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Tudo pronto para avaliarmos e pontuarmos os protagonistas da atualidade no "E o Vencedor É". Hoje a análise é feita pelo Rui Pedro Antunes e pelo Carlos Diogo Santos, que se juntam ao José Manuel Fernandes, ao Paulo Ferreira, ao Júlio Magalhães e ao João Alexandre. João.
E hoje começamos pelo Rui Pedro Antunes, este "E o Vencedor É". Muito bom dia a todos. Rui Pedro Antunes, queres falar sobre nomeações, mas não é bem isso. Vamos lá perceber o que nos queres dizer e quem é o teu vencedor ou o teu vencido.
Olha, João, eu sei que nos conhecemos há 16 anos, mas tu referes-te a mim apenas como Rui Pedro Antunes e eu queria solicitar, se fosse possível, que fizesses algumas alterações quando te referes a mim.
Vamos a isso. Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, apresenta-se ao serviço neste "E o Vencedor É". Vamos então à pontuação e ao protagonista.
Muito mau, João. Que se faz referir a mim como o melhor editor de política do país, já agora o mais simpático e arrebatador. Se não te importares também agora no fim, quando fizeres aquele resumezinho final, também familiar do final do programa, a dizer que Rui Pedro Antunes deu nota a X e a Y, diz, se não te importas, que Rui Pedro Antunes deu uma classificação extremamente bem informada, de fino recorte, ao nível dos melhores do país, uma espécie de mistura da graça do Marcelo dos anos 90 com o estilo noticioso do Marques Mendes e a elegância dos gráficos de Paulo Portas. E se possível, diz também que vacinado com a Janssen, a melhor de todas as vacinas.
E alguém com elevada competência técnica.
Muito melhor. Pois é, João.
Vocês devem pensar que isto é uma comissão parlamentar. Vamos então ao vencedor, vamos esclarecer os nossos ouvintes.
Pronto, é o seguinte: eu estou aqui inspirado em Ana Paula Vitorino, a quem eu queria dar um 20, e digo já porque ela é a melhor. Assim escusamos depois de fazer uma correção qualquer proposta com ela. Ainda podia dar um 10 e depois recebíamos um e-mail a dizer: "Tem que me dar 20." Foi isto que aconteceu na Comissão de Economia. O Miguel Pinheiro falava disso há pouco no "O Mau e o Vilão", e explicou mais ou menos, mas para as pessoas que não estavam a ouvir, é o seguinte: Ana Paula Vitorino é nomeada pelo governo para uma entidade reguladora. Nessa nomeação, foi ouvida na Comissão de Economia, na qual é suplente e, portanto, de uma forma ou de outra, quando o coordenador envia o relatório, ela tem acesso também. E ela decidiu, no relatório dessa audição, propor alterações a esse mesmo relatório, portanto, em causa própria, melhorar referências àquilo que ela tinha dito. E não estamos a falar só de questões factuais, que ela até podia ter pedido a um colega deputado para o fazer, a um camarada de partido para o fazer e não o fez. E há vários problemas até nessas correções, além da parte dela melhorar um relatório sobre ela própria, que é de fato uma coisa extraordinária.
Como é que é possível?
Não cabe na cabeça de ninguém. Isto não é a auto e heteroavaliação do final do primeiro ou do segundo período, não é para retificar. Ana Paula Vitorino corrige gralhas, isto está no artigo do Nuno Vinha, o que deixou logo mal a vice-presidente da assembleia do PS, a Edite Estrela, que como sabem, é a experta em saber escrever, saber falar. Logo aí está mal. E depois o parágrafo que ela acrescenta é o seguinte: "Enquanto mulher, não aceito, nem aqui, nem em qualquer sítio, que ponham em causa a minha capacidade e independência por viver, seja com quem for. Isso é tentativa de menorização, isso chama-se machismo e misoginia." Eu depois fui ouvir e ela tinha dito, de fato, esta frase, mas quis muito acrescentá-la. Sobre a relação com Eduardo Cabrita, mas ninguém lhe pediu isso, ninguém questionou isso dessa forma. O que Carlos Silva lhe questiona na audição é se ela conhece na Europa outra situação em que uma antiga ministra vá para um cargo que seja familiar de um ministro em funções e que tenha ela própria saído há pouco tempo do governo. É isso que lhe perguntam. Ninguém põe em causa se ela só chegou ao cargo por causa de Eduardo Cabrita, que só está a ser nomeada por causa de Eduardo Cabrita. Simplesmente lhe perguntam se a situação é normal, já que fala de tantos casos da Europa, é isso que lhe perguntam na audição.
