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Nos próximos minutos, o destaque vai para os protagonistas que estão a marcar a atualidade no "You Vence Tourê". Há muitas notas para dar de 0 a 20 e para isso, nesta edição de sábado, nas manhãs 360 de fim de semana, juntou-se a nós a Eunice Lourenço, editora de política do Expresso, e o Pedro Benevides, jornalista da TVI e CNN Portugal. A moderação é do José Rafael Lopes. Eunice Lourenço, Pedro Benevides, sejam muito bem-vindos. Como estão todos? Tudo bem? Olá.
Bom dia.
Obrigado. Bom dia. Zé, deixa-me só te perguntar, estás a sentir aquele cheirinho a tarte de amêndoa no ar? Em breve, espero.
Sabia que me iam cobrar.
Não, eu por acaso estava a ver se o Zé estaria a sentir esse cheirinho, mas eu não estou a sentir. Ah, pois, porque a Eunice não está cá mais uma vez. Exatamente.
Eu peço imensa desculpa por não estar aí mais uma vez.
Isto encaixa muito bem no primeiro tema aqui do Pedro Benevides. Pedro, eu não te tenho nem como anjo, nem como demônio, mas é o tema que tens para conversa. Não vamos falar de literatura, certamente, nem no livro, mas sim do processo que envolve os Anjos e também a humorista Joana Marques. Tens acompanhado? É a minha primeira pergunta. E citando aqui uma canção precisamente dos Anjos: estás mais perto do céu ou do mar para dar notas a este caso? Olha, eu em certa medida estou perto do céu, porque tem sido um deleite ver a transcrição que tem sido feita daquilo que se passa no tribunal. Isto é tão cômico como as próprias condições em que aquele julgamento está a decorrer, ou a falta de condições em que aquele julgamento está a decorrer, ajudam a tornar isto uma coisa ainda mais anedótica do que aquilo que já era por natureza. Eu digo anedótica e não humorística, porque aparentemente os Anjos são mais apreciadores de anedotas, segundo o relato deles próprios, do que de sátiras e de críticas humorísticas, que é mais a especialidade da Joana Marques. Eu acho curioso que do ponto de vista do marketing pessoal, os Anjos tenham deixado enredar nisto e sejam neste momento, agora sim, diria eu, alvo da chacota nacional, genericamente.
Devem ser daquele tipo de pessoas que se leva tão a sério, que não consegue rir de si próprias e, portanto, deixam-se levar.
Porque eles são anjos, eles não são pessoas como nós. Não são pessoas comuns. Seres celestiais. O próprio nome não engana. Eles não se chamam os Irmãos Rosado, eles chamam-se os Anjos. Aliás, a explicação é que a família ou a avó considerava-os os anjinhos, eram uns anjos, e então eles acreditaram, provavelmente.
Sim, e devem-lhes ter dito muitas vezes que tinham vozes de anjos.
Exatamente. E atenção, eu não acho que eles sejam maus cantores, mas todos nós temos um dia mau. Eu também já fiz coisas que não correram bem.
Confesso que agora com as notícias do julgamento, fui à procura do vídeo da Joana Marques.
Certo.
E também não me esforcei muito e só me apareceu o vídeo original da interpretação deles do hino.
Supostamente aquele que as pessoas tinham ouvido bem. Que não terá sido adulterado. Exatamente.
E quer dizer, aquilo só pode ser gozado, porque para ser levado a sério é muito mau.
Eu não digo isto porque eu tenho medo financeiramente, mas a Eunice está por conta dela.
Eu por acaso não pensei bem, não é?
Sim, cuidado aí.
Pronto. Eu convido os nossos ouvintes a verem o vídeo que deu origem às piadas da Joana Marques e pensarem se aquilo deve ser levado a sério ou deve ser motivo para algumas brincadeiras.
