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Começa agora a nova edição do "E o Vencedor É", que também pode acompanhar em direto através do Facebook, do YouTube ou do site do Observador, Carla Jorge Carvalho.
Devem ser as transmissões televisivas limpinhas. Vamos ainda às expectativas do João Cotrim Figueiredo e às negociações da esquerda. Bruno, queres dar nota a quem? A esquerda está unida?
Olha, Carla, vou fazer uma analogia com o ciclismo. O ciclismo é um desporto coletivo disfarçado de desporto individual. Cada um, dentro de uma equipa de ciclismo, ocupa o seu lugar, tem as suas funções, há o chefe de fila e há os gregários, e todos têm de obedecer a uma estratégia comum e ninguém ataca só porque se sente bem. É preciso ouvir o diretor desportivo, perceber qual é a estratégia, respeitar a hierarquia dentro da equipa. Ora, a esquerda, neste momento, parece o contrário de uma equipa de ciclismo. Há um interesse comum, que é o de derrotar a direita, mas depois cada partido tem a sua estratégia, o que também é legítimo. Não é legítimo que os partidos definam as suas estratégias eleitorais e não só. Só que no meio desta vontade de impor a estratégia ou de se afirmarem, cada partido se afirmar, há atropelos que depois podem resultar em prejuízo de todos. No pós-eleições legislativas, vimos logo o Bloco de Esquerda assumir a liderança muito rapidamente para marcar reuniões entre os partidos à esquerda, o que se compreende num cenário em que o LIVRE foi o único partido à esquerda que cresceu e havia a necessidade de assumir de imediato a iniciativa. Mas mesmo nessa altura, o PS veio logo pôr água na fervura. Por quê? O PS não quer ser o cão que é abanado pela cauda, quer ser o PS a abanar a cauda e não o contrário. Não quer que sejam os partidos mais pequenos, ainda por cima numa situação em que estão enfraquecidos, nomeadamente o Bloco de Esquerda e o PCP, a determinarem os tempos, o ritmo. Não querem que sejam eles a dar aqueles esticões que depois desestabilizam o pelotão e desestabilizam o partido, que é o maior partido à esquerda. Agora, temos o LIVRE a propor reuniões para definição de uma política conjunta para as autárquicas do próximo ano. Aqui o que está em causa, em grande medida, é a Câmara de Lisboa e uma ou outra.
No Porto, talvez.
Sim, também no Porto, mas percebe-se que o foco está na Câmara de Lisboa, porque há este sapo, que é Carlos Moedas, que a esquerda ainda não digeriu por completo. Nas eleições autárquicas, não vale a regra da maioria parlamentar, portanto, quem ganhar, mesmo que seja por um voto, tem a presidência da Câmara, e há aqui esta dúvida de saber o que a esquerda deve fazer. Devem os partidos unir-se para assim terem mais possibilidades de derrotar a direita ou o PS, como maior partido e que sente que tem possibilidades de ganhar sozinho, deve concorrer sozinho? E isto deixa aqui, de facto, uma grande dúvida, mas ainda estamos a mais de um ano das eleições autárquicas. O PS também não quer que sejam os partidos mais pequenos a condicionar qualquer estratégia, porque ainda há muito para resolver e para definir a nível nacional antes de se pensar na estratégia para as autárquicas. O LIVRE assumiu esta iniciativa de fazer este esticão no pelotão Bloco de Esquerda, para não ficar atrás, veio também mostrar-se disponível para definir aqui uma política de alianças e definir a estratégia para Lisboa. Claro que o PS considera que ainda falta muito, ainda estão muito longe da contagem de primeira categoria para começar já a avançar. Ainda há muito para resolver a nível nacional. É natural que dentro do PS, dentro da direção do PS, haja algum desagrado por estas iniciativas dos partidos mais pequenos à esquerda tentarem ser eles a determinar esse ritmo, o que depois também pode complicar possíveis entendimentos no futuro, porque se os partidos mais pequenos não respeitam a hierarquia, o PS é o maior partido e deverá ser o PS a determinar esse ritmo, mas se isso não acontece, depois eventuais entendimentos ficam mais complicados. E esta é uma dificuldade histórica da esquerda, de se entender, não é nenhuma novidade. Vemos isso também noutros países, mas aqui pode representar uma dificuldade acrescida para que estes entendimentos, que até podem ser benéficos, venham a acontecer. Daí uma nota negativa para a esquerda.
Queres já dar tua nota?
Sim, para a esquerda no seu todo, em particular nos partidos que têm assumido esta iniciativa e que estão a defender os seus interesses, mas que depois podem ir contra os interesses coletivos de toda a esquerda, vou dar um sete.
Um sete para essa esquerda, ainda mais, José Manuel, porque isto está a ser tudo feito publicamente. Aparentemente, não há conversas de bastidores, estes convites estão a ser lançados pela via midiática também.