E tanto não é, Rui Pedro Antunes, que quando houve Family Gate, António Costa fez escolhas a familiares dentro do governo e na altura preferiu, se calhar já está arrependido, manter no governo Eduardo Cabrita e deixar fora do governo Ana Paula Vitorino. E a mesma coisa aconteceu com Marina Vieira da Silva e o pai Vieira da Silva. E portanto, a questão já se colocou. Ela provavelmente tem que atirar em António Costa, que fez essa escolha há dois anos.
Não, e Carlos Silva, na altura, até é um pouco delicado na forma como faz a pergunta, ou pelo menos não é tão indelicado como podia parecer, e diz "um familiar", nem sequer refere diretamente. E é a própria ex-ministra que diz o seguinte, a deputada Ana Paula Vitorino: "Comecei a viver com o ministro Eduardo Cabrita, com o meu Eduardo. Era secretária de Estado tal como ele." Ela que pessoaliza a questão e diz "o meu Eduardo" com ar entretedor, que eu até acho que é meritório e temos que elogiar. Mas de fato é ela que acaba por pessoalizar e falar muito disto. Não era uma acusação machista, nem nada do gênero. E depois, claro, uma outra alteração que faz é quando se fala do parecer da CRESAP, dá ali uns toques. Parece só uma afinação, mas não é. E em vez de adequado, escreve adequado! Não sei como é que se faz.
Em caixa alta.
Em caixa alta.
Maiúsculas, exatamente. Antigamente chamavam-se maiúsculas, letras maiúsculas.
Ou caixa alta, não é? Não me lembro, Paulo.
Nas redações de jornais.
Quando escrevíamos a máquina de escrever e pediam espumário, beber uísque nas redações. Lembras-te desses tempos?
Então não lembro.
Estou aqui a notar algumas saudades. Rui Pedro Antunes, não sei se queres avançar já para a tua nota, porque há aqui também outros excelsos protagonistas deste programa que querem também avançar com algumas notas sobre este tema.
Tens razão, João. Peço imensa desculpa. Inspirado em Ana Paula Vitorino, comecei a achar que era o melhor do mundo e afinal apercebo-me agora que não e vou puxar da minha humildade e peço desculpa por isso. Mas mesmo assim mantenho 20 a Ana Paula Vitorino, porque ela sim é a melhor. Não quero ser corrigido.
Paulo Ferreira, creio que também tens algo a dizer.
Como é que o Parlamento se permite a este tipo de regras? Há aqui um problema de governação, se quisermos, de regras do Parlamento, que é permitir que alguém que está a ser avaliado, neste caso, esteja de alguma forma a participar nessa comissão também, tenha acesso ao relatório e mande palpites sobre ele. Amanhã vamos ter o quê? Pessoas em tribunais, réus a corrigir a sentença do juiz, o acórdão do tribunal e este tipo de coisas. É rigorosamente a mesma coisa. Como é que o Parlamento se permite a este tipo de coisas? Mas depois queixam-se muito os deputados e os políticos que anda por aí muito populismo, as críticas ao sistema, à instituição. Claro, obviamente. Então não é de criticar este tipo de práticas.
Já lá vamos à tua nota, Paulo Ferreira, que é sobre um outro tema. Antes, o José Manuel Fernandes, que também quer falar sobre este caso de Ana Paula Vitorino. Bom, creio que não temos agora o José Manuel Fernandes connosco.
Eu acho que depois disso, o José Manuel Fernandes caiu para o lado.
Ficou extasiado.
Caiu para o lado, não consegue já.
José Manuel Fernandes, vamos aqui a essa pequena nota sobre Ana Paula Vitorino.
