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Tudo pronto para avaliarmos e pontuarmos os protagonistas da atualidade no "Iuvenstorem". Hoje, a análise é feita pela Filomena Martins e pela Sara Antunes de Oliveira, que se juntam ao José Manuel Fernandes, ao Paulo Ferreira, ao Júlio Magalhães e, claro, à Carla Jorge de Carvalho. Carla.
Bom dia. A decisão de fechar a área metropolitana de Lisboa aos fins de semana vai ser incontornável na análise desta manhã. Filomena Martins, bom dia. Arrancas tu para explicar se vês vantagens nesta decisão do governo anunciada ontem.
A maior desvantagem que eu vejo aqui é não ter cá o Rui Pedro pra fazer piadas secas com este cerca Lisboa, que começa em Setúbal e termina em Mafra. Porque eu não tenho jeito nenhum pra piadas.
Confiamos em ti, Filomena.
Não, não consigo.
Avança com toda confiança.
Cercos que começam em Setúbal e terminam em Mafra, não consigo, é demasiado para a minha veia histórica. Eu começaria por dizer que parece que estamos no Natal, que recuamos seis meses. Aquele discurso todo é muito parecido com este. Ou seja, avançamos há 15 dias com o chamado desconfinamento de verão, em que praticamente todo o país teve ordem para se comportar como se já não houvesse pandemia. E obviamente, os portugueses comportam-se como sempre nessas situações. Encheram centros comerciais, restaurantes e esplanadas, praias e hotéis. Fizeram esta declaração antes de um fim de semana, ou melhor, de dois fins de semana de ponte, deixaram muita gente marcar férias, partir de carro e avião e levar o vírus pra fora de Lisboa, pras ilhas, sem qualquer tipo de controle. E ainda por cima, fazendo aquele drama do Reino Unido nos tirar da lista verde e depois até com o erro de Espanha e as fronteiras. E agora, de repente, lembraram-se que há um vírus, uma mutação preocupante a circular, quando obviamente já sabíamos dela há algum tempo. No Natal também vieram culpar a variante inglesa, que era conhecida já há semanas. Agora virão culpar, seguramente, a variante indiana, que também é conhecida há semanas, muito antes de ser anunciado este desconfinamento de há 15 dias. Aliás, na última reunião do Infarmed, aquela única que aconteceu aqui há 15 dias e uns dias, foi antes do tal anúncio, os especialistas não só avisaram para esta variante, como para os problemas que ela podia trazer, como ainda para a necessidade de haver mais apoio pra fazer sequenciações que identificassem. Já que o INSA só conta com um laboratório, que é o Unilabs. Mas tudo avançou na mesma, como se não houvesse nada. Já com esta variante Delta e com os números de Lisboa a galopar, apesar dos muitos alertas para o fato da situação se estar a tornar preocupante, foi como se não houvesse nada, como se não houvesse alertas. E ainda por cima dizendo todos que a culpa é das festas dos jovens, dos casamentos e batizados. Aliás, nunca foi culpa do mau planeamento dos festejos do Sporting, porque disso nunca ninguém assumiu a responsabilidade.
Das autoridades, nem pensar.
Nada, isso nunca foi culpa. E agora toma-se esta medida avulso, sem sentido absolutamente nenhum. Eu não consigo entender, mas não consigo mesmo entender como é que proibir sair e entrar num círculo que vai de Setúbal a Mafra, onde vivem dois, quase 3 milhões de pessoas, vale de quê? Porque eu posso ir comer choco frito a Setúbal, posso ir até às praias de Massame.
Mas não deves, por causa do colesterol, tá bem?
Não posso também.
Filomena, mas a ministra ontem o que disse era que a variante Delta já estava tão dentro da comunidade que não valia a pena aqui neste cerco grande, fazer alguma coisa e que a ideia era que a variante não passasse pro resto do território.
Mas diz-me uma coisa, está proibido eu se tiver um hotel marcado no Algarve, não posso ir?
Não.
Não, não está. Se tiver férias marcadas para os Açores e para a Madeira, está proibido?
De avião pode sair.
Não, não está. Posso sair.
Já não se pode ir de avião.
Também pode sair de avião.
Desculpa, mas se eu tiver, por acaso, um hotel marcado no Douro ou no Alentejo, não posso ir.
Imagino que não.
Posso, não é?
Imagino que não.
Não?
