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E o Vencedor é das manhãs, 360 até perto das 9. Damos notas aos protagonistas da atualidade e pra isso, Carla, esta quinta-feira estão conosco Alexandre Machado, o José Manuel Fernandes e o Miguel Santos Carpatoso. Esta manhã vamos à prevenção rodoviária, ao negócio das fragatas e também à festa. Paulo, o eclipse foi um bom eclipse?

Foi um bom eclipse, foi um bom espetáculo. Acho que toda gente gostou. E eu queria, de facto, falar da organização desse espetáculo de ontem. Reparem que mostrou uma capacidade de planeamento a longuíssimo prazo, que é raríssima ou até impossível entre nós. Nós já sabemos quando é que vão ser os próximos eclipses, e sabíamos deste com uma grande precisão. Houve um cumprimento absoluto de prazos e de horários, ao minuto certo a coisa aconteceu.

É contratá-los já.

Mas é isso. E as percentagens de visibilidade ou de ocultação do sol foram cumpridas à risca, independentemente do lugar do território. Entregaram aquilo que prometeram. Não andaram cá a dizer: "Vai acontecer isto e aquilo", mas depois ou há atrasos, ou a coisa fica pela metade, e por aí fora. Não se esqueceram do assunto na gaveta. Tiveram atenção à coesão social. Todos tiveram acesso, ricos e pobres.

E no interior.

No interior. Já lá vamos, isso é um ponto importante. Isso mesmo, Alexandra.

Ouvi ontem.

O investimento era baixo, €3 uns óculos, e portanto, coesão social aqui neste evento. E lá está, como diz a Alexandra, foi um ato de forte descentralização. Bragança foi a região mais beneficiada e isso sentiu-se logo na economia da região. Há pouco ouvimos a presidente da Câmara de Bragança a dizer isso. O turismo, o comércio, a restauração, por aí fora, mais o apetite que abrirá às pessoas que lá estiveram só dois ou três dias a voltarem lá. Isto mostra que quando se criam condições pra isso, as regiões respondem e a economia regional responde. E depois, por último, eu acho que é importante não em termos económicos, mas em termos de ânimo coletivo, os organizadores deste evento puseram todo o país de cabeça erguida. E, portanto, a nossa autoestima coletiva.

Estás muito inspirado.

Não, eles é que se inspiraram.

Para uma quinta-feira, 13 de agosto.

O Paulo ficou iluminado ontem à tarde. Acabávamos já com o Vencedor.

A nossa autoestima coletiva não é a melhor, nós sabemos, temos uma grande capacidade de autoflagelação, de que este programa específico é a exceção, como sabemos. Nós aqui só dizemos bem.

Só vencedores.

Só vencedores. Somos um país muito cabisbaixo, mas esses organizadores souberam deixar toda a gente de costas direitas. Olharam em frente e pra cima, como deve ser. Eu queria dar aqui um vinte ao Sol e à Lua, que não desfalharam, e eu acho que eles deviam constituir um partido e concorrer às próximas eleições com isso tudo.

Achas que o ministro Gonçalo Matias está em perigo, ou não?

Eu acho que pode estar, porque se ele não coloca de facto o Estado a funcionar a tempo e horas, podem vir aqui estes grandes organizadores que cumprem esta lista toda. E lá está, não houve burocracias aqui, repararam? O Sol e a Lua não andaram a pedir o papel e não sei o quê.

Conseguir uns óculos daqueles. Criou alguma burocracia.

É verdade.

Já agora, Paulo, deixa-me acrescentar aqui uma colherada. Houve aqui protagonistas que merecem a nossa nota negativa. Isto aqui leram um take da Agência Lusa, onde se pode ler que as aves calaram-se e mamíferos permaneceram tranquilos durante o eclipse nos Jardins Zoológicos de Lisboa. Pedia-se mais aos mamíferos. Pedia-se mais qualquer coisa. Estávamos à espera que fizessem coisas extraordinárias e limitaram-se a fazer o que fazem todos os dias. Era suposto.

É verdade, concordo. Houve ainda uma ameaça a isto, que eram as nuvens do fim da tarde, pelo menos no litoral. O IPMA mostrou algum receio em relação a isso, mas os organizadores até isso conseguiram resolver.

Só tornou o momento mais épico.

É isso. E só depois do eclipse ter terminado é que, pelo menos no litoral, ali na zona da Praia Grande, onde eu vi, é que as nuvens apareceram. Tudo muito bem programado.

Um eclipse por ano.

Sim, ponham os olhos nisto.

