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Está na hora de avaliarmos e pontuarmos os protagonistas da atualidade no "E o Vencedor É..." de hoje. Juntam-se à Carla Jorge Carvalho e ao Paulo Ferreira, a Sara Antunes de Oliveira, o Miguel Pinheiro e também o Rui Pedro Antunes. Carla.
Bom dia a todos. Política, pandemia, administração pública e até religião. Há de tudo esta manhã, atenção. Rui Pedro Antunes, vamos começar por ti. Quem é o teu vencedor?
Há tudo como na farmácia, não é?
É isso mesmo.
As farmácias que estão tão em moda nestes tempos de pandemia.
E tão ocupadas. Exatamente. Mas não é de pandemia que vais falar, pois não, Rui?
Não. Eu queria começar por dar a minha nota ao Fernando Medina, porque nós publicámos ontem um artigo no Observador que mostra que tanto o PCP como o Bloco de Esquerda estão muito disponíveis, não vou dizer desesperados, porque também não é esse o caso, mas querem muito fazer um acordo pós-eleitoral com Fernando Medina. Não os dois em conjunto, mas um suplantar o outro para conseguirem ser o parceiro favorito ou o parceiro que mais jeito dá a Fernando Medina e que mais consegue negociar com Fernando Medina. Ora, isto à partida é bom pra Fernando Medina, porque significa que os partidos à sua esquerda acreditam que ele vai ganhar e, portanto, olham para a candidatura do PS como a candidatura vencedora, o que é mais ou menos normal que a esquerda assim pense. Desde logo, também para, de alguma forma, atirar Carlos Moedas para baixo, porque é sempre um objetivo da esquerda em Lisboa é que a direita não governe, como é normal. Diz o Bloco de Esquerda que, pois há ali muita intriga pelo meio, que o próprio Fernando Medina até prefere o PCP e não o Bloco com quem está neste momento, mas que o Bloco vai ter muitos votos e vai obrigar Fernando Medina a negociarem com eles. Portanto, há ali muita intriga. O PCP diz que, pelo contrário, como o Bloco foi apenas uma muleta e o PCP não seria, portanto, há muita intriga pelo meio. Eu diria que há alguma vantagem se Fernando Medina fizer o acordo com o PCP, que já não é preciso enviar dados pra Embaixada da Rússia, porque há lá um partido com relações mais privilegiadas com o maior partido que surgiu da antiga União Soviética.
Fica tudo em casa aí.
Estou a brincar, naturalmente. E há ali outros problemas, naturalmente, que um acordo do PCP em Lisboa, sendo o João Ferreira esse protagonista, se um dia o João Ferreira viesse a ser o sucessor de Jerónimo de Sousa, criava desde logo ali um problema pro PCP ter o seu líder numa posição subalterna relativamente ao PS na maior autarquia do país.
A quem achas que Fernando Medina gostaria de estar mais associado, ao PCP ou ao Bloco de Esquerda?
Eu, por acaso, concordo com o Bloco de Esquerda. Eu acho que o Fernando Medina preferia o PCP. Eu acho que até é mais natural o PS em Lisboa estar junto do Bloco de Esquerda, ou seja, há uma agenda mais urbana. Não estou a dizer que o PCP não é urbano, atenção. Mas há uma agenda mais urbana e um programa do Bloco vai muito ao encontro do programa do PS. Se nos lembrarmos, foi com José Sá Fernandes que começaram as ciclovias, que se foram recuperar os corredores verdes, etc. Muita da estratégia e da visão de Fernando Medina pra Lisboa também assenta naquilo que é a estratégia do Bloco, a renda acessível, a questão da habitação. Embora tenham muitas divergências, há muitas coisas que PS e Bloco se juntam, mas eu acho que ele preferia sempre o PCP. Aliás, ele é delfim de António Costa, também António Costa parece que quando é a nível nacional, diz que o PCP basta um aperto de mão e, portanto, parece preferir sempre o PCP ao Bloco de Esquerda, como já vimos, e isso estende-se ao seu delfim, Fernando Medina. Mas há aqui um problema, que é um presente envenenado, e por isso é que isto não é uma vitória muito grande pra Fernando Medina, que é: estes dois partidos querem que o eleitorado os veja como uma espécie de geringonça a nível local. E qual é o grande objetivo? É: vocês não precisam de votar no PS, eles só precisam ter o suficiente para governarem, portanto, é terem mais um voto do que o PSD, e depois têm que votar em nós, à esquerda têm que votar em nós, para forçarmos essa governação mais à esquerda da cidade. Isto é, o efeito pode ser nocivo para Fernando Medina, que é: Fernando Medina na última sondagem estava a 11 pontos percentuais de Carlos Moedas. Se os partidos à esquerda roubam mais três ou quatro, vamos imaginar mais quatro pontos percentuais, são sete pontos percentuais que sobram de distância dele para Carlos Moedas. Ora, como diria Santana Lopes, sete são três e meio pra cima e três e meio pra baixo. Se for um roubo de eleitorado direto, já não torna assim tão impossível pra Carlos Moedas. Mesmo assim, o facto de todos quererem casar com Fernando Medina, nomeadamente à esquerda, mostra que o veem como um vencedor e eu acho que ainda assim é uma nota positiva e por isso eu dou um 14 a Fernando Medina.
