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O Investidor É, na Rádio Observador e também em vídeo e nas redes sociais do Observador. Estamos em vídeo no YouTube, hoje com a Raquel Abecasis, o Ricardo Ferreira Reis e o Pedro Jorge Castro. Destaque para o silêncio do Presidente da República, no caso Luís Neves. Ainda vamos tentar perceber onde ficam, afinal, as apreensões. Vamos também falar sobre o assalto ao gabinete do Chega no Parlamento e a ideia do LIVRE de retirar Portugal da organização do Mundial de Futebol 2030. Mas segundo o que explicou aqui há cerca de 45 minutos na Rádio Observador, Jorge Pinto, afinal, a ideia é retirar Marrocos da organização do Mundial de Futebol. Ricardo, é uma boa ideia?
Não. Retirar Marrocos é um problema de Marrocos, não é um problema nosso. Agora, retirar-nos a nós da organização deste mundial em particular, por este motivo em particular também, não me parece que seja um bom motivo. Nada desta situação de Ceuta é totalmente nova em relação àquilo que foi decidido quando Marrocos entrou na organização do mundial. Esta é das soluções mais expeditas de organização de um evento desse, em que Portugal poderia estar metido, porque já tem os estádios, portanto vamos ter um investimento muito reduzido neste contexto, já agora, ao contrário de Marrocos. E portanto, da nossa parte, isto é um excelente negócio. A haver dúvidas sobre a nossa participação, tem mais a ver com a própria FIFA e a relação da UEFA e dos membros da UEFA, de que Portugal é um deles, com a FIFA, do que propriamente com a relação ou a ligação a Marrocos. Eu percebo que a associação, nesta altura, uma altura quente politicamente, até pode trazer algum benefício neste contexto, porque é como chutar para canto, para usar uma imagem do futebol também. Não marca golo, mas também não perde terreno. Mas é uma má ideia, porque não acrescenta rigorosamente nada à relação com Marrocos, não resolve o problema nem de Ceuta, nem de Espanha na relação com Ceuta, nem de Marrocos na relação com as suas pessoas, e vai chamar a atenção para uma coisa que, por acaso, até é capaz de nos vir a dar jeito no sentido da visibilidade que aquilo pode trazer para Portugal com investimento muito reduzido. E já agora, um ponto importantíssimo, que aliás a Mariana antes mencionou, que é a rentabilização de espaços que estão no limite da sua vida útil para este tipo de eventos. Desenganem-se se acham que há espaço para organizar mundiais depois de 2030 com os estádios de 2004. Já passou o tempo a mais, este é o limite daquilo. Os nossos estádios estão completamente desatualizados.
Ainda estamos a pagar alguns.
Ainda estamos a pagar alguns que não vão ser utilizados para o mundial. Os três que serão utilizados, já agora, a prudência de usar apenas três, também me parece bastante pertinente.
O Dragão, a Luz e Alvalade.
Não me ponham é a pagar o Benfica District ou, já agora, o Dragão District, se houver também. Não é por causa disso, porque isso são assuntos do Benfica, ou do Futebol Clube do Porto, ou do Sport em relação à renovação dos seus estádios e da sua envolvente.
Pedro.
