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E o Campeão é da Rádio Observador. Damos notas ao mundo do desporto de 0 a 20. No programa de hoje abordamos ainda o que resta da polêmica CR7 e JJ. Vamos ainda à Gala dos Dragões de Ouro de ontem à noite. Eu sou o Miguel Gato, hoje estou na companhia do editor de desporto do Observador, Bruno Roseiro, também dos comentadores da Rádio Observador, Augusto Inácio e Pedro Henriques. Bem-vindos. Começando pela polêmica Cristiano Ronaldo, Jorge Jesus. Ontem o selecionador nacional não quis comentar o comunicado de Ronaldo, disse apenas: "Li o comunicado e agora, como faço todos os dias, vou para a federação trabalhar, pensar na equipa e na seleção". Bruno Roseiro, esta é uma tentativa de JJ pôr uma pedra no assunto numa altura em que também há agora o retomar dos campeonatos, a seleção não vai jogar nas próximas semanas e a bola neste momento está no lado de quem? Da federação ou nalgum dos lados da polêmica?
A bola já está há algum tempo no lado de Pedro Proença, que de fato tem aqui a face mais complexa de resolver, porque nesta altura tem aquelas que são as suas duas grandes figuras, ou seja, o capitão das últimas duas décadas, a quem ele pediu para ficar, e o selecionador, que é uma aposta muito pessoal também dele. Aí, sim, eu diria que está a situação complexa. Acho que Jorge Jesus fez aquilo que devia ter feito, ou seja, não comentar, não o tem de comentar publicamente, se vai ter alguma consideração é com o próprio ou em termos internos. Quando ele diz ter muito trabalho para fazer, eu acredito que tenha, porque a convocatória de novembro já vai ser diferente desta convocatória, no sentido em que me parece que ele encontrou uma base, mas vai dar margem para o aparecimento de outros jogadores e deverá ser nessa perspectiva que ele vai trabalhar. Deixa-me também acrescentar em relação a isto, que há algo que me começa a preocupar no sentido em que começa a haver muito fumo e eu temo que não apareça também o fogo. Tem a ver com esta reunião da secção não profissional do Conselho de Disciplina. Ou seja, o fato de haver uma reunião esta sexta-feira pode fazer com que Cristiano Ronaldo, que nesta altura está suspenso preventivamente, porque é isso que se prevê em termos de regulamentos, quando alguém abandona o estágio da seleção.
Ele próprio disse que estava disponível para esse castigo, que aceitava esse castigo.
Para esse castigo. Ou seja, se for aberto um processo disciplinar e tendo em conta que ele já confessou e existe um atenuar da pena para metade, pode haver aqui uma janela de oportunidade de Cristiano Ronaldo ser sancionado e estar apto para ser chamado em novembro. E eu diria que diplomaticamente, essa não seria uma boa opção. Ou seja, o melhor para todas as partes nesta altura é que Cristiano Ronaldo, a cumprir algum tipo de castigo, que o cumpra, mas que em novembro não possa ser uma possibilidade para não haver esse problema que inevitavelmente iria aparecer, porque depois Jorge Jesus teria de convocar ou não Cristiano Ronaldo e qualquer um desses pontos seria sempre notícia. Deixa-me também acrescentar uma coisa em relação a Jorge Jesus, que é: fiquei com a clara sensação que Jorge Jesus, se já tinha o grupo consigo, tem ainda mais o grupo consigo, depois destes jogos com a Dinamarca e com a Noruega. Qualquer passo em falso poderá tirar aquilo que para um treinador muitas vezes é o mais complicado, que é ter o grupo do seu lado.
E era também por aí que eu ia pegar na pergunta para o Pedro Henriques. Há outro dado curioso nesta polêmica e pegando um pouco naquilo que o Bruno estava agora a dizer, nenhum jogador da seleção nacional reagiu ou pôs sequer um like na publicação de Cristiano Ronaldo no comunicado que fez sobre esta polêmica. Este é um dado relevante também, Pedro?
