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Três horas.

Muito boa noite. Começamos a falar da Lei das Rendas. Hugo Soares diz que o governo está disponível para negociar na especialidade com o Partido Socialista. O líder parlamentar do PSD acusa José Luís Carneiro de nunca ter querido negociar a lei, diz que o PS a bloqueou logo na generalidade. Ainda assim, garante que os partidos vão a tempo de dialogar.

É mentira, porque ele não quis negociar antes da aprovação da lei para poder ser discutida na especialidade. Honra seja feita, com todos os seus defeitos, e são muitos, se quiser falar sobre isso, falaremos. Mas o único partido que esteve disponível para discutir foi o Chega e por isso é que viabilizou na generalidade para poder discutir na especialidade. Se o Partido Socialista quiser, ainda hoje, discutir na especialidade a lei, claro que nós estamos disponíveis, como sempre estivemos. Ora, é mentira. O Partido Socialista não quis mudar a Lei do Arrendamento Urbano. Achou que como estava, estava bem.

Acusações de Hugo Soares ao PS, em entrevista à RTP esta noite. O líder parlamentar do PSD sublinha que o desejo deste Executivo é baixar os preços, aumentando a oferta através desta nova legislação. Já José Luís Carneiro acusa o PSD e também o CDS de destratar e desconsiderar o Partido Socialista. O secretário-geral do PS diz que no debate orçamental desta quarta-feira foi alvo de ataques políticos incompreensíveis e considera que o primeiro-ministro tem de definir como quer tratar o PS.

O PS tem um primeiro dever, que é o dever com o país, com as portuguesas e com os portugueses que já vivem momentos muito difíceis nas suas vidas e que exigem responsabilidade, grande sentido de responsabilidade. Naturalmente que nós tivemos ataques políticos incompreensíveis, vindos de responsáveis e de pessoas muito próximas do primeiro-ministro. E o primeiro-ministro tem que definir também um perfil na forma como trata e como se relaciona com o PS. Não pode destratar um partido que mostra esta atitude de responsabilidade para com o país e também para com um governo que, como se vê, está cada vez mais fragilizado.

As palavras de José Luís Carneiro falou esta noite aos jornalistas à entrada para uma sessão com militantes em Loures, no dia em que o PS permitiu, através da abstenção, que o orçamento do Estado para 2027 fosse viabilizado. Foi aprovado esta quarta-feira na generalidade. Agora, a estratégia do governo passa por controlar as iniciativas da oposição durante a fase de especialidade, que arranca precisamente hoje. O Partido Socialista e o Chega vão apresentar algumas propostas, podem chegar a acordo até à votação final global. Por isso, com margem algo reduzida para acolher novas medidas, o governo procura agora tirar o tapete às chamadas coligações negativas. Miguel Viterbo Dias.

Com o resultado ao intervalo já conhecido, com a aprovação do orçamento, o governo tenta controlar o jogo na segunda parte.

Quem propuser mais despesa, tem que dizer qual a que elimina. Quem quiser abdicar de receita, tem que dizer o que é que vai deixar de fazer ou que impostos quer aumentar.

O ministro Leitão Amaro deixa avisos para a fase da especialidade, já depois de José Luís Carneiro, do PS, ter anunciado uma proposta para limitar a receita fiscal.

Foram mudadas cinco vezes as portarias que aumentaram a carga dos impostos sobre os combustíveis e por isso, senhor primeiro-ministro, traremos à especialidade uma norma que levará a um princípio político fundamental: não haverá aumento de receita fiscal.

Faltam conhecer os detalhes de uma iniciativa que deixou André Ventura curioso, o líder do Chega, que aproveitou ainda para pressionar o governo com a Lei das Rendas.

Uma lei de equilíbrio para todos e para resolver um problema que aqueles senhores criaram. Senhor primeiro-ministro, esta lei depende de si.

Leitão Amaro, à defesa, vai deixando avisos.

Será que daqui a algum tempo vamos voltar a vê-los, como na reforma laboral, de punho cerrado, a pôr os líderes comunistas em lágrimas, a celebrar o bloqueio de mais uma reforma estrutural?

De volta ao orçamento, a IL até iliba o governo de responsabilidades passadas, mas pede uma bitola superior.

O fracasso do PS não pode ser a medida da ambição da AD.

E o Livre pega na abstenção do PS para atirar ao Chega.

O voto farsista do Chega, que vem aqui cheio de muitos malabarismos, dizer que é contra, mas que sempre que é necessário, dá a mão ao governo.

Numa discussão marcada pelas manifestações, Paulo Raimundo, do PCP, deixou ainda uma provocação.

No seguimento da martelada, que é a greve a um direito, desde que ninguém faça, vem agora a mais recente bastonada, que é a manifestação a um direito, desde que não hajam manifestantes.

O debate de um orçamento marcado pelas manifestações na rua sobre o setor da habitação.