Pois, eu acho que o LIVRE quis marcar um gol político, mas nem sequer foi preciso ir ao VAR para ver que foi em fora de jogo. Se tivesse responsabilidades para ser levado a sério, não poderia fazer uma proposta destas, creio eu. Isto pode ser popular junto de um certo eleitorado, mas se formos ver isto em termos de racionalidade financeira, por um lado, e por outro, em termos de responsabilidade, de compromissos assumidos, enfim, não faz muito sentido. É verdade que há muitos problemas no horizonte e o LIVRE vai poder sempre dizer: "Nós já avisámos, desde que foi a história de Ceuta, que isto não devia ter avançado, estava-se a ver que ia ser uma série de trapalhadas." Eu acho que vai haver muitas trapalhadas aqui, vai haver muitas situações difíceis de resolver, tendo em conta que é uma organização a três com Espanha e Marrocos e que o relacionamento não é muito saudável, como temos visto. Eu acho que apesar de tudo, sendo futebol, toda a gente quererá que as coisas corram o melhor possível. Haverá uma força para que isso aconteça e não haverá este tipo de desavenças em público. Não terá que estar Portugal quase que a fazer de juiz entre marido e mulher. Espero eu que não cheguemos a isso. Ou de árbitro entre duas partes, também não tem força para isso. Portugal tem que fazer tudo para que este evento seja bem organizado no que diz respeito à parte portuguesa e àquilo que vai acontecer em território nacional, e tentar manter-se à margem das polémicas e das confusões que possam advir da eventual tensão no relacionamento entre Marrocos e Espanha, sendo que nem sabemos bem quem é que vai mandar em Espanha, nem em Portugal, já agora, em 2030. Isto está tudo muito em aberto.
Em Marrocos, o rei deverá ser o mesmo.
Pronto, aí já não arrisco tanto.
O filho.
Raquel.
Olha, eu não vou fazer metáforas futebolísticas, porque não é a minha especialidade.
Estava com muita esperança. Acabou de perder uma parte da audiência.
Mas vou dar um exemplo de mãe. Há uma coisa que nós aprendemos quando temos filhos, que é que nunca devemos fazer ameaças que não possamos cumprir.
Muito bem.
Mas com essa história que não faz metáforas, foi tudo por causa da hidratação, Raquel. Não tinhas que ter pensado em alguma.
O LIVRE com esta iniciativa mostra que não tem filhos, porque isto é completamente disparatado. Os fundamentos do que eu ouvi há bocado são tudo coisas que se passam há anos, a questão do Sahara Ocidental, etc. Toda essa questão de aquilo não ser propriamente uma democracia e da maneira como o rei Mohamed VI trata a sua população. Tudo isso existe Como é? Há uma frase: tudo isso é triste, tudo isso existe, mas é a realidade. E eu acrescento aos argumentos que foram dados, que independentemente da situação política de Marrocos, Marrocos é um vizinho próximo com quem nós não temos problemas e com quem temos relações diplomáticas e outras muito importantes para o país. Se Espanha tem um problema com Marrocos, esse não é o nosso problema e nós não devemos ir buscar problemas onde não os temos. Já nos chegam os problemas que nós temos. Acho que é um número político inconsequente, como aliás, normalmente são as iniciativas do LIVRE.
Alguém tem alguma nota para esta-
Deixa-me só dizer uma coisa e já agora dou a nota. Eu dou um seis ao Jorge Pinto, porque acho que é uma primeira iniciativa como líder do partido e acho que não é uma iniciativa nada feliz.
Para já estivemos todos enganados, porque o que percebemos é que defendia que era a saída de Portugal, e afinal era a saída de Marrocos. Foi o que explicou há pouco aqui na Rádio Observador. Há notas, Ricardo?
Eu nunca percebi porque é que em Portugal se dão 10 notas para chumbo. Ou seja, nunca percebi como é que uma coisa que não tem grande valor pode ter. Não, é um 7,5 e não um seis.
É os podem ir à oral e os que não podem.
Sim, mas então são duas.
Sim, exato.
É tipo esqueça e ainda tem hipótese.
Era as notas de um a cinco. Nós chegamos a ter as notas de um a cinco, que são mais.
Exatamente. Neste caso, eu acho que a nota baixou durante o dia, porque se a primeira iniciativa era estranha, já era negativa, esta ainda é pior. Nós queríamos era despachar aquele menino do grupo. Não sei. Cinco?
Cinco. Pedro?
Eu dou um 31, que é a situação em Portugal. Se pode ver, apesar de tudo, nesta coligação a três da organização do mundial, mas três e um dão quatro, que é aquele defesa central que-
Ainda mais três.
Deixa entrar gols e também não marca de cabeça, que é a situação em que eu acho que se vê o LIVRE neste momento com esta proposta, pela inconsequência que vai ser.
