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Este é o "E o Vencedor É" das manhãs, 360. Até perto das 9h, damos notas aos protagonistas da atualidade e pra isso, Carla, esta quinta-feira estão conosco a Helena Matos, o Luís Rosa e o Rui Pedro Antunes.

E todos em estúdio.

Todos.

Todos. E Pedro Nuno Santos regressou e nada ficou igual, não é verdade? Rui Pedro, o que vai acontecer ao PS depois disto?

Bem, o PS já não estava muito bem, até por responsabilidade do próprio Pedro Nuno Santos, mas estava a tentar reerguer-se de alguma forma. Eu acho que Pedro Nuno Santos é uma espécie de bomba-relógio. Portanto, ele é sempre muito imprevisível. Ele gosta muito de boxe, aliás, é um dos hobbies que ele fazia muito, até quando estava no governo, pra descomprimir, e ontem decidiu ter essa versão de pugilista. E naquilo que ele queria fazer, nem se saiu mal. Queria fazer um ajuste de contas com algumas pessoas, com António Costa, principalmente com o Duarte Cordeiro, que é um ex-amigo. Agora, não faz grande sentido. Se ele queria defender o Partido Socialista, e se o regresso dele tinha por objetivo ajudar o Partido Socialista a combater o governo, eu acho que o Luís Montenegro, se pôde assistir à conferência mais tarde, talvez em diferido, acho que aquela hora tinha outros compromissos, deve ter ido buscar um balde de pipocas e ficou a ver, porque, na verdade, se Pedro Nuno Santos ajudou alguém, foi a AD. Claro, disse que o governo está cheio de pessoas pouco sérias, sem concretizar, mandando umas toadas pro ar. Não sei se ele está a se referir outra vez a Luís Montenegro. Não é muito a favor dele que alguém tão pouco sério, os portugueses tenham escolhido, mesmo assim, votar nessa pessoa em vez dele, duas vezes, e uma delas já com uma série de suspeitas que essa pessoa era muito séria. Depois, também diz que o governo é medíocre, mas mais medíocre que o governo foi a liderança dele do Partido Socialista, principalmente o resultado que teve em 2025, que eu acho que o de 2024 até foi bastante honroso, tendo em conta as circunstâncias, e acho que ele aí tem razão, porque o Partido Socialista tinha um desgaste muito grande. Agora, Pedro Nuno Santos, eu acho sempre que é bom ter pessoas que são distintivas, que não estão ali a pensar todos da mesma maneira, tudo a dizer, serem "yes men" do líder, etc. Eu acho que é bom. Agora, se é bom pra José Luís Carneiro, não tenho a certeza. Depois, acho que deve vir uma grande confusão dentro dos ditos pedronunistas. Sei lá, vamos imaginar. Ontem sentou-se ao lado de Marina Gonçalves, que seria uma das pessoas que, se calhar, estaria num grupo com o Duarte Cordeiro para depois mais tarde tomar a liderança do PS. Acho que eles devem estar todos muito confusos, uma vez que os dois pais zangaram-se. Há muito que o pedronunismo já percebeu que não tem hipótese de voltar à liderança do PS, mas o cordeirismo, passe a expressão, tem. E, portanto, Pedro Nuno Santos também presta um péssimo serviço à ala do PS que Duarte Cordeiro ainda pode representar. Mesmo que Duarte Cordeiro não seja isso. Aliás, eu aconselho o texto da Rita Tavares que está no Observador, neste momento em manchete, em que explica muito bem todas essas dinâmicas e toda a grande diferença. Mas é óbvio que as pessoas da FAUL que sempre tiveram com o Duarte Cordeiro e na Juventude Socialista, são as mesmas pessoas que tiveram com o Pedro Nuno. Eu já usei esta expressão, mas acho que o Duarte Cordeiro era uma espécie de grão-mestre do pedronunismo. Era ali um dos grandes rostos e, naturalmente, que não é bonito aquilo que Pedro Nuno Santos fez, terá as razões dele, mas não é em público que se resolvem estas coisas. Ele tornou num facto político e se a ideia era matar o irmão, não matou, mas ajudou a que haja uma ideia de que se Duarte Cordeiro for contra José Luís Carneiro, está a ser oportunista e taticista. Isto é duma grande lata de quem foi um dos jovens turcos que ajudou António Costa a utilizar desse mesmo oportunismo e taticismo, depois de António José Seguro estar no Partido Socialista a aguentar o partido durante os tempos da troika. Portanto, Pedro Nuno Santos é um poço de incoerências, nós já sabíamos. Ainda assim, há uma coisa que se tem que dizer: é melhor esta versão de Pedro Nuno Santos, que é o que ele é, e na verdade, ele não tem grandes pudores de dizer aquilo que pensa, do que a versão que ele apresentou em 2025. Parecia que estava dentro de um colete de forças e que estava completamente configurado.