Sim, e eu acho que isso é muito relevante. Vamos lá ver. Esses partidos não estão todos no mesmo ponto de partida. Eles têm pontos de partida muito diferentes. E eu acho que basicamente andam a tentar marcar posição e a marcar-se uns aos outros. Isto nem sequer começou agora com a proposta do LIVRE, se vimos bem. Começou logo no dia a seguir às eleições, quando o Bloco Pediu reuniões com os partidos da esquerda e arrastou os pés. Todos se recordarão disso. O PS também está numa daquelas posições de que é: "Não me toquem, que eu é que mando." Tudo o que não parta do Partido Socialista e da direção do Partido Socialista e daquela dupla Pedro Nuno Santos, Alexandra Leitão, parece que é quase ofensivo para ambos os dois, sejam propostas de negociação vindas do governo, sejam propostas de negociação vindas da sua esquerda. Mas eu acho que aqui é preciso ter em consideração o seguinte, e estes são alguns pontos de partida que mostram que isto parece tudo muito bonito, mas tem algumas dificuldades. Primeiro que tudo, o LIVRE, por definição, vai querer sempre este caminho. O LIVRE já está aliado ao Partido Socialista em Lisboa, e isso nem sequer impediu que o Partido Socialista perdesse as eleições em Lisboa nas últimas autárquicas. O LIVRE não tem nenhum autarca, exceto a vereadora em Lisboa, penso que não tem mais nenhum autarca como vereador em mais nenhuma câmara do país. Tem pessoas nas assembleias municipais, isso sim, julgo eu, nalgumas, mas não mais do que isso. Está a partir praticamente do zero. O Bloco de Esquerda, por incrível que pareça, apesar de ser um partido já com muitos anos, nunca teve sucesso autárquico. Só teve uma presidente de câmara Salva Terra de Magos, e foi uma transfuga do PCP. Decidiu que se transferiu pro Bloco e trouxe a câmara com ela, digamos assim, coisa que já aconteceu com outros pequenos partidos, alguns dos quais já nem nos recordamos deles noutras ocasiões.
Transfuga é uma figura do ciclismo, não?
Não sei. Há fugas. Agora, transfugas, não tenho ideia que seja muito presente. E depois, a relação entre o PS e o PCP na frente autárquica não é uma relação de alianças, é uma relação de enorme competição. O PCP e o PS sempre competiram, e muito, pelas presidências de câmara e continuam a competir. O PCP ainda tem algumas presidências de câmara importantes que o PS cobiça, por exemplo, Setúbal, só pra dar ideia de uma capital de distrito. Eu não sei agora como é que está Beja, mas é uma câmara que também costuma ser muito disputada. Seixal, que é uma câmara importante da margem sul, que continua na CDU. E o PS tem essas câmaras na mira. Gostaria de poder recuperá-las. Aliás, eu julgo que só na Câmara de Lisboa é que houve alianças entre PS e PCP, em circunstâncias muito especiais, que começaram com o Jorge Sampaio e depois acabaram muito mal com o João Soares, que todos se recordarão quando ele perdeu as eleições para Pedro Santana Lopes. Há aqui muita água pra andar debaixo das pontes. Creio que uma parte disto vai acontecer publicamente. Se a minha memória não falha, Jorge Sampaio, quando lançou a sua proposta de uma aliança à esquerda em Lisboa, fê-lo publicamente, antes de andar a fazer negociações secretas. Isto é muito jogo político. E eu podia acompanhar o sete do Bruno, mas vou dar o sete do Bruno apenas ao Partido Socialista e à sua reação irritadiça de quem sente que lhes estão a pisar os calos. E que é algum sinal daquilo que é a atual direção do Partido Socialista, que eu não sei se tem ainda ideias claras sobre o que quer fazer nesta frente.
Estava à espera de saber quem é que ia no carro-vassoura.
Pedro, onde é que o João Cotrim Figueiredo se alinha aqui neste pelotão europeu?
Ontem fomos todos surpreendidos com este anúncio da candidatura dele. Sinceramente, pareceu bastante arrojado e ousado, embora encaixasse no perfil dele. É-lhe reconhecido talento político pra isso. Parece que ele teve uma reunião em Vilnius que correu bastante bem e então-
Decidiu avançar
...foi referida esta vaga de fundo que o levou a anunciar a candidatura à liderança, já sabendo à partida que seria pouco provável ter hipóteses de vencer. E depois disso, muito pouco tempo depois, quatro horas depois, apenas, acabou por retirar a candidatura. E isto correu mal assim, porque se é um político a quem reconhecemos talento na capacidade de convencer os outros, ver a forma como toma uma decisão e passado quatro horas recua, ambas após ponderada reflexão, não é?
Pois alguma delas não foi assim tão ponderada.
