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Começa agora mais um Youven Sorê. Já sabe que além de nos ouvir na rádio, também nos pode ver. É só acompanhar-nos em direto através das nossas redes sociais ou pelo site do Observador. Carla, esta terça-feira estão conosco o José Manuel Fernandes e também o Miguel Pinheiro.
Para falar de transformação digital, de cirurgias extra e de helicópteros, mas também do almirante que continua no centro de uma enorme polêmica. José Manuel, não está correndo muito bem a campanha do almirante.
Não creio que esteja a correr nada bem. E não creio que esteja a correr nada bem porque ele transformou aquilo que poderia ser uma oportunidade num problema. Vamos lá ver, ele é um candidato que, de alguma forma, se apresenta como sendo fora do sistema. Não se apresenta como sendo antissistema, mas apresenta-se como sendo fora do sistema. Ter o atual presidente da República e o governo da altura, o governo de António Costa, contra a sua candidatura, eu diria que é uma medalha, não é um ônus. E ele transformou num ônus ao deixar transparecer a sua irritação, ao reagir irritado a uma notícia, ao ter uma reação no limite autoritária relativamente à Lusa. Ninguém é obrigado a deixar de criticar os jornalistas, mas obrigar a pedir desculpa é um pouquinho mais estranho. E a deixar que a campanha ande a discutir isso, em vez de tratar de outros assuntos. Eu creio que isto, sobretudo, é revelador da natureza quase psicológica do candidato, do almirante, e percebe-se melhor, porventura, porque é que alguém que no início até o promoveu, como Marcelo Rebelo de Sousa, a partir de um determinado momento, começou a fazer marcha atrás. Eu acho que a razão última da sua candidatura não foi saber que estavam a tentar impedir a sua candidatura. Não é isso que é relevante aqui. Aquilo que é relevante aqui é perceber que há momentos em que ele reage irritado e ele não é capaz de esconder isso, porque volta a reagir irritado. Desse ponto de vista, há quem tenha habilidade para transformar irritações em trunfos, isto me lembra o André Ventura, e há quem, pelo seu posicionamento mais institucional, pelo seu passado militar, se perceba que uma irritação é um handicap. Sobretudo, porque se ele de fato quer ser presidente da República, a última coisa que nós necessitamos é de alguém com um caráter mais espontâneo.
Mais impulsivo.
Mais impulsivo, queremos um pouquinho o contrário. E estas últimas intervenções públicas mostraram falta de frieza, falta de sentido político, de perceber que podia transformar aquilo que até, em alguns casos, poderia ser um ataque numa vantagem. Olha, é isso que o André Ventura faz todos os dias, pelo que aprenda. Pelo contrário, deu sinais de fraqueza e revelou outra coisa. Uma campanha que desde o princípio está a procurar, de alguma forma, sentar-se entre duas cadeiras ou ficar a meio da ponte, não se definir sobre muitas coisas, acaba por se definir em torno das minudências do próprio candidato. E isso acho que é mau e o que se passou ontem para a candidatura, não sei até que ponto é que toda gente está a seguir isto com muita atenção. Não creio que a maior parte dos eleitores vá valorizar demasiado as manobras de Marcelo, quer no sentido positivo, quer no sentido negativo, mas não é bom para um almirante.
Para Henrique Veiga Mel.
O almirante deveria estar a discutir outras coisas. Deveria tentar pôr o foco da campanha em outros tabuleiros e ele próprio caiu na sua armadilha. Vou lhe dar uma nota bastante negativa, vou lhe dar um seis, porque assim ele não vai lá.
Um seis então para o estilo de Henrique Veiga Mel.
O caráter.
O caráter, sim.
E revelador de falta de experiência política e de instinto político. O Veiga Mel tem dito sempre que tem experiência política, no sentido lato, porque esteve anos e anos na Marinha e que isso lhe dava experiência política.
E ele anda os últimos tempos a fazer palestras sobre liderança.
Sim, e agora está se a ver que não é a mesma coisa estar na Marinha e exercer cargos de liderança na Marinha e vir para a arena do combate político. São coisas completamente diferentes, como o Veiga Mel está a aprender.
Miguel, como é que acompanhaste a intervenção na arena da Web Summit do ministro Gonçalo Matias?
Acompanhei com entusiasmo, até porque o entusiasmo é contagiante. O ministro estava entusiasmado e eu entusiasmo-me a ver pessoas entusiasmadas. E o ministro, além de estar fisicamente entusiasmado, estava entusiasmado no discurso. Temos que ver o contexto. Ele não estava a falar para nós. Ele estava a falar para potenciais investidores em Portugal e estava a dizer-lhes que Portugal tem todas as condições, eu estou a citar, atenção, isto é uma citação, eu sei que parece estranho, mas é uma citação, que Portugal tem todas as condições para se tornar líder mundial na inteligência artificial. Líder mundial.
