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Tudo pronto para avaliarmos e pontuarmos os protagonistas da atualidade no "E o Vencedor É?". Hoje a análise é feita pela Sara Antunes de Oliveira e pelo Miguel Pinheiro, que se juntam ao José Manuel Fernandes, ao Paulo Ferreira, ao Júlio Magalhães, que está em direto do Porto, e à Carla Jorge de Carvalho. Carla. Bom dia. Hoje há contratações e vídeos. As imagens dos dois altos responsáveis da TAP em Madrid vão estar agora em análise. Bom dia, Sara. Queres começar a explicar quem é que sai vencedor desta publicação viral de que tanto se falou ontem?

Bom dia. Eu tinha a expectativa de que alguém me explicasse do que é que Pedro Nuno Santos está a falar, porque nós já ouvimos aqui o Miguel Pinheiro falar sobre a indignação do ministro das Infraestruturas e é logo a primeira reação no Twitter dizer que o ministério está indignado. Mas depois Pedro Nuno Santos faz declarações a seguir a esse tweet, já à tarde, creio, questionado pelos jornalistas, e eu fiquei na dúvida sobre por que Pedro Nuno Santos está indignado, porque o ministro diz que até nem queria alimentar a polêmica, mas que era exigido recato e sensibilidade numa altura difícil para milhares de trabalhadores com a perda de emprego e de salário, e que a situação era crítica, complexa, demasiado difícil de gerir. Mas depois diz que não sabia, nem tinha de saber que a TAP estava a contratar em Madrid, porque, ao contrário do que muitos dizem, eu creio que ele estava a antecipar o bom, mau e o vilão de hoje, ele não está a gerir a empresa. O que lhe foi dito foi que estava em causa a saída de um responsável comercial de carga em Espanha, que saiu voluntariamente e que era preciso substituir, o que é uma prática normal. E depois diz que não há nenhum processo de recrutamento aberto, que há a necessidade de substituir alguém. Portanto, se aquelas duas pessoas da TAP estavam em Madrid a fazer uma coisa que é uma prática normal numa empresa, de substituir alguém que tem de ser substituído porque saiu voluntariamente, o ministro das Infraestruturas indignou-se por causa do tom de um vídeo, porque não gostou de ver dois diretores de uma empresa a fazer um vídeo que é um bocadinho pateta, digamos assim, que dá um bocadinho de vergonha alheia de estar a ver, mas que pelos vistos se refere a um processo absolutamente normal dentro de uma empresa. Se é assim, por que é preciso recato? É preciso recato das patetices? É que se é preciso recato das patetices, nós podemos ir à longa lista de coisas que Pedro Nuno Santos tem dito sobre a TAP, algumas delas também registadas em vídeo. Porque Pedro Nuno Santos é aquele ministro que quando estávamos a tentar perceber se um antigo CEO da empresa, Antonoaldo Neves, ia sair ou não ia sair, perguntado sobre se a saída estava por horas, o ministro das Infraestruturas, com a tutela da TAP, respondeu: "Não sei, Deus o ouça." Sobre o presidente executivo de uma empresa com a importância da TAP. Portanto, ao nível do recato e da sensibilidade em relação a uma situação complexa e difícil de gerir, nós estamos conversados. Para mim, o ponto está aqui na reação. Eu não gosto daquele vídeo.

Sim, aquilo é um disparate absoluto.

É um disparate. Acho normal que a empresa olhe para aquele vídeo, qualquer empresa veja dois dos seus diretores de topo e decida fazer alguma coisa internamente em relação a ele. Acho que sim. Ainda para mais o vídeo refere-se a um processo interno da TAP e, portanto, as pessoas têm de ter noção de que representam outra empresa e isso para mim está tudo certo. Agora, por favor, a indignação de um ministério.

Sara, mas isto é governar ao sabor das redes sociais. O que está aqui em causa é basicamente isso, não é? Pode ser pior, mas esta reação enérgica de Pedro Nuno Santos, o ministro não tem mais nada que fazer do que se preocupar com um vídeo que é tonto, que não devia ter sido feito, não devia ter sido publicado. A TAP tem que assinar internamente os mecanismos para ver com Pedro Ramos e João Carlos Falcato, é este o nome dos dois protagonistas, o que faz com eles, tudo bem. Devem acontecer coisas destas, não direi diariamente, mas com alguma regularidade na TAP e noutras empresas. Agora, o muito curioso é nós olharmos para o indignômetro do governo, isto é, uma maquineta que mede a indignação do governo com várias coisas. Gravar um vídeo parvo, despropositado por dois altos quadros da TAP vale 10 numa escala de 0 a 10 no indignômetro do governo. Mandar dados para as embaixadas que põem em causa a segurança de pessoas, que se opõem a regimes que não pensam duas vezes se querem matar alguém fora do seu próprio país, vale zero.

