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Este é o "Juventude" das manhãs, de 3:30 até perto das 9:00. Como sempre, damos notas aos protagonistas da atualidade e para isso, Carla, esta quinta-feira estão conosco a Filomena Martins e o José Manuel Fernandes. Esta manhã vamos medir a culpa do capitalismo, a proposta do livro de excluir Marrocos da organização do Mundial de Futebol. Isto porque, Filomena Martins, a crise migratória em Ceuta ainda continua a causar reações, não só em Espanha, também na União Europeia e em Portugal.

Sim, Carla, porque eu acho que quando o Pedro Sánchez escreveu esta semana à presidente da Comissão, à Ursula von der Leyen, ele não estava apenas a pedir ajuda para Espanha no caso da crise de Ceuta. Eu acho que ele estava, na verdade, a colocar uma pergunta a todos os europeus: quando uma fronteira da União é pressionada, como foi desta vez, essa fronteira é realmente de todos ou continua a ser apenas de quem teve o azar de a ter no seu território? A resposta da Ursula von der Leyen foi rápida. Garantiu que as fronteiras espanholas são também fronteiras da União Europeia e manifestou apoio a Madrid. E esta é uma resposta politicamente importante, mas deixa aqui uma pergunta inevitável: se as fronteiras espanholas são fronteiras europeias, por que continua a ser a Espanha a suportar quase sozinha o peso político, operacional e até financeiro de uma crise como esta? E é aqui nesta pergunta que Ceuta deixa de ser uma notícia espanhola, passa a ser uma questão europeia. E porque esta nem sequer é a primeira vez que a Europa é posta à prova. Foi assim na crise financeira, foi assim na pandemia, foi assim com a Ucrânia e agora está a acontecer outra vez.

E até com a crise migratória em Itália propriamente, não é, Filomena?

Exato. É verdade que numa primeira fase, cada governo tende a olhar para os seus próprios interesses. E também é verdade que sabemos que a Europa reage devagar, discute muito, hesita, parece por vezes incapaz de decidir. Só que também é verdade que muitas vezes acaba por dar passos que antes pareciam impossíveis. Na crise financeira nasceram novos mecanismos de estabilidade, da pandemia nasceu a emissão de dívida comum europeia para financiar a recuperação económica e quebrou assim, aliás, um dos maiores tabus da integração europeia. E essa talvez seja a maior virtude da construção europeia. Chega quase sempre tarde, mas quando chega costuma avançar mais do que muitos julgavam possível. Agora a grande questão é saber se numa crise como a de Ceuta, a Europa conseguirá agir antes que os acontecimentos a obriguem mais uma vez a andar a correr atrás deles. Mas Ceuta lembrou-nos também outra realidade, porque nós durante muitos anos olhámos para a imigração apenas como uma questão humanitária, e continua a sê-lo, obviamente. Nunca devemos esquecer o drama de quem foge da guerra, da fome, da miséria, mas seria bem ingénuo ignorar que no mundo de hoje os fluxos migratórios não passaram também a fazer parte da geopolítica, porque a Turquia utilizou várias vezes os refugiados como instrumento de pressão sobre a União Europeia. A Bielorrússia foi acusada de empurrar migrantes para a fronteira da Polónia e Marrocos já enfrentou acusações semelhantes em momentos de tensão diplomática com a Espanha, como foi a crise de Ceuta em 2021. Independentemente das responsabilidades concretas neste episódio, há uma evidência que se impõe: a gestão das fronteiras e destes fluxos migratórios tornou-se também um instrumento de influência política entre Estados. E é aqui que Portugal entra um pouco nesta história, porque há quem pense que este é um problema distante, que diz respeito apenas à Espanha, ou à Itália, ou à Grécia, e isso é um erro. Portugal é uma fronteira externa da União Europeia e tem, sabemos, uma das maiores zonas econômicas exclusivas da Europa, uma vasta fachada atlântica e ligações privilegiadas à África e ao espaço lusófono. E já está a sentir, por outras vias, a pressão crescente que existe sobre as suas fronteiras. Não é uma hipótese teórica, está a acontecer agora. Em 2025 foram apreendidas em Portugal mais de 25 toneladas de cocaína. Agora, nos primeiros cinco meses deste ano, já vamos em 16 toneladas, incluindo um submersível que foi interceptado ao longo dos Açores com nove toneladas de droga. A ONU já alertou mesmo que Portugal está a ganhar importância como porta de entrada da cocaína na Europa, porque esta estava a entrar por Espanha e houve ali um aperto grande em Espanha sobre a droga, sobre a entrada da droga e estas lanchas, e ela passou a entrar por Portugal. E isto mostra que as fronteiras atlânticas portuguesas são hoje também uma questão de segurança europeia. Tudo o que acontece em Ceuta, em Lampedusa, nas ilhas gregas, diz respeito também a nós. Porque estas fronteiras externas da União Europeia são um sistema único. Se falha num ponto, a pressão acaba inevitavelmente por repercutir-se noutros. Muda e, portanto, a história da integração europeia mostra-nos que a União raramente nasce nas épocas tranquilas. Normalmente, nasce nas dificuldades. E o desafio é não esperar que cada nova crise se torne ainda maior para encontrar uma resposta comum, porque essa resposta terá de chegar, provavelmente. A questão é sempre se vai chegar a tempo.

