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Arranca agora mais uma edição de "E o Campeão É". Vamos analisar a Supertaça. Vitória do Benfica por 1 x 0. Pavlidis decidiu o encontro a favor dos encarnados com um gol no segundo tempo. Foi o primeiro jogo oficial para o Benfica e para o Sporting. Há muito para discutir sobre este jogo no Algarve. Para tal, duas boas-vindas ao Marco Caneira, ao João Castro e também ao Pedro Henriques. Sejam todos muito bem-vindos. Marco Caneira, vou começar por ti. O Benfica sai do Algarve com a Supertaça. O que achaste do jogo e se olhas para a equipe encarnada como uma justa vencedora?

Sim, boa tarde a todos. Foi um jogo disputado, um jogo de início de temporada, onde o Benfica apresentou alguns reforços, o Sporting mais consolidado naquilo que é a sua questão do coletivo. Parece-me que o Benfica acabou por tirar partido também daquilo que são as individualidades e parece-me, para bem ou mal, é um bom indicador iniciar, passar 15 dias com alguns reforços no 11 e conquistar um título. Obviamente que a questão do Sporting é uma questão que também foi colocada a Rui Borges no final da partida, a questão do sistema tático, a questão dentro do sistema tático, do perfil dos seus jogadores. Obviamente que vai ter muito para refletir. Uma final bem disputada, com pouca intensidade no início, um Benfica que me parece, fisicamente, acabou por estar um pouco por cima nessa fase de pressão, e um Sporting que vai ter que refletir sobre a questão tática de Rui Borges, até porque é importante, quando quer alterar o sistema, ter os jogadores para esse perfil. O Sporting sentiu muita dificuldade e sentiu também a dificuldade de menos 40% ou 42% de ter Viktor Gyokeres época passada, na concretização e também naquilo que eram as assistências.

João Castro, certamente insatisfeito com esta derrota frente ao Benfica na Supertaça. A minha pergunta é se viste alguma coisa que te traga ânimo para o resto da temporada.

Bom dia a todos. Obviamente, nunca ninguém fica satisfeito quando perde um troféu logo no início da temporada. Embora estatisticamente, sempre que o Sporting ganhou a Supertaça, nunca foi campeão. Não quer dizer nada, mas se acreditamos nessas superstições, pode ser engraçado, depois no final, vermos e voltarmos atrás. O ano passado custou mais, obviamente, estar a ganhar 3 x 0 contra o Porto e um Porto mais fraco, e depois sofrer aquela reviravolta. Ontem acho que o jogo foi um jogo disputado. Não bem disputado, mas um jogo disputado de pré-época, quase, com poucas oportunidades de gol, poucas criações de oportunidades de gol, com poucos remates enquadrados com a baliza, mais posse de bola do Sporting, como se viu no final. Mas é verdade que o Benfica acabou por aproveitar um erro defensivo do Sporting, ou um duplo erro, não só o corte para a zona frontal, para a zona de tiro do Maxi, como depois o Rui Silva é mal batido também. E depois ganhou a ascendente no jogo e controlou o jogo. É o sistema do Rui Borges. Muita gente fala do sistema, mas eu acho que mais que o sistema, são as dinâmicas. Mas ontem até o Sporting conseguiu, na primeira parte, sair várias vezes com menções de jogo interior, onde o Pote esteve realmente em destaque, aparecendo nas costas dos médios do Benfica, e o Benfica teve muitas dificuldades nesse aspecto. Só que depois faltou ao Sporting os últimos 30 metros. Ou a decisão por Trincão ou por Harder, que continua a ter dificuldades em entender o jogo, ou o que este jogo do Sporting pretende. Acho que o gol anulado do Sporting teve impacto também. Obviamente, se o Sporting tivesse a vencer, acho que o jogo teria sido totalmente diferente, e acho que foi até a melhor jogada do encontro. E depois há aqui muitas coisas que nós podemos questionar sobre o Rui Borges. Mas ontem, a jogada da saída com o seu sistema, com o Fresneda a recuar para o meio dos centrais. O Sporting defendeu quase sempre a cinco, portanto, não houve assim tanta diferença como muita gente está a fazer crer. O Fresneda teve sido em cima do Turcooglu por dentro, juntava-se aos centrais e o Jeni cobria o lado direito. Ao sair o Sporting, ou saía dois, ou saía três com o Fresneda, ou saía com o Gilmar recuado para os meios centrais. Raras vezes, mas aconteceu, ou com o Morita sobre o lado esquerdo. E na primeira parte eu até avalio realmente boas ligações do Sporting. Faltou a parte final. O Benfica com falta de criatividade, perfeitamente visível com a colocação do Barreiro, que a maior intenção foi claramente ali na pressão com o Pavlidis, com muita dificuldade em ter criatividade no último terço, e o Sporting também. Mas o Sporting teve mais bola no último terço disponível para fazer. O Benfica teve mais bola quando recuperava na fase de construção do Sporting, e o Inácio falhou dois ou três lances que provocou realmente ali alguma fricção na primeira parte. Depois, na segunda, o Sporting até entra bem, o Benfica percebe que tinha que anular aquele espaço nas costas dos defesas, então recuou o bloco, não pressiona alto. Depois acaba mesmo por jogar no 5-4-1. E com isso beneficiou, porque tapou os espaços entre as linhas, e o Sporting teve ali uns primeiros minutos que até demonstrou realmente o controle do jogo e a tentar chegar mais à baliza do Benfica, e depois acontece o gol. Numa transição, o Benfica acaba por fazer o gol, com esses dois erros no momento dos jogadores do Sporting e a partir daí acho que acaba por vencer bem, porque soube depois gerir muito bem a vantagem conquistada. O Sporting acaba por mudar. E deixa-me dizer que eu nunca tinha tirado o Harder. Tinha posto o Harder e o Suárez.

