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Arranca agora "E o Vencedor É?", na Rádio Observador, o programa em que atribuímos notas de 0 a 20 aos protagonistas da atualidade para esta edição de domingo, das manhãs 360 de fim de semana. Temos conosco António Costa, publisher do jornal "Eco", e também Luís Rosa, redator principal do Observador. Bom dia a ambos. Obrigado por estarem aqui para olharmos para os protagonistas da semana. Vamos dar nota. António, vamos começar por olhar para Luís Montenegro, é um dos protagonistas de quem queres falar. Depois de um debate com André Ventura e de críticas que recebeu devido às celebrações do 25 de Abril, foi uma semana vencedora para o primeiro-ministro?

Bom dia a todos. Foi uma semana não perdedora, mas a minha avaliação vai para outro ângulo de análise. É que, de facto, chega-se à última semana de debates. Amanhã, segunda-feira, haverá o debate decisivo. Enfim, veremos se os debates serão assim tão decisivos.

Pelo menos o mais impactante. Acho que podemos dizer isso.

Os dois candidatos a líderes de governo e a primeiro-ministro. Mas na verdade, estas últimas semanas, o que é que mostram? Mostram um Luís Montenegro que está a fazer campanha pela ausência. E eu acho que isso, de facto, a um primeiro-ministro, não deveria ser essa a estratégia a bem do escrutínio. E, portanto, o que é que nós concluímos das últimas semanas? Eu estive a tentar fazer umas contas rápidas e eu creio que Luís Montenegro foi mais vezes a programas, talks shows diurnos, digamos assim, do que entrevistas e até debates deles próprios com os outros candidatos, líderes dos partidos da oposição. Eu acho que isto é um mau princípio, porque sublinha ou antecipa duas coisas. Provavelmente, Luís Montenegro estará convencido da vitória. Umas mais que outras, mas a verdade é que as sondagens têm apontado para isso e parece haver um sentimento geral de que os portugueses valorizam e favorecem nestas eleições, ou vão favorecer e vão privilegiar a estabilidade. E nós percebemos pela composição parlamentar, pelo peso relativo de cada partido, que a estabilidade estará mais à direita do que à esquerda, mesmo sem maioria absoluta e mesmo excluindo o Chega. Ora, isso pode ser uma das razões para levar Luís Montenegro a esta estratégia de ausência. Uma segunda é literalmente fugir ao escrutínio ou das razões que levaram a esta demissão, porque é bom recordar, independentemente da avaliação política.

A questão da Spinola Viva até no 25 de Abril foi tema.

Foi tema. Mas parece que até no 25 de Abril e aquela forma desajeitada como o governo veio. Enfim, eu também não quero ser excessivo, porque não estava em causa cancelar o 25 de Abril, mas estava em causa cancelar algumas iniciativas dentro do Palácio de São Bento, mas ainda assim a forma como passou está alinhada e é coerente com uma estratégia de não aparecer. E talvez seja pelo caso Spinola Viva, que na verdade, eu estava a dizer, é o caso que nos trouxe a estas eleições. Independentemente das avaliações que possamos fazer sobre a moção de confiança e o chumbo da moção de confiança, se não houvesse caso Spinola Viva, não teríamos eleições. Portanto, a responsabilidade das eleições é de Luís Montenegro, não é de mais ninguém. Ora, sendo por isso ou pela avaliação, porque não quer no escrutínio uma avaliação a este primeiro ano de governo, qualquer das razões, não é uma boa razão. A verdade é que o que temos tido nesta fase e no momento em que havia tempo para escrutínio, nomeadamente jornalístico, com entrevistas ou nos debates, a estratégia seguida foi de não aparecer. E nós sabemos que as campanhas eleitorais quando vão para o terreno é para comícios, não é para mais nada. Obviamente que nós às vezes percebemos que há campanhas e comícios que correm mal, porque há uma frase mal dita, há uma frase mal proferida, há um caso qualquer até de governação, veja-se estamos a discutir em campanha e a sucessão de serviços de urgência que estão fechados. Isto pode impactar, mas a verdade é que nós percebemos que a campanha eleitoral entra numa lógica de show off, em que os partidos e os líderes dizem exatamente o que é que querem dizer e sobretudo um homem experimentado como Luís Montenegro dirá pouco e dirá o que quer exatamente dizer. E, portanto, eu acho que esta primeira fase de pré-campanha teve este aspecto muito negativo e na verdade promovido pelo primeiro-ministro, o que eu acho que é obviamente um ponto negativo. Eu dou um sete a Luís Montenegro por esta estratégia.

