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Nos próximos minutos falamos de desporto na Rádio Observador. Começa agora mais uma edição de "E o Campeão É". Vários temas na agenda. Para tal, conto com a análise do Gabriel Alves, do Augusto Inácio, do Pedro Henriques e também do editor de desporto do Observador, o Bruno Roseiro. Sejam todos muito bem-vindos, meus caros. Vamos começar por falar dos sub-17, a seleção portuguesa de sub-17. Jogam esta tarde a semifinal do Campeonato do Mundo dessa categoria. Jogo às 16h frente ao Brasil. Encontro complicado, é certo, mas Portugal, que procura uma presença inédita na final, tem até um bom registo em Europeus de sub-17. Bruno Roseiro, eu vou começar por ti. Portugal tem feito um ótimo percurso, apenas uma derrota frente ao Japão, ainda na fase de grupos. O que é que podemos esperar deste encontro e que tipo de experiência é que Portugal traz que possa levar a melhor sobre o Brasil?
Em relação ao Brasil, é complicado nós percebermos o que é que o Brasil pode render. Já fez grandes exibições pelo que se viu dos números, teve grandes dificuldades agora em passar Marrocos.
Dois desempates por grandes penalidades.
Dois desempates por grandes penalidades. Marrocos, que começou muito mal o Campeonato do Mundo, esteve muito próximo de fazer uma surpresa também nos quartos, agora. Aquilo que me parece é que esta é a equipa que, olhando para todas as gerações que já foram campeãs europeias sub-17, e Portugal já foi sete vezes campeã europeia de sub-17, só a Espanha é que foi mais vezes, é uma geração que se calhar não tem tantos nomes e tantas individualidades como tinham outras. De recordar, por exemplo, em 89, havia Luís Figo, ainda não no patamar que depois conhecemos, Peix, Abel Xavier, o Bino, que é agora selecionador dos sub-17. Depois tivemos em 95 a geração do Caneira, do Vargas, que era um ponta de lança formado no Sporting, o Pedro Hipólito, também um médio ofensivo do Benfica. Tivemos depois aquela geração 2003, que foi campeã europeia em Viseu, Miguel Veloso, Moutinho, Márcio Sousa, que decidiu a final contra a Espanha. E qual foi o problema? Chegados ao Mundial, a equipa nunca conseguiu fazer uma transposição daquilo que fez no Campeonato da Europa, no Campeonato do Mundo. Agora, aquilo que está a acontecer não tem nada a ver com isso. Ou seja, é uma equipa muito coesa, com alguns jogadores que pra mim são destaque, por exemplo, o Wifiga nesta altura, que se fala tanto no lateral esquerdo, acho que o José Neto é de longe o melhor lateral esquerdo desta competição e garantidamente terá um grande futuro. E é uma equipa que, quando nós olhamos para todo este trajeto, o MVP é sempre um MVP diferente. Já tivemos o Steven Manuel, o Mateus Mido, o Rafael Quintas, o Duarte Cunha, agora o José Neto no último jogo com a Suíça. E são jogadores que quando vão à Flash falar desse prêmio, falam por um lado a equipa e por outro, em alguns casos até, como por exemplo, o Rafael Quintas, fala inclusivamente do trabalho que outros companheiros também fizeram. Eu diria que isto é uma imagem de marca desta equipa que pode fazer história. Ou seja, apesar de todo este trajeto que Portugal tem no Campeonato da Europa de sub-17, Portugal o máximo que conseguiu em Mundiais foi o terceiro lugar em 89, naquela tal geração do Figo e do Peix.
É um cenário que ainda está em cima da mesa, mas acredito que a seleção de Bino esteja já a apontar essa presença inédita numa final. Para tal, precisa de vencer o Brasil. Jogo, relembro, marcado para as 16h. Gabriel Alves, quero também saber que expectativas tens para este encontro e para esta geração de jovens talentos a surgir.
