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Henrique Gouveia e Melo, agora sim, oficialmente candidato a Belém com este lema: Unir Portugal. Há notas para dar a esta apresentação da candidatura do almirante, ex-chefe do Estado-Maior da Armada, nesta emissão especial da Rádio Observador. Agora é que é. Já foi avaliado várias vezes no E o Vencedor é…, da Rádio Observador, mas esta é a primeira na qualidade de candidato na corrida a Belém. Um navegador animado, o adjetivo é do próprio, promete, se for eleito, ser um presidente da República estável, confiável e atento, acima de quezílias partidárias e muito diferente de Marcelo Rebelo de Sousa. Que nota merecerá Henrique Gouveia e Melo? Temos aqui um painel vasto neste início de noite, neste dia 29 de maio, edição especial de E o Vencedor é…, com a Filomena Martins, com o Ricardo Conceição, a Judite França, a Helena Matos e o Pedro Jorge Castro. Pedro, pode dizer-se que Henrique Gouveia e Melo é um vencedor hoje?
Antes de mais, vocês estão todos bem? Com tantas referências ao mar, ninguém ficou enjoado?
Sabes que eu, perante a tempestade, nunca baixo os braços.
Perante a adversidade também não.
Já estás a incorporar aqui o discurso do senhor almirante, muito bem. Sim, acho que é claramente um vencedor. Bateu nas teclas todas, traz o ar do tempo. Isto parece uma espécie de Cavaco, sem experiência política, com o lado militar, com este lado mais sério.
Mas com rodagem ou sem rodagem?
Sem rodagem, sim. E vamos ver até onde é que o carro aguenta e até onde é que esta bateria se mantém e, sobretudo, num confronto. Apesar de tudo, teve muito tempo para preparar este discurso e para o adaptar às circunstâncias políticas do país. Mas agora é que vai começar. Agora é que se vai ser, agora é que vamos ver como é que isto se conjuga com o puzzle político em que o país se encontra, com o primeiro adversário, Marques Mendes, que já está no terreno, com outros que eventualmente venham a surgir. Fiquei mesmo muito curioso para ver como é que o almirante enfrentará um adversário num debate. E espero que haja debates.
Como é que vai navegar?
Num discurso que acabou com viva à democracia. Espero que haja debates.
Vamos mesmo pelas metáforas náuticas.
Pela circum-navegação. Um debate pode ser pela circum-navegação.
Vai ser terrível.
Vai ser terrível, Filomena?
Não, as metáforas.
Hoje vais dar aqui não o chumbo direto José Manuel Fernandes, mas o zero, ou hoje há uma nota positiva para o almirante Henrique Gouveia e Melo?
Curiosamente, eu devo ter sido das poucas pessoas que, fora o timing em que ele apresentou esta pré-candidatura, com aquela desculpa dos convites terem de seguir, devo ter dado sempre notas positivas ao almirante. Portanto, desta vez vou me manter, porque eu acho que ele, além de ser um homem de mar, podemos dizer também que a partir de agora ou já há algum tempo, é um homem de estratégia. E eu acho mesmo isso. Eu acho que desde que em 2021 ele deixou os navios e assumiu o comando da vacinação contra a Covid, e ele hoje falou muito disso. Porque quer a gente queira, quer não, e isto é uma das coisas que eu acho que podemos tirar de lição destas legislativas, o país estava perdido em atrasos, em polémicas, em desculpas, e ele montou aquela task force com uma disciplina militar, mas com resultados civis. E Portugal acabou sendo um dos países com maior taxa de vacinação do mundo. E não foi milagre, aquilo foi logística e foi liderança militar. E isto é preciso ser lembrado substantivamente. E eu fui uma grande crítica da Covid em Portugal e da forma como ela foi tratada, mas as pessoas ficaram com isto na memória e isto está completamente patente nas sondagens. E quer queiramos ver ou não, e é um erro não estarem a ser vistas algumas coisas no país real. E isso mostrou-nos estes últimos resultados das eleições, porque as pessoas lembram-se disto, lembram-se que aquilo resultou e estava muito mal. E ele hoje lembrou isso. Lembrou também algumas pessoas que esteve nos fogões de Pedrógão, que esteve lá, andou lá. E fazer-lhe este elogio é bom, porque realmente aquilo de político não teve nada, mas teve de ação e teve de organização, e as pessoas gostam disso, gostam de ver efeitos. Portanto, eu já disse que o pior de tudo para mim foi o timing. O anúncio inesperado da candidatura no meio do fim das leis legislativas, já o disse aqui. Ele tinha defendido, com aquele seu ar imponente, que o seu tempo seria outro, seria após as eleições. Depois aquilo veio com aquela completa justificação de que era a Ucrânia, Israel, taxas de Trump, e já se sabia tudo. Depois a ridícula justificação de que tinha de enviar convites para a cerimônia e protocolo e pragmatismo a justificarem timings políticos para ser completamente absurdo e patético. Mas quanto ao que importa e às grandes críticas que lhe fazem, dizerem que é um militar e que isso parece torná-lo incandidatável, como se isso fosse um argumento, e algo que ele não falou aqui, mas que vai acabar por ter de falar se aparecer em uns debates, se aparecer campanha mais dura, eu acho que isso não se justifica, que não faz sentido nenhum hoje em dia.