Portugal está preparado para ser hub global pra inovação. O ministro falou sobre a agenda nacional de inteligência artificial, que parece que vai surgir nas próximas semanas, e disse que o governo vai disponibilizar um ambiente regulatório estável. Os portugueses riem-se ao ouvir isto, mas tudo bem. Eles não sabem, portanto, isto em inglês passa bem. Um ambiente regulatório estável, amigável pro investimento, atenção, Portugal, e diz também que o governo vai apoiar um forte compromisso com a transformação digital e com a inteligência artificial como pilares de crescimento. Mais uma vez, o ministro estava a falar pra estrangeiros e estava a fazer o seu papel. Só houve um problema: é que nesta cerimônia de lançamento, de abertura da Web Summit, também falou Paddy Cosgrave, que é o fundador da Web Summit. E o que Paddy Cosgrave disse? Ele podia ter dito: "Estamos aqui em Portugal, que é um grande hub global pra inovação. Estamos aqui em Portugal, que tem condições pra se tornar líder mundial na inteligência artificial. Estamos aqui em Portugal, com ambiente regulatório estável e amigável pra o investimento." Ele podia ter dito isto, mas não disse. O que ele disse foram três coisas: a era do domínio tecnológico do Ocidente está a terminar, a China vai ganhar a corrida pra inteligência artificial. Disse a primeira coisa. Disse que além disso, as grandes inovações vêm de fora da Europa e dos Estados Unidos, e deu o exemplo do Pix do Brasil, que é uma forma de pagamento tecnológico no Brasil, eu não conheço aquilo muito bem, mas é uma espécie de MB Way. E depois disse: "Apesar de tudo, na Europa, há um país que se está a transformar num emblema da nova Europa. Há um país que mostra motivação, ambição, organização. Há um país que escapa à estagnação que estamos a ver na Europa e que consegue acelerar. Há um país, e o nome desse país começa por P. É a Polônia." As pessoas que estão ali ouvem Paddy Cosgrave a dizer: "Apesar de tudo, na Europa, a Polônia é que é boa." E depois vem um ministro português, de quem eles nunca ouviram falar, acho eu, que muito entusiasmadamente diz: "Não, nós aqui em Portugal é que vamos ser os líderes mundiais da inteligência artificial."
Pois, a Polônia já é, nós queremos ser, não é?
Pois.
A Polônia não é ainda, mas claramente o ambiente na Polônia é completamente diferente.
Sim, os países do Leste Europeu e por aí fora. Claro, em termos regulatórios é diferente.
Mas, Paulo-
Não tem nada a ver.
Se tu fores investidor-
Ó Miguel, é evidente
...se tu fores investidor, entre o que é e o que quer ser, o que tu escolhes?
Sem dúvida. Quando se fala em estabilidade regulatória ou legislativa em Portugal, de facto, o cenário que nós temos em cima da mesa é de rir.
Entre dois orçamentos de Estado, há sempre estabilidade.
Exatamente. Olha lá, são duas mil e tal propostas dos partidos da oposição, neste momento, pra serem votadas e analisadas no Orçamento de Estado.
E todas elas relativas à inteligência artificial e à inovação tecnológica. Todas elas. Por isso, nós temos um governo que paga a Web Summit, paga a Paddy Cosgrave pra ele vir cá mandar as pessoas pra Polônia, e eu acho que tá certo.
Pois, de alguma maneira, eu acho que ainda assim a Web Summit é, que eu me lembro, em décadas, é das melhores medidas de política pública que eu me lembro e que compensa claramente o investimento, disso não tenho a mínima dúvida. Mas eu também percebo que o ministro Chegada ao posto, que esteja entusiasmado ainda.
Mas eu também. Paulo, mas eu começo por dizer que eu acho muito bem, que ele tá a fazer o trabalho dele. Só achei que, se calhar, foi mal.
Eu acho que se o investimento, e a Microsoft anunciou o investimento de 10 mil milhões de euros em Portugal, a operação influencers tem um pouco a ver com isso também, ou tem tudo a ver com isso. Podemos, de facto, ser competitivos a captar a instalação de centros de dados.
Mas então deixa-me, Paulo-
Porque a inteligência artificial precisa disso em barda, não é?
Eu acho que claramente, e vai daqui uma mensagem amiga, se o ministro estiver precisando de um secretário de Estado, Paulo Ferreira é a opção certa. Paulo Ferreira, o otimista da inteligência artificial em Portugal.
Não, até porque a parte dos centros de dados, além de ter grande exigência de energia, pode não ter grande valor acrescentado depois. Enfim, é aquela parte ferrugenta da inteligência artificial. Enfim, mas olha, é o que se pode ter.