Também penso que não. Creio que não.
Como assim? Então avisar um monte, eu vou desmarcar, quem é que me restitui o dinheiro?
Eu não sei se podem proibir, porque eu não sei se a lei da calamidade permite.
Não, desculpem, não podem. Estamos em estado de calamidade, não estamos em estado de emergência, portanto, não podem proibir. Podem me aconselhar a não ir. Não podem proibir de sair. Isto vai ser exceção total.
As exceções que estão no decreto não preveem esse tipo de casos.
Não há previsões.
Por questões profissionais, sim, com a tal declaração da entidade patronal ou do próprio, em caso de necessidade.
Não pode sair de casamentos e batizados fora da área metropolitana.
Eu só estou a dizer que lá está. Não estou a dizer que concordo com esta reserva natural criada por Lisboa.
Não me parece que possam proibir, porque o estado de calamidade é empenha isso.
Mas eu não sei, sem o estado de emergência, é possível proibir as deslocações das pessoas.
Isso foi muito debatido no anterior. Foi muito debatido nos anteriores estados de emergência.
É uma boa questão, mas quando se chegar a uma conclusão, já isto acabou, não é?
Sim, mas proibir sair, ainda por cima num fim de semana, não é?
Pelo menos este fim de semana acabou, não é?
Isto é um fim de semana.
Quem foi mandado pra trás pela polícia na estrada, foi mandado pra trás. E naquele momento tu não tens nenhuma hipótese com as autoridades, porque eles mandam pra trás e multam-te, e acabou.
Multam, não.
Mas como é que isto vai acabar?
Porque não vai haver polícia nas estradas todas. São milhares de estradas em Portugal.
Pode ter o azar de tentar e de encontrar uma brigada, como é evidente. Como tudo, claro, podes ter o azar e ir por outra estrada.
Irei não, eu não tenho intenção de ir por estrada nenhuma.
Sim, claro, ou podes ter a sorte de passar. Durante as longas semanas e fins de semana em que houve a circulação entre concelhos também impedida, também houve quem o fizesse, seguramente, e não apanharam polícia.
Mas estão previstas multas?
Estarão, ainda não vi o decreto na totalidade, já vi as exceções.
Não estão previstas multas. A polícia pode mandar-te para trás. Aliás, eu não consigo entender como é que é anunciada uma medida destas para um fim de semana, dois dias, o que é que isso resolve para travar a pandemia. Em dois dias resolvem? E como é que uma medida é feita na véspera e depois vamos esperar até sexta-feira que vem, quinta-feira, e vamos esperar realmente para que só na próxima sexta, tal e qual como estava planeado, sejam então anunciadas as outras medidasinhas, tal e qual como estava previsto e vamos esperar estes dias todos. Já que era para anunciar alguma coisa, que fizessem tudo ao mesmo tempo. Isto é tudo mesmo muito irritante e é tudo muito absurdo.
O drama é que não aprendemos. Já vamos com um ano e meio disto.
Nada! Isto está a acontecer tudo, recuamos seis meses, no Natal foi exatamente o mesmo.
Acaba por ser o reconhecimento continuado do falhanço das autoridades na prevenção, na boa comunicação e nas decisões atempadas. Aliás, a Marcela Rebelo de Sousa parece estar a perder um bocadinho a paciência.
Para a semana é possível que já tenham o tal estudo das entradas nos espetáculos.
No espetáculo piloto.
E então já sabem se com isso conseguem tirar conclusões.
Isso é simbólico, mas é assim: a DGS, a Direção-Geral de Saúde, é incapaz de fazer três espetáculos piloto. Os espetáculos não foram feitos por eles. Foram feitos por quem sabe fazer espetáculos e foram quatro. Estava aqui a Carla a fazer-me sinal.
Sim, foram quatro em três cidades.
Em três cidades. Quem organizou os espetáculos fê-lo bem, portanto, o humorista fez piadas, o cantor cantou e tocou. Tudo bem, as pessoas entraram, saíram. Depois, tratamento de dados e conclusões, a Direção-Geral de Saúde é incapaz de chegar a esta fase. Já lá vai um mês e meio, em média, dos vários espetáculos. É desorganização, é incompetência, é preciso dizê-lo, é incompetência, é falta de planeamento. E portanto, nós estamos a este nível em três.
Nem sequer a ficha de recolha de dados estava correta.