É uma nota sete dada pelo António Costa ao primeiro-ministro Luís Montenegro. Luís Rosa, quero também ouvir-te sobre esta questão trazida aqui à discussão pelo António Costa. Preferes já comentar ou queres já avançar para Augusto Santos Silva?

Não, eu avançava já para Augusto Santos Silva.

Queres já avançar? Então vamos.

Concordo com o que o António acabou de dizer, portanto, não tenho nada a acrescentar.

Então vamos avançar, até porque o ex-presidente da Assembleia da República esteve aqui na Rádio Observador, onde disse que a Procuradoria-Geral da República violou a lei no caso de Pedro Nuno Santos. Ora, Luís Rosa, isto parece quase um caso para o Justiça Cega. Tem razão o ex-presidente da Assembleia da República?

Se calhar vai ser.

Não sei. Fazer um especial sobre o que Augusto Santos Silva diz sobre a Justiça: "Não acho que mereça uma justiça cega, confesso". É fácil de arrumar aqui já no vencedor.

Então vamos lá às arrumações.

Isto não está em causa as críticas ao Ministério Público. O Ministério Público pode e deve ser sempre criticado e muito escrutinado. O Ministério Público é o titular da ação penal e representante do poder do Estado na persecução penal a qualquer cidadão. Portanto, é um poder que tem que ser sempre muito bem escrutinado. Também não está em causa a má relação que o Partido Socialista tem com o Ministério Público ou as críticas recentes que dirigentes do PS fizeram a Amadeu Guerra no caso da averiguação preventiva a Pedro Nuno Santos. Marcos Perestrello, porta-voz do PS, fez uma crítica grave, acusou o Ministério Público de interferir no processo político. É o regresso do velho PS adepto da teoria da cabala. Mas Augusto Santos Silva, que representa bem o PS, leva-o para outra espécie de galáxia da realidade paralela, porque na entrevista ao Observador começou por dizer que, agora vou citar: "Não tenho os elementos indispensáveis", fim de citação, para poder dizer se houve, vou abrir a citação outra vez, "uma violação grosseira de princípios básicos de Estado de Direito, incluindo o do respeito pela separação de poderes". Não sabe, mas acusa, mesmo assim, a Procuradoria-Geral da República de ter violado a lei. Por quê? Vou citar novamente: "Houve uma violação da própria lei na medida em que a Procuradoria-Geral da República, pelo menos no caso de Pedro Nuno Santos, assumiu publicamente um procedimento administrativo, que segundo a lei deve ser sigiloso", fim de citação. É verdade, o procedimento administrativo, a averiguação preventiva, é sigiloso, mas o Código de Processo Penal permite à Procuradoria-Geral da República comunicar fatos relevantes à opinião pública quando se tem em causa, por exemplo, a paz social ou é uma informação de grande interesse para a opinião pública. Mas será que a crítica se estende à averiguação preventiva a Luís Montenegro? Claro que não. Augusto Santos Silva encontra aqui outro argumento, porque diz agora, vou voltar a citar: "A averiguação preventiva desencadeada a Luís Montenegro foi na sequência de fatos tornados públicos e, portanto, do ponto de vista da causalidade e de regras sucessivas dessa mesma causalidade, é um acontecimento diferente", fim de citação. O ponto é que isto não é verdade. É falso. O que acontece? Augusto Santos Silva gosta certamente de dar entrevistas ao Observador, mas certamente não deve ter assinatura do nosso jornal, porque senão estaria muito mais bem informado. Ora, em 16 de abril, o Ministério Público, em resposta a perguntas do Observador, disse o seguinte: "O Ministério Público determinou a abertura de uma averiguação preventiva com vista a aprofundar, nesse âmbito, a recolha de elementos e a análise que já vinha sendo feita das denúncias recebidas". Ou seja, houve denúncias contra Pedro Nuno Santos. Em relação a Montenegro, 3 de março, a Procuradoria-Geral da República respondeu assim: "Na sequência de receção de denúncias e tendo em vista a recolha de elementos, o Ministério Público determinou a abertura de averiguação preventiva." Ou seja, a resposta é exatamente igual, seja no caso de Pedro Nuno Santos, seja no caso de Luís Montenegro. E portanto, houve efetivamente denúncias, houve o mesmo procedimento e houve a abertura, obviamente, consequência lógica, do mesmo procedimento, a averiguação preventiva. E, uma vez mais, se Augusto Santos Silva tivesse lido o Observador, que parece que não lê, em 3 de março, o Observador explicou quais eram as queixas que existiam contra Luís Montenegro. Uma delas, imagino, será de Ana Gomes, camarada de Augusto Santos Silva, e havia mais duas denúncias. Essa informação foi explicitada sobre Luís Montenegro. Por acaso não foi explicitada sobre Pedro Nuno Santos. Também foi até notícia do Observador, só se conhece a queixa sobre as escadas, mas há mais denúncias feitas. E a denúncia feita a Pedro Nuno Santos no Diário Regional do Porto, que é invocada por Augusto Santos Silva, como nós já explicamos, é diferente daquela que foi apresentada em Lisboa. As situações não são semelhantes. Mas o que eu acho mais extraordinário na entrevista de Augusto Santos Silva é que volta a falar da Operação Influencer. E Augusto Santos Silva, não nos podemos esquecer, que é subscritor do Manifesto dos 40, que defende uma espécie de lei de rolha.

