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Começa agora o E o Vencedor É das manhãs 360. À Carla, ao Paulo e ao Júlio, que está no Porto. Juntam-se para a análise aos protagonistas do dia, o José Manuel Fernandes, como sempre, e hoje também a Sara Antunes de Oliveira e o Rui Pedro Antunes. Carla Jorge Carvalho. Bom dia a todos. Há um mistério na Câmara de Lisboa que é preciso desvendar e há também uma preocupação de Rui Rio com o ânimo do governo. Sara Antunes de Oliveira, bom dia. Vamos começar por ti, que paras na Câmara de Lisboa. O Observador fez umas contas que não batem certo e que têm a ver com uma votação dos vereadores. Queres explicar o que está em causa?

É um mistério. Bom dia a todos. É um mistério que vem mesmo a calhar para o verão, não é? Porque assim estamos nós a entrar de férias, temos aqui, parece que temos um livro para ler.

Parece um suspense.

A Samaria João punha aqui uma banda sonora de filme.

Até mexia assim, um Twin Peaks, uma coisinha assim de fundo, não era? Mas lamentavelmente é sobre um assunto que desejávamos todos que não houvesse mais segredos. Quando Fernando Medina veio falar a primeira vez sobre o Russiagate e este envio de dados pessoais de ativistas para embaixadas, nomeadamente a da Rússia, o que toda a gente pediu na altura foi transparência, foi que se apurasse tudo o que aconteceu. A oposição a Fernando Medina na Câmara, quase toda, também quis saber os dados todos, exigiu tudo e mais um par de botas. E agora há esta votação que aprovou a proposta para exonerar o funcionário responsável que coordenava a área da proteção de dados. Há um voto a mais, há alguém de um partido da oposição que também se absteve. Todos garantem que votaram contra essa decisão de Fernando Medina, mas agora ninguém diz quem é que foi. E é daquelas coisas que eu sinto que estamos aqui a debater um bocadinho a votação no ciclo preparatório. Houve uma votação qualquer e os miúdos estão todos a debater e dizer: "Eu não fui, eu não fui, foi aquele, se calhar foi o outro." E é isto que está a acontecer entre adultos na Câmara de Lisboa, num tema que não devia ter estas coisas. Estamos desde o início a dizer que a única maneira de resolver este assunto é ser totalmente transparente. Isso não se aplica só a Fernando Medina. Fernando Medina, neste aspecto, pelo menos, tomou uma decisão, assumiu uma decisão e foi para frente com ela.

Isto é um voto envergonhado, é uma posição envergonhada.

Pois, pode ser.

Envergonhada é um eufemismo.

Se calhar é isso.

Há uma palavra que defina falta de coragem.

Aqui alguém está a mentir, não é?

Claro, mentir, cobardia, enfim, há coisas mais fortes.

Como o texto da Mariana Lima Cunha, que conta essa história no Observador, que a contou ontem, põe em evidência, alguém está a mentir. É o Bloco de Esquerda? É o PSD? É o CDS? É difícil saber, porque agora também como estão todos comprometidos com isto, ninguém vai dizer: "Fui eu que fiz isto." E eu não vejo nenhuma razão para isto. Se as pessoas tomam decisões, eu compreendo que há matérias em que o voto é secreto, em que os deputados, os vereadores, enfim, as pessoas com funções públicas têm o direito de votar secretamente. Compreendo isso tudo. Num assunto destes, parece-me que as pessoas, os vereadores, devem assumir as suas posições. E se no PSD, no CDS ou no Bloco de Esquerda, há alguém que acha que Fernando Medina fez lindamente e está a gerir isto lindamente, nomeadamente a exoneração de um funcionário, então tem de assumi-lo, porque estamos à porta de eleições autárquicas e se calhar os lisboetas e os eleitores de Lisboa querem saber quem é que defende o quê antes de irem decidir o seu voto.

