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E começa agora uma edição especial do "E o Campeão É". Eu sou a Maria João Simões e esta manhã juntam-se a mim e ao Bruno Vieira Amaral, o Augusto Inácio e o Pedro Henriques. Bom dia, bem-vindos.
Bom dia.
Bom dia. 23 anos depois, o Sporting conseguiu a dobradinha. Depois do campeonato, venceu ontem a Taça de Portugal por 3 x 1 frente ao Benfica. Pedro, começo por ti. Ouvi ali muitas críticas à arbitragem do Luís Godinho. Para quem não ouviu ainda o teu podcast "Sem Falta", o que tens a dizer sobre os cartões que foram mostrados, aqueles que ficaram por mostrar, como o da agressão a Belotti, mesmo em frente ao fiscal de linha e antes do gol do empate. Ou seja, um lance que podia ter mudado o curso do jogo.
Sim, bom dia. Eu acho que esse é a mesma situação e o caso de jogo. Só para termos uma noção, o árbitro ao minuto 90, neste caso até foi um 500 no minuto 90, o quarto árbitro levantou a placa, mais concretamente a quarta árbitra, Sandra Bastos, dando 10 minutos, que nós chamamos de descontos, na prática chama-se recuperação de tempo perdido, porque ninguém desconta, normalmente acrescenta-se. E esses 10 minutos, também gostava só, antes de falar do lance capital, obviamente, que é esse que estavas a referir, que também as pessoas estão a falar dos 10 minutos. Eu queria só relembrar, tive esse cuidado, até foi hoje de manhã que eu fiz, porque ontem já tinha referenciado, o porquê dos 10 minutos. O Samuel Soares está no chão e é assistido ao minuto 60:26 e é assistido até ao minuto 62:30. Dois minutos e quatro segundos a ser assistido. Depois é o Kokçu, que cai no chão ao minuto 66:30 e que depois até leva a sua substituição. E entre o 66:30 e o momento em que o jogo recomeça, após a substituição, até ao minuto 69:10, foram dois minutos e 40 segundos. Depois é o Tomás Araújo, que também cai no chão, mas essa recuperação é mais rápida, 40 segundos, entre o 72:75 e o 73:15. E finalmente, o lance do Belotti com o Otamendi, que chocam um com o outro, em que o Belotti é assistido e depois é o Otamendi que até leva ali um penso, não sei se é suturado. Foi ao minuto 82:10 até ao minuto 84:56, foram 2:46. Somando 2:04 com 2:40 com 40 segundos com 2:46, temos exatamente oito minutos e 10. Depois temos o segundo gol anulado ao Benfica, dois minutos com o VAR nessa circunstância. Tivemos cinco paragens para momento de substituições e o que está prescrito é 45 segundos por cada paragem, que dá três minutos e 45. E tanto 8:10 com 3:45. Exatamente. Só para as pessoas perceberem.
Parece sempre muito, não é? Quando vemos ali.