Autolimitado.

E, portanto, isto é Pedro Nuno Santos. Fez este ajuste de contas. Eu acho que não é bom pro Partido Socialista. Pode ser bom a curto prazo pro secretário-geral ter alguém que, na verdade, acusa os que não avançam de serem covardes, mas a médio prazo não me parece, porque Pedro Nuno Santos vai ser sempre um problema que ele tem pra resolver e é alguém que é carismático. Isso não há dúvida nenhuma. O carisma pode até ser negativo e pode até não suscitar simpatia do eleitorado, mas que é alguém carismático, é. E também se as pessoas pensam que o Pedro Nuno Santos é só um tonto que vai pra ali dizer coisas, não, tudo aquilo tem uma intencionalidade. É bom que ele esteja de volta pra estes combates, que isto anima a política, principalmente num tempo em que olhamos pra frente e há três anos sem eleições.

Luís Rosa, este regresso é um novo problema para José Luís Carneiro?

Ai, claramente, não tenho dúvidas. Aliás, há bocado o Rui Pedro estava a falar em boxe. Eu, de tanto em quando ouvia o Pedro Nuno Santos, lembra-me um bocadinho daquelas brincadeiras, talvez seja, na juventude, no recreio, quando as crianças pressentem algum conflito, começam todos assim a se juntar.

A volta.

Uma coisa que fez-me lembrar é que isto acontece porque o PS começou a liderar as sondagens. Parece que o PS parece a liderar e de repente parece que está toda a gente interessada em criar problemas a José Luís Carneiro, que até teve um congresso em que teve aquelas maiorias albanesas, grande união interna, etc. Pedro Nuno Santos, ao falar, integra-se um bocado. Foi Eduardo Cordeiro, foi Mário Centeno, não nos podemos esquecer. Mário Centeno voltou a aparecer também. E agora foi Pedro Nuno Santos. Há aqui um ponto prévio que o Rui Pedro já recordou. Realmente, Pedro Nuno Santos é o líder do PS que teve o segundo pior resultado de sempre da história do partido e que fez algo que nunca tinha acontecido, deixou o PS no terceiro lugar. Este é o seu legado como secretário-geral. As declarações dele de ontem foram contra tudo e contra todos, contra o governo. Ele disse duas vezes que este governo é um governo de gente medíocre, incompetente e de gente muito pouco séria. E eu aqui, parece que Pedro Nuno Santos não aprende, porque a estratégia eleitoral nas segundas eleições legislativas contra Montenegro foi precisamente essa, questionar a honestidade de Montenegro.

Correu bem.

Correu bem, ficou em terceiro lugar. Regressa e insiste na mesma cassete. Agora já não é Montenegro, já são mais membros do governo que não são sérios. E aqui faz-me lembrar André Ventura. Não é André Ventura que diz não tem este tipo de discurso que todos os outros partidos têm gente pouco séria? Depois, declarações contra José Luís Carneiro. Apesar disso, a ironia é essa, o paradoxo. Regressa para apoiar José Luís Carneiro, mas tudo o que diz é contrário àquilo que José Luís Carneiro tem feito, que alegadamente é um centrista, que está a negociar com gente pouco séria. E depois disso outra coisa interessante, que é Pedro Nuno Santos autoclassifica-se como um social-democrata de esquerda. Não sabia que havia sociais-democratas de direita, mas enfim, estamos sempre a aprender na ciência política de Pedro Nuno Santos. E depois contra Eduardo Cordeiro, o tal ex-amigo. Além de ser o fim de uma amizade que já tinha morrido calhar há algum tempo. A Rita Tavares tem uma peça que publicou no Observador que está muito bem escrita e descreve muito bem este fim desta amizade. Mas ontem eu vi aqui alguém na redação a fazer uma comparação sarcástica entre o Mário Soares e o Salgado Zenha, a zanga entre Soares e Zenha. Eu confesso que nem Pedro Nuno Santos é Soares, nem Cordeiro é Zenha. São jovens que se chatearam, mais nada. E depois contra António Costa e Eduardo Cordeiro, sinceramente acho que foi a primeira vez que houve um dirigente ou um deputado, neste caso deputado do PS, mas uma figura muito influente no PS, a recordar coisas que só a oposição é que recorda. Ou seja, os 75.800 euros. Foi a primeira vez que eu vi alguém destacadíssimo do Partido Socialista a chamar, por sua própria iniciativa, a pôr em cima da mesa os 75.800 euros.