Aliás, a primeira palavra dele é guerra.
Guerra, sim.
Portanto, é nessa incerteza da guerra.
E é verdade, temos uma guerra na Europa a continuar.
E é quem é que queremos à frente do país em caso de guerra. Um militar ou um civil?
Mas e esta história também de que é autoritário?
A resposta é militar, atenção, mas para um certo eleitorado.
Mas a verdade é que esta história de que é autoritário, que não vem da política. É preciso lembrar que ser militar em 2025 não é o mesmo que em 74. Não é a mesma coisa. Gouveia e Melo não vem de um cartel, nem de um golpe de Estado, ele vem de uma carreira internacional, tem funções na NATO, enquanto coligações nunca mais acabam.
Mas a questão aqui
Deixa-me acabar só, Ricardo. Desculpa só isso.
Faça favor.
Muito obrigada.
Conclua.
Concluo. Eu sou rápida.
Temos que seguir uma ordem, Ricardo. Percebe? Não balistices isto aqui.
Não, é porque eu continuo a achar que há pessoas que vivem em bolhas e depois parecem surpreendidas com estes resultados eleitorais, porque é de facto ele que liderou um esforço nacional de saúde pública. E as pessoas hoje em dia já não olham para os militares fazendo continência.
E a Filomena faz o gesto da continência, para quem não está a ver.
Não está a ser filmada?
Não, não está.
Tive até um tempo ali a ensaiar isto.
Eu subscrevo tudo e discordo de tudo.
Ainda bem.
Subscrevo tudo também que o senhor almirante disse neste discurso. Subscrevo que quero um país melhor para os meus filhos, para os meus pais, para mim, para os meus netos, para os meus avós. Quero um país melhor para todos, quero um sobressalto cívico do país para termos um país melhor para todos. Quero isso tudo, subscrevo tudo isso. Não tinha grande esperança de ver aqui a apresentação de um programa ou de um manifesto eleitoral.
Embora tenha tocado numa série de áreas.
Mas em quê? Quer uma justiça melhor? Todos queremos. Quer melhor educação? Todos queremos. Queremos saúde melhor? Todos queremos. Queremos um país nos eixos? Todos queremos. O que o senhor almirante quer dizer com mudar aquilo que precisa de ser mudado? Disse esta frase. É o quê? O que precisa de ser mudado?
É citar uma música e errar a letra, não é?
O que quer dizer que vai ser fiel ao povo que o elegeu, pondo nos partidos aquela carga de que os partidos não são fiéis ao povo que os elege. Ou seja, cavalgando esta onda de que os partidos são maus. Não, os partidos fazem parte da democracia. Quer queiramos, quer não, é assim que funciona. A nossa função enquanto cidadãos é tornar os partidos melhores. Também não é ficar sentados à espera que os partidos resolvam tudo, enquanto nós estamos sentados a ver se eles resolvem alguma coisa.
Isso aí é a estratégia, Ricardo.
Está bem.
Quer ser independente dos interesses partidários.
Está bem, mas ele candidata-se ao mais alto cargo político do país.
Político, não partidário.
Está bem, mas político. Ele tem que fazer política.
Mas ele quer jogar exatamente com isso. Por isso é que eu digo que ele é estratégico. Dá aí as farpas todas ao Marcelo. E são muitas.
Sim, várias bocas ao presidente da República.
E aos partidos.
E aos partidos, mas isto é um cargo político. O presidente da República é o cargo político por excelência.
Mas o que ele está aqui querendo dizer é que o presidente não precisa nascer claramente dentro dos partidos, pode ser independente.