Exatamente. Dez minutos, claramente até foi escasso em relação àquilo que se fôssemos na parte concreta e real da coisa. Mas o lance é exatamente ao minuto 94 para o 95, e portanto faltavam cinco minutos para acabar o jogo. O Benfica está a ganhar 1 x 0. É bom que se tenha essa consideração. E portanto, é aquela situação que acho que as imagens são muito esclarecedoras. É um lance em que o Belotti é claramente pisado na cabeça por Matheus Reis. Há ali um primeiro contacto de pé direito no corpo do Belotti, por parte do Matheus Reis, já podíamos estar a considerar. Há até o Max Ceruz, que já tinha um cartão amarelo, que se calhar entre o amarelo e o vermelho teria que ver também qualquer coisa por causa da maneira como também cai sobre o Belotti, ali com o braço e cotovelo, mas acho que o mais relevante e importante e aquilo que não deixa discussão, pelas imagens são claras, é o pisão na cabeça de pé esquerdo. Para o árbitro assistente, ao contrário do que se possa dizer, embora esteja perto, a queda com o braço em cima, por parte do Max Ceruz, que cai e fica em cima do Belotti, pode ter retirado essa questão. E o árbitro, que faz as suas diagonais, está relativamente longe, porque não tem que estar ali naquele sítio, relativamente àquilo que possa ser o pisão. E eu acho que aqui, essa que é a questão. Eu acho que no contexto atual, muito mais relevante e importante do que estarmos a analisar se realmente o árbitro e o assistente até deveriam, claro, objetivamente, se virem, e é essa a obrigação, deveriam ter visto e deviam penalizar. Ponto. Só estou a tentar perceber que de alguma maneira, árbitro e árbitro assistente possam não ter percebido aquilo que realmente aconteceu de grave. Mas o vídeo-árbitro aqui não pode falhar nesta situação. E depois, só para terminar, é um pisão, é uma conduta violenta, é para cartão vermelho, mesmo que o jogo tenha sido recomeçado de forma relativamente rápida, e vamos admitir que o VAR até podia ter sido surpreendido pelo lance e quando vai analisar o jogo, já recomeçou, porque ele recomeçou relativamente rápido. Há uma questão que a lei, o protocolo VAR, e eu ontem tive a oportunidade também de falar isso no "Sem Falta", prevê, que é depois de recomeçares 99% de quase todos os lances. Por isso é que normalmente os árbitros metem o dedo no ouvido e dizem que estão a ouvir o VAR, ou então dizem: "Espera, que eu tenho que perceber se realmente posso recomeçar o jogo", quando é logo a seguir um recomeço com lançamento lateral, para tentar perceber se o lance anterior tem algo para ser visto. Mesmo nesta circunstância das condutas violentas, como é o caso também dos cuspires, do morder, ou seja, situações de natureza disciplinar, mesmo que o jogo, entretanto, tivesse reatado rápido, tu já não podes voltar atrás tecnicamente, mas o protocolo do VAR tem lá uma alínea, um ponto que fala especificamente que se o vídeo-árbitro fosse ver o lance, entretanto já tinha recomeçado o jogo, havendo uma conduta violenta, e neste caso foi uma conduta violenta, porque não foi na disputa de bola. Se fosse falta grosseira, era disputa de bola. Sem disputa de bola é conduta violenta. Portanto, no fundo, tem a ver com as agressões. O VAR poderia chamar a qualquer momento o árbitro e o árbitro teria que disciplinarmente ir ao monitor, veria a conduta violenta e expulsava sempre o jogador ou os jogadores, se entendesse que até teríamos também o Max Ceruz perante uma situação de agressão. Já não podia voltar atrás era tecnicamente. Ou seja, imaginemos que era dentro da área, era um pênalti. Aí já não pode voltar atrás, mas disciplinarmente poderia agir. E portanto, é um erro grave, porque a gente não sabe o que ia acontecer nos quatro, cinco minutos a seguir, mas o fato é que o Sporting ficaria pelo menos com 10 e se calhar as coisas seriam diferentes.
Podia influenciar.
E este é um erro grave e depois centra-se tudo, pelo menos os aspetos tecnotáticos, neste lance. Depois, claro que há outros lances que também foram evocados, com os quais eu não concordo.
Já vamos lá, Pedro. Sim, temos tempo. Augusto Inácio, imagino que tenhas dormido com um sorriso de orelha a orelha. Ainda estás com esse sorriso?
Não, claro que estou contente pela vitória do Sporting.
Mas foi justa a vitória, Inácio? Foi mérito do Sporting ou demérito do Benfica?
