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Este é o Som do Juventude. Esta segunda-feira a pontuar os principais protagonistas da atualidade estão conosco e com o José Manuel Fernandes, a Sara Antunes de Oliveira e o Miguel Pinheiro. Já sabe que para além da rádio também nos pode acompanhar no YouTube, Facebook e no site do Observador. Hoje temos uma nota especial, mas vamos deixar para o fim. Vamos falar do beijo da polêmica em Espanha, da declaração de Marques Mendes, mas primeiro, Luís, olhemos para a Cimeira da CPLP.
Cimeira que decorreu ontem em São Tomé e Príncipe. Miguel Pinheiro, já falaste das declarações que foram feitas a propósito da Ucrânia nesta cimeira, no bom, mau e o vilão, mas olhamos agora para esta comunidade em si, de países de língua portuguesa, e também da presença da Guiné Equatorial. Está plenamente integrada na CPLP, como dizia ontem o presidente português?
Espero que não. Aliás, a prova de que não está é que a Guiné-Bissau, que deveria assumir a presidência agora nos próximos dois anos e acabou por assumir, mas a dada altura teve dúvidas, e o primeiro-ministro António Costa foi a correr, fazer uma escala técnica no país para convencer a Guiné-Bissau a assumir a presidência, porque perante as hesitações da Guiné-Bissau, a Guiné Equatorial decidiu fazer esse esforço de se oferecer para presidir à CPLP. A Guiné Equatorial estava desejosa de ficar com a presidência e foi preciso intervir para impedir isso, porque obviamente que toda a gente sabe que seria uma vergonha sem nome a CPLP ser presidida pela Guiné Equatorial. Eu estou para ver como é que se vai resolver este problema. Enfim, adiamos agora dois anos, vamos ver o que aí vem. Marcelo Rebelo de Sousa também felicitou o facto de se ter finalizado esta integração da Guiné Equatorial na CPLP. Aliás, Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de dizer que a CPLP foi o grande ponto do seu discurso. Aliás, esta cimeira tinha a ver também com os jovens, com a juventude, e Marcelo Rebelo de Sousa disse que era preciso integrar os jovens, a CPLP tinha que ser dos jovens ou então teria o seu futuro comprometido. Bem, convém talvez lembrar que ainda há poucos meses, há cerca de um ano, a Amnistia Internacional fez um apelo para que as autoridades da Guiné Equatorial parassem com as prisões indiscriminadas e arbitrárias de jovens. Há um problema de criminalidade na Guiné Equatorial e a solução do governo, pelos vistos, foi começar a prender jovens a torto e a direito, jovens cujo destino depois era desconhecido. Enfim, na Guiné Equatorial há dezenas de milhares de crianças que crescem sem pais por causa dos vários problemas que levam a uma mortalidade elevada no país. Há trabalhos forçados de crianças, crianças que acabam na prostituição, a pedir na rua. Enfim, muitas e muitas crianças não podem ser enviadas para a escola. Duas em cada 10 crianças morrem de doenças associadas com a qualidade da água. Enfim, se queremos falar de juventude, haveria muito para ver na Guiné Equatorial. A CPLP acabou por aceitar a Guiné Equatorial na instituição e agora tem que gerir este problema. Desta vez, no limite dos limites, António Costa impediu uma vergonha articulada com Marcelo Rebelo de Sousa. Vamos ver quanto tempo dura. Portanto, para esta dificuldade autoinfligida pela própria CPLP ao aceitar a Guiné Equatorial, enfim, dou um quatro, só para também não ser excessivamente duro.
Muito bem, fica o quatro do...
Mas mais tarde ou mais cedo, já agora, a questão vai voltar a colocar-se, como é evidente.
Certo, vamos ver até quando é que dá para adiar isto. Estou curioso para ver.
Quando se convidam pessoas assim lá para casa, depois acontecem essas coisas.
Exatamente. É, depois elas põem os pés em cima da mesa, sentam-se no sofá.
Querem fazer um discurso.
Ficam à vontade. Pois é, é assim.
Fica então este quatro do Miguel Pinheiro. Vamos agora olhar para a polêmica em Espanha, o caso Rubiales e este beijo polêmico. Sara Antunes de Oliveira, este caso tem sido muito falado, sobretudo por causa das reações ou falta delas em Espanha. Em Portugal, a Federação Portuguesa de Futebol, no teu entender, já devia ter se pronunciado também sobre este tema?