E com isso tudo, que nota dás e a quem, Filomena?

Neste momento eu acho que vou dar à União Europeia, simpaticamente, um nove, esperando que um dia passe a ser um 10.

É aqui um dia, à espera de uma positiva por parte da União Europeia. Ora, por tudo isto até que a Filomena recordou, Marrocos é um parceiro fiável para dividir a coordenação do mundial de futebol?

Há quem ache que não, o LIVRE acha que não e por várias razões. Aliás, o co-portavoz do LIVRE, Jorge Pinto, enunciou essas duas ordens de razões. Disse que uma era de natureza política e outra relacionada com a segurança e a logística. Do ponto de vista político, há críticas à realização do Mundial 2030 em parceria com um país que ocupa ilegalmente o território do Sahara Ocidental, apesar das resoluções das Nações Unidas darem razão ou corroborar a posição de Marrocos, mas também à repressão da população, a mecanismos de violência e controle. Foram essas as razões enunciadas por Jorge Pinto, mas também questões relacionadas com a segurança e a logística. E isto não foi apenas da parte do LIVRE, em Portugal, o Sumar, partido da esquerda em Espanha, também fez as mesmas exigências e, além disso, propôs também a realização de um estudo independente sobre os riscos para os direitos humanos nos países anfitriões. Claro que isto é tudo direcionado para Marrocos.

Nada disso é novo.

Nada disso é novo.

Aliás, então por que não se pronunciaram quando Marrocos se juntou à dupla Portugal e Espanha?

Essa é uma questão, talvez a mais importante, porque nada disso, a não ser a crise migratória.

São obrigatórios, claro. Razões que eles apontam.

Nada disso é novo. É um aproveitamento desta situação para vir exigir algo que eu acho que muito dificilmente acontecerá, também por uma série de razões, que é a exclusão de Marrocos da organização. De facto, não se pode avançar para uma organização de um evento desta magnitude, com estas parcerias, com uma organização tripartida, com factos que já são conhecidos e que estão estabelecidos, e depois vir argumentar, por razões políticas, que afinal de contas aquele parceiro não é fiável. Eu até estranho um pouco estas críticas, que não costumam ser, até da parte dos partidos de esquerda, tão contundentes a outros países, que não sejam os países ocidentais. Estranho a contundência e a veemência destas críticas, nomeadamente em relação às questões logísticas. As questões políticas de base, de princípio, já existiam. Quanto às questões logísticas, parece-me estranho que quer o LIVRE, quer o Sumar falem dessas questões a propósito desta organização. Que o façam, como já foi feito, por exemplo, quando o mundial foi atribuído à Rússia ou ao Qatar, em relação aos direitos humanos, até às condições dos trabalhadores, e que seja feito e que haja, de facto, uma fiscalização e uma verificação dessas condições de trabalho, mesmo agora e mesmo em Portugal. Eu acho isso compreensível. O que eu acho que há aqui é um aproveitamento político desta situação agora em Ceuta para criticar, para atacar Marrocos e também uma certa irresponsabilidade da parte destes partidos que sabem perfeitamente que essa exclusão não vai acontecer. Nem o PP em Espanha faz essas exigências.