É o que se pode ter. Miguel, vais dar nota ao entusiasmo do ministro ou à realidade?
Não, olha, eu vou dar um nove, porque com o que o Paddy Cosgrave disse, não pode ser uma nota positiva, mas eu acho que o entusiasmo faz. Acho que esforçou-se e acho que o esforço merece, apesar de tudo, um reconhecimento.
Tem que ser. E fica aqui compensado com este nove. Entretanto, Paulo, há novidades, há conclusões do relatório da IGAS sobre as cirurgias extra no Santa Maria
Estávamos há meses à espera deste relatório. Esta investigação veio na sequência de notícias, na altura na TV CNN, de que um dermatologista, Miguel Alpalhão, tinha recebido cerca de 400 mil € em apenas 10 sábados a realizar cirurgias fora do horário normal de trabalho no SIGIC. O SIGIC é o Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia, que foi um sistema montado há muito tempo para tentar reduzir ou impedir que cresçam muito as listas de espera de cirurgias, que é pôr os blocos operatórios e os profissionais do SNS a trabalhar fora do horário, para que ele não esteja parado ao fim de semana. Isso tem um pagamento extra. Ora bem, este relatório revela-nos, de facto, confirma-nos aquilo que era de alguma forma intuitivo ao olhar para isto. Há falhas nos mecanismos de controle de quem realiza, quanto recebe e classifica essas cirurgias, há falhas nos registros biométricos, na gestão dos serviços de planeamento e controle interno. No fundo, há falha em tudo aquilo que possa impedir que se cometam abusos e que se receba dinheiro a mais do que aquilo que um sistema, que já é generoso nas remunerações, permite receber. Portanto, nada de novo aqui. De alguma maneira, o que se pergunta é: agora, a partir daqui, quantas dezenas ou centenas de Miguéis Alpalhão não existirão no SNS e ao longo das últimas décadas? Primeira pergunta. Segunda pergunta: o que é que o governo ou as administrações hospitalares vão fazer? Não é daqui a um ano. O que é que vão fazer amanhã ou na próxima semana? Hoje é dia 11 de novembro. O que é que perante este relatório, amanhã, já dia 12 de novembro, vão fazer para colocar alguns sistemas de controle que impeçam isto? O assunto não é novo. Estive aqui à procura. O Tribunal de Contas tem-se debruçado sobre isto. Há uma auditoria de 2013, por exemplo, sobre o sistema remuneratório dos médicos, que vai aos anos 2009 e 2010. Já nessa altura, o Tribunal de Contas, que analisou as 59 unidades hospitalares do país, do SNS, identificou um universo de 295 médicos que pertenciam à categoria de chefe, que tinham os ordenados mais elevados do sistema, remunerações médias à volta dos 13 mil € em 2009 e 2010. E eu cito só um caso concreto deste relatório, que tem mais de 12 anos, do Tribunal de Contas sobre o Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio. Dizia o relatório: "Destacou-se um médico oftalmologista que conseguiu uma alavancagem da remuneração base em mais de 700%". Estamos a falar de 2009 e 2010, anos em que este médico teve um ordenado anual de 745 mil € num ano, 680 mil € no outro. Portanto, ordenados nestes dois anos entre os 53 mil € por mês e os 49 mil €. Atenção, nada contra pessoas que tenham ordenados elevados.
E nada contra premiar-se a produtividade.
Nada contra. Não acho que isso seja um problema. Ora, é um problema quando há um sistema que está montado com os incentivos errados, que permite este tipo de remunerações num sistema que está falido, de alguma maneira.
Paulo, sabes qual é um dos principais incentivos errados? Sabes qual é um dos principais incentivos errados? É que as administrações hospitalares também têm vantagens com este sistema, porque as administrações hospitalares trabalham com déficits e este sistema permite que elas fiquem com a parte da receita do SIGIC, que é o sistema de recuperação de cirurgias. É evidente que quem fica mais são as equipes. Mas a administração gasta mais dinheiro, mas fica com uma espécie de comissão, digamos assim, não é assim, não estou a usar os termos corretos. Mas portanto, como no fim do dia quem paga somos nós todos. Portanto, eles ficam bem duas vezes: ficam bem porque recuperaram muitas cirurgias e ficam bem porque tiveram um déficit menor, porque foram buscar dinheiro ao SIGIC. Nós pagamos isto tudo. Não ficamos bem, porque muitas vezes aquilo que acontece é que o próprio modo de funcionamento dos hospitais e dos médicos empurra as cirurgias para o SIGIC, porque todos têm vantagem nisso. Todos, exceto os doentes e os contribuintes.
