Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
O apito está dado. Tudo pronto para mais uma edição do "E o Campeão É". Hoje, na análise, juntam-se a mim e ao Júlio Magalhães, a diretora adjunta do Observador, a Filomena Martins, o Pedro Henriques e o João Pinto. Bom dia a todos.
Bom dia.
Bom dia.
Bom dia.
Bom dia. Maria João, deixa-me só fazer aqui uma atualização. Tinha-te prometido que o faria em relação ao tempo que está no Porto hoje.
Vamos lá.
Hoje está cinzento, está assim uma morrinha e como se costuma dizer aqui no Porto, está um calor esquisito.
Olha, está como em Sintra.
Está como em Sintra.
Sim, mas parece que no Porto à tarde vai melhorar.
Peço desculpa, mas vocês não conhecem Mafra. Mafra só tem duas estações, a dos correios e a do inverno.
Então pronto, está como em Sintra.
Podemos avançar. João Pinto, também queres dizer a temperatura?
Eu estou em Amarante, numa casa magnífica e nem sei que tempo é que está lá fora. Está ótimo. Olha, há uma coisa que é certa, Maria João. Aqui no telemóvel tem graça, porque quando estamos aqui a fazer o explicador, recebo aqui nos grupos a dizer: "Então vamos aos testes. Teste um, linha um. Inês, faz aí os testes." Há uma coisa que é garantida: estamos todos testados. É isso.
Nem que seja a comunicação.
É obrigatório.
Começamos pelo acesso à Liga dos Campeões. Falámos deles ontem, os russos do Spartak Moscovo vão mesmo ser os adversários do Benfica. Rui Vitória já disse que vai ser uma eliminatória complicada, mas interessante e diz mais: "Eu conheço o Benfica, mas o Benfica também nos conhece." Filomena Martins, este vai ser um duelo interessante de assistir. Quem achas que leva vantagem?
É o duelo do Ferrari. Eu acho que é o duelo do Ferrari. Acho que vai ser tão interessante para o Rui Vitória como para o Jesus, que ainda não falou. E sobretudo, eu estou mais curiosa para ver isto do lado do Benfica do que do Spartak, porque em bom lingoante que eu sou, vou usar uma expressão: "Que a porca torce o rabo."
Mas diz com sotaque.
Com sotaque? Eu digo com sotaque, mas eu já perdi o sotaque, infelizmente, e tenho muita pena de o ter perdido. Só quando estou lá uns dias é que o volto a ganhar. Porque este é o jogo que, na prática, começa o princípio de tudo outra vez no Benfica.
Era o que disse o Júlio Magalhães ontem.
Eu ontem peço desculpa, mas por razões muito pessoais, não vos pude ouvir. Mas esta é uma época determinante para o Benfica, não só pelo que aconteceu o ano passado, como pelo que está a acontecer agora. Infelizmente, não é por razões desportivas o que está a acontecer agora, são razões de justiça, mas esta é uma época determinante para o Benfica. O ano passado as coisas passaram todas ao lado. Este ano as coisas ou começam bem, ou a época será muito complicada para o Jorge Jesus, porque este será um jogo que para ele é determinante, não só porque o ano passado tudo lhe correu mal, até na Liga dos Campeões. Foi um terror.
Também só correu mal um jogo. As pessoas também exageram. Só lhe correu mal um jogo na Liga dos Campeões.
Sim, mas a verdade é que não é só preciso este jogo para entrar na Liga dos Campeões, é preciso mais, isso não chega.
Não, eu estou a dizer que só correu mal um, porque ele fez o primeiro e foi logo andar.
É verdade.
Não teve tempo para correr pior os outros.
Não teve tempo. E depois, ele foi muito indelicado com o Rui Vitória, que o substituiu, que terminou o tetra que o Benfica não conseguia há 40 anos. E depois tiveram aquele bate-boca, que o Jesus veio com aquela boca de que não lhe respondia porque só falava com colegas e ele não era colega dele, não era treinador. E que era preciso alguém com mãos para conduzir um Ferrari, e que ele achava que o Rui Vitória não tinha mãos para conduzir um Ferrari.
