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Está no ar mais um "You Ventor", que também pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais. E esta terça-feira, além do José Manuel Fernandes, está também conosco em estúdio, Alexandra Machado. E de repente, tudo se apagou. E de repente, Paulo, não sabemos o que fazer numa situação destas.

Não sabemos o que fazer, mesmo. Ontem, quando às 14h, uma adolescente lá em casa diz: "Bem, não tenho nada pra fazer, vou estudar".

Algo se passa.

Significa que alguma coisa está para acontecer.

E tu ligares pra REN a dizer: "Prolonguem isso, por favor".

Quase.

Três dias por semana.

Diz bem do tédio que estava instalado lá em casa e que atravessa toda a gente, penso eu. Não é só os mais novos, os adultos também. Não, mas eu acho que estamos mal habituados e estes momentos, estamos mal habituados no conforto que temos e nem temos a noção do conforto que temos em ter este tipo de abastecimento. Falo da energia, falo da água, ontem não faltou, falo das telecomunicações, sobretudo, que nós damos como garantidos sempre.

A água faltou em alguns locais.

Nalguns locais, ok.

Faltou.

O Bruno Silva diga.

Ok. Não percebi que tinha sido um problema também nalguns locais. Bom, então fizeste bingo. Linha.

Sim, porque a certa altura, e mesmo em algumas regiões, havia água em alguns lugares.

Que era onde está a eletricidade.

Exatamente. O Rui Moreira, o presidente da Câmara do Porto, ontem explicou aquelas em que funciona pela força gravítica, em que não é preciso energia elétrica, o abastecimento manteve-se, mas noutros casos é preciso e aí faltou.

E nós deixamos de saber o que fazer, não estamos preparados. Damos tudo como garantido, sem falhas, sem contratempos. Eu cresci ainda num país em que havia com alguma regularidade algumas quebras de energia. Locais, localizadas, quase em Viseu, lembro perfeitamente, e de vez em quando faltava energia ao fim da tarde, durante a tarde, à noite.

Acho que nós, os mais conhecidos, temos todos memória dessas situações.

E temos todos noção ou memória de haver sempre velas e fósforos lá em casa, que toda a gente sabia onde é que estavam. No contador da eletricidade, exatamente. Porque um dos passos era ir ver se o contador, quando havia uma quebra de eletricidade, se tinha disparado, se era só um problema nosso, da nossa habitação, ou se era um problema geral. Porque é que olhávamos pra rua pra saber se estava tudo apagado.

E também se falava com os vizinhos.

Em noites de trovoada.

Vocês não vivem em Sintra, porque em Sintra isso acontece ainda.

O quê? Quebras de energia com alguma regularidade?

Na minha zona, com alguma regularidade, porque caem árvores.

Ah, ok.

Quebram cabos.

Mas isso são efeitos do mundo rural ainda, Zé Manuel, não é? De alguma maneira.

Pois, isto é mundo rural. É verdade, é mundo rural.

Não, os efeitos.

Não, mas é verdade, tem um lado disso. Isto tem um lado mundo rural, obviamente.

E que tem esses problemas. Mas havia sempre velas. Agora, não há velas lá em casa.

Ah, aquelas de cheiro.

Não, há velas de cheiro, exato. Não havia velas, fósforos. Ontem percebi que tinham lá uma lanterna, porque alguém nos ofereceu recentemente.

Foi muito útil.

Ontem foi muito útil.

Que é ótima.

Serviu para tudo.

E, de facto, não suportamos quebras de energia por muito tempo, porque ultrapassa alguns minutos. A mesma coisa com as telecomunicações, deixamos de saber o que fazer e quando não sabemos o que fazer, vamos a correr pros supermercados para encher o carrinho e a despensa sabe-se lá de quê. E, portanto, a única nota que eu queria deixar, independentemente de tudo, é que nós não sabemos o bem que temos em ter, em 99,9% do tempo, estes serviços ativos a funcionar muito bem. E também deixar aqui um alerta, nós estamos a fazer uma transição energética que está a colocar os ovos todos no mesmo cesto, que é o cesto da eletricidade. Por alternativa, outro tipo de energias, combustíveis, gás e por aí fora.