O bem que nos fazia. Um por dia.

Um por dia. Um eclipse por dia.

Espera-se o mesmo nível de transparência, Alexandra, no negócio das fragatas que o Estado português vai adquirir?

Espera-se algum nível de transparência e que não sejam precisos óculos especiais para ver essa transparência. O assunto passa como o tema das fragatas. Já se convencionou agora o caso. Agora é tudo casos. O tema das fragatas, mas eu penso que terá muito pouco a ver com o equipamento em si, mas mais uma guerra política entre CDS e Chega. Neste momento, acho que é nesse plano que a coisa se está a pôr e é nesse campo que o tema pulula.

E avança.

E avança. Não sei se avança, mas pelo menos pulula. Um resumo rápido. O Estado português assinou em julho com o Estado italiano a intenção de compra de três fragatas italianas, o estaleiro construtor, a ver se o meu italiano ajuda nisto, é a Fincantieri, e com um custo anunciado de 3,9 mil milhões de euros. O acordo é feito ao abrigo do Safe, que é um instrumento europeu que concede empréstimos aos Estados-membros para compras na área da defesa. Portugal pode pedir um máximo de 5,8 mil milhões e, entretanto, o jornal 24 horas noticiou que uma empresa portuguesa, a NTG teria ao longo de vários meses alegadamente intermediado o acordo para a compra das fragatas e que no final tinha sido retirada do processo, perdendo comissões de 90 milhões. André Ventura e Pedro Frazão, ambos do Chega, comentaram esta notícia do 24 horas em termos que Nuno Melo, ministro da Defesa, ou Nuno Melo, presidente do CDS, considerou insultuoso e distribuiu processos em tribunal contra André Ventura, Pedro Frazão e o jornal 24 horas. Na realidade, creio que é a primeira vez que vejo ministro insultado e a processar alguém por uma comissão que não foi paga. E este é o caricato desta história, que cavalgou-se este tema sobre uma comissão que deixou de ser paga a um intermediário. Normalmente, estes casos acontecem pelas comissões pagas. Neste caso é diferente. Mas o que terá irritado então mais Nuno Melo? A comissão que não foi paga? O facto de, por causa desta compra, ter sido recordado pelos deputados do Chega o caso dos submarinos comprados no tempo de Paulo Portas, também do CDS, enquanto ministro da Defesa? Já agora, esse caso dos submarinos foi investigado pelo Ministério Público. Paulo Portas nunca foi constituído arguido e a investigação acabou arquivada. Mas o que é que ainda terá irritado mais Nuno Melo? O facto do Chega estar a capitalizar em cima de algo que o CDS poderia extrair para benefício próprio e apontando como fruto seu esta compra considerada já relevante pela Marinha Portuguesa? Enfim, questões que ficam para Nuno Melo. O Chega, já se sabe, usa e abusa deste expediente. Basta uma parte de alguma coisa para fazer todo um filme e lançar dúvidas sobre tudo e sobre todos. E o Chega também só agora é que diz que vai chamar o ministro da Defesa ao Parlamento, enviou questões no início desta semana ao Ministério da Defesa. Recordo que o PS enviou questões ao ministro da Defesa sobre este processo a 25 de julho, cinco dias depois de Montenegro ter anunciado com a Meloni o acordo. É verdade que ainda não houve respostas, mas o Chega precisou de uma notícia de jornal para fazer questões. O PS precisou de um acordo anunciado. Claro que há muitas questões neste processo e ainda há muitas dúvidas que o Ministério da Defesa tem que responder, nomeadamente porque se está a fazer este contrato para três fragatas e se gasta neste único contrato 67% do valor total que Portugal pode buscar ao SEIF. Não haverá outras necessidades? Eu estou mesmo a questionar isto. Não tenho resposta para isto, obviamente, mas gostava de explicações do Ministério da Defesa sobre este valor tão elevado de gasto nestas fragatas. Sobre o tema Chega versus CDS, gostava também de ouvir a tal empresa, a NTG, que ainda não emergiu, a dar explicações sobre o assunto, mas também já agora Nuno Melo, prontamente na televisão, disse que não conhecia a NTG de lado nenhum. A NTG é um dos fornecedores históricos do Ministério, do Ministério não, dos ramos do Exército, nomeadamente, e da Marinha. Não tem grandes contratos de volume, mas é um dos fornecedores de há muitos anos da Marinha, nomeadamente, e do Exército. Portanto, também começar logo a dizer que não conhece a empresa de lado nenhum. Enfim, bastava se calhar ter ido ao Portal Base. Dito isto e para concluir, Nuno Melo fez deste caso uma guerra CDS-Chega. Mais uma vez, o CDS está a tentar dar o seu sinal de vida. A luta entre o ministro e os deputados deve ser feita no Parlamento e nas urnas, não em tribunal. E já agora, para o Chega, muito menos nas redes sociais, que é onde o Chega normalmente faz as suas lutas mais agressivas.