Daí tu dizeres o duelo dos Ferraris.
Daí o duelo dos Ferraris. Ou seja, é muito feio alguém dizer isso de um treinador, de um colega, sobretudo de um colega que o substituiu e que ainda por cima ganhou bastante no Benfica. É verdade que o Rui Vitória foi amado e odiado pelos adeptos no Benfica, havia quem gostasse muito dele, que eu não gostasse. Depois houve aquela coisa também do Luz saber pôr a andar. Toda a gente achava numa manhã que o Rui Vitória já não era treinador do Benfica, depois deu a luz ao Vieira e ele acabou por ficar, e depois acabou por sair. Mas, na verdade, ele ganhou bastantes títulos ainda, dois campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga, duas Supertaças em três épocas. Ainda esteve quase ali na Liga dos Campeões, foi derrotado apenas pelo Bayern de Munique. Portanto, será um duelo interessante, em que o Jesus tem de mostrar, afinal, que o Rui Vitória não era mesmo treinador, porque ele foi treinador e teve ainda algumas mãos para conduzir aquele Ferrari, até, se calhar, nalgum tempo, um bocadinho melhor do que o ano passado, o Jesus o conduziu.
Rui Vitória regressa a Luz a 10 de agosto, na segunda volta da eliminatória. A primeira joga-se na Rússia a 3 ou 4 de agosto e o Benfica, através do Luisão, já reagiu, disse há poucos minutos, o Jesus ainda não, mas o Luisão diz que a longa viagem é um fator que joga contra os encarnados. João Pinto, isto já são desculpas para o caso correr menos bem?
Não, o Luisão está a dizer isto porque para Moscovo é a subir e depois para ele cá é a descer.
É?
É completamente diferente.
Foste a pé?
Não, sempre. Para Moscovo, aquilo são dois autocarros, eu preferia ir andando. Mas eu acho que o mais interessante do duelo é mesmo a parte futebolística, porque nas equipas do Jorge Jesus, a criatividade é toda dele
A criatividade tem que ser toda tática, os jogadores estão muito amarrados e no ano passado viu-se muito isso. No Rui Vitória é o contrário, ou seja, o Rui Vitória tem uma tática, tem que ter, é quase um pressuposto. "Pessoal, jogamos em quatro três três. Se vocês não souberem muito bem como é o três três, depois perguntem uns aos outros." E a criatividade é toda dos jogadores. Se o extremo é criativo, a equipe joga bem, se o extremo não está bem inspirado, a equipe joga mal. E isso vai ser interessante ver, a parte futebolística do confronto, porque o Rui Vitória acabou de chegar, mas tendo artistas na equipe, a equipe dele vai jogar bem. E o Jorge Jesus já tem equipe há um ano, portanto já tem capacidade para que os jogadores percebam a tal tática criativa que ele tem. Do ponto de vista futebolístico, vão ser dois jogos interessantes de ver.
Juli Magalhães, queres acrescentar alguma coisa?
Não. Acho que já tínhamos falado aqui disto ontem, era o pior que podia ter acontecido ao Benfica e, sobretudo, a Jorge Jesus. Continuo com esta percepção. Se Jorge Jesus for eliminado pelo Spartak, é o fim de linha para Jorge Jesus no Benfica, é uma percepção, não é uma certeza.
É duplamente mau, não é? Perder e sair.
Não é o adversário ideal. O Luizão falou da viagem, não creio que isso seja uma desculpa. O que pode ser mais prejudicial para o Benfica neste confronto é que o Spartak vai já começar o campeonato domingo ou este fim de semana e, portanto, quando jogar com o Benfica, já tem a preparação mais adiantada e já tem jogos competitivos em cima e o Benfica não terá. Mas isso é a lei da vida.