E eu já falaremos sobre o Harder daqui a pouco, João Castro. Para já, vou perguntar aqui ao Pedro Henriques se podemos falar de um justo vencedor.

Muito boa tarde. Eu acho que há umas siglas que são muito importantes na nossa história. Por exemplo, o A.C./D.C., que é o antes de Cristo e depois de Cristo. Depois, em 2020, mantivemos o A.C./D.C., que é antes do Covid e depois do Covid. E agora para o Sporting, em 2025, é o A.G./D.G., que é antes de Gyökeres e depois de Gyökeres. Eu acho que isto diz muito aquilo que o Sporting vai ter pela frente, que é sempre que alguma coisa não correr bem, conscientemente, inconscientemente, no subconsciente, como quiserem, adeptos e leoninos vão ter sempre esta questão que é do Gyökeres, se calhar, as coisas poderiam ser diferentes. Eu vou dar um exemplo: bola no tiro de penalidade para o Suárez. No final da Taça de Portugal, parecido, só que o Gyökeres foi na direção da baliza e o Gonçalo Inácio fez o pênalti, e ele ia para a baliza para marcar. O Suárez, além de perder metros e de ter estado todos os descontos ainda, porque é neste momento que ele chegou, preocupou-se desembaraçar-se da bola e procurou ainda por cima alguém na área que estava marcado por três jogadores do Benfica, que facilmente ficaram com a bola. E estas são as diferenças em um jogo, em que um jogador sozinho muitas vezes resolve os tais 40% que o Caneira falou aqui, em que num lance resolve e muda completamente o resultado, e a partir daí o jogo estava naturalmente diferente, ou do tal jogador que não cria ou que não dá essa solução. E acho que neste momento, aquilo que me apraz dizer é muito esta questão do Gyökeres. A vitória do Benfica, além do título, embala também o Benfica para um momento que é muito relevante e importante, não só desportivamente, que é a Champions League ou a tentativa de chegar à Champions League, com, para já, dois jogos com o Nice extremamente difíceis. E até se formos um pouquinho mais além, para a questão das eleições e do próprio Rui Costa, dizer ainda que o Fábio Veríssimo, do meu ponto de vista, cumpriu e esteve bem.

Já vamos falar do Fábio Veríssimo, Pedro.