É aquilo que importa.

Claramente, e mal. O Chega, neste caso, atuou obviamente como sempre. Também percebo que temos que deixar de ter esta coisa de como o Chega vai sempre às redes sociais, acabamos por desvalorizar. Não, temos que contrariar esta forma de atuação do Chega e denunciá-la. Independentemente disso, o escrutínio tem mesmo de ser feito, obviamente, e eu acredito que irá ser feito, o Parlamento irá fazer esse escrutínio, as comissões técnicas irão fazer esse escrutínio e mais do que isso, a Comissão Europeia vai fazer esse escrutínio, porque o SEIF tem que ir sendo, em menor escala, mas é como o PRR, tem que ser dando conta mês a mês do que se está a fazer. Portanto, para este caso todo, dou uma negativa à Nuno Melo e ao Chega. Mais, enfim Tendencialmente mais ao Chega por este modus operandi, mas Nuno Melo tem que responder essencialmente no Parlamento e nas urnas, não tanto em tribunal.

Então a negativa é igual para os dois?

Vou fazer uma nota conjunta de 3,9, que é o valor das fragatas.

Pronto, muito bem.

É sempre científico.

Há sempre razões muito científicas para a avaliação aqui e o vencedor é. Miguel, o Ministro da Administração Interna convocou ontem uma conferência de imprensa para falar de uma guerra civil nas estradas e a querer criminalizar, nomeadamente o excesso de velocidade.

Talvez o grande anúncio de Luís Neves é a possibilidade de tornar um crime a circulação a 180 km/h nas estradas e a partir daí, naturalmente. Talvez imbuído pelo eclipse e pelo evento extraordinário a que todos assistimos, é o momento para elogiar Luís Neves. Foram semanas muito difíceis para o ministro da Administração Interna. Acho que ontem merece o nosso elogio. O governo está aparentemente a lidar com a seriedade que o tema obriga. Sei que foi tema de um Contracorrente há um par de meses, mas nunca é demais lembrar os dados. No primeiro semestre de 2026, houve um total de quase 18 mil acidentes, quase 250 mortes na estrada, mais de 1300 feridos graves. Isto representa um aumento substancial em relação ao período homólogo, portanto, ao primeiro semestre de 2025. Acho que toda a gente compreenderá que é preciso fazer alguma coisa. Esta medida agora anunciada, pelo menos a intenção agora anunciada, parece-me ir no bom sentido. Haverá outras e terá de haver outras, nomeadamente no que respeita às zonas urbanas, que concentram incrivelmente a maioria dos acidentes. Cerca de 64% dos acidentes foram em zonas urbanas, com muitas vítimas mortais e muitos feridos graves. Portanto, terá de haver uma atenção particular às zonas urbanas, também às estradas nacionais e às autoestradas. É evidente que o governo ou o Estado, neste caso, não pode sentar-se ao volante de cada um dos automóveis. Há um grande esforço ou tem de haver um grande esforço de consciencialização para o que deve ser a condução em segurança. Mas o único mecanismo que está ao dispor do Estado e o governo, neste caso, é não só a prevenção, mas também, sempre que se justifica, a aplicação de multas e de penas pesadas para quem usa a estrada sem se preocupar com os outros e sem se preocupar com a sua própria segurança. Portanto, Luís Neves parece-me que está a lidar com o empenho necessário com este tema e se é verdade que nas últimas semanas não foi notícia pelos melhores motivos, merece o nosso elogio quando mostra iniciativa nesta matéria.

E agora já com o anúncio de um reforço da fiscalização das estradas neste fim de semana, que serão mais difíceis.

Eu acho que esse é que é verdadeiramente o ponto. Eu lembro que a partir de uma determinada taxa de álcool, é crime.

Sim.

E não é por isso. Infelizmente, continua a haver muitos acidentes provocados por excesso de álcool.

Muita condução sob efeito de álcool, claro.

Certo. Tirar uma notícia assim isoladamente, acho que não é suficiente, claramente.

É simbólico.

Isoladamente, é preciso mais, na realidade.

Sem utilizar o termo juridicamente, de facto, é criminoso andar a mais de 180 km/h, onde quer que seja.