Está prevista a abertura do mundial, provavelmente em Marrocos. É uma das previsões.

Ou a final.

Ou a final.

As notícias de ontem é que a Espanha teria oferecido a Marrocos a final em troca de apoio de Marrocos à sua candidatura.

Vamos ver, nesta organização, Portugal é o parceiro menor, é o parente pobre.

Mas ganhará uma das coisas, ou a final, ou a abertura.

Marrocos, como estou a dizer, Portugal aqui é o parente pobre desta organização.

O que também nos leva a pensar qual é o nosso papel, por que nós continuamos nisto, já agora.

Por que nós nos metemos nisto?

Não, por que nos metemos, já agora.

Metemos com a garantia de que não iríamos gastar muito.

Não, pois, é sempre a mesma coisa.

Não faça as perguntas difíceis, Paulo.

O país está cheio de projetos que se pagam a ele próprios. No entanto, já fomos três vezes à bancarrota e a economia não descola. É sempre a mesma conversa. Com o Euro 2004 foi a mesma coisa. Agora nós andamos por essas autoestradas e vemos estádios. Qual foi aquele onde foi disputada agora a Supertaça?

Em Coimbra.

O estado relevado de toda a gente, porque depois não há dinheiro para a manutenção daquilo. Quem passa na A25, ao lado do estádio de Aveiro, vê aquilo a degradar-se. Enfim, não sei porquê.

Tem o hotel dos casamentos, que é do Algarve.

Que é o bolo da noiva, não é? Do Tavira. Como se diz? Do Tavira, Pasteis de Tavira.

Não, o de Tavira é outro.

Não é de Aveiro.

É o dos casamentos, do Algarve.

Sim, onde se fazem casamentos.

Está lá um jogo por ano, também.

Claro. E portanto, as coisas pagam-se sempre pelas próprias e vão dar muito lucro, depois é isto. Eu acho agora é que o LIVRE, para ser mais consequente, parece que ficou um bocadinho a meio da ponte, esta coisa de pedir a exclusão de Marrocos. Não, isso é um problema deles, peçam a exclusão de Portugal. Não queremos ter nada a ver com isto, até porque eu acho que neste momento a FIFA é mais infr frequentável do que o próprio Marrocos, por razões diferentes.

Sem dúvida nenhuma.

A FIFA é mais infr frequentável. E portanto, se nós vamos abrir o nosso país, a organização do mundial é convidar a FIFA para se instalar na nossa casa. Eles organizam a festa, mas a festa é dada em nossa casa. E portanto, neste momento é mais infr frequentável. Coragem era o governo português, este governo que recebeu a herança da organização do mundial, mas também que parece não estar muito incomodado com isso, era ter a coragem de dizer: "Meus amigos, estamos fora". Claro, obviamente. Os políticos portugueses nesta coisa, já que não conseguem dar muito pão, exageram na dose de circo, como se viu agora com as idas de Montenegro ao mundial. Mas enfim A mim espanta-me o nível das críticas dirigidas a um país, Marrocos, com o qual Portugal tem relações de proximidade e a Europa tem relações de proximidade, relações diplomáticas que têm de ser também preservadas. Espanta-me o nível e a contundência destas críticas que provavelmente não se viram a países como a Rússia e mesmo o Qatar quando organizaram o mundial. Defender a exclusão de Marrocos, isto não é só futebol, isto não é só a organização de um evento. Obviamente que uma decisão desse gênero teria consequências sérias para as relações entre os países, nomeadamente os países organizadores, mas também entre Marrocos e a União Europeia. Parece-me daqueles pedidos que já sabe que não vai ter nenhum efeito, então talvez exagerar no tom das críticas e nas exigências, porque sabe que não terá qualquer efeito.

Nota para o livro.

Sim, vou dar um cinco.

Um cinco. E que avaliação te merecem, José Manuel, os números do desemprego que foram ontem conhecidos?

