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Começa agora o "E o Vencedor É..." das manhãs 360. Juntam-se a nós para análise aos protagonistas do dia, o José Manuel Fernandes, como sempre, e hoje também o Nuno Vinha e o Miguel Santos Carrapatoso, Carla Jorge Carvalho. Bom dia, vamos começar por Pedro Passos Coelho, porque se o ex-primeiro-ministro não falou na convenção do Melo ontem, deu o que falar. Miguel Santos Carrapatoso, bom dia. Passos Coelho deu uma espécie de lição do que é ser oposição?
Bom dia, Carla. Não diria tanto, ainda que Pedro Passos Coelho tenha tido uma frase ou tenha deixado uma ideia que cabe como uma luva àqueles que criticam a estratégia de Rui Rio. Pedro Passos Coelho, e isto para contextualizar, Rui Rio tem insistido muitas vezes, e parece ser essa a mensagem que nas últimas semanas Rui Rio mais tem sublinhado, que é um líder da oposição tão disponível para fazer reformas no país e António Costa não aproveita essa disponibilidade, portanto, critica a falta de vontade do PS de fazer reformas, dizendo até que o PS quer um Estado enquistado e portanto não enfrenta os interesses corporativos. Pedro Passos Coelho ontem, no lançamento de um livro, assumiu que sim, assumiu o diagnóstico. De facto, na opinião de Pedro Passos Coelho, o PS não quer fazer reformas, mas acrescentou um outro dado, e é esse dado que nos leva aqui hoje a falar sobre o antigo primeiro-ministro. Pedro Passos Coelho disse muito claramente que as outras forças políticas, e aqui obviamente era um recado para o PSD, as outras forças políticas não podem esperar pelo PS. Se o PS não quer reformar o país, e Pedro Passos Coelho acredita que são precisas reformas estruturais urgentes para o país, cabe ao PSD forçar esse rompimento, forçar essa ruptura e liderar essas reformas. Ora, Rui Rio não tem, pelo menos, esse entendimento, ou melhor, não tem sublinhado esse entendimento e portanto Pedro Passos Coelho deixou aqui um recado que sabendo nós o peso que Pedro Passos Coelho ainda tem no partido e sabendo nós a falta de peso que Rui Rio começa a ter no partido, é um recado que pode mexer muito com o PSD e pode agitar muito as águas sociais-democratas.
É verdade isso, que o PS arrasta os pés sempre que se fala de reformas, de alguma maneira. Mas há uma questão aqui essencial, é que para fazer reformas é preciso ter poder, é preciso governar de alguma maneira. E eu acho é que o PSD atual e a direita atual, de alguma maneira, com o peso precário que tem em termos eleitorais, não tem poder para fazer nada.
Sim, Paulo. E Pedro Passos Coelho deixou uma outra nota muito interessante ao dizer que nem sempre as reformas podem ser tão consensuais como nós gostaríamos e as diferenças, quando existem, devem ser evidenciadas. E disse mais, disse que era para isso que existiam eleições. Isto é claramente um recado para a atual direção do PSD de que não vale a pena insistir na narrativa de que não é oposição, é colaboração, quando os eleitores, aparentemente, parecem não estar a premiar essa estratégia. Pedro Passos Coelho tentou aqui forçar Rui Rio a marcar um rumo diferente, a rasgar de vez com a narrativa de que está disposto a dar a mão a António Costa para reformas estruturais, quando já se viu, e isto é assumido pelo próprio Rui Rio, que António Costa não o quer fazer. Agora, se Rui Rio vai ouvir ou não este recado, isso já serão outras análises.
São outros quinhentos. O que acham os outros comentadores? José Manuel Fernandes, achas que isto pode ter impacto no PSD?