Acho que sim. Sobre este tema, especificamente sobre o que está a acontecer, porque as únicas coisas que temos da parte da Federação Portuguesa de Futebol, e até nem foram logo imediatas, é um comentário à organização conjunta do Mundial, conjunta entre Portugal, Espanha, Ucrânia e Marrocos, com a federação a dizer que a polêmica não põe em causa essa organização conjunta, porque os projetos estão acima das pessoas e dos cargos e, portanto, isto é uma coisa das federações e dos países que não fica em causa pelo que está a acontecer. Mas não era exatamente isso que eu queria ouvir por parte da federação. Se o Mundial estiver em causa perante o que está a acontecer, é para o lado que eu durmo melhor, confesso. A Federação Portuguesa de Futebol, nos últimos anos, e bem, andou a dizer-nos que não fala só sobre futebol, não trata só de futebol. Tem falado muito, e bem, sobre racismo, tem falado muito, e bem, sobre desigualdades, vários tipos de desigualdades, tem falado muito, e bem, sobre a atenção que é preciso dar a crianças desfavorecidas e tem feito um trabalho social muito interessante e muito mais intenso nos últimos anos. E de repente, acontece uma situação destas, depois de toda a campanha que a federação fez, e bem, à volta da seleção feminina de futebol
E há um silêncio que eu considero cada vez mais perturbador. Na verdade, deixem-me dizer-vos que tenho ficado um bocadinho desiludida com uma série de figuras do futebol, figuras masculinas. É verdade que têm aparecido algumas vozes. Bellerin, antigo jogador do Sporting, fez isso mesmo entre os jogadores homens, mas são muito poucos. E nós sabemos que os jogadores chegam a muito mais pessoas do que as jogadoras. E o que temos ouvido de condenação ao que aconteceu tem sido muito mais de vozes femininas do que masculinas. É verdade que em Espanha isso já está um bocadinho diferente. O Sevilha tomou uma posição este fim de semana, o Cádiz tomou uma posição este fim de semana e há vários jogadores, o próprio selecionador nacional da equipa feminina e da equipa masculina. Mas o da feminina, depois de ter aplaudido aquela declaração absolutamente surreal de Rubiales a dizer que não se demitia, veio dizer que tudo isto era muito desagradável e que era lamentável e que não concordava nada com o que tinha acontecido. Mas lá veio dizer isso. E eu estranho que a Federação Portuguesa de Futebol ainda não tenha sentido necessidade de vir dizer uma coisa que devia ser evidente, que é: isto não interessa se é aqui ou lá. Atenção, há muito esta coisa de, imaginem, num caso de corrupção num país qualquer. E há muito esta coisa de: "Pronto, nós não nos vamos pronunciar porque não é connosco. Achamos que não devemos meter foice em cear alheia." E bem, mas aqui não estamos a falar de um caso. Estamos a falar de uma coisa que tem um impacto muito grande para muitas mulheres, para as meninas que jogam futebol e que a Federação Portuguesa de Futebol quis elevar tanto nos últimos meses com o mundial e dizer-lhes que elas podem ser o que quiserem e que têm direito a fazer o que quiserem e que são iguais aos homens. Estava na altura de dizer: "Isto que aconteceu aqui não é o que vocês devem esperar." Infelizmente, não é isso que temos visto e isso eu acho que é lamentável.
Paulo, é caso para dizer que o respeitinho é muito bonito?
Sem dúvida. Aliás, nesta linha da Sara, já agora um parêntesis, eu acho que a única coisa boa que podia resultar por aqui era de facto implodir essa candidatura em que Portugal está envolvido ao Mundial 2030. Era a única coisa boa que podia resultar daqui.
Eu já nem queria ir por aí.