É que nem sequer estamos a falar de piadas. Foi uma publicação numa rede social em que ela basicamente mostrou excertos do vídeo com as reações do júri dos Ídolos e perguntou: "Só foi para isto que se fez o 25 de Abril?" Porque aqui a questão é: nós vivemos hoje em dia numa sociedade onde qualquer idiota tem uma plataforma, em que a mediocridade foi elevada ao estatuto de elite, em que temos um bando de gente com ar no cérebro que nos serve comida de plástico como se fosse comida de um restaurante de luxo e que mais, tem gente à porta desse restaurante a acreditar que está a comer coisas feitas com ingredientes de primeira qualidade. E eu sei disso não porque siga essa gente, mas porque a Joana Marques tem feito o serviço público quase diariamente de nos dar a conhecer esta realidade que às vezes nos escapa. Nós temos o líder da oposição neste momento, ainda agora, acabou de publicar ontem, creio eu, uma coisa que é claramente uma fake news a anunciar uma conferência que iria acontecer em Lisboa sobre o califado moral no coração da Europa, tudo aquilo tresanda a fake news e a discurso simplista, no caso, tendo como alvo o líder da comunidade do Bangladesh creio eu, em Lisboa, que tem um QR Code que nem sequer funciona, anuncia essa conferência no Centro Cultural Islâmico de Lisboa, que também não existe, e que serve apenas para promover o ódio, para dividir ainda mais a nossa sociedade, desestruturá-la com incitação a confrontos imaginários só para ganhar votos. Nós temos isto diariamente, ou seja, a liberdade de expressão, que é um valor que eu prezo muito, até porque nós temos esta profissão e portanto ainda bem que a prezamos É testada aos seus limites diariamente. E aquilo que nós estamos a ver é que dois irmãos que cantaram e tiveram um momento infeliz como qualquer pessoa tem. A Eunice anda a prometer uma tarte de amêndoa há tempos e é apanhada constantemente a não dar essa tarte de amêndoa.
Achas que já podemos pedir uma indemnização de um leão?
Eu não vou pedir uma indemnização, até porque com aquilo que a Eunice disse há pouco, eu não sei se ela vai ter dinheiro para comprar as amêndoas, mas é indiferente. Nós, se for preciso, contribuímos. Agora, com a sociedade no ponto em que estamos, nós temos duas vítimas ofendidas porque tiveram borbulhas na cara à conta de alguém que gozou com o que eles fizeram. Isto é uma coisa que é absolutamente inimaginável. E portanto, eu quero ao mesmo tempo agradecer aos Anjos, porque estão a dar a cara e as costas, embora eles não tenham costas, supostamente. Mas estão a dar a cara, uma cara que sofreu acne e que por um caso que eu acho que vai pelo menos sossegar-nos quando no fim se vier a provar que tudo isto é um disparate, tudo isto é absolutamente ridículo, eles estão a autoinfligir danos à sua própria carreira. E que, no fim de contas, a liberdade de expressão e o direito de criticar e o direito de ouvirmos aquilo que nós não gostamos de ouvir continua preservado numa sociedade que tem muitos desafios, desafios bastante mais graves do que este pela frente.
Eu espero que a realidade te dê razão nessa parte.
Não é isso. Eu depois posso ter de engolir as palavras que estou a dizer aqui, mas cá estarei nessa altura.
E tu também em contacto.
Começa a haver sinais preocupantes.
Achas que sim?
O que se passou no Brasil com a condenação de um humorista é preocupante.
Atenção, nós já tivemos casos desses. O Hermano José teve um programa censurado na RTP, em tempos em que eu já era crescido o suficiente para acompanhar esse programa e acompanhar as notícias que saíram sobre esse programa.
Éramos mais adolescentes, provavelmente.
Crianças, Eunice. Éramos crianças.
Não, quando foi o programa do Hermano, eu até já trabalhava.
Depois eu percebo, eu também era criança.
Quando foi a polêmica com o hino e com o ator João Grosso.
Exatamente.
Éramos crianças ou adolescentes e também foi uma coisa séria. Eu espero que, de facto, se cumpra o que estavas a dizer e que a realidade venha confirmar tudo isto.
Não nos surpreenda.
Sim, que a realidade não nos surpreenda com alguma decisão do tribunal menos...
Previsível? Desejável.
Menos previsível e menos desejável e que nos descanse menos.
Bem, para já o que é certo é que ainda falta uma ação, que será no dia 30 deste mês. Falta-me também a tua nota, Pedro. Vamos lá aplicar a doutrina Brunevitz.
Eu vou dar um 16 aos Anjos na expectativa de que este caso seja exemplar e que impeça outras figuras que sentiram uma dorzinha porque lhes disseram que aquilo que fizeram não foi bonito e que ficam muito ofendidos e acham que o mundo acabou. Perderam concertos, perderam não sei o quê. Consta que aliás, nesse ano até bateram recordes de faturação, mas isso é todo um outro pormenor. Mas espero que isto seja absolutamente exemplar e que lembre as pessoas exatamente em que fundamentos a nossa sociedade vive e deve continuar a viver. E, portanto, eu vou dar um 16 aos Anjos por estarem a dar a cara e por previsivelmente se irem estampar contra uma parede com isto que estão a fazer, para dar este exemplo à nossa sociedade e nos descansar a todos. Espero eu.