E deixa-me só dizer, aproveitando isso que estás a dizer, de não sabermos o que devemos fazer nestas circunstâncias. Bem, seria um bom ponto de partida para uma discussão sobre aquilo também que se faz nas escolas e que se aprende nas escolas. Temos discutido tantos assuntos.

Sobre aquela disciplina de cidadania.

Cidadania, sobre aquilo que fazer nestas situações. Claro que os miúdos são preparados, há simulacros de terramotos. E claro que isso já é feito há muito tempo, mas se calhar era importante ter estas noções básicas, aquilo que se faz nos escoteiros.

Há simulacros de terramotos e os miúdos fazem isso e todos somos ensinados. Mas quantas pessoas tinham ontem, e olha, devo dizer, começar por mim, eu não tinha. Quantas pessoas tinham ontem, já sei que a Carla tinha, um rádio a pilhas em casa?

Eu não tinha.

Eu tinha um rádio a pilhas, só não tinha as pilhas para aquele rádio. Fui comprar. É verdade.

Que era daquelas mais gordas, não é? As maiores.

Sim, as maiores.

Eu tive o mesmo problema. Não tive um rádio a pilhas funcional lá em casa. O que é uma vergonha, porque a rádio, mais uma vez, mostrou que...

A rádio mostrou toda a sua utilidade, versatilidade, e aqui ouvimos, de facto, Mira Amaral a falar nesse risco de pôr os ovos todos no mesmo cesto. Com a transição energética.

Por aqui que eu fechava. De facto, a eletricidade pode ser muito limpa, mas por vezes ter algumas redundâncias em termos de fontes energéticas é capaz de não ser mal pensado, digo eu.

Queres dar nota a alguma coisa, Paulo?

Não, quero talvez a nós próprios, que andamos muito mimados e mal habituados a esta sociedade de conforto, em que está tudo disponível a toda hora. E provavelmente devíamos reaprender algumas coisas. Talvez um sete, por causa disso. Mas começo por mim.

Começado. E agora vai comprar pilhas, por favor. No entanto, Alexandra, não faltaram especialistas ontem a explicar-nos.

Ontem, hoje e amanhã.

Sim, acho que todos nós temos um eletricista, não o Paulo, nem o Miguel Pinheiro, aparentemente, mas todos nós temos um eletricista dentro de nós.

Ainda que tenha havido bons especialistas a falar também.

Mas o ponto é: não se sabe o que aconteceu. Ponto.

Houve de facto um fenómeno na rede elétrica espanhola que, como as coisas funcionam como se fosse um baralho de cartas, veio tudo abaixo.

O efeito dominó. Cai uma pedra, caem todas.

Queda de dominó. Por efeito dominó. Foi tudo abaixo. O que originou aquela queda abrupta na rede espanhola, não se sabe. E aproveito para fazer uma crítica a Castro Almeida, que foi das primeiras pessoas do governo a falar, para dizer que pela dimensão que o apagão tem, é compatível com um ciberataque. É uma declaração irresponsável, que um ministro que é ministro-adjunto, e foi dos primeiros do governo a falar, fez ontem de manhã. E se calhar daqui a bocado vamos falar todos sobre o governo.

As teorias da conspiração não precisam de ajudas oficiais, não é?

Vamos por partes. A origem daquela quebra em Espanha pode ter tido origem criminosa e pode ter origem num ciberataque, mas acho que se não forem os governantes a ter cautelas na comunicação, quem é que vai ser? As redes sociais ontem estavam a disseminar uma série de informações falsas, a repescar informação do que tinha acontecido em 2021, em 2000, de outros apagões na história. Estavam a replicar tudo como se tivesse sido ontem. Comunicados da E-Redes que não eram de ontem, citações de Ursula von der Leyen que não eram de ontem. Portanto, há que ter um cuidado acrescido nestas situações. E se esse cuidado acrescido não vem dos governantes, em bom português, estamos todos tramados. E acho que Castro Almeida tem que pensar nesta coisa. Eu penso que ele até estava a falar e terá sido uma declaração mais impulsiva.

Quase por impulso, a primeira reação.