Não sei se vai ter impacto no PSD. Acho que se tem sempre impacto no PSD porque Passos Coelho é ouvido com atenção pelo PSD. Não sei se vai ter impacto no sentido de repente do PSD mudar, essas coisas não acontecem assim, porque neste momento o PSD é basicamente aparelho e o aparelho não muda com toques de mágica. Agora, o que é que aqui é diferente relativamente a Rui Rio? Acho que são diferentes várias coisas. Primeiro, é diferente um discurso claro sobre a saúde. O ponto de partida desta intervenção foi uma apresentação de um livro de um militante do PSD, que por acaso até é membro do Conselho Estratégico do PSD, sobre questões de saúde, onde se debruçam com as diferenças relativamente àquilo que é a política de saúde do governo. Chama a atenção para tudo que são as dificuldades evidentes que este ano colocaram à vista. Portanto, tudo que são as deficiências da atual política de saúde do governo, as limitações que se tornaram mais evidentes com as modificações na Lei de Bases de Saúde impostas só à esquerda, portanto, de uma forma sectária. E portanto, é um livro, desse ponto de vista, que mostra que ao olhar para a saúde, há, de facto, duas visões. Há um consenso sobre a necessidade do SNS, mas não há um consenso sobre o que deve ser o SNS. E portanto, sobre isso, houve um discurso claro. Nós não podemos dizer que estamos Sempre todos de acordo, não estamos. Esse é o primeiro ponto. E depois, há a tal mensagem, que penso que o Miguel foi muito claro sobre ela, de dizer que nós não podemos passar a vida a dizer que queremos fazer reformas por consenso, porque as eleições fazem-se para poder escolher alternativas. E esse é um aspecto importante, porque é um aspecto de separar águas. Só é possível ir para vencer eleições se dissermos: "Nós queremos fazer diferente daqueles senhores. Nós não queremos ser só melhores que aqueles senhores, nós não queremos ser só melhores gestores. Nós queremos gerir de maneira diferente." Acho que isto é uma forma muito distinta de se dirigir ao eleitorado, porque no fundo aquilo que Rui Rio muitas vezes está a dizer é: "Eu sou quase igual ao PS, quero é ser mais competente que o PS." E o que o Passos vai dizer é assim: "Não, eu quero fazer uma política diferente do PS. Eu quero olhar para o Serviço Nacional de Saúde como um Serviço Nacional de Saúde que trabalhe com o setor privado e que perceba que um terço da saúde, neste momento, é privada, que muitos portugueses gastam do seu dinheiro porque não conseguem respostas do setor público e que nós não podemos ignorar isso." Foi isso que ele disse na sua intervenção. E que, portanto, temos que trabalhar com esse setor, não vamos deitá-lo borda fora. E por isso é preciso fazer reformas, sob pena de termos um setor de saúde cada vez mais dual, mais desigual, ao contrário do que diz a esquerda. E, portanto, a nossa política é realmente alternativa e queremos reformá-la para ter um setor de saúde mais equilibrado e justo, mais igualitário. E há aqui uma alternativa ao Partido Socialista. Não é apenas querermos fazer uma reforma sem saber para quê. É uma reforma para ser uma coisa diferente, mesmo. Eu acho que isto são as duas mensagens que ele passou. Mensagem que é preciso ser diferente e uma mensagem que é preciso não ter medo de ser diferente. Se isto vai chegar ao PSD e vai fazer o PSD mudar, não creio que vá acontecer nos próximos meses.
Nuno Vinha, como é que achas que o Partido vai pegar esta intervenção?
Eu também gostava de pegar nesta questão de saúde. Há aqui uma frase do Pedro Passos Coelho que é particularmente esclarecedora: "Quem quer ver os problemas, vê. Quem quer atuar, atua. Quem quer reformar, reforma. Quem não quiser, que fique para trás no seu castelo, que fique a negar a realidade." Isto ele está a falar da saúde. Eu queria deixar duas notas sobre a realidade no setor privado e no SNS. É que no ano passado ficaram 1,4 milhões de consultas por fazer no SNS, 1,4 milhões de consultas. E ao mesmo tempo, no ano de 2020, os privados tiveram prejuízos. E nós sabemos que houve, ao longo do ano, uma grande cegueira ideológica por parte da Ministra da Saúde, a Marta Temido, que só no final do ano, já com o SNS completamente à beira da rutura, é que iniciou uma corrida enorme, rapidíssima, para tentar chegar a acordos com os grupos privados para que pudessem eventualmente tratar os doentes COVID noutras condições. E portanto, as consultas ficaram por realizar. E há aqui uma grande diferença de tratamento, como dizia o José Manuel Fernandes, e muito bem, uma grande diferença de tratamento entre as pessoas que recorrem ao privado, que têm capacidade de o fazer, que têm seguros de saúde, e as pessoas que estão no SNS e que estão, em muitos casos, a adiar a resolução dos seus problemas de saúde ou, em alguns dos casos, a intensificar aquilo que são os seus problemas de saúde por não conseguirem consultas e não conseguirem tratamentos no SNS, porque estava de facto sobrecarregado. E acho que esta chamada de atenção do Pedro Passos Coelho é direto ao ponto, é muito dirigido também àquilo que é a atuação deste governo na área da saúde, que não pode ter deixado as pessoas contentes, por muito que neste momento se verifique um grande alã e um grande entusiasmo em torno da boa campanha de vacinação que tem acontecido em Portugal. Portanto, eu acho que esta chamada de atenção na saúde, na diferença entre o privado e o SNS, foi muito importante por parte do Pedro Passos Coelho.