Sim, mas tem que ter pensamento político. Liderar um pelotão não é a mesma coisa que liderar um país, ou tentar encontrar compromissos entre forças partidárias que têm opiniões diferentes e caminhos diferentes, não é a mesma coisa que juntar um regimento de infantaria e um de cavalaria. Ou seja, continua a fazer confusão esta coisa. Eu percebo que este discurso cole. É óbvio que a insatisfação é grande, o descontentamento é grande, e este discurso de "vamos pôr isto tudo na ordem e vamos pôr este país a andar", é óbvio que isto cola. Eu só ainda não percebi é como.
Então, mas ele disse, num ataque direto a Marcelo Rebelo de Sousa, que é o antecessor, usando a palavra com contenção e substância.
Isso é o uso da palavra.
Diz-se que é o maior poder que o presidente tem, a palavra.
Não, mas é uma coisa fácil de dizer agora. A dúvida que fica é: se ele usar a palavra e as coisas não acontecerem por magia, o que ele faz a seguir? E a dúvida a seguir é: vai dar rasteaneiras como nós vimos, como vimos todos a fazer aos cadetes que se insubordinaram na Marinha? Que outras artes é que vai ter? E aqui a questão da experiência política tem relevância. Não estou a dizer que é decisiva, mas de facto é a vantagem de Marques Mendes face ao almirante. Não sei até quando é que isto se vai traduzir em termos de resultados, mas Marcelo Rebelo de Sousa sai com as orelhas a arder desta intervenção. Não esteve a ouvir.
Não estava na ARCO, estava na 9% do ar.
A ver artes e a dar outras artes.
E deve estar a preparar-se para falar, dizer qualquer coisa.
Certo, exato. Portanto, mostrando a falta de contenção. Mas há este contraponto perfeito entre aquilo que foi Marcelo Rebelo de Sousa, que tinha sido muito criticado, e que ele promete fazer diferente.
De que forma?
Falta ver exatamente até onde é que ele consegue.
Deixe-me só chamar até a Helena Matos também, que está conosco neste "O Vencedor". Helena, esperava-se mais deste discurso de Henrique Gouveia e Melo ou os sinais que deu para já são suficientes, tendo em conta que foi um discurso de apresentação desta candidatura?
Bem, olha, em primeiro lugar, tenho estado aqui a ouvir os vencedores e estou fascinada, porque me parece que, de facto, há uma espécie de um almirante para cada um de nós.
Cada um tem o almirante que merece.
É, cada um tem o almirante que merece. Agora, eu creio que há aqui dois ou três pontos que me parecem ser essenciais. Um é a capacidade dele, e já marcou isso, que é o uso do silêncio. Ele usa talvez até o silêncio melhor do que a voz, porque nota-se que a voz ainda precisa de algum treino, mas a forma como não responde uma única vez aos jornalistas, eu creio que é uma afirmação de uma diferença, sobretudo, claro, em relação a Marcelo Rebelo de Sousa, que impressiona e marca. E de alguma forma também em relação a Marques Mendes. Logo, eu creio que vamos ter aqui uma utilização do silêncio com uma grande expressividade e nesse aspecto creio que marcou. Depois, o facto de a sala estar cheia, não era uma sala qualquer. Estamos a falar da Gare Marítima e sim, tem todo um conjunto de referências, o próprio espaço, em relação àquilo que é o próprio percurso de Gouveia e Melo. Mas há um dado, não é o facto da sala estar cheia, que se conseguem quase sempre encher salas. Há aqui uma capacidade de organização, sobretudo na parte da comunicação, que achei mais eficaz do que aquilo que eu estava à espera. Ou seja, talvez de uma coisa mais amadora e mais de um homem só E aquilo que se viu na própria conceção, seja do vídeo, seja do próprio cenário, há aqui uma máquina que está no terreno a trabalhar. Portanto, não estamos na candidatura de um homem só.
Sim, não há nada de amadorismo aqui.
O cenário que já agora é azul também, aqui uma referência à cor do mar.
Sim, a gravata, a gravata aos olhos.
Com o tempo que foram enviados os convites esperaram muita gente.
Os outros já eram assim, não mudou nada.