Mas acho que é preciso ter cuidado. E se calhar vamos falar da comunicação do governo, porque de facto, até determinada altura falhou e, por exemplo, hoje de manhã fizeram o comunicado que era o que deviam ter feito ontem de hora a hora. Ponto de situação. Não tinham nada novo para dizer, mas as pessoas têm que saber que temos uma barreira que está a juntar informação, se quisermos.

E que está alguém com as mãos na massa a tratar do assunto, não é?

Exato, porque a informação é muito dispersa nestes momentos, cada pessoa fala por si e é bom saber que há alguém que está a juntar informação ou a compilar informação e que está a tomar conta da informação como centralização.

Tem de haver um centro de poder e de informação.

E foi isso que falhou na comunicação do governo. Quanto a mim, já para não falar da Proteção Civil, e eu não estou a falar do SMS de aviso que não há luz. Não era um SMS de aviso que não há luz da Proteção Civil que iria resolver. Mas a Proteção Civil, por exemplo, lembro-me naquele sismo de Lisboa, começou logo a disparar informação. Ainda também não se sabia a extensão do sismo.

Ou até para avisar uma coisa tão simples como em algumas zonas vai faltar água, por exemplo, ou pode faltar água. E faltou água e foi em muitos sítios, não foi em poucos. As pessoas poderiam ter logo tomado medidas para se precaver, mas não, não foi feito nenhum aviso. Eu acho que esse tipo de aviso poderia ter sido feito.

E também tenho visto muita gente a dizer: "Se não tínhamos redes móveis, como é que a Proteção Civil mandava os SMS?" Havia gente com rede móvel. As redes móveis estavam com intermitência. Os dados não estavam a funcionar em boa parte do país. Mas a determinada altura, a meio da manhã, é que estávamos-

Dependia bastante dos operadores.

Dos operadores e das zonas.

E das zonas.

Eu estive quase todo o dia sem telecomunicações.

Eu tive dados até uma certa altura e depois a partir do meio da tarde deixei de ter dados.

E estava muito oscilante. E quando se teve, estava muito oscilante. Durante a manhã havia muita gente ainda nas empresas e as empresas têm geradores, portanto as redes Wi-Fi ainda estavam a funcionar de alguma forma.

Era uma oportunidade que devia ter sido aproveitada.

Comunica-se pela rádio. Ontem a maior parte das pessoas esteve a ouvir a comunicação, esteve a receber informação através da rádio. Comunica-se preferencialmente pelo meio que está a ser mais utilizado.

O meu ponto é: e foi uma estratégia de pôr só Luís Montenegro a comunicar? Será? One man show? Será que não foi propositado pôr só Luís Montenegro a funcionar?

Não creio.

A falar.

A funcionar.

Vamos lá ver.

Leitão Amaro não fez alguma referência à Proteção Civil no início.

A Proteção Civil deve ter imensos testes, imensos cenários para terramotos, tremores de terra, incêndios, inundações, tudo isso. Não sei se para um apagão terá feito todo o trabalho de casa que devia ser feito. Suspeito que não, porque senão ontem teriam desencadeado outros mecanismos. Não sei se por SMS. Eu devo dizer que atualmente, às vezes até nem reparo que chegam SMS, porque há outras plataformas onde é mais fácil aceder à informação. Agora, também era escusado acrescentar ruído. Eu acho que houve políticos ontem que acrescentaram ruído e eles continuam a acrescentar ruído. Ainda hoje de manhã já houve declarações a dizer que o problema era das Das empresas, ter isto muito concentrado em empresas. Provavelmente, o problema é o contrário, é termos muitas fontes de energia e não poucas, que é uma decorrência. Eu estou a dizer, é possível, não quer dizer que nós não saibamos o que aconteceu. O tamanho do colapso de 15 gigawatts, acho que é assim que se diz.

15 gigawatts foi a Espanha em cinco segundos.

