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Começa agora o You Vent Sore das manhãs 360, que também pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais ou pelo site do Observador e carro desta quarta-feira estão conosco a Filomena Martins e o Ricardo Conceição. E esta manhã vamos ao julgamento do momento, aos requisitos mínimos, mas começamos pelo debate do programa de governo. Começou ontem no Parlamento. Filomena, o que retiras desde já daquelas horas de debate?
Muitas horas, ainda por cima.
Muitas.
Confesso que não vi as horas todas, não consegui, mas retiro que o PS ficou ali como a muleta previsível da AD, do governo, porque naquelas horas todas percebeu-se que a muleta parlamentar da AD será o PS e não o Chega. Montenegro repetiu o discurso do ano passado, quer dialogar com todas as forças, mas manifestamente espera do PS, e vou citar, prova de verdadeira e genuína disponibilidade, ao contrário do que espera do Chega, de quem recusa qualquer apoio estrutural e com quem manteve aquele tom hostil logo desde o início e não excluiu nunca a negociação orçamental com o PS, algo que ainda parece impensável com o Chega de Ventura. Nos temas, a aproximação maior, contudo, são ao Chega, até a começar pela imigração e viu-se. Aliás, há mais medidas no Chega, neste programa do governo do que do PS. São mínimas, acho que é 26, 25, mas as propostas sobre imigração aproximaram o discurso da AD ao Chega desde logo, claramente, com esta restrição no reagrupamento familiar, na revisão da nacionalidade, no mais tempo mínimo de ligação ao país, na perda da nacionalidade por crimes muito graves. Mas apesar desta aproximação, Leitão Amaro foi direto às canelas de Ventura, com aquela frase: "só querem raiva, Espumar, para instrumentalizar o ódio." E até houve ali uns recuos nos cortes automáticos da nacionalidade. E depois Montenegro foi ainda mais além com aquela frase do recusar voltar ao antigo regime e de insistir que as famílias de imigrantes integradas são boas pra economia. E por isso eu acho que o PSD tentou afastar-se do radicalismo e tentando ir buscar ao Chega e à iniciativa liberal, ideias que de fato não voaram pra campanha, e nisso José Luís Carneiro esteve bem ao assinalar isso. Mas ficou claro neste debate que a fronteira entre discursar o discurso migratório, que é fácil, e instrumentalizar o ódio, que é crime público, é um crime político, há uma diferença muito grande. E por isso Ventura apareceu como uma ameaça constante. Aliás, ele entrou com tudo, entrou com aquela ameaça de uma moção de censura, já para irmos outra vez pra eleições.
Agarrem-se, senão eu censuro.
É isso. Ele já tinha dito com a CPI ontem, não é? E agora essa saúde falhar. E insistiu que só reformas a sério à direita é que interessam. Ele ainda houve ali um bocadinho, tentou vestir o casaco de estadista, mas nunca assumiu bem o posto de primeiro-ministro do tal governo de sombra que continua sem apresentar a promessa que ele fez. E Montenegro, mesmo assim, reagiu logo com os dentes cerrados, invocou os tempos de Salazar, acusou Ventura de não ser fiável e sublinhou que o Chega nunca será a muleta de ninguém. Curiosamente, em relação ao Carneiro e ao PS, o tom foi sempre moderado e houve sempre uma oferta de estabilidade. José Luís Carneiro, que ainda é só candidato a secretário-geral, não foi eleito, apareceu ali como a figura principal do PS, apesar de ainda haver um líder interino. Parece que Cesário que é o líder interino, mas quem entrou em cena foi já José Luís Carneiro.
A ideia é que mais ninguém está a chegar a fazer.
É verdade. Já acabaram os prazos.
Já acabou. Aliás, José Luís Carneiro entregou a candidatura no último dia do prazo.
Eu estava falando em tempos formais, digo, eu posso assumir ali as despesas do Parlamento.
É isso.
Há um líder parlamentar interino também, que é Pedro Delgado Alves.
