Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Este é o "E o Vencedor É?" das manhãs 360. Até perto das 9h, damos notas aos protagonistas da atualidade e, por isso, Carla, esta quinta-feira juntam-se a nós o Rui Pedro Antunes e o José Manuel Fernandes.

Educação, Polícia Judiciária e o debate desta tarde no Parlamento sobre as medidas para fazer face ao aumento dos preços. José Manuel, queres começar a dar nota às medidas que o Chega vai propor?

Quero dar nota, e é uma nota muito baixa. O Chega entrou num registo de demagogia máxima. Não é novo, é algo que vem de trás, mas é pedir tudo como se o Orçamento de Estado fosse um saco sem fundo e como se os contribuintes portugueses pudessem sempre suportar tudo. Uma questão é perceber que há algumas dificuldades. Olhando para os números, não estamos exatamente na mesma situação em que estávamos em 2022, quando houve um grande surto inflacionista e o governo, na altura o governo António Costa, tomou um conjunto de medidas, algumas das quais necessárias, outras, pelo menos na minha perspectiva, excessivas e exageradas.

José Manuel, posso só dar alguns números sobre isso? É que nós estamos muito longe, de facto.

Exatamente, eram esses números que eu ia dar.

Então força.

Uma parte deles já vem de resto no texto que anteontem a Helena Garrido publicou aqui. Nós estamos com uma inflação de 3%.

3,3% agora.

3,3%. Na altura estávamos com 8,9%.

E atenção, o pico na altura foi 10,1%, em outubro de 2022.

Os produtos energéticos estavam em 24%. Hoje em dia estão em 12. Os alimentos não processados iam em 15,4%. Hoje em dia estão muito abaixo disso.

3,4%.

3,4%. É uma diferença enorme. É evidente, não estou a dizer que não há dificuldades, há dificuldades. As taxas de juro também estão a subir, mas estão longe do que subiram na altura. E sobretudo, há uma conjuntura que é diferente. Nós na altura vínhamos a sair de um período muito complicado, que tinha sido o período da pandemia, do confinamento, de uma quebra grande da economia, disso tudo. Havia uma grande tensão. Não é a situação hoje. Felizmente, esse período foi ultrapassado. A economia voltou a crescer. Estamos com níveis de emprego recorde e era bom não estragar. Mas aparentemente, sobretudo o Chega, que é quem tem as medidas mais disparatadas. Vai buscar tudo. Alguém deve pôr a cabeça no ar e diga: "Olha que tal fazer isto? E então?", e entre essas coisas foi acabar com as portagens. O PCP deve subscrever, mas eu imagino que além do PCP e da Comissão de Utentes das Pontes, é sempre um senhor que aparece sempre que há um tema destes e estão sempre a tentar organizar um buzinão e coisas desse gênero. Agora, como nós já temos discutido inúmeras vezes, eu ainda ontem escrevi um texto a criticar o Mário Centeno, mas nisto estou de acordo com ele. As medidas que têm a ver com o IVA são medidas que, como o Mário Centeno na altura dizia, tanto vão para aquele queijo barra.

Limiano.

O Limiano nem será o mais barato de todos. Mas vão para esse queijo, como para o pecorino com trufas.

Exato.

É o exemplo que ele costumava dar. Podemos ir para outros, porventura ainda mais caros, mas isto não faz muito sentido. Uma política fiscal é uma manta de retalhos a que íamos acrescentar ainda mais retalhos e, sobretudo, ia-se a tirar dinheiro para cima dos problemas sem sequer acudir às situações mais aflitivas. O governo terá que fazer alguma coisa, penso eu, mas tem que fazer com cuidado, porque apesar de haver alguma margem orçamental, os dados de ontem são positivos, da execução orçamental do primeiro semestre, um saldo orçamental de 0,5%, não é claro o que temos pela frente e se não vão vir períodos mais difíceis, porque não se está a ver como é que as atuais guerras vão terminar e há muitas pessoas que têm previsões apocalípticas para o que pode estar acontecendo no mercado da energia. Aquela quantidade de medidas com que o Chega aparece, os outros vêm atrás, alguns com mais bom senso, outros com menos bom senso. Mas aquela quantidade de medidas só merece, vou dar o meu chumbo direto, vou dar um quatro. Se isto fosse assim, era como se déssemos um pontapé numa pedra e houvesse sempre euros por baixo. Não há, infelizmente, como todos sabemos.

Daí um quatro para as medidas do Chega. Aliás, Paulo, o PS critica as medidas do Chega precisamente por não responder imediatamente a quem está já a sofrer com o aumento do custo de vida.

As medidas do Chega.

Porque seriam para entrar em vigor em janeiro.

