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Fez tremer os alicerces da Torre Eiffel, corar algumas das mais belas obras expostas no Museu do Louvre. Que jogo! Houve voltas, reviravoltas e contravoltas e, no final, ganhamos todos. O resultado desse foi de 5 x 4. Venceu o Paris Saint-Germain, mas está tudo em aberto para a partida da segunda mão das semifinais da Liga dos Campeões, daqui a uma semana, na casa do Bayern de Munique. É um dos temas desta edição. Vamos também perspetivar o Atlético de Madrid e Arsenal mais logo, mas é com o Dia do Trabalhador que começamos. Ficou ontem a saber-se que o funcionário do Sporting, Rui Manuel Gomes Borges, 44 anos, natural da bela cidade de Mirandela, vai renovar contrato na sexta-feira, 1 de maio, Dia do Trabalhador. Sejam bem-vindos, Augusto Inácio, Gabriel Alves e Pedro Henriques. Augusto, começo por ti. Nas últimas semanas muito se especulou sobre se o contrato de Rui Borges ia ou não ser renovado, fruto de alguns desaires. Faz bem a direção em prolongar o vínculo com o treinador?
Boa tarde a todos. Olha, eu acho que isto não devia ser tema, porque o Rui Borges tinha contrato com o Sporting mais uma época.
Até 2026.
Depois começou-se a falar na renovação, e não se faz a renovação. Por que é que não se faz a renovação? E é por causa dos resultados, e é por causa disto, é por causa daquilo. Ou seja, o Rui Borges sempre teve o contrato com o Sporting. Fizeram disto um filme, uma coisa de outro mundo, uma coisa que se calhar pode não ser. Então, mas o Rui Borges, só uma coisa que devia ter acontecido era que o presidente do Sporting dissesse: "O Rui Borges é nosso treinador na próxima época, ponto." Agora, se o Sporting acredita no treinador, como parece que vai acreditar, vai prolongar o contrato mais um ano. Mas isto foi uma novela que era escusada. Bastava o presidente do Sporting ter uma intervenção a dizer: "É o nosso treinador na próxima época, tem contrato, ponto final, parágrafo." Já não se especulava tanto. Sendo assim, parece que agora o Rui Borges vai ser apresentado na sexta-feira, o novo contrato. Parece que é uma coisa de Hollywood, que é uma coisa que é passadeira verde, neste caso, porque é Sporting. Se fosse o Porto, era passadeira azul, se fosse Benfica, era passadeira vermelha. Eu estou em crer que o Sporting faz bem em continuar com o Rui Borges. Agora, se tem mais um ano em cima do contrato que tem por fazer, isso é outra história. Agora, eu nunca tive dúvidas nenhumas que o Rui Borges seria, acho eu, o treinador ideal para a equipa do Sporting.
Pedro Henriques, é uma renovação a reboque da pressão mediática?
Não. Porque a pressão mediática é porque os jornais lembram-se para isso todos os dias. Já alguém perguntou ao Sporting o que é essa pressão? É que basicamente é para vender. Aliás, o tema Mourinho é a mesma coisa. Ou seja, os clubes neste momento têm ideias, os treinadores já as apresentaram, os próprios clubes e direções sabem o que é que querem ou o que é que não querem. Cá fora é que depois se faz essa especulação. E depois uns telefonemas pelo meio para alguma comunicação social, outros telefonemas para os, como diz o Gabriel Alves, comissionistas. E, portanto, eu acho que é muito este show off que está a aparecer e que ajuda, obviamente, a dar títulos aos jornais e à comunicação social. Muito honestamente, eu acho que o Sporting e o próprio Rui Borges já há muito têm definido aquilo que iriam fazer, neste caso concreto. Agora, o timing, pode ter havido aqui alterações, porque era aquela questão das eleições, o Frederico Varandas não queria colocar isso às eleições. Depois, aqui a questão que se pode questionar é se o Sporting fica em terceiro lugar, se os resultados são bons ou maus, se o Rui Borges é a pessoa certa ou não, se faz bem, se faz mal. Agora, independentemente disso, isso já foi tudo pensado e estudado pela direção do Sporting e pelo próprio Rui Borges. Fica sempre a ideia que o Rui Borges estava muito descontraído e que queria continuar, mas também passou sempre essa ideia que o Frederico Varandas também queria dar continuidade. Pois é, esta parte mais emocional ou psicológica, é dia 01/05, é o Dia do Trabalhador, trabalhador de contratos, em cima de um Sporting que se calhar pode não vir a conseguir o tal segundo lugar e quanto isso é importante. Mas pronto, vamos ver. Eu acho que esta época, muitos dos erros que acontecem, obviamente, que tem também a ver com o treinador, para o bem e para o mal, mas também tem a ver com todo o planeamento que foi feito e aqui a direção tem um papel muito importante. Eu costumo dizer, termino com isto, se calhar logo o Sporting e quem vendeu o Welinton, só para dar este exemplo, está mais preocupado em saber se o Gyökeres logo joga 45 minutos para arrecadar mais 1,25 milhões de euros do que propriamente, se calhar, ganhar ao Tondela. Porque quando se pensa desportivamente, obviamente que eu sei que às vezes há janelas de oportunidades, o Welinton foi extremamente barato e havia aqui uma oportunidade de negócio com a questão do Napoli, mas se calhar torceram bastante a orelha, porque a dado momento as opções eram tão poucas e depois de ver aquilo que o Welinton jogou no Napoli, que se calhar fez muita falta para a parte desportiva. Se calhar ficando em segundo lugar, tiravam mais dinheiro do que aquele que se eventualmente ficar em terceiro lugar, mas isso é o dinheiro a mexer. Portanto, não me surpreendo o que vai acontecer na sexta-feira.