Sim, vem ao encontro aquilo que o Bruno Roseiro acabou agora de dizer, porque fica-se com a ideia de que, por um lado, houve jogadores, a começar no Bruno Fernandes, que até fez páginas dos jornais, e bem, que falou que o Cris era a maior referência da seleção e até falou de Portugal e, portanto, passa uma mensagem, como passou o Nuno Mendes, como passou o Rúben Dias. Passaram uma mensagem de que de alguma maneira a seleção estava de braços abertos e estava com o Cristiano Ronaldo nesta perspectiva, se ele regressasse e que o grupo estava unido e o caso do Bruno Fernandes até pediu para os portugueses não se dividirem, que era difícil, porque as pessoas estão claramente divididas, ou estão com ou estão contra, neste caso, Cristiano Ronaldo ou Jorge Jesus, conforme queiram dizer, para não se dividirem, porque eles próprios, o grupo de trabalho, não estavam divididos em relação a esta questão de estar com o Cristiano Ronaldo e estar contra o Jorge Jesus ou vice-versa. Mas na prática e na realidade, este silêncio ou não colocação de likes no mundo que é cada vez mais digital e que nós sabemos que tem muita importância e os jogadores, sobretudo, porque também acabam por apostar muito nas redes sociais e isso para eles também é relevante e importante. O fato de não terem colocado nenhum like Revela, sobretudo, muito cuidado e inteligência, não sei se foram aconselhados ou não, e respeito pela instituição federação, pelo momento e pelo próprio selecionador.
Muito provavelmente isso também é uma questão controlada pela federação, não é?
Provavelmente sim, se calhar foram aconselhados nesse sentido, mas aconselhados ou não aconselhados, acho que foi muito prudente, como muito prudente foi a atitude, no meu ponto de vista, do Jorge Jesus, e concordo também com o que disse o Bruno. Eu acho que ele faria mal se fosse responder, em virtude daquilo que leu e daquilo que podia estar a pensar. Acho que neste momento a prudência é deixar que esta circunstância, em termos processuais, que não vai dar em nada, na perspetiva dos tais 15 dias de suspensão, porque vai passar para metade da punição, uma vez que o Cristiano Ronaldo não vai apresentar, nem alegar testemunhas, nem defesa, porque ele próprio se considera culpado e quer até ser penalizado por isso. E a não ser que aconteça algo extraordinário, em novembro, para o jogo contra a Dinamarca, já estará disponível e fora da tal punição e castigo. E é prudente também da parte da federação, ou neste caso do Jorge Jesus, não ter dito nada, focar-se no trabalho, porque agora também vão começar as competições. O Al-Nassr joga já amanhã, começa também o Braga com o Sporting, vai haver aqui um período de competições internas e isto vai dar tempo para reflexão, se calhar para aproximação e para aquilo que eu penso que pode vir a acontecer, que é o Cristiano Ronaldo ainda ser chamado à seleção. Eu relembro, Portugal tem dois jogos que, na prática, já não contam muito em termos pontuais. Estamos nos quartos de final, que é em março, e aí vai contar, porque é a eliminar. E depois em junho teremos, caso lá cheguemos, e acho que há fortes probabilidades de tal acontecer, a Final Four. E o Cristiano Ronaldo vai terminar a carreira, provavelmente no Al-Nassr, e esta época desportiva acho que não vai prolongar para além disso. Portanto, a sua continuidade na seleção nacional, a existir, em termos de jogos, terminará nessa Final Four. E se as coisas forem bem faladas, bem trabalhadas, se calhar o Cristiano Ronaldo ainda regressa para fazer um jogo ou dois, não sei se de titular, se suplente, e no fundo determinar não com aquela imagem com que ficámos, que era ir para a carrinha na calada, não foi da noite, mas da tarde, sozinho, ir-se embora, ou aquela imagem que temos da Noruega-Portugal, em que ele está encostado ao banco, termina o jogo e vai-se embora, mas ficaremos com uma imagem, provavelmente, de jogar e ser substituído ou entrar a 15 ou 20 minutos do fim e até ser aplaudido. Não sendo isso uma despedida, é uma situação que é mais honrosa para todos, quer para a federação, independentemente de se terem que engolir aqui alguns chapes, quer para o próprio Cristiano Ronaldo e se calhar para o povo português, que mesmo estando dividido, tem esta ideia. E termino só com isto, para não me alongar mais, já me estou a alongar, mas só para terminar com isto. Para nós percebermos do porquê, do trabalho feito com pinças e da relevância e da importância que toda a gente dá, sobretudo na federação, ao Cristiano Ronaldo, já sabemos que há o Mundial 2030, queremos tê-lo do nosso lado, etc. O Messi ontem, como nós sabemos, terminou a carreira e colocou um post em que colocou o agradecimento pela noite magnífica, a despedida, etc. E o Cristiano Ronaldo, de forma muito correta e acertiva-
Já me roubaste a pergunta ao Augusto Inácio.