Não há muito a dizer. Esteve bem e cumpriu e ponto final, parágrafo. Tudo o que disserem ao contrário não é verdade. E em relação a esta questão das transmissões televisivas que querem ajudar o futebol e se querem ajudar, inclusive, a arbitragem, não é fazer tipo: "Epa, não mostram as repetições ou mostram ângulos diferentes." É exatamente ao contrário, porque depois vem um telemóvel da bancada que mostra um ângulo, só vem uma imagem martelada e depois ficamos todos confusos. Por que eu estou a dizer isto? O 1:53 é um lançamento importante, em que provavelmente o Arder poderá ter sofrido ou não falta de Otamendi, e se houvesse falta, era para cartão vermelho, que é um local de grande gol. E agora, eu por acaso já sei que até havia fora de jogo. A transmissão não mostrou o fora de jogo de 4 cm. Do Arder, se porventura houvesse vermelho, iria mostrar. E depois a questão da própria jogada em si, que dá uma única repetição e de longe. Isto não pode ser. Quem está na régie tem que ter a capacidade e a competência de leitura de lances que são extremamente importantes. E o que a gente vai ver? Nós vamos às redes sociais e toda a gente está a especular em função ou em torno de um determinado lance que não tinha especulação nenhuma. E eu não gosto desse tipo de transmissões em que só dão uma repetição e ao longe e que não mostram nada. E por isso também uma nota muito negativa para aquilo que foi a transmissão televisiva, que ontem não esteve bem, nem acima de questões.

Marco Caneira, este acabou por ser um jogo muito tático, muita rigidez, também alguma falta de criatividade. A minha pergunta é precisamente essa: faltam aqui jogadores criativos às duas equipas, quer ao Benfica, quer ao Sporting?

Não, o Sporting habitou-nos estas duas últimas temporadas com aquilo que era o seu pragmatismo tático, no seu sistema, com a questão de Gyökeres na frente. Obviamente que os criativos eram Trincão e Pote, e falávamos disso. Eu acho que a questão do próprio Arder e das dinâmicas, sim, mais que o sistema, são realmente as dinâmicas, porque indiretamente acabamos por ver um Trincão muito abaixo daquilo que é a sua expectativa, daquilo que é também o seu grau de importância ofensiva na equipa do Sporting. Pedro Gonçalves esteve bastante bem nessa primeira parte, sempre entre linhas, onde a tal rigidez do Benfica, do meio-campo a pressionar muito alto e quando assim era o Sporting conseguia sair e bem entre linhas para Pedro Gonçalves. Mas hoje em dia a criatividade, eu acho que é a criatividade dos próprios técnicos a montar um sistema tático.

E quem esteve melhor, Marco Caneira?

Olha, eu acho que o Benfica acabou por tirar aqui muito partido desse equilíbrio de Bah e Nechta, que me parece que fez uma partida muito importante. A questão do próprio Orbán, que era sempre o jogador mais visado pela importância que dá ao 11 e ontem foi quase omnipresente na partida, sem falarmos muito dele, e que tem uma extrema importância naquilo que é a dinâmica do Benfica. A parte do Sporting, sim, eu acho que praticamente sempre numa saída a três, com Fresneda. Eu refiro, não é a questão do sistema, é a questão dos jogadores que se colocam no sistema, até porque depois com Debast é outra coisa, porque há uma saída por um central ou no meio-campo Debast que tem a noção de jogar verticalmente. Obviamente que a questão de Kenda e de Catamo nos extremos mais ofensivos e a questão de Luís Suárez com Arder. Eu acho que aí vai ser o ponto difícil ou o ponto de equilíbrio que Rui Borges terá que olhar, terá que perceber qual é a sua forma jogando em três ou em quatro, porque a dinâmica ofensiva passará sempre por Pedro Gonçalves, por Trincão, jogadores extremamente importantes, que ontem, como refiro, eu acho que a dinâmica de Arder deixou Trincão quase fora deste jogo.

E é precisamente essa a pergunta que eu vou fazer a João Castro. Arder foi talvez um dos mais visados. Há pouco já começaste a falar no avançado leonino. Há muita pressão sobre ele, tendo em conta as botas que está a preencher, que são as botas de Viktor Gyökeres. E quero também perguntar-te como é que olhas para a forma como Rui Borges mexeu na equipa. Ele que acabou por mexer primeiro. Aliás, também estava a perder, tinha de o fazer, não é?