Mas eu vou. Não vai nada de bom, como temos visto pelos eventos que nos dedicamos a organizar. Mas enfim, isso é outra questão. Não, seguindo esta linha, de facto, eu tenho acompanhado com algum detalhe, também através dos mídia espanhóis, todo este caso, o caso Luís Rubiales, que já dura uma semana e pouco, fez ontem uma semana. Porque eu acho que é um caso simbólico, de alguma maneira, porque envolve um setor que se considera muitas vezes como um Estado à parte do Estado, que é o futebol, tem regras próprias, tem uma justiça própria e funciona muito à margem das regras do Estado, porque os governos em todo lado, de uma forma genérica na Europa, se quisermos, que é onde o futebol está mais presente, os governos ao longo de décadas permitiram isso, de alguma maneira. E agora estamos a ver em Espanha a dificuldade que o próprio governo, as instituições democraticamente eleitas e que têm que administrar a justiça naquele país, a dificuldade que eles estão a ter em agir e em fazer chegar a justiça a uma entidade, a Federação Espanhola de Futebol, que tem estatutos próprios e não responde perante ninguém, a não ser pela cacicagem completa do futebol, lá como cá. E eu tenho acompanhado o caso, que está a ter um impacto enorme em Espanha, mas também cá. Este caso tem sido abertura, telejornal, e bem. Não deixo de fazer a analogia com aquilo que se passa com casos portugueses. E nós recordamos bem o caso Boaventura Sousa Santos, do Centro de Estudos Sociais de Coimbra. Houve há um ano e pouco também casos de denúncias de assédio moral e também sexual em algumas universidades, a Faculdade de Direito de Lisboa, por exemplo. Há casos também desses no futebol português. Há um caso que envolveu o treinador do Rio Ave há dois anos também. E é curioso que nós internamente não damos a atenção devida que estamos a dar ao caso Rubiales.
Acabam por cair no esquecimento?
Caem no esquecimento. As próprias instituições onde isto acontece, o que fazem é tentar basicamente que tudo fique numas muito portuguesas águas de bacalhau. Veja-se o caso do CES, que é o mais recente. Demorou quatro meses a constituir a comissão que vai receber eventuais queixas, denúncias e vai investigar as denúncias sobre Boaventura Sousa Santos. A Faculdade de Direito de Lisboa foi a mesma coisa. E portanto, a ideia que dá é que, ponto um, as próprias instituições querem é abafar os casos, nem falo da Igreja, como é evidente. Querem abafar os casos, vão criando uns gabinetes para receber denúncias, mas a garantia que aquilo dá de anonimato, de que as pessoas não vão sofrer represálias, é próximo de zero.
E de um procedimento claro, que leva a decisões claras.
Sem dúvida.
É tudo arquivado, de alguma maneira. Depois também ninguém faz denúncias e acaba por não servir.
Mas é normal que não façam denúncias. Aliás, este caso Rubiales deve-nos alertar para isso. Reparem, aquilo foi filmado e todo mundo viu. Portanto, há provas, toda gente viu aquelas imagens. A jogadora também já se pronunciou sobre o facto do beijo não ter sido consentido. E mesmo assim, e apesar disto tudo, uma coisa que foi pública, há quem ponha em causa se o próprio Rubiales, na sexta-feira, como disse a Sara, fez aquele número surreal de ele dizer que foi consentido, que tiveram uma conversa, que ele disse: "Posso te dar um beijo?" E ela disse que sim, que foi ela que o segurou ao colo e por aí fora, que o levantou do chão. E portanto, quando há provas e o assunto é público, há uma dificuldade imensa de fazer sofrer consequências. Agora, imaginem se isto se tinha passado num gabinete, num balneário, num local qualquer, sem testemunha, em que ninguém viu. E portanto, aqui vê-se, de facto, a dificuldade que há e o calvário por que as pessoas vítimas de assédio suspeitam que vão passar e obviamente, muitas vezes não querem sequer correr o risco de depois, no fim do dia, ser o nome dessas pessoas a ser arrastado pela lama. Veja-se também o caso do CES. Já houve várias tentativas de denegrir o nome das pessoas que fizeram a denúncia original e agora ameaças de processo Precisamente para tentar movê-las. Portanto, tudo isto é uma grande dificuldade. Agora, eu gostava de saber é que as entidades em Portugal onde estas coisas vão passando, e nós não conhecemos sequer a ponta do iceberg dos assédios sexual e moral em ambiente ou acadêmico ou de instituições desportivas e por aí fora, devíamos ser mais consequentes e portanto, devíamos tirar essa lição da forma como o assunto está a ser colocado na praça pública em Espanha, com a intervenção dos poderes públicos, democráticos, governo e justiça, apesar das dificuldades evidentes em termos institucionais. E portanto, eu gostava de ressaltar essa diferença de tratamentos também para sublinhar que temos muito caminho a andar nesta matéria.