É uma avaliação positiva, claramente, porque eu admito que no ano que vem, com todas as revisões que o INE está a fazer, haja aqui novas séries do desemprego. Mas para já, o que temos é o nível mais baixo desde 2002, portanto praticamente em 24, 25 anos. Temos também o nível de emprego mais alto de sempre, 5.400.000 pessoas empregadas. Isto são boas notícias, não há forma de dizer de outra forma. É em parte reflexo dos dados do crescimento económico do segundo trimestre. Tinha havido um certo solavanco no primeiro trimestre deste ano, o segundo trimestre correu bastante melhor e falta ver como é que vai ser o resto do ano. Mas para já, isto são indicadores muito positivos e para teres uma ideia, olhando para as séries mais longas, em relação ao momento mais crítico da nossa economia, que foi o momento da Troika, nós estamos com cerca de 1.300.000 trabalhadores a mais do que tínhamos nessa altura, o que é muito significativo e positivo. Por isso, estes números merecem aplauso, sem dúvida nenhuma. Ao contrário de uma outra coisa que também se trouxe aqui hoje.

Antes de passarmos a esse tema, José Manuel, sobre o desemprego, é verdade, a dinâmica do mercado de trabalho é como dizes, mas quando nós depois vamos para um segundo nível de análise, o que nós íamos contar é-

Que é a produtividade.

Exatamente. Com tanta gente mais a trabalhar no país, significa que a economia criou muito mais empregos, nós devíamos estar a crescer muito mais. O que significa que os empregos que estamos a criar, em média, são empregos de baixo valor acrescentado em setores de baixa produtividade. Eventualmente, o turismo terá muitos desses empregos à cabeça.

Ainda ontem no Contracorrente estivemos a falar um pouco disso e não é só o turismo que tem essa ocupação, mas o nível de crescimento do emprego no segundo trimestre foi superior ao da economia. Quer dizer que estamos muito provavelmente a criar empregos que não geram a economia que gostaríamos.

Menos produtivos.

Tivemos um crescimento de 1.9 no emprego e penso que só 0.3 na economia. São empregos que não acrescentam muito à produtividade. Mas apesar de tudo, são pessoas empregadas.

Sem dúvida.

É relevante.

Sim. Mas apesar disso, Rui Rio olha para estes números e tem outra interpretação.

O Rui Rio fez ontem um tweet, é assim que se diz?

É um tweet.

Um X, uma xizada, não sei como é que se diz. Custa acreditar o que ele colocou nas redes. O que ele disse nas redes é assim: "O capitalismo tem vindo a acentuar a acumulação e a desprezar a concorrência, agravado pelo facto de não promover uma regulação responsável e independente." Isto a propósito dos lucros da banca. Isto está tudo mal. Primeiro, os lucros da banca diminuíram em relação ao ano passado.

Já agora um título, ele publica a imagem da capa do DN, que tem o seguinte título: "Cinco maiores bancos lucram meio milhão de euros por hora." É este o título que merece esse comentário.

Pronto, é esse o título, são muitas contas que podem se fazer. Este título não chama a atenção para o facto de os lucros da banca até terem diminuído, e depois de sabermos que boa parte da banca ainda está a recuperar, ainda há contas para pagar, ainda há discussões sobre como é que se paga ou não se paga o dinheiro todo que foi emprestado pelo Estado e que, em princípio, a banca iria pagar. Segundo, ele está a falar da banca e está a dizer que é um setor onde não há regulação responsável e independente. Está a dizer que o Banco de Portugal não é independente, o Banco Central Europeu não é independente e nenhuma destas entidades é responsável. Depois, está a dizer que o capitalismo despreza a concorrência. Isto acontece numa altura em que o capitalismo está a passar por uma transformação radical com a inteligência artificial e aquilo que nós vemos são as principais empresas de inteligência artificial numa concorrência absolutamente feroz. Ainda ontem tivemos notícias da Meta, que vai lançar um produto novo para concorrer com a Anthropic, para concorrer com o ChatGPT. Está tudo em reboliço por todo lado. Semana passada foi uma empresa chinesa que entrou no mercado Ele acha que não há concorrência, acha que é só acumulação. Eu nem sei o que dizer disto. A única coisa que eu quero dizer é: como é que o PSD pode ter este senhor durante tantos anos como líder? O PSD é o quê? Isto podia ter sido feito pelo líder do PCP, talvez pelo líder do Bloco.