50.

Dos 50, desculpa. Esqueci-me de 10. Dos 50. Mas me parece que são mais 50, acho eu. Já vão em 100, certamente. Mas nesse manifesto propõe-se uma espécie de lei de rolha pra comunicação social, porque diz que qualquer notícia da comunicação social sobre um inquérito criminal que visa um titular de cargo político é uma espécie de atentado contra o bom nome desse titular de cargo político. Defende essa lei de rolha. Mas Augusto Santos Silva, por acaso, já diz o contrário na entrevista que deu ao Observador. Em relação à Operação Influencer, diz assim: "Ora, entre novembro de 2023 e abril de 2025, decorreu um ano e cinco meses e nenhum indício, nenhuma prova, nenhum fato foi trazido à mesma opinião pública sobre por que motivo havia para esse processo que lhe corria contra o então primeiro-ministro." Caramba, ou Augusto Santos Silva é muito distraído, que eu não acredito, ou é ignorante, o que é uma hipótese pouco credível num social que tão conceituado, ou é intelectualmente desonesto, o que tendo em conta sua atração pela extrema-esquerda, eu acho que é uma hipótese a considerar. Porque o Observador noticiou no dia 5 de janeiro de 2024, todas as suspeitas que existiam contra António Costa. Eu sei que Augusto Santos Silva já vai dizer agora o contrário, depois de ler a notícia. "Bem, Caio, isso não pode ser, um jornal estar a publicar matérias que deviam estar em segredo de justiça." Mas ou é uma coisa ou é outra. Ou Augusto Santos Silva critica por não se conhecer o que se passa, ou critica porque sabe mais. E portanto, eu vou te ser sincero.

Isto parece mais do que uma nota, Luís, a caminho.

Eu dou mais do que uma nota, porque eu confesso que esta entrevista surpreendeu-me muito, porque eu tenho Augusto Santos Silva como uma pessoa muito inteligente e podia, como pessoa muito inteligente que é, ter argumentos mais desenvolvidos, mais profundos, mas enfim, não consegui perceber. Eu dou aqui três notas. Dou um zero pela desonestidade intelectual, dou um cinco pela falta de vergonha na cara, porque para dizer estas coisas falsas é preciso ter muita falta de vergonha na cara E um nove pela ambição de ser o candidato presidencial da extrema-esquerda, que é uma ambição que se deve registrar, tendo em conta que vai certamente ganhar as eleições. E, portanto, eu daria uma média de 4,66. É a minha nota para a entrevista de Augusto Santos Silva.

É uma nota deixada aqui pelo Luís Rosa. Vamos avançar nesta edição de domingo de "E o Vencedor É?". Vamos falar de André Ventura, António Costa, o líder do Chega. Queres ainda dar uma nota? Isto está relacionado com as palavras do líder do Chega sobre os confrontos nas celebrações do 25 de Abril. Diz Ventura que a culpa é da Câmara Municipal de Lisboa e de Carlos Moedas. Será por aí?

Não, não é por aí.

Vai ser então pelo debate?

Isso também teria muito a dizer, mas enfim. Não. É porque eu hoje estou particularmente sensível à capacidade dos líderes políticos de se apresentarem em eleições e não aceitarem o escrutínio. E no caso de André Ventura, isto divide-se em dois, mas um primeiro é ter apresentado o seu programa eleitoral praticamente depois de todos os debates, eu creio que já não tem mais nenhum para fazer. E, portanto, não deixa de ser uma coisa interessante, que conseguiu passar todos os debates sem ter uma medida apresentada que pudesse ser contraditada pelos seus oponentes.

Parece estratégia?