Eu vou pegar aqui nas palavras do Pedro Henriques. Gabriel Alves, boa tarde também, bem-vindo. É o momento certo, ideal para esta renovação de contrato Rui Borges?
Miguel, olha, há falta de notícias. Os campeonatos estão resolvidos, já há campeões pela Europa, tirando ali a Inglaterra, que a coisa ainda está acesa, obviamente. Não fora a Premier League, a primeira. Depois a questão do mercado. De vez em quando, mas o mercado. Ainda não se deu o Campeonato do Mundo, portanto está tudo à espera. E depois o Fabrizio Romano não diz nada. Portanto, é isso. Depois, Mourinho está em Itália, ali por alguns, como agente. Não, não é agente publicitário. Como ator publicitário. Portanto, olha, as notícias que se vão acontecendo são estas. Rui Borges apareceu, o Sporting não contratou um treinador, digamos, com estaleca comunicacional para aparecer todos os dias. Pois é, é isto.
Acho que a novela termina aqui.
Muito bem. Gabriel, dizias que os campeonatos estão todos decididos, mas não está tudo decidido. Por exemplo, no campeonato da Liga Portuguesa, não está decidido quem fica em segundo lugar, lugar que dá acesso à Liga dos Campeões. Temos um Sporting-Tondela mais logo, jogo em atraso dos Leões e da equipa beirã. O que é que perspetivas para esse encontro?
O Sporting está obrigado a ganhar essa partida e tem que fazer tudo por tudo para concretizar, mas tem que respeitar o Tondela, que naturalmente também vai fazer tudo para se opor e conseguir pontos e, por que não, também vencer. Daí que temos um jogo com intensidade, um jogo interessante, e é para aí que naturalmente os olhos e as atenções merecem estar todas concentradas.
Pedro Henriques, quem vai a jogo na equipa do Sporting?
Hoje tenho mesmo muitas dúvidas, porque há aqui várias alternativas. E tenho dúvidas em quatro jogadores, vou-te já dizer. Baliza, Rui Silva. Os centrais, eu acho que é o Debasto e Diomande, mas não me surpreenderia aparecer aqui o Quaresma, uma das minhas dúvidas. Eu acho que vai jogar o Vajaniidis com o Max Araújo, mas não me surpreenderia que aparecesse já o Mangas também aqui neste quarteto, segunda dúvida. No meio-campo, Morita. Eu acho que vai ser o Bragança ao lado, mas também não me surpreenderia, a terceira dúvida, o Koch Vasili. Pote, Trincão e Luís Soares parecem-me seguros. Eu aposto no Geni, mas também não me admira que o Geni fique no banco e apareça o Kenda. Portanto, as minhas dúvidas estão exatamente na questão de Diomande ou Quaresma, do Mangas poder aparecer nas alas, do Bragança ou Koch Vasili e do Kenda. Mas as minhas apostas são com o Bragança, com o Geni, com o Max Araújo e Vajaniidis a fazer as alas e o Diomande a fazer de central com o Debasto, mas não vai ser fácil adivinhar.
E vai ser um jogo fácil, pegando esta ideia, vai ser um jogo fácil para o Sporting? O Tondela luta pela não despromoção ao escalão inferior. O que é que perspetivas para o encontro de mais logo, Augusto?