Sim, mas eu vou virar isso para o outro lado, que é: foi lá colocar uma frase a honrar, a aplaudir a rivalidade, mas que foi muito importante para todos, e a agradecer ao Messi pela carreira que também teve e a dar os parabéns. Repara-se só neste aspeto. Ontem, não sei como é que está hoje, o Messi, que é uma figura mediática também, fez um post e tem o mesmo número de likes de toda a sua publicação e o Cristiano Ronaldo só na frase tem exatamente, ou até tinha mais, número de likes do que tem o Messi. Quer dizer que só uma frase do Cristiano Ronaldo, metida no contexto do Messi, tem mais likes do que o Messi tem. E é por esta importância que o Cristiano Ronaldo tem ao nível global, que há este cuidado de tentar não perder a empresa Cristiano Ronaldo em termos portugueses.
Augusto Inácio, aqui o Pedro Henriques deu um pouco um spoiler da minha pergunta, mas aquilo que eu ia perguntar era: tanto se tem falado sobre o contraste entre a despedida de Lionel Messi e a eventual despedida de Cristiano Ronaldo, ainda não estamos no último capítulo, com certeza. Ontem CR7 publicou esta mensagem de homenagem ao legado de Messi na seleção argentina. É deste Ronaldo de que precisamos nesta altura? Do Ronaldo desta mensagem?
Boa tarde, Jorge. Olha, depois de vermos e assistirmos a isto tudo que se passou com o Cristiano Ronaldo e ver aquilo que se passou com o Messi, deixa aqui uma dor de alma muito grande, porque o Cristiano Ronaldo também merece, ou merecia, uma despedida com aquela dimensão. Diria que dói o coração, sinceramente. Uma grande figura como é o Cristiano Ronaldo, que deu tanto, que carregou tanto a bandeira portuguesa por esse mundo fora, tanto nos deu, tantas alegrias que nos deu, um exemplo daquilo que é o chegar lá, como chegar lá, os sacrifícios que tem que ter e aqui ou acolá, por este ou aquele episódio menos positivo, e estamos a ver o final de carreira de uma forma que eu diria que é muito triste. Mas oxalá, é muito difícil, mas oxalá que as coisas se componham de forma que realmente ainda possa ter alguma dignidade na despedida.
Um desfecho diferente.
Diferente, claro. Da maneira como está, eu entendo que nesta altura, se calhar, o silêncio depois da conferência de imprensa do Jorge Jesus e depois do comunicado do Cristiano Ronaldo e depois da polêmica que aconteceu no dia a seguir e no outro dia, eu diria que este é o momento agora de calma, de paz no diálogo, para que se tente arranjar uma forma, uma solução em que nem um se sinta diminuído, nem o outro se sinta diminuído. E o Pedro Henriques disse uma coisa bem, há que engolir aqui algumas coisas de parte a parte, não é só da federação, não é só do treinador, é também do Cristiano Ronaldo. Engolir aqui algumas coisas para tentar chegar aqui a uma forma, pelo menos, que possa conviver neste ou naquele jogo e para a despedida do Cristiano Ronaldo. Mas diria que é muito difícil. Às vezes os feitios, as personalidades não deixam passar aquela linha que eles entendem que têm e isto pode ser prejudicial para todos. Mas diria que sim, como se costuma dizer, ou como eu costumo dizer, rezar para que as coisas corram da melhor forma possível neste momento.
Vamos então mudar de tema, a não ser que, Bruno, tenhas alguma coisa a dizer mais.
Não, em relação ao Messi, só dizer uma coisa que acho que devia levar as pessoas a fazerem uma reflexão por que isto aconteceu. Aconteceu isto tudo com o Ronaldo e ainda se vai tentar remediar. Oxalá, como é óbvio, o Ronaldo possa ter outra despedida. Acho complicado ter uma despedida como aquela que Messi teve. Agora, a minha reflexão é, e será sempre esta: o que faltou a Cristiano Ronaldo na seleção, e não é de agora, é desde sempre, para ter uma equipa a morrer por ele, como Messi sempre teve na Argentina? Acho que é uma reflexão que devíamos fazer. O que Ronaldo não fez, ou então o que Portugal nunca fez para haver uma equipa e haver um conjunto de jogadores que estivessem dispostos a morrer em campo, como se via a Argentina com Messi. E provavelmente esse foi o segredo pra Argentina ter sido campeã mundial em 2022.
Fica essa reflexão do Bruno Roseiro. Mudamos agora de tema. Dragões de Ouro, ontem a gala do Futebol Clube do Porto, de entrega de prêmios do Futebol Clube do Porto. E Bruno, podemos fazer aqui uma análise ao discurso do André Villas-Boas. Teve um discurso ao mesmo tempo virado para dentro, que disse que o facto do Futebol Clube do Porto ser campeão dá ainda mais responsabilidade ao clube e à equipa, e o discurso virado para fora também com algumas críticas a pedir igualdade de critérios. Pareceu-me a mim, a uma certa comunicação social, comentadores, mas também a arbitragem. Como é que viste este discurso?