Isso assim parece um episódio dos Morangos com Açúcar. Lá no intervalo, as triangulações amorosas e quem é que vai ficar com ele ou com ela.
É um triângulo amoroso, eu sugiro uma novela da TVI.
O que é que aconteceu à Crochinha? Já não se aplica a Crochinha, agora é mais...
Aplica.
Agora é o Paulo e a Moeda.
A Crochinha já casou, é o Rui Tavares.
Ok. Não tinha lembrado.
São relações eventuais
Eu acho que aqui, em vez de ser Fernando Medina a perguntar à janela dos Passos do Município quem quer casar com a Carochinha, acho que são uns certos Joões Ratões que andam a passar à porta do Paço do Município a dizer assim: "Eu quero casar com a Carochinha." Há aqui uma inversão da história.
Da oferta e da procura.
É a lógica, é a lei do mercado para já este 14 para Fernando Medina. E aqui, como somos muito equilibrados, vamos já para o Porto para manter esse equilíbrio. Miguel Pinheiro, queres falar de Rui Moreira, mas aqui não falamos de coligações.
Não, falamos deste tique de Rui Moreira sempre que é criticado. Ontem, lembramos que Rui Moreira andou a fazer pressão para a abertura do Caemódromo como centro de vacinação. Até chegou a dizer, naquele seu estilo, que se a proposta do Caemódromo do Porto fosse em Lisboa ou se a Câmara fosse socialista, ele já estaria a funcionar, na altura em que estávamos à espera que ele abrisse. E agora que as coisas correram mal, o candidato do PS à Câmara do Porto veio fazer críticas a Rui Moreira, e Rui Moreira acusou-o de chicana política e de descer ao mais baixo da política. Eu, sinceramente, nem sequer entendo isto. Quer dizer, há um centro de vacinação onde se deu uma quebra na cadeia de frio, onde foram administradas vacinas que já não tinham qualquer efeito e onde, supostamente, não há uma investigação, mas onde supostamente se esperou demasiado tempo para passar essa informação às autoridades. Ora, isto não é chicana política nenhuma, isto é um problema de saúde pública e como Rui Moreira se chegou à frente para pressionar o governo publicamente a abrir o Caemódromo, queixando-se de várias perseguições, este é obviamente um tema legítimo de campanha. Mas Rui Moreira, seja o caso Celso Минго, seja casos tão cristalinamente políticos como este, a resposta dele é sempre chicana, baixa política. Rui Moreira não está nada habituado a prestar contas por aquilo que faz e por aquilo que diz. É um tique horrível para um político. Duvido que vá mudar, porque agora já vai para o seu último mandato e, portanto, já nem sequer precisa de mudar, mas faz mal e por isso deixo aqui um sete para Rui Moreira. Deixe-se lá de ver chicana política em todo lado e dê explicações daquilo que faz.
Um sete e uma recomendação para o presidente da Câmara do Porto. Ao mesmo tempo, Sara Antunes de Oliveira, estamos a assistir a uma espécie de caos nos serviços públicos. É muito difícil renovar cartão de cidadão, fazer passaporte. É sobre isso que queres dar a tua nota?
Sim.
Bom, também tens outra nota, eu sei disso, mas queres também abordar esta questão?
Sim, podemos começar por aí. Não está a ser fácil. Ontem falávamos aqui de como o Paulo Ferreira ia gostar de ir pra Loja do Cidadão quando fosse retomado o atendimento presencial.
Eu já tentei, mas não consigo.