Está tudo a bater certo. Depois temos aqui também uma palavra que eu penso que vai funcionar muito como repositório de tudo aquilo que nós não sabemos exatamente o que é que pode ser ou o que é que pode vir a ser, mas que é certamente uma palavra que marca num bom sentido, que é esperança. Eu acho que sem dúvida vai ser uma palavra que vai ser muito usada ao longo da campanha e que vai ser a palavra esperança, que é uma palavra onde cada um de nós pode projetar aquele que é o seu desejo. É uma palavra onde cabe tudo e é isso mesmo que um candidato presidencial precisa. Ou seja, é não se comprometer, porque quando se fala de justiça, de riqueza, aí apesar de tudo nós conseguimos traduzir o que é que queríamos desses objetivos. Agora, a palavra esperança é uma palavra na qual quem a profere não se compromete com nada, mas nós comprometemo-nos com imenso, porque pomos lá os nossos desejos todos.
É um truque de magia isso.
É quase que um truque de magia. Por outro lado, acho também que é muito interessante, olhando aquilo que me foi possível, porque foi pela sala, as pessoas que ali estão, de alguma forma representam aquilo que nós muitas vezes designamos como o centrão, mas é um centrão que acaba por se afirmar através desta candidatura, a sua capacidade perante o centrão dos partidos eles mesmos. Estas pessoas estão ali, muitas apesar dos seus partidos, ou estando elas também nos seus partidos, outras sem partidos, mas é como se estivessem ali a afirmar uma capacidade de influência que vai muito para lá daquilo que as lideranças dos partidos dizem querer e claramente não queriam a candidatura de Gouveia e Melo. E apenas para acabar, nota-se também, e acho que francamente não havia necessidade para aquilo a que se prestaram hoje Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa. Acho que cada tem o seu tempo, tem os seus espaços e por excelentes que sejam os pastéis de Belém, não havia aquelas necessidades de Montenegro andar a sair e comer pastéis. Isto ainda vai acabar tudo aqui nos gelados.
Achas que foi um ato de pirataria?
Acho que foi um ato de pirataria. Acho assim mais de corsário, não é? Mais assim um corsário Zito Manhoso e acho que há técnicas de abordagem que não teriam sido necessárias hoje, porque cada um tem já o seu tempo.
Mas aí Montenegro é inocente. A traquinice é toda do presidente da República atual, Marcelo Rebelo de Sousa.
O dia ainda não acabou. Está calor, pode haver alguns gelados para degustar.
Vocês acham que Marcelo ainda vai falar hoje ou não?
Eu acho que sim.
Diria que sim, apostaria que sim.
Eu acho que sim. Eu acho que é dia de ir comer uns gelados.
Então eu em vez de dar nota ao almirante, aposto a totalidade da minha nota em como ele vai falar. Sim, acho que sim.
Eu até te posso dizer que hoje à noite em Lisboa vão estar uns simpáticos 19 graus.
As apostas normalmente são feitas no Fora do Baralho, não no e o vencedor é, mas aqui estamos.
É um mashup.
É isso. Amanhã, de resto há Fora do Baralho também depois das 19h aqui na Rádio Observador, Judite de França.
Product placement.
Judite, estávamos aqui a falar de Marcelo Rebelo de Sousa e desta coincidência ou não. Marcelo Rebelo de Sousa dizia que não tinha pressa de indigitar o novo primeiro-ministro. De repente ganhou pressa por causa deste anúncio de Gouveia e Melo?
Não faço ideia. Sinceramente não consigo vislumbrar nem perceber exatamente aquilo que pensa Marcelo Rebelo de Sousa a maior parte das vezes, portanto isso não consigo dizer. Que calhou bem se pensarmos na forma como de facto Marcelo Rebelo de Sousa é traquina, isso correu bem e pode ser uma traquinice, mas que não atrapalhou minimamente Gouveia e Melo, nem o espaço que Gouveia e Melo teve nas televisões, nem nas rádios. Não atrapalhou de todo. A indigitação de Luís Montenegro foi rápida e também indolor. Saem dali duas ou três mensagens. Fez um discurso curto, também não costuma falar muito, portanto fez ali um discurso curto e deu tempo para tudo. Deu tempo para fazer as entradas, deu tempo para fazer as saídas, para fazer o discurso, deu tempo para tudo.
E agora ainda há Conselho Nacional do PSD.
Não, eu estava a falar em relação ao almirante Gouveia e Melo. Se eventualmente Marcelo Rebelo de Sousa queria vir aqui atrapalhar um bocadinho.
Fizeste a voz dele. Foi bom, não foi mau.
Se queria estar aqui, obrigar os jornalistas sem saber se faziam um duplex ou um triplex.
Mas fizeram, fizeram a certa altura, claro.
Significa dividir o ecrã em várias...
Ou estabilizar.