E tu queres falar sobre a eventual taxa a aplicar a quem recuse uma vaga em cuidados continuados.
Sim, claro que percebemos todos de onde é que isto vem. Há de facto um problema no Serviço Nacional de Saúde com a elevadíssima ocupação de camas. Por mais dinheiro que se ponha no Serviço Nacional de Saúde, não se consegue acolher toda a gente. E há muita gente que tem alta, poderia deixar os hospitais e ir para lares ou outras instituições, e não vai. E a ideia que nós tínhamos, que tem qualquer pessoa que lide com caso destes ou conheça caso destes de perto, ou que veja as notícias, é de que não há vagas.
Não há vagas a valer mil.
Não há vagas compatíveis. Isto é um problema que se torna ainda mais agudo na região da Grande Lisboa. E daí então é que vira, presumo eu, esta história dos 90 minutos. Noventa minutos é a única maneira de-
Ou seja, aplicar a taxa a quem-
A quem recusar ser internado numa rede de cuidados continuados, ou num lar, ou numa instituição, fique a menos de 90 minutos de distância. Estes 90 minutos talvez seja uma maneira de garantir que as pessoas todas da Grande Lisboa que não têm vaga, consigam encontrar vaga indo para muito longe. Noventa minutos, se calhar-
Pode ser daqui de Lisboa, pode ser Santarém, pode ser Leiria.
Muito mais do que Leiria, pode ser Pombal, se calhar em 90 minutos, sem quebrar nenhuma regra do Código da Estrada.
Monte Abra, Monte Negro.
Certo. Estamos a falar de regiões muito afastadas e custa-me a crer que se possa defender como aceitável este tipo de distância, 90 minutos para cada lado. Estamos a jogar futebol, são dois. Estamos a falar de três horas de deslocação de qualquer familiar ou de qualquer pessoa que queira ir visitar estas pessoas e estamos a desvalorizar completamente a importância do acompanhamento familiar das pessoas que estão internadas e da importância que isso possa ter para elas. Não é preciso estar aqui com muitos argumentos para defender que de facto isso pode fazer a diferença na situação em que essas pessoas se encontram. Parece que os 90 minutos é absolutamente excessivo e complica, de facto, esse apoio familiar, complica as visitas, se calhar já há muitas razões para as pessoas não irem visitar da sua vida diária e com isto então, se calhar aquilo podia ser duas, três visitas por semana, passa a uma, se calhar passa a uma por mês, e com isto estamos a criar um problema que me parece muito maior. Eu creio que isto possivelmente não irá para frente, é mais uma coisa de sensibilização e de chamada de atenção e desse ponto de vista, pode pôr as pessoas a pensar, mas não resolve os problemas práticos das pessoas. A ideia que as pessoas têm é que não há, de facto, sítios compatíveis, próximos, onde as pessoas possam ser colocadas. Isto depois também tem a ver com o nível de rendimentos e com o nível de custos destas instituições. E esta coisa dos 90 minutos parece-me de facto excessiva, de chamar a atenção para isso. Vão inverter o 90 para o nove. Eu acho que é importante falar desta questão, mas acho que os 90 minutos é um tempo excessivo para permitir que as pessoas continuem tendo acompanhamento familiar.
E hoje o Contracorrente desta manhã foi dedicado a um eventual crime que tem cerca de 200 anos. Terá sido Dom João VI assassinado? E por quem? Vale a pena ouvir o Contracorrente desta manhã. Eu confesso que fiquei fascinado, porque sempre ouvi outras histórias sobre o Dom João VI e é um crime também sem resultados à vista. Raquel.
Pensei que me ias perguntar do Dom João VI, que ia olhar para ti.
Raquel.
Porque eu não ouvi o Contracorrente.
Terá sido o mordomo quem assaltou o gabinete do Chega?