Não estava.
Nem sequer estava os dados certos.
O que se pergunta é: um ano e meio depois do início da pandemia, o que é que aquela gente lá anda a fazer? E não há responsáveis, não há demissões, não há incompetentes. Nada. Continuam na mesma, a fazer os mesmos erros de sempre. Nem com os erros passados aprendem. Isto é surreal, de facto.
A minha questão aqui, por isso é que eu estava a questionar, que é: vai acabar como? Até do ponto de vista da eficácia, porque vamos deixar por momentos um bocadinho de lado a discussão de se é legal, se não é legal, se é possível ou se não é possível, se a calamidade dá, se não dá. Como o Paulo Ferreira diz, bom, pelo menos em relação a amanhã, e a hoje já, a partir das 15h30, essa discussão já não adianta nada. Portanto, isto vai acontecer. E atenção, que não é uma cerca. Ouvimos isto ontem: não é uma cerca. Estamos aqui, ninguém entra, ninguém sai, mas não há uma cerca. Bom, se não é uma cerca, não sei o que é. Se olharmos para outras cercas...
É a Konami.
É isso. Se olharmos para outras cercas, foi imposta a cerca, a proibição de entrar e sair, mas depois foram impostas medidas também para o interior da cerca. As pessoas não podiam fazer uma série de coisas e aqui em relação a Lisboa, nós estamos a falar de 3 milhões de pessoas. E a sensação que eu tenho é que nós estamos numa enorme festa da varicela. Porque nós podemos todos que vivemos em Lisboa, perdoem-me os ouvintes que estão fora de Lisboa, de eu estar a dizer nós, mas por acaso nesta conversa estão pessoas que vivem todas na área metropolitana de Lisboa e há muito espaço para isso.
Quase todas. Olha o Júca!
O Júlio, é verdade. Júlio.
Eu não estou aí.
Não vens à nossa festa da varicela, Júlio, desculpa.
Mas esteve cá ontem.
Estive aí ontem.
Quase todos estamos aqui e há muito espaço para isso, porque como diz a Filomena, é até Sesimbra, há muito espaço para esta cerca. Podemos todos circular, eu posso perfeitamente ir a um jantar num restaurante em Sintra, eu que vivo em Lisboa, as pessoas de Sesimbra podem vir para Lisboa, posso ir para as praias, posso fazer... Obrigada, Zé Manel. Filomena, registo que não disseste nada.
Manel, desculpa, convidei-te ontem.
Certo. Não, tu disseste que já não podíamos, antes de te aperceberes que não era só o concelho. Mas não podemos sair. Não há nenhuma limitação acrescida cá dentro. Isto quer dizer o quê? Que nós queremos evitar que haja, e reparem, nem sequer estou a pôr em causa essa medida, que é evitar que uma população que neste momento tem em transmissão comunitária uma variante perigosa, saia do seu território e ir, por exemplo, espalhar a doença para o Algarve. Mas então e cá dentro, estamos ok com a ideia de podermos estar aqui a disseminar isto entre 3 milhões de pessoas? Para isso já não tem problema? É que estamos a falar de 3 milhões de pessoas. Não estamos a falar de 100, nem de mil, nem de 10 mil. E deixa-se medidas cá para dentro para daqui a uma semana? É tão urgente fazer alguma coisa que toda aquela conversa que ouvimos Durante os meses em que as medidas eram aplicadas só três ou quatro dias depois, ouvíamos toda a gente dizer: "Não, vamos aplicar estas medidas só três ou quatro dias depois, porque é preciso previsibilidade pra vida das pessoas". Então, o que aconteceu à previsibilidade das pessoas? É tão urgente que se deita fora a previsibilidade de um dia pro outro, as pessoas ficam tão limitadas que não podem nem entrar nem sair da área onde vivem, mas todas as outras medidas têm de esperar uma semana? Não cabe na cabeça de ninguém.
Não, e depois a medida é só pro fim de semana. Portanto, na segunda-feira já toda gente pode.
Além disso.
E muita gente sai em trabalho, como é evidente.
Deixa eu pegar no exemplo prático aqui deste grupo. O Júlio Magalhães vive no Porto. Ontem esteve aqui conosco em Lisboa e estiveste legalmente, mas se fosse hoje já não dava pra voltares pra casa. Mas pode voltar na segunda, depois das 13h. Pode voltar na segunda, Júlio.
