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Começa agora mais um E o Vencedor É, com notas atribuídas pelo painel das manhãs 360, por José Manuel Fernandes e hoje também pela Alexandra Machado. E eis que uma nova sondagem vem abalar algumas percepções. Já lá vamos. Começamos com o orçamento do Estado, que foi ontem aprovado. Imagino, Alexandra, que para grande alívio teu, as 2 mil alterações.
Olha, só tenho uma coisa para dizer: ai, ai.
Já passou.
Duas mil alterações. Eu pensei que eles se tinham de alguma forma abrandado, mas não.
Haverá andado no ritmo.
Não consegue. É mais forte. Não é razoável, 2100 propostas de alteração, e foram aprovadas 167 alterações. Recordo só que a proposta do governo tinha 139 artigos. Portanto, é para se ver aqui o equilíbrio entre uma coisa e outra. Mas podem ler tudo, já agora, product placement, num artigo do Observador, o que traz para 2026 um orçamento aprovado com a marca do PS e do Chega. Já agora, vão lá todos ao site.
Muito bem. Já estou a saber tudo.
Competir com a notícia mais lida deste momento.
Bom, mas o que é que ficou? O desfecho já se sabe, o PS absteve-se, as restantes bancadas da oposição votaram contra, o PS foi o salvo-conduto do governo para fazer passar o orçamento. Verdadeiramente, o PS até saiu a ganhar deste processo. Conseguiu, com o beneplácito do Chega, fazer aprovar, só refiro aqui cinco medidas: a isenção das portagens em mais vias, o congelamento das propinas, o aumento do suplemento de pensões para ex-combatentes, o IVA reduzido para obras de arte transacionadas em galerias de arte e o aumento do subsídio de patrulha ronda da GNR e PSP. Cinco propostas do PS que aprovaram contra os votos do PSD e CDS, mas com via aberta do Chega, dir-se-ia mesmo que o governo foi ultrapassado pela direita nestas cinco medidas, que não levando as contas públicas a um valor negativo, são, no entanto, a expressão de um olhar sobre a política muito diferente do governo. E são mesmo, em alguns casos, contraditórios com as políticas que o governo de Luís Montenegro defende. E nisso, o primeiro-ministro, quando saiu do debate de ontem, tem razão, é um desvio do pensamento político do seu governo. Mas dito isto, o orçamento do Estado é uma lei do Parlamento e quer se goste ou não, os partidos gozam de legitimidade parlamentar para introduzirem medidas. António José Seguro, que agora é candidato presidencial, chegou a sugerir em tempos, não há muito tempo, aliás, que o orçamento fosse apenas apresentado pelo governo ao Parlamento e não tivesse de ser votado. Só seria chumbado se o Parlamento aprovasse um orçamento alternativo. Mas não penso que seja isso sequer que Luís Montenegro queira. Isso foi um devaneio, digamos assim, de António José Seguro, e não me parece que isso fosse positivo para a nossa democracia. A lei do orçamento é, de facto, do Parlamento. Mas depois de tudo isto, este processo orçamental mostrou, mais uma vez, que é tudo tática política. O Chega não tinha razão, verdadeiramente, para votar contra este orçamento do Estado, ou pelo menos eu não vejo qual a razão real para o Chega votar contra este orçamento do Estado. Também não consigo perceber por que o Chega aprova o congelamento das propinas.
Porque acha que é popular.
Não, mas o programa do Chega nem sequer apontava ou propunha a inexistência de propinas, ou o fim das propinas, ou o congelamento. O Chega, o que tem proposto é um modelo parecido com o britânico, que os estudantes têm propinas, mas pagam-nas quando começam a trabalhar. E isso não exclui a inexistência de propinas. Portanto, eu não sei se o Chega percebe muito bem o que propõe no seu programa, ou então não sei se percebe o que é que quer concretar.
Mas é uma medida que não tem nem muitos custos orçamentais.
Não é só a questão do custo.
Nem custos políticos. Ou seja, o Chega aqui pode perfeitamente associar-se ao PS.
É tudo é tática.
Só tem benefícios.
Só tem benefícios, exatamente.
Na lógica de uma lógica de concorrência onde tudo é debatido, são só benefícios.
Mas é incoerente. O meu ponto é mostrar a incoerência de já todas as incoerências.
Alexandra, já agora.