Não sabemos ainda. E eu acho extraordinário que uma semana depois Daquilo que eu considero o maior atentado à democracia desde o cerco à Constituinte, que já lá vão 50 e tal anos, o país continua a viver envolto em escândalos e investigações e passa por isto como cão por vinha vindimada. Eu percebo que se calhar não possa haver ainda conclusões muito precisas sobre aquilo que aconteceu ou os possíveis autores. Agora, nós temos uma Polícia Judiciária que tem sido muito elogiada nas últimas semanas pela eficácia da sua capacidade de investigação e de resolver problemas. Como é que aquilo que aconteceu no Parlamento, já lá vai uma semana, e nós não temos sequer um indício, e sobretudo, aquilo que eu queria aqui sublinhar, é que não vejo ninguém preocupado com isso. Não vejo o Presidente da República, não vejo o governo, não vejo o próprio ofendido, não vejo nenhum partido da oposição, não vejo ninguém preocupado. Portanto, parece que já toda a gente chegou a uma conclusão, não sei qual é, mas que provavelmente acham que aquilo não teve importância. Ora, aquilo teve imensa importância, tenha acontecido o que tenha acontecido. E o assunto ter simplesmente desaparecido das notícias, da atualidade, das preocupações, dos alertas, dos pedidos de inquéritos, todas essas coisas, eu acho uma coisa verdadeiramente espantosa, porque para quem não sabe do que eu estou a falar, tratou-se do assalto ao gabinete do líder da oposição no Parlamento, que ficou virado do avesso, como todos pudemos ver, e do qual, segundo o próprio, desapareceram documentos importantíssimos. E portanto, eu não percebo qual é a justificação para aqueles que são mais constatários e os que são menos, mas que têm obrigações de governar o país e de manter a segurança, a calma e a tranquilidade e, sobretudo, garantir que as nossas instituições democráticas funcionam. Eu não ouço uma palavra há uma semana de lado nenhum e a Polícia Judiciária também ainda não disse em que pistas é que está a trabalhar. Pode ser que amanhã sejamos todos surpreendidos com o autor da coisa que foi apanhado e, portanto, este secretismo seja necessário. Agora, se isso não acontecer nos próximos dias, um assalto a um gabinete num sítio fechado onde se sabe toda a gente que entrou e toda a gente que saiu, francamente.
Se devia saber.
A menos que haja um buraco no telhado, pode ter entrado alguém pelo telhado, mas também já deviam ter ido ao telhado ver se há lá algum buraco ou uma telha solta pela qual se possa entrar.
Temos que ver se as câmaras também funcionam ou se não funcionam.
Exatamente.
Já voltamos e vamos falar sobre mais casos estranhos na segunda parte de "Iuvense Horé". Segunda parte de "Iuvense Horé", hoje com a Raquel Bocasis, o Ricardo Ferreira Reis e o Pedro Jorge Castro. Estávamos a falar no final da primeira parte do assalto ou da vandalização do gabinete de André Ventura no Parlamento. E Pedro, ainda queres falar mais? Chega. Interrompemos numa parte tão boa, eu queria continuar. Queria dizer isto: nós referimo-nos normalmente a este caso, toda a gente no espaço público, como um assalto ao gabinete do líder da oposição no Parlamento. E é o que é, atenção. Mas isto é feito também por se tratar de André Ventura. Se nós dissermos, mais vezes do que isto, que foi um assalto ao gabinete de André Ventura no Parlamento, parece que não tem tanta gravidade. Isto acontece por duas ordens de razões, que podemos discutir. Uma, porque de facto ele tem muitos inimigos lá, muita gente que não gosta dele, independentemente do cargo e do estatuto formal que ele tem neste momento. Outra, por causa da forma dele fazer política, que é pouco convencional. Ainda há pouco tempo tivemos o vídeo em que ele andava a bater às portas das outras bancadas no Parlamento para demonstrar que não estaria ninguém.
Mesmo abre.