Olha, o Sporting perdeu, depois do empate com o AVS, a oportunidade de depender de si próprio para atingir o segundo lugar. Agora o Sporting já está a fazer contas. Tem que ganhar os seus jogos e tem que estar com o ouvido no rádio ou com os olhos na televisão para ver se o Benfica perde pontos. Neste caso, vai a Famalicão e tem o calendário complicado, já se sabe, mas está à espera do resultado dos outros, já não depende só de si. E se nós olharmos, e é preciso ter em atenção isto, àquilo que o Tondela fez no Dragão, porque o Porto ao intervalo estava zero a zero e o Tondela muito bem estruturado, eu diria que o Sporting não penso que vai ser favas contadas como pensou que eram favas contadas no AVS, na Vila das Aves. E não foi, e sofreu. Por isso, o Sporting tem que estar sempre muito atento, com o olho aberto, como costumo a dizer, não dar confiança ao adversário, porque pode haver uma surpresa. O Tondela precisa de pontos, também quer se salvar, quer ficar na Primeira Liga. Vai ser um jogo que se o Sporting não estiver num momento bom, pode ser surpreendido.
Vamos ver o que acontece. É mais logo este Sporting-Tondela, é uma partida com relato aqui na antena do Observador. Vamos acompanhar pari passu este encontro em atraso da Liga Portuguesa. E agora sim, vamos lá a esse Paris Saint-Germain-Bayern de Munique, 5x4. Que jogaço, que grande jogo! Que sentimentos te despertou este encontro, Pedro Henriques?
Olha, é muito interessante falar sobre este jogo, porque vocês viram muita alegria no final do jogo. Não vi. Ou seja, imagina que estava zero a zero e que no último minuto o Paris Saint-Germain fazia o gol e ganhava 1 a 0. Era a mesma coisa, 5 a 4 ou 1 a 0. Os treinadores iam dizer que estava tudo espetacular, se calhar, toda a gente ia dizer e havia uma alegria. Quando se sofre muitos gols, a perspectiva cada vez mais passa, e os adeptos estão a ver isso, é que alguma coisa não esteve bem. Ou seja, nós em vez de levarmos o gol, o grande jogo, enfim, esta questão de repente está 5 a 2, depois 5 a 4, e com tudo aquilo que foi jogadas fantásticas, duas equipas extraordinárias a jogar a bola, fica a ideia que houve muitos erros, porque os treinadores não gostam, de uma maneira geral, e temos alguns que falaram inclusivamente sobre este jogo e não acharam assim tanta graça a isso, em termos genéricos. Eu acho que subvertemos um bocadinho aquilo que é o próprio jogo e a sua essência. Para mim, como adepto, entre aspas, à parte, e a ver o jogo, foi uma maravilha. Gols com fartura, jogadas fantásticas, quer individuais, quer coletivas, duas grandes equipas. Acho que o Bayern está um furo acima do Paris Saint-Germain, não obstante o Paris ter ganho. E portanto, são duas equipas que podem ganhar em casa como podem ganhar fora, isso não está em questão. Mas fico com a ideia que o Bayern é mais equipa neste momento ou estará mais próximo, se calhar, de poder dar a volta e ganhar o jogo. Esta é a minha opinião. Agora, para mim, foi um jogo extraordinário, um "in of" futebol, mas é curioso que a ideia que fica é que houve muitos erros e que se sofreu e não se pode sofrer tantos gols e as equipas e os treinadores, de uma maneira geral, preferem ganhar 1 a 0 do que 5 a 4. Acho que subvertemos um bocadinho a ideia daquilo que é o futebol, mas pronto, são os tempos modernos.
Gabriel Alves, o que dizem os teus olhos?
Olha, a utopia do futebol esteve ontem ali bem manifesta. E eu estou com o Corais, que dizia que preferia ganhar 5x4 a ganhar por 1x0. Portanto, estou em contraste. O Pedro Henriques tem razão, mas tem razão naquilo que é a atualidade. Mas estou em contraste. O Corais dizia, e bem, preferia ganhar por 5x4 a ganhar por 1x0. Porque é evidente que isto, o 5x4, traz toda uma dinâmica, uma dimensão. E o futebol é feito de erros, mas é feito de arte. E uma das artes do futebol é tirar, espremeres toda a tua qualidade perante o erro do adversário, não desprezares esse erro. E ontem houve coisas muito bonitas durante o jogo, não dá agora para estarmos aqui a escalpelizar, mas, por exemplo, o Que Varadona, que ele já aí andaQue é o avançado georgiano da equipa que veio do Nápoles e da equipa do Paris Saint-Germain, marcou dois gols e é um Deus que é igual àquilo que ele já marcou. Portanto, aquilo funciona. Depois temos o João Neves que faz aquele gol. Aquilo é um hino, aquele gol do João, João muito bem. É trabalho específico, aquilo está treinado, aquilo trabalha. E depois tens o Luís Dias. Depois tens esse rapazinho que se chama Dembélé e tens outro que se chama Kane. Ora bem, o Kane por aquilo que ele jogou, ele marca um gol de penalidade, é verdade, mas tudo o que ele jogou, tudo o que se passa no Bayern de Munique passa por ele. E depois tens o Olisé. Foi tanta coisa boa, tanta coisa bonita, eu me esqueço de alguns dos erros que possam ter acontecido. Houve espetáculo, houve alegria. O sonho ontem foi realidade. Viva a utopia.