Em vigor em janeiro, porque para este ano a norma-travão impede que elas entrem em vigor. Isso é claro. O Chega vem com essa ideia, além de querer dar tudo a todos, aliás, não surpreende. Basta ver o programa eleitoral do Chega e aquilo não é um programa eleitoral, aquilo é uma carta para chamar a troica imediatamente. Era o que aconteceria. Num ano ou dois estaríamos na bancarrota ou próximo disso se as medidas do Chega fossem aplicadas. Mas independentemente disso, até o desenho legislativo está errado, porque o que o Chega propõe, no caso do IVA, por exemplo, é por um prazo de 12 meses, portanto, a vigorar ao longo de 2027. Entram em vigor daqui a mais de três meses Supostamente a crise está agora já em curso. Portanto, esperávamos três meses e depois o Estado ficava vinculado a um período de 12 meses. Quem é que sabe o que vai acontecer ao longo de 2027? A crise pode se agravar imenso e aquelas medidas não fazerem sentido já, ou pode de alguma forma desaparecer se as coisas do Médio Oriente se resolverem e se a refinação também se resolver. Portanto, tudo isto é mal feito da parte do Chega, o que mais uma vez não surpreende, porque nisso o Chega é muito coerente. É sempre incompetente e irresponsável nas propostas que faz. O PS também não tem grandes armas, porque vai pela via da recomendação ao governo, porque de outra forma as coisas estão ao abrigo da lei-travão e não podem entrar em vigor, e não pode fazer muito mais. Agora, são medidas diferentes e gradualistas aquilo que o PS apresenta, isto é, de uma responsabilidade muito maior. Claro que tem que haver gradualismo nestas medidas, sejam as do governo, sejam as propostas da oposição, porque nós estamos no início daquilo que pode ser uma crise grave. Podemos estar aqui com alguns sinais que são preocupantes agora, mas que podem não se materializar. O que o José Manuel disse há pouco mostra bem que a situação hoje é muito diferente, para melhor, daquela que tivemos no pico do surto inflacionista 2022, 2023. E parafraseando também aquilo que a Helena Garrido escreveu no artigo dela desta semana, e se vier uma crise a sério, então nessa altura, o que fazemos? Isto é, se nós disparamos as armas todas de medidas políticas agora ao primeiro alerta, se a coisa se agravar verdadeiramente, o que acontece? Levamos logo o país para um déficit orçamental imenso e, portanto, é preciso ter atenção a isso. Ontem saíram também, para rematar, dados da execução orçamental, dados de contas nacionais, que permitiram perceber que no primeiro semestre do ano, o Estado teve um excedente de 803 milhões de euros, equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto. Atenção, este excedente que tivemos no primeiro semestre já está gasto pelo governo.

Com as medidas.

O número não é por acaso, com as duas medidas apresentadas.

No debate de moção de censura.

Exatamente. Concorde-se ou não com essas medidas, que é a redução do IRS e mais um suplemento extra para os pensionistas, são precisamente 800 milhões de euros. O número não é uma coincidência. Obviamente, o ministro das Finanças, quando decidiu avançar, e o governo decidiu avançar, já saberia com grande aproximação como é que correram as contas do primeiro semestre e, portanto, utilizou essa margem toda. Neste momento, a margem disponível entre aquilo que tínhamos no primeiro semestre e as medidas já anunciadas é zero para o equilíbrio orçamental ou próximo disso. É preciso ter atenção a isto e é preciso, sobretudo, gradualismo e sobretudo concentrar medidas em quem realmente precisa para não se estar a desperdiçar dinheiro dos contribuintes em quem não precisa.

Comprar o tal queijo de ovelha entretfado.

O José Manuel concentra a nota nas medidas do Chega. Dás igual nota para as medidas de ambos os partidos?

Não, eu acompanho. Acho que as medidas do PS, atenção, não podem ser confundidas com as do Chega, quer pela forma jurídica, quer pelo gradualismo que sugerem. Mas eu acompanho o quadro que o José Manuel deu ao Chega.

Aqui fica a nota, o chumbo direto para estas medidas que vão ser discutidas esta tarde no Parlamento, sendo que, Rui Pedro, ainda estamos aqui todos a tentar perceber o significado do que aconteceu ontem com as buscas na Polícia Judiciária.

Sim, é verdade. Deixe-me só dizer que já que o André Ventura pede o fim das portagens na 25 de Abril e na Vasco Gama, já agora podia fazê-lo na Ponte Alzira para aquela zona do Ribatejo também ter acesso.

Aliás, o Chega pede o fim de todas as portagens em todas as autoestradas.

Se é para coisa territorial, era bom que não...

Claro.