Miguel Viterbo Dias, que acompanhou a discussão do orçamento do Estado. A fase seguinte arranca já hoje com as audições ao Tribunal de Contas, ao ministro dos Negócios Estrangeiros e também ao ministro da Economia, sendo que António José Seguro vai receber todos os partidos com assento parlamentar. As audiências começam cedo, com o JPP a ser recebido logo a partir das 08h30. Esta noite, na Praça Dom João I, a PSP autorizou a permanência dos manifestantes, desde que se mantenham em silêncio. A campada do Porto desmontou as tendas, mas alguns manifestantes mantêm-se a esta hora na rua. Depois de alguns momentos de diálogo, os manifestantes acataram as indicações da PSP e retiraram cerca de 10 tendas que estavam montadas na Praça Dom João I. Sem tendas, a comitiva de polícias, liderada pela subcomissária Eduarda Fã, anunciou que os manifestantes podiam ficar, desde que em silêncio.

Podem permanecer aqui na Praça Dom João I. Aquilo que vos solicitamos é que estejam em silêncio, não produzam ruído e se não houverem tendas, não há inconveniente em permanecerem aqui na Praça Dom João I.

"Sem tendas, não há inconveniente" foram as explicações aos manifestantes pela voz da subcomissária da PSP Eduarda Fã. Os manifestantes podem então ficar na praça da Cidade Invicta, desde que não produzam ruído nem montem tenda. Já em Lisboa, a esta hora o protesto desmobilizou, a Praça do Rossio está vazia. Foi, no entanto, aprovada em Assembleia Popular um novo protesto para sábado, semelhante ao do passado fim de semana, como dá conta aqui a jornalista da Rádio Observador, Maria Miguel Marques.

Não houve pernoita aqui na Praça do Rossio. Aliás, a esta hora a praça está completamente vazia, porque passou a meia-noite e meia, altura para a qual estava já marcado o fim desta 12ª noite de acampada em Lisboa. Aqui na Praça do Rossio estiveram bastante menos pessoas, comparando com a multidão que ontem estava à frente do Parlamento. Esta reunião, que contou com cerca de 400 pessoas, foi mais um momento de convívio e de debate de ideias da acampada, apesar de termos também ouvido vários gritos de protesto, incluindo de desaprovação do Orçamento de Estado. Também de dar conta que vimos menos polícias, aliás, vimos apenas duas viaturas mobilizadas e também subiram ao palco no Rossio alguns artistas. Destaque para Carolina Deslandes, que tocou alguns dos próprios temas, mas também cantou Jorge Palma. Estes concertos aconteceram precisamente depois da Assembleia Popular, que acabou por aprovar com 230 votos a favor, uma nova manifestação já para este sábado. Este protesto vai funcionar, dizem os manifestantes, à semelhança do último fim de semana. Para além desta aprovação de uma nova manifestação no sábado, com fim aqui no Rossio, fica também a promessa de que já amanhã há nova assembleia popular aqui às 19h.

Maria Miguel Marques a descrever um cenário pacato na Praça do Rossio, perto da 01:00, quando os manifestantes já tinham desmobilizado. Vai haver uma nova manifestação este sábado, foi aprovada a realização de uma marcha lenta do Marquês de Pombal até ao Rossio, à semelhança também do que aconteceu no passado sábado. Vamos terminar este jornal a falar de desporto. O Futebol Clube do Porto está na Final Four da Taça da Liga. Venceu esta noite 1 x 0 o Académico de Viseu. Os Dragões receberam os Visienses e uma grande penalidade convertida por Santiago Gimenez a poucos segundos do intervalo, foi o suficiente para carimbar a passagem à próxima fase da competição. Ambos os treinadores fizeram várias alterações para este encontro, sendo que Francesco Farioli adotou uma tática diferente para este jogo, entrou em campo com três defesas centrais. O técnico italiano explica que mesmo com uma estrutura diferente, aquilo que quer ver em campo é precisamente o mesmo.

Senti que os jogadores iam conseguir compreender em poucos dias com, digamos, uma sessão de treino específica e boa preparação a esta nova estrutura. Os princípios são os mesmos, aquilo que queremos ver é o mesmo. Claro que é um sistema diferente e sinceramente acho que os jogadores estiveram bastante bem, tanto na primeira como na segunda parte. Tivemos vários momentos interessantes com bola, faltou-nos um pouco mais de presença na área, mas em termos de controle e posse de bola, acho que estivemos muito bem.

As palavras de Francesco Farioli depois da vitória frente ao Académico de Viseu, que fez com que o Futebol Clube do Porto passasse à Final Four da Taça da Liga. Os Dragões vão defrontar o vencedor do Benfica-Gil Vicente, que acontece esta quinta-feira. Do outro lado, Bruno Pinheiro, o técnico dos viriatos, lamenta que o jogo tenha ficado decidido por uma grande penalidade. Ainda assim, mostra-se muito orgulhoso do trabalho da equipa.

O jogo acaba por ser decidido num lance, sendo penalti ou não, numa grande penalidade. Isso acho que diz tudo do comportamento do Académico. Penso que fizemos um jogo interessante uma vez mais, comparando as potencialidades da equipa. Acho que fizemos um jogo muito competente.

A reação de Bruno Pinheiro à derrota frente ao Futebol Clube do Porto. Os Dragões seguem-se em frente. Na Taça da Liga, vão marcar presença na Final Four. Terminamos este jornal das 15h, a informação regressa às 15h30. Fique por esse lado.