Sara, a quem queres dar a tua nota neste tema?
Dou à Federação Portuguesa de Futebol, para mim é um nove, está ali mesmo abaixo da linha de despromoção, mas com um alerta, é que esta nota vai baixando todos os dias até haver alguma posição, porque o silêncio tem estas coisas. Vai-se avolumando, e a dada altura já não há nota que resista.
Paulo, a tua nota?
Olha, eu dou à Federação Portuguesa de Futebol e a todas as entidades que têm responsabilidades nisso em Portugal, de facto por esta passividade imensa. Dou um seis a esta nossa estranha forma de lidar com estes casos.
Notas baixas hoje. Há uma declaração a marcar também o dia, a declaração de Luís Marques Mendes, que admite uma candidatura à Presidência da República, caso haja condições e caso ele entenda que isso é útil para o país. José Manuel Fernandes, como é que interpretas esta declaração nesta altura do antigo líder social-democrata?
Olha, Luís, eu vou contrariar um pouquinho esta tendência, talvez porque estou de regresso de férias, estou mais bem-disposto. Portanto, não vou correr tudo a notas negativas, vou até dar uma nota positiva.
Não, mas não sei se repararam que o Luís disse notas baixas hoje.
Sim, porque na semana passada não foram assim tão baixas, confesso.
Eu não fico assim particularmente entusiasmado com esta declaração de Marques Mendes, mas mesmo assim vejo uma virtude, que é a virtude de alguma clareza. Digamos que para quem acompanha mais de perto e especula mais sobre estes temas da política, a possibilidade de Luís Marques Mendes candidatar à Presidência da República está em cima da mesa não é de hoje, não é de ontem, é há bastante tempo. Há muitas pessoas que têm a ideia de que ele gostaria de o fazer.
Tem feito um caminho para isso, aparentemente.
Tem feito um caminho para isso e de alguma forma está a tentar repetir o caminho feito pelo atual presidente, em que parece que para chegar ao Palácio de Belém é preciso primeiro começar pelo palco das televisões e portanto é um bocadinho isso que ele tem feito. Agora, eu acho que apesar de tudo, esta clareza com que ele diz: "Estou a pensar no assunto", é positiva, porque aquilo que nós estamos habituados em Portugal é não haver essa clareza. Nos últimos tempos, temos falado, por exemplo, de candidatos da área mais próxima do Partido Socialista. Santos Silva, agora Mário Centeno, e o que há é uma total falta de clareza. Ninguém tem nenhuma segurança de saber se eles realmente estão a pensar nisso, sendo que há muitas interpretações que são feitas dos seus comportamentos, sei lá, dos discursos de Santos Silva, da forma como o governador do Banco de Portugal vai gerindo as suas intervenções públicas, que apontam no sentido de ambos poderem estar a pensar em candidatar-se à presidência. Ora bem, eu acho que isto não é positivo, era bom que nós soubéssemos com mais transparência quais são as regras do jogo, o que cada um está a pensar. Não é necessário que apresentem formalmente as suas candidaturas, mas podem fazer como Marques Mendes: "Olha, está no meu horizonte. Não digo que não gostasse." No fundo, ele não diz isso, mas é como se dissesse, isso tornaria as coisas mais claras. Portanto, eu vou dar uma nota positiva a Marques Mendes por não se continuar a esconder e por ter indicado aos outros que também devem deixar de se esconder, porque para nós é muito diferente saber se uma decisão do Banco de Portugal tem apenas a ver com os fundamentais da macroeconomia ou se tem também alguma coisa a ver com as ambições de Mário Centeno, se houver claridade sobre este assunto. E desse ponto de vista, eu até acho que Marques Mendes está a fazer algo que, por exemplo, Marcelo não fez. Todos se recordam que Marcelo manteve um tabu até o fim. Toda a gente sabia que ele queria ser presidente da República, mas ele andou imensas vezes a dizer que nunca poderia ser, que isso estava fora de causa. Recordo-me de imensas passagens dessas quando lhe era insistentemente perguntado sobre essa matéria, nomeadamente pela Judite de Sousa. Portanto, vai um 14 para Marques Mendes. Não é assim uma nota genial, mas é uma nota boa, sobretudo comparando com aquelas que têm aparecido hoje aqui no Vencedor É.
