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Está no ar o "You Think So" da Rádio Observador. Esta sexta-feira junta-se à equipa das manhãs 360 a Helena Matos, a Alexandra Machado e o Pedro Jorge Castro. Hoje temos acontecimentos editoriais, temos elétricos encostados, mas vamos começar por questões laborais. Alexandra, queres olhar para o convite aos médicos estrangeiros para trabalharem em Portugal?

O convite e a razão desses convites. Não há mal nenhum em termos médicos estrangeiros em Portugal. O problema é a razão que leva a essa contratação de médicos no Brasil e noutros países, como Cuba. Cuba tem outros contornos que deveríamos nos debruçar um pouco mais sobre eles, nomeadamente as condições em que esses médicos de Cuba vêm. Mas voltando ao tema de contratação de médicos estrangeiros, o problema aqui é que o Estado não consegue preencher as vagas abertas por médicos portugueses e por licenciados em Portugal, porque não dá condições a esses profissionais e a quem se forma cá para ficar por cá. Paga mal, não dá qualquer tipo de condição, nem casa.

Sim, não garante alojamento.

Como está a dar no âmbito desses acordos com estrangeiros. Ano após ano, vamos falando disto e vamos fazendo os diagnósticos e continuamos sem as soluções à vista, um pouco como em muita coisa do SNS. Tudo parece muito difícil. Aliás, até a publicação dos estatutos da direção executiva do SNS ainda está por publicar e por aprovar. Enquanto fazemos esses diagnósticos e mandamos aqui uns bites, como hoje começa o futebol, vamos mandando aqui uns bites por cima da mesa. Continuamos a ter falta de médicos, ao mesmo tempo que vemos os licenciados a sair do país. Resolveria ter mais licenciados? Penso que sim, parece-me claramente que sim, mas para isso também tem de se planear a abertura de vagas no ensino superior, porque ao abrir-se mais vagas, não basta dizer-se administrativamente: "Vamos abrir mais 20 lugares, ou 30, ou 40", sem dar as condições de formação e sem se apetrechar também a parte formativa para essas vagas adicionais. Os alunos têm que ter essas condições para ficarem bem formados e continuarmos a ter um ensino de medicina de excelência, como temos tido. Criadas as condições para que haja mais alunos nas faculdades e mais formação, também não me digam que os médicos, para serem bons médicos, têm que ter todos média 18 para entrar na faculdade. Tudo isto é uma pescadinha de rabo na boca, que se vai alimentando e que se vai autoalimentando. E aqui a Ordem dos Médicos também tem que ter um papel construtivo, que muitas vezes parece-me que não tem. Fala-se muito do corporativismo desta profissão e destes profissionais, mas a Ordem dos Médicos acho que também devia ser mais construtiva na resolução de alguns dos problemas e não contribuir para limitar demasiado o acesso à profissão, quer de portugueses, quer de estrangeiros. E volto à questão, não há mal nenhum em ter estrangeiros no SNS, desde que estejam, obviamente, certificados para o fazer. No ano em que houve mais dinheiro no orçamento de Estado para a saúde, foi aliás dos anos em que houve mais dinheiro, devemos mesmo pensar para onde é que foi esse dinheiro, porque o SNS não está melhor, não tem mais profissionais, não tem mais respostas para as pessoas. Portanto, devemos pensar. Eu gostava mesmo de saber para onde é que foi esse dinheiro adicional. E temos de ter, de facto, um SNS que atraia os profissionais licenciados em Portugal, obviamente, que não fujam de Portugal e vão trabalhar para outros sítios e que as vagas não sejam preenchidas concurso atrás de concurso. Tudo isto está errado e acho que tem que haver aqui uma reflexão coletiva e não fazer apenas diagnósticos ano após ano.

Com isto tudo que estás a dizer, Alexandra, tens uma nota negativa. Uma nota baixa agora.

É baixa, porque não é o tal 18 que é preciso de média. Exato. Mas se calhar vamos para a negativa mesmo, porque tem que se fazer mais por isto. Eu vou dar um oito.

Um oito. Médicos ou não, portugueses ou não, Paulo, parece que se trabalha muitas horas em Portugal.