Exatamente, que não estaria ninguém a trabalhar. Se calhar não veríamos outros políticos ou outros líderes políticos e outros líder da oposição, seguramente, a fazer um vídeo deste género. Quer isto dizer que a perceção sobre aquilo que acontece é obviamente prejudicada por isto, de alguma forma, por estas duas circunstâncias. E não devia ser, atenção, não devia ser, porque de facto, o que está em causa é o assalto ao gabinete do líder da oposição no Parlamento. Portanto, eu temo que esteja a ser prejudicado o líder da oposição, precisamente pela forma pouco convencional como faz política e pelas inimizades que granjeia entre a população. Sendo que é muito em breve, eu estranho, de facto, não termos notícia de diligências. Aquilo que seria, num caso deste género, tendo em conta os envolvidos.
Se isto fosse no "CSI", já tínhamos visto as equipes lá recolher elementos, já estava resolvido.
Ou se fosse num gabinete do PS ou do PSD, muito possivelmente nós saberíamos de outras coisas. Neste caso, eu estranho, de facto, não ter havido diligências, nós não sabermos se já inquiriram esta ou aquela pessoa, que já fizeram buscas, uma análise, um inventário minucioso do que está no gabinete e do que teria faltado. Enfim, seria muito difícil manter isto como reservado, este tipo de coisas. Mesmo apesar da reserva com que o Presidente da Assembleia da República quis encarar isto, eu creio que seria muito difícil nós não sabermos se essas diligências já estivessem a ser feitas. Aliás, André Ventura acabou de dizer, ouvimos na síntese, que não tem notícia de nenhum desenvolvimento sobre isto. É esquisito. Mas muito em breve podemos vir a ter a Polícia Judiciária a fazer algum tipo de diligências e André Ventura a criticar não só a Polícia Judiciária por causa de atos durante a gestão de Luís Neves, como também a Polícia Judiciária pela forma como investiga ou não investiga este caso, o que também vai ser interessante, sendo que não podemos excluir academicamente, atenção, acalmem-se todos os ouvintes simpatizantes de André Ventura, não podemos excluir como hipótese académica que haja aqui alguma coisa diferente de um assalto, alguma coisa mal explicada. Não podemos excluir isto academicamente. Isso deve ser demonstrado também. Também não se vê nenhuma diligência precisamente nesse sentido. Sendo que vai ser interessante ter essa subida da crítica de André Ventura em relação à Polícia Judiciária, não só em termos políticos, sobretudo os motivos que tem para criticar até agora por causa da gestão de Luís Neves, mas também pela forma como investigar ou não investigar este incidente.
André Ventura é conhecido por ser alvo de ameaças várias. Tem um entourage de segurança pessoal maior do que tem o padrão típico daquilo que é figura pública nacional. É vítima de um assalto ao seu gabinete, dando aliás razão a muitos dos receios de segurança que André Ventura aparenta ter em relação à sua própria pessoa. A única interpretação que eu encontro pra este silêncio foi aquilo que lhes disseram logo no primeiro dia, que é não deem informação sobre isto, ao contrário do que eles já estavam a fazer, que era vídeos no TikTok, a Polícia Judiciária ter lhes já dito: "Parem com isso, deixem-nos fazer o nosso trabalho." É a única explicação que eu encontro pra este silêncio do próprio Chega em relação a este episódio, que volto a dizer, me parece de uma gravidade extrema. O Chega queixou-se de falta de solidariedade dos outros partidos e eu acho que tinha razão. Ou seja, é de uma gravidade tão grande que de fato devia ter havido da parte dos outros partidos, de toda a sociedade preocupada com aquilo que acontece na Assembleia, em particular neste caso, porque foi neste sítio onde isto ocorreu, nos gabinetes do Chega, mas se fosse nos da senhora do PAN, também estaria com a mesma preocupação.
Tem notas?
Ao silêncio, se não for por esta explicação, só posso dar uma má nota. Se for por esta explicação, só posso dar uma boa nota, portanto, estamos a criar aqui um problema sério da avaliação.
Tenho uma nota adiada, como as do Ministério da Educação, pra ver como é que isto se vai desenvolver. Uma nota suspensa. Sim. Raquel, tu tens nota?
Eu quero dar um 20 à saúde da nossa democracia e pago pra ver.
Então, e que também é de silêncio que querias falar sobre um silêncio.