Juli Magalhães, o que destacas da intervenção de Passos Coelho?
Acho que Passos Coelho hoje chega muito ao PSD e há de chegar a Rui Rio também, com toda a certeza, mas chega muito a uma ala que está contra Rui Rio, que está à espera que Passos Coelho regresse ao PSD para de novo aglutinar o PSD. E Passos Coelho é sempre uma voz ouvida e uma voz consensual e pelo menos equilibrada dentro do PSD e que houve, isso certamente Rui Rio ouviu estas declarações. Aqui é um momento histórico que não podemos descartar. Rui Rio terá tempo já para continuar se perder as eleições autárquicas? Quer-me parecer que não. Não tenho a certeza que as eleições autárquicas vão correr bem a Rui Rio e quer-me parecer que depois das autárquicas, Rui Rio terá um congresso e se tiver uma derrota, dificilmente ficará à frente do PSD. A história não jogou a favor dele, pese embora seja uma pessoa que tenha um certo estilo e uma certa teimosia. A verdade é que Rui Rio apanhou um PSD com uma geringonça no governo, com toda a maioria, e tentou afastar o PS dessa geringonça, tentou chegar o PSD ao PS ou chegar, se quiser, o PS ao PSD. Apanhou um ano de pandemia em que foi evidente a ideia de unidade nacional no combate a uma doença, uma pandemia que era de todos e que não permitiu à oposição, nem a Rui Rio, nem a ninguém, fazer a oposição que podia ter feito e que devia, ao longo de um ano. Foi um ano perdido no que diz respeito a uma oposição que pudesse ter sido feita e Rui Rio tentou ter aquele sentido de Estado, porque o combate era de todos e portanto, António Costa e o governo aproveitaram bem isso, estiveram sempre no espaço mediático todos os dias porque a pandemia assim o exigia e agora vão ter uma bazuca que obviamente vai chegar antes das eleições e que vai dificultar ainda mais a ação do PSD e sobretudo nas autárquicas. E estas ideias de Passos Coelho, que são boas ideias do ponto de vista do PSD e da direita, são ideias que são claramente para já serem feitas pós eleições autárquicas e provavelmente já
Sem Rui Rio, dependendo dos resultados autárquicos, que à primeira vista não parecem que vão ser famosos. Eu acho que Rui Rio, como há pouco o Miguel Pinheiro dizia, tem dado uns passos mais seguros ultimamente, em função também dos muitos disparates que tem havido do outro lado, mas é muito difícil ir a tempo depois de quase um ano e meio perdido, sem poder fazer a oposição ou sem fazer, se calhar, a oposição que devia. E Passos Coelho, julgo, está a fazer o seu caminho.
E por isso, que nota é que dás, calculo que a Passos Coelho?
Ao Passos Coelho dou-lhe sempre 12. São declarações, apesar de tudo, de alguém que ainda está a olhar para o país e não anda só por aí.
Miguel Santos Garrapatoso, que nota é que tu dás?
Eu terei de dar um 14, porque foi uma boa intervenção, é certo, mas falta consequência. Pedro Passos Coelho tem todo o direito de estar na vida política, mas numa altura em que há tantas notícias que o dão como desejado dentro do partido, fica sempre a sensação de que Pedro Passos Coelho está só a manter uma certa popularidade dentro do partido e não dá o passo à frente. Não tem de o dar, não é obrigado, já cumpriu com o seu papel, quer líder do PSD, quer de primeiro-ministro, mas estas aparições de Passos agitam muito e depois deixam sempre um sabor a algo que fica por fazer e concretizar. Portanto, um 14.
Achas que o Passos não chega só como senador do PSD? Teria que ser mais consequente que isso.
Não porque o partido quer que Passos seja mais do que isso. Pedro Passos Coelho, aparentemente, não quer ser mais do que isso para já. E portanto, fica sempre por concretizar este tipo de intervenções, mas ainda assim, foi uma intervenção bem conseguida, portanto, um 14.
Um 14 para Passos Coelho. José Manuel Fernandes, que nota é que dás?