Trabalha-se muitas horas. O Expresso tem hoje um trabalho sobre isto. Não é novo que Portugal está entre os países da OCD onde mais horas se trabalha por semana.

Mais horas ou mais presentismo?

Mais horas de trabalho. Exato, já lá vamos. O que isso significa. Mais de 40 horas por semana. Há quem olhe para isto com orgulho, eu acho que é com um enorme de tristeza, de facto, pelas consequências que tem. Orgulho, muitas vezes em discussões políticas, e dizem: "Os países do norte da Europa a dizer que no sul, em Portugal, nomeadamente, se trabalha pouco". Não, trabalha-se bastante em número de horas, de facto. Mais de 40 horas. Aliás, está aqui o ranking e isto é, de alguma forma, gritante. Em Portugal trabalham-se em média 40,2 horas por semana. Pior do que nós, isto é, com mais horas de trabalho, só a Polónia e a Grécia. E agora vamos ver aqui o topo da tabela. Países Baixos, 31 horas e meia. Atenção, a diferença é de quase 10 horas, 8 horas e meia por semana, é muito. Dinamarca, Alemanha, Finlândia e Áustria, é onde se trabalha menos.

Menos tempo.

Menos tempo Trabalha-se menos horas, de fato. Estamos a falar de tempo de horas de trabalho, contabilizado o número de horas que as pessoas estão presentes no local de trabalho. E isto é péssimo, é um péssimo sinal, ao contrário daquilo que muita gente quer fazer. Somos muito trabalhadores aqui no sul, damos cartas aos críticos do norte da Europa, se quisermos, de outros países, que dizem que nós somos preguiçosos e que só queremos gastar o dinheiro em mulheres e vinho, não era? Como o Dijsselbloem uma vez disse, o holandês que foi presidente do Eurogrupo. E eu acho que estas estatísticas, de vez em quando, quando aparecem, devíamos fazer soar as campainhas, porque nós mantemos ao mesmo tempo poucos ordenados, ordenados mais baixos. Isto é, quando olhamos pra tabela dos ordenados, a tabela inverte-se. E aí somos nós que estamos muito abaixo e estes países todos que eu citei, que estão muito acima. Por que que isto acontece? Porque a produtividade é baixa e entramos naquilo que tu disseste, Carla, a história do presentismo. As pessoas passam muito tempo no local de trabalho, mas produzem muito pouco nessas horas todas que lá estão. Ou seja, olhando pra produtividade ou pro produto, se quiserem, em média, cada um de nós produz menos nestas 40,2 horas que passamos por semana no trabalho, menos do que um holandês em 31 horas e meia ou um dinamarquês em 34 horas. E isto é que nos devia, obviamente, preocupar. O que nós estamos a fazer de errado há tanto tempo, há tantas décadas, para esta questão se manter mais ou menos na mesma em termos de número de horas de trabalho, produtividade e salários. E, portanto, maus métodos de trabalho, de organização das empresas, privadas ou públicas, isso de uma forma genérica, má gestão também, sem dúvida, má forma muitas vezes de estar no trabalho e depois a questão do presentismo, que é fundamental. Há muitas chefias que valorizam mais o fato de estarem a olhar e a ver as pessoas sentadas na sua secretária, no seu posto de trabalho, independentemente daquilo que elas estão ou não estão a fazer, do que outra pessoa que provavelmente sai às 17h depois de ter terminado tudo aquilo que tinha pra fazer, e sai às 17h com a maior naturalidade, porque vai buscar os filhos ou vai beber um copo ou vai à vida dela, fazer aquilo que entender. Isso é visto como uma pessoa que não veste a camisola, muitas vezes, em Portugal. E tudo isto é uma cultura que nos leva depois a estes dados, a esta tragédia de trabalhamos pra aquecer, basicamente. Estamos presentes no local de trabalho para aquecer, com pouco produto e depois com pouco ordenado. E, portanto, antes que haja precipitações a dizer: “Cá estamos nós, os grandes trabalhadores da OCDE ou da Europa”, é melhor é olhar pra este indicador e vê-lo como basicamente mais um indicador do nosso fracasso coletivo em termos econômicos e laborais.