Estamos a falar de algo que é mais do que o consumo todo nacional naquela altura. O consumo todo nacional naquela altura andava em volta dos 9,3 gigawatts. Isso estamos a falar do consumo nacional. A produção nacional naquela altura andava em volta dos 6 gigawatts, o resto era importação. Estamos a falar de mais do dobro da produção total nacional naquela altura que desapareceu da rede em Portugal. Aquilo é várias vezes a produção de uma central nuclear, e em Espanha há várias. Houve aqui algo muito complicado. E agora, de repente, dizer: "Isto o problema foi das grandes empresas", como hoje de manhã veio dizer o Livre, Rui Tavares, parece-me disparatado. Como ainda há pouco o Miguel falou, houve outras reações também um bocadinho disparatadas da oposição e do governo. O disparate, porventura maior, foi o de Castro Almeida. Mas depois, apesar de tudo, ainda se falou antes dos espanhóis. As intervenções de Luís Montenegro foram antes das de Pedro Sánchez. Agora, eu creio que temos que meditar muito no que aconteceu, porque deixar tanta gente sem saber o que fazer pode representar um risco muito maior do que aquilo que aconteceu.

Sim, mas em relação a esta história das redes, agora advoga-se muito da nossa interligação à Espanha.

Das redes elétricas, neste caso.

Das redes elétricas. Estávamos a importar eletricidade àquela hora e por isso é que o sistema acabou por-

Crachou.

Crachou.

Acho isso um grande disparate, até dizer.

Alguém advoga que fiquemos outra vez numa ilha.

Mas é isso.

Acho que isso tem a ver com formação de preço.

É esse aproveitamento que tem sido feito. É inacreditável que se advogue que Portugal fique novamente numa ilha isolada de Espanha. E se o problema tivesse sido em Portugal, estaríamos a reclamar maior ligação a Espanha.

Exato, porque se tivéssemos o fornecimento de Espanha, nada disto tinha acontecido.

E o problema é que, por exemplo, se houvesse um apagão e nós estivéssemos desligados de Espanha, como é que resolvíamos o problema?

Como é que resolvíamos o problema, claro.

Não, atenção, nós resolvemos o problema desligados de Espanha.

Não, neste caso.

Neste caso.

Neste caso. Mas se fosse um problema de Portugal, teríamos de recorrer a Espanha.

Claro, se fosse um problema só em Portugal e Espanha tivesse continuando a funcionar, nessa altura, provavelmente, até o problema se resolvia mais depressa.

Claro, é o que nós estamos a dizer. Não pode haver um isolamento. O nosso problema é haver poucas ligações depois ao resto da Europa, ao centro da Europa. Se bem que ontem também, como teve que desligar o sistema todo, iria demorar a arrancar, digamos assim, falando leigamente.

Da forma mais corrente.

O sistema teve que ser todo desligado e reposto. E depois há aqui umas questões técnicas, que é: só há duas centrais e aí é a questão que, depois de uma auditoria, que espero que a REN faça, só duas centrais terem o que se chama o black start, que é conseguir arrancar sem haver consumo nenhum.

Sem energia na rede.

Alexandra, e uma dessas centrais terminou a concessão e havia a ideia de fechá-la.

Sim, exatamente.

Que é tapada de Louteiro, que é uma central a gás. E havia a ideia de fechá-la. Vamos lá ver se percebemos o que se passou, não é? Se ficássemos apenas com uma.

Mas para o ano entram hídricas com black start, outras hídricas com black start. Eu não sou especialista, não sei dizer.

Mas agora temos as albufeiras cheias. Imagina que isto acontece num período de seca que não há albufeiras cheias.

Claro, por isso é que eu estou a dizer, eu espero que a REN faça depois uma auditoria e que oriente os investimentos também a pensar: só duas centrais com black start? Qual é o investimento em pormos mais centrais, nomeadamente mais renovável, solar? Por que não há nenhuma solar? Não sei, eu não sou especialista, mais uma vez.

Isso é verdade, mas as redundâncias têm custos. E nós queremos redundâncias pra garantir que está sempre tudo pronto a 100%, mas depois não queremos pagar o custo dessas redundâncias. Ter equipamentos que estão parados genericamente e que só atuam em caso de falha de outros, que é o que acontece muitas vezes no sistema elétrico, tem um custo.

É a mesma coisa nas nossas casas. Nós pra termos as nossas redundâncias, temos que as pagar. Essas redundâncias têm um custo.