Eu que sou lá daquela zona de Salvaterra, olha, deixo em causa própria pedir também, se o André Ventura estiver a aceitar pedidos. Mas o que eu queria dizer sobre as buscas à PJ, o artigo que está em manchete do Observador, ou que esteve em manchete do Observador, neste momento está em manchete, exatamente, mostra não contradições do atual diretor da PJ, mas contradições bastante evidentes da denúncia. Ou seja, mostra que, ainda por cima, que é aparentemente bem documentada e bem fundamentada, que esses documentos ou têm grandes contradições, ou em alguns casos há até documentos que não estão assinados, ou seja, é um formulário, não tem uma assinatura, e, portanto, é apenas um rascunho. E muitas vezes há datas diferentes face ao ato que está a ser investigado. E depois é tudo uma grande confusão. A inspetora que diz que não ouviu o mesmo que todos os outros ouviram, levando a que pudesse haver uma escuta física em alguém que era ilegal, é também a mulher do denunciante. E, portanto, todas estas ligações parecem aquelas pequenas guerras internas, pois de fato põe em causa a credibilidade das instituições. O que eu acho que não se pode fazer é, tendo em conta todas estas pontas soltas, dizer: o diretor da PJ tem que sair porque os factos imputados são graves e, portanto, em nome da credibilidade da instituição. Não, o que este artigo jornalístico do Luís Rosa e do João Guedes mostra é precisamente o contrário. Ainda bem que está a ser investigado e é preciso esperar pela conclusão da investigação pra tirar também conclusões sobre aquilo que é a credibilidade do atual diretor nacional da Polícia Judiciária.

E a credibilidade das caixas.

A credibilidade das caixas, este artigo jornalístico

Põe muito em causa.

Pulveriza completamente, porque há aqui muitas situações esquisitas, além de muitas vezes ele nem ser o responsável direto. Eu não acompanho esta área, limitei-me a ler isto. E depois, a outra coisa que eu também vou ouvindo e dizem: "Agora, a imagem da Polícia Judiciária está pior do que nunca". Eu não sei, nem sequer sou

Não, estas coisas não lhe dão saúde.

Não, é verdade. Mas eu também sou do tempo de espancamento e tortura. Não foi em Guantánamo, foi nas instalações da Polícia Judiciária de Portimão à mãe de Joana Cipriano. Também sou do tempo de uma dançarina de striptease num jantar da PJ, com a direção nacional a ter que sair do jantar por causa disso. Também sou do tempo em que a Scotland Yard e outras polícias diziam que esta polícia não estava bem preparada. Também sou do tempo em que havia tabloides britânicos, e não só, a dizer que esta polícia almoçava três horas em vez de andar à procura da médica. Isto não é de agora.

Não, sem dúvida. Mas eu acho que o que este caso pode revelar, visto assim de fora, é de facto uma luta intestina entre vários grupos dentro da PJ, pessoas que não se suportam por alguma razão ou por outra. Há quem fale da maçonaria e como tendo um papel central a filiação ou não na maçonaria, neste caso. Não sei, mas de facto, até pelo timing em que as coisas se passam e cruzando isto com a própria divulgação de factos em relação a Luís Neves, dão a entender que há ali pessoas certamente que não gostam das outras.

Sim, isso eu não compreendo mesmo, porque se querem servir o grande arquiteto do universo, inscrevam-se na Ordem dos Arquitetos do Universo. Não estejam na Polícia Judiciária. Se for essa a motivação, pior ainda. Mas para dizer que muitas vezes é preciso investigar e também é um bom sinal que a própria Polícia Judiciária, que muitas vezes entra, porque é mesmo assim, sem pedir autorização, na casa das pessoas e nas empresas, etc., porque faz parte do trabalho, também possa ela própria ser sujeita. Isso também é uma democracia que funciona. E claro, não há hipótese de não belisar a imagem. Se agora viessem fazer uma busca à minha secretária por qualquer razão, só isso afetava a minha imagem, não era culpado por causa disso. E, portanto, não há forma de dizer que isto não belisca a imagem da Polícia Judiciária. Outra coisa que poderia também beliscar, e vai beliscar de alguma forma, é a Comissão Parlamentar de Inquérito, que foi ontem quase viabilizada, falta ultimar por parte de José Pedro Aguiar-Branco, que o esforço do presidente da Assembleia da República em tentar limitar o objeto, de alguma forma acaba por preservar também mais um pouco a Polícia Judiciária, porque quanto menos específico fosse o objeto e os elementos a estudar, maior era a matéria de investigação. Eu não estou a dizer que se encontrasse pior, mas muitas vezes há questões que têm que permanecer com base na própria dinâmica de uma instituição que não é suposto serem expostas assim. E sendo limitada, é uma vitória de José Pedro Aguiar-Branco, não creio que seja de André Ventura, porque para André Ventura, quanto mais lato fosse o objeto, embora eu acho que ele não tenha problemas em ir buscar todos os temas que quiser durante a comissão de inquérito, pior é para ele. E depois também ele tinha acusado, isso eu não me esqueço, lamento, José Pedro Aguiar-Branco de ser muito amigo de Luís Neves e de fazer parte do grupo de amigos que protegia Luís Neves. Então agora já é bom, porque aceitou. Se calhar Aguiar-Branco estava mesmo preocupado com a formalidade e com a legalidade do pedido e não porque seja o melhor amigo de Luís Neves. André Ventura não pede desculpa dizer: "Afinal, o senhor presidente da Assembleia da República não é amigo de Luís Neves. Estava com algumas dúvidas, nós discordamos, mas tinha a ver com o normal debate democrático." Agora já não diz isso. Portanto, também acho inacreditável. Para dizer o seguinte.