Vamos traduzir isto numa nota e ok.

Não sei, sinceramente. Também não me apetece dar a nota ao trabalhador português que transpira 40 horas, porque isso faz parte da minha vida. Ainda vai levar uma bife sobre tudo isso. Não sei, acho que isto é um problema coletivo, de fato. Tem a ver com governos, políticas públicas, mas tem a ver também com todos nós, trabalhadores, gestores, tudo isso. Acho que temos que olhar muito pra nossa vida. Olha, um sete, talvez, um chumbo, para voltarmos a olhar pra esta questão.

Olhar pra vida e pra o trabalho. Helena Matos, há elétricos que não estão a funcionar e isso a ti, utilizadora de transportes públicos, faz-te falta.

Olha, mas a ti contribuinte também devia dar algum-

Alguma preocupação, alguma dor de cabeça. O que é que se passa?

O que acontece? Vocês lembram-se quando em março nós despertamos com umas notícias de que a Transtejo tinha comprado uns barcos elétricos, mas depois não tinha comprado as baterias e, portanto, conforme dizia o Tribunal de Contas, era como estar a comprar um carro sem motor, um barco sem velas, aquilo até tinha uma ironia, um veleiro sem velas, portanto, uma ironia profunda. Pois agora nós temos aqui a Carris, que é uma empresa que se dedica à área dos transportes há muito tempo. Não é uma mercearia que se tenha transformado numa empresa de transportes e, portanto, tem a falta de know-how.

É o core da empresa.

Exatamente. Penso, aliás, que nunca fez mais nada.

Foi fundada em 1872. É mais que centenária.

O Paulo sabe isto de cor.

Até fez um livro muito interessante para assinalar, não sei se foi o seu centenário, sei que tem publicações, naqueles fins de semana que uma pessoa não sabe onde é que há de levar as crianças, é muito interessante levá-los ao Museu da Carris, ali em Santo Amaro, porque podem subir nos elétricos, descer nos elétricos, ver como é que eram os bilhetes, aquelas coisas todas. Ainda em Santo Amaro, chegam aqui ao cerne da nossa questão. Aquilo é um espaço invejável, num sítio apetecível da cidade, e funciona para lá como museu, é uma espécie de parque de estacionamento de elétricos. Porque depois a Carris tem uma outra estação para autocarros em Miraflores, que também convém referir aqui pra se perceber bem esta história. O que acontece? A Carris encomendou elétricos, mais elétricos, até aí tudo normal. Encomendou-os a uma empresa estrangeira, uma empresa espanhola. E a questão é que tudo isto, como se calcula, encomendar elétricos não é a mesma coisa que encomendar bicicletas ou automóveis, embora os automóveis neste momento também estejam a demorar muito tempo a ser entregues. Entre a adjudicação e a entrega da primeira unidade, isto vai a propósito de um artigo do Público. Segundo esse artigo do Público, passaram três anos entre a adjudicação e a chegada do primeiro elétrico desta encomenda. Note-se que a Carris tem aquele espaço em Santo Amaro, também é centenário, portanto, já sabe a dimensão que ele tem, aquilo tudo. Foi pedido um estudo, exatamente, porque havia: se estão a chegar novos elétricos, temos os antigos elétricos, e foi pedido efetivamente um estudo para o parqueamento O problema é que o estudo foi rejeitado. Era para ser feita uma ampliação de Santa Maru ou do espaço disponível em Santa Maru para parqueamento elétricos, mas o estudo foi rejeitado devido a erros técnicos. E, portanto, o que é uma coisa estranha, porque pensando o know-how, a quantidade de quadros que a Carris tem com especialização nesta área, nem se percebe se o estudo foi encomendado de fora, se foi feito internamente, porque existe um enorme conhecimento dentro da Carris destas áreas. Bem, a verdade é que o estudo foi rejeitado por erros técnicos. Agora, está encomendado um outro estudo, mas está numa fase embrionária. E, portanto, pode pensar o que está a acontecer, porque estão a chegar novos elétricos e temos elétricos que já têm, claro, mais anos, 25 anos, que estão operacionais. Nós, aliás, em Lisboa, vê-se como a vida dos elétricos pode ser muito longa. Estes elétricos estão operacionais, mas não podem estar operacionais porque não há espaço para eles em Santa Maru para acomodar os novos elétricos. E então esses elétricos que ainda andam, mas agora não podem andar, tem de se lhes fazer alguma coisa. E aí chegamos à questão do contribuinte. Então vão para a outra estação da Carris, pois que fica em Miraflores. Fechem os olhinhos e pensem onde é que está a linha elétrica que leva. Não há. Portanto, é um transporte que está a ser feito de noite, com os caminhões especializadíssimos e com um transporte que se presume que não é ao preço do passe social, para levar os antigos elétricos para Miraflores. Eu não me alongo muito mais, porque há mais gente para entrar no vencedor. Só vos quero dizer que, simultaneamente, como está prevista a ampliação de várias linhas pela Carris, e muito bem de linhas de elétricos, nós temos de descarbonizar, algures no tempo, tem de se pagar um novo transporte dos ditos elétricos de Miraflores para um sítio qualquer, porque nós até vamos ter a ampliação da linha Cais do Sodré a Algés, e aí a mesma empresa de transportes tem de vir buscar os elétricos, a mesma ou outra, a Miraflores, voltar a trazê-los para que eles possam ficar operacionais na linha de momento Cais do Sodré a Algés. Portanto, isto não é uma fixação minha em transportes públicos. Eu sei que pode parecer, a quem me ouve aqui no Vencedor, mas tenho a dizer-vos que já sei que vais querer a nota. Eu nestas coisas dou sempre a nota ao contribuinte.