Ainda assim, um pouquinho diferente, porque falou mais para dentro do que é normal e menos para fora do que é normal, apesar de todas essas farpas. Claramente, havia ali uma surpresa preparada que tinha a ver com o licenciamento do Centro de Alto Rendimento em Gaia, que será o grande projeto em termos de infraestruturas neste mandato de André Villas-Boas. Uma boa notícia também em termos do universo Futebol Clube do Porto, que é a proximidade que o clube tem dos 200 mil sócios. Em termos de Futebol Clube do Porto, é um universo de peso. Aproveito já para dar a minha nota de campeão na cerimônia, que foi uma cerimônia que ganhou outro protagonismo, até pelo facto de ter sido no que para mim vai ser sempre o Pavilhão Rosa Mota, sei que agora ele tem patrocínio, mas para mim vai ser sempre o Pavilhão Rosa Mota, cheio, ou seja, um Futebol Clube do Porto pujante, que voltou a ganhar, não só no futebol, mas também nas modalidades, com histórias que mostraram que há muito mais além do desporto, seja a Carla Oliveira no bózia, seja o Pedro Machado no basquetebol, que ambos ganharam cada um um Dragão de Ouro. E a minha nota final, houve também a homenagem da equipa de futebol à viúva de Jorge Costa, que acaba por ser o grande momento da noite. Agora, a minha nota 20 para André Villas-Boas não vai propriamente para a cerimônia, nem para o discurso, nem para o momento do Futebol Clube do Porto. Vai para a capacidade e para a sagacidade que ele teve de perceber que enquanto não eliminasse uma franja do universo Futebol Clube do Porto, que ainda estava agarrado ao passado de Pinto da Costa e que não perdoava André Villas-Boas pela maneira como Pinto da Costa saiu do clube, cada vez mais se percebe que era um elefante na sala que está a desaparecer. Seja, por exemplo, quando Paulo Futre sobe ao palco e diz: "André, lá em cima, ele de certeza absoluta que está muito orgulhoso daquilo que tu estás a fazer", que era algo que provavelmente só o Paulo Futre se lembraria de dizer. E também Eurico Pinto, que recebeu um dos Dragões de Ouro em nome de Ilídio Pinto, o pai. Portanto, o Ilídio Pinto está doente, foi o Eurico Pinto e foi a família. E foi mais uma prova de como André Villas-Boas percebe a importância. Neste caso, não é ser politicamente correto, é reconhecer as pessoas e aquilo que fizeram pelo Futebol Clube do Porto, neste caso, aquilo que Ilídio Pinto fez pelo hóquei, mesmo sabendo que Ilídio Pinto será sempre um fiel de Jorge Nuno Pinto da Costa, mas todos têm alguém em comum que é o Futebol Clube do Porto. E por aí, eu acho que André Villas-Boas tem muito mérito.
Augusto Inácio, pergunto também como é que viste esta gala dos Dragões de Ouro, com destaque a esse momento também a que fez referência o Bruno Roseiro, da homenagem à viúva de Jorge Costa, Stela Costa. O prêmio Dragão de Ouro foi entregue, o Dragão de Ouro da Equipa do Ano, por Francesco Farioli e Diogo Costa a Stela Costa.
Deixa-me dizer também a minha nota de campeão a esta gala do Futebol Clube do Porto. Eu vou dar nota 20 e acho que o título deveria ser Gala dos Dragões de Ouro e depois por baixo: Futebol Clube do Porto não esquece os seus. Diria que independentemente daquilo que foi o mérito de todos aqueles que ganharam o Dragão de Ouro, há momentos altos naquela gala que foi arrepiante. Claramente que a viúva de Jorge Costa, com a sua presença, é realmente um momento alto, mas independentemente do treinador do ano ser o Farioli, o atleta ser o Diogo Costa, o futebolista ser o Ferraresi. Enfim, eu queria destacar aqui três Dragões de Ouro, que pra mim ilustra bem aquilo que eu disse ainda há pouco, o Porto não esquece os seus Prémio Carreira Teófilo Covilhas, 77 anos. Muita gente não conhece este homem, mas este homem foi um dos grandes craques que passou naquela altura pelo Futebol Clube do Porto e passados estes anos todos, alguém se lembrou de que este foi um craque que passou no Porto, merece um Dragão de Ouro de Prémio Carreira. Fantástico. Também para os vintage, o Dragão de Ouro Vintage. Desta vez foi para o Paulo Futre, um daqueles que em 87 ganhou a Taça dos Campeões ao Bayern de Munique em Viena. Também não foi esquecida essa geração. E também aqui, como o Bruno Rosa já disse, a recordação Ilídio Pinto, o pai do Hóquei em Patins do Futebol Clube do Porto, anos a suportar do bolso dele esta secção de hóquei em patins e que o Porto conseguiu ganhar campeonatos e conseguiu ter grandes equipas à custa deste grande senhor que recebeu o Dragão de Ouro pelo seu filho. Por estas três figuras, Prémio Carreira, Prémio Vintage e Recordação, só por isso o Futebol Clube do Porto merecia e merece nota 20 pela gala que teve, além de, claro, nunca se esquecer de Jorge Costa.