Não, claro que é. Eu diria que é um misto de estratégia com um misto de incapacidade e incompetência, porque já levamos à segunda parte, que é o programa dele próprio. Mas de facto, apresentar-se e dizer-se, como nos disse o próprio em vários momentos, que é candidato a primeiro-ministro. Enfim, em termos teóricos, todos os líderes partidários são candidatos a primeiro-ministro, mas nós sabemos que são teoricamente, não são na prática. Mas podemos dizer que há partidos e líderes, vou pôr as coisas nestes termos, com capacidade para influenciar a governação. E nesse sentido, obviamente que a votação do Chega nas últimas legislativas confere a André Ventura uma maior probabilidade de influenciar a governação do que a outros partidos, excluindo aqui o PS e a AD.

E o PSD. Há a questão do cordão sanitário.

Sim, mas isso é uma coisa que o próprio André Ventura tem que ultrapassar. E, na verdade, estes debates só ajudaram a confirmar que, de facto, a AD fez bem e Luís Montenegro fez bem em manter esse afastamento. O que é diferente de tentar ter políticas, e teve algumas, a imigração é um caso, em que tenta captar eleitores que por um motivo ou por outro, protesto, descontentamento, caminharam ou foram para o Chega. E captar eleitorado do Chega é uma coisa, capturar ou integrar André Ventura é outra bem diferente. Mas a mim espanta-me, enfim, talvez não devesse ficar surpreendido, mas ainda assim deixo esta nota, da apresentação de um programa eleitoral depois de todos os debates, porque o que vimos durante todos os debates? André Ventura criticou todas as propostas dos seus adversários, mas não tinha nenhuma proposta apresentada, posta em papel, que pudesse ser avaliada, escrutinada e discutida pelos outros candidatos e oponentes. E esta é a primeira parte da avaliação. A segunda parte é mesmo quando se olha para o programa eleitoral. É porque é um programa eleitoral, obviamente, que não é para quem sequer queira influenciar a governação, porque não é possível seriamente considerar que um programa destes pode influenciar a governação. Enfim, há contas possíveis. O mesmo quadro macroeconômico e a forma como foi construída a evolução do PIB, aquilo tem falhas até técnicas. Aliás, André Ventura não conseguiu sequer apresentar o nome de um economista. Um! Não se pedia mais. Diga só um. O nome de um que tenha participado neste debate e que possa responder pelas opções macroeconômicas, não é pelas opções de política, porque as opções de política são do André Ventura, obviamente, o líder do partido, mas sobre a consistência do quadro macro e do cenário orçamental, e nada daquilo bate certo, aquilo não é um programa eleitoral, aquilo é uma lista para fregueses para os seus eleitores, aqueles que foram momentaneamente e aqueles que admitem ser. Enfim, é preciso também dizer que qualquer um de nós olha para os programas do PCP ou do Bloco de Esquerda e também chegaria à mesma conclusão sobre a impossibilidade de termos aqueles programas do ponto de vista econômico e financeiro. Mesmo a iniciativa liberal também tenho que dizer, tem uma espécie de um choque fiscal que carece de maior detalhe e eu creio que o Rui Rocha não foi particularmente feliz ao explicá-lo. Mesmo assim, eu fiz uma afirmação que talvez doa bastante a André Ventura, que conseguiu ultrapassar o Bloco e o PC pela esquerda, o que é extraordinário vindo do André Ventura. E, portanto, eu dou um seis a André Ventura pela apresentação de um programa tarde e a más horas para não ser discutido, e depois, quando apresentado, por um programa que é absolutamente uma impossibilidade, não é à prática, é sequer de ser levado a sério como um programa para ser discutido, ser confrontado e ser avaliado na perspectiva de quem quer participar, já não digo ser primeiro-ministro, participar na governação.

Agora uma nota seis dada pelo António Costa. E Luís Rosa, queres também falar de André Ventura aqui no Vencedor, mas pelo que percebi, com uma ligação à PSP.