Pedro Henriques.
Não é o Cazaquistão, nem nada disso. Moscovo é ali.
Não, é aqui ao lado, Moscovo.
Pedro Henriques.
Mas eu vou, em vez do Jesus.
E é chato, os jogadores ainda por cima viajam econômicas, chegam lá cansados.
Exato. Não têm como esticar as pernas, é complicado.
Exato.
Pedro.
Sim, dizer duas outras coisas rapidamente. Isto é claramente o interesse entre este duelo mais de Rui Vitória, Jorge Jesus, e propriamente Spartak versus Benfica. Temos aquela questão do carma, Abel Ferreira, PAOK e Krnovic, que acabaram por estragar a festa. Zivkovic, peço desculpa, e o Benfica teve quase a despachar o Gabriel para o Spartak. Felizmente que não o fez, senão poderíamos ter aqui o carma de novo. Mas temos aqui dois fatores diferentes. Primeiro, duas mãos, no meu ponto de vista, diferente do ano passado e melhor para o Benfica. Em campo ganham efetivamente aqueles que correm mais e jogam mais, mas há uma diferença de 147 milhões de valor de mercado do Spartak para o dobro da equipe de Benfica. E obviamente a destacar, uma vez mais, as equipes são altamente profissionais. Eu percebo que as questões da comunicação muitas vezes não são trabalhadas e é um erro de comunicação, mais um da parte do Benfica, quando permitem que o Luizão diga exatamente aquilo que disse, porque isto é um erro de comunicação que todas as pessoas vão ouvir, que os adeptos vão ouvir, que os jogadores vão ouvir e que não se pode cometer. Porque a viagem para lá é exatamente igual a para cá e não faz sentido. Porque isto é que é grave, com equipes tão profissionais e que ainda são apetrechar com pessoas, esses erros de comunicação. Ou seja, relevam para o grande amadorismo, e eu sei o que estou a dizer, porque até há dois anos trabalhei por dentro com uma dessas equipes, o amadorismo que continua a grassar de dentro dessas equipes em pormenores que são por maiores, como é o caso da comunicação. Se o Benfica for eliminado, acreditem que vão se agarrar a esta situação para serem criticados, para serem julgados, etc. Erro de comunicação claro.
Falta um detalhe ainda, João, deixa-me dizer, que neste caso joga a favor do Benfica, eu não disse isto. Depois desmintam-me se for verdade.
Está bem, nós apagamos esta parte do podcast também.
Que é o fato do Benfica jogar em casa o último jogo.
A segunda, sim.
A segunda mão.
E agora já não há gols fora, a questão dos gols fora já não conta.
É verdade, mas acaba por ser uma pequena vantagem. Se tiver de recuperar, dá sempre uma pequena vantagem.
Não, o que eu digo é no sentido de ter que ir jogar para o gol fora. Agora esqueçam lá isso, joguem a bola.
Sim. Não estava a dizer isso, mas se for para recuperar de uma pequena desvantagem, há sempre aquele estímulo extra.
Resta saber se jogam em casa com ou sem adeptos no estádio.
Diria que a UEFA tem mostrado neste Europeu que comanda. Portanto, veremos. Podemos ter os jogos do campeonato sem público e os jogos da Liga dos Campeões com público.
Olhemos agora para os Jogos Olímpicos em Tóquio, que arrancam na sexta-feira e continuam a somar-se os casos de Covid-19. A um dia dos primeiros atletas entrarem no campo e a três da abertura oficial. Estão confirmados mais dois casos do novo coronavírus, uma ginasta e uma basquetebolista norte-americanos. Pilmira Martins, o presidente do Comitê Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino, diz que com todas as limitações, os testes, as condicionantes, isto vai ser um inferno, em vez de terem o ambiente festivo que costumam ter.