Eu queria sublinhar sobretudo este último aspeto, porque é o Parlamento, são os deputados daquela comissão e é uma coisa que aconteceu é que à conta disto, o relator da comissão foi substituído. Era um relator que era do PSD, passou para o PS. O relator do PS provavelmente vai fazer todas as vontades a Ana Paula Vitorino e por assim dizer, o vilão vai triunfar. Eu vou acompanhar o 20 para Ana Paula Vitorino, ou melhor, eu vou lhe dar um 19, porque eu detesto quem escreve coisas em caixa alta. Acho que fica muito mal, esteticamente muito desagradável. Sempre que encontrava isso no texto, corrigia, porque não acho bonito. Acho que é daquelas coisas que ficam mesmo mal. E eu sou muito sensível às coisas estéticas e portanto, a Ana Paula Vitorino não leva 19 por ser a melhor do mundo, porque tem o mau gosto de escrever textos com palavras em caixa alta.
Fica essa nota para Ana Paula Vitorino, mas José Manuel Fernandes, aproveito que estás a usar a palavra para passarmos para um outro tema, porque há também aqui uma nota que tem a ver com velocidade. Ontem falámos de combustíveis, hoje voltamos a falar de automóveis.
Pois, tenho que falar de Matos Fernandes. Não compreendo como é que depois do que se passou com o ministro Eduardo Cabrita, continuamos a família, mas desta vez de passagem, imediatamente não foi estabelecida uma regra entre os membros do governo para terem cuidado nas suas deslocações. O ministro Matos Fernandes foi apanhado e acho que apanharíamos facilmente qualquer membro do governo se os seguíssemos pelas estradas deste país. Primeiro, a conduzir numa estrada que aparentemente nem estaria com o piso em bom estado a 160 km/h, o limite é 90, e depois numa autoestrada a 200, o limite é 120. Nada disto surpreende, todos sabemos que isto é o costume. Eu já andei em muitas comitivas oficiais, já segui muitas comitivas oficiais e sei, isto é o costume. Vou ser mais concreto. Em todas as comitivas oficiais que segui, só me recordo de uma, e vou dizer quem era, em que a comitiva com batedores seguia dentro daquilo que é uma velocidade pouco acima do limite de 140. Era uma comitiva do presidente Jorge Sampaio, que regressava a casa depois de um jantar em que ele tinha de participar. Eu por acaso até queria ir mais depressa, reconheço, e tive que ir atrás dele a 140, limitando-me à velocidade em que ele ocupava a autoestrada, porque como era comitiva, tinha batedores atrás e à frente e eu não podia ultrapassar. Era Jorge Sampaio. O resto, 200 é a velocidade mínima nas autoestradas para as comitivas oficiais. Mas agora, depois do que aconteceu, há outra questão que eu também gostava de sublinhar. A maior parte dos atos oficiais em que estes membros do governo participam, eu peço desculpa, mas são atos oficiais que têm muito pouca relevância. O ministro vinha de uma coisa da barragem do Roça, salvo erro.
Já se falava também dessa questão na altura em que se falava, por exemplo, da pandemia, da necessidade do distanciamento, dos ajuntamentos e do fato de ainda assim o governo levar grandes comitivas para muitos pontos do país.
Andam em comitivas pelo país todo. Se fosse exercício de proximidade com o país para conhecer os problemas reais, não é. Isto são ações para se mostrar. Sobretudo num ano de autarcas, para se mostrar aos autarcas que o partido do governo apoia, para andar a fazer propaganda. É assim que se chama, é propaganda. É uma agenda marcada para apresentar uma coisa aqui, uma coisa acolá e uma coisa acolí. Andam nisto os ministros, anda nisto o primeiro-ministro, não param. Eu às vezes pergunto-me em que alturas do dia é que eles estão nos seus gabinetes a tratar dos dossiês e a tratar daquilo que tem que ser preparado, e depois verificamos que as medidas, como por exemplo as da pandemia
tratadas no Conselho de Ministros em cima do joelho e depois, de repente, surpreendem os restaurantes com algo que o próprio ministro da economia vem confessar: "Aquilo foi tudo preparado na própria quinta-feira." Claro, nos dias anteriores andaram todos a passear pelo país àquelas velocidades loucas, chegam ao Conselho de Ministros, que duram horas infinitas, porque tudo tem que ser ali decidido, porque é a única altura em que parece que acalmam um bocadinho e estão sentados a uma mesa, não andam sentados num automóvel a 200 km/h pelas estradas do país. Sinceramente, não acho que isso seja a forma, primeiro, de governar, depois, de se comportar.