Júlio Magalhães, o que achas que levará um vereador a não dizer o sentido de voto, a não esclarecer o sentido de voto?

É comprometimento. Eu continuo a não perceber porque é que o Luís Feliciano não foi ouvido, não foi a nenhuma audição, não deu nenhuma entrevista, continua a ser o responsável por isto, ficou como responsável, neste caso, o mexilhão, nitidamente, e não se percebe, de facto, como a Sara falava, porque é que não há transparência num caso destes. Isto fica muito mal a Fernando Medina e fica muito mal também à Câmara, porque o caso é mesmo grave. Não é um caso normal, nem é um caso simples. É um caso grave e, portanto, merecia, como foi dito, que fosse transparente, fosse bem explicado, para se partir para as eleições de outra maneira. E o que me impressionou muito na apresentação de Medina foi que ontem foi resolvida a votação, anteontem, que este vereador, não, este funcionário, o responsável pela proteção de dados.

Luís Feliciano.

Luís Feliciano estava oficialmente exonerado e eu já tive a oportunidade aqui de manhã. Impressionou-me que Fernando Medina tivesse feito uma apresentação com aquela pompa e circunstância, porque o momento que o país vive não é para aquilo e sobretudo o momento que a Câmara de Lisboa e o Medina vivem não é para isso. Se calhar estou a ser aqui muito rigoroso, se calhar até estou um bocado a exagerar, mas tenho a impressão que se fosse comigo, teria alguma vergonha em entrar numa apresentação com uma música triunfal, a acenar ao público, um cenário magnífico, como se isso, como veem, aqui estou eu, resolvi tudo, não é nada comigo, isto da proteção dos dados da Câmara de Lisboa. E portanto, cá estou eu. Fiquei impressionado com essa apresentação, como fiquei impressionado com duas ou três coisas. Já agora, se puder dizer, o Miguel Pinheiro já falou, que foi Lisboa pagar à classe média, Lisboa é uma câmara rica e portanto pode pagar tudo e mais alguma coisa. E outra, que é uma promessa que o Medina deixa, que é fazer tudo para fixar os jovens em Lisboa. Ora, esta devia ser uma estratégia do governo para o país inteiro, que é fixar jovens

No país inteiro que não se consegue. E se há cidade que concentra jovens e que fixa jovens é Lisboa. Em Portugal há duas alternativas: os jovens ou vão para Lisboa ou vão para o estrangeiro. Alguns vão para o estrangeiro, os que não vão para o estrangeiro vão para Lisboa, porque é aí que estão as grandes empresas, as grandes multinacionais, as grandes oportunidades de emprego. Portanto, não percebi também esta promessa que Medina fez.

Rui Pedro Antunes, já descobriste quem é o vereador mistério? Como é que se vai chegar lá?

Quem me dera, Carla.

Chega Hercule Poirot agora à nossa antena.

Estamos a imaginar tudo. Luneta.

Não, nada disso. Estavam a sugerir uma trilha. Vocês se calhar são todos mais novos que eu, ou pelo menos aparentam.

Claro que sim.

Havia aquela personagem da tieta, a Dona Milu, que dizia: "Mistério". Acho que é o que se passa aqui, porque de facto os vereadores dizem todos que votaram de uma maneira que efetivamente não votaram. Mas o que para mim aqui é fundamental é que isto de facto mostra que Fernando Medina tem tudo no bolso. Ele está altamente confortável, mesmo isto que o Júlio dizia, a forma como apresenta. Eu ontem vi aqueles memes da internet e vi naquelas figurinhas todas lá atrás, porque ele tinha uma série de militantes do PS e pessoas lisboetas, etc., lá atrás no ecrã, e uma delas substituiu uma pessoa pela cara do Putin. Ele não falou disso. O Medina não falou disso. Ninguém lhe perguntou efetivamente sobre isso cá fora. O caso parece que já passou. Portanto, o Medina quando quer põe toda a gente no bolso. Mas mais grave do que isso é: de facto o bloco apoia o Medina no executivo e podia ser uma salvação para o Fernando Medina neste caso, mas desde logo o PCP veio salvá-lo com duas abstenções e como se não bastasse, houve ali um voto, que eu não sei se foi comprado, se foi negociado, se foi por convicção, que ninguém sabe de onde é que vem. O bloco anunciou dias antes que não ia votar daquela forma, fez uma declaração de voto a dizer que não ia votar daquela forma. O PSD fez o mesmo.