Isto está a ser um inferno. A RTP ontem emitiu uma reportagem da forma como os quatro dias que teve que estar em quarentena em Tóquio foram absolutamente quase como uma prisão. O Bruno Roseiro, que vai ser o nosso enviado especial a Tóquio, não descreveu ainda, mas irá descrever no jornal e o Miguel Pinheiro, o diretor, na newsletter que nós temos para assinantes esta semana, ainda sexta-feira, descreveu toda a burocracia que o Bruno Roseiro teve que passar para lá chegar. E isso só um detalhezinho. Toda a burocracia é impressionante, o que foi preciso fazer. Não vos masso aqui os ouvintes, nem a vocês, com o que foi preciso fazer, mas aquilo é absolutamente burocrático.
Eu acho que está fascinante, sim.
E depois ele teve de ser testado nesses últimos quatro dias, todos os dias Teve de ser testado, como agora com a greve da Groundforce. O avião dele era para ter partido no domingo à noite, só teve partido na segunda e por mera sorte, só partiu ontem de manhã e depois ele só estará a chegar a Tóquio a esta hora. Quando lá chegar, vai ter de fazer três dias de quarentena obrigatória, de onde não poderá sair de maneira nenhuma, nem para ir buscar comida do hotel onde está, do hotel que lhe foi reservado pela organização. E depois é testado três dias. Vai lá uma pessoa testá-lo ao hotel, tem umas grades nos quartos. Não pode sair de lá para nada, nem para fumar. Vem uma pessoa com ele fumar ao átrio. Percebam isto, vem uma pessoa com ele fumar ao átrio e eles são testados lá. E com tudo isto, funciona assim, em bolha.
Bem saudável.
Eles são muito saudáveis. Por mim, ele deixava de fumar também lá. Eles estão dentro de uma bolha, onde só andam dentro dos transportes, onde têm de avisar todos os dias quais são as reportagens que vão fazer. A sua liberdade está condicionada. Está mais condicionada que a do Luís Filipe Vieira. Vai andar condicionado dentro da bolha, tendo todos os dias dizer que reportagens vai fazer. Todos os dias vão ser testados lá dentro também.
Mas Filomena, qual seria aqui a solução? Seria adiar mais uma vez?
Mesmo assim, estão a aparecer casos, apesar de todas estas cautelas. E se estão a aparecer casos e eles já tiveram público, tiveram meio público, deixaram de ter público, voltaram a não ter público nenhum, e estão a aparecer casos, e os casos estão a galopar cá fora desta bolha dos Jogos Olímpicos. Parece-me que não há hipótese nenhuma, apesar destes cuidados todos, de não haver aqui alguma contagem ou por alguma forma ir de escalar. Eu começo a ficar muito preocupada com o que é que vai acontecer.
Quando oficialmente arrancar.
Quando oficialmente arrancar, mesmo que os Jogos Olímpicos desta vez sejam muito condicionados com aquelas proteções que não existem lá dentro. Não há tanta comunicação, provavelmente, entre os atletas, que costuma haver dentro da aldeia olímpica. Eu acho que isto vai escalar e que vai começar, até porque o Japão está a enfrentar uma nova vaga, e não sei se não foi um erro, desta vez, não adiar mais os Jogos Olímpicos.
João Pedro, querias acrescentar?
Não, estou muito curioso em saber como é que vão fazer com as estafetas. Quando estão a passar aquilo de uma mão para a outra.
Acho que não há estafetas.
Estou muito curioso.
Sobretudo como tu estás a pensar.
Bem, em frente.
Acho que não há mesmo, que eles tentaram tudo, até com as tais camas de cartão, para que o vírus não pega, pelos vistos, no cartão.
E olhamos agora para a votação para o melhor gol da temporada 2020/2020, que está a decorrer no site da UEFA. Entre os eleitos estão os gols de Taremi, do Futebol Clube do Porto, marcado na vitória sobre o Chelsea para a Liga dos Campeões, e o de Paulinho durante o empate entre o Braga e o Leicester, na Liga Europa. Júlio Magalhães, apela lá o voto. Já tens os cartazes na rua com a tua imagem. Agora é fazer campanha pro Taremi. Vai lá.