Ainda bem que faz essa pergunta, porque sinceramente, o Sporting na primeira parte teve a estrelinha, teve muita sorte. O Benfica foi realmente muito melhor do que o Sporting. O Benfica podia estar no intervalo a ganhar, porque o Benfica entrou muito bem, uma estratégia muito bem montada por Bruno Lage. Principalmente, eu gostei muito daquela dupla do Carreras-Chudálo e cobriram o lado direito. Acho que foi muito bem colocado esses jogadores, porque o Sporting não entrou bem no jogo. Não sei se foi por causa das festas, se foi por causa de não estarem concentrados suficientemente bem. O que é certo é que o Benfica foi superior e isso é que conta. O Benfica foi superior e houve dois jogadores que para mim foram importantes para o Sporting não estar a perder. Foi o Gonçalo Inácio, que teve três cortes importantíssimos, e foi aquela grande defesa do Rui Silva, em que a bola até vai ao poste. Eu diria que o Benfica realmente poderia estar a ganhar, mas não marcou. Na segunda parte, o Benfica voltou bem, fez um golo e depois fez um segundo golo, que foi bem anulado pela falta do Carreras. Sobre o Trincão, eu diria que a partir daí o Sporting despertou e começou a querer depois discutir o jogo. Então com a entrada do Arder, o Sporting ficou com mais presença ofensiva. O que é certo é que o Benfica depois também não soube aproveitar, o jogo ficou um bocado dividido e depois claramente que há aquele lance, que eu concordo plenamente, não custa nada admitir isso.
As imagens também dizem tudo, não é?
Claro, como é evidente, só um cego é que não vê que aquilo lá é uma agressão e que tinha que ser expulso. E claramente o Sporting com 10.
Não sabemos qual seria o desfecho.
Não sabemos, mas que seria muito difícil para o Sporting. E o Sporting acaba por empatar no último segundo da partida e depois no prolongamento, sim, acho que o Sporting foi melhor que o Benfica e aí desforçou um bocadinho aquilo que foi a má exibição do Sporting, principalmente na primeira parte.
Bruno, uma das frases que li esta manhã na imprensa desportiva foi: "O Benfica ofereceu a Taça de Portugal ao Sporting." Concordas?
Não concordo. Acho que ninguém oferece a este nível, nenhum clube oferece nada a outro.
Por mais sendo o jogo que podia salvar a época do Benfica.
Oferecer seria se o Benfica tivesse entrado sem atitude, sem vontade de ganhar, sem uma boa estratégia para enfrentar este adversário, e creio que aconteceu tudo o contrário. O Benfica entrou com atitude, mostrou-se superior ao Sporting durante grande parte do tempo. Depois eu acho que é muito afetado, talvez até a nível psicológico, pela anulação do segundo golo.
Sempre a moral, não é? Subitamente fica tudo sem sal, água fria.
O meu filho mais pequeno é do Sporting e ontem quando o Benfica marca o segundo golo, eu não estava na sala e ele veio dizer: "Bem, a taça é vossa." E depois veio dizer que o golo tinha sido anulado. E às vezes esses lances alteram a dinâmica do jogo. O Benfica, se calhar, fica com receio de ir à procura do segundo golo, acha que é melhor começar a defender o 1 x 0, mais vale ficar 1 x 0 do que ir à procura do segundo e sofrer. E o Sporting começa a acreditar. E aquilo que o Inácio já disse, a entrada do Konrad Harder também é um sinal. O Sporting estava a perder, mas é um sinal de que a equipa quer ir à procura desse golo. E o Benfica, agora é fácil dizer, mas talvez tenha ficado com a tentação de guardar o 1 x 0. Só nesse sentido é que eu posso admitir essa frase.
O Benfica podia ter sido mais ambicioso.
Podia ter sido, mas o Benfica foi ambicioso.
Até à anulação daquele segundo golo.
Marca esse segundo golo, é bem anulado por essa falta e depois acontece o que acontece muitas vezes no futebol.
Falaste aí da entrada do jogador do Sporting. Então e a entrada do Renato Sanches? Pode ter mudado o ritmo, o sentido do jogo, não? Teve influência?