Eu, concordando com a análise genérica do Miguel, como gostei bastante da intervenção, dou uma nota um pouquinho mais alta, dou 15.
Um 15 para Passos Coelho. Paulo Ferreira, dás nota a Passos Coelho ou ao teu próximo tema?
Eu prefiro dar ao próximo tema, embora também daria uma positiva a Passos Coelho, porque ele obviamente tem razão no diagnóstico que faz. E pecando ainda no tema das reformas.
Eu dou nota a Passos Coelho.
Dás nota a Passos Coelho, Nuno. Então, Paulo, deixa-me só, para fecharmos este ponto, o primeiro ponto.
É o seguinte, eu dou-lhe um 12. Acho que aquela análise que ele faz sobre aquela questão de que se hoje as pessoas que recorrem ao privado tivessem que recorrer ao SNS, o sistema pura e simplesmente colapsava. Acho que é uma análise certeira e acho que as pessoas têm todas a noção disto mesmo, portanto eu dou-lhe uma nota positiva.
Uma nota positiva, um 12. Aqui fica então mais uma nota para Passos Coelho. E agora, Paulo Ferreira, vais pegar na bazuca.
Vou pegar na bazuca, mas o tema é o mesmo, são as ditas reformas, reformas estruturais. Exato, é pesado aquilo. E o cheque é grande, o cheque é gordo. Aliás, já podemos ir ao banco depositá-lo ou levantá-lo. Ontem foi o dia do show off, foi o dia do folclore à volta do PRR. Somos o primeiro a ter o plano de recuperação e resiliência aprovado, portanto, dia de grande festa. Tivemos cá presente a Comissão Europeia, que trouxe o tal cheque simbólico, com o primeiro-ministro português a perguntar de facto se já podia ir ao banco. Estamos todos focados no número de zeros da enormidade de dinheiro que vem por aí. Só para recordar, são cerca de 13 mil milhões de euros a fundo perdido, mais cerca de 3 mil milhões que vamos ter que pagar, que devolver, que chatice isto de ter que devolver o dinheiro que nos emprestam, depois é chato. Mas está toda a gente focada nisto e eu gostava de desviar um pouco o olhar para um documento da catrefada de papéis que foram assinados ontem entre a Comissão Europeia e Portugal, para aquele que pra mim é o mais importante, que é um documento de 214 páginas, é um anexo. É preciso perceber que quando se fala de instituições europeias, o mais importante está sempre em anexos, nunca está nos documentos principais, é uma espécie daquelas letras pequeninas dos contratos. E são 214 páginas onde está então a condicionalidade, isto é, todas as metas e tudo aquilo que nós temos que fazer durante os próximos cinco anos para que o dinheiro vá chegando. Não fosse o contexto diferente, e é muito diferente, obviamente, o método é igual àquele que nós acordamos com a Troika em 2011. Vocês precisam de dinheiro, tomem lá o dinheiro, mas tomem lá também um caderno de encargos, um conjunto de medidas que vocês têm que cumprir. E portanto, o método aqui é rigorosamente o mesmo. O teor das medidas pode ser diferente, mas estão lá algumas medidas e algumas reformas que fazem sentido na área da saúde, habitação, qualificações, digitalização da economia, por aí fora. Por exemplo, vamos ter até dezembro de 2022 que implementar a reforma das ordens profissionais. Vamos ter que tirar poder às ordens profissionais, vamos ter que abrir uma série de profissões às pessoas que para elas querem entrar e isto é uma reforma que vai ser supervisionada pela autoridade da concorrência. Está lá uma data, dezembro de 2022. Diz isso.
Posso deixar só uma nota. Estas reformas e esta calendarização, foi precisamente isto que foi entregue em Bruxelas e que inicialmente não foi apresentado ao povo português e que mais tarde o ministro Manuel Santos e Sousa teve que vir revelar e colocar no site do governo com todas as metas. Eram exatamente estas metas. E era nestes calendários que lá estavam.
Que agora estão fechadas.
São 341 metas. Sim, que agora estão fechadas, exatamente. Já tinham sido aceites e agora foram formalmente apresentadas, mas é precisamente isto. Desde o início que se falava de alguma condicionalidade para os cheques irem chegando. Era só esta a nota que eu queria deixar.
E cá estão elas de alguma maneira.
Certo, claro.