E os contribuintes. E não deixa de ser curioso que a produtividade dos blocos operatórios no SNS ao fim de semana seja muito maior do que durante o horário normal de trabalho. Ou seja, nestes casos, eles aplicam-se mais. Agora, percebe-se, estamos no meio de uma discussão grande sobre algumas mudanças no SNS, em que há médicos que se recusam a deslocar-se 30 km para o lado. Percebe-se que haja muita gente que não queira de forma alguma reformar o sistema. E quando se fala em controle de custos, que começam a ver os salários deles andar para trás. Agora, obviamente, vamos ver é que força é que tem o governo para pôr controle nisto.
Mas é um dos casos que demonstra que existe dinheiro. Aliás, tem-se falado disso, do reforço do investimento no SNS, que esse dinheiro é mal distribuído e que é mal gerido, é mal administrado e que muito provavelmente o sistema nessa questão dos incentivos está mal pensado e depois disso, em cima disso, é mal fiscalizado. Portanto, como dizes, é tudo errado.
É tua nota, Paulo.
Eu nem sei muito bem quem dar nota nisto. Olha, se calhar dou ao Miguel Alpalhão E dou-lhe um 14, porque ele é empreendedor, isto está mais do que visto, e graças a ele estamos aqui a discutir estes assuntos. Ver se agora isto serve de alerta para a mudança de sistema.
E também ainda não parámos de discutir sobre a utilidade dos helicópteros de socorro que foram anunciados no Parlamento pelo ministro Nuno Melo. Bruno, hoje ficamos a saber, graças ao Público, que eles só podem aterrar num hospital.
Num dos sete heliportos hospitalares autorizados. É bonito olhar para os números. Vamos olhar para os números. São quatro os helicópteros comprados, ou que vão ser comprados, os famosos Black Hawk, e que vão ficar down, como no filme. Estes não podem levantar voo, porque depois não têm onde aterrar. São uns quatro, vão custar 32 milhões de euros e só podem aterrar em um dos sete heliportos hospitalares autorizados para receber estes transportes aéreos de emergência médica, que é o heliporto de Braga. A questão aqui que nos pomos antes de perguntar: então por que foram comprados estes helicópteros? Porque não têm dimensões, só podem aterrar num destes, não é fazer a questão sobre a compra dos helicópteros. É por que só existe um heliporto com essa autorização, com essa disponibilidade? Existem sete autorizados, mas há mais heliportos. São 37.
Exatamente. Eu acho que esse é um dos problemas. Precisamente, por que os heliportos não estão ainda autorizados?
Exatamente. São 37.
Constroem os aeroportos e depois não vê se eles podem funcionar como deve ser. Eles normalmente não funcionam.
Eles têm condições, não têm a certificação, precisam de uma certificação. Existem 37 heliportos.
Falta o papel.
Antes de se questionar, porque mesmo que fossem outros helicópteros que o Estado viesse a comprar, o problema por si é quase da mesma maneira. Provavelmente, em vez de um heliporto autorizado, seriam dois ou três, mas continua a ser um problema. E este problema já existe desde 2020, foi quando o governo de António Costa anunciou uma reabilitação dos heliportos, mas depois com a pandemia, as coisas pararam. Em julho de 2023, voltou-se a este tema na tentativa de identificar e monitorizar o cumprimento dos procedimentos tendentes à obtenção da autorização de utilização aplicável. Isto é tudo rocambolesco, é tudo bizantino nestas questões. E a verdade é que podemos estar aqui a discutir a compra dos helicópteros, o valor da compra dos helicópteros, se seriam estes ou seriam outros, mas temos aqui este problema de base, que de facto, dos 37 heliportos hospitalares, só sete é que têm certificação. E isto é mais grave do que a questão que vem a seguir, e que eu acho que pode ser discutida, e deve ser discutida, que é a compra dos helicópteros.
Bruno, mas só para acrescentar um detalhe. Houve um hospital que ao fim de não sei quantos anos a tentar ter a autorização, quando finalmente ia ter a autorização, a legislação mudou. E portanto o processo teve que voltar outra vez ao início.
Já falámos da estabilidade legislativa.
É a estabilidade.
É isso.
Portanto, por muito que se invista, por muito que se tente, ou que se invista, neste caso, na compra dos aparelhos, se eles não têm onde aterrar, e se não se consegue resolver esta questão burocrática, então cai tudo por terra, mais uma vez, nem chega a levantar voo.
A tua nota.
Eu vou dar um cinco a estas trapalhadas, a estes obstáculos burocráticos, que se calhar é o que também impede Portugal de se tornar líder na inteligência artificial.
Estão dadas as notas da manhã e o Vencedores regressa mais logo na tarde política.
Numa versão alargada que começa logo a seguir ao jornal das 18h, esta terça-feira dão notas a Judite França, o Alexandre Borges e a Helena Garrido. Assim que acabar o e o Vencedores chega o Alberto Gonçalves com o "Ideias Feitas", que tem um novo horário, começa às 18h50, na tarde política.