Foi aliás o primeiro a indignar-se contra as pessoas que estavam indignadas com a situação.

Exatamente. É esta a preocupação essencial em relação às coisas que vão acontecendo e a avaliação de gravidade dos acontecimentos feita neste momento pelo governo. Há aqui claramente uma colagem de Pedro Nuno Santos a uma onda emocional que me é evidente. As pessoas olham para a TAP, veem duas mil pessoas que já saíram, outras tantas que se calhar vão ter que sair nos próximos anos.

E uma indefinição muito grande.

Uma indefinição muito grande e 3700 milhões, uma parte já torrados lá e outra parte a caminho de serem torrados na empresa, sem se saber se aquilo vai funcionar. Atenção, sem se saber ainda que o plano TAP...

Sendo que ele devia ser o primeiro a contribuir para uma tranquilidade necessária até este nível de se dizer: "Atenção, nós estamos a cortar uma série de pessoas, mas há determinadas pessoas que saíram ou determinados postos que se ficarem desocupados, têm de ser substituídos, porque são críticos, têm de continuar a funcionar. Isso está a ser feito com toda a seriedade." Agora vamos começar a discutir se o hotel onde ficaram era quatro estrelas ou três estrelas. É porque

Por favor, não é esse o ponto. A TAP tem de conseguir operar e continuar a fazer a sua gestão com alguma normalidade. E se o próprio ministro entrar nestas coisas-

Ó Sara, esse é que é o ponto, é que muito dificilmente alguma vez a TAP voltará a fazer a sua gestão com alguma normalidade, porque um dos grandes problemas de a TAP ter o regime de dependência umbilical do Estado, do governo e dos políticos, é que a TAP não consegue fazer a sua gestão com normalidade. Todo o bicho careta que faça política em Portugal acha-se dono da TAP, porque de alguma forma todos nós nos achamos donos da TAP, todos nós lá pusemos de alguma forma algum do nosso dinheiro via dos 37 mil milhões que lá vão entrar. Portanto, todos nós damos opiniões sobre a TAP, as redes sociais incendiar-se-ão a qualquer momento sobre qualquer assunto que se passe na TAP, seja um vídeo em Madrid, e aquele vídeo era um vídeo de mau gosto, mas acho que não era o único. Pelo que eu soube, aquele senhor diretor, porque o outro até parecia um bocados atrapalhado por ser convocado para dentro do vídeo, aquele que já tinha rescindido o contrato.

E já rescindiu, está só a tratar da papelada.

A tratar da papelada. Aquele senhor diretor também colocou nas suas redes sociais, fez questão de colocar o hotel em que ficou instalado e coisas desse gênero, portanto andou a exibir-se. Enfim, não interessa. Tudo aquilo é exatamente o que alguém que é gestor de recursos humanos não deve fazer numa altura em que há problemas de recursos humanos na TAP. Portanto, é um sinal de que alguma coisa vai mal na gestão de recursos humanos daquela empresa, mas isso é um problema da administração. Só que tudo na TAP é público, tudo na TAP é político, tudo na TAP é decidido pelos políticos. Tudo se discute na praça pública.

A TAP foi trazida novamente para o plano político.

Exatamente. Nós ontem tivemos-

Neste momento é uma direção geral, é uma direção geral, a TAP.

Exatamente. Ontem uma das primeiras pessoas que se indignou no Twitter e exigiu do governo que tomasse posição foi Ana Gomes. Claro, que outra pessoa poderia ser? Que também veio logo fazer um tweet apressado, não sei se antes, se depois, não estive a ver as horas, do tweet de Pedro Nuno Santos. Isto quer dizer que tudo na TAP vai continuar assim. Cada vez que a TAP mudar uma rota, cada vez que a TAP mudar um horário, cada vez que a TAP falhar, qualquer coisa que chegue às redes sociais, qualquer coisa que leve um autarca, uma figura um bocadinho mais relevante, o presidente de uma distrital de um dos partidos maiores, tudo vai gerar discussão. E eu pergunto assim: alguém é capaz de gerir esta empresa? Não, se o ministro está permanentemente a meter os pés dentro da empresa, ainda há pouco o Miguel dizia que daqui a bocadinho o ministro também quer ser piloto. Quer ser tudo.