São 214 páginas
Desde melhorar o desempenho financeiro de empresas públicas, através de uma governação mais sólida, com uma gestão mais responsável e orientada para o desempenho, depois há algumas que prometem todo tipo de polémica. Por exemplo, implementação de modelos de vigilância inteligentes para apoiar a prevenção de fraudes em prestações sociais, nomeadamente o modelo de índices de risco para beneficiários de prestações sociais. Isto tem todo o ar de vir uma enorme polémica sobre isto, mas vamos ter que cumprir estas coisas. Há datas, há metas e os cheques seguintes só chegam quando isto for cumprido. Ou seja, o tal povo que não se governa nem se deixa governar, provavelmente quando precisa de dinheiro e como anda permanentemente de mão estendida, ou porque levámos o país à falência mais uma vez, ou porque agora há uma pandemia e nós precisamos de apoio, lá vamos ter que nos sujeitar ou ir sujeitando a algumas mudanças. Portanto, eu daria aqui uma nota positiva à Comissão Europeia, neste caso, e a Ursula von der Leyen, porque de facto não há cheques grátis, não há almoços grátis. E já que nós não vamos fazendo as coisas porque achamos que elas são necessárias, vamos fazendo a troco do dinheiro que vamos pedinchando lá fora, dou um 14 a Ursula von der Leyen.
Um 14 para a presidente da Comissão Europeia e praticamente a fechar, Miguel Santos Carrapatoso, ainda queres olhar para o novo centro do séc.
Carla, posso deixar só uma nota?
Sim.
Só uma notinha antes.
Vais dar.
É que a maior parte destas primeiras metas é a publicação de despachos no sentido de implementar as próprias reformas.
E portanto, há muito trabalho legislativo pela frente.
Exatamente. As primeiras é só publicar o decreto e iniciar os processos e a partir daí, depois nos anos seguintes, logo virão outras metas mais ambiciosas e mais difíceis de alcançar.
E portanto, ainda há muito trabalho pela frente. Muito bem, essa nota é importante também para percebermos como é que se pode ir ao banco. Miguel Santos Carrapatoso, vamos então agora ainda à tua última nota.
Muito rapidamente, porque eu sei que temos pouco tempo e é bom que tenhamos pouco tempo, porque de facto temos que trazer novamente Eduardo Cabrita a este programa. Eu acho que os nossos ouvintes já devem estar um bocadinho agastados com a nossa insistência. Portanto, vou ser muito rápido. Eduardo Cabrita foi apanhado a mentir, porque tinha dito que ainda estava a ser ponderada a instalação de imigrantes na prisão de Caxias. Afinal, já estava tudo acordado desde fevereiro. Portanto, Eduardo Cabrita foi apanhado a mentir e é importante que se diga que foi apanhado a mentir. A decisão já de si é um bocadinho inqualificável. A expressão é minha, é inqualificável. Sabemos o estigma que isso trará às pessoas que vêm para o nosso país, algumas delas porque querem trabalhar e porque estão à procura de uma vida melhor, mesmo que indocumentadas, merecem ser tratadas de forma digna. Instalá-las numa prisão não é tratá-las de forma digna.
Não, prisão com vista para o mar.
Sim, ainda que o governo já tenha feito saber, já tenha respondido ao público, ainda que em off, portanto não é uma resposta oficial, mas já disse que vão ter casa de banho privativa e portanto não haverá problema, o que mostra bem o estado.
É com os contentores que têm.
Exato, mostra bem a linha de raciocínio deste governo e do Ministério da Administração Interna.
Eu tinha a ideia também que tínhamos prisões sobrelotadas. Finalmente, ainda arranjam mais espaço em Caxias.
Sim, é tudo francamente mau. E acho que é importante lembrar o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa. Não foi assim há tanto tempo, foi a 10 de junho, quando recordou que Portugal também era um país de imigrantes e que, portanto, se esperamos que os nossos imigrantes sejam bem tratados nos países para onde eles vão, impõe-se e é importante que o nosso país trate bem aqueles que recebe. Aparentemente, Eduardo Cabrita, tal como Rui Rio, não esteve atento ao discurso. Pode ser que ainda vá a tempo e mude a estratégia e mude esta decisão que é inqualificável.
E isso merece uma nota, Miguel.
Merece um dois, porque ainda acredito que Eduardo Cabrita vá mudar de ideias e que perceba o chocante que é esta decisão.
Ficamos então com essa negativa, mesmo baixa, para o ministro da Administração Interna e assim encerramos e o vencedor é de hoje, mas amanhã há uma nova avaliação. É a última desta semana. Até lá.