A nota 16 dada pelo Pedro Brunevitz aos irmãos Rosado, os Anjos, neste processo contra a humorista Joana Marques. Eunice Florence, tu queres abordar uma candidatura à Presidência da República, a candidatura de António José Seguro, que avançou agora de forma oficial. Diz que vem para unir depois de um período em que de certa forma separou. Mas neste caso, tu queres aqui dar mais uma nota mais ligada ao PS. Por quê?
Porque o PS, pelo que se está a ver, vai para provavelmente a quinta eleição presidencial sem ter ou um candidato próprio ou um candidato único, no sentido de aconselhar o voto num só candidato. Há 25 anos teve um candidato próprio, teve aquela candidatura fora de tempo de Mário Soares, mas havia outras candidaturas na área do PS, como Manuel Alegre, os votos dos socialistas acabaram divididos. Eu acho que a partir daí tem sido um grande desnorte a estratégia presidencial do PS. Pedro Nuno Santos supostamente tinha uma estratégia que era apostar de facto em ter um candidato próprio com capacidade de vencer. José Luís Carneiro-
Teve essa estratégia, mas ele próprio tratou de a esfralhar quando lançou uma data de nomes e depois teve que dizer a IF.
A estratégia é outra coisa.
Exato.
José Luís Carneiro tem vindo a desvalorizar bastante as presidenciais, provavelmente porque sente também muito a pressão das autárquicas, e as autárquicas são muito importantes para o PS. E António José Seguro foi fazendo o seu caminho e apresentou a sua candidatura. E falando em pessoas que também se levam muito a sério, António José Seguro é dessas pessoas. Eu não percebo, acho que é de facto uma manifestação de grande capacidade de autoconvencimento António José Seguro apresentar-se como um candidato que não vem da política tradicional. Alguém que foi líder da JS, que foi deputado, eurodeputado, secretário de Estado, ministro.
Secretário-geral do PS.
Secretário-Geral do PS, que fez todo o percurso de estruturas locais necessárias para chegar ao Secretário-Geral do PS.
Ele se calhar não se leva a sério, isso foi uma piada, foi sentido de humor. Não, tu estás desconfiada. Não é a pergunta para um milhão.
Provavelmente ele não tem muito sentido de humor, embora tenha pessoas que digam que ele terá algum, que o conhecem melhor que eu. Mas esperemos para ver, porque eu acho que esta capacidade de olharmos para nós próprios e rirmos de nós próprios é muito importante na vida pública. Mas voltando ao meu ponto aqui hoje para o PS, apesar da desvalorização que José Luís Carneiro fez das presidenciais e de querer que o partido só tome uma decisão depois das autárquicas, o que é facto é que António José Seguro vai colecionando apoios. E como contamos no "Expresso" esta semana, a maior parte das estruturas do PS já está a apoiar António José Seguro.
Este sonzinho é meu.
Ouvi, sim.
Estava a achar estranho, já vamos às 10h49.
Eu também estava. Eu pensei: "Tu queres ver que hoje não..."
António José Seguro vai fazendo o seu caminho, vai colecionando apoios no terreno que são muito importantes e que vêm dessa tal política tradicional a que ele deixou de pertencer.
De um lado para o outro.
E portanto, dou aqui um 15 a António José Seguro por, pelos vistos, estar a conseguir impor-se ao seu próprio partido, ainda que ao contrário do que ele gostaria e previa, não una esse mesmo partido.
Mas não deixa de ser significativo a forma como, aproveitando este desnorte que falavas no Partido Socialista, a candidatura dele, surpreendentemente, diria eu, tem vindo a impor-se naturalmente.
É isso, daí o meu 15, está a impor-se.
Mas espera, quem corre sozinho não ganha sempre.
Eu acho graça ainda esta semana ouvir Augusto Santos Silva tentar deitar abaixo a candidatura de António José Seguro, não tendo ele a coragem para assumir se quer ou não quer ser candidato. E portanto, só por isso eu acho que António-
Eu acho que é o candidato que seria o candidato preferido do José Luís Carneiro.
Augusto Santos Silva?
Sim.
Pois, mas o problema é que é mais fácil estar aqui, e dizemos nós que também estamos a fazer isso, é mais fácil estar aos microfones a criticar candidatos do que avançar para uma candidatura. E partilhando eu do teu ponto de vista relativamente ao autoconvencimento de António José Seguro, que se verá com umas lentes bastante generosas que o levam a avançar para uma candidatura, eu apesar de tudo reconheço-lhe os méritos de efetivamente avançar e depois logo se vê o que acontece em termos de prestação eleitoral. Agora, aquilo que nós vemos no PS é uma sensação de insatisfação com este candidato e com esta candidatura, mas ninguém tem a coragem para se chegar à frente.