Não, eu vejo as coisas pela positiva. O Renato Sanches teve uma época muito complicada, com muitas lesões. Este é um jogo muito importante, entrar a meio do jogo, um jogo em que o Benfica queria que o ritmo fosse mais baixo, mas o Sporting queria um jogo com ritmo mais alto. Talvez até fizesse sentido, mas é um jogador que também não está com grande confiança por tudo o que se tem passado. Mas eu não acho que seja justo estar a apontar um jogador. Há outras questões a apontar quando olhamos para o filme todo do que tem sido o Benfica nos últimos anos. Até acho que isso é capaz de ser mais importante do que olhar só para este jogo, porque o Benfica podia ter vencido este jogo, como podia ter vencido o campeonato. Ontem o Rui Borges dizia no final do jogo que o Sporting o que queria era estar nas decisões, ou seja, chegar às finais ou muito perto disso e estar na disputa pelo campeonato e conseguiram. Ora, o Benfica fez exatamente isso, mesmo tendo uma mudança de treinador, um despedimento do treinador, não foi como o Sporting, em que o treinador abandonou. Houve uma chicotada psicológica, entrou um novo treinador, que já lá tinha estado, e o Benfica conseguiu estar. Para além de fazer uma razoável Liga dos Campeões, foi o clube português com melhor desempenho na Europa. Se retirarmos o Vitória de Guimarães, mas foi aquele que chegou mais longe na Europa. O Benfica esteve nas decisões. O Benfica conquistou a Taça da Liga contra o Sporting nos penáltis, esteve até à última jornada a disputar o campeonato e esteve na final da Taça de Portugal. Esse é o aspeto positivo, é olhar para o lado positivo da época do Benfica. O Benfica, de facto, conseguiu estar nas decisões e isso é importante. Eu acho que é o mínimo para estes grandes clubes, é estar nas decisões. Agora, o ganhar, às vezes a diferença entre ganhar e não ganhar é muito ténue. O que não joga, não abona tanto a favor do Benfica e da sua direção, dos seus jogadores, é quando olhamos para os resultados nos últimos anos. Eu acho que essa avaliação deve ser feita, porque no jogo pode-se ter azar, pode haver uma incidência
Que faz o jogo cair para um lado ou para o outro. Mas quando se olha para os últimos cinco anos e vemos que o Benfica em 20 troféus conquistou três, é porque há aqui qualquer coisa que não se explica só com a entrada do Renato Sanches ou qualquer outra situação mais acidental. Há aqui um padrão e eu acho que o Benfica deve fazer essa reflexão, começar pelo presidente.
Pois. E Pedro Henriques, Bruno Lage, de facto, não é o único responsável por este resultado.
Sim, olhando agora para a questão do jogo propriamente dita, eu acho que está tudo dito e tudo aquilo que foi dito sobre aquilo que foi a superioridade, de uma maneira geral, do jogo por parte do Benfica. Embora depois, no prolongamento, o Sporting tenha equilibrado e quando olhamos para as estatísticas, olhamos para umas estatísticas que dá números muito iguais, mas dá muito por fruto daquilo que o Sporting depois acaba por fazer, talvez até pelo aspecto psicológico, é empatar naquilo que seria o último minuto de 90 mais 10 minutos, e depois, assim sim, no prolongamento, o Sporting acaba por se superiorizar em relação ao Benfica, muito se calhar, também por esse aspecto psicológico, porque o Benfica foi claramente dominador em quase todos os momentos. Também concordo, sim, que se porventura, eu também fiz essa observação, o segundo gol para mim é bem anulado, porque realmente o Carreras, não obstante com o pé, mais concretamente com o calcanhar, até ter tocado na bola, entrou de pitons e de sola no peito do pé.
Oi? Ficamos sem. Sim.