Dizes sempre isso como se a Carla fosse uma chata, mas ela tem que pedir a nota.

Ela tem que pedir a nota.

Obrigada, Pedro, por me defenderes. Criaste esta regra.

Já ontem foi esta coisa, nem estava cá a Carla para se defender.

Pois, é que é uma coisa, é a nota. Porque aí tem razão, quero chamar a atenção, nós deste programa. O problema, desculpa, não é da Carla, o problema é de quem deu o nome a este programa. Vocês chamaram isto Vencedor, mas deviam ter chamado Derrotados, porque as pessoas chegam aqui.

Os derrotados somos todos nós.

E pronto, não é? Porque isto é um programa não de vencedor.

Mas não fica bem te dessolidarizares assim.

Pois é, eu sei. Mas é assim, uma pessoa tem este ímpeto, dá, mas eu andei imenso tempo para dizer isto.

Então vamos lá à nota.

Eu dou ao contribuinte, porque é uma pessoa resistente, resiliente e todas essas coisas, dou-lhe para aí um 18, e sobretudo que vá à procura da linha elétrica entre Santa Maru e Miraflores.

Ele bem pode procurar.

Isto anda tudo ligado, porque a Alexandra também traz um estudo, ou pelo menos um critério que o Instituto da Segurança Social foi encontrar para mudar a realidade.

O Jornal de Negócios esta semana noticiava que o tempo médio de atribuição de reformas tinha aumentado 31 dias para 151 dias, que era obviamente uma má notícia, até porque se indicava que este aumento poderia estar relacionado com a falta de recursos humanos, que aliás já foi tema de Contracorrente aqui. Falta de recursos humanos na Segurança Social para fazer correr os pedidos. Eis que senão quando, o Instituto de Segurança Social não deve ter gostado muito de ver essas notícias nos jornais e mudou o critério de definição do tempo médio de atribuição das reformas. Para de repente dizer que não tinha aumentado o tempo.

Os 31 dias.

Os 31 dias, não tinha aumentado esse tempo médio e até tinha diminuído, portanto, está-se a dar reformas com menos tempo. E isto como tivemos duas jornadas, deve ser um milagre, não é da multiplicação, neste caso, é da desmultiplicação, e até retiraram o primeiro relatório que estava disponível do site.

Viva a transparência.

Para ver se passava despercebido. E é assim que se lida com isto, era só este o tema. Era só esta nota que eu queria também dar, porque de fato mudam-se os critérios, retiram-se os estudos do site e está tudo bem.

Mas o que se passa na cabeça de decisores? Vamos tirar o relatório do público.