Olha, eu por acaso não sei quem é que vota, é o público? Por acaso estou desatualizado em relação a isso.
Esquece, vamos lá votar.
Sim. É o público, Pedro Henriques?
Sim, qualquer um de nós pode ir votar.
É? Espera aí, vamos lá.
Só pode votar uma vez, Júlio.
Estou aqui.
Ó Maria João, isso não há dúvidas, vai ser o Taremi. Já viste que é o Irão inteiro a votar no Taremi?
Estou aqui.
Mas olha, eu voto. Eu acho que o gol do Taremi é um gol extraordinário.
Só não aparece o do Paulinho.
Não viste o gol do Taremi?
É porque já ganhou o Taremi.
Eu não vi o gol do Taremi, achas que eu não vi o gol do Taremi?
Claro. Acho que é um gol-
É um pontapé de bicicleta, Pedro Henriques, fantástico.
Um pontapé de bicicleta frente ao Chelsea. Correu o mundo esse gol. E como digo, no Irão, foi um boom e eles não tenham dúvidas que vão encher o site da UEFA com votações no Taremi.
Entretanto, antes de irmos ao mercado de transferências, parece que os treinos de Mourinho estão a causar algum furor em Itália. Isto porque o treinador português resolveu usar drones para gravar a movimentação dos jogadores no relvado. Pedro Henriques, isto faz com que ele possa imediatamente analisar e corrigir os erros nas posições dos atletas. Foi instalado também junto ao relvado um ecrã para que todos possam ver as imagens.
Exatamente.
Isto é muito à frente.
Há aqui dois fatores. Isto, no fundo, é trazer para a tecnologia aquilo que já se fazia, por exemplo, em Inglaterra, com muita frequência, que é um treinador de campo e um treinador que está num plano mais elevado, a ver exatamente aquilo que não se consegue ver ao nível da relva. Porque ao nível da relva, é assim para os jogadores, para os treinadores e para os árbitros. A visão é muito limitada relativamente ao geral. E quando se trata de movimentações, o 4-3-3, as deslocações, a ocupação dos espaços, o plano superior é fantástico. E isso fazia-se normalmente com pessoas. Agora, esta questão, e a ver o vídeo, que é muito interessante, é realmente o tal drone que está a monitorizar todo o treino, mas depois com um aspecto muito importante. É que depois a equipa, não é só a equipa técnica que vai analisar, é os jogadores que no final, a cada momento, estão todos e depois estão a ver aquelas coisas que hoje em dia já se faz muito na televisão, com aquelas bolinhas em torno do jogador, com a seta, etc. Automaticamente, vê-se a movimentação, mas depois com esses upgradezinhos da bolinha, da seta, para onde é que devias ir, para onde é que devias estar. E isto pode ser uma mais-valia para a compreensão do jogador, daquilo que muitas vezes o treinador tem dificuldade em explicar. Há jogadores que têm uma treinada inteligência e que compreendem, mas visionando, ainda por cima, com essa vista privilegiada, faz toda a diferença. Ganha-se aqui muito na perspectiva do conhecimento do próprio jogador e da interiorização daquilo que o treinador muitas vezes explica. E quando pensamos em equipas multidisciplinares e multilinguísticas, ganha-se aqui mais uma barreira, que é através da imagem tu percebes melhor aquilo que eu estou para te explicar e que terias dificuldade. É muito à frente, mas o Mourinho já em 2003, 2004 nos surpreendeu com duas coisas. A primeira, com a entrega dos CDs a cada jogador, com o adversário que ele ia apanhar pela frente, foi uma grande inovação e com um aspecto muito importante que ele também trouxe, contrariando um bocadinho aquilo que é A chamada simplificação da estrutura do complexo do jogo do Carlos Carvalhal, que é vamos treinar em conjunto e depois eu é que intervenho para dizer no pontapé de canto onde é que coloco, no pontapé de baliza. Ou seja, aquela questão que é partir do todo, que é o jogo de futebol, para individualizar e não como muitas vezes ainda se faz no treino, que é parcelarmente. Vamos treinar os cantos, vamos treinar os pontapés de baliza. Portanto, o Mourinho vai trazendo inovações e oxalá que esta inovação que está a ocorrer no mundo seja também uma nova vida do Mourinho, com vitórias para reativar aquele Mourinho que todos nós conhecemos, que é só o treinador mais titulado que Portugal tem.