Aliás, é curioso que ele diz que o PS tinha perdido o país. Esta é a sequência. O PS tinha perdido o país e depois o governo cai por causa dos 75 mil euros.

Exatamente. Ele contraria toda a narrativa do António Costa e, já agora, também de muitos comentadores que gostam muito de António Costa, que seguem praticamente cegamente o que António Costa diz, de que o governo caiu por causa do parágrafo do comunicado do Procurador-Geral da República, é um crime. Pedro Nuno Santos tem aqui a honestidade e a coragem, eu agora vou elogiar sem nenhum sarcasmo, a coragem de Pedro Nuno Santos em dizer o óbvio. Alguém acredita que o governo continuaria em funções depois de terem descoberto os 75.800 euros na mesa e na secretária, entre os livros, de um homem que o próprio António Costa escolheu contra tudo e contra todos e, aliás, se calhar contra até Pedro Nuno Santos. Elogio a coragem de Pedro Nuno Santos em recordar os famosos 75.800 euros que o PS gosta sempre de esconder, como gosta de esconder as ressocas como se não existissem. Mas atenção que Pedro Nuno Santos quando faz isto recorda também os vários governantes que estão sob suspeita. E quem é um deles? Eduardo Cordeiro. Essa parte também é interessante. Eduardo Cordeiro também está sob investigação, embora sobre um caso menor, duvido muito que aquilo vá dar algum lado. Acho que se não foi já arquivado, não tenho notícia disso. Deverá ser, porque não me parece nada de relevante. Só faltou tirar a Mário Centeno, que diga-se de passagem, também é outro interessado na liderança do PS e o filho trabalha com Eduardo Cordeiro, trabalha na consultora do Eduardo Cordeiro.

Precisa só de dois anos de militante primeiro. Tem que se inscrever primeiro no Partido Socialista e depois ser talvez membro do TST.

Estás a dar razão, mas desconfio que tendo em conta a ligação familiar indireta que existe entre Mário Centeno e Eduardo Cordeiro, não me estranharia que Centeno apoie Eduardo Cordeiro. Resumindo e concluindo, eu acho que o PS está muito interessante para seguir, para acompanhar. Só vou acrescentar uma coisa para terminar. O que o Pedro Nuno Santos quer com estas declarações? Eu confesso-lhe que fiquei um pouco perplexo. Eu penso que a única coisa que ele quer é que se calhar está a tentar agarrar os Pedro Nunistas e tentar ser uma espécie de king maker. Mas a natureza humana é algo complexo.

Roubaste uma expressão, caramba.

Desculpa.

Tinha aqui hoje. É a prova que nós não combinamos nada.

Não combinamos nada, é verdade.

Já vais desenvolver, mas deixa só, porque a Helena fez aqui uma reação.

Eu agora aqui ia dar uma estocada final.

Dá lá a estocada.

É muito rápido. É que os Pedro Nunistas vão passar a ser Cordeiristas. A natureza humana é algo complexa e, portanto, quando se cheirar a poder, nós vamos ter os Cordeiristas contra os Carneiristas, ou seja, o PS parece cada vez mais um jardim zoológico.

Ou Shakespeare, se calhar também parece Shakespeare. Mas tu dizias, Helena, reagias quando o Luís Rosa dizia que isto está a acontecer por causa das sondagens. Achas que o timing não é por acaso?