Eu tive o bapto ontem no Contracorrente.

Como é que é possível?

Nós falávamos desse assunto.

Claro.

E fiquei: "Como é que acontece?" Gelí. Mas não era possível. E depois fiquei bastante mais calma, quando percebi que era uma alteração de critérios.

Era uma alteração de critérios, sim. Uma errada alteração de critérios, na realidade, porque eles passaram a considerar a atribuição temporária para contabilizar esse tempo médio.

E as pensões estão a ser atribuídas, afinal, mais rapidamente.

Como demora tanto tempo, e é isso que entra, tem que se dar uma espécie de pensão provisória. Desculpem, mas isto toca-me, porque senão ontem eu tinha estado só a dizer disparates.

Não, estava tudo certo.

Obrigada. Queres dar nota, Alexandra? Eu sou assim.

Quer dizer, eu acho que isto nem merece uma nota.

Estás a ver, Pedro?

Não vou dar aos contribuintes, não aos pensionistas.

Pedro, vamos lá então, porque queres ir para a alta política, é o que tu queres aqui trazer.

Baixa política, se calhar, não.

É política, pelo menos.

Bom, tem um político ou tem um ex-político.

Ou um ex-político, não sabemos.

Então, o José Sócrates, que apresentou na terça-feira à noite

Na Casa de Portugal em São Paulo, o seu livro "Os Anos Bolsonaro: Crónicas de Tempos Sombrios". Isto põe-se logo a jeito de uma série de piadas, porque há muita gente já a pedir "Os Anos Sócrates: Crónicas de Tempos Sombrios." Era só mudar o nome no título para suscitar a curiosidade e se calhar até escrito pelo próprio. Toda a gente sabe que para uma apresentação de um livro ser bem-sucedida, tem de haver uma graça para a audiência. Então o José Sócrates disse assim: "Vou contar uma história. Em 2019, o Ministro da Justiça do Brasil fez uma palestra num evento chamado Conferências de Estoril, ao lado da Ministra da Justiça de Portugal. Entretanto, não sei por que razão, estava lá o então Ministro dos Negócios Estrangeiros na primeira fila a aplaudi-lo. Ele é a mesma pessoa que agora, no último 25 de abril, enquanto presidente da Assembleia da República, aplaudiu Lula e mandou calar a extrema-direita portuguesa." Afirmou, provocando risos entre a audiência, segundo o Diário de Notícias, que estava lá a assistir. Isto nem sequer tem graça, mas dirige-se a Augusto Santos Silva, ele não o nomeou. E Augusto Santos Silva foi, aliás, dentro do PS, um dos seus mais acérrimos defensores, isto quando já praticamente não havia defesa possível. Sócrates disse recentemente, referindo-se a Cavaco Silva, que ele está cada vez mais velhaco e vingativo. Até parece uma daquelas coisas de quem diz a quem é, porque ele faz isto com Augusto Santos Silva, imagine-se o que ele faria para atacar os seus inimigos. Mas ver José Sócrates a apresentar um livro, na verdade, não precisaria de nenhuma graça adicional. A piada faz-se sozinha e, aliás, apetece parafraseá-lo. Vamos contar uma história, porque um colunista que estava lá, que era o Reinaldo Azevedo, que apresentou o livro, diz que no livro de Sócrates, além de ele escrever maravilhosamente bem, o que me dá uma certa inveja. Ele se calhar não sabe, que José Sócrates, no livro chamado "A Confiança no Mundo", em 2013, 2014, foi suspeito não ter sido ele a escrever o livro. Aliás, um professor de Direito, o Domingues Farinho, teve vários problemas por ter recebido €54.000 para escrever este livro, um livro chamado "A Confiança no Mundo", que não foi escrito pelo próprio autor. É alguma coisa absolutamente surreal. Nesta apresentação, sublinharam os riscos que o Estado democrático de direito correu sob a presidência do Bolsonaro. Se formos a ver, isto foi um dos principais problemas, também uma das principais alegações que houve nos tempos dos mandatos de Sócrates, com todas as tentativas de controle de grupos de comunicação social, todos nos lembramos, com a história da Ongoing e da TVI. Mas depois há todo o circuito dos livros propriamente dito, que além da suspeita sobre se foi ele que escreveu ou não, é esta história de ele ter pedido a uma série de amigos para comprarem o seu próprio livro para aparecer nos tops das livrarias. Chegou a comprovar-se, o Ministério Público chegou a acusá-lo, dos 20 mil exemplares vendidos, mais de metade terem sido comprados com dinheiro do próprio José Sócrates. Só para aparecer nos tops. Eu não sei se a plateia de académicos e advogados que estava na Casa de Portugal em São Paulo, que tipo de memória política têm disto. Eles referem-se ao ex-primeiro-ministro José Sócrates, mas é um pouquinho surreal ver que o José Sócrates continua a apresentar livros, tendo em conta que tem este cadastro livreiro, que é muito pouco recomendável.