Já agora também, me parece que também se mantém o do presidente da República.
Está se a tornar um pouco ruidoso esse silêncio do presidente da República em relação ao caso Luís Neves.
Sim, eu acho que António José Seguro está se a confrontar com o seu primeiro desafio enquanto primeira figura do Estado e garante das instituições. Ele chegou à Presidência da República apostando que iria ser, e dizendo que iria ser diferente do anterior presidente da República, mas eu acho que ele se fixou demais em Marcelo Rebelo de Sousa e esqueceu-se que nós temos presidentes da República já há uns aninhos. E que nem todos eram assim como Marcelo. Aliás, nenhum era como Marcelo Rebelo de Sousa, mas todos tiveram os seus problemas e as suas questões mais ou menos de regime pra enfrentar. E eu acho que António José Seguro não ignora que chegou a Belém, por um lado com uma imagem de alguém sério, longe de coisas menos claras e uma pessoa honesta, e uma pessoa que se bate pela transparência e pela regularidade da forma como as instituições funcionam. Mas ele também não ignora que ficou conhecido pra história da política portuguesa antes de chegar a presidente da República com aquela expressão do qual é a pressa, que eu já agora puxo dos galões e fui responsável pela entrevista que deu origem a essa celebrada.
Com todo o mérito. É verdade.
E António José Seguro tem, de fato, a imagem, ele não ignorará isso, porque isso foi muito rebatido ao longo do último ano, que há um ano atrás, quando estávamos a iniciar a pré-campanha eleitoral pras presidenciais, que ele tem a imagem de uma pessoa que não é contundente, não toma decisões, não tem peso político, no fundo. Aliás, os seus detratores dentro do seu próprio partido era muito disso que falavam. E eu acho que esta é a prova de fogo pra António José Seguro. E há formas, a Presidência da República existe não só com a figura do presidente da República, mas tem todo um gabinete de conselheiros à sua volta que existem também pra estas situações. E Mário Soares, por exemplo, que foi um presidente em cuja campanha eleitoral António José Seguro, ainda um jovem, se empenhou, tinha uma forma muito hábil de gerir estas situações, não falando propriamente na praça pública, mas deixando saber aquilo que era a sua atuação nos bastidores. E portanto, há muitas formas de António José Seguro poder dizer ao país como é que está a lidar com a situação, e a situação de que estamos a falar é a de Luís Neves e do ministro da Administração Interna, mas do meu ponto de vista devia ser também a do tema anterior, a do assalto ao gabinete do líder da oposição no Parlamento. Tem outras formas de fazer sentir isso ao país e fazer chegar ao país como é que olha pra isto, sem ser mal interpretado, ou seja, sem que se diga que ele está a pressionar o primeiro-ministro pra demitir o ministro, ou seja o que for, mas para mostrar que está a fazer alguma coisa. Dizer que está a observar com muita atenção no meio duma visita que fez a uma cidade qualquer do país, não me parece que seja a forma adequada pra um presidente da República lidar com a gravidade daquilo que está a passar. E, portanto, eu dou um oito ao presidente da República, esperando que ele aprenda com outros presidentes da República, uma vez que não quer aprender com o último, mas tem outros exemplos, até da sua cor política, pra aprender.
Ainda temos que ir às apreensões.
Mas eu queria só juntar aqui uma metáfora futbolística sobre isto. Neste caso, o António José Seguro parece um guarda-redes suplente
Que está a ver o jogo o tempo inteiro e é chamado para entrar em campo ao minuto 90, 91, 92, para dar um chute na bola pra frente. Eu tenho muita pena das declarações que António José Seguro fez sobre isso. Ele está a pôr o ônus no Ministério Público. Espera que o Ministério Público chegue a conclusões sobre o Luís Neves. Não estamos só a falar de questões relacionadas com o Ministério Público, daquilo que nós vemos e sabemos. Há mais coisas. Diz que o primeiro-ministro conhece a opinião dele. Eu gostava de saber a opinião de António José Seguro e gostava que ele a deixasse clara, e acho que já passou tempo suficiente para que isso aconteça. Percebo que o presidente tem os seus timings, mas os seus timings, neste caso, estão a ir muito para lado daquilo que o país deveria suportar e daquilo que o governo merecia. Portanto, tenho pena. Acho que o presidente da República está fora de tempo aqui, já está fora de tempo neste caso.