Ou a nós estar nos obrigar a saltar de repórter nem repórter.
Exato.
Mas dito isto e olhando para o discurso, eu acho que foi um discurso, havia aqui algumas coisas. Eu lembrei-me logo daquele livro da primeira classe do tempo do Estado Novo, em que há uns miúdos a correr com a bandeira de Portugal, porque há aqui uma parte patriótica Sem qualquer pejo, nem vergonha de ser confundido com nacionalista ou de ser confundido com outra coisa qualquer. Portanto, há uma exaltação patriota, há amor pelo país, duas vezes ama este país. Diz que nós somos capazes de coisas incríveis, mais uma vez, se conquistamos mar a mar.
Sim, sobrevivermos a terremotos e tudo e mais alguma coisa.
E há uma exaltação daquilo que nós somos como nação e como pátria.
E da democracia, para que não fraqueje em tempos de incerteza, diz também o Governo.
Sim, e depois aponta especificamente a dois setores: aos que estão em silêncio, àqueles que sofrem em silêncio e aos jovens.
Os descontentes.
Várias palavras para os jovens neste discurso.
Jovens e descontentes, os que estão em silêncio, os que sofrem. E Govem L não se esquece e sabe perfeitamente já neste momento qual é o seu público. Os jovens, os idosos, os esquecidos, os pobres. Está a falar exatamente para um público completamente diferente do de Marques Mendes, e isso é importante para Govem L, e está a falar para o público que é em muito semelhante ao do Chega. E não se importa nada com isso. Não está preocupado, sequer, que agora os comentadores estejam a fazer comparações sobre se há uma proximidade com o Chega ou se não há. Não está mesmo preocupado com isso.
Eu acho que essas proximidades e essa leitura política do pensamento político dele, eu acho que nós vamos ter de esperar para ver. Ele deixou algumas coisas nos artigos e naquele programa que na prática publicou no Expresso. Fica lá muito.
E é muito semelhante a isto. Habitação, famílias sem casa, jovens.
Deixou ali uma coisa de mercado que não falou aqui, é um mercado liberal, que ele se considera um liberal.
Sim, menos Estado na economia. Mas deixa-me só terminar aqui, porque eu acho que há uma coisa importante no discurso, que é um discurso muito simples, frases curtas.
Frases muito curtas.
Muito curtas. Não há cá rococós nas frases e está a falar para todos. Todos entendem este discurso. Eu acho que Govem L é claramente um vencedor. Falou para os seus, para aqueles que entende que vão votar nele. E basicamente não pede desculpa por parecer patriota. Se agora houver gente que vai dizer: "É um populista".
Eu acho que ninguém tem que pedir desculpa por ser patriota.
Porque há muita gente que pede hoje em dia.
Deixa só completar o que estás a dizer nas referências ao discurso com a imigração, que é o grande tema, duas referências à imigração. Primeiro, imigrantes que escolhem Portugal como casa, este é o nosso país. E depois logo a seguir, na lista de problemas, a imigração sem integração. Portanto, dá para todos. Mais uma ficha onde bateu. Outra coisa interessante sobre a plateia, já se referiu aqui, e fazendo contraponto com Marques Mendes. Marques Mendes fez questão de não ter notáveis na plateia. Govem L fez questão do contrário, de ter o máximo de notáveis que conseguisse. Também não são assim tantos, calma. Estamos a falar aqui de uma dúzia de pessoas, que as pessoas consigam identificar, essencialmente presidentes de câmara, ex-presidentes de câmara, o que também tem o seu significado, são pessoas mais próximas do povo, dos problemas do povo.
Francisco George, também.
Um ex-ministro da Administração Interna, Ângelo Correia. Francisco George, um provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares. E também não é assim muita gente, ou seja, para quem permitiu porta aberta a que viesse toda a gente. Surpresa, Fernando Negrão, atenção, PSD. Cada militante notável do PSD que apoia o Amirante, isto é uma facada em Marques Mendes.
Que daqui a pouco vai ser, em princípio, oficializado.
Vamos ter agora o encontro do Carlos Pedro. Carlos, Marcelo Rebelo de Sousa, como seria de esperar, a falar agora.
Quem é a aposta?
Não vai falar, Vanessa. O presidente da República está neste momento a entrar na viatura depois de uma visita à Feira Internacional de Arte Contemporânea na Cordoaria, a não ser qualquer comentário depois de já há umas horas terem digitado novamente Luís Montenegro como primeiro-ministro, agora o presidente da República, a não ser qualquer comentário.