Eu acho que ele tem lido as notícias dos últimos dias, justamente, e não ficou assim propriamente muito agradado com essa ideia do Pedro Jorge Castro, porque não tem sido fácil. Por variadíssimas razões, o Paulo também terá a oportunidade de falar sobre algumas, mas, por exemplo, porque foi decidido voltar ao atendimento presencial, por exemplo, no Instituto de Registos e Notariado, sem que fossem concluídos todos os atendimentos por marcação prévia que foram feitos durante o estado de emergência e o período em que os serviços estiveram encerrados ao atendimento ao público. E portanto, as pessoas puderam ir lá pra porta para serem atendidas, mas os funcionários lá dentro estavam ocupados a atender as pessoas que tinham marcado previamente e portanto não tinham disponibilidade pra atender quem apareceu nos serviços.
Que é uma coisa que era muito difícil de imaginar previamente.
Pior do que isso, alguns funcionários públicos ainda estão em teletrabalho e, portanto, os serviços, mesmo que não tivessem os agendamentos e as marcações prévias, não têm todos os funcionários a fazer o atendimento presencial. Portanto, já por aí não ia correr bem e eu não consigo perceber muito bem a quem é que ocorreu que isto podia funcionar. Porque de repente as pessoas estão ali à porta, disseram-lhes que já podiam ser atendidas, já podiam tratar dos seus problemas e das suas questões com os vários serviços públicos, e afinal não, porque lá dentro estão outras que marcaram, se calhar, em maio e que agora estão a tratar desses documentos. Talvez tenha havido tempo pra planear. Não percebo muito bem como é que chegamos a esta altura e a coisa acontece assim. Portanto, a nota só pode ser muito negativa.
Por que será, Paulo?
Porque eu acho que aqui é mais do mesmo, é o Estado não ser o melhor, de alguma maneira, que é desorganizado, falta de planeamento e sobretudo um enorme desprezo pelo cidadão, utente, contribuinte. Eu acho que no fim da linha é isto que acaba por resultar, porque não há um cuidado de olhar para as pessoas como utentes, que têm que ser bem tratadas, com dignidade, tentar facilitar-lhes a vida de alguma maneira. Eu acho que muitas vezes os serviços públicos preocupam-se muito internamente com o seu funcionamento, com as suas coisas, isso também é legítimo, esquecendo completamente que do outro lado do balcão ou do lado de fora da porta, depois estão centenas de milhares de cidadãos que querem ser atendidos, têm o direito de ser atendidos, muitas vezes estão a cumprir obrigações que o próprio, ou a maior parte das vezes, que o próprio Estado lhes impõe
Nos prazos que o Estado impõe, com regras que o Estado impõe e depois esse mesmo Estado não dá as condições mínimas para que isso aconteça. Isto, de facto, é um caso de caos. Todos os dias vamos vendo notícias. Hoje o DN conta-nos mais o desespero de quem precisa tirar passaporte. Os agendamentos estão atrasados meses. Por quê? Porque se extinguiu o SEF, aqui no caso concreto dos passaportes.
Mas ainda não vem.
Exatamente. O que o DN diz é que não está formalmente extinto ainda o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, mas, por sua vez, este serviço já assume que tem uma capacidade esgotada e, portanto, já está a deixar cair algumas responsabilidades e funções.
O que também é extraordinário, não é?
O que é extraordinário, dá ideia? Não. O braço direito do Estado não sabe muitas vezes o que é que o braço esquerdo está a fazer, portanto, não há o mínimo de coordenação. Fazem-se leis, decidem-se coisas no Conselho de Ministros ou nos gabinetes ministeriais, sem cuidar do impacto ou a forma como a coisa vai ser feita. Portanto, extinguiu-se o SEF a mata cavalos, porque havia que apresentar qualquer coisa depois do escândalo da morte do cidadão ucraniano no aeroporto, Ihor Homeniuk. E, portanto, vamos avançar com a reforma do SEF, basicamente, para tentar levantar poeira e para que as pessoas deixem de falar tanto nesse acontecimento e no atraso com que o governo reagiu ao assunto. E depois avança-se com esta reforma sem cuidar, de facto, da passagem das responsabilidades todas para outros serviços. Mas se formos aos centros de saúde, é a mesma coisa, há pessoas aí de madrugada para a fila para marcar consultas. Por quê? Porque mais de um terço das vagas de médicos de família também estão a preocupar. É mais uma notícia de hoje, do Público, porque é muito fácil fazer promessas eleitorais a dizer que num ano todos os portugueses vão ter médico de família sem cuidado de saber se os há disponíveis, para onde é que eles vão, se os próprios centros de saúde têm capacidade, muitas vezes logística, para acomodar mais médicos de família, mesmo que eles estejam disponíveis, se as condições de Estado têm.
E não aprendemos, continuamos a abrir a possibilidade de ter mais médicos de família sem corrigir as falhas que fazem com que os médicos não tenham interesse.