Exato, é tudo interino. Mas pronto, há aqui abertura a negociações com sentido de responsabilidade e estabilidade. Há disponibilidade para discutir desde a administração política à defesa, logo à tarde, já, que é pra ficar tudo fechado. Há linhas vermelhas da parte do José Luís Carneiro, que ontem, é preciso dizê-lo, esteve até às 23h45 pra entrar ali 15 minutos na cinco notícias e dizer também umas coisas. E depois defendeu, obviamente, como linhas vermelhas o SNS, a educação pública, a cultura, a ciência e a segurança social. E Montenegro respondeu-lhe logo estendendo a mão, quase o oposto da hostilidade que teve com Ventura e também muito diferente do que tinha com Pedro Nuno Santos. Portanto, em conclusão, a muleta da AD será sempre o PS, porque o Chega à procura de um dia ganhar eleições, ainda não se governa. Isto foi claríssimo. A única coisa que eu quero ver, e falando nestas reuniões de hoje à tarde e sobre o investimento em defesa, porque o Montenegro convocou o PS e o Chega pra negociar a participação de Portugal na NATO, e este aumento para 2% do PIB, e isto é um indicador de que, de fato, busca acordos pontuais, é que vão ser negociações com Carlos Abreu Amorim, vai ter negociado no Parlamento muita coisa. E foi este Carlos Abreu Amorim que Passos Coelho recrutou aos blogs em tempos, vocês se lembram, que fez dele deputado e que era conhecido por tudo, menos por gostar de consensos. Portanto, eu vou acompanhar muito Carlos Abreu Amorim.
Mas para hoje a nota ainda não é para Carlos Abreu Amorim?
Não, ainda não é para aqui. Ainda é para o debate de ontem. Em relação ao debate de ontem, é aquela tentativa de diálogo mais com o PS. E eu, como também sou sempre de esperar para ver, fico com um 10, muito redondinho e porque vocês sabem que está calor, eu gosto de calor e porque é véspera de feriado. Nestas alturas eu sou mais simpática.
Um 10, então. Isso significa que não está nevoeiro para os teus lados. Ao contrário, nós aqui de manhã quando viemos para a rádio estava um nevoeiro muito cerrado. Já abriu. Ricardo, para ti, do primeiro dia do debate, sai também um vencedor claro.
Sim, do primeiro e do segundo e de todo este debate.
O único.
Sim, é Luís Montenegro. O primeiro-ministro é o grande vencedor deste primeiro embate parlamentar. Dou-te já uma nota, sai com 15, sai quase em ombros da Assembleia da República, porque ao fim de aproximadamente 11 horas de debate, não nos podemos queixar da falta de tempo. Onze horas é bastante tempo para debater. Sai a liderar o país, sai a liderar o governo, sem grande problema. O PS não é uma ameaça, está à procura de se refazer. O Chega é aquele homem dividido que segue no caminho à procura do seu próprio destino, não sabe o que vai fazer.
Poético.
Sim, era o nevoeiro da manhã. Não sabe o que vai fazer, porque ou mantém a linha contestatária que o trouxe até aqui, ou se deixa transformar naquilo que é já, um partido do regime, que o próprio quer alterar. Portanto, vamos continuar a ouvir o Chega nesta quase dupla personalidade de Mr. Jekyll, não, Dr. Jekyll e Mr. Hyde, em que ora está a vociferar, ora está a apresentar soluções. E depois temos o PCP, que faz este enorme jeito ao governo de apresentar esta moção de censura que vai servir para absolutamente nada. Acho que nem para o eleitorado do PCP vai servir, o eleitorado do PCP não precisava disto. Vai obrigar a oposição a piruetas argumentativas para não ir ao chumbo do chumbo do governo. De resto, o programa de governo não precisa de ser votado na República, não carece de votação, a não ser que algum partido o suscite. Por isso, estamos aqui a assistir ao triunfo da estratégia de Luís Montenegro e da direção do PSD, que trouxe o país para eleições. Foi Luís Montenegro e o PSD que levaram o país para eleições, venceu as eleições, reforçou um pouco a sua votação, o panorama político alterou-se, o desenho político alterou-se, mas é o PSD que sai na frente deste pelotão de três, PSD, Chega e PS, sai na frente com os outros dois que vão atrás, sem querer atacar, que é para não caírem se a velocidade for demasiado elevada. E no fundo, Montenegro, que sai da Assembleia, sai deste debate, que hoje ainda vai ter umas horas e que nós vamos transmitir aqui na Rádio Observador, com 15.
Com 15, sai em ombros, vamos dizer. Venceu. Já venceu, mesmo antes do final do debate, da intervenção final, que vai ser daqui a pouco. Ora, tudo mudou até Augusto Santos Silva, José Manuel Fernandes, que já não tem assento no Parlamento, mas ainda vai tendo nos estúdios da televisão. Ontem deu mais uma entrevista. O que te suscitou?