Escolher o catering e por aí fora.

Quer escolher o catering, quer servir o catering, quer verificar se as escadas estão bem postas ou estão mal postas, quer verificar se as malas chegam a hora ou se não chegam a hora, quer verificar tudo. Isto é o resultado da solução que se encontrou para a TAP. A TAP vai ser assim toda a vida. A TAP neste momento ainda não tem uma administração. Tem, agora tem uma administração, mas é preciso ter noção que a pessoa que aceitou ir para lá é não sei se a quarta ou se a quinta escolha.

Vamos ver.

Vou repetir, a quarta ou a quinta escolha.

Eu não sei se a gestora francesa ainda por cima sabe o que vem. Não sei se ela percebe português para ler as notícias em português.

Vamos reparar, ela é uma gestora que na sua carreira nunca geriu uma empresa que desse lucro. As empresas que geriu deram sempre prejuízo. Geriu uma empresa regional em Inglaterra. A empresa que geriu não tinha sequer um Airbus, tinha aviões pequeninos, boa parte da frota era com aviões a hélice. E portanto, ela vem para uma empresa de outro campeonato. Quer dizer, ela geriu uma empresa que era mais pequena que a SATA, em termos de tipo de operação.

E portanto, é este salto na carreira.

Está a dar um salto na carreira. Todos os gestores que vinham de empresas grandes olharam para onde se vinham meter e disseram: "Não, eu não quero ir para ali."

Juli Magalhães, como é que estás a olhar para esta polêmica que envolve a TAP? É só mais uma, a partir do momento em que a TAP passa a ser de todos nós?

É verdade, é só mais uma. Não levem a mal, mas também não queria ser tão crítico em relação ao ministro quanto isso. O ministro Pedro Nuno Santos é o ministro mais à esquerda deste governo e tem um presente envenenado nas mãos, que é a TAP. Nada mais confrangedor para alguém que está tão à esquerda ter que despedir trabalhadores. E quando Pedro Nuno Santos pede recato, é uma coisa que ele não tem conseguido saber fazer, porque a TAP, de facto, por ser pública, parece que exige sistematicamente declarações sobre a TAP. O problema é que este problema está-se a arrastar. Quanto mais tempo se arrastar, mais problemas destes vão existir e mais dificuldade o ministro vai ter em ter recato, porque quer resolver um problema e todos os dias aparecem problemas Aparecem outros problemas. Eu focava-me muito mais nos dois quadros da TAP que gravaram este vídeo, porque ouvi dizer que há recato. O que é que vai acontecer a estes dois quadros da TAP? Pelo que sei, um já lá nem está. Um inquérito disciplinar dentro da TAP e depois isso vai dar em quê? A verdade é que gravaram um vídeo que é lamentável, dá um ar de dois amigos que ficaram todos contentes porque iam passar uns dias a Madrid e ainda por cima gravam um vídeo praticamente a gozar conosco. Há bocado já fiz referência a isso nas perguntas. Parafraseando o título de um programa de televisão, isto é que é mesmo gozar com quem trabalha. Estes dois senhores nem sequer mereciam um inquérito disciplinar, mereciam uma atitude muito mais drástica por parte de quem está a dirigir a TAP. Pedro Nuno Santos está com muita dificuldade em gerir um processo que acho que neste momento não devia estar só nas mãos dele.

Sim, Júlio, termina.

Não devia estar só nas mãos dele e ele está a ter grandes dificuldades em, sobretudo, comunicar esta questão da TAP. Quando aparecem escolhos destes no caminho, o ministro tem que saber defender-se disto e acho que Pedro Nuno Santos está a perder um bocadinho o pé nessa questão, embora considere, neste caso, que os responsáveis são mesmo estes dois quadros da TAP, que não mereciam só um inquérito disciplinar.

Querias bater-lhes, Júlio?

Não é bater-lhes, mas ao mínimo é dizer: "Estes senhores não podem fazer mais parte da TAP." Ponto.

Mas isso tem que ter um processo disciplinar.

O problema é que tudo na TAP tem que ter processos.

Isto é na TAP. Se fosse na função pública, duvido que até isto fosse motivo de despedimento, mas não vamos estar aqui a falar.