Que não iam abster-se, já agora.

Exatamente. E a grande questão aqui é: há aqui a ideia de que a direita desconfia entre si, ou seja, o PSD acha que foi o CDS e o CDS acha que foi o PSD. Portanto, nem sequer atribuem as culpas ao bloco deste voto. Eles estão juntos numa coligação contra Fernando Medina. Assim, de facto, eu olho para Carlos Moedas e tenho um bocado de pena dele, porque os dois partidos que fazem parte da coligação andam assim em Lisboa. E o que é certo é que Fernando Medina conseguiu aquilo que queria, que era exonerar um funcionário. E isto não é novo sequer. Recordo-vos que quando foi a questão da continuidade do Manuel Salgado na Sociedade de Reabilitação Urbana, o Bloco de Esquerda saltou fora e logo Teresa Leal Coelho, vereadora do PSD, assegurou a Fernando Medina que Manuel Salgado podia continuar ou ir para a Sociedade de Reabilitação Urbana. Desta vez não se percebe de onde é que veio o voto. Percebe-se que provavelmente foi da direita. No texto da Mariana Lima Cunha dá para perceber que também houve uma série de vereadores que se fizeram substituir. Num assunto desta importância e nem sequer estão lá os vereadores que foram eleitos mais diretamente, tiveram que se substituir. Isto tudo é um grande mistério. Mais uma vez mostra que o Fernando Medina está feito-

Era uma coisa que já tinha acontecido naquela sessão na assembleia para votar se Luís Feliciano era ouvido ou não. Quando é feito o voto, os deputados do CDS não estavam dentro da sala. Tudo isto é assim uma coisa...

Tudo muito digno.

É muito estranho, porque por um lado a auditoria externa, que é do CDS, teve o apoio do PS. Mas, por outro lado, na altura de se discutir que a auditoria incluísse uma espécie de audição televisionada pelo Luís Feliciano, para que efetivamente houvesse ali alguma transparência no momento da inquirição do encarregado de dados da câmara, isso foi depois chumbado. E portanto, aí Fernando Medina conseguiu sempre o que queria. Eu pergunto-vos se algum de vocês acredita que o Fernando Medina não ganha no dia 26 de setembro. Eu acho que é impossível. Aliás, ontem na apresentação, só para terminar, já percebi que não se percebe muito bem onde é que acaba o governo e começa a câmara. Quando o Fernando Medina foi falar à assembleia, houve uma coisa curiosa, que foi eles utilizarem um placar e como não tinham lá nenhuma sigla, puseram "gov". E eu acho que há uma grande confusão. Isto é tudo PS, não há volta a dar. O António Costa foi lá dizer que o passe social foi o Fernando Medina e o Eduardo Vitor.

Já agora, Rui. Já se disse aqui duas vezes que a Câmara de Lisboa é rica. Eu ia corrigir isso, talvez. A Câmara de Lisboa só é rica porque o orçamento de Estado tem transferido verbas ou paga coisas que depois Fernando Medina ergue como bandeira sua, e os passes são uma delas. Atenção que o custo da redução de passes é suportado pelo orçamento de Estado, com 120 ou 130 milhões por ano. Negócios como aquele que foi feito entre a Segurança Social, que foi denunciado pelo Tribunal de Contas, que aliás causou a ira de Fernando Medina, de transferência de imóveis da Segurança Social para a Câmara de Lisboa, também saem dos bolsos, neste caso, dos pensionistas.