Sim, pela questão da manifestação do ERC e dos desacatos que houve. Bem, eu achei muito interessante que isso foi uma estratégia política deliberada do Chega, de Ventura. Ventura é o Chega, não há mais ninguém. Em que, por um lado, Ventura criticou Carlos Moedas por ter proibido a manifestação do ERC Ou seja, o que ele costuma apelidar, criticou a chamada, estou a citar Ventura, "falsa direita". E Rita Matias na televisão, salvo erro na CNN, explicou que a causa desses desacatos reside na hostilidade com que as manifestações do ERCT foram recebidas. Eu acho isto interessante porque demonstra duas coisas: em primeiro lugar, não é que seja uma grande novidade, mas cai aqui um bocadinho a máscara a Ventura e ao Chega, porque estão a tentar atrair votos da extrema-direita, uma extrema-direita primária, violenta, ligada a grupos de delinquentes como aqueles que são liderados por Mário Machado, que tem já um cadastro bastante significativo. E portanto, cai aqui um bocadinho a máscara ao Chega porque está a tentar atrair esse eleitorado. Eu acho que isso é interessante, porque de duas, uma: ou manifesta aqui alguma preocupação com o seu score eleitoral, com o resultado das legislativas, porque o ERCT representa algumas centenas de votos ou pouco mais. E, por outro lado, é uma defesa, de facto, não é uma defesa, é quase uma atração também pela forma como as manifestações do ERCT se portaram naquela manifestação, porque basta ver as imagens, e a CNN Portugal tem um vídeo bastante claro sobre a forma como o líder do ERCT resistiu à detenção. Primeiro insistiu em fazer uma manifestação que estava proibida, estava a desrespeitar a lei. A polícia informou que ele não podia estar ali. Apelou para que aqueles manifestantes circulassem.

Com muita paciência.

Com muita paciência. Ele quis ser preso precisamente para se armar em vítima, para se armar em mártir. Resistiu à detenção. É por isso que ao resistir à detenção, é levado à força para o carro da polícia. E depois os manifestantes do ERCT tentaram atacar a polícia para libertar o seu líder. Foi isto que aconteceu e é a realidade das coisas. E depois, num segundo momento, e noutro espaço, houve agressões. De facto, houve agressões promovidas por pessoas que já estão identificadas e umas que ainda não estão. Espero que a PSP consiga identificar todas. Espero que aquilo é um vídeo que circula muito nas redes sociais. As pessoas que viram esse vídeo certamente vão reconhecer. Um senhor um bocadinho forte, com uma T-shirt azul, de óculos escuros e de chapéu. Espero que já tenha sido detido. E que agrediu de forma primária e de forma propositada e deliberada, quase como se fosse um hooligan de uma claque de futebol, pessoas que estavam ali simplesmente de forma pacífica. Eu estou nos antípodas, se calhar, de algumas destas pessoas que estavam ali de forma pacífica, mas não é isso que interessa. Num Estado de direito, ninguém agride outra. Chama-se isso ofensa à integridade física. Isso não se faz, não é permitido, seja por que razão for. E portanto, eu acho que caiu um bocadinho a máscara a Ventura e ao Chega, porque realmente querem estar conectados com esta extrema-direita violenta, não democrática, que não respeita as regras do Estado de direito. E acho isso realmente muito interessante. Eu quero dar uma nota à PSP, uma nota muito claramente positiva, um 15, pela forma como se portou. Pode ter havido um ou outro exagero. Isso acontece naqueles momentos em que dura realmente muita tensão, mas o balanço geral eu acho que é positivo. E a Ventura, tendo em conta que gosta tanto de defender os polícias, foi muito interessante que defendeu os manifestantes que tentaram atacar a polícia e não defendeu a polícia. E portanto, vou lhe dar um cinco pela manifesta incoerência na sua estratégia de tentar apelar aos votos, mas parece que prefere mesmo o voto dos polícias, mas parece que prefere mesmo é os votos do ERCT, que são muitos, como se sabe.

Eu estive a ver enquanto falavas, Luís, fui ver os últimos resultados eleitorais. O ERCT nas últimas eleições conseguiu 0,09% dos votos, são exatamente 6034 votos.

Olha, então é mais que algumas centenas, mas se calhar são estes 6 mil votos que o Ventura quer para ver se consegue subir. Mas é realmente uma incoerência grave para Ventura, porque com a polícia a ser atacada, não acredito que os polícias gostem muito de ouvir Ventura a defender manifestantes agressivos de extrema-direita, hooligans que tentaram bater na polícia. Não me parece que os polícias vão gostar muito disso.

António Costa, 30 segundinhos.

Só para acrescentar, acho que o Luís apontou bem a contradição, mas sobretudo eu acho que vamos poder esperar mais uns dias só para que Ventura possa corrigir o tiro e vir em socorro das polícias para tentar equilibrar.

Olha, falta de vergonha na cara não lhe falta. Portanto, já agora, para sermos justos, seja para a esquerda, seja para a direita.

Exato.

Muito obrigado, António Costa, Luís Rosa. Fica por aqui a edição de domingo de "E o Vencedor É".