Mas ias dar nota, ainda não ouvimos o Miguel Pinheiro. Quanto é que dás?

Eu dou nota zero para este vídeo e poupo desta vez um bocadinho o ministro.

Pronto, um vídeo sem qualidade. Miguel Pinheiro, dizias há pouco que o tema TAP é fascinante. Continuas fascinado depois das opiniões que acabaste de ouvir?

Para ser sincero, não.

Foram fraquinhas.

Mudei de opinião. Não é isso. Sinceramente, não quero ter que ter opinião sobre isto, sobre um vídeo feito por dois funcionários dos recursos humanos da TAP numa praça em Madrid. Aliás, muito semelhante àquele que será feito por esse país fora, por pessoas que vão em viagens de trabalho. Hoje em dia as pessoas põem tudo nas redes sociais, o problema não é destes dois funcionários. Não quero ser forçado a interessar-me pelas contratações da TAP, se são feitas em Portugal, se são feitas em Espanha, se são feitas na Cochinchina, não quero saber. Não quero saber se as pessoas dos recursos humanos vão em duplas para contratar, para não contratar, se as pessoas em Espanha são melhores, se em Portugal são melhores. Estou-me completamente nas tintas para esse assunto. Não quero ser obrigado a ter opinião sobre este assunto e de facto, este governo é que nos obriga a isto. Com estas decisões desastrosas de se meter a gerir empresas, nós somos obrigados a estar aqui há 20 minutos a falar sobre este assunto, porque quem deu importância a este assunto foi o governo que lá meteu este dinheiro todo. E de facto, a partir do momento em que metem o nosso dinheiro num sítio, nós somos forçados a estar interessados pelo assunto. Mas realmente é patético que um país inteiro esteja horas e horas a discutir um vídeo feito por dois funcionários de recursos humanos a falarem da Plaza Mayor em Madrid. E isto devia servir de lição para as pessoas que querem meter o Estado em todo lado. Estamos reduzidos a isto, somos obrigados a isto. Somos obrigados a dar importância a isto, a perder tempo com isto e a decisão, eu aqui também vou poupar o ministro, que não é quem tem a chave do cofre, a culpa é exclusivamente de António Costa, que desde o minuto zero teve como intenção voltar a mandar na TAP, teve como intenção voltar a ter a TAP na esfera do Estado. Não descansou enquanto não conseguiu meter o pé na porta e agora já arrombou a porta, já está lá dentro, já sentou no sofá, já abriu o frigorífico e nós temos que estar a discutir um vídeo de dois funcionários da TAP. Coitados de nós.

Mas Miguel, era possível pôr dinheiro na TAP sem depois termos estas indignações todas?

Não era. Porque de facto quando o Estado se mete a gerir empresas, depois tem mesmo que gerir empresas. Claro, quem tem uma empresa tem que se preocupar com estas coisas. Será que o meu diretor de recursos humanos fez um disparate? Não fez? O que é que os meus funcionários andam a fazer? O que é que não andam a fazer? Quem gere empresas tem que se preocupar com isso. Claro que sim.

Mas Pedro Nuno Santos diz que não gere a TAP. Ao contrário do que as pessoas dizem.

Se isto não é gerir a TAP, não sabemos o que é gerir a TAP. Mas atenção, isso é verdade, ele não gere rigorosamente nada, porque ele nem sequer sabe o que é gerir uma empresa. Ele acha que gerir uma empresa é fazer voz grossa às pessoas. Não percebe que é uma coisa um bocadinho mais complicada do que isso. Ele, de facto, não quer gerir a TAP, quer mandar na TAP, porque o que o ministro gosta é de mandar, de dizer que manda. Não só não é gerir, como depois leva a coisas dessas.

E com isto tudo, Miguel, e pedindo a nota, estás muito desanimado. Eu percebo.

Eu pelo menos achei que ia sair um quem nunca, quando o Miguel começou a dizer esses vídeos que se faz e tal. Bom, quem nunca? Mas pois não.

Depois disto, fui ver as redes sociais de Miguel.

Eu já estava aqui a entrar no Facebook.

Vai ser um trabalho muito curto.

Isso até podemos deixar como tema para amanhã, fica já aqui pré-combinado.

Miguel é mais TikTok.

Exatamente.

Faltam só as notas. Miguel, ias apontar para o primeiro-ministro, se bem entendi.