É difícil invocar isso assim. Uma vez aqui há 20 anos, portanto noutra vida, trabalhei no Jornal Popular, onde fizemos uma vez uma capa que era: "Vai ser tão bom não foi." Isto aplicou-se a Vale e Azevedo, que era o ex-presidente do Benfica, que foi libertado da prisão e preso logo a seguir, poucos minutos depois. E lembrei-me disto a propósito desta mudança tão súbita e sobretudo desnecessária. Eu acho que ele não tinha necessidade nenhuma de se candidatar e de passar por isto.
Foi assim um entusiasmo.
Sim, mas parece uma calorice de quem acaba de chegar a um outro palco.
Má leitura do jogo que tem na mão.
Mas já não é a primeira vez que isto acontece com o João Cotrim Figueiredo. Eu acho que é pelo menos a terceira vez que ele comete um erro de intuição política. Foi o primeiro quando decidiu sair da liderança, porque achava que António Costa ia durar o tempo todo E a cumprir o mandato. Foi a forma como foi gerida a situação de Carla Castro. Eu sei que parte disso tem a ver já com o sucessor que ele indicou, mas eu acho que ele é corresponsável com a forma como o partido geriu isso e depois foi prejudicado por isso nas legislativas. E agora isto. Acho que revela um erro de intuição política, que acaba por levá-lo a desperdiçar parte do capital político que acumulou pela forma como chegou a Bruxelas, com um bom resultado para aquilo que aconteceu com os liberais. E sobretudo, porque depois de anunciar, o que ele tinha a perder? Qual era a pior coisa que ia acontecer? Era ter um muito mau resultado. Ele diz que houve a retirada de apoio de última hora de várias delegações. Mas então, se o ponto dele era por convicções, se é por ideias, se é sempre essa a conversa, o que ele teria a perder, de facto, em avançar e ir até ao fim e depois eventualmente ganhar algum capital político para o futuro? É porque então isto ia correr mesmo muito mal. Os colegas dele não são de confiança, para começar, e depois ele diz que fez isto depois de discussões francas e frutíferas com a atual presidente do grupo político, que era quem ele ia enfrentar, precisamente por não concordar com a forma como estava a liderar o ALDE, o Renew Europe. Portanto, acho que correu-lhe muito mal isto ontem, em muito pouco tempo. Desperdiçou uma parte significativa do capital político com que chegou a Bruxelas. A vice-presidência que ele diz que almeja não é nada de novo, já estava prevista. Não se vê nada de palpável e de positivo que tenha saído disto para João Cotrim Figueiredo. Ele tinha como slogan o "Com Cotrim, sim". E se calhar com Cotrim, nim ou com Cotrim não é sim. Isto presta-se a várias adaptações que não o favorecem muito no seu lema político.
Uma nota a rondar o sete, também.
É isso, quatro horas que durou esta cena. Mais três parágrafos, que é o texto da justificação dele da retirada, portanto está o sete. Não é a tua.
Isto é científico.
Acertaste, mas havia aqui uma explicação para a nota.
Havia e ficou aqui claríssima. Vamos agora a um tema fraturante também, Paulo. Queres trazer aqui a questão do que as televisões transmitem ou não nos grandes eventos desportivos.
De alguma forma, eu admito que há aqui um bocadinho de irritação pessoal só, mas acho que o tema merece alguma reflexão. Vocês imaginem que um governo, o nosso governo, este ou anterior, não interessa, que impunha para as cerimónias, imaginem, do 10 de junho ao 5 de outubro, que são passadas fora de portas, que impunha uma regra às televisões que é: se houver algum protesto, se houver um daqueles idiotas do costume com tinta vermelha ou verde que apareça por lá, vocês não transmitam isto. Portanto, mudem o plano, façam uns planos do céu ou das varandas, viram para o lado, finjam que nada está a acontecer. Ou que no Parlamento português havia essa regra, se houver protestos nas galerias do povo, nas bancadas, se houver gritos, se houver alguém que desfralde uma faixa, que nós sabemos que isso viola as regras, protesto, também as televisões não podem passar esses momentos e têm que também dar planos para disfarçar lá das estátuas do Parlamento. O que nós acharíamos disso, nós todos? Que eram atos de censura. Acho eu. Que não reconhecíamos o direito a essas entidades, ao governo ou ao Parlamento, de estarem a decidir aquilo que é transmitido ou não é transmitido, que pode ser de interesse público, é notícia para todos os efeitos, são acontecimentos que ocorrem em espaços públicos, mesmo que seja sob aquela justificação de impedir ou não incentivar atitudes idênticas por repetição.
Por que me perguntas isto? Porque plantas esta questão.