E na realidade, o Chega com este processo orçamental, o que quis foi tirar com uma mão o seu apoio no orçamento para depois dar a mão noutros processos, já sabemos, noutros consórcios.
Para continuar a dizer que é o líder da oposição, porque reparem que o PS e a AD são a mesma coisa, o PS viabiliza o orçamento, enfim. Aquela língua de já sabemos onde.
Voltando à tática, o PS abstém-se, mas consegue impor muitas das suas propostas e marcar, de facto, este orçamento e com o Chega. Afinal, há, de facto, ali um consórcio. Juntos desferiram o golpe ao governo. E sim, Luís Montenegro tem razão ao dizer que houve decisões que tornam a área de governação incoerente no seu ponto de vista. O governo é contra a isenção de portagens O Governo é a favor do utilizador pagador, das propinas. O Governo acha que deve haver propinas e serem atualizadas à inflação. Deixe-me só dizer, já agora, em relação à forma, depois à saída do debate orçamental ontem, o Governo estava todo alinhado. Quando Luís Montenegro estava a fazer as declarações, o Governo estava todo por trás do primeiro-ministro, e pareciam todos que tinha sido chumbado o orçamento. Estavam todos com um ar muito carregado naquelas declarações aos jornalistas.
Mas no hemiciclo nem tanto.
Não, mas ali quando saíram depois, é só um aparte. Parecia mesmo que o orçamento tinha sido chumbado e foi assim um bocado estranho aquele retrato do Conselho de Ministros, entre aspas. Bom, mas no final temos orçamento, para o ano há mais, mas em 2026 não parece que vá ser mais do mesmo. Vamos ver.
Aí já vai haver outro jogo político. Aí temos um presidente novo em funções.
E já não temos a desculpa, entre aspas, do PRR.
Também, é verdade. Acho que este orçamento veio claramente a forma, porque como politicamente foi gerido de parte a parte, quer do governo, quer do PS, acho que pode ter sido um intervalo no meio dos dramalhões que foram os últimos até agora, mesmo ainda quando o PS estava no governo.
Claro, um dramalhão voa em eleições antecipadas.
Vão chumbado, vão em eleições antecipadas. Mas era sempre um dramalhão. O ano passado também foi o dramalhão por causa de um ponto percentual do IRC, basicamente, com Pedro Nuno Santos ainda à frente do PS. E eu acho que este ano houve uma certa normalidade orçamental. Acho que por regra devia ser sempre assim, exceto, obviamente, quando há situações políticas ou quando a proposta do governo também é uma coisa, por motivo ou outro, não interessa, muito fora daquilo que pode ser razoável. Acho que o governo foi contido na apresentação do documento. É um documento de seguimento, não tem grandes mudanças em nada, está esvaziado de questões que podiam ser mais polémicas.
Porque citadamente foi assim. Retirou a questão laboral para o PS conseguir viabilizar. Mesmo o IRC será votado à parte.
Foi votado à parte antes e, portanto, o orçamento tem o mínimo dos mínimos. E eu acho que quer o PS, quer o governo geriram bem politicamente isto, de alguma maneira. O PS não fica, de forma alguma, limitado na qualidade e na quantidade da oposição que deve fazer, isso é claríssimo. Não o condiciona esta abstenção, porque é uma abstenção que foi explicada antes, independentemente até do conteúdo do documento, é para não provocar uma crise política, e eu acho que isso faz todo sentido. O governo, por seu turno, também faz bem agora nesta fase final em não cavalgar os 100 milhões de euros que há cá e à volta disso, que é a receita cortada ou a despesa adicionada pelas propostas aprovadas contra a sua vontade pela oposição. Podia estar agora aqui a fazer: "Bem, desvirtuaram o orçamento, o documento, 100 milhões". Não, o montante não é exagerado. Pessoalmente, acho um erro, quer a questão das portagens, quer a questão das propinas, mas isso é a minha opinião. Agora, também em termos de montante, não é isto que interfere.
Sim, mas não é. Mas é uma visão diferente, de facto. As propostas foram votadas pela comissão. Se o Chega vota contra para ser a oposição, realmente quem ganhou a oposição foi o PS neste orçamento.
Impõe as suas medidas, de alguma maneira.
As medidas aprovadas contra a vontade do governo foram propostas pelo PS.
Claro. E portanto acho que estiveram bem o governo e o PS na gestão política deste orçamento.
Vais dar nota ao governo e ao PS?