Sim, eu acho que o Hader tem mais dificuldade de jogar sozinho, sobretudo com estas dinâmicas mais recentes do Rui Borges. Eu acho que o Hader em dupla, e se formos analisar os jogos e os gols que fez e as assistências, e para um menino que veio da Dinamarca, ainda com pouca experiência, a verdade é que foi uma excelente primeira época. Basta ver o gol que ele marcou, por exemplo, no final da taça diante do Benfica, que deu a vitória ao Sporting também. E quando substituiu o Gyökeres, ou seja, quando o Gyökeres tinha lesionado, apareceu realmente várias vezes e ia salvar o Sporting. Só que eu acho que para aquilo que agora o Rui Borges está a pedir, é preciso ensinar o menino a soltar primeiro, a jogar melhor de costas, a receber. Já não tem aquele espaço para fazer as diagonais tão curtas, pretende-se outras coisas para o Hader. E nesse sentido, eu acho que ele combina. Na altura, eu acho que o lugar vai ser claramente para o Suárez, tem outro estilo de ligação e aí já se vai vir mais o Trincão e concordo com o Carneiro. Aliás, bastou-se ver três ou quatro combinações em que quase de primeira de calcanhar o Suárez deu as bolas aos avançados interiores do Sporting. Mas eu acho, e voltando à segunda questão tua, que eu não tinha tirado o Hader, porque baixando o bloco do Benfica, o Sporting precisava de mais presença lá na frente. E depois quando começou a abusar também de alguns cruzamentos, o Suárez, não sei se as pessoas sabem, mas marcou 27 gols, não marcou nenhum de cabeça. O Hader é mais forte nesse aspecto, podia ganhar segundas bolas e tem uma capacidade de remate muito forte. Eu teria mantido o Hader. Eu até teria recuado o Pote para número oito. Acho que o Kochashvili não entrou assim tão bem. Ele quer pegar no jogo, mas não é um jogador de arriscar tanto o passe. Eu acho que o Pote a oito podia ter dado ao Sporting, obviamente, com a desvantagem nas transições, o Benfica podia se aproveitar um pouquinho mais pelo cansaço do Pote e pela sua menor capacidade defensiva. Mas a verdade é que eu tinha recuado o Pote para oito e tinha colocado o Hader ali ao lado do Suárez. Acho que o Sporting ia beneficiar muito mais disso, estaria mais perto de causar alguma mossa ao Benfica, mesmo aumentando o risco depois de sofrer um gol, mas eu acho que isso que pedia. E concordo com o Carneiro quando ele foi tocar em dois aspectos que eu acho importante, Debast e Kenda. Eu não consigo perceber como é que um jogador de 50 milhões continua a ser segunda opção para o Rui Borges em comparação com o Geny. Com todo respeito para o Geny, que dá coisas diferentes do que o Kenda, mas o Kenda é um jogador com outra capacidade de último passe, outra capacidade de cruzamento e se calhar tem que arriscar mais no um para um. Tem essa qualidade, mas arrisca menos que o Geny, que é mais de fogachos e fica mais na cabeça dos adeptos. Mas acho que o Kenda é um jogador superior, mas vejo que o Rui Borges prefere realmente o Geny. O Debast, eu acho que dá muita qualidade na saída e dá a capacidade do passe longo, passe de profundidade, que mais ninguém tem. Aliás, nós todos nos lembramos, mal entrou ele mete uma bola a 35 metros para o Max do lado esquerdo, provocando logo ali uma boa jogada ofensiva do Sporting. Portanto, acho que o Rui Borges tem que arranjar um modo de encaixar esses dois jogadores, que eu acho que são jogadores muito fortes, com muita qualidade. Além que o Debast tem a qualidade de bater as bolas paradas. O Sporting teve lá vários cantos que não causaram perigo nenhum, ou livres, e o Debast tem essa qualidade também de bater bolas paradas. Portanto, acho que o Rui Borges tem que arranjar forma de encaixar estes dois jogadores, até porque o Geny, quanto a mim, até beneficia muitas vezes quando entra a partir do banco, já com adversários mais cansados e com a sua explosão, a sua capacidade, a sua velocidade. Acho que até desequilibra mais do que começando de início, mas lá está, são as opções do mister.