Pois deu. Enfim, uma parte da entrevista foi falar de candidaturas presidenciais, mas ele também não se chega à frente. A entrevista tem uma parte positiva, na minha perspectiva, foi lembrar-nos que o Partido Socialista é o Partido Socialista e Augusto Santos Silva é Augusto Santos Silva. Por quê? Porque Augusto Santos Silva, que foi ministro dos Negócios Estrangeiros, que ocupou pastas importantíssimas, designadamente pastas institucionais, veio ontem dizer uma coisa absolutamente extraordinária, que fica siderado, que é: quando Ursula von der Leyen, na sequência do horror do 7 de outubro, manifestou solidariedade com Israel, ele veio dizer que ela se precipitou. Precipitou por quê? Porque devia ter dito não sei bem o quê. Estamos a falar de um ataque terrorista que matou mais de mil pessoas, raptou crianças, raptou idosos, alguns deles ainda estão em túneis. E Augusto Santos Silva, aparentemente, acha que foi demais. Ao contrário do que acham os líderes europeus, mesmo os líderes da sua área, como por exemplo Starmer, que é trabalhista, acha que isto do Irão é uma obsessão de Israel. O Irão matou oposicionistas na Europa. Veio cá fazer ataques terroristas para matar oposicionistas ao regime iraniano. O Irão esteve por trás de atentados terroristas em todo o mundo, não foi só apenas ali no Médio Oriente. E ele acha que isto é uma obsessão de Netanyahu, uma ideia obsessiva. Uma coisa é defender, como ele defende, que se deva reconhecer o Estado da Palestina, se bem que eu tenha aquela questão que é: qual Estado da Palestina? Mas independentemente dessa questão, outra questão é quando há dúvida, toma-se o lado anti-Israel. Basicamente é isto que ele fez ontem Reação pavloviana de uma boa parte da esquerda mundial e, neste momento, também da esquerda socialista. Basta olhar aqui para o lado, para Espanha, e basta olhar para o que se está passando nos países Sendo que é a única democracia da região. Seja o que for. Cada vez que acontece alguma coisa em Israel É uma democracia viva, em que se combate muito o contexto político. Sim, quer dizer, há uma coisa que as pessoas não têm noção. Mesmo em Portugal seria difícil, mesmo nos Estados Unidos seria difícil, eu juro que até no Reino Unido seria difícil. Eu não sei se as pessoas sabem que Netanyahu, para todos os efeitos, é um primeiro-ministro de guerra. A gente pode discordar de muitas coisas, mas é um primeiro-ministro de guerra. Todas as semanas interrompe, sai do seu gabinete de primeiro-ministro e vai até um tribunal, senta-se no banco dos réus e depõe como réu. Isso está a acontecer em Israel. Uma dos juízes do Supremo Israelita que concretizou a acusação ao primeiro-ministro é árabe. Vamos lá ver, é deste país que estamos a falar. Podemos achar o pior, e eu acho o pior, de alguns partidos que fazem parte da coligação de Netanyahu, daquilo que eles defendem, de alguns dos seus ministros, que acho extremistas. Agora, de repente, ter como posição de defeito que declarar que está Israel se está daquele lado ou do outro, que parece ser a posição de Augusto Santos Silva nesta questão. Atacou o Irão, é a opção. Aparentemente, não haverá nenhum programa nuclear no Irão. Já agora, a expressão dele em relação a Ursula von der Leyen foi: "Foi demasiado rápida em exprimir solidariedade com Israel na sequência do 7 de outubro." A rapidez é o quê? Devia ter sido dois meses depois, três meses depois, nunca. Para este tipo de declarações e para este posicionamento por defeito de figuras como Augusto Santos Silva, já que isto está tudo muito positivo hoje, vou para um zero. Nem é para o chumbo direto, vou mesmo dar um zero a Augusto Santos Silva.
Um zero então para Augusto Santos Silva. O José Manuel a achar que isto anda muito positivo. É isso que vais trazer também agora.
Esta semana só deu nota positiva.
O que se passa?
O que se passa, José Manuel?
O Paulo quer falar de um dos grandes assuntos do momento, que é o julgamento da Joana Marques.