Já agora, estamos a falar do ministro do Ambiente, que passa a vida a apregoar a questão das emissões.
Já nem falo disso.
O carro de alta cilindrada a 200 km/h, não sei qual é o nível de emissões que aquilo faz. Mas é muito engraçado ele a passar nas televisões em eventos em Lisboa em carros elétricos. Quando se sabe que as televisões estão lá, que as câmaras estão lá, é carro elétrico. Quando não se sabe que as televisões estão lá, provavelmente anda-se noutro.
Um carro elétrico não lhe dava para ir ali a 200.
Durante 200 km.
Ficava pelo caminho.
Claro, a questão da autonomia ainda é complicada. Carlos Diogo Santos, queres também falar sobre esta questão que envolve o ministro Matos Fernandes?
Sim, e ainda até um pouco mais longe do que aquilo que o Zé Manel disse, é que nem sequer, segundo foi noticiado, havia qualquer evento. O ministro não tinha sequer agenda naquele dia, nem uma coisa insignificante e portanto nada justifica este regresso com as luzes ligadas a partir de determinada altura e àquela velocidade. Obviamente que antes de tudo isto, acho que é preciso deixar aqui claro que a maioria dos portugueses, não são só os governantes, já andou acima dos limites de velocidade, sem qualquer justificação, e muitos nem sequer têm um carro com a estabilidade daquele BMW. Mas não deixa de ser sintomático que isto aconteça, e nós sabemos que acontece em todas as comitivas, como o Zé Manel disse e bem, e em todos os ministérios, há de haver raríssimas exceções. Mas isto acontece dias depois de um acidente que de facto devia ter deixado alguns ensinamentos e de facto não se percebe como é que esta prática continua a existir e que ainda por cima haja uma justificação que às vezes parece mal-amanhada. O ministro, em vez de assumir logo, diz que não tem memória, mas que se tal aconteceu, está mal. E disse logo a seguir, ainda numa tentativa de justificar, que de facto, às vezes o trabalho leva a que estas situações aconteçam, quando naquele dia, e bastava ir checar isso, não havia qualquer justificação para que isso acontecesse.
Carlos, já agora, esta noção que era uma noção de casta antes de mais, que a lei não tem que ser cumprida por eles. Ponto. Isto é com este governo e com os anteriores. Depois é uma noção de que só eles é que trabalham e de que toda a gente tem que cumprir a lei, como é evidente. Mas os horários das outras pessoas, que as pessoas que se amanhem de alguma maneira. Eles que fazem agenda. Eles, ministros e gabinetes, são os gabinetes deles que fazem as agendas deles. Portanto, se eles marcam eventos ou reuniões ou o que quer que seja com pouco intervalo, que passem a marcá-las mais espaçadamente. Porque o ministro Matos Fernandes não é mais nem menos do que a dona Maria que trabalha a dias em três casas e tem que andar de transportes públicos e tem que chegar a horas a cada um desses postos de trabalho. Mas é esta falta de noção do "pai, sou ministro." Isto é uma citação antiga de Dias Loureiro, quando foi nomeado. Esta ideia de que é ministro e que se deve uma vassalagem, que é esta noção de casta, de estarem acima da lei e daquilo que é exigido aos cidadãos. Já estamos no século XXI, já passámos essa coisa. E portanto é inaceitável este tipo de postura.
Mas ó Paulo, há aqui uma coisa muito positiva, que é o ministro vai passar a estar atento.
Certo. Eu fico sempre com receio de um ministro que não tem memória daquilo que aconteceu há 15 dias, o que se pode passar no seu gabinete e nas pessoas que o assessoram a todos os níveis, que lhe escapa. É que depois acontecem coisas mais tarde e ninguém reparou.
Só muito rapidamente, só contar uma história muito breve que veio recentemente recordada pelo Henrique Pereira dos Santos no blogue e que é de um anterior ministro do Ambiente também, que uma vez estava em Aveiro e tinha que regressar a Lisboa e disse o seguinte ao seu motorista: era só Aveiro, meio-dia, e ele disse: "Olhe, eu tenho uma reunião em Lisboa à 13h." "Sr. Ministro, mas eu não consigo estar à 13h em Lisboa cumprindo os limites de velocidade." "Sim, eu tenho uma reunião à 13h em Lisboa, não lhe estou a dizer para violar a lei. Estou só a dizer que preciso estar à 13h em Lisboa." Entrou para o carro e pronto.