É isso que faz com que o Benfica tenha recuperado a bola e feito o segundo gol. Mas esse momento é um momento psicologicamente muito importante, porque eram dois gols praticamente de rajada, como se costuma dizer, era um Benfica que ficava na mó de cima com dois gols de diferença, e que tornaria, se calhar, também emocionalmente, o jogo totalmente diferente. Não sendo, tendo sido revertido o gol, tendo sido anulado, também deu ali algum boost ao Sporting. Mas o facto é que o Benfica manteve mais ou menos a mesma toada e esteve com uma das mãos na taça. E depois, quando nós olhamos para o lance do pontapé de penalti, é completamente escusado. Ainda agora estava aqui também a rever, faço sempre isso. Já o tinha feito várias vezes. O Renato Sanches só tinha que travar a sua corrida, não tinha que nem sequer ir à bola, porque o Giokas já tinha na dobra um jogador do Benfica pela frente e outro a fechar por dentro e, portanto, era um lance. A gente do Giokas espera sempre tudo e mais alguma coisa, mas não era propriamente uma situação em que se o Renato não toca, o Giokas estava na cara do guarda-redes. Ainda por cima está na entrada da área, literalmente. Portanto, é um erro naturalmente de abordagem de um jogador que acaba por ter uma época bastante infeliz, por causa sobretudo das lesões. Não sei até que ponto a entrada neste jogo seria o mais correto. Por exemplo, o Samuel Sá acho que até faz uma exibição obviamente positiva, não acho que haja ali nada, até fez ali uma jogada de duas fintas sobre o Giokas, etc. Mas, por exemplo, no meu conceito, eu nunca colocaria o Samuel Sá lá na baliza. Estes jogos são para ganhar. Está bem que o Samuel Sá foi o homem das taças. Se não aparecesse na final, podia ser aqui uma certa desconsideração ou não acreditar, mas o Turbine é outro guarda-redes, é de outro patamar, é de outro nível, oferece outras condições e o nosso Inácio aqui melhor do que nós pode falar, mas quando tu és defesa e tens atrás um guarda-redes de outra dimensão e que te oferece outras coisas, estando lá o outro guarda-redes, nunca é a mesma coisa. E, portanto, eu acho que o Benfica, eu percebo quando se diz que o Benfica ofereceu a taça, não, como disse o Bruno muito bem, não pela atitude, porque esteve sempre na mó de cima, mas é sobretudo naquela perspectiva que já nem os sportinguistas iriam pensar que seria possível no minuto 99 algo acontecer e praticamente percebia-se que o Benfica estava a dominar, a jogar e a controlar o jogo. E acaba por ser um bocadinho ingrato e inglório para o Benfica, depois o Sporting, sim, no prolongamento, acaba por fazer coisas diferentes e lá está. Depois tem pião, emocionalmente estava superior ao Benfica e depois foi o acreditar.
Augusto Inácio, em jeito de balanço final da época, o que é que faltou ao Benfica para conseguir um título?
Pois, como disse o Bruno Amaral, e bem, o Benfica tem que fazer uma reflexão daquilo que aconteceu, não só esta época, como também nas outras épocas, que isto é o somatório de várias coisas, porque o Benfica só ganhou, salvo erro, em quatro anos, um campeonato. Eu diria que o Benfica e o Rui Costa, até porque este vai ser o ano das eleições. O Benfica apostou tudo, mas mesmo tudo, no mercado de janeiro para ser campeão. Contratou os jogadores jovens, sem ser o Dalot, que estava emprestado, mas não contratou os jogadores jovens para no futuro poder rentabilizar, foi para ser campeão este ano. O que é certo é que o Sporting também teve os seus problemas. O Sporting teve, como eu namorei, 11 jogos, 11 vitórias, vai embora. O Sporting abanou ali um bocado, com o João Pereira, inclusivamente, as coisas não correram bem, depois veio o Rui Borges e depois o Benfica também fez a substituição do Roger Schmidt pelo Bruno Lage, e eu até acho que o Bruno Lage até endireitou, como se costuma dizer, as coisas. E o Benfica começou também a ficar muito perto de ganhar o título, ao ponto da última jornada ter perdido. Agora, eu diria que o Benfica, olhando para aquilo que é o investimento