma alteração que não pode acontecer. As leis do jogo são muito claras, falam da duração do jogo, dizem que os intervalos não devem exceder os 15 minutos e quando tu tens uma final que vai agarrar numa lei e que esquece a lei só porque é preciso cantar o hino americano e é preciso fazer mais não sei quantos show offs de espetáculo, isto diz um bocadinho daquilo que é o lado menos positivo deste mundial e que tem a ver com esta coisa Trumptomania, Americanomania e tudo aquilo que nós não gostamos de ver no futebol. Uma coisa é fazer com que o futebol seja rentável, gere milhões de audições e dinheiro, isso sim, faz todo o sentido. Outra coisa é exatamente tirar aquilo que é o mais importante que o futebol ainda tem, que é esta questão da democracia e esta possibilidade de qualquer pessoa no mundo poder viver com as emoções um espetáculo. E portanto, neste momento adulteramos completamente tudo aquilo que o jogo de futebol deve ser. Mas pronto, são sinais dos tempos. Estou convicto no próximo mundial, daqui a quatro anos, em países mais normais no que diz respeito ao futebol, como é o caso de Portugal, Espanha e Marrocos, as coisas são diferentes.
Veremos o que é que vai acontecer. Para já temos esta final no Mundial 2026. Emissão especial do Desporto aqui na Rádio Observador a partir das 19h00 para acompanhar este Espanha-Argentina. O Pedro Henriques vai estar conosco, assim como o Gabriel Alves e o Augusto Inácio. O relato é do Diogo Varela e o Vicente Figueira vai estar por cá a conduzir esta emissão. Eu sei que vocês estão com muita vontade de falar sobre isso, não é? Sobre este jogo eletrizante. 6x4. Para nós até é estranho dizer 6x4 num jogo destes. Resultado final que confirmou o terceiro lugar para a seleção inglesa neste mundial. João Castro, é um jogo digno de final, um resultado muito desfavorável para a França no primeiro tempo, quando esteve a perder 4x0. O que tens a dizer deste espetáculo que todos vimos ontem? Acho que há falha de adjetivos para descrever aquilo que se passou ontem em campo.
Olha, eu acho que se passou muita coisa, além de parecer um jogo de hóquei, obviamente. Eu gostava que tivesse terminado 6x6 para irmos a pênaltis, era giro. Mas acho que se passou primeiro uma atitude, se calhar inconcebível, da seleção francesa na primeira parte. E uma das coisas que salta à vista, não é por jogares com mais homens no meio-campo que ocupas melhores espaços, porque Cherki passou completamente ao lado e a França foi banalizada. Daí a substituição também, isto fica também um aviso para o Cherki, que a mentalidade conta muito. Embora ele se sinta injustiçado por não ser titular da seleção, que a Inglaterra aproveitou, obviamente. E depois na segunda parte, com a França já a carburar, e já com a atitude correta, a mostrar toda a sua valia, mas depois a Inglaterra e Tuchel também aprendeu a lição. Não defendeu, não meteu centrais, renovou realmente a frente de ataque e os jogadores perceberam isso e acabou por matar o jogo com aquele grande gol do Bellingham. E portanto, foi um futebol espetáculo, obviamente, os treinadores não gostam muito disto, porque foi um jogo caótico. O futebol por si é caótico, mas ontem ainda foi mais. Mas para o público foi um espetáculo. Nos Estados Unidos ainda mais, porque puxa realmente pelos espectadores americanos que gostam deste espetáculo, gostam que hajam muitos gols e tudo. Portanto, acho que acabou por correr bem. No final fica só também os jogadores unidos a rezarem das duas seleções, acho que também foi um gesto bonito e acaba por ser realmente um jogo com bons gols, diga-se de passagem, de ambas as partes.
Um jogo com bons gols, um grande espetáculo. Pedro Henriques, queria pôr também aqui mais um tema em perspectiva, até porque Saka acabou por ser a grande figura deste jogo. Um jogador que até nem jogou nas meias frente à Argentina, ficou no banco. É mais um sapo que Tuchel vai ter de engolir?