Pedro Henriques, rapidamente, peço-te que sejas rápido na tua análise também a estes Dragões de Ouro, antes de irmos às notas. Foi uma gala, como diz o Augusto Inácio, que o Futebol Clube do Porto fez na perfeição, digamos assim, o Augusto deu nota 20. E depois Frold é a figura da equipa de futebol. Se é justa esta atribuição, o principal jogador do ano.
De forma rápida. Eu acho que estas galas são muito importantes para aquilo que é a coesão interna do grupo, e aqui grupo, entenda-se clube, que não é só o futebol, claro que o futebol é a parte maior, mas também todo o desporto em geral e as pessoas que colaboraram, contribuíram, figuras que já passaram, figuras que já nos deixaram, que foi o caso de Jorge Costa. Portanto, eu acho que o clube sai sempre enriquecido nestas galas, fortalecido e num momento bastante crucial, porque vai retomar agora outra vez a liga e sabemos que o futebol é sempre o foco importante. Portanto, parabéns ao Futebol Clube do Porto pela data, pela gala, pelo reconhecimento dos seus, e nesse aspeto estão de parabéns. O ponto, para mim, sempre negativo, e aqui é para o Futebol Clube do Porto, Benfica ou Sporting, porque esta frase que aparece e que diz que os critérios disciplinares e de arbitragem não podem mudar consoante a cor da camisola, se eu não soubesse em que gala é que foi, eu diria que podia ter sido na gala do Porto, do Benfica ou do Sporting. É mais do mesmo. Ou seja, aqui não se trata de Águias de Ouro, Leões de Ouro, Dragões de Ouro, trata-se de Calimeros de Ouro.
Pedro, então vamos começar por ti, vamos às notas.
A minha nota mantém-se ainda nesta questão de tudo o que tem a ver com esta situação da Federação Portuguesa de Futebol, do Cristiano Ronaldo, de Jorge Jesus. E neste caso, uma nota positiva, vou dar 16 ao Jorge Jesus pelo fato de ou não ter respondido ou ter respondido que está focado no trabalho. É preciso um adulto na sala neste momento, até para acalmar as coisas e para se tomarem decisões. E acho que o Jorge Jesus, com esta não resposta ou resposta desta maneira, foi o tal adulto na sala, esperando que haja, dentro daquilo que já foram muitos danos colaterais e estragos, uma saída honrosa para todos, para o povo português, na perspetiva de que amamos o futebol, a Federação e também gostamos e amamos o Cristiano Ronaldo, para a própria Federação, para a própria seleção, e que isto não possa beliscar nunca o mais importante, que é o selecionador Jorge Jesus e os seus jogadores e aquilo que é a proteção desportiva. E para já, uma nota positiva de 15, 16 para a atitude de Jorge Jesus/não resposta e esperamos que venham melhores tempos para a seleção no que diz respeito a este aspeto específico do ruído e do barulho.
Augusto Inácio, para além da nota 20 para o Futebol Clube do Porto, que outras notas tens para dar?
Não, eu só vou dar esta nota porque acho que foi realmente uma coisa que se passou ontem à noite e que realmente foi emocionante para a família portista. A nota que eu queria dar vai ser amanhã, o início da nossa liga.
Bruno, que notas é que tens para dar?
Tenho já também André Villas-Boas, mas se tiver que destacar outra, claramente também sai da cerimónia, porque foram duas histórias que eu fui ler depois de ter visto a cerimónia e depois de ter visto os aplausos que mereceram. Carla Oliveira no bocce e Pedro Machado no basquetebol. Recomendo às pessoas que vão perceber porque é que eles ganharam o Dragão de Ouro, toda a sua história e de facto são exemplos que ficaram para todos os outros atletas.
Ficam as notas dos nossos campeões e o "Campeão É" está de regresso amanhã, já com esse arranque do campeonato nacional.