Mas nós quando atravessamos a fronteira e vamos para Espanha, diminuímos logo a velocidade, porque sabemos que as multas são muito altas.

E sabemos que a fiscalização lá é mais frequente.

E que a fiscalização funciona.

É mais a presença da fiscalização. Eu não estou contra criminalizar-se quem conduz a mais de 180 km/h. O que eu acho é que dos dados da sinistralidade, parece-me que existe pouca informação sobre as causas. Sabemos genericamente que é por álcool, velocidade.

Excesso de velocidade, manobras perigosas, usar telemóvel.

Mas genericamente. Ou seja, sabemos por intuição ou porque conhecemos casos, ou porque é dito pelas seguradoras, mas a estatística fina não a temos. E era importante também, quando se está a rever o Código da Estrada, ter essa estatística fina.

A Alexandra agora quer transformar isto num país decente, tomar decisões de políticas com base em dados e em factos.

É o eclipse, é a hora do eclipse, Paulo.

Não sei até onde é que vai levar isto.

José Manuel, o que diz a isto?

Estava a dizer que uma das coisas que temos que perceber também, eu creio que grande parte dos feridos graves e dos mortos, outras vezes que eu olho para os números e isso era muito evidente, são peões atropelados e motociclos. E nesse domínio, às vezes nós esquecemo-nos de tomar as precauções devidas. Há muitas passadeiras que não estão devidamente sinalizadas, há muitas pessoas, os peões também cometem infrações e sobretudo, eu creio que na área dos motociclos há imenso a fazer. Quer naqueles que são muito potentes, quer naqueles que, sobretudo nas estradas secundárias, são muito antigos e são atropelados por pessoas também de muita idade. Mais uma vez, para isso precisamos de mais dados, coisa que não temos.

Pois, é precisamente por isso. As zonas urbanas são onde há mais sinistralidade. Imagino que a velocidade seja um fator e não é os 180 km/h.

30 ou 40.

Exato, até uma velocidade muito menor do que isso. Tem que se pensar bem nas zonas urbanas. Os atropelamentos, como o José Manuel estava a dizer, aumentaram brutalmente.

121,4% no primeiro semestre de 2026.

Exatamente. Mais uma vez, não é os 180 km/h que estão aqui em causa. A única coisa que eu estou a questionar é: foi anunciada essa única medida. Eu acredito que não seja a única, obviamente, até porque há uma consulta pública que já estava a decorrer antes de Luís Neves chegar ao ministério sobre a sinistralidade. A consulta pública creio que até será o primeiro momento que dará origem depois à alteração do Código de Estrada. O meu ponto é esse, é que de facto há outras causas que têm que ser vistas, e nomeadamente estas duas ideias: os atropelamentos estão a crescer brutalmente e os acidentes em zonas urbanas também.

Que não é um problema dos 180 km/h.

Independentemente de haver um problema dos 180 km/h.

Miguel, uma nota positiva para Luís Neves.

Concordo perfeitamente com a Alexandra, até pelo que os números nos dizem. O grosso do problema estará nas zonas urbanas e parece-me que foi uma medida simbólica, até porque vem aí um fim de semana muito importante com muita gente a deslocar-se, ora a regressar de férias, ora a ir de férias, vai haver também muita fiscalização nas autoestradas.

O dia 15 de agosto, depois de amanhã, costuma ser o dia com mais trânsito no país.

Parece-me que foi essa a intenção de Luís Neves. Logo veremos o novo Código da Estrada e que medidas globalmente serão adotadas, mas pelo sinal que deu, pela atenção que está a dar ao tema, uma nota positiva, um 15 para Luís Neves.

Já agora, deixa-me só dar uma nota, que eu acho assustador, nos últimos anos, o número de acidentes registados nas faixas etárias mais baixas. Entre os 20 e os 34 anos, algo assim. Cresceu muito os acidentes nessas faixas etárias e eu acho que os acidentes e conflitos mortais deveriam ser alvo de uma reflexão grande.

E irmos além da intuição, que pode ser o telemóvel, por exemplo. José Manuel, compreendes os protestos que estão a haver contra a passagem da Volta a Portugal em bicicleta pela zona do Gerês, nomeadamente a Mata de Albergaria, penso que é por aí a maior crítica.