Pedro Henriques, quero também perguntar se este foi um bom prenúncio para o resto da época.

Para quem? Para o jogo em si, para o Sporting, para o Benfica, para a arbitragem?

Eu, na verdade, estava a pensar apenas em três dimensões, que é um bom prenúncio para estas duas equipes, ou seja, para o Benfica e para o Sporting, e também para o que podemos esperar do futebol da Liga Portuguesa.

Vamos lá ver uma coisa. Estes jogos têm muito de estatismo, têm muito de ser o início da época, tirar conclusões daqui, às vezes, pode ser errado. Basta ver o que aconteceu no passado com o Sporting, que numa reviravolta espetacular para o FC Porto ganhar a Supertaça e depois no final da época o Sporting é bicampeão e ganhou a Taça de Portugal. Não há épocas iguais, não há momentos iguais e, portanto, tirar referências desse jogo para o resto da época pode não ser a coisa melhor. E a partir do Benfica, com estes só 15 dias, a vez do mundial. Portanto, há aqui vários nuances que tornaram este jogo, que eu acho que tem um cariz totalmente diferente. Agora, eu acho que o Benfica sai com sensações mais positivas, pois já tem o título, ganha a parte emocional, ganha o Sporting 66 dias depois da Taça de Portugal, com todas as condicionantes. O Sporting, acho que neste momento, pode tirar coisas positivas, que há sempre coisas positivas a tirar, mas garantidamente perder para o rival, este estar ora o fundo do poço, eu vou insistir muito nisso, porque vamos estar aqui semanas seguidas a falar exatamente nessa circunstância. E, portanto, agora esperemos é que com o arranque do campeonato propriamente dito e para a Liga, que venham aí bons jogos. Estamos também despectantes em relação a este novo foco do Porto, o próprio Braga. O Braga e Santa Clara fizeram um passo ao tempo muito relevante e importante nas competições europeias, e isso também os moraliza para as competições internas. Portanto, há ainda muito no ar e o próprio Benfica que vai elogiar com isso. Há boas sensações para aquilo que é o futebol, com melhores coisas, com coisas menos boas, mas claramente nesse aspecto o Benfica acho que sai por cima nessas boas sensações, portanto, mais seja pelo título perante o rival.

E Pedro, tocaste precisamente no tema que eu quero trazer também aqui para discussão, o último tema deste "E o Campeão?" é que é a passagem do Sporting de Braga e do Santa Clara, Marco Caneira. As eliminatórias estavam longe de estar tranquilas, mas a verdade é que as duas equipes portuguesas conseguiram sair por cima.

Sim, isso é extremamente importante para o futebol português, para aquilo que é a competitividade também interna. Eu acho que nós temos que olhar cada vez mais para essas competições, até porque vai dar aqui uma mais-valia ao campeonato português, à Liga também, àquilo que já somos A nível da Europa, que é uma plataforma muito importante de balanço e de seguimento de grandes jogadores que acabam por vir para Portugal, mas é sempre importante. Eu acho que as sensações são boas. Deixa-me dizer que concordo com o Pedro em relação àquela que é uma autocrítica que deve ser feita da questão da realização. Temos também o próprio lance, Pedro, de pote com Otamendi, onde só se conseguem perceber em dois lances, em duas visualizações, não houve mais repetições, mas isso é uma aprendizagem. Eu acho que nós temos que, de certa forma, criticar de forma positiva, não de forma negativa, para que sejamos construtivos na nossa indústria. E aquilo que temos que perceber é que a indústria é cada vez mais competitiva, cada vez mais financeira e claramente que a questão do Santa Clara e do Braga é de extrema importância para o futebol português, e claramente agora teremos também o Benfica a tentar essa chegada na plataforma final.

Essa eliminatória com o Nice. João Castro, quero também ouvir-te sobre esta questão do Sporting Braga e do Santa Clara, sendo que estamos a chegar perto do final do nosso programa. João Castro? Acho que o João Castro, neste momento, estamos com algumas dificuldades na ligação.