Sem dúvida. O Estado não tem capacidade de recrutamento em relação aos privados, mas também não se cuida disso, não se alteram essas regras. E, portanto, é uma enorme desorganização, é uma enorme falta de planeamento, é uma enorme incompetência, obviamente, a gerir serviços públicos. E isto mostra que o utente e o cidadão em Portugal continuam a ser carne para canhão. Paga os impostos, se atrasa cinco minutos a entregar o imposto para além do prazo online, se passa de cinco minutos da meia-noite do último dia do prazo, é certo e sabido que tem a administração tributária em cima e que vai pagar uma multa, seguramente. E a partir daí, desenrasquem-se, é problema vosso.
É sempre aquela lógica de: isto são serviços públicos, não são empresas, não têm de dar lucro e, portanto, também não têm de ser produtivos, nem funcionar como deve ser.
O que é um erro logo, é não olhar para o utente como um cliente de alguma maneira que tem que ser bem tratado. Vamos imaginar que alguns serviços privados essenciais desconfinavam nesta bandalheira. Supermercados, comércio em geral. Nós neste momento tínhamos filas de quilômetros à porta de supermercados e de mercearias, por exemplo, se a desorganização fosse esta.
Mas nem sequer é preciso, acho que temos tempo para uma história muito breve, autobiográfica. A última vez que eu fui à loja do cidadão, que foi antes do mundo conhecer a pandemia, acho que foi por causa da Segurança Social. E então havia umas oito secretárias com computadores totalmente equipadas, e só havia três pessoas a atender. Também fui um pouco impaciente. Ao fim de seis horas com três pessoas, com três senhas a terem passado, fui perguntar se estariam a chegar reforços, se a cavalaria viria aí, porque tínhamos oito locais de trabalho com computadores, tudo equipado e só três pessoas. E explicaram que não, que era mesmo só aquelas três pessoas, sempre, porque já tinham diminuído o número de pessoas a atender. Portanto, o Estado tinha os computadores, todos. É assim género americanos a deixar em Kabul às pressas. Estavam ali os computadores, estavam ali telefones, secretárias, mesas, mas nunca iria estar ninguém sentado ali. Era tudo uma ilusão. Fez-me lembrar um pouco aqueles truques durante a Segunda Guerra Mundial, em que havia tanques insufláveis para parecer que estavam ali muitas tropas e era tudo para enganar o inimigo. Aqui nós achamos que haveria ali oito pessoas para fazerem o atendimento, e não, vão sempre ser só três.
É para enganar o inimigo também. O inimigo neste caso somos nós utentes.
Sempre.
E, portanto, não havia, já antes da pandemia as coisas funcionavam desta maneira. É muito difícil pôr o Estado português a funcionar de forma eficiente e eficaz. Nem sequer é preciso funcionar como uma empresa privada, e há muitas empresas privadas que funcionam mal.
Também, claro, obviamente.
Mas, de facto, há uma total incapacidade de adaptação do Estado.
Mas não melhorou nem um pouco. Desculpa, Carla, só traz um outro problema até para os funcionários, porque já os sindicatos estão a dizer que está a aumentar o nível de agressividade verbal dos utentes em relação aos funcionários Não sei o que o Miguel disse às pessoas, não sei se estavam a falar do Miguel de quando ele foi à loja do cidadão nesse dia, mas as pessoas ficam impacientes, depois as pessoas que têm à frente são aquelas e, portanto, culpam-nas naturalmente por aquilo que está a acontecer. Mas depois também são violentas verbalmente, às vezes até fisicamente. E depois isso transforma-se também numa pescadinha de rabo na boca, que é: quem é que quer ir trabalhar para aquele balcão de atendimento sabendo que depois vai estar sujeito a este tipo de situações? E isto também tem a ver com a dificuldade de recrutamento do Estado. Não é propriamente a cadeira de sonho, estar sentado no atendimento da Segurança Social está longe de ser a cadeira de sonho. E estas coisas contribuem tudo para isso. E vamos arrastando esta máquina, que não tem de ser como uma empresa privada, mas tem de funcionar melhor.
Mas também não tem que ser tão mau assim o funcionamento.
Claro, tem de funcionar.
Deixa-me só introduzir, só para não ficar aqui com esta ideia e com notas também autobiográficas. A renovação automática do cartão de cidadão pode estar a funcionar muito bem. Funcionou, pelo menos no caso pessoal. Há elementos que estão contigo também. Há algumas coisas que estão a funcionar melhor?