Ora, já que falaste nisso, deixa-me dizer-te uma coisa que ontem tive que desligar um bocadinho do som da TV. Já sabem que eu nestas coisas não perdoo. Acho que as pessoas quando estão em termos de comunicação social, têm que ter o cuidado, têm que se preparar. E portanto, o que eu ontem ouvi sistematicamente? É alguém que explique, para quem está a fazer os comentários, que o nome é Bukayo Saka, não é Bucaia Saco. E fartou-se de dizer a pessoa em questão, bocai a saco. É que se hoje essa mesma pessoa estiver na transmissão, vai dizer o quê? Yamine Lamal, em vez de Lamine Yamal. É importante isso. E depois há um gol que é anulado em fora de jogo, o assistente já levantou a bandeirola, já se percebeu o que é, e a malta ainda está na televisão a dizer grande gol e não sei o quê, e a França 2 x 0. E depois, de repente: "Espera aí, se calhar não foi gol". Eu sei que cada vez mais há muitos meios de comunicação, mas era importante que as pessoas sejam competentes e se preparem, porque eu essas coisas sou logo bastante crítico para as pessoas que não se preparam. Relativamente a ontem, já foi dito aqui pelo João e muito bem, eu ontem até brinquei no nosso WhatsApp dizendo que já há muito tempo que não assistia a um jogo de hóquei patins do princípio ao fim. E isto é engraçado, porque se calhar o tal jogo que ninguém queria jogar tornou-se provavelmente no melhor jogo do mundial. Porque quando não estás amarrado, e eu compreendo, imaginemos que esta final era França e Inglaterra. Se calhar, aquilo que foi 6 x 4 ontem seria 2 x 1 ou 1 x 0, ou coisa assim do gênero. Isto tem muito a ver, obviamente, com a atitude que tu colocas, a postura, a descontração. Embora toda a gente queira ganhar, ao mesmo tempo, não havia essa pressão. Havia alguma tristeza, inclusivamente, porque se percebe, porque é o tal jogo que é bom chegar às semifinais, claro que sim, ou ir ao terceiro e quarto lugar, é melhor do que ser eliminado como Portugal, eu também acho que sim. Mas, ao mesmo tempo, isso fez com que este jogo não tivesse as tais amarras táticas e portanto acabou por ser um grande espetáculo, um pouco com aquela questão do Mbappé a querer se distanciar e distanciou-se em dois gols. Acabou por ser um jogo giro sob o ponto de vista de futebol. Aqui os americanos não têm culpa, mas foi muito ao encontro daquilo que os americanos gostam. Pipocas, uma Coca-Cola e depois muitos gols, mas é a anarquia completa daquilo que nós concebemos como futebol, com tais aspetos técnico-táticos, que normalmente numa situação normal isto não aconteceria, mas que foi um grande espetáculo, foi, e realmente todos ficamos entretidos e dizemos: "Não queremos ver o terceiro e quarto lugar", que hoje em dia se discute se faz sentido este haver ou não, mas com um jogo destes, assim faz sentido.
Faz sentido, sim, senhor. E Luís, para as contas também, Mbappé ultrapassa Messi como melhor marcador na história dos Mundiais. Sabemos que o Messi ainda joga hoje, mas o avançado francês chega aos 22 gols em 22 jogos. Messi tem 21, ainda joga hoje, mas Mbappé tem 27 anos.
Sim, e se não tiver problemas de lesões, obviamente que-
Ainda joga mais dois.
Sim, vai bater todos os recordes e mais alguns. É absolutamente impressionante os números dele em Mundiais. É engraçado que nos Europeus ele não consegue ter esta preponderância. É algo curioso de analisar, mas nos Mundiais é absolutamente incrível. Relativamente ao jogo de ontem, o que eu gostava mesmo era de ter estado no balneário da França ao intervalo, porque acho que deve ter sido bastante interessante a palestra de Deschamps, porque podia ser uma despedida completamente humilhante para Deschamps. Depois lá redimiram um pouco as coisas na segunda parte, mas era algo interessante ouvir a palestra.
Muito bem, uma vez que já falamos disto aqui, vê-se sem conta aqui no E o Campeão É. É sobre o João Pinto e para repor a verdade, vamos só ouvir ouvidos bem atentos, João Castro, Luís Pinto Coelho e Pedro Henriques. Muito bem.
Prefiro os leões.
Está aqui. Prefiro os leões. Portanto, João Castro, foste de férias e-
Ouvi o João Pinto.
Muita coisa mudou.
Ele nunca me enganou.
Bem, e já que temos aqui o João Castro, vou aproveitar para falar sobre este mais recente negócio que envolve Francisco Trincão. Pode chegar até ainda aos 43,7 milhões de euros, depois de quatro épocas em Alvalade. João, falamos aqui de mais uma vez de um jogador muito jovem, Francisco Trincão, que já tinha tido outras experiências fora do Sporting, no Barcelona, por exemplo. É um negócio que para ti faz sentido, tendo em conta o retorno financeiro, ou o Sporting devia ter garantido mais uma época de Francisco Trincão ao serviço do Sporting?
Olha, não é fácil a análise, porque não estamos com os dados todos. É uma perda para o Sporting enorme, acho que é um jogador fantástico, acho que é o cérebro daquele tiki-taka que tanto se falou, ainda para mais um jogador disponível, porque jogou quase os jogos todos. Às vezes em grande esforço para que o Sporting tivesse realmente a possibilidade de utilizá-lo em campo. Agora, eu acho que não é um bom negócio, não é ótimo, não é bom, não é horrível.