E para já ficamos com essa nota 15 a António José Seguro, que avançou, a nota dada pela Eunice Lourenço. Meus caros, temos poucos minutos, temos tempo apenas para abordar de forma leve mais um tema, que não é um tema que deva ser abordado de forma leve, porque falo da operação 3D, trazido a este programa por parte de Eunice. Quatro dos seis citados por atividades terroristas e incitamento ao ódio ficaram em prisão preventiva. Há mesmo um chefe da PSP que faz parte deste grupo que terá imprimido armas com recurso a tecnologia 3D. Acredito aqui, Eunice, que o teu objetivo seja dar uma nota positiva à PJ que conseguiu encontrar estas pessoas.
O objetivo a princípio deve ser falar do "Expresso", mas depois em seguida também deve haver essa nota.
Não, o objetivo é dar uma nota à PJ, e posso começar por aí, por dar um 17 à PJ. Eu acho muito preocupante o resultado desta operação, percebermos até que ponto o ódio já está presente e organizado na sociedade portuguesa. É uma investigação e uma realidade que vem mais uma vez contrariar o Presidente da República, que no 10 de junho, depois dos avisos, sobretudo de Lídia Jorge, disse que não, que a sociedade portuguesa não está assim muito polarizada com situações como esta. Vamos lá ver. E depois eu queria associar isto a uma preocupação que tenho. Eu gostava muito de pelo menos conseguir acreditar que o governo sabe o que está a fazer com o tipo de discurso que tem sobre imigração e com a prioridade que vai dar à alteração da lei da nacionalidade que irá a Conselho de Ministros na próxima semana. Como dizia Lídia Jorge no discurso de 10 de junho, não há sangue puro, não há portugueses puros. E discutir a lei da nacionalidade nestes termos, com esta situação e com uma discussão à mistura sobre imigração, limites à imigração, limites ao reagrupamento familiar, que é um direito humano universal, causa-me muita preocupação e causa-me mais preocupação pelo espanto que reconheço que esta operação da PJ me causou. E por isso um 17 para a PJ e um sinal de grande preocupação para o discurso político sobre nacionalidades e sobre imigração.
Pedro, tenho dois minutos, gostava também de ouvir sobre esta questão.
Eu acho que aquilo que se está a passar e que se passou e que foi revelado por esta operação deixa-nos muito inquietos, porque nós estamos a falar de um dos pilares do funcionamento do nosso Estado. Instituições cuja função é garantir a nossa segurança, a nossa enquanto cidadãos e das instituições que regem a nossa vida em comum. No coração dessas instituições há cobras, serpentes, eu não sei bem como é, acho que são serpentes que se instalam nos ninhos. Enfim, eu não sei bem esta metáfora, mas vocês percebem o que eu quero dizer. E isto é verdadeiramente inquietante. Felizmente, a Polícia Judiciária mostrou que as instituições também funcionam e conseguem detectar, mas o nível de sofisticação que estava a ser planeado para este tipo de coisas é verdadeiramente aterrador. E quando isso com aquilo que a Eunice diz, eu acho que efetivamente a imigração é um problema que tem de ser encarado de frente, ou seja, nem tudo o que foi feito até agora foi bem feito.
Eu também acho, mas também convinha que houvesse algum discurso sobre integração.
Exatamente.
Ando aqui a misturar os limites.
Não, eu concordo inteiramente, Eunice. Isto cola com aquilo que eu trouxe no início, com aquela história daquilo que o André Ventura, que sabe que é mentira aquilo que está a partilhar e que não tem qualquer pudor em divulgar mentiras e em propalar mentiras, porque o ódio e acicatar aquele ódio e aquele ressentimento e algum racismo e xenofobia que existe também na nossa sociedade dá-lhe votos e ele sabe disso. Agora, não deixa de ser curioso que, e agora vou eu falar da CNN Portugal, João, se quiseres pôr também aqui.
Claro, mas também acontece.
É isso, tem que ser. A CNN Portugal divulgou há pouco uma notícia dizendo que a imigração dominou o discurso político online nas últimas três legislativas. Ou seja, o discurso político online tem focado muito nesta questão da imigração, nem sempre com factos, nem sempre pelas melhores razões e nem sempre com bons propósitos. E, portanto, eu acho que a Eunice tem toda a razão. Vou terminar aqui a dar-lhe um 18, só não lhe dou 20 por causa daquela questão da promessa que ela não cumpre, mas um 18 por ter trazido este tema e por ter feito uma avaliação que eu acho muito boa.
Cumpriram os dois, Pedro Benevides e também Eunice Lourenço. Obrigado. Fica por aqui a versão de sábado.
E continua a promessa da tarde.
Claro, já de ser sempre. Fica aí por aqui. E o vencedor é de sábado.