Sem dúvida, e também mal feito fora se tivéssemos ficado parados no tempo há 20 ou 30 anos. A tecnologia vai entrando e funcionando bem em alguns casos, noutros não, nem por isso. A questão muitas vezes está, de facto, na conjugação daquilo que pode ser feito eletronicamente e a forma como é feito, e com aquilo que é feito presencialmente. E aqui houve claramente uma falta de planeamento na passagem dos agendamentos online para o presencial.
No meu caso, passaporte.
Exatamente.
Mas precisamente isso, desculpa Paulo, precisamente era possível. Todos nós passámos por infernos na renovação do cartão de cidadão e pelos vistos era possível, era tão fácil, nem precisavas de sair de casa, já viste. E porque é que o Estado esperou por uma pandemia para pensar ativamente em soluções destas? Eu já sei que temos os Simplex e que o governo gosta muito de apresentar 700 medidas num só dia de Simplex, e algumas boas, claro. Agora, tem que haver um esforço contínuo para pensar como é que eu vou melhorar a vida dos cidadãos. Como é que eu vou fazer com que o Estado saia da frente delas e que isto se passe de forma um bocadinho mais fluida? Cá está um bom exemplo. Se calhar não era preciso uma pandemia para o cartão de cidadão nos chegar a casa sem nós precisarmos fazer mais nada.
Vamos à nota, Paulo.
Vamos. Eu sei que há uma ministra encarregue desta pasta, Alexandra Leitão, mas eu acho que é injusto, porque isto, de facto, cada ministro depois tem que gerir, e é assim que o Estado está organizado, tem que gerir a sua área. Eu diria que isto aqui é um problema do governo, do Estado mesmo, não é novo sequer, e agora está muito à vista. Eu diria aqui um quatro, mesmo negativo, porque os cidadãos não podem ser tratados assim.
Aqui fica esta negativa. Sara Santos Oliveira, o que se passa com o Bispo de Lamego?
Não está assim muito tolerante ao nível da manifestação. Eu tenho aqui uma nota para o Bispo de Lamego, que apresentou uma queixa contra um conjunto de paroquianos por causa de uma manifestação à porta da Igreja de Meda, onde ele estava a celebrar uma missa. Alguns paroquianos estão contra a transferência de três freiras e culpam o padre daquela paróquia. Mas aqui o ponto nem é esse. Eu não tenho os detalhes todos da história, portanto, não sei quem é que tem razão nessa contenda, mas sem comunicado, o Bispo de Lamego vem dizer que foi uma manifestação sem tino e sem prévia e devida autorização, impedindo toda uma comunidade dos fiéis de celebrar a sua fé. Essa queixa incluiu ainda o chefe da GNR no local por ter entrado no templo armado e não com o propósito e atitude de rezar. Aparentemente, quando foi questionado pelo bispo porque é que o barulho à porta da igreja não acabava e impedia a continuação da missa, esse cabo-chefe respondeu que as pessoas tinham o direito de se manifestar e, portanto, acaba aqui envolvido porque entrou na igreja armado e não com o intuito de rezar. Eu não conheço os fundamentos dos manifestantes. Não sei quem é que tem razão naquela contenda, mas não consta que tenha havido violência. As pessoas não invadiram a igreja, quiseram manifestar-se contra uma decisão que consideram errada. É uma coisa que acontece todos os dias, por todo o país, nas mais diversas razões, à porta dos mais diversos sítios. Pode não ter sido a melhor forma. É, de facto, uma chatice o senhor bispo ter ido a uma igreja celebrar uma missa e não ter conseguido, mas acabar a processar aquelas pessoas pelo crime de ultraje a sentimentos religiosos e profanação de objetos de culto, que é um crime que prevê uma pena de prisão até um ano. Parece um bocadinho excessivo, não é? Sobretudo da perspectiva da caridade cristã, do amor ao próximo e da posição conciliadora que um bispo, imagino eu, deveria ter. E é claro que depois foi contactado pelo Jornal de Notícias, que deu a notícia ontem, e a diocese recusou responder, não reagiu. E a mim parece-me que, sobretudo, pelo papel que uma pessoa que tem o cargo de bispo ocupa, pelo menos devia explicar isto melhor, porque senão parece que ninguém pode contestar nada. Não se vai incomodar nem o senhor padre, nem o senhor bispo, muito menos à porta da igreja onde o senhor bispo estiver a celebrar uma missa.
Vem aí uma nota negativa, Sara.
Vem, vem um seis para o Bispo de Lamego.
Três Padre Nossos.
Um seis a encerrar este "E o Vencedor É..." que vai de fim de semana, mas está de regresso na segunda-feira. Bom fim de semana.