Marcelo Rebelo de Sousa, desta vez sem comentar, a gerir aqui os silêncios. É preciso ver que ouviu o Govem L.
Já vai falar. Não.
Já está no carro, Helena.
Govem L já a fazer a sua influência. Eu, de qualquer forma, acho que aquilo a que assistimos hoje bate certo com aquilo que é a última sondagem conhecida, em que Govem L tem uma aceitação de 62%. Ou seja, ele é o preferido de 37% do eleitorado, mas tem uma aceitação de 62% e uma rejeição baixíssima. Ele só é rejeitado por 30% do eleitorado. Na rejeição, todos os outros nomes têm rejeições muito superiores, até um quase inócuo António José Seguro, que aparece com 57%, Marques Mendes com 51%.
E a de Marcelo, Helena, já agora, é curioso. Ainda bem que foste buscar esses números, porque os últimos dados de Marcelo que eu tenho aqui era 53% de avaliações positivas, 44% negativas. Mas atenção, era o político mais popular da última vez que se fez isto. Também é interessante isto. O mesmo país considera, em momentos diferentes, como mais populares duas personalidades antagônicas, com programas, projetos e posturas completamente diferentes.
Personalidades, acho isso muito interessante.
Todos, a dado momento, pensamos: "Coitado do sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, como é que a pessoa vai resolver isto?"
Sim, mas isso foi nos primeiros cinco anos, porque este é o segundo mandato de Marcelo, digamos que Marcelo caiu bastante. Mas eu ainda voltava àquele ponto em que estava a dizer, contrariando o Ricardo, que é uma pessoa que eu não gosto de contrariar, fico de mau humor, vocês não imaginam.
Por favor, contraria.
Porque eu continuo a achar que, ao contrário de vocês e do Ricardo, que é muito saudável estas candidaturas fora dos partidos. Acho que não são nada um risco, acho que são um sinal de vitalidade democrática.
Isadora, eu não estou a dizer que não é saudável. O que eu estava a dizer é que um homem que se candidata ao mais alto cargo político do país, eu obviamente não estava à espera de um programa, repito, aqui neste discurso de apresentação. Porém, estava à espera de algumas pistas.
Não prometi isso.
Não era isso.
Menos pistas do que Luís Marques Mendes?
Mas quando é que vai ser a altura para isso?
Temos muito tempo ainda. Estamos a falar das eleições de janeiro.
Sou eu que estou a pressa.
Este é o discurso de apresentação. Este era para tirar o soundbites.
Exatamente.
Não era o discurso para fazer outra coisa.
Mas é um discurso miss mundo.
Sim, mas não é para outra coisa neste momento. Acho que o programa que foi publicado no Expresso tinha muitas indicações já do seu pensamento político. Aqui não há nada, e continuo a achar que esta ideia de que tem que ser um político que tenha estado no ativo e que agora na pré-reforma acabe em Belém, não acho nada. Acho que convém esquecer. Não precisam ir às Juntas de concelho, nem às comissões políticas distritais. Acho que estas candidaturas de cidadãos com currículo, com serviço prestado, com ambição legítima, é ótimo.
Não me entendas mal, acho bem. Só quero saber o que os candidatos pensam politicamente.
Mas tu terás tempo e ele vai falar e vai dar entrevistas e vai fazer artigos de opinião, etc.
E quando ainda não estão em antagonismo com outros. Em geral, pensemos aquilo que foram os discursos de Marcelo Rebelo de Sousa ou o que foi o discurso da primeira candidatura, que por acaso era a segunda de Cavaco Silva, ou seja, quando ele ganhou. Há aqui quase que um conjunto de propósitos que são quase transversais. É sempre esta questão da juventude, esta questão da esperança, esta questão do povo que sim, que tem uma história, que o eleva a patamares a que a realidade da política não tem sabido corresponder, mas sim, nós vamos chegar lá outra vez. Temos sempre a invariável referência aos descobrimentos. Portanto, como aquele momento em que Portugal se superou e conseguiu ultrapassar aquela apagada e vil tristeza em que habitualmente leva os dias. Portanto, eu acho que isto é um bocadinho transversal a vários candidatos e é realmente a pele em que eles até parece que se sentem melhor, porque quando eles depois têm que tomar posição, e por isso é que vocês já estavam aí a pedir debates, venham os debates, porque aí eles têm que se distinguir uns dos outros. Coitados dos homens, eles levam e apresentam as suas candidaturas a dizer que podem ser apoiados por qualquer um de nós. E depois nós queremos que eles se distingam uns dos outros e que digam o que os distingue no concreto, sendo que eles também não estão lá para governar. Eu acho que o dia em que alguém se apresenta como candidato à Presidência da República é o dia em que o candidato é feliz. A partir daí, é uma corrida complicada, porque só pode ganhar um, em que acabou esse fato que podia servir a qualquer um de nós.