Concluindo mesmo, Rui Távoa.

Desculpa. Eu vou dar um 15 a José Pedro Aguiar-Branco, porque vence esta matéria, e à PJ eu vou dar um 10, porque é verdade que a imagem da instituição está afetada, mas pode ser que o futuro destas investigações mostre que, afinal, pelo menos as pessoas que mandam, não tenham feito coisas tão incorretas como algumas denúncias mal-amanhadas pareciam fazer crer.

As notas estão atribuídas e justificadas. Bruno, por falar em notas, há um estudo de um investigador da Universidade de Aveiro que encontra aqui uma relação, se calhar, não surpreendente entre as retenções e a origem socioeconómica.

É um estudo, como dizias, da Universidade de Aveiro e que sem se saber praticamente nada sobre o aluno ou o que acontece na escola, o currículo, o comportamento individual do aluno, apenas conhecendo cinco características socioeconômicas da sua família, este modelo consegue prever relativamente com algum acerto quais são os alunos que acabarão por ficar retidos. E os dados, os cinco indicadores recolhidos nesta investigação são as habilitações e profissão dos pais, o rendimento do agregado familiar, as condições de habitação e zona de residência.

Terrível, não é?

Há aqui um pormenor no estudo que é o mais preocupante também, na opinião dos investigadores, é que estes fatores têm peso logo que os alunos entram para a escola e, ao contrário do que seria a expectativa, não diminuem ao longo do percurso escolar. Ou seja, os apoios dados a estes alunos não fazem com que haja uma redução significativa do risco de retenção. Há aqui qualquer coisa que está a falhar no apoio, existe apoio social escolar, e esta é uma das questões que os investigadores apontam como a necessidade, se calhar, de intervir aqui noutros destes aspectos que podem significar depois uma alteração desse risco, nomeadamente a questão da escolaridade dos pais e da literacia dos pais, porque esse é o fator que tem uma maior capacidade de predição daquilo que vai acontecer. No primeiro ciclo é a escolaridade dos pais, e no terceiro ciclo também. No segundo ciclo, é a profissão dos pais que surge aqui como o elemento com mais capacidade de predição do risco de retenção. Ou seja, em vez de se investir só em apoios financeiros, no caso da ação social escolar, talvez investir na escolaridade dos pais, no grau de literacia dos pais, possa ser um elemento que venha a alterar este atual estado de coisas. Isto não significa, este estudo, que 70% dos alunos oriundos de meios socioeconômicos desfavorecidos chumbem. Não é isso. Ele não estabelece nem diz que aqueles que chumbam é só por este motivo, porque o que estabelece aqui é, de facto, uma correlação, não é uma causalidade. Não está aqui a analisar depois desempenho a desempenho, trajeto a trajeto individual, porque há outros fatores que acabam por entrar aqui na equação, mas consegue prever com algum acerto, de facto, quais são os alunos com maiores probabilidades de retenção. E, como dizíamos no início, não é surpreendente que as condições socioeconômicas, a escolaridade dos pais, sejam os fatores que têm mais peso nessa capacidade de previsão do sucesso escolar dos alunos. Há poucos dias, o presidente da República dizia que o elevador social não estava a funcionar com a eficácia desejável. Esta é mais uma das provas que isso está a acontecer e provavelmente também apontando aqui caminhos para soluções que não passem apenas por aquilo que se tem feito, que é a ação social escolar, com a importância que tem, mas se calhar é preciso apostar noutros fatores.

Ir mais a montante. A nota vai para o estudo?

A nota vai para o estudo, acaba por nos dar aqui informação, e isso é positivo. Portanto, a nota também é positiva. Vou dar um 16.

Um 16 para o estudo e o vencedor regressa mais logo na Tarde Política.

Começa a seguir ao jornal das 18h. Esta quinta-feira dão notas a Judite França, a Raquel Abecasis e o Nuno Gonçalo Poças.