Imóveis para a renda acessível.

Para a renda acessível. Portanto, assim também eu tenho uma câmara rica.

Com a chave e dizer: "Têm aqui as vossas casas." Foi a câmara. E de facto, a parte da reabilitação foi a câmara, mas antes houve esse jeitinho da Segurança Social.

Da Segurança Social, cujo patrimônio é de todos os pensionistas atuais e futuros. O dinheiro da Segurança Social não é dinheiro secreto de Estado. Exatamente.

Estamos a falar de propostas a quatro anos de as famílias jovens vão ter creches gratuitas

Até 2025.

Mas espera, isso das creches e dos jardins não tinha sido já uma promessa do governo e aprovada no Orçamento de Estado?

Certo.

Já agora, não falamos de outra coisa. Não falamos da quantidade de impostos ou as ramas, nomeadamente, que a Câmara Municipal de Lisboa recebe, porque há muitas empresas que têm sede em Lisboa, mas não têm praticamente cá funcionários. Têm atividade noutras zonas do país e a Câmara de Lisboa beneficia porque é a capital do país. A Câmara de Lisboa beneficia de receitas, que no fundo nem sequer são receitas dela. A câmara municipal não poderia ter os 13 mil ou 14 mil funcionários que tem, se nós não lhes somarmos os funcionários da Carris e de todos os outros funcionários que nós poderíamos somar à Câmara de Lisboa, mais EGEAC, mais tudo isso. Que é um exército que não acaba. É preciso ter em consideração isso. E também é preciso, já agora, que o PCP não passe sempre entre os pingos da chuva, porque o PCP absteve-se. O PCP primeiro garantiu que não fosse ouvido Luís Feliciano, depois garantiu que ele fosse demitido, e o PCP tem aqui a responsabilidade, porque qual é o negócio do PCP? Qual é o interesse do PCP? Por que o PCP está a fazer isto? O que isso tem a ver com aquilo que claramente vai acontecer, que é o PCP viabilizar o próximo Orçamento de Estado? O que isso tem a ver com o jeito que o Partido Socialista fez na Assembleia da República de dar ao PCP algo que já pôs o Francisco Assis a protestar, que foi modificações nas leis laborais contra o que tinha sido negociado na Conferência Social, que era uma das raríssimas linhas vermelhas que o PS não tinha até agora cruzado, não tinha rompido desde que governa há praticamente seis anos.

Portanto, há aqui muitas questões e muitos mistérios. Nós temos de mudar de tema e vamos só dar as notas. Rui Cadete, suspeito que vais dar nota positiva a Fernando Medina. É por aí a tua análise?

Eu dou um 17 a Fernando Medina. Ele até manda nos vereadores da oposição. Tem o António Costa ao lado dele com a torneira do ouro aberta a dizer: "Dá para aí creches às pessoas." Está tudo feito.

É um 17 para Fernando Medina. Sara, e a tua nota e o teu vencedor?

Eu dou um 15 ao vereador mistério, numa altura em que se diz que não há segredos e que é impossível não se saber exatamente o que acontece nos bastidores das decisões políticas. Aí está, num assunto destes, há alguém que se absteve, que ajudou e deu a mão ao Fernando Medina e que vai conseguir passar estes dias, provavelmente, sem ter de assumir esse seu voto. Portanto, parabéns.

E por isso vale um 15 esse vereador sem rosto. Júlio, a tua nota?

Eu acompanho, 17. O Fernando Medina tem tudo controlado.

Está tudo controlado. José Manuel Fernandes, não sei se queres dar nota nesta matéria ou se no próximo tema.

Vamos no próximo tema.

Vamos então ao próximo tema e o Paulo Ferreira está aqui muito interessado no líder da oposição e na preocupação com o ânimo do governo.