do Benfica, olhando para aquilo que é o plantel do Benfica e com as violidades que o Sporting teve, principalmente a nível de lesões, que o Sporting teve um largo período da época assim, o Benfica, nos momentos cruciais, o Benfica falhou. Qual é, para mim, o momento crucial que o Benfica falhou neste campeonato? Não só no jogo em casa com o Sporting, em que o Sporting, na primeira parte, teve uma atitude muito diferente, muito melhor do que a do Benfica, e o Benfica teria que ganhar aquele jogo, que foi realmente uma equipa muito passiva. Eu diria que foi aquele jogo em casa com o Arouca, em que o Benfica não pode perder pontos nesse jogo, sob pena depois de acontecer aquilo que aconteceu. Eu acho que o Benfica, olhando para aquilo que se tem passado
Eu acho que o Benfica também tem jogadores que custa muito a acreditar. Como é que, por exemplo, o Renato Sanches, que sai o João Neves, em que o Benfica encaixou só 60 milhões de euros. Sai aquele menino, entra um outro menino, com um histórico muito grande de lesões, que não tem dado ou não tinha dado sinais de que estava realmente competitivo e que não havia problemas nenhuns, porque teve épocas com lesões. O que é certo é que o Renato Sanches, embora reconheça que é um grande jogador, não trouxe nada de positivo em relação àquilo de ser algumas mudanças, mesmo através do banco, o Benfica com o banco mais forte. E depois foi a situação do Ovás. O Ovás lesionou-se e o Benfica não tem lateral direito. Teve que ir o Masarús, que pra mim era o melhor central do Benfica, para lateral direito, que inclusivamente estava a jogar com uma logia e tinha que sair a quase todos os jogos, como acabou por sair ontem. Enfim, o Benfica realmente comprou, tem um bom plantel, mas faltou algumas peças-chave na composição do plantel do Benfica. E depois é aquele pormenorzinho de estás com a estrelinha, não estás com a estrelinha, estás com a sorte, não estás com a sorte. Faz parte daquilo também que é o sucesso de uma equipa. Mas eu sinceramente acho que o Benfica tem que refletir bem aquilo que quer no futuro e acima de tudo, se quer continuar com o treinador, porque eu fiquei ontem, como se costuma se dizer, com o pulo atrás da orelha. Então o Rui Costa diz que o Bruno Lage vai continuar na próxima época. E o Bruno Lage ontem, depois do jogo: "Vou ter que conversar com o presidente." Há aqui coisas que não se entendem e não se percebem.
E sobre o futuro, falávamos do Rui Costa. Em outubro, Bruno, há eleições. Parece-te que haja uma recandidatura depois destas duas derrotas ou destas duas não vitórias?
Eu acho que o Rui Costa, se forem eleições, parte fragilizado pelos resultados. Os adeptos e os sócios dos clubes que votam querem é saber dos resultados. Pode-se ter uma grande aura, pode-se ter uma grande história até como jogador.
Em outubro já começou outra época, se calhar os benfiquistas já esqueceram de ter ido este desaire.
Claro, imagina que o Benfica ganha a Supertaça e chega a outubro, está na liderança do campeonato com cinco ou seis pontos de avanço.
E o Mundial de Clubes também.
E ainda há o Mundial de Clubes. Em relação ao presidente, eu acho que Rui Costa tem condições para se candidatar. Espero que apareçam também alternativas. Eu não sou sócio, sou adepto. Vejo as coisas neste aspecto um pouco à distância, mas acho que é bom para um clube aparecerem, não só para um clube, mas para um clube aparecerem alternativas, porque acho que o balanço desta presidência do Rui Costa é negativo. É negativo porque a avaliação das lideranças não se faz só pelos títulos, mas passa necessariamente pelos títulos, sendo que o Benfica é um clube estabilizado há alguns anos a esta parte. É o clube que gasta mais dinheiro em Portugal, é o clube que tem uma folha salarial mais elevada e depois consegue um campeonato em cinco anos. Isso é frustrante e é um mau resultado para a direção. Em relação ao treinador, eu posso ter críticas e acho que muitos benfiquistas poderão ter algumas críticas a apontar a Bruno Lage.