Eu, à cautela, voltei ontem.
Tu sabias.
E que eu saiba, os alfa pendulares não vão parar no entroncamento. Vão continuar a circular até Lisboa.
Nada disso faz sentido, para esta parte. Esperemos que sim, mas nada disso faz sentido.
Mas há aqui uma coisa, Paulo.
É que não está nada depois estabelecido. Diz, Júlio.
Há aqui uma coisa que gostava de expor à consideração. Sem, obviamente, estar a fazer a defesa de quem quer que seja. Está definido há muito tempo que há uma matriz, que ultrapassando as linhas vermelhas, são estas as medidas. Ora, Lisboa ultrapassou esta, já calhou isto a outras cidades do país. Desta vez calhou a Lisboa.
Não, percebo o que estás a dizer, mas não é isso que está aqui em causa. Aliás, como percebeste o nosso ponto de vista, se é preciso fazer alguma coisa, faz-se de fato alguma coisa. Para já, não estão previstas cercas sanitárias por causa da matriz de risco. Depois, a matriz ainda não foi reavaliada segundo as regras. Júlio, desculpa lá. Se uma pessoa não pode nem entrar nem sair duma determinada região, nós podemos chamar-lhe António, mas é uma cerca. Podemos dar-lhe o nome que quisermos, mas é uma cerca. Mas a questão até nem é essa, Júlio, porque se estivesse definido como regra, tudo ok. Mas aquilo que se definiu foi: se um determinado concelho, já nem estávamos a falar de área, mas isso também é irrelevante, se um determinado território, duas semanas consecutivas tivesse ou acima de 120 casos por 100 mil habitantes, ou acima de 240, ou parava no desconfinamento, ou recuava. Lisboa ainda não está em nenhuma dessas situações porque ainda não repetiu as tais duas semanas. E, portanto, nem sequer faria sentido se estivéssemos a falar em respeitar as medidas que acontecesse isto agora. Não estamos sequer a questionar que aconteça. Eu, pelo menos, nem estou a questionar que aconteça isto agora. Aconteceu, nem vale a pena estarmos aqui a debater se é calamidade, se é emergência, porque hoje já é assim. A minha questão é: se é urgente fazer isto agora, e eu reconheço que possa ser, não tenho aliás nada contra a ideia de ser necessário impedir que num local onde haja um surto, essas pessoas saiam e propaguem a doença. Eu entendo isso em termos de medida de saúde pública.
Já foi feito, aliás, ao Alvalade, nalgumas freguesias da Amadora.
Certo. Eu não estou a questionar isso, Júlio. A minha questão é: então são precisas outras medidas também. Se é urgente fazer isto, não faz sentido que se faça só num fim de semana, quando se deixou para trás outros dois fins de semana prolongados, e sobretudo, que dentro dessa enorme área metropolitana de Lisboa, não haja restrição de horários, as pessoas possam estar à vontade. Acho só que isto não faz sentido. Não vejo a utilidade de uma medida que vai afetar tanta gente, que é em cima do joelho, em cima da hora, e sobretudo, não vejo a consequência, a compensação. Nós fomos aceitando e cumprindo as medidas porque víamos a compensação por elas. Os números desciam, havia um controle da doença. Não vejo o que é que esta medida vai ajudar a controlar a doença. Em Lisboa, seguramente que não. Porque lá está, estamos todos aqui dentro, andamos à vontade. Não vejo também pro resto do país. Sabes por quê, Júlio? Porque as pessoas vão sair de casa às 15h, à sexta-feira, antes de serem 15h30, e vão voltar às 07h de sexta-feira. É isso que vai acontecer.
Segunda-feira, repare.
Segunda-feira, exatamente. Aliás, vai ser o louco. O meu ponto não é: "Há aqui de El Rei que nós não queremos medidas." Não é nada disso, Júlio. Há uma situação grave em Lisboa. Nós estamos, aliás, a falar disso desde o Sporting, se quiseres, em que se percebeu que íamos ter um problema. É: isto não faz sentido nenhum. A maneira como isto foi decidido não faz sentido nenhum. E sobretudo, não vejo como é que protege as pessoas. Na próxima sexta-feira vamos ter as próximas medidas. Mas temos que esperar até lá para ter essas medidas.