Ele tem uma vantagem, que como não se importa de estar em silêncio e não é convencível a não estar em silêncio, dá-me a ideia que de cada vez que tentarem que ele diga alguma coisa e, portanto, possa entrar eventualmente em contradição, prefere estar em silêncio e continuará a estar em silêncio e não se preocupa com isso.
E neste momento ele dá aqui uma vantagem. Neste momento, nós só temos Luís Marques Mendes em cena. Vai ter o apoio seguro do PSD esta noite, provavelmente do CDS, pelo menos se outras portas não se abrirem até lá. António José Seguro ainda está a sair lentamente do casulo. Talvez seja mais fácil.
E António Vitorino, afinal, ainda não desistiu.
É isso. Talvez seja mais fácil com José Luís Carneiro, se Vitorino não aparecer, talvez seja mais fácil do que com Pedro Nuno Santos Seguro aparecer. Santos Silva seria claramente um candidato tauliteiro do PS, que passou agora a ser a terceira força política portuguesa, e seria até o candidato ideal para prolongar este desastre do PS. Portanto, vamos ver como é que isto agora vai aparecer. Temos de ver também quem serão os restantes apoiantes do Gouveia e Melo, além daqueles que apareceram hoje. Só conhecíamos Mário Ferreira, que já disse que era o homem certo para o cargo, o empresário da TVI e da Dor Azul.
Por acaso, eu acho que a questão dos notáveis também não é...
Não, mas é preciso ver aqui uma coisa. Há aqui um dado importante.
Incrivel como Isaltino, com o seu passado tão conturbado que tem, pode ser considerado um ativo como apoiante.
É verdade, mas há aqui um dado que eu considero importante.
Como vencedor das eleições de manhã, não é?
Perceber como é que se vai posicionar o Chega e o que isso impacta nesta candidatura. Porque André Ventura não será candidato, seguramente, seria um erro continuar a ser o candidato a tudo e mais alguma coisa.
E quem irá apoiar, se é que vai apoiar alguém.
Ele não pode achar que realmente, ele acha, mas não pode achar que o Chega começa e acaba no seu umbigo. Ele pode apoiá-lo ou pode recomendar a liberdade de voto, que é aquilo em que eu aposto. Mas falta ver isso. E isso pode impactar bem ou mal para o almirante. Neste momento, eu diria que pode ser uma das duas coisas, e aqui não tenho opinião. Mas a esquerda vê Gouveia e Melo como uma ameaça e pode semear candidatos próprios, e isto pode ser bom para ele, pode unir aqui. E portanto, eu neste momento acho que Gouveia e Melo, logo se vê se ele vai ter obra, visão e coragem, mas isso tem de ser discutido depois das autárquicas e até ali vais ter de esperar, Ricardo. Até àquele período de janeiro e fevereiro.
Até lá, haverá uns artigos para o Ricardo ler e perceber o problema e fará umas declarações bonitas destas.
Cabe-nos a nós, ao jornalismo e ao próprio confronto político, arrancar-lhe a visão e as ideias que traz para a política.
Olhando para os dados que temos em cima da mesa nesta altura, eu afirmo aqui solenemente que não tenho dúvida nenhuma que o almirante vai vencer. Não tenho dúvidas.
Já puseste todas as tuas fichas.
À primeira ou à segunda volta.
Essa é a dúvida.
Essa é uma dúvida.
Para um homem que não tem dúvidas nenhumas
Não tenho dúvidas nenhumas. Não tenho dúvida que vai vencer com os dados que temos hoje em cima da mesa. Pronto, isso não tenho dúvida.
Ainda faltam muitos dados, atenção.
Falta muito tempo.
Mas nós já sabemos que em Portugal um presidente não é um primeiro-ministro. Portanto, é fácil perceber isso.
Não, mas é uma figura importante.
É, sobretudo se for uma figura, vou ler o que tenho aqui porque, de facto, tudo o que é adjetivos de característica do que é um bom presidente, das duas, uma, ou em antagonismo com aquilo que Marcelo Rebelo de Sousa é hoje em dia, ou então é agregador, que une, que defenda a coesão territorial, que defenda a identidade, que defenda Portugal com orgulho e dignidade. Portanto, são tudo frases.