Sim, quer dizer, compreendo e não compreendo. Vamos lá ver. Eu não acho mal que a Volta passe por aí. Basicamente, o que estamos a falar é de uma estrada que vai das Caldas de Gerês à fronteira da Portal do Homem e depois a Volta entra em Espanha e regressa a Portugal pelo vale do rio Lima, um pouco mais a norte, pela zona de Lindoso. Ora bem, nós conseguimos outras Voltas na França, em Espanha, em Itália. Temos a ideia muitas vezes que a própria transmissão das paisagens e das imagens é importante para a perceção do que são esses países e do que são algumas das regiões desses países. A zona que a Volta vai atravessar é uma zona sensível e que hoje está, porventura, sob uma pressão excessiva. Eu conheço bem aquela região desde há muitos anos. Por acaso já não vou lá há uns tempos. É uma zona que, sem dúvida, por exemplo, não pode ter pessoas à beira da estrada enquanto a Volta passa. A Volta tem que passar, de alguma forma, entre ninguém, mas eu creio que o principal problema que ali haverá não tem a ver com a passagem da Volta, mas sim com a regulação daquilo que é a utilização daqueles espaços pelo público em geral.

Agora durante a Volta, dizes tu?

Não.

De uma forma genérica.

Sobretudo durante o verão, porque há uma procura muito grande de uns espaços que são maravilhosos, lindíssimos, designadamente zonas de piscinas naturais que são ocupadas literalmente pelas pessoas neste período e as pessoas não têm os cuidados que deveriam ter. E sobre isso, inclusivamente, o número de pessoas que podem estar nesses espaços, as condições em que os fazem, os percursos percorridos, a forma como a sua própria ida àqueles locais lhes pode servir para aprender, porque deveria haver quadros que explicam o que está em causa, o que é aquilo.

Um centro de interpretação, basicamente.

Há ali alguns percursos naturais já desenhados, sobretudo para andar a pé. Há passagens, inclusivamente um caminho de Santiago que passa por aquela zona, não exatamente por essa estrada, por uma outra ao lado, pela zona onde há a geira romana. Tudo isso é muito relevante. Agora, eu acho que a medida importante, a medida difícil é Porventura evoluir nos parques naturais para algo que eu vejo, por exemplo, nos Estados Unidos, que têm parques nacionais muito mais antigos, e que é o você ser pago.

Para ilimitado número de pessoas lá.

Exatamente.

Consegues controlar isso? Só podem estar 1000 pessoas lá dentro, por exemplo.

Há uma catila à entrada, você é pago. E não só. Eu lembro-me, por exemplo, quando visitei o Grand Canyon e desci, não fui completamente lá baixo, mas quase, 1300 metros para baixo, 1300 metros para cima, foi um dia intenso.

Cansativo.

Um pouco cansativo, mas inesquecível. Houve 20 graus de temperatura entre cá em cima e lá embaixo, mas independentemente disso, havia uma coisa sagrada: não podíamos deixar uma beata pelo caminho. Tudo o que levássemos para baixo, tínhamos que trazer para cima. Havia rangers que de vez em quando passavam por nós e isso era draconiano. E uma das coisas que acontece em muitos visitantes destes espaços naturais é que deixam lixo. Simplesmente não são civilizados. E eu acho que inclusivamente criar com condições, é evidente, por exemplo, os moradores locais, as pessoas do distrito ou do concelho têm o acesso gratuito. Os outros podem comprar um passe anual, enfim, há imensas formas, mas isto cria uma receita que inclusivamente permite resolver muitos problemas que estas áreas naturais têm e que não conseguem resolver, não só na área da proteção da natureza e da conservação, mas na área da prevenção contra incêndios, que tem havido quase todos os anos no Parque Nacional da Peneda-Gerês, alguns deles gravíssimos. A zona que vai ser atravessada, que é a Mata de Albergaria, que é uma mata de carvalhos maravilhosa, foi já atingida marginalmente, mas há outras matas nos Gerês que sofreram muito. E eu acho que esse passo, que é um passo pouco popular.

Devia ser dado.

Devia ser dado e não apenas naquele local.

Eu só fiquei com água na boca sobre a questão concreta da passagem da volta, mas se calhar amanhã volto ao assunto.

Muito bem, amanhã falamos.

A passagem da volta é hoje.

É hoje, mas amanhã podemos falar disso.

É porque já estamos para lá da nossa hora.

A Carla está aqui quase a beber um ataque de nervos.

Mas amanhã voltamos. Amanhã voltamos à volta e o Venceré também volta mais logo na tarde política.

Numa versão alargada que começa a seguir ao jornal das 18h00 e esta quinta-feira dão notas a Helena Garrido, o Miguel Santos Garrabatos, outra vez, e o André Azevedo Alves.