Posso dar aos dois e dou um 14 ambos. Acho que cumpriram o seu papel.
Deixe-me só dizer que em relação a essa questão, isso é importante, que o PS tenha visto as suas propostas aprovadas pelo Chega e não ao contrário, porque aí o PS tem mais a legitimidade para dizer: "Não, nós apresentamos as nossas propostas. Quem quer, vota. Nós não votamos as propostas do Chega."
Já votaram algumas também. Houve tempos em que o PS recusava votar favoravelmente propostas do Chega. E neste orçamento já votaram várias, aliás.
Nomeadamente o Tribunal Constitucional.
Exatamente. O reforço de verbas para o Tribunal Constitucional foi uma proposta do Chega votada favoravelmente pelo PS.
A tua nota, Alexandra, sobre este matéria.
Eu também tinha um 14 para o governo.
Tinhas ou não tens?
Tenho. Não quis parecer que estava a arrepiar o Paulo.
Muito bem, vamos a outro assunto hoje do vencedor, uma sondagem divulgada sobre as presidenciais. José Manuel, és uma espécie de provedor das sondagens aqui, o que te pareceu isto?
Olha, acho que depois das sondagens que têm saído, o mínimo que podemos estar é bradeados. Há sondagens para todos os gostos. Nem sei bem como é que há de explicar, porque a diferença entre aquilo que nos têm dito as sondagens é tão grande que encontra um ponto comum. Na segunda volta, o Ventura perde. Fora isso, quase todas as sondagens são muito imprevisíveis. Esta sondagem, por exemplo, coloca a Ventura e o almirante em primeiro lugar, depois fala em empate técnico, que é agora a bengala a que toda a gente se agarra para que não se acredite mais em eleições e sondagens. Mas eu queria chamar a atenção para dois ou três aspetos. Primeiro, o grande número de indecisos declarados.
22%, não é?
E eu vou expor aqui a palavra declarados. São 22%, é quase um em cada quatro, porque eu creio que são mais. E creio que são mais, porque muitas vezes o que acontece, sobretudo nestas sondagens que são presenciais, é que quem está indeciso não abre a porta. Não atende as pessoas. Não responde. Eu creio que haverá ainda mais indecisos, por isso é que também há tão grande variabilidade entre as sondagens. Esta sondagem traz más notícias para Cotrim Figueiredo, que aparece ao nível da Iniciativa Liberal, talvez até abaixo. Traz sobretudo más notícias para António José Seguro, e talvez seja António José Seguro que esteja neste momento em maiores dificuldades, porque nenhuma sondagem até agora lhe dá o mínimo de perspectivas e todos os dias ele tem, de alguma forma, más notícias. Ainda ontem teve mais duas. Não são notícias desesperadas. Temos Isabel Moreira a apoiar Catarina Martins, está com o seu coração, onde ela sempre esteve, de alguma forma. E António Costa a dizer que não se vai pronunciar, o que também é próprio de António Costa. No fundo, não dar nenhum sinal de que poderia apoiar o candidato do seu partido. Surpreenderia-me que ele fizesse o contrário, fez aquilo que se esperaria, mas nada disto ajuda António José Seguro, como não ajudou a gripe de ontem, que fez adiar um debate que podia ser importante para ele. Eu diria que aqueles que estão à espera de perceber como é que as sondagens estão para eventualmente se terem um voto útil, vão ter que ter muita paciência e esperar talvez lá para meio de janeiro, ou para as últimas sondagens, para perceber se conseguem entender o que vai sair destas. Mas isso também é um sinal de que estamos realmente perante umas eleições onde não há mesmo favoritos. Nunca tivemos nada assim, nem sequer na edição de 86, em que houve segunda volta, tivemos algo de parecido com aquilo que estamos a viver. Isso também diz um pouco sobre a forma como os portugueses olham para a qualidade destes candidatos e por isso talvez nenhum deles se destaque. Nem sei bem que nota quer dar, porque isto é mais um ponto de interrogação em relação às sondagens, porque eu não sei distinguir a que elas têm ou não têm qualidade neste momento. É um bocadinho custoso.
Pode haver aqui uma pista, Bruno, que é o facto desta sondagem ter sido feita antes dos debates televisivos. Será que depois, que diz respeito à realidade, já será outra?
Com um milhão de pessoas a ver cada um dos debates, não creio que faça muita diferença.