Eu acho que o timing não é mesmo por acaso, é óbvio, mas também convém que olhando para as sondagens se perceba que o dado mais significativo nas sondagens é o grau de confiança que os portugueses têm em José Luís Carneiro. Ou seja, não é em tais ou pairais, eles olham para José Luís Carneiro como alguém que pode ser primeiro-ministro. E me parece que este é um dado mais importante que os dados em relação aos partidos, porque a confiança é algo que é menos volátil que o sentido de voto. Agora, como vocês sabem, eu sou de Letras, eu acho que nós já estamos numa fase em que a poesia explica isso tudo. Vocês lembram-se da quadrilha do Carlos Drummond de Andrade: "João amava Teresa, que amava Raimundo, que amava Maria, que amava Joaquim, que amava Lili, que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes, se não tinha entrado na história." E eu, que não tenho de modo algum o talento do Carlos Drummond de Andrade, posso olhar para isto e acho que isto é mais ou menos assim. O Pedro Nuno Santos ataca Duarte Cordeiro. Duarte Cordeiro marca-se de José Luís Carneiro. José Luís Carneiro inspira-se em Pedro Sánchez e ignora António Costa. Já António Costa, que em Barcelona teve uma intervenção que não se vê nem se ouve, eu aliás já pedi o texto e o link para a comunicação à comissão organizadora da dita conferência e até agora não o consegui. Já António Costa também foi atacado por Pedro Nuno Santos. E maio se entende que está nos Estados Unidos, também quer fazer parte da história. Eu acho que mais ou menos é este o ponto em que nós estamos no Partido Socialista. E de algum modo, eu acho que há um risco aqui. Um risco, não, é uma circunstância, que é com toda esta gente com ataques cruzados, vai haver um vencedor, mas provavelmente o vencedor é improvável. Vocês lembram-se do que aconteceu nas últimas presidenciais?

O vencedor é a AD pra já. É isso que eu concordo com o que diz.

Quando António José Seguro chega a Belém, porque os outros candidatos, nomeadamente Marques Mendes, Gouveia e Melo, começaram a atacar entre si. E os outros candidatos autoanulavam-se, não ganhavam, autoanulavam-se. E o António José Seguro ia por ali fora sem dizer nada. A única coisa que disse foi sobre o UGT e vemos agora as dificuldades, coitado, com que anda para conseguir seccionar aquelas declarações. E aqui eu acho que realmente quem está a beneficiar com isso tudo é Luís Montenegro. Luís Montenegro que paira sobre isto. Parafraseando os espanhóis, "se va y ven rositas". Eu continuo à espera que me chegue a intervenção de António Costa em Barcelona. Estou muito curiosa, porque ela é invisível até este momento. Curiosamente, José Luís Carneiro até se sentiu inspirado em Pedro Nuno Sánchez, todas aquelas coisas, quando esteve em Barcelona. Sobre António Costa, nada. É neste estado que está o Partido Socialista. Eu acho que o grande vencedor, ao dia de hoje, é Luís Montenegro.

É o primeiro-ministro. E agora, pela primeira vez neste "O Vencedor É", Bruno, vais introduzir este conceito de kingmaker.

De kingmaker. Chamemos-lhe eminência parda, uma das eminências pardas, quem fica ali a manobrar na sombra. Mas isso pode acontecer, acontece muitas vezes, os partidos têm estas figuras, mas é muito difícil que seja um antigo líder e com tanta visibilidade como Pedro Nuno Santos, depois a desempenhar esse papel. Porque se há coisa que Pedro Nuno Santos não é, é pardo, é muito guerrido, como se viu agora nas suas intervenções. A natureza dele não é de quem está a manobrar na sombra. De fato, ele tem razão, a natureza dele não é taticista. Como se viu, se calhar, às vezes até para benefício dele devia ser um pouco mais taticista, mas é muito difícil perceber como é que um líder como ele, com as suas características e com os seus resultados, agora pode querer aparecer como uma figura decisiva nos bastidores ou a tentar de alguma forma influenciar o futuro do PS. É porque a influência de Pedro Nuno Santos, sobretudo olhando para as declarações dele, pode ser acima de tudo negativa. É verdade que há aqui um aspeto, de fato, coragem, podemos ver as coisas assim, mas é uma coragem um pouco kamikaze. E os kamikazes tinham ainda uma vantagem, que se despenhavam contra os aviões dos adversários.

Eliminava alguns adversários.

Pronto, Pedro Nuno Santos é uma coragem kamikaze que explode, rebenta no PS, o que não é positivo. Aliás, se nós olharmos para as declarações, para os elogios de Pedro Nuno Santos a José Luís Carneiro, são elogios daqueles elogios assassinos. Há ali uma condescendência em relação a José Luís Carneiro, que não fica bem a Pedro Nuno Santos e que também de alguma forma afeta José Luís Carneiro. Porque os resultados que têm aparecido nas sondagens, como a Helena dizia, que se calhar até beneficiam mais ou dão uma melhor imagem de José Luís Carneiro do que do próprio PS, também demonstram outra coisa. É que este perfil de liderança é muito mais do agrado dos eleitores, que é um perfil de liderança que é a antítese da liderança de Pedro Nuno Santos.