Eu assino por baixo o que o Bruno disse, mas vou acrescentar. Eu acho que para os jogadores, é um encontro, portanto, um despique em língua portuguesa, recordando também aquela final de 91, que Portugal venceu o Brasil e se tornou campeã. Que se divirtam. Isto é acima de tudo, estes miúdos têm que competir, fazendo alta competição, naturalmente, se estão num campeonato a este nível, um campeonato mundial, que se divirtam. E dentro daquilo que é o espaço da lusofonia, que essa diversão possa ser obviamente tida em termos internacionais, em termos ao nível global, como um bom foco, uma boa promoção para a modalidade, um bom desafio ao futuro e que quer Portugal, quer Brasil, no nosso olhar, que Portugal apareça. Que face a esta potência, que é sempre uma potência o Brasil, Portugal apareça devidamente em cor e colorido, com uma boa exibição e um bom resultado que junte as duas coisas. Mas acima de tudo, que seja um jogo divertido, entretido, seja futebol que possa agradar e que possa ser mencionado e tratado amanhã, digamos, ou ainda hoje, naquilo e hoje as coisas são muito mais rápidas, em termos internacionais, como um jogo para figurar no escalão como jogo de referência.
Augusto Inácio, expectativas também para mais logo, sendo que a qualidade parece assegurada, até porque estes jovens portugueses já mostraram que qualidade não falta neste grupo.
Boa tarde a todos. Eu já treinei também, comecei a minha carreira com os juniores do Porto e estava em polícia de sub-17, sub-18. Hoje sub-17, sub-18. Antigamente era juniores, não havia sub-17, nem sub-18. E estou a me imaginar o que é que vai na cabeça daqueles jogadores, que era aquilo que eu também apanhei ou tive quando eu comecei a minha carreira. Aqueles miúdos, aquela cabeça dos miúdos, está cheia de sonhos. Eles estão a pensar a que patamares é que podem chegar, onde pensam chegar, mas para lá chegar é preciso um caminho a percorrer. Esse caminho a percorrer tem uma ajuda bastante importante também de um
Um treinador, que é o Bino, que também foi meu jogador tanto no Porto como no Sporting, de levar para os caminhos do sucesso, mas acima de tudo, não só o sucesso. Como é que se está em campo? Como é que os jogadores se podem evidenciar não individualmente, mas coletivamente, depois é que vem o individual. Isto é tudo um somatório de muitos dias de trabalho, competição. Portugal é campeão da Europa, vai jogar com o Brasil e os miúdos estão se a expressar de uma forma que eu diria surpreendente para mim, porque eu vivi outros tempos, a cabeça das pessoas é diferente das de hoje. Eles falam sempre na interajuda, eles falam sempre no coletivo, eles nunca falam o "eu", como muitos às vezes dizem. Eles falam sempre no nós e daquilo que nós podemos fazer. Ora, isto tudo somado pode dar realmente grandes chances de Portugal ganhar. Mas se não ganhar, por qualquer motivo, porque a gente está sempre a pensar em ganhar, se não ganhar por qualquer motivo, acho que o caminho certo é este. O Bino está a levar os miúdos para um caminho em que se eles quiserem chegar longe, é assim que têm que fazer e é assim que têm que estar fora e dentro do campo. Por isso, a expectativa é grande e a minha nota de campeão, nota 20, para a nossa seleção, que possa ir à final, mas acima de tudo, fica já o registro de um grande trabalho feito pelo Bino Martins.
Pedro Henriques, quero também ouvir sobre este tema.
Muito rápido. Brasil, seis jogos, três vitórias e três empates. Portugal em seis jogos, cinco vitórias e uma derrota. Tendo como referência o 2 x 1, eu acho estas matemáticas, 2 x 1 de Marrocos, Brasil e Marrocos, Portugal empatou 6 x 0 com Marrocos, por isso logo vamos ganhar 3 x 0. Pronto, é só isto.
Ora bem, fica aqui já a aposta do prognóstico.
Deixa-me só acrescentar aqui uma outra curiosidade, que é: este é o mundial que está a ser realizado no Qatar, na Aspire Academy.
Em Doha, sim.