Já estou aqui.

Viva, João.

Viva. Acho que o Braga teve mais dificuldades do que nós todos esperávamos. Acho que ainda está difícil implementar o futebol do novo treinador. Muito por dentro e com bastante dificuldades, mas acaba por passar com o grande golo do Navarro. E depois quero dar os parabéns ao Santa Clara, obviamente, porque acho que é um bom projeto de futebol português a conseguir dar a volta e a passar. Porque é importante, e concordando com o Caneira, é importante para Portugal por causa dos pontos. Basta ver o que o Guimarães ou o Vitória fez no ano passado, a quantidade de pontos que deu ao futebol português com a sua caminhada europeia. E, portanto, eu acho que é importante que Portugal tenha realmente as equipas a representarem bem, não só na Liga Europa e depois na Conference League, porque os Países Baixos aproveitaram muito bem essas duas competições para subirem no ranking.

Pedro Henriques, quero também escutar-te de forma breve antes de irmos para as notas dos campeões. Ou melhor, vou juntar os dois. Quero escutar-te sobre este tema, até porque acredito que tenhas uma nota, quer para Braga, quer para Santa Clara.

É exatamente isso, é dois em um, porque hoje já tivemos um campeão especial e eu fiz essa referência logo de manhã, e vou repetir, porque eu acho que é muito importante aquilo que eu costumo chamar, e digo isso de forma positiva, não é em outro sentido, que é a nossa classe média do futebol. Porque nós muitas vezes temos Porto, Benfica, Sporting e algumas vezes o Braga a fazer coisas, mas depois aquilo que nos dá realmente consistência, não perder para os Países Baixos, a questão com os Belgas, com a França, etc, é exatamente a classe média. E é aí que esses países são muito fortes. São aqueles quintos, sextos lugares, são aqueles que as nossas não idas à Conference League se tornam cada vez mais importantes e também na Liga Europa. E esta vitória de Santa Clara e do Braga ainda não são finais para ir para a fase de grupos, mas é um bom prenúncio, é um bom passo e por isso a minha nota tem a ver com duas. Santa Clara e Braga, claramente nota 17 e com expectativa daquilo que possam ainda fazer nessas competições para entrar nas fases grupos. Acabo por também dar uma nota positiva àquilo que é a Supertaça, em termos muitas vezes da própria organização, daquilo que é a própria competitividade que existe, o ser um dérbi, o Benfica-Sporting, etc. E portanto, nota 17 também para esta competição, portanto, aqui duas notas positivas e para um arranque de temporada, vamos dizer assim, com um grande jogo que foi o Benfica-Sporting, com todos os nuances que já tivemos aqui, que nem tudo foi positivo, mas em si a competição foi.

Marco Caneira, quero conhecer as tuas notas e os teus campeões do dia, por favor.

Olha, os campeões é mesmo esta final, o dérbi Sporting-Benfica, obviamente que é importante, é o início de temporada. As coisas têm que ser preparadas, como eu referia, na indústria em Portugal. Parece-me que a organização é positiva. É também aqui um início onde acabamos por ver na transmissão muitas famílias nesta final e eu acho que isso pode ser um ponto de viragem. Nós estamos sempre a repetir, mas a questão do ponto de viragem e de percebermos que esta indústria é para todos, para as famílias, e só assim é que podemos chegar a outros patamares, é uma nota 18 de extrema importância e também uma nota 18 para aquilo que é a participação de Braga e de Santa Clara, porque será muito importante estarem nessa fase final, até porque a questão dos pontos e do prestígio é muito importante para Portugal.

João Castro, 30 segundos para conhecermos os teus campeões e as tuas notas. João?

Nota para o Braga e para o Santa Clara, nota 16 pela passagem. E nota também 18 para o Benfica pela vitória na Supertaça, que é importante para o que aí vem, que é o acesso à Liga dos Campeões e para as eleições. Uma derrota no jogo da Supertaça e um mau resultado iria pôr em causa muita coisa no Benfica.

João Castro, Pedro Henriques, Marco Caneira, muito obrigado. Fica por aqui a edição de hoje de "E o Campeão É".