Viva! Luis Enrique, o treinador do Paris Saint-Germain, disse no final do encontro que foi, sem dúvida, o melhor jogo em que já participou como treinador e foi um dos melhores que tu já viste, Augusto Inácio.
Olha, é como se costuma dizer na gíria portuguesa: que jogatana. Aquilo foi uma jogatana, foi emocionante. É daqueles jogos que a gente não quer que acabe. Continua, vai para lá dos 100 minutos ou de 120 minutos ou 130 minutos. A gente queria era ver o espetáculo e o gol, porque realmente foram duas equipas com pensamento viradas para o gol. Claramente, quando tens o pensamento virado para o gol, é natural que haja espaço e que as equipas depois aproveitam, tanto uma como outra. Mas houve um jogador que me encantou de sobremaneira, o Olisé. Pé esquerdo, joga no lado direito do ataque do Bayern de Munique. Aquele homem tem um pé esquerdo fabuloso, sinceramente. Mas são duas equipas individualmente e coletivamente muito fortes. Há uns tempos atrás eu disse, e agora vou coroar com a ideia do Pedro Henriques, eu disse: para mim, o favorito para ganhar essa Liga dos Campeões era o Bayern de Munique. E estou de acordo. O Bayern de Munique está uns furos, um bocadinho acima do PSG. Acho que vai ser um segundo jogo extraordinário e acho que o resultado é o que é. Podia ganhar uma, podia ganhar outra equipa, mas isto é um hino ao futebol. Parabéns.
Para a semana temos mais e hoje à noite já não vamos ter tempo de antecipar esse encontro. Há um Atlético de Madrid e Arsenal, é o segundo jogo das meias-finais da edição deste ano da Liga dos Campeões. Altura para conhecermos precisamente os vossos campeões. Augusto Inácio, quem é o teu ou os teus?
Independentemente de ainda não saber quem é que vai passar à final ou não, nota 20 para aquilo que se passou ontem em Paris, no PSG com o Bayern de Munique. E também queria dar nota 20 para o Académico de Viseu, sub-23. Ganharam a Liga Revolução, primeiro título da história do Académico de Viseu. Parabéns a estes meninos.
A nota 20 do Augusto Inácio. Pedro Henriques, as tuas notas.
É só uma, é para o jogo de ontem, porque eu fiquei encantado como adepto que não torce por ninguém e estar a ver um jogo daqueles com tudo aquilo que a gente já aqui falou. Portanto, podemos caracterizar de utopia, de magia e daquilo que eu acho que o futebol e as próprias leis de jogo deviam sempre concorrer nesse sentido, que é o gol. Para mim é o gol. Até há uma lei, que é a lei 10, que fala sobre isso, que é sobre o gol. E portanto, o gol é sempre o gol e sempre que acontece a tal utopia e a magia. E reparem, é cinco a quatro entre dois colossos, Bayern de Munique e Paris Saint-Germain. Portanto, é uma coisa fantástica. Nota 20 para o jogo de ontem.
Só notas altas. Gabriel Lopes.
O Pedro Henriques falou aí na leis do jogo, eu vou dar 10 às leis do jogo. Aquele pênalti, mão na bola. Os grandes artistas agora a um metro, um metro e meio, atiram a bola à mão. Antigamente era mão na bola, agora é pênalti. Mas pronto, é o Antigo Testamento, o Novo Testamento, etc. A Bíblia dos pênaltis. Mas isso passa à parte porque não manchou aquilo que foi o grande espetáculo. 20 para o jogo de ontem e vou dar 20, sabes a quem?
A quem, Gabriel?
Ele não esteve no jogo, mas ele esteve lá. Um senhor chamado Cruyff, que é o avô. E depois o pai, que é o Pep Guardiola. Sabes por quê? Porque quer o Luis Enrique, quer o Campañà, são da órbita dele. E há mais, o Arteta está esta noite a jogar com o Sevilla. Há um que deixa pessoas, treinadores, que deixam muita coisa no ar para vender pela comunicação. Há outros que deixam trabalho. Guardiola.
Seguimos de avião para o final desta edição de quarta-feira de "E o Campeão É". Teve como campeões convidados o Pedro Henriques, o Augusto Inácio e o Gabriel Lopes.