Lá em Doha. E com uma curiosidade que é: todos os jogos de Portugal tiveram sempre casa cheia. E por quê? Porque muitos dos grupos de WhatsApp que havia de portugueses durante o Campeonato do Mundo 2022 foram agora reativados e existe essa preocupação de Portugal ter sempre casa cheia e no mundial, que é o mundial já com maior assistência de sempre, em termos globais, não deixa de ser curioso, Portugal tem sempre casa cheia e tem esse apoio sempre dos portugueses.
E é o que esperamos também para mais logo. Recordo, Portugal Brasil, meia final do Campeonato do Mundo Sub17, arranca o jogo a partir das 16h. Vamos avançar, meus caros, de Doha, onde é este mundial Sub17, até a Arábia Saudita, onde Cristiano Ronaldo está em destaque. O avançado do Al-Nassr marcou um autêntico golaço na vitória do Al-Nassr sobre o Al Khaleej por 4 x 1, nona jornada da Liga Saudita de Futebol. Bruno, vais perdoar-me aqui esta questão, mas é muito simples. Ronaldo tem dezenas de carros de luxo, tem aviões, já fez férias em iates de luxo, mas aos 41 anos, ele continua fixado em bicicletas. Por quê?
Eu acho que ele está fixado na única coisa. Há duas coisas que ainda lhe faltam. É a bicicleta dos mil gols e é a bicicleta do Campeonato do Mundo. E é isso que ele vai trabalhar agora nos próximos-
46 faltam
...nos próximos meses, já falta cada vez menos. Do jogo do Al-Nassr, por acaso, aquilo que eu mais retiro é: mais uma vez vi uma versão que se aproxima do melhor de João Félix e que mais uma vez voltamos a não ver nesta última concentração da seleção. E fico com essa dúvida, que é que João Félix é que Roberto Martinez poderá contar no mundial? É sempre isso que me tem marcado mais nos jogos do Al-Nassr, depois Ronaldo foi mais uma vez Ronaldo, desta vez com a nota artística.
Gabriel Alves, foi melhor esta bicicleta ou aquela que ele marcou a serviço da Juventus contra o Real Madrid?
Cada bicicleta tem o seu perfil, cada bicicleta tem a sua qualidade, cada bicicleta tem o seu brilho. Portanto, esta foi brilhante e esta é tirada aos 40 anos. Parecia que tinha, no máximo, 20. Portanto, CR7 no seu melhor, encher as páginas de tudo e tudo o que é informação, exatamente não só pela questão da idade, mas acima de tudo pela beleza, pelo fator de qualidade, o espetáculo. Portanto, aquilo que é o futebol. E é interessante dizer aqui, se CR7 na Arábia deu show, o Messi nas Américas também. Estes dois, dos últimos 15, continuam separados hoje de países noutra dimensão, noutros campeonatos, continuam a ser o foco das atenções pela qualidade. Atenção, não é pelo nome, não é pelo currículo, não é porque foram, porque fizeram. Não, porque continuam a fazer. Queria só dar uma nota aqui àquilo que o Bruno Roseiro focou do João Félix. Bruno, o treinador do João Félix chama-se Jorge Jesus, não é um treinador que fala dos jogadores.
Sim, com esse não é para andar de bicicleta, é de moto.
Ora bem, com este é para jogares e trabalha e tira o partido do talento e diz-lhe o que tem a dizer e depois não vem para as conferências de imprensa queixar-se, que eles não têm atitude, que eles não são o quê. Não, o João Félix tem dois caminhos, o Jorge Jesus ou joga ou não.
Meus caros, temos de avançar, acelerar um pouco. Augusto, meta dos mil gols já está à vista.
É, só falta 46. E para quem dizia que o homem estava acabado, aí está ele para as curvas. Dá bicicletas com curvas e a bola ganha os efeitos. Ele faz tudo o que quer com a bola. O que é certo é que ele está a perseguir o sonho. Está a perseguir o sonho e vai lá chegar. É também uma nota destaque, minha nota 18, porque o Cristiano Ronaldo, quer queiram, quer não, digam mal, digam bem. Enfim, digam tudo o que disser do homem, o homem está ali para dizer que está presente e continua a ser útil. Por isso, parabéns ao Cristiano Ronaldo.