E vais comprar o livro?

Não vou comprar o livro.

Mas numa noite de insônia, quando não tiverem nada para fazer, procurem os vídeos da presente vida brasileira do José Sócrates. Há vários, porque ele participa em vários acontecimentos, a forma como é recebido, como é apresentado, as pessoas com quem está.

E é bem recebido.

Apoteoticamente recebido.

Pela esquerda brasileira.

Uma grande figura internacional. Ali não parece nada, respondendo, que esteja a pensar vir a ser um ex-político, não sei se deste lado do Atlântico ou do outro.

E ainda vai ter muitos votos.

Não, numa noite de insônia, não, porque senão depois não dormem mais. Mas num dia em que estejam um bocado fartos e queiram ficar mais ou menos espevitados.

Sim, o Pedro não vai comprar o livro, não vai ler o livro, mas vai dar uma nota.

Vou dar uma nota a Santos Silva. Ver José Sócrates a tentar apouká-lo publicamente é uma coisa que o beneficia, é uma coisa que vim cá à distância, eu vou dar aqui um 10,5 para Santos Silva.

Um 10,5 por quê?

Acaba por beneficiar mais.

Foi Santos Silva que criticou Cavaco por não condecorar José Sócrates? Já não me lembro.

Foi.

Mas é perfeitamente possível. Como isto muda tudo.

Pedro, vamos dar uma nota.

Vamos.

Vamos dar outra nota no fim do Vencedor.

Muito rapidamente.

Temos dois minutos.

Sim, saíram ontem audiências da Marktest. O Observador voltou a ser medido pelo ranking de audiências digitais da Marktest. Em julho, houve 2,16 milhões, 2.160.000 pessoas em Portugal a quem o site do Observador chegou. Isto obviamente é mérito da gente que faz o Observador, do jornal e a rádio. E é um número bastante significativo e que acho que nos enche a todos de orgulho. No ranking, há aqui uma nuance, as medições de outros jornais incluem uma série de outros produtos. O Expresso, por exemplo, tem um pouquinho mais do que o Observador, mas isto inclui o BPI Expresso Imobiliário, que para quem procura casa, distorce logo as coisas. Inclui o Jornal do Mirante, por exemplo. O Correio da Manhã também aparece um pouco acima do Observador, mas na verdade é porque também inclui aqui o Convívio CM, os anúncios de encontros ou aquela máquina ponto pt. O Observador é o único que é medido sozinho, sem nenhum site, e tem um número bastante significativo, que eu acho que nos enche a todos de orgulho. Em comparação com as rádios, nem vale a pena, tem quase o dobro da RFM, que é o segundo que aparece, tem quase 10 vezes o que tem a Comercial, muito acima também da TSF e da Renascença. Eu acho que são razões para nos alegrar a todos.

Estamos contentes. Nota 20 para os nossos ouvintes e leitores.

Muito bem, está a ver?

Eu passei só para dizer isso.

E assim a Maria João Simões mostra que a crítica da Helena Matias não tem nenhuma razão de ser.

Aqui também eu dava 20.

E aqui também há vencedores. É só para que conste. E somos todos. Ainda bem. O Vencedor fica por aqui, mas há novas edições ao fim de semana, sempre a seguir à síntese das 10:30. Desejo a vocês bom fim de semana. Até segunda.