E nem pilhas. Mas houve aproveitamento político, Bruno.

Eu acho que houve algum aproveitamento político e continua a haver. Ontem era um dia dos principais responsáveis políticos se manifestarem, estarem ao lado do governo. Isso não é um apoio político, é estar ao lado dos portugueses. Foi um momento difícil, foi grave aquilo que aconteceu ontem, as pessoas viram-se atrapalhadas, enervadas, houve situações caóticas. Portanto, não é a altura de começar a fazer o que eu faria ou o que não faria, ou o que está a falhar. Essa avaliação pode-se fazer, e eu acho que até já falámos disso.

Já se pode fazer hoje, ontem não.

Eu acho, por exemplo, ao nível da comunicação-

Digamos, de todos os partidos, por exemplo, o PCP pediu uma reunião da Comissão Parlamentar da Assembleia. Eu diria

Está certo. Faz parte.

Enquanto estamos a viver o momento Qualquer avaliação é extemporânea, não se vai chegar a conclusão nenhuma. E ouvir logo pessoas, e não foram só responsáveis políticos, claro. De repente, o problema foi o encerramento da central do Pego e a culpa é do Costa. Depois o problema é a integração da rede e o facto de não termos soberania. Vamos lá ver. Se o nosso bem-estar depende em grande medida da abertura da sociedade e da economia, isso torna-nos mais vulneráveis a problemas que acontecem fora. Mas isso acontece na economia, como nós vemos com a questão das tarifas, acontece em tudo. Nós somos uma economia vulnerável. Qual é que é a alternativa? Há uma maneira de nós não voltarmos nestas situações à Idade Média, por assim dizer, é vivermos na Idade Média. Se vivermos na Idade Média, sem eletricidade, sem dependências, não vamos sentir a diferença quando houver um problema destes, porque não vai haver um problema destes. E ver aproveitamentos destas situações e dizer: "A soberania energética de Portugal." O problema não é das opções deste governo, nem vai ser resolvido por este governo, nem por nenhum governo. É das condições do país, que são condições económicas. Se nós queremos energia mais barata, como ontem estávamos a ter por importar à Espanha, depois há vulnerabilidades que fazem parte da nossa condição periférica. Ou então voltamos simplesmente ao orgulhosamente sós, fechamos tudo e depois vamos ver quanto é que isso custa. Se calhar não queremos viver com os custos dessas opções. Portanto, acho que há muita demagogia no meio disto tudo e é essa demagogia que eu aproveito para dar uma nota baixa, um.

Um, à demagogia.

Olha, eu apaguei as notas. Tive um apagão nas notas.

E tu, José Manuel, tens alguma nota para dar?

Eu também não quero dar nota, porque tinha que andar a dar notas partida a partida e nem tive muita paciência para estar a ver exatamente o que eles disseram. Só os apanhei um bocadinho hoje de manhã. Apesar de tudo, eu acho que houve uma coisa que não correu mal de todo. Há muitas regiões do mundo e muitos países onde houve apagões e isso foi acompanhado por uma onda de criminalidade. E nós, até o momento, poderá ter havido um ou outro assalto pontual, mas nem sei se com maior expressão do que num dia normal. Portanto, eu diria que desse ponto de vista, não correu mal. Houve coisas que não correram totalmente mal. Como ainda há bocado ironizava o Miguel, não correu mal a gente ter tido uma greve e não termos comboios a funcionar. Mas também, mais do que isso, não correu mal não termos tido uma onda de assaltos, como infelizmente acontece noutros países, quando de repente está tudo às escuras.

Olha, deixa-me só dar um--

Tudo às escuras, não houve assim tanto tempo como isso.

Sim, porque foi durante o dia. Pois foi. E horário de verão.

Rapidamente. Uma nota só para os reguladores. Não sei onde é que eles estavam, da energia, das comunicações, da banca, não sei onde é que os reguladores estavam. É uma nota, fica assim no ar.

Estavam a comprar pilhas.

A ESA está a preparar um comunicado.

Está com o site em baixo. Há um apagão hoje no "E o Lince Dorê?", que regressa à tarde para a segunda edição, depois das 17h30.