Pedro, vou fazer dois em um, até porque certamente trarás alguma estatística curiosa sobre o Cristiano Ronaldo. Vou pedir-te para comentares estes 46 gols que faltam e peço já também as tuas notas e os teus campeões.
Vou já direto à minha nota de campeão, até porque não quero estar a falar de futebol, já vocês falaram tudo e bem. Vamos falar de ciclismo. O Sr. João Almeida renovou até 2028 com a Emirates. O CR7 renovou, não sei com quem, se com a seleção, com o próximo Europeu, se calhar ainda vamos ter mais um mundial cá em Portugal. Não, ele já disse que não. É fantástico, é só extraordinário. E numa semana em que ele foi demasiado criticado, até por coisas relacionadas com o futebol, mas extra futebol, a ida dele à Casa Branca. Este homem continua a dar respostas, muitas vezes estando calado, outras vezes fazendo exatamente estas coisas magníficas. E esta bicicleta é extraordinária. Sabemos que o contexto é diferente. Da outra vez foi contra o Buffon, foi na Liga dos Campeões, mas não deixa de ser um gesto técnico muito idêntico. A comparação é quase, as fotografias ao lado umas das outras, quase perfeitas, mas é sobretudo o que está por trás disto, que é a vontade, a atitude, a postura. Enquanto uns alegam dor nas costas, outros alegam que querem estar no Campeonato do Mundo, que querem, embora ele não diga isso de forma tão explícita, atingir os tais 1000 gols, faltando neste momento 46, e querem continuar a ter objetivos e sonhos. Portanto, Cristiano Ronaldo, nota 20. Não é pela bicicleta, é por aquilo que ele representa.
Já sabemos as notas do Pedro Henriques, o Agostinho Inácio também já as foi dizendo ao longo do programa. Gabriel Alves, em 30 segundinhos, notas e campeões.
Faltam algumas.
Então já vou a ti, Gabriel Alves, 30 segundinhos. Dá as notas e campeões. Tem que ser mesmo muito rápido.
Eu dou para o Ronaldo 20. Quando se fala tanto de treinadores, vou dar 18 a um tal senhor de 66 anos, Gasperini. Grande trabalho na Atalanta, tem mau feitio, mas também tem humor, verrinoso. Aquela Roma, 25, 26, vai na frente. E com que futebol! E não gastou muito. Precisou de chegar aos 101 milhões. 18.
18, fica aqui dado. Agostinho Inácio, então já deste tudo, o que é que ainda tens aí guardado?
Falta-me falar dos tombos gigantes, do Fafe, do Caldas e do Vila Amiano, que eliminaram o Arouca, o Tondela e o Leixões. Acho que é uma nota de destaque. Também queria destacar o Leonardo Jardim, que ontem ganhou o Cruzeiro ao Corinthians três a zero, estando desalegado a dois pontos do Abel, está em segundo do Palmeiras, mas já apurou o Cruzeiro para a próxima época nas Libertadores. Grande trabalho do Leonardo Jardim, nota 18.
Amanhã há sorteio das oitavas final da Taça. Bruno, vamos já com as tuas notas?
Sim, uma nota positiva, nota 18 para a Itália. Já tinha ganho também no feminino, agora ganhou a Taça Davis pelo terceiro ano consecutivo em ténis. Acho que a Itália é um exemplo paradigmático de onde é que se pode alcançar o sucesso no desporto quando existe um projeto bem estruturado que vem mesmo da parte institucional. Uma nota negativa, nota oito para as modalidades do Futebol Clube do Porto, pavilhão. Voltou a ser um fim de semana complicado em termos de resultados. Há muitas lesões, há contratações que não resultaram, mas de facto parece-me que estão a soar alguns alarmes. E uma nota que fica só para memória futura: o Real Madrid este fim de semana aprovou e vai organizar uma assembleia geral para vender parte do capital social a um investidor pela primeira vez. Acho que devemos ter sempre este assunto muito presente na nossa cabeça.
Fica por aqui. A edição de hoje de O Campeão é, fica como sempre disponível em podcast.