Sim. Quanto é que nós metemos na TAP, Paulo?

3700 milhões é o que estão prometidos.

Então 3700 para António Costa.

Pronto, 3700. Seja o que Deus quiser.

3700? Sim, milhões. Exato.

Sara, e a tua nota, queres bater isto? Dás mais do que 3700?

Dou, se os 3700 são negativos, vou dar mais. Vou dar um cinco a Pedro Nuno Santos. É preciso parar com estas indignações. Ou então, se quer mesmo gerir a TAP, que assuma e que se ofereça para CEO e depois vamos ver o que o Pedro Nuno Santos faz melhor do que quem lá está.

Um cinco então para o ministro das Infraestruturas e dos Transportes. João Manuel Fernandes, e a tua nota?

Vai também para Pedro Nuno Santos. Para não dar o quatro cachimbo direto, dou também um cinco, como a Sara.

Vejo aqui muita bondade, Paulo, onde é que te colocas?

Bondade, eu vou acompanhá-los no cinco, porque acho que, de facto, o ministro não deve estar preocupado com estes assuntos de balcão e deve focar-se naquilo que é absolutamente essencial.

E voltamos nós aos assuntos de balcão. Ninguém deve estar preocupado com assuntos de balcão, afinal.

E claramente, aqui é mais de barra ibérica o tema.

Estão fechadas, ouvi dizer. Neste momento, por causa da pandemia, não têm barra, lamente informá-los.

Então fica este-

Mas acho que o ministro devia seguir o conselho do presidente da República e focar-se no essencial, que é a seleção, como é evidente.

Fica aqui o cinco a correr, o ministro Pedro Nuno Santos. Sara, temos um minuto e tu querias ainda dar uma nota, consegues ser suficientemente rápida?

Vou tentar. É uma nota de rodapé para um argumento da defesa de Ricardo Salgado. Na semana passada, a defesa de Ricardo Salgado tinha explicado que o antigo líder do BES não ia estar em tribunal porque há uma regra criada no início da pandemia para proteger os grupos de maior risco em relação à Covid, nomeadamente as pessoas com mais de 70 anos, que permite que elas não estejam presentes nas sessões. Essa regra, apesar da situação ter sido mudada especificamente em relação aos grupos de risco, que agora estarão, se não todos, quase todos vacinados, essa regra ainda não foi alterada e, portanto, Ricardo Salgado recorreu a essa regra para poder não estar presente durante as sessões. A sessão não aconteceu na semana passada, já sabemos, foi adiada e foi adiada para esta semana, altura em que a equipa da defesa de Ricardo Salgado surgiu com um novo argumento. Se Ricardo Salgado não está presente nas sessões porque é um risco estar presente nas sessões, segundo essa regra, está a ser prejudicado na sua defesa e, portanto, o julgamento tem de ser adiado. E eu fico aqui na dúvida sobre até quando é que tem de ser adiado. Não sei se tem de ser adiado até ao final da pandemia, até a regra desaparecer, porque às vezes as regras desaparecem, mas o risco mantém-se. Nós, por exemplo, quisemos saber se Ricardo Salgado já estava vacinado e a equipa da defesa de Ricardo Salgado decidiu dizer que não tinha nada de nos dar aquela informação, porque era uma informação pessoal, mas tem de falar sobre as condições de saúde de Ricardo Salgado para garantir que ele está em risco se estiver dentro de um tribunal. Enfim, eu queria aqui dizer que Ricardo Salgado é representado por dois advogados que são dos melhores advogados que nós temos no país, Francisco Prouença de Carvalho e Adriano Squillace. São ainda jovens, são muito talentosos, são ótimos advogados, de facto, e eu confesso que fiquei muito desiludida por vê-los fazer esta triste figura de irem com o argumento, nós já sabemos que Ricardo Salgado não quer ser julgado desta forma, ainda para mais neste processo tem o apoio do Ministério Público, que também não quer que este julgamento aconteça assim, separado do resto da Operação Marquês, mas acho que é possível encontrar argumentos um bocadinho mais sérios do que andar aqui nesta coisa do não vem porque tem esta regra e se afinal não vem, também está a ser prejudicado, portanto, isto tem tudo de parar. Acho que é possível fazer a defesa de outra forma.

E ficamos então-

E por isso tem um seis.

Um seis na tua nota de rodapé. Estamos de regresso amanhã com mais notas. Até lá.