Claro, José Manuel, parece que não tens nada a ver com as notas baixas deste programa.
Nada a ver.
Os primeiros-ministros do país estão todos a desejar que o José Manuel vá de férias todos os meses. Dois dias por semana.
Depois chega e começa a estar descansado de férias. "Ah, eu sou bonzinho, vocês são todos maus."
Eu até estou bem-disposto.
Mas José Manuel, deixa-me só perguntar-te uma coisa. O facto de Luís Marques Mendes fazer esta declaração muda alguma coisa agora na forma como vamos olhar para os comentários dele que vai continuar a fazer ao domingo?
Para quem está mais dentro dos assuntos e para quem sempre acreditou que isto era o que estava na cabeça dele, eu diria que não muda muito. Mas apesar de tudo, eu prefiro um tabuleiro de jogo mais limpo e mais claro do que um onde nós, no essencial, especulamos. E agora, em vez de especularmos sobre se ele quer ser ou não candidato à presidência, sabemos que ele gostaria de ser. É uma diferença. E isso às vezes pode ajudar-nos a perceber algumas das suas análises.
E outros deveriam seguir o mesmo caminho? Por exemplo, houve as notícias, que não foram desmentidas, de Mário Centeno estar interessado. Têm havido outros nomes que têm surgido. Deviam fazer pelo menos uma manifestação da potencial intenção de se candidatar.
Eu acho que isso era bom. Já sabemos que na política muitas vezes o segredo é a alma de um negócio, mas no caso concreto, por exemplo, Mário Centeno não devia ser governador do Banco de Portugal porque não se devia sair do Ministério das Finanças para o lugar de governador do Banco de Portugal. Há aqui uma ausência de distância pessoal e política que não devia existir. Devia haver maior independência, mas ele é, sabemos como é que as coisas aconteceram e agora aquele lugar, que é um lugar onde se exige a maior independência, pensarmos que pode estar lá alguém a fazer cálculos políticos para ter um percurso que lhe permita um dia vir a ser candidato à presidência, é muito relevante. Até porque, por exemplo, uma das questões que mais tem sido discutida nos últimos tempos é uma questão politicamente sensível, não tem só a ver com economia, que é o tema da taxa de juro, nomeadamente das taxas de juro do Banco Central Europeu, nomeadamente das taxas de juro que são decididas a uma mesa de governadores onde se senta Mário Centeno. E ficamos às vezes com aquela dúvida que é: Mário Centeno está a tomar as decisões que toma ou participar nelas ou comentá-las em função daquilo que ele acha realmente que é importante para controlar a inflação ou em função daquilo que é politicamente mais relativo-
Do interesse dele
...que é o interesse dele, no sentido de dizer: "Não, eu não estou de acordo com a subida das taxas de juros." Ele não tem defendido as decisões do Banco Central Europeu com entusiasmo de quem participa nelas.
Aliás, há a ideia que foi dos mais céticos sobre o caminho, sobretudo nos últimos meses, sobre a continuação da subida de juros.
E nós ficamos na dúvida se isso é decidido porque é realmente o que ele acredita como economista ou se é decidido em função daquilo que nós sabemos que é a vontade dos políticos. Todos eles gostariam que não houvesse subida da taxa de juros.
Fica então essa nota alta para a Luís Marques Mendes e para o José Manuel Fernandes.
Alta, um 14. Alta, alta foi a nota que o Fernando Lopes Reis nos deu . O nosso ouvinte que nos ouve em Vila Nova de Gaia. Bom dia, Fernando. Enviou-nos um e-mail maravilhoso. É nosso ouvinte há mais de um ano e diz que se rendeu à excelência dos nossos programas e numa escala de zero a 20, deu-nos?
20, claro.
20. É para pormos os olhos nisto. José Manuel, nem bem-disposto.
Isto vem desempacotar um bocadinho.
Já dei 20, mas ouça lá, ouvinte é uma nota que é só para os professores.
Pois, é verdade.
Mas é muito simpático.
Temos os melhores ouvintes. Obrigada, Fernando, pela preferência, pela simpatia, pelo tempo que nos dedicou a escrever este e-mail. É espetacular.
E o "Vence Soreia" regressa amanhã. Até amanhã.