Não tenhas dúvida. Qual programa de governo, qual conflito Israel ou iraniano, qual quê. Vamos aqui ao conflito que opõe os irmãos Rosado e Joana Marques. Eu acho que este tema é caricato, o caso é caricato, é pitoresco e quanto mais se aprofunda, mais pitoresco se torna, mas ao mesmo tempo é um caso destes tempos. É uma polémica destes tempos, mete redes sociais, o direito à imagem, até onde é que acaba o direito à imagem, à boa imagem, se quisermos, de figuras públicas que fazem da exposição pública a sua vida, como é o caso dos Anjos. Estamos a falar do grupo musical Anjos. Qual é os chamados limites do humor? Passamos a vida a fazer esta pergunta. Quais são os limites do humor? Estes ingredientes estão todos cá. Começou ontem o julgamento. Já agora, para que não haja um ouvinte que não sabe do que estamos a falar, o caso remonta a 2022. Nessa altura houve MotoGP em Portimão, o Campeonato Mundial de Motociclismo, e os Anjos foram convidados a cantar o hino nacional na abertura da competição e fizeram uma sua interpretação do hino. Gravado em vídeo, como é evidente, hoje é tudo gravado em vídeo.
Foi uma atuação pública.
Foi uma atuação pública, exatamente, na pista. Não sei se foi transmitido em direto pelas televisões, que têm os direitos, eventualmente, ou se foi antes. Mas aquela gravação em concreto foi gravada pela sua própria produtora, portanto, por pessoas que estavam lá da equipe deles. E Joana Marques, logo a seguir, não sei se horas ou dias depois, a única coisa que fez foi pegar na interpretação do hino e colar algumas imagens. Não mexeu no som, digamos assim. Editou algumas imagens em que ia pondo rostos de júris dos títulos de que ela fazia parte, com ar apreensivo. Iam passando aquelas caras com ar apreensivo, no fundo, supostamente a ouvir, não estavam a ouvir, aquela atuação dos Anjos. O vídeo tornou-se viral e os Anjos vêm agora dizer, muito abonatório, porque há muitas críticas àquela interpretação do hino, que foi muito sui generis e muita gente que não tinha visto o vídeo até ontem com todas as notícias sobre o julgamento, foi vê-lo agora, de certeza, e portanto vale a pena certamente para saber do que estamos a falar. O que os Anjos agora dizem é que reclamam cerca de 1 milhão de euros de indemnização, porque dizem que na sequência daquela publicação daquele vídeo no Instagram de Joana Marques, nem sequer foi nos programas em que ela faz parte, ou na nossa sequência, na "Renascentcia do Amanhã", ou na televisão. Ela limitou-se a publicar aquilo, uma edição de vídeo no seu Instagram, e eles dizem que na sequência daquilo perderam contratos, foram cancelados concertos, foram cancelados contratos de apoios e por aí fora.
Sentiram danos também de saúde, uma crise de acne um deles e por aí fora.
Acne é uma coisa muito grave, sabes.
O acne é grave, e um deles sofreu acne. Enfim, agora está a disfarçar aquilo deixando crescer a barba. Eu acho que o caso é, enfim, ontem-
Foi o meu caso.
Também a tua barba.
Foste vítima de uma piada.
Não, agora estou a fazer uma piada. É melhor estar quieto.
Eu acho que este caso tem coisas caricatas e ontem na primeira sessão de julgamento-
Acho que há coisas muito importantes. Desculpa, Paulo. Segue.
Força.
Não, segue.
Ia dizer que quem se está a divertir com isto à brava é a Joana Moreira, a nossa colega de redação aqui, porque está a acompanhar.
E a Maria João Braz para a rádio também.
Para a rádio também, e a Teresa Dias Costa, que faz as ilustrações, portanto não podem entrar câmaras na sala do tribunal e estamos a recorrer àquelas ilustrações e elas têm acompanhado, frase a frase, aquilo que tem sido dito. Têm registado coisas como: "há uma respiração que é cortada e faz tornar o vídeo um pouco mais hilariante." É o que diz um dos irmãos. "Nós dissemos egrégios, doutora." Porque a questão é só como é que eles dizem os egrégios avós, se dizem egrégios. Pergunta à advogada da Joana Marques. E aquele "uou, uou, uou, uou" é um efeito, eu estou a fazer as vozes, não sei como é que foi dito.
A tua interpretação também é boa.
Dizem eles, faz parte.
Continua, Paulo, por favor.
"Somos acusados"-
Eu depois vou mandar este episódio à Joana Marques. Pode ser. Segue.