E com a preocupação que ele tem com o país. Mas parece que sou eu que ainda me indigno com estas coisas. Ontem eu estava a ouvir Rui Rio a fazer a sua análise de se quer o governo, e então basicamente Rui Rio disse o seguinte ontem, e vou citar: "É evidente que o governo está desorientado, com problemas de relacionamento e sob um desgaste brutal." Isto é um diagnóstico que eu diria normal de um líder da oposição perante tudo aquilo que vai acontecendo e que se vê por aí fora. Os factos estão aí. Ora bem, perante isto, um líder da oposição logo a seguir devia tirar a conclusão óbvia. Quer dizer, eles não servem para governar por tudo isto, está à vista, não servem para governar e nós cá estamos para os substituir. Nós, líderes da oposição, primeiro partido da oposição, estamos cá precisamente para isso. Bom, mas não, não aconteceu nada disso. O líder do PSD ainda foi mais longe na sua declaração. Disse: "Parece-me evidente que o governo precisa de uma remodelação. Quanto mais rápido, melhor." Aqui Rui Rio está no papel de conselheiro, quase, de António Costa, dizendo o que ele há de fazer. Parece o adepto do clube de futebol a falar da sua própria equipa, a dizer que as coisas não estão a correr bem, que o treinador devia utilizar esta tática e aquela, devia substituir aquele defesa e colocar um centro-campista. É assim que se diz, Júlio? É.

Um centro-campista. O guarda-redes também não está a funcionar bem. Ora bem, e tudo isto para terminar da seguinte maneira: Rui Rio diz que é necessário, cito, isto foi Rui Rio ontem mesmo, está gravado, as televisões têm imagens, não pode haver dúvidas nisto: "É necessário que o governo ganhe um novo ânimo, dinâmica e organização." Ora bem, Rui Rio logo a seguir disse que está preocupado com o país, obviamente. Portanto, para Rui Rio, a receita certa para Portugal: PS a governar, liderar por António Costa, com uma remodelação lá. Saem uns ministros, entram outros, depois o Rui Rio não se mete nessas coisas de mercearia, aí já não vai. Mas ele diz que, de facto, é preciso que o governo tenha um novo ânimo, dinâmica e organização. Mas o que é isto? Rui Rio é líder da oposição há três anos e meio. Já cumpriu quase um mandato de uma legislatura enquanto líder do PSD. Se não está pronto para governar neste momento, perante este contexto, que se vá embora. Ó Paulo, tens toda a razão, ele é líder da oposição, mas é líder da oposição ao Conselho Nacional de Jurisdição do PSD, porque ele acabou de recorrer contra o Conselho Nacional de Jurisdição do PSD para o Tribunal Constitucional. O Conselho Nacional de Jurisdição do PSD tomou algumas deliberações, designadamente uma questão

Da máxima gravidade, que é uma anterior comissão concelhia aqui no meu concelho, nem sei quais são os personagens, por causa dos gastos na campanha eleitoral para as autárquicas há quatro anos. Uma questão, como deves imaginar, da maior gravidade. Parece que foram excedidos os gastos nessas eleições autárquicas. E então, o Rui Rio quer congelar o pagamento das quotas aqui dos militantes do PSD.

Todas as coisas importantes, não é?

E o Conselho Nacional de Jurisdição disse que foi uma concelhia diferente da atual, foi outra, gastou dinheiro a mais e a atual concelhia não tem que ser penalizada pelos erros da concelhia anterior. E ele vai para o Tribunal Constitucional. Ele entretém-se com estas guerras internas, a fazer oposição aos seus militantes, às suas concelhias, aos seus vários órgãos. É apenas um caso, acho que há mais três ou quatro guerras internas. Três ou quatro não, três ou quatro é aquelas que chegam aos jornais, deve haver muito mais. E entretanto vai dando conselhos de bancada.