Portanto, há coisas que ficam ali meio subentendidas.
Ficam subentendidas. Ele colocou o motorista numa situação impossível, libertou-se da sua responsabilidade de lhe dar uma ordem para infringir a lei, mas deu-lhe uma ordem que na prática o obrigava a infringir a lei.
Zé Manuel Fernandes, vamos só aqui muito rapidamente regressar ao Carlos Diogo Santos, porque quero falar também sobre a questão das discotecas. Quem é aqui o vencedor ou o vencido? Tinha havido aqui um sinal durante esta semana por parte de um membro do governo que poderia haver uma porta aberta neste campo, mas a verdade é que depois do Conselho de Ministros se percebeu que afinal não é bem assim.
Certo. De facto, os sinais continuam a ser contraditórios e nós já falámos aqui várias vezes sobre isto. Temos especialistas e alguns governantes a dizer que os sinais não são positivos, e depois, de vez em quando, aparecem membros, não é a primeira vez que acontece, que aventam estas hipóteses: "Se calhar temos que pensar em começar a abrir bares e discotecas." E fica sem se perceber se isto é para medir a reação das pessoas, se é para motivar os jovens a vacinar-se para que dessa forma possam entrar nessas discotecas. Não sabemos quem é que as poderá abrir nos próximos tempos, ou se, de facto, não sabem mesmo o que está a ser dito e tudo isto entra em conflito. Independentemente disso, sobre este tema, ontem li num jornal satírico uma notícia que não me admirava nada que algum destes dias a tivéssemos a puxar para título de um live blog ou a mandar posts, que é: discotecas vão reabrir, mas só se pode dançar com pessoas do mesmo concelho e durante a semana.
Portanto, agora a pergunta não é, como dizia essa notícia, que idade tem ou o que é que fazes, é mesmo de onde és? É essa a pergunta.
Exatamente.
Qual é a tua bolha?
Qual é a tua bolha? Exatamente. Carlos Silva Vicente, já deste aqui a tua nota a este assunto?
Eu, para o governo, dou aqui um oito por este ziguezague e o não se saber, de facto, o que o governo tem como verdade, neste caso, se estamos a melhorar, se estamos a piorar, se há condições ou se não há. Não há uma voz única. Portanto, há várias teses se estamos a melhorar ou não.
Carlos, se me permite, eu hoje vou à vossa boleia dos temas todos. Não vos traz como o Matos Fernandes. Não vão a dezentos, por favor. Sobre este tema, de facto, eu acho que o governo deve começar a discutir a abertura de discotecas e bares e em condições, mas ainda precisa trabalhar um bocadinho mais, porque há três meses foram feitos espetáculos piloto em Braga, Coimbra e Lisboa. Foram feitos quatro espetáculos. Três meses depois, a DGS, a Direção-Geral de Saúde, não consegue divulgar dados, resultados sobre essas experiências. Foram feitos de propósito, foram pagos pelas produtoras, foram pagos pela Cruz Vermelha e pelos municípios, precisamente para tirar conclusões, para perceber até que ponto era seguro ou não começar a abrir esses espetáculos e em condições em que podia ser feito. Três meses depois, mais uma vez, não há resultados. A DGS recebeu os dados da Cruz Vermelha ou perdeu a base de dados.
Andaram a terem enviado para o ministro Cabrita, para o ministro Cabrita estar a ver.
Ou então foram para alguma embaixada, talvez, não sabemos. Ou perderam a base de dados ou não sabem o que é que hão de fazer com ela. Isto é absolutamente vergonhoso. Estão milhares de empregos em causa neste setor. Não há uma explicação e basicamente estamos entregues a uma certa incompetência. Portanto, estar a discutir agora a abertura de bares e discotecas quando não se consegue.
Não sei porque puseste a palavra certa.
Diz?
Não sei porque puseste a palavra certa.
Já estamos aqui na nossa reta final.
Deixa-me só isto.
10 segundos que podemos avançar aqui para o Júlio Magalhães.
É só dar a minha nota.
Vamos a isso.
António Costa, olhando para este menu todo, é o coordenador. Está a deixar aqui o regabofe, permitam-me o termo, ir longe demais, e leva um sete.