Mas qualquer jogador, deixe-me interromper aqui, que tenha testado com o Mourinho, tenha estado em equipas do Mourinho, o elogia por isso. A grande inovação que eles elogiam ao Mourinho e ao treino do Mourinho é essencialmente ter sido o primeiro treinador de todos, de top, digamos assim, que introduziu aquilo que eles mais gostam, que é treinar sempre com bola. Os treinos de antes, eu não vou dizer essas coisas, quando eu comecei a ver treinos de futebol, eram aqueles treinos mais físicos em que os jogadores corriam à volta do campo, depois faziam mais umas corridas atrás daqueles pinos vermelhos e por aí fora. Isso com o Mourinho deixou de existir. Isso fazia-se, sim, mas fazia-se sempre, e quase sempre, salvo os aquecimentos que são naturais, fazia-se sempre com bola. E isso é um método de treino que ele desenvolveu, em que ele sempre acreditou. Há teses sobre isso já feitas, é preciso dizê-lo, em que ele acreditava que qualquer exercício para os jogadores, fosse ele físico, técnico, tático e até mesmo mental, era inútil se não simulasse sempre uma situação de jogo e se não fosse aplicado dentro do modelo de jogo escolhido por ele, como treinador. Até mesmo os treinos regenerativos e os treinos mentais. Ele achava que tinham de imitar uma situação de jogo, um modelo de jogo criado por ele. Mesmo que fosse um duelo tipo Ronaldo e Messi. Não estou a falar disso porque ele nunca treinou nenhum dos dois. Depois há aqui uma outra coisa que eu acho importante no Mourinho, além do treino sempre com bola e imitar essa situação de jogo, que ele foi aprendendo nos sítios por onde passou e aprendeu, sobretudo, porque ele, na altura, digamos que foi o primeiro grande técnico que veio da academia, que veio do estudo e que começou primeiro como tradutor e depois como adjunto e que foi aprendendo desde o Bobby Robson a todos os treinadores com quem ele começou no início e que foram alguns importantes. E depois, há aqui outra parte que o Mourinho tem de se ir, além da parte que ele aprende, dos drones, dessa parte toda de pôr os jogadores a ver os adversários. Tudo isso foi inovador nele e que eu acho que se perdeu aqui no tempo quando ele chegou ao topo, mas ele até chegar ao topo fez uma outra coisa que eu acho muito inovadora.
E para concluir, Filomena. Só para irmos ao nosso tempo.
Que eu acho que é ele ter se posto sempre no centro do foco das atenções midiáticas para tirar a pressão dos jogadores. Às vezes nós achamos que aquilo é o ego dele, muitas vezes, para quem o conhece, aquilo é uma personagem que ele está a criar e tira o foco dos jogadores, a pressão midiática dos jogadores, e torna-se ele a própria personagem. Isso aconteceu muito, sobretudo no Real Madrid, onde isso era muito visível, porque aquilo eram todos jogadores de topo. Aquilo é feito de propósito, para quem o conhece bem.
Julião Magalhães, estamos mesmo a terminar, mas uma nota para o futsal. Ricardinho pode estar perto de assinar pelo Braga. A notícia foi avançada pelo Zero Zero, que diz que o ala de 35 anos pode estar de regresso ao futsal português depois de uma passagem por França. Só sai a ganhar o futsal nacional, não é?