E para Trincão, este campeonato?
Para Trincão, é que é uma questão de oportunidade financeira. Vamos ser sinceros, receber 15 milhões ou 12 milhões que ele vai receber por ano é claramente algo inacreditável. E portanto, é quase difícil ou quase impossível dizer que não. Tem 26 anos. Lá está, o que eu acho, não é muito bom, não é bom, não é mau. Eu acho que foi um negócio possível dentro daquilo que foi as condicionantes. Não veio mais nenhuma proposta, provavelmente o jogador queria sair.
É nota 10, João. Estamos na altura das notas. Nota 10.
Pois, porque eu também percebo o lado do jogador, quer sair, já teve quatro anos no Sporting, dois campeonatos, uma taça, salvo erro. Tem uma grande oportunidade para resolver a vida financeira para ele, para os netos. E a verdade é que eu acho que foi a única proposta que caiu em Alvalade, portanto temos que analisar também por parte dos dirigentes. Tendo só aquela proposta, foi o possível. Podia ser muito mais, obviamente. Já se vendiam jogadores com mais dinheiro para a Arábia, mas acho que era a única proposta e o Sporting acabou por ceder, se calhar também impressionado pela vontade do jogador de sair. E agora o que me interessa, enquanto adepto, obviamente, é que o dinheiro seja canalizado para um grande reforço, porque isso é o que interessa. Agradecer ao Trincão tudo que fez pelo Sporting, obviamente, porque realmente é um grande jogador. E lá está, podia ter sido mais valorizado se o Mundial tivesse corrido de maneira diferente. Se tivesse jogado, tivesse marcado gol, tivesse assistência. Até nisso também não foi o indicado para esta transferência ter mais valor, mas é que o Sporting perde um grande jogador e isso perde.
Luís, Trincão com esta transferência, e uma vez que também estamos a falar aqui da seleção, não foi um mundial com muitas oportunidades, pode até comprometer uma futura presença na seleção. Nós temos jogadores que estão nestes campeonatos, o Ronaldo, o João Félix, o Rúben Neves, mas acreditas que pode ser mais difícil, uma vez que o Campeonato Saudita não se pode comparar, por exemplo, à competitividade do Campeonato Inglês ou Espanhol, Italiano?
Mas ele deu um salto, porque o nosso selecionador nacional diz que a Liga Saudita é melhor que a portuguesa. Como temos agora um selecionador que vem da Arábia Saudita e que disse que a Liga Saudita é melhor que a portuguesa, por isso acredito.
A atenção vai ser diferente.
Por isso, acho que deu um salto qualitativo. Olhando o pouco, obviamente, diz Jorge Jesus. Mas só referindo à questão do negócio, eu acho que o negócio se podia ter tornado um bocadinho mais interessante se o Sporting tivesse conseguido que a intermediação fosse paga pelos sauditas. Estamos a falar de €4 milhões, que podia já tornar um bocadinho melhor, sendo o Sporting a ter que suportar a taxa de intermediação. Acho que aí já se torna no limiar da nota 10. Acho que o Sporting podia ter conseguido isso, mas foi um negócio possível.
Pedro Henriques, o que é que tens a dizer desta partida de Francisco Trincão para a Arábia? Um negócio que não é mau de todo para o Sporting, acaba por encaixar aqui uma boa verba financeira, mas também é preciso encontrar substituto à altura.
Sim, mas repare uma coisa. Para o jogador, independentemente de outros possíveis sítios.
Ficamos aqui sem ligação ao Pedro Henriques.
Sim, estás a me ouvir?
Agora sim, Pedro.
Eu estava a dizer que para o jogador, sob o ponto de vista financeiro, independentemente de até poder haver outra proposta, que não houve, pelos vistos. Poderia ser mais um milhão, menos um milhão. Não é despiciente quando se falou de 12, 15 milhões. Quer dizer, não brincamos em serviço, como se costuma dizer, sob o ponto de vista financeiro. Desportivamente, eu continuo a achar, parece que estamos a falar de um jogador de 26 anos. Não, 26 anos é novíssimo e, portanto, eu acho que desportivamente não vai para melhor, porque a possibilidade de jogares uma Liga dos Campeões, um jogador que é super titular no Sporting, só isso, já nem falo aqui na comparação competitiva entre o que é o Campeonato Português ou o Campeonato da Arábia Saudita, mas só o facto de teres uma projeção europeia internacional como é a Liga dos Campeões, isso fazia toda a diferença. Agora eu percebo claramente que tu de repente olhas, eu aqui nem sequer estou a fazer as contas, mas como acontece muitas vezes, dizes assim: "Eu preciso de quatro a cinco anos em Portugal". Depois não se esqueçam que nós aqui é tudo a 50% de impostos. Precisamos de quatro a cinco anos em Portugal para ganhar aquilo que eu vou ganhar num ano. E se pensar que tem 26 anos e pode lá fazer dois, três, quatro épocas assim com estes valores, percebemos o contexto. Percebemos o contexto de quem pode viver até aos 90 anos ou 80, que a esperança de vida é grande e de repente faz a vida toda, como já foi dito aqui, para ele, para os filhos, para os netos. E isso não é despiciente no contexto atual. E é sempre esta lógica, é parte desportiva versus parte financeira. Isso vai ser sempre um dilema para muitos jogadores, sobretudo quando estão em idade muito produtiva. Mas pronto, para o Trincão é garantidamente um grande negócio.