Júlio Magalhães, aqui para a reta final do E o Vencedor É de hoje, vamos para algo completamente diferente. É um protagonista algo peculiar.
É mesmo, mas tem alguma ligação, porque eu devo dizer que na quarta-feira, quando vinha para o Porto, houve um carro do ministro com as luzes azuis ligadas, passou seguramente por mim e pelos outros a mais de 200 km/h. Eu não sei se era o ministro Matos Fernandes, mas se for, vai ter que mudar de motorista, porque este vai ficar seguramente sem carta, o ministro não fica. E ele vinha claramente a voar pela autoestrada. E é esta ligação, que é um bocadinho forçada, que eu gostava de fazer. Hoje é sexta-feira, eu tinha prometido que às sextas aligeira aqui um bocado os temas, até porque não consigo acrescentar muito mais àquilo tudo que vocês já disseram. E eu hoje queria vos falar de um tema que se calhar também vos diz respeito, também já o sentiram, não sei, logo dirão, que são as gaivotas. As gaivotas triplicaram o número em 20 anos nas zonas costeiras portuguesas. Porque é que eu venho com este tema? Ontem estava a almoçar numa esplanada e um casal de turistas que estava umas mesas mais ao lado pediu a sua refeição, o empregado pôs-lhe a refeição na mesa e nem menos de meio minuto depois uma gaivota veio e levou-lhes a refeição. Isto está a acontecer sistematicamente, não só aqui no Porto, mas dizem nas zonas costeiras em Portugal, e com muitas reclamações dos utentes, dos turistas, das pessoas que ali vivem, e portanto está a ser um problema que dizem já ser mesmo de saúde pública. Até porque já se diz que, não sei se vocês sabem, as gaivotas nascem, vivem, reproduzem-se e morrem nas cidades e já não conhecem sequer a vida selvagem. São as chamadas gaivotas urbanas. Isto está a provocar, como vos disse, problemas de saúde pública, as reclamações são imensas. Os municípios há muito que andam a tentar encontrar uma solução para isto, porque para além do ruído, para além da saúde pública, para além dos estragos que fazem nos revestimentos urbanos, nas paredes, etc., e nas pinturas, para além das pinturas dos carros, das roupas que estão estendidas, das roupas das pessoas que passam, as gaivotas são consideradas aves agressivas, que fazem ataques pessoais, entopem caleiras, podem até provocar inundações, fazem estragos, como vos disse já, nas roupas e depois são consideradas também extremamente inteligentes.
Tu hoje vais ficar de mal com o pano.
Pois é por isso que eu estou a falar. Que sabem muito bem aproveitar aquilo que de melhor há no mundo. Vivem 35 a 40 anos, têm duas posturas por ano. Isto quer dizer que duas vezes por ano criam oito a nove crias. Portanto, vejam como é que isto se triplica nas cidades. Estão nas faixas costeiras onde há as lotas do peixe, onde há restaurantes, onde há muita gente. As cidades são mais quentes e por isso reproduzem-se com mais facilidade. E sobretudo há agora um manancial que elas aproveitam e que são as esplanadas. Com o aumento das esplanadas, aumentaram também o número de gaivotas.
O Júlio já te ensinou o cantaná, não é? Já te ensinou o cantaná. Quando as gaivotas chegam à traineira é porque sabem que as sardinhas vão ser atiradas ao mar.
Ora bem, por isso é que elas são consideradas as mais inteligentes.
Temos de fechar aqui.
Vamos terminar. Vocês lembram-se desta: uma gaivota voava, voava, asas ao vento, coração de mar, com ela somos livres, somos livres de voar. É assim que os nossos ministros andam na autoestrada. Portanto, 20 para as gaivotas. E era uma boa promessa. Esta é que era uma boa promessa de um autarca às eleições. O Rui Rio prometeu acabar com os arrumadores há 20 anos. Porque é que agora não aparece alguém a dizer: "Vamos acabar com as gaivotas." Não é matá-las, também, mas pelo menos arranjar maneira de elas saírem daqui.
Fica esse desafio e fica também por aqui o E o Vencedor É de hoje. Estamos de regresso na próxima semana com novos vencedores ou vencidos e também essas novas pontuações e novos protagonistas.