Sendo que Gouveia e Melo tentou puxar muito também pela questão da coragem, da exigência, muito essa esfera militar.
E de unir Portugal.
Só por graça. Temos falado aqui tanto do mar e de Marcelo Rebelo de Sousa. Sabe o que é que Marcelo Rebelo de Sousa foi ver a Arco? Umas das secções chama-se as formas do oceano. Muita propósito.
Mas claro que temos de conhecer melhor o pensamento deste homem, do almirante.
Sabemos que gosta de Camões, que acabou com a frase de...
Certo.
Então fica sempre a citar.
Também.
Sobretudo precisamos de perceber melhor o que ele pensa em matéria de estabilidade, porque é uma das palavras que ele também usa muito, até para atirar a farpa.
Admite usar a bomba atómica.
Não, a frase dele é: precisamos de um presidente diferente, estável.
Estável, confiável e atento acima de tudo.
Se os partidos falharem, por exemplo, no cumprimento das promessas que fizeram.
Mas ele claramente usa a palavra estável e em matéria de estabilidade precisamos de perceber ainda melhor o que ele pensa, mas ele está a escrever sobre isso.
Tentou claramente marcar-se de Marcelo Rebelo de Sousa neste discurso.
Isso é fácil.
Sim, que é o presidente com mais dissoluções.
Agora vou às metáforas. Enquanto a Portugal parece um barco no mar agitado.
Na beira à vista.
Sempre à procura de bons comandantes, vamos lá esperar o que este senhor pode fazer.
Eu acho que este ponto que a Vanessa estava a dizer de haver aqui uma tónica de coragem e de exaltação da coragem também é muito próprio desta esfera militar e desta esfera patriótica.
Mas eu a isso só bem não lhe dei muito relevo porque o Marcelo, agora quando chegar o 10 de Junho, fala sempre dessa esfera patriótica, dos descobrimentos, de Camões, cita sempre, vem sempre com essas citações.
Mas isso no 10 de Junho é por causa do nome do 10 de Junho. De um dia obrigado a dizer.
Agora fez também, não sei se foi no discurso de Ano Novo, ou foi no 25 de Abril, já os confundo, já são muitos.
E eu agora vou obrigar-vos a darem as vossas notas.
Eu vou dar um 14 a Gouveia e Melo.
Filomena?
Vocês sabem que eu não sou tão boazinha assim, portanto fica um 13 e eu não tenho nada de má sorte.
Eu vou dar aqui um 3,5. Este mesmo painel, acho que eu ilustro, reuni-se aqui quando foi a apresentação da candidatura de Marques Mendes. Eu na altura atribui-lhe o cognome de o entalado. Acho que Gouveia e Melo parece merecer para já o cognome de o exaltador. Agora vamos ver se este DR não troca de sítio, se não vai passar Marques Mendes a entalador e Gouveia e Melo a exaltado durante a campanha. Vamos ver.
Eu vou dar um 10. Nunca sigo.
Há sempre um pessimista e um militante.
Não dou negativa porque o homem foi ao encontro dos seus, esteve bem.
Helena Mattos.
Não dou uma grande positiva.
Vais aqui mais ao encontro do Ricardo ou do restante painel?
Dou 14 por não ter respondido aos jornalistas, ter usado o silêncio e dou um 14 também por aquele degradê de tons de azul, do cenário dos olhos, da gravata e talvez do casaco, não consegui confirmar.
Era azul-escuro.
Era marinha, azul-escuro.
Tudo mesmo a combinar. Henrique Gouveia e Melo na corrida a Belém, numa pista paralela corre Luís Marques Mendes, que esta noite vai receber oficialmente o apoio do PSD. Entre as últimas palavras do discurso do almirante estão estas: "No mar, perante a tempestade, nunca se desiste, nunca se baixa os braços." A ver vamos se teremos águas movediças nos próximos meses, com uma nova legislatura que começa já na próxima semana, agora que o primeiro-ministro Luís Montenegro está oficialmente indigitado e há uma nova e desafiante composição parlamentar, também com essas presidenciais no horizonte em 2026, no início do próximo ano. Amanhã já sabe, há mais e o vencedor é com a equipa das manhãs 360 da Rádio Observador. Vai ser logo depois das 08h30. Ponto final agora nesta emissão especial da Rádio Observador.