Estará a exercer a sua magistratura de influência.
Excelência.
E afinal, Ricardo, onde é que o material apreendido-
O que se faz ao material apreendido?
Estou aqui com alguma apreensão em relação ao material apreendido.
Era uma das perguntas que aparentemente o Chega tinha dito que queria colocar ao ministro, e acho que vai mesmo colocar. E a lógica disto, pra mim, acho que faz todo sentido. Ou seja, se o ministro diz que agiu do lado do bem, porque os procedimentos normais de processamento do material apreendido não eram possíveis de ser seguido e, portanto, ele improvisou daquela maneira, era importante nós percebermos que constrangimentos é que existem nos procedimentos adequados que obriguem o diretor nacional da Polícia Judiciária, na altura, a encontrar mecanismos alternativos de boa gestão, como ele as caracterizou, para resolver este tipo de problemas, sob pena de quem agora tiver à frente da Polícia Judiciária e for confrontado com qualquer tipo de apreensão, ter dúvidas se vale a pena fazer as apreensões ou deixar estar, porque depois tem um conjunto de problemas administrativos ou de outra natureza que os impedem de executar bem o seu trabalho. E, portanto, convinha percebermos o que tem que ser mudado nos procedimentos de apreensão de amoníaco, não era?
Era.
E acetona.
Acetona, no contexto de apreensões de droga, para que futuros e presentes diretores nacionais da Polícia Judiciária não sejam confrontados com problemas de ordem logística ou orçamental, como aparentemente também era o caso, que o impediram de fazer um procedimento normal, nomeadamente inutilizar, penso que eles tinham que ter aquilo neste momento já inutilizado e ainda não está.
É uma matéria perigosa.
É uma matéria perigosa e, sobretudo, é um assunto que me interessa, que a polícia seja eficaz e eficiente, primeiro, e depois cumpridora da lei.
Ricardo.
Eu só queria acrescentar que isto tem uma gravidade acrescida, a questão do aterrado, porque houve uma ordem do tribunal. E há uma ordem do tribunal que dá ordens à Polícia Judiciária e que manda destruir. E, portanto, aquilo que nós percebemos é que não foi destruído. E a questão é: e o tribunal foi informado que não ia ser destruído porque não havia dinheiro? Ou isso ficou no limbo, porque compete à Polícia Judiciária cumprir as ordens que vêm do tribunal e do Ministério Público, neste caso é o titular da investigação. E, portanto, para além de tudo o resto, há um incumprimento de uma ordem do tribunal por parte da direção da Polícia Judiciária, que se saiba, não foi informado o tribunal de que essa ordem não ia ser cumprida.
Pedro.
E há uma questão de exemplo aqui. Qualquer polícia que se depare com esta necessidade de fazer uma apreensão, quase que fica legitimado a desenrascar um destino que até lhe possa ser favorável para os bens apreendidos.
Hoje terá sido apreendida uma narcolancha.
Seguindo o exemplo do anterior diretor. É um mau exemplo.
Sim, mas é mais importante que as apreensões continuem a ser feitas.
Claro.
O ponto é esse, é que a função deles é cumprirem a sua missão de proteção da população, procedendo às suas apreensões. Não vai eles agora encontrarem narcolanchas e dizerem: "Olha, não tenho onde pôr isto, não estou para chatear-me com o tribunal, depois a responsabilidade ainda é minha, portanto, força nisso."
E amanhã-
A polícia é do outro lado do rio.
Amanhã mais "E o Vencedor É?", pela fresca, depois das 08:30, nas Minhas 360 juntam-se ao Jamail Fernandes, ao Paulo Ferreira e ao Bruno Vieira Amaral, o Miguel Santos Carrapatozo.