Eu acho que é estranho aparecer uma sondagem ao fim da primeira semana de debates, sendo que a sondagem foi feita anteriormente. Acho que se torna um pouco inútil, porque acredito que os debates possam ajudar, pelo menos alguns indecisos, a fazerem a sua escolha. E acaba por ser estranho aparecer a sondagem ao fim da primeira semana de debates, tendo sido realizada antes. Agora, há aqui tendências, há uma grande dose de imprevisibilidade, mas há tendências. Começamos a ver claramente, e isso está de acordo com as restantes sondagens, que temos, na verdade, três verdadeiros candidatos e que os outros já estão a uma grande distância. Eu aqui há uns tempos acreditei, e talvez ainda se possa confirmar depois dos debates, que poderíamos ter quatro candidatos a disputar as duas vagas para a segunda volta, sendo que Cotrim de Figueiredo poderia estar a ameaçar esse quarto lugar de António José Seguro, que não é confirmado, muito pelo contrário, por esta sondagem. Mas o que vemos é, de facto, três candidatos, que estão ali separados dentro da margem de erro, a destacar-se claramente dos outros: Govêia e Melo, André Ventura e Marques Mendes. Depois numa sondagem pode aparecer um bocadinho acima, outro um bocadinho abaixo, mas parece-me que a tendência é esta e é confirmada por todas as sondagens. É interessante que Govêia e Melo mudou em relação ao último estudo que tinha sido feito. Neste momento tem mais apoio do eleitorado da esquerda do que de direita, isso é significativo. E é significativo que esteja a roubar eleitorado a António José Seguro. Daí também António José Seguro não conseguir.
Vês aí um movimento direto entre a consolidação de um e a desfiliação do outro que está à esquerda nesta sondagem, não é?
Esse é o mistério, porque não está com os candidatos de esquerda. Uma coisa é certa, não se sabe onde é que está, mas não está com os candidatos de esquerda.
Exatamente. Por isso a lógica seria estar em Govêia e Melo.
E está a ir para Govêia e Melo.
Ou então está a ir para André Ventura.
Agora, é muito interessante ver também que o almirante cativa muito o eleitorado tradicional do PS e do PSD, estou de acordo sempre com este estudo. Ou seja, alguém que se apresenta como fora do sistema, ele até podia inventar aqui o slogan: "O homem fora do sistema, que o sistema prefere", ou que o eleitorado tradicional prefere, isso é revelador. Ventura está a conseguir fidelizar o seu eleitorado. E atenção aqui, eu vou destacar isto como o facto mais relevante na minha interpretação, há aqui muitos dados, mas é a capacidade de atração junto do eleitorado mais jovem de André Ventura.
Redes sociais.
Redes sociais.
Domina claramente.
Mas também por isso, porque Cotrim de Figueiredo tem alguma adesão nas redes sociais também. E por isso esta-
Acha-se estranho.
Acho estranho.
Eu acho estranho.
E nisso concordo com o Hugo, porque acho verdadeiramente estranho.
Não, os 3%.
Estes 3% de Cotrim de Figueiredo.
Que ele pudesse estar atrás ainda de António José Seguro, agora 3% vai contra todas as restantes sondagens. Não sei o que é que poderá justificar isso, é que é uma grande diferença para o que ele tem tido.
São amostras pequenas. Às vezes basta uma mudança de resposta de três ou quatro pessoas que tem peso percentual.
Alguém que não abriu a porta.
Só faltam as notas.
Eu vou destacar este dado da popularidade de André Ventura junto do eleitorado mais jovem. Não sei se será o mais motivado para ir votar, mas isto é bastante relevante até para o futuro. E então vou dar um 14 a André Ventura.
Deixa-me só dizer, essa sondagem tinha uma outra componente também que é muito curiosa, que é o perfil do presidente que se quer.
E o Paulo até já falou disso aqui noutro momento das manhãs.
E eu acho interessante, querem um presidente mais interventivo.
E não precisa de ser simpático. Ou mais liderança, não é?
O que também é curioso. José Manuel, inspirado para alguma nota ou ficas assim na margem de erro de um empate técnico? Acho que o José Manuel já não está, é isso?
Não, também se pode anular a prova e fazer uma segunda chamada.
Que se calhar vai acontecer. Ficamos com estas notas e o vencedor regressa mais logo na tarde política.
Logo a seguir ao jornal das 18h, com notas da Judite França, Raquel Lucassiz e do António Costa.