E são as decisões erráticas. No Sporting, ninguém fez nada e permitiram-se ecrãs. Agora a Câmara já vai dizer que proíbe ecrãs em sítios públicos por causa do futebol. E portanto, vai-se andando desta maneira. No Sporting não se fez nada, mais uma vez, nos Santos Populares. Provou-se que as autoridades, atuando atempadamente e avisando que não são permitidos ajuntamentos nas ruas, as pessoas acabam por cumprir, porque aquilo tem um efeito dissuasor. Mas não se percebe é por que se faz umas vezes, por que não se faz nas outras. Aliás, Marcelo Rebelo de Sousa diz hoje no Expresso, dá um exemplo e diz que o governo tem que mudar de narrativa. E dá um exemplo, ele próprio, o presidente. Diz: "Como é que se permite a Feira da Agricultura em Setúbal com milhares de pessoas, mas depois se proíbem 500 pessoas a ver um jogo de rugby?" Das bancadas. Portanto, olha-se para isto e não faz sentido. As pessoas, perante isto tudo, vão elas próprias aligeirando os comportamentos, porque olham para o lado e veem: "Mas só eu é que vou cumprindo isto rigorosamente? Por que os outros podem, não há problema nenhum e vão aligeirando."
E há o risco até de haver mais gente agora com vontade de quebrar a regra.
Desculpem, mas interrompi o Júlio e ele nem acabou o raciocínio dele. Desculpem.
Não, eu estou-vos a ouvir. Isto é convosco.
Depois há aqui uma nota. O Miguel...
Júlio, tu desculpa, mas nós estamos aqui cercados.
Estão cercados, eu percebo.
E depois há aqui um detalhe engraçado. É porque nós, por exemplo, em Setúbal, podemos ir comer num restaurante até à meia-noite.
Tu estás fixada em ir comer a Setúbal, Filomena.
Estou.
Não, mas isto também é importante, porque há regras diferentes para os concelhos.
Há regras diferentes por concelho.
Lá podes estar até à meia-noite, não é?
Lá, em Cascais ou em Sintra. Não é verdade. Em Cascais e em Sintra só posso comer até às 10:30 da noite. E, por exemplo, em Sesimbra só posso comer até às 3 horas da tarde. Ou seja, temos de ter em atenção, temos de ter uma cábula e ver onde é que eu estou. Se ver aqui onde é que eu estou, que é para ver onde é que horas fecha.
Deve ser um problema para a Lonely Planet. Deve ser muito difícil.
Vai ser um problema.
Vamos fazer a ronda pelas notas. Estamos mesmo a chegar ao fim. Filomena, queres começar tu? Dás nota a quem? Deixa-me reformular. A quem vais dar o zero? O teu zero.
É fácil. Começo. Vou começar numa ponta e acabar na outra. Vou começar com nota zero a toda a gente. Costa, Mariana Vieira da Silva, a ministra da Saúde, a diretora-geral da Saúde e ainda por cima o Costa e o Marcelo, porque ambos foram desautorizados. O Costa porque tinha dito na véspera que não iria haver medidas excecionais para Lisboa. Houve. E obviamente, Marcelo a dizer que não iria haver recuo, depois corrigiu em relação ao estado de emergência. De facto, não houve recuo no estado de emergência, mas houve um recuo claramente. Portanto, toda a gente a zero.
Tudo variou a zero para a Filomena Martins. Não, ainda vem para mim. Não. Sara, e a tua nota? Eu percebo a lógica de dar um zero, mas eu prefiro sempre dar um quatro, um cinco, porque eu acho que envergonha mais. O zero, eu posso sempre pensar que o professor não se deu ao trabalho de sequer ler o exame. E aqui nós lemos, nós lemos com muita atenção e na verdade, só merece um quatro. Acho que esta decisão que saiu ontem do Conselho de Ministros é incompreensível. Seguramente não vai ser cumprida por tantas pessoas quanto seria necessário para ser minimamente eficaz. E já agora, eu também não vejo qual era a eficácia de aplicar esta medida desta forma e assim. Paulo Ferreira, a tua nota?
Olha, eu vou dar uma positiva. Nisto tudo, eu dou 17, uma positiva alta. E a positiva alta vai para Simon Stevens. E o Simon Stevens é o CEO do NHS, do Serviço Nacional de Saúde britânico, que há duas semanas nos alertou, aconselhando o governo inglês a retirar-nos da via verde de viagens do Reino Unido para cá. E portanto, ele sabe melhor o que se passa cá e com mais antecipação do que as nossas autoridades de saúde. Portanto, cá vai um grande abraço para o Simon Stevens e um 17.