Mas isso é o drama do Partido Socialista.

Podemos falar de José Luís Carneiro, podemos falar também de António José Seguro.

Sim, é isso.

Este último resultado. Os últimos resultados das legislativas, a eleição de António José Seguro, são a confirmação de que esta liderança mais à esquerda dentro do PS não agrada aos eleitores, que são também eleitores do PS ou podem ser eleitores do PS.

E que são a maior parte dos eleitores do PS. O eleitorado do PS é um eleitorado conservador, burguêsQue tem preocupações de natureza social, mas é muito conservador nesse sentido. E portanto, o grande problema do Partido Socialista é que adora ser elogiado pelo Bloco. Há uma parte do Partido Socialista que as redações adoram, que vive muito neste circo de Lisboa e do que é que diz A, B ou C.

Diz pouca às pessoas.

Diz pouca às pessoas, porque para se ser poder em Portugal, é preciso ganhar as eleições. E eles imaginam que os eleitores do Partido Socialista são como os eleitores do Bloco e esquecem que o eleitorado do Partido Socialista é outro e, portanto, estão em delay com o seu eleitorado.

Eu gostava de acrescentar outra coisa, que são dados estatísticos que pessoas do PS me deram, que é que o PS terá neste momento 90 mil militantes, mas na prática eles serão cerca de 40, 50 mil. É o quarto partido entre os jovens. O PS tem uma grande dificuldade em atrair eleitorado jovem, que é um problema a médio, longo prazo. Tem graves problemas entre a classe média, como a Helena agora acabou de escrever. O PSD também já está à perna, por exemplo, no voto dos pensionistas, com António Costa, foi muito importante. É assim que o PS quer ganhar o seu eleitorado.

E Pedro Nuno Santos não conseguiu reverter nada disso, mesmo com esse posicionamento mais à esquerda, que se esperava que conquistasse aquele eleitorado urbano. Isso não funcionou. E Pedro Nuno Santos, com estas declarações, parece que ou ainda não percebeu que os portugueses não querem isso, ou então é simplesmente a sua natureza e vamos continuar a ter Pedro Nuno Santos até à última, regressando uma e outra vez, sempre na mesma postura e acusando a realidade de ser a realidade. A minha nota é negativa para Pedro Nuno Santos. Eu já esta semana elogiei Duarte Cordeiro, porque eu acho que, por um lado, é importante que as figuras do PS não esperem por outros tempos para se posicionar. Eu nem acho que foi assim tão taticista Duarte Cordeiro, mas Pedro Nuno Santos, com estas declarações, com as responsabilidades do antigo líder e de um líder muito recente, acaba por prejudicar o próprio PS, portanto vou dar um sete.

Um sete. E tu, Luís Rosa?

Olha, eu dou uma nota a Luís Montenegro. Acho que é o grande beneficiado disto tudo, sem fazer rigorosamente nada. E portanto, dou um 12 a Luís Montenegro, porque beneficiou com esta matéria. Acho que estas declarações de Pedro Nuno Santos só o ajudaram, de facto.

Muito rapidamente, que o eleitorado do PS há quatro anos deu maioria absoluta. E se calhar, se António Costa tivesse ido contra Luís Montenegro em 2024, tinha ganho as eleições. Portanto, isto do PS depende é da figura que lá está. E se agora aparece um líder que pode ganhar eleições...

Mas a estratégia de Costa também era diferente.

Não, toda a gente estava farta do Costa, mas se fosse a votos naquela altura, tinha ganho a Luís Montenegro, tanto que o outro candidato, que era o Pedro Nuno Santos, ficou muito perto de ganhar. E portanto, essas teorias sobre o eleitorado do PS, depois não têm... Na prática, há quatro anos deram 40% a António Costa, toda a gente estava farta dele. Olha lá se não tivesse.

Tua nota.

A minha nota é um 10 para Pedro Nuno Santos, que ele está a não esquecer os erros do passado para se focar nos erros do futuro.

E Vítor Crespo, regressa mais logo na Tarde Política.

Esta quinta-feira dão notas a Judite França, o Gonçalo Crespo e o Nuno Gonçalves Poças. Logo depois chega o Alberto Gonçalves com o Ideias Feitas.