E veremos como é que o Sporting vai conseguir também arranjar aqui um substituto à altura. Vamos avançar para as notas de campeão. Luís, começo por ti. Já deste uma nota 10 hoje.
Não, agora vou dar um 20. Estamos no final do Mundial e eu quero hoje um grande jogo, que ganhe a melhor seleção. Acho que este Mundial, em termos da qualidade dos jogos, até teve um nível bastante interessante, depois teve outras coisas que não me agradam tanto, que o Pedro já referiu aqui também, e acredito que no próximo Mundial vai ser melhor esse aspeto, mas 20 para o Mundial em si e que hoje seja uma grande final.
Pedro Henriques.
Sim, vou dar nota 20 também para a final do Mundial, só para dizer, isto é aqui diretamente para o Luís Pinto Coelho, Espanha vai ganhar 2 a 1, portanto podem escrever aí. Já sei que os argentinos agora vão dizer que a Argentina vai ganhar.
Já tenho a camisa da Argentina.
Exatamente. A Espanha vai ganhar 2 a 1, é o meu palpite, e sobretudo para a final do Mundial, porque independentemente de tudo, este Mundial realmente teve uma qualidade futebolística, no meu ponto de vista, bem acima do normal e da média, com as grandes revelações, sobretudo da parte africana. Eu recordo que em vez de cinco, tivemos 10 seleções e dessas 10, nove passaram às oitavas de final e tivemos aqui jogos muito interessantes. Mas é a final e, portanto, aconteça o que acontecer, que seja uma grande final. Vai ser, de certeza, mais amarrada taticamente. Acho que tenho uma certeza, não vai haver 10 gols como houve ontem no terceiro e quarto lugar, mas que seja realmente uma grande final e ao culminar de um mês fantástico. Para quem gosta de futebol, isto foi a loucura total. Ainda bem, para a semana já temos mais e bons jogos. Fora do Mundial, obviamente, porque nós somos um bocadinho futebolodependentes e, portanto, cá férias não, não é preciso férias, a gente quer é bolinha a rolar no pé.
Não há. Já com a Liga Europa em ação com equipas portuguesas na próxima semana. João Castro, vamos às tuas notas.
Nota 20 para esta final, obviamente, entre a Espanha e a Argentina. Portanto, perspetivo aí um jogo muito emocionante, que vai ter também polêmica pelo meio, o que é bom para o Pedro Henriques, também, que haja polêmica de arbitragem. Eu acho que vai haver, vai haver muita agressividade por parte dos argentinos. E portanto, vamos esperar um grande jogo e vamos ver realmente Messi versus Yamal, toda a gente está à espera disso, mas atenção ao Rodri, que eu acho que tem feito um mundial fantástico, ao Porro, que tem feito um grande mundial. E portanto vamos ver ao Cucurella. E portanto vamos ver realmente um grande jogo. Depois nota também, obviamente 19 para o Trincão, pelo que passou pelo Sporting e o que deu ao Sporting, obviamente, e essa gratidão. Faltou realmente esta final da taça, onde eu acho que todos podiam ter dado mais e teria sido com mais um troféu. E depois, a nota negativa para a FIFA pelo que o Pedro Henriques disse, porque até a nível do aquecimento ao intervalo vai ter que ser diferente e os treinadores vão ter que improvisar. Portanto, a nível muscular é totalmente diferente. Estar 30 minutos parado, estar 15 e, portanto, nota negativa para a FIFA nesse aspeto.
Música não vai faltar, isso é certo, com muitos artistas a atuar nesta final do Mundial 2026. Ficamos por aqui com o João Castro, Luís Pinto Coelho e Pedro Henriques nesta edição de "O Campeão É". Amanhã de regresso, um pouco depois da 13h. A não esquecer que mais logo, depois do Jornal das 7, há emissão especial para acompanharmos o Espanha-Argentina, final deste Mundial 2026, com relato aqui em direto na Rádio Observador.