E um 17.
Um grande abraço no dia em que possamos sair para lhe dar esse abraço.
Exato.
Eu já pedi segunda-feira, Sara, não há problema. Júlio Magalhães, que nota dás tu?
Eu vou dar duas notas. Uma é para contrariar o Paulo Ferreira. Paulo, não leves a mal.
Estás à vontade.
É a contrariar-te a ti um bocadinho e ao Pinheiro. Tem a ver com o governo britânico. É evidente que o governo britânico tomou medidas, avisou. Nós não aprendemos a lição, se calhar não ouvimos o que o governo britânico disse, mas a verdade é que o governo britânico primeiro pôs uma linha verde para Portugal e deixou que os ingleses todos viessem à final da Champions. Estou para perceber porque é que os ingleses abriram a linha verde a saber que já havia esta variante Delta, deixaram os ingleses todos vir para o Porto porque era entre duas equipas inglesas e foram pressionados por quem? Pela UEFA. Cederam a pressões.
Mas Júlio, nós permitimos que eles viessem.
Pois, mas na altura, eles não avisaram Portugal que havia uma variante Delta e que, portanto, ninguém podia vir para cá.
Portugal já sabia, Júlio.
Não, Portugal já sabia. Olha, eu vou-te ajudar nisso, Júlio.
Mas a verdade é que os ingleses deixaram aquela porta.
Pois, mas é que os gráficos mostram. São gráficos que nós não conhecemos, mas são gráficos que estão disponíveis num site inglês, que a prevalência da variante Delta em Portugal começou a ser de facto grave a partir do final de maio, princípio de junho, que foi precisamente quando eles inverteram a decisão. Portanto, foi quando mudaram a decisão.
Mas aqui o Júlio está a falar de uma questão mais ética. Eu percebo o que tu dizes, Júlio, que é quando foi preciso eles virem para cá para se divertirem um bocadinho, aqui podemos voltar para a lista verde e depois fechamos outra vez e a coisa já está contida. Isso eu percebo. Acho é que devia ter sido Portugal a puxar os ingleses e não os ingleses a pensarem primeiro em nós.
Sem dúvida, aquilo tem razão, mas apesar de tudo, eu não acho que tivesse havido aí nenhum maquiavelismo, nenhuma intenção de que vamos abrir por causa da Champions e vamos fechar porque já passou a Champions.
Porque tu acreditas no melhor das pessoas.
Não é uma questão de acreditar. Eu acho que o NHS não funciona assim, pura e simplesmente.
E eu acredito no sinal horário, Júlio Magalhães. A nota.
A nota. Ia dar uma nota negativa ao governo britânico por isto, porque eu continuo a achar que de facto a UEFA tem um poder grande. E queria hoje, só porque não é bom ser juiz em causa própria, mas eu sou vosso colaborador e portanto acho que posso dizer isto. Queria dar nota 17, só não dou 20, mas queria dar nota 17 à Rádio Observador. Eu ontem quando vinha de Lisboa, a única rádio que estava a dar em direto a apresentação da candidatura do Rui Moreira, que é o presidente da segunda maior cidade do Porto, era a Rádio Observador. Só não dou nota 20 porque outros poderão dizer: "Porque é que não dou de outros todos também e de outras cidades?" Eu sei que a Rádio Observador está a fazer o seu caminho, está ainda a propagar-se pelo país e eu espero que este seja mesmo o caminho da Rádio Observador.
Propagar é um verbo que me assustou, não tem a ver com a variante Delta, mas não.
Não, propagar antena, propagar a voz das pessoas.
Claro que sim, fica.
É um dos bons.
Eu traí há pouco a Feira Nacional da Agricultura em Setúbal, não, em Santarém. Setúbal é o chouco frito.
Agora vens falar de chouco frito. José Manuel Fernandes, brevemente a tua nota, até porque vais falar disso no Contracorrente já daqui a pouco.
Sim, a minha nota vai para o Conselho de Ministros, que foi quem tomou a decisão. Eu acompanho a Sara, não dou um zero, dou um cinco.
Dás um cinco humilhante com esta nota e vais desenvolver esta questão e vais falar com os ouvintes daqui a pouco no Contracorrente.