Mas ainda assim é feito com uma demagogia. Isto é de uma demagogia. Rui Rio é economista e devia ter mais cuidado porque arrasta o nome dos economistas pela lama. Porque dizerem simplesmente que os bancos lucram 12 milhões por dia, ou meio milhão por hora, ou 2,5 mil milhões no semestre, se quisermos, não diz rigorosamente nada. Por quê? É muito dinheiro? É muito dinheiro, mas para se saber se o lucro é excessivo, sendo lá o que seja lucro excessivo, para saber se este lucro sai fora da normalidade ou não, o que é preciso saber? É o dinheiro que foi investido nos bancos. Se me disserem a mim: "Olha, o investimento que tu fizeste deu te € 1.000 de rendimento num ano." € 1.000 de lucro, de rendimento. É muito ou pouco? Qual é a pergunta que as pessoas fizeram? Quanto é que foi o investimento?

Quanto é que foi o teu investimento?

Se eu lá meti € 10 mil, ao fim de um ano ter € 1.000, são 10% de retorno, é bem aceitável. Mas se investir € 100 mil, é 1%, é uma miséria. Fica um terço daquilo que é a inflação.

Fica abaixo da inflação.

Ora bem, por isso é que nós temos que, antes de olhar para o montante, é perceber qual é o capital que os bancos têm para perceber qual é a rentabilidade desse capital e para compararmos com outras aplicações. E a rentabilidade dos capitais da banca anda ao nível dos 15, 16%. É isto. Com o risco que têm, obviamente, eu prefiro bancos mais capitalizados do que bancos menos capitalizados. Nós já experimentamos a parte dos descapitalizados.

E foi isso precisamente que as entidades reguladoras andaram a fazer nos últimos anos. Foi obrigar os bancos a capitalizarem-se. No fundo, durante um período, os bancos tiveram muitos prejuízos porque não tinham os ratios como devia ser e agora, finalmente, têm essa situação. Nós podemos, depois, discutir algumas práticas. As comissões.

Completamente. Os depósitos lá estão, e que nós estupidamente deixamos lá os depósitos sem remuneração.

Sem remuneração, tudo isso a gente pode discutir. Agora, isto é ao nível do Paulo Raimundo.

É demagogia. E depois 40% deste lucro-

E é fácil, é aquela coisa, os portugueses não gostam de lucros.

Claro.

Os portugueses não gostam de lucros. É uma das razões porque somos pobres. E o Rui Rio carrega nesse defeito.

40% deste lucro é da Caixa Geral de Depósitos, e bem. A Caixa Geral de Depósitos está a ser bem gerida, está a devolver ao contribuinte aquilo que o contribuinte lá colocou há quase 10 anos, a recapitalização, e bem, mas também estão contra o lucro da Caixa agora, da Caixa Geral de Depósitos, que é imenso, são quase 1000 milhões. Só 1000 milhões no semestre são da Caixa, quase 900 e poucos.

Devo dizer que alguns dos títulos dos últimos dias, culpa da nossa querida classe, também ajudam este tipo de comentários, porque são títulos que de alguma forma vão no sentido de considerar os lucros sempre uma coisa pecaminosa. Mas enfim.

Vamos tentar os prejuízos, que é melhor.

Exatamente. Olha, eu para o Rui Rio vou dar um zero. Acho que não era possível dar outra coisa. E para o nível do emprego, apesar de o emprego ter, de facto, os problemas que o Paulo refere, precisamente por causa desses problemas, vou dar um 14.

E tu, Paulo?

Eu só acompanho a parte do Rui Rio. Acompanho o zero também.

Tu é que apetece mais.

Sem dúvida. E acho que a Ordem dos Economistas devia olhar para esse tipo de declarações que demonstram grande ignorância de economistas.

Está assim feito o "Youvençoré" desta manhã, que regressa mais logo na tarde política. Numa versão alargada que, como sempre, começa a seguir ao jornal das 18h, esta quinta-feira dão notas a Helena Garrido, o Nuno Gonçalo Poças e o Ricardo Ferreira Reis. Assim que acabar, chega o Alberto Gonçalves com o "Ideias Feitas". É às 18h50, na tarde política.