Eu acho que isto é a capitulação. Quando um líder da oposição, neste contexto, estamos a falar de um governo que é minoritário, não nos esqueçamos disso. Passado três anos e meio de oposição, no contexto que nós temos, uma crise com vários ministros, com a performance que se conhece. Já ontem falámos isso aqui. Portanto, António Costa não precisa de se preocupar. Rui Rio abdica, de facto, de ser alternativa. Não conseguiu construí-la até agora. Num momento destes, a única coisa que ele consegue ver de bom para o país é que António Costa remodela o seu governo, que tira as peças, os elos fracos do governo, os ministros que de alguma forma são incompetentes, que estão metidos em casos, porque o governo precisa de um novo ânimo, dinâmica e organização, cito mais uma vez, porque é isso o melhor para o país.

Ontem soubemos que o país tinha sido o segundo país da Europa a dar menos apoio em termos de apoio às pequenas e médias empresas. Ontem vimos, o PSD tem alguém que apesar de tudo comenta com cabeça, tronco e membros, o que se passa na área da pandemia, que é Ricardo Baptista Leite. Nunca vemos Rui Rio a secundá-lo.

A única coisa que Rui Rio fez a esse nível é que apoia as medidas do governo.

Sim, mas Ricardo Baptista Leite tem criticado.

Claro.

Mas Rui Rio nem sequer é capaz de ouvir o que diz a pessoa que sabe alguma coisa da matéria, até porque é médico nesta frente. Estou só apenas a dar esses exemplos. Havia muito mais outras coisas.

Como dizia o Carlos Queiroz...

Fazer oposição.

Mas não.

Rui Rio faz lembrar o Carlos Queiroz: o importante é que ninguém se aleije.

Julião Magalhães, também achas que Rui Rio ainda não se libertou destes problemas internos no partido?

Não, não se libertou dos internos e dos externos. Eu reconheço em Rui Rio uma coisa. Ele tentou trazer para a política portuguesa uma nova roupagem, que era o país está primeiro e trazer uma ideia nova de política. Não conseguiu. Ficou muito refém do governo, Rui Rio.

Ficou só pela roupa mesmo? Porque só a roupa não chega, depois é preciso que haja alguma coisa dentro, não é?

Claro, exatamente. E António Costa tem o Bloco de Esquerda e o PCP reféns dele e sabe que no dia em que eles falharem, Rui Rio está pronto ali ao lado para segurar o governo. E portanto António Costa apanhou o melhor dos dois mundos, foi ter refém à direita e reféns à esquerda. E Rui Rio quis fazer uma nova forma de política em Portugal e falhou completamente, como tentou fazer dentro do partido e falhou completamente. Este caso de Vila Nova de Gaia é um caso típico em que ele quis um candidato e a concelhia não deixou, ponto final. E vai o candidato que teve 20% há quatro anos e Rui Rio já disse que agora a concelhia que se arranje. Acho que foi aquilo que eu já disse aqui há uns dias, a seguir às autárquicas, Rui Rio sai do PSD e sai da política porque esta política não é para ele, ele não se adaptou à forma de fazer política em Portugal.

Já tinhas dito isso, de facto. Julinho, queres dar uma nota nesta matéria? Desculpa, estou a interromper-te mesmo, mas é para aproveitar o timing.

Acompanho muito o que vocês têm dito e o Paulo Ferreira, de facto, Rui Rio ontem voltou a não estar bem porque acho que já capitulou mesmo e é um oito.

É um oito para Rui Rio. Paulo Ferreira, a tua nota?

Dou-lhe um quatro. É aquele que chumba, não é, Zé Manuel? Tu é que sabes isso. Chumba direto, não é?

Exatamente. É o chumbo direto. O quatro era o chumbo direto. Quando se tinha quatro, chumbava-se diretamente. Eu acompanho-te, Paulo. Também dou um quatro.

Fica também então aqui.

Já não há hipótese de nova.

Já não há segunda chamada, não há nenhuma hipótese. Aqui fica então mais um outro quatro para o líder da oposição. Está feita a ronda pelos vencedores desta terça-feira. Há uma nova análise amanhã. Até lá.