Mas eles também dizem que ele uniu a equipa.
Dentro das condições em que ele trabalhou, não nos podemos esquecer que não foi ele que começou a época. O plantel não foi escolhido por ele. Portanto, eu acho que ele até fez um bom trabalho. E por causa disso, acho que faria todo o sentido, tendo sido Rui Costa a escolhê-lo, que continuasse, até porque existe esta questão do Mundial de Clubes. O que é que vai fazer? Sai já, vai ao Mundial de Clubes e depois não começa?
E depois conforme o resultado logo se vê.
Eu acho que há condições para Bruno Lage se manter, como todos os outros, depois será avaliado pelos resultados.
Temos dois minutinhos para acabar. Bruno, quem é o teu campeão?
Olha, o meu campeão vai ter de ser Rui Borges, porque ganhou. Aqui o que conta é o resultado. Se não tivesse havido aquele lance no final, aquela expulsão, que não foi expulsão, provavelmente estaríamos a falar de outra maneira. A verdade é que Rui Borges teve esse grande mérito, não o considero também um treinador excecional, mas teve o mérito de no momento certo conseguir unir o Sporting, conseguir refazer o Sporting, que também teve grandes dificuldades. E ontem acabou por ter um bocadinho a estrelinha, mas faz parte do jogo.
Que nota lhe dás?
Vou lhe dar um 16.
Um 16. Inácio, e tu, quem é o teu campeão?
Olha, o meu campeão vai ser o Sporting Clube de Portugal. E quando eu digo Sporting Clube de Portugal, estou a incluir toda a gente. Estou a incluir direção, estou a incluir jogadores, estou a incluir treinadores.
Adeptos também.
Enfim, vários departamentos, mas acima de tudo pela massa adepta do Sporting. Eu sinceramente quero puxar um bocadinho a brasa para a minha sardinha, é verdade. Mas ver aqueles jamores verde e branco tão felizes, tão contentes, o jamor ficou mais bonito, sinceramente. E eu acho que o Sporting Clube de Portugal merece, porque fez uma época extraordinária, fantástica, com este título da dobradinha. E sinceramente, eu dou os parabéns a toda a gente do Sporting Clube de Portugal.
Claro que sim. E que nota dás ao teu Sporting?
Dou nota 20.
20? 20 que não há mais.
Não há mais. Se tivesse mais, dava mais.
Pedro Henriques.
Olha, eu vou dar nota negativa, naturalmente, à parte da arbitragem, sobretudo à questão da videoarbitragem. Eu como ex-árbitro e comentador desportivo, mas sobretudo de arbitragem, fico sempre triste quando há uma ferramenta que é tão boa, que tem resolvido tantas coisas.
Exatamente.
E o próprio videoárbitro na véspera tinha estado tão bem. Relembrar que o Tiago Martins, que fez ontem como videoárbitro, tinha anulado, e bem, um autogolo ao Barcelona. Ele esteve na final feminina da Champions League, portanto no jogo que está em Alvalade. E portanto, a videoarbitragem é uma ferramenta extraordinária e que, compreendendo que em lances de limite, às vezes de interpretação, se possa ser mais crítico com a videoárbitro podia ter atuado ali ou não, este é tão claro, é tão óbvio, é tão evidente, não é preciso perceber muito de futebol, que as pessoas percebem que há ali uma agressão, vamos tecnicamente chamamos a isso uma conduta violenta, e que portanto o videoárbitro tinha que objetivamente auxiliar a equipa de arbitragem neste lance. Foi para isso que foi criado o videoárbitro, é para estes lances claros, óbvios, ou de pênaltis, ou de gols.
E que nota dá?
Nota negativa, nota 5, porque realmente a videoarbitragem ontem teve uma tarde muito má.
Deixou muito a desejar, é verdade. Pedro, Inácio, Bruno, muito obrigada pela vossa análise. Um bom dia para vocês.
Bom dia.
Obrigada. E o Campeão em regresso depois das notícias do meio-dia e meio.