Sai eu do processo. "Somos acusados de ter assassinado o hino, nós não nos enganamos no hino e muito menos somos assassinos." E depois há aqui uma tirada mais moralista: "para se fazer bom humor, não é preciso falar mal de ninguém." Bom, o caso, eu tenho a minha posição sobre isto. Acho que o caso em si não faz sentido. Acho que quem se expõe publicamente e ganha a vida como figura pública, como é o caso de um grupo como os Anjos, está sujeito, obviamente, a um escrutínio e acho que aquilo que Joana Marques fez está perfeitamente dentro dos limites. E agora eu acho caricato, estou curioso para perceber o que é que o tribunal vai decidir sobre isto.
Também eu.
E eu acho que de alguma forma também deve ficar de exemplo para futuras tentações. Há sempre muito a tentação de judicializar de alguma forma, quando alguém se sente melindrado com estas questões no espaço público. Eu acho que, de alguma forma, esta exposição, o caso estava encerrado de alguma maneira, não fosse o julgamento. Isto passou-se há três anos.
Eles dizem que continuam a ser penalizados. Por isso, dizias, Ricardo, que achavas que este caso levanta temas muito importantes.
Acho importantíssimo e interessantíssimo nós discutirmos isto, porque no fundo estamos a discutir o que é a liberdade de expressão, os limites do humor. Deixa-me fazer aqui uma declaração de interesses. Uma posição, para mim, o humor não tem limites e a liberdade de expressão também não. Portanto, esta é a minha posição em relação a tudo isto. Acho muito importante isto e acho muito importante a juíza que está à frente deste julgamento ter mantido a porta aberta do julgamento. Por regra, os julgamentos são à porta aberta, portanto, só são à porta fechada quando estão em causa menores, envolve menores, por regra, são à porta aberta. Como se trata de aqui resolver um problema entre duas partes, uma delas terá pedido para que fosse à porta fechada e a juíza não autorizou e manteve a porta aberta, porque a justiça faz-se de porta aberta, os tribunais, os juízes administram a justiça em nome do povo. É isto que acontece e é isto que deve acontecer. E eu tenho aqui uma sugestão. Acho que devemos todos aproveitar este tema para, no fundo, refletirmos sobre isto. Cada um de nós tentar perceber e discutir isto, se para si há ou não, ou deve ou não existir limites. Para quem os defende, quem é que estabelece esses limites? Quem é que os fiscaliza? Quem é que condiciona? Amanhã, que é feriado e está calor. Amanhã é o Dia Internacional do Picnic. E eu acho que, lanço aqui-
As coisas que tu te lembras.
Sabes que eu tenho que ver atentamente a agenda e lanço aqui o desafio a todos. Eu próprio, se algum ouvinte me quiser convidar para um picnic e discutirmos isto enquanto estamos no Pinhal deitados em mantas e em toalhas.
Mas sem fazer brasas, por favor.
Sem fazer lume nem deixar lixo, atenção. Enquanto comemos uns croquetes e uns pastéis de bacalhau, acho que é um ótimo tema para discutir num picnic, é pensarmos se devem existir limites, se sim, quem os defende, quem é que os define e onde é que eles ficam definidos.
Sendo que um humorista brasileiro foi muito recentemente condenado a uma pena de prisão.
Isso é outra realidade, diferente da nossa. Foi condenado a oito anos sob pena de prisão. Mas delitos de opinião, temos muitos na nossa história. Tivemos muita gente que já sofreu na história, alguns deles com a vida, por aquilo que defendiam, seja diferente ou não daquilo que pensamos.
Paulo, só precisamos da tua nota, estamos mesmo em cima.
Uma nota.
Filomena, diz.
Sim, Filomena. Espera, a Filomena vai procurar o pastel de bacalhau.
Eu estou a dizer que se sugere que levem o Ricardo ao picnic.
Sim, mas eu quero, sabes que eu adoro picnics.
Sem formigas, parece.
Eu lembro que ontem um dos irmãos Rosado dizia que o humor era quando ele achava graça, nomeadamente em relação a uma piada que fez para um público, em que havia uma piada dele sobre um invisual, quando havia um invisual na plateia. Ele achou muita graça. Não sei se o invisual ainda não se pronunciou.
Nota para isto.
Nota para isto.
Enfim, eu dou um seis ao facto de estes casos chegarem a tribunal. Provavelmente não há outra hipótese, que isto é um caso civil. Mas enfim.
Um seis.
Um seis.
Um seis. A Joana Marques dizia à entrada, lamentava que estivesse a perder tempo com este caso.
Eu acho que ganhamos algum tempo com isto. Ganhamos tempo de reflexão. Aí não concordo com ela.
No dia do picnic, por exemplo. Para já, logo à tarde, o "Yuven Sourei" regressa para a segunda edição.