É isso que acontece, não só agora, como há muito tempo, e eu acho que é uma tendência que vai crescendo em grandes eventos internacionais, no caso da UEFA agora, do Europeu, que quando há invasões de campo, basicamente as televisões não passam. E todas concordam com isso, porque eu não ouvi nenhuma voz dos operadores. Há sempre um host ou vários host nestes eventos que ficam com a responsabilidade de filmar, de realizar e de transmitir.
Se há coisa que o jornalismo desportivo e sobretudo televisivo respeita muito é o poder do futebol.
Mas ultrapassa o futebol, eu percebo isso. No Festival da Eurovisão aconteceu a mesma coisa este ano. Houve regras muito rígidas da organização sobre aquilo que se podia mostrar e não podia mostrar.
É porque aquilo são transmissões pagas, com regras de espetáculo.
Zé Manuel, mas é assim.
Eu sei, eu não estou a defender, estou só a constatar.
Eu percebo o teu ponto. Eu acho é que nós nos habituamos, aceitamos todos, de alguma forma. Aceitamos muito facilmente este tipo de coisas. Eu até posso perceber a bondade lá está dos argumentos, que é evitar fenómenos de repetição e de imitação, mas amanhã vamos ter.
Houve quatro no jogo de Portugal.
Houve quatro ou cinco. Mas o curioso, e a Carla depois na manhã seguinte notou isso muito bem aqui, o curioso é que na manhã seguinte estávamos todos a falar, todos aqui, um bocadinho por todo o país, em todo lado, a falar de um acontecimento que não foi mostrado nas televisões. As televisões simplesmente ocultaram aquilo. Mas a prova de que é notícia, isto é, há ali algum interesse público, é que estávamos todos a falar disso. E andámos todos à procura de imagens tiradas por telemóveis ou por outros planos, não da transmissão oficial, porque isso não passou lá. A selfie do miúdo com o Cristiano Ronaldo e por aí fora. Aquilo que acontece ali também é notícia, também faz parte do acontecimento. Por mais que nos desgoste, e eu acho que aquele tipo de atitudes, enfim, do miúdo pode-se tirar uma selfie, caramba, não há ali nenhum perigo, nenhum risco. Mas há pessoas que entram com outro tipo de intenções, obviamente, mas isso também é notícia, também faz parte dos acontecimentos. E esta imposição de regras, como o Zé Manuel disse
As entidades ligadas ao futebol têm um grande poder, porque são elas que licenciam as competições que são muito importantes em termos de audiências. Mas já aconteceu no Eurofestival da Canção este ano também, por causa das polémicas sobre o Médio Oriente. E é uma tendência, o que me incomoda nem é tanto o facto de isso acontecer, nem sequer se discute, não há o mínimo de oposição, não há o tipo de alerta do: "Esperem lá, agora é porque há invasões pacíficas e se um dia for um protesto que é notícia, e se um dia acontecer um incidente." Eu acho que os realizadores já deram mostras de maturidade quando há um jogador que cai inanimado, por exemplo.
Aconteceu com o Feher.
Aconteceu com o Feher.
Era o Ricardo Espírito Santo, o realizador.
Exatamente, e não foi intrusivo. Na hora ele teve o bom senso.
E já aconteceu neste campeonato também.
Neste campeonato também, de não ser intrusivo nas imagens que passam. Os próprios profissionais estão preparados, de alguma maneira, para reagir com bom senso a coisas imprevistas naqueles acontecimentos. Isto é, não fazer grandes planos, dar planos gerais.
No caso do Mbappé não houve tanto esse cuidado. Houve grandes planos do Mbappé.
Mas neste campeonato da Europa, nas situações de lesão, até têm mostrado mais, mesmo quando há choques de cabeça.
Mas são fantasma isso. Uma pessoa cai inanimada e que nem sabes naquele momento se ela está viva ou morta.
Sim, mas houve esse cuidado depois de não mostrar repetições do lance do jogador húngaro, mas no geral, depois de outras lesões, não tem sido essa a política.
O que tem acontecido é que são os próprios jogadores que acabam por formar aquele círculo que impede que as imagens circulem.
Noutro dia taparam com cobertores.
Sim, com um toldo.
Eu queria só alertar para isso. São atos de censura, não há outro nome. Se uma entidade impede que não há um acontecimento público, as televisões não podem filmar isto ou aquilo, é censura. E até que ponto é que isto irá? E a forma como todos achamos que isto é muito normal e aceitamos estas regras do jogo, que não aceitaríamos, e bem, se fosse outra entidade noutro contexto a decidir esse tipo de regras com o mesmo tipo de princípio.
Queres dar uma nota a isto?
Será um quatro a este caráter quase bovino com que todos olhamos para estas coisas e achamos que isto é tudo em nome da festa e do futebol ou do Eurovisão, seja o que for.
Fica tudo em manada. Um quatro, então, estas notas hoje também muito em baixo. Amanhã voltamos com mais um "E Venceremos".