Sim, o Ricardinho é o melhor jogador do mundo. Teve agora uma lesão grave este último ano. Não jogou, mas é o melhor jogador do mundo. Mostra duas coisas. Primeiro, vai trazer mais qualidade ao futsal português, até porque está muito condicionado o futsal português, que acaba sempre com o Benfica x Sporting, é o jogo mais interessante da época para ver e está monopolizado por estas duas equipas. Não sei até que ponto o Ricardinho vai permitir ao Braga entrar um bocadinho nesse campeonato que é feito entre o Benfica e o Sporting e mostra outra coisa, pelos vistos, é a saúde financeira do Sporting para Braga.
E vamos aqui, de tudo o que falamos, olhar para o vosso campeão do dia e qual a nota que dão. Júlio, começo por ti.
Olha, eu já estive para dar aqui, já dei ao Quaresma há dias falei. Hoje já estive para dar a outro, que também foi jogador do Porto. Ainda não falei dele, também tem passado despercebido, mas queria dar aqui hoje, porque é um jogador que me dizem que treina como o Cristiano Ronaldo há muitos anos e por isso tem mantido uma longevidade notável no futebol. Eu gostava muito dele, é um profissional a sério e foi um defesa central extraordinário e está de regresso ao Campeonato Português, ao Famalicão, que é o Bruno Alves, que mesmo com a idade que tem, o ano passado ainda fez uma grande época em Itália.
Não deixa de ser sempre uma referência.
E é uma referência.
Que nota dá?
Dou-lhe 18, porque é bom ver um jogador destes, com esta idade, ainda em plena forma física e pronto para disputar um campeonato nacional.
Filomena Martins.
Gostei do regresso dele ao campeonato.
Vinte segundos. Ainda temos que ir ao Pedro e ao João. Sim. Campeão e nota.
Eu neste momento estou muito virada ainda para as coisas da Justiça e estou ainda a dar nota negativa ao governo do Japão e ao Comitê Olímpico Internacional por ter continuado com estes Jogos Olímpicos. Portanto, menos dois.
Menos dois. Pedro Henriques, o teu campeão e nota.
Campeão e nota, claramente, embora não se sabe a votação final, para o Taremi, pontapé de bicicleta fantástico.
Já votaste?
Sim, já votei. E além disso é alguém que também influencia muito as redes sociais. Tem mais seguidores que qualquer outro jogador, tirando obviamente os Cristiano Ronaldos. Dois milhões e meio e tudo à base, naturalmente, da população iraniana, que tem aumentado, inclusivamente o próprio Futebol Clube do Porto, as redes sociais do Futebol Clube do Porto. Realmente o Taremi acaba por ser um fenómeno, não sei se as pessoas já viram isso, mas vão à internet ver. Ele é um autêntico fenómeno fora das quatro linhas e além disso marcou um gol que não é um gol qualquer, é na Champions, pontapé de bicicleta e contra o Chelsea, que foi só a equipa que ganhou a Champions League. Para mim tem que ser claramente nota 18 e espero que seja o gol da Champions.
João Pinto, muito rapidamente.
Alinho com o Pedro, 18 ao Taremi e também alinho no dois aos Jogos Olímpicos.
À organização dos Jogos Olímpicos. Filomena Martins, Júlio Magalhães, João Pinto, Pedro Henriques em "Mais Um" e o campeão é? Amanhã estão cá os quatro outra vez. Beijinhos, abraços. Até amanhã às 9h30. Até amanhã.
Até amanhã.
A economia está a mudar. A tecnologia está a revolucionar todos os setores e a pandemia veio lançar o debate sobre a indústria e as cadeias de abastecimento. Num momento em que importa fazer o ponto de situação da indústria nacional, o Observador e a Cotec mostram como a inovação é fundamental para aumentar a competitividade. O regresso da indústria, um programa de Paulo Ferreira. Quarta-feira, às 16h40, na Rádio Observador. O regresso da indústria, uma iniciativa do Observador e da Cotec Portugal.