Em abril, quando a temporada estava a aproximar-se do fim e o Benfica ainda lutava pelo segundo lugar com o Sporting, José Mourinho foi questionado sobre o facto de os encarnados não estarem na liderança do Campeonato apesar de não terem perdido qualquer jogo na competição. Com uma formulação difícil de aceitar, mas compreensível, o treinador português deixou bem claro que não perder nem sempre é sinónimo de sucesso.
“Se me perguntarem se me dá muito prazer não ter derrotas até agora, não me dá muito. Preferia ter um par de derrotas, menos empates e mais pontos”, disse Mourinho. O Benfica terminou no terceiro lugar do Campeonato, falhou o apuramento para a Liga dos Campeões, não conquistou qualquer troféu para lá da Supertaça Cândido de Oliveira — mas não perdeu qualquer jogo na Primeira Liga.
Pablo agarrou no Rosario e o campeão foi fiel à sua fé (a crónica do FC Porto-Benfica)
E a série, na verdade, prolongou-se até este domingo. Ao perder no Dragão com o FC Porto, o Benfica sofreu a primeira derrota no Campeonato em 55 jogos, 603 dias, desde que caiu com estrondo em Rio Maior contra o Casa Pia em janeiro do ano passado. Marco Silva sofreu a segunda derrota como treinador dos encarnados, depois do desaire na estreia contra o St. Gallen nas eliminatórias de apuramento para a Liga Europa, num clássico em que apostou em Prestianni, Sudakov e Rafa no apoio a Pavlidis, deixando Schjelderup no banco e escolhendo também Fredrik Aursnes e João Palhinha no meio-campo, com Leandro Barreiro como suplente.
Depois do apito final, entre a zona de entrevistas rápidas e a sala de imprensa do Dragão, Marco Silva procurou fugir às questões sobre arbitragem, entre a expulsão de Lenglet e um eventual cartão amarelo a William Gomes que ficou por mostrar — mas não escondeu o desconforto com algumas decisões, com algumas perguntas dos jornalistas e até com as palavras de Francesco Farioli sobre as “coisas estranhas” que se vão passando dentro de campo.
“Eu concordo que a nossa entrada foi de muito bom nível, claramente dentro do plano que tínhamos traçado e com a identidade e com a coragem que têm sido a marca da nossa equipa desde o começo do Campeonato ou do começo da época. Tivemos uma grande oportunidade, alguns momentos perigosos dentro da área do nosso adversário, uma grande oportunidade pelo Prestianni… Uma entrada como nós queríamos, a condicionar muito e bem o FC Porto, a não deixar o FC Porto entrar pelos caminhos por onde normalmente gosta de entrar, e nós sempre muito bem organizados, em bloco médio muitas vezes, muitas vezes em bloco alto a tentar condicionar o FC Porto, e por isso tomámos conta do jogo. Creio que nos primeiros 20, 25 minutos fomos a equipa que tomou conta do jogo”, começou por dizer.
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[ Porto 3-1 Benfica ] Hegemonia dinamarquesa nos MVPs???? FC PORTO : FROHOLDT ???????? foi o MVP mas esteve bem acompanhado, sobretudo por dragões como PEPÊ ????????, HWANG ????????, ROSARIO ???????? e ANDRÉ SILVA ????????, todos protagonistas no triunfo do imparável dragão
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— GoalPoint (@_Goalpoint) September 20, 2026
“Depois, naturalmente sofremos… Eu tenho que dizer que nós perdemos o jogo e fomos nós que o perdemos. Não querendo desrespeitar ninguém, nós é que perdemos o jogo esta noite e é nisso que nós temos de trabalhar e é nisso que nós temos de nos focar. Havia alguns aspetos de que nós falámos bastante, era importante para nós termos o equilíbrio emocional que temos de ter independentemente de provocações, independentemente de ambientes. Temos de ter equilíbrio emocional e por isso eu digo: nós perdemos três pontos e nós perdemos o jogo”, acrescentou, garantindo depois não ter “opinião” sobre as tais “coisas estranhas” que Farioli tinha acabado de mencionar na própria flash interview.
“Acho que o clube, se quiser falar, o clube é que deve falar. Tenho de me concentrar naquilo que é importante para nós e para a equipa. Mas se o mister Farioli disse que não há coisas estranhas há que acreditar”, atirou, continuando depois com uma análise sobre o possível impacto da derrota na equipa. “Vai exigir aquilo que eu disse há pouco: crescermos. Estamos num processo de crescimento, temos de ganhar. Não andamos aqui a dizer que é só para crescer. Estamos aqui para ganhar, estamos aqui com objetivos claros a nível interno e a nível internacional, e esse é o nosso objetivo. As narrativas que irão ser criadas não são problema para nós. Nós não as controlamos e não queremos isso. Analisem. Analisem o jogo, analisem a época até agora, analisem os cinco pontos atrás, não há problema absolutamente nenhum. Nós temos de nos focar em nós, nos nossos adeptos. É importante que também se foquem naquilo que é importante para nós. Importam-me a mim as coisas que temos de melhorar. As outras coisas que não controlamos, que vão ser essas narrativas todas e tudo o que aconteceu no jogo aqui, nós não… Não vale a pena falarmos”, vincou.
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Após 55 jogos para o campeonato, os encarnados voltaram a perder. O desafio estatístico era igualar o melhor registo da história do clube – 56 -, mas a derrota no Dragão impediu esse feito. pic.twitter.com/H2JDM1gTgS
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Logo a seguir, o treinador do Benfica lembrou que vem de uma realidade de Premier League em que não é possível “condicionar a arbitragem” durante a semana e garantiu que não quer repetir os mesmos comportamentos que critica — ainda que não saiba durante quanto tempo. “Em relação à expulsão eu não vou fazer qualquer comentário. Acho que é importante, se o clube tiver de dizer alguma coisa em relação ao jogo acho que o clube deve dizer. Eu não sei se irei continuar ou se irei conseguir continuar assim até ao final da época. Venho de uma… De uma cultura diferente. Aqui, infelizmente, consegue-se condicionar árbitros antes dos jogos, depois dos jogos, durante a semana, de toda a forma e mais alguma, e por vezes dá resultado. Eu não vou entrar por aí. O mister Farioli ontem falou, falou a semana passada de coisas estranhas, portanto, entrem vocês nessa conversa com ele, porque vocês também gostam e acaba por ser importante e é bom para o futebol português, é fixe, a malta vai gostando e vamos vendendo bem o futebol português e vamos ter espetáculos muito bons”, disse, com um tom irónico.
“Hoje de certeza que a narrativa vai ser, o que se vai analisar do jogo: grande jogo, fantástico jogo, mais uma vez foi um fantástico jogo, muito bonito. Parabéns a quem ganhou, nós perdemos o jogo. Em relação à primeira questão da expulsão: não vou fazer qualquer comentário. Quero é que os meus jogadores sejam mais maduros, havendo provocações, não havendo provocações, manter o equilíbrio emocional. É fundamental para nós, no tipo de jogo que se joga aqui em Portugal — em alguns jogos, não em todos, como é lógico —, termos a capacidade de manter esse equilíbrio emocional, porque depois, no final de uma temporada, vai ser fundamental para não acabarmos jogos com 10. Nós sabíamos que era fundamental para nós hoje acabar o jogo com 11 para 11. Nós tínhamos falado disso, tinha dito aos jogadores que seria fundamental e o resultado nos iria sorrir de certeza. Infelizmente não aconteceu e nós temos de olhar para nós mesmos”, terminou.