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Vamos à análise dos temas que marcam a atualidade com notas de zero a 20. Começa agora o "Ivens Oré" das manhãs 360 e Luís Soares. Hoje juntam-se a nós para darem notas o José Manuel Fernandes e o Luís Rosa.
Vamos voltar ao caso das gêmeas, porque a investigação permitiu concluir que afinal havia outras cunhas. Mas primeiro, Zé Manuel, mais uma vez temos visto a política meter-se no futebol, agora à boleia do caso Ronaldo.
Eu, sinceramente, não sei bem o que dizer, para ser franco.
Escolheste este tema, Zé Manuel.
Claro que escolhi este tema, mas isto é tão deprimente. De repente, foi o primeiro-ministro a ligar ao treinador, a ligar ao selecionador, a ligar ao próprio Cristiano Ronaldo, a dizer que está muito preocupado, a dizer que está preocupado com a imagem do país. Vamos lá ver. É preciso ter noção. Eu não sei o que é que passou pela cabeça de Luís Montenegro. Isto era muito o estilo de Marcelo Rebelo de Sousa. Felizmente, António José Seguro vai por um caminho diferente. Evidente que a reação do Partido Socialista a isto também é disparatada. Calem-se, deixem a seleção em paz, deixem os rapazes jogar e ganhar, como ganharam ontem, e não se metam nisto. Eu fico muito deprimido quando vejo os políticos acharem que ao meterem-se no futebol ganham vantagem. Têm que se mostrar preocupados, têm que falar do mesmo que se fala nas conversas de café, que se fala em todos os estúdios de televisão, e entrar também nesta conversa mostrando inquietação. E depois lá pelo Ronaldo é da Madeira, o governo da Madeira tem que defendê-lo. Tudo isto é um disparate sem nome. Nós não sabemos sequer a história toda e mesmo que soubéssemos, qual é o tema? Nós estamos a falar de temas que poderiam ser graves. Há um tema de futebol no Reino Unido neste momento, mas tem a ver com o clube com mais títulos nos últimos anos ter violado as regras e poder descer de divisão e receber outras penalidades, o Manchester City. É natural que haja uma perceção pública dos agentes políticos que se pronunciem marginalmente sobre este tema. Agora, a seleção, um jogador que entra ou que sai, as opções do treinador, a preocupação em telefonar ou não telefonar e, sobretudo, deixar que isso seja público. Apetece-me dar duas notas: um zero ao primeiro-ministro e um 20 ao António José Seguro por se ter mantido calado. Pode ser que assim aprendam. Eu não tenho esperança nenhuma, isto não vai levar a lado nenhum, vão continuar nesta. Vamos continuar a saber quem é que pode ir aos jogos ou não ir aos jogos. Então se as coisas correrem bem à seleção na Liga das Nações, vamos ver, vamos ter mais viagens para ver futebol. Enfim, é o país que temos.
E vem aí um mundial que Portugal é coorganizador, mas ninguém conhece a fatura. Ninguém sabe ainda quanto é que isto vai custar.
Nem vai saber depois.
Vai saber passado uns 10 anos, como se sabe com os estádios do Euro.
Tem estádios do Euro onde há um ou dois jogos por ano e depois há casamentos.
E as câmaras municipais a pagarem milhões por ano.
Eu estava aqui a pensar.
Leiria, Aveiro.
Porto também é um sufoco.
Será que o Luís Montenegro tem um telefone vermelho para contactar diretamente o selecionador nacional? Porque isto faz-me lembrar o ambiente da Guerra Fria, quando havia aquelas cimeiras em Helsinki, as cimeiras entre a União Soviética e os Estados Unidos, que eram sempre coisas muito solenes, muito importantes, e uma pessoa pensava que aquilo ia decidir mesmo os destinos do mundo. E na verdade, decidia na altura. Só falta isso, só falta uma cimeira ao mais alto nível para juntar as partes desavindas e chegarem a um acordo, tudo com a intermediação do nosso primeiro-ministro. Eu acho que ainda vai acontecer.
Como ele não tem assuntos importantes para resolver no país, vai-se dedicando a estas coisas. Ora bem, fica aqui então a avaliação do Zé Manuel a este caso. Vamos agora olhar para o processo do caso das gêmeas, cuja acusação desatou aqui um novelo, ou mostrou aqui um novelo em que, Bruno, aparentemente este caso, esta cunha ou esta aparente cunha não terá sido um ato isolado por parte de Lacerda Sales.
Não, mas há aqui também dimensões diferentes. As cunhas são todas iguais, mas há umas mais iguais do que outras. O que nós vemos aqui? Há aqui vários pedidos de pessoas ligadas ao PS. Uns são pedidos de informação sobre pacientes que estão internados.
O que é logo estranho. Não há canais normais para as pessoas saberem? Não se quebra o sigilo médico.
E para o secretário de Estado.
Claro.
É isto que me faz aqui um bocadinho de confusão, porque eu imagino que se qualquer um de nós conhecer um médico que esteja num serviço, num hospital, e tivermos lá um familiar internado, é normal nós contactarmos. Não vamos ser aqui também demasiado moralistas e dizer que isso é horrível, eu nunca faria isso. Não, fazemos. E certamente muitos portugueses, incluindo se calhar algum de nós que está aqui, já beneficiamos do contacto dentro de um hospital para acelerar um exame ou uma consulta. Vamos pôr as coisas desta forma.
Bruno, uma coisa é normal, nós fazemos se conhecemos um médico, se conhecemos um enfermeiro, se conhecemos alguém no hospital, nós fazemos. Outra coisa é fazer a partir de
Digamos do Palácio de São Bento.
Mas é precisamente isso que eu estou a dizer.
É exatamente, é inexplicável.
Se uma pessoa conhece um médico, é normal, peça informações: "Olha, eu tenho aí um familiar internado, qual é o ponto de situação?" Há canais para isso.
Não, o problema é esse, Bruno. O problema é que os canais, por regra, não funcionam. Se tu tiveres um familiar num hospital, às vezes é um brochedo para tu conseguires saber o que se passa e qual é o estado clínico. Há horários de atendimento que muitas vezes não são cumpridos. Às vezes dão-te a dica: "Passe cá amanhã de manhã, pode ser que o médico esteja aí", porque os médicos não estão ali parados à espera que os familiares cheguem para saber. E depois são muitos doentes. E a falha desses canais é clara.
E quando fazemos esses pedidos de informação, estamos também à espera que haja uma atençãozinha cuidada com aquela pessoa. As coisas são como são. Agora, este caso aqui é diferente, porque estamos a falar de um secretário de Estado da Saúde, que eu imagino que tenha mais que fazer do que andar a reencaminhar e-mails com pedidos sobre o ponto de situação clínica de uma certa pessoa, se pode resolver a questão do internamento de outra, e aqui já entramos diretamente mesmo na questão das cunhas, porque se eu estou a dizer: "Esta pessoa precisa de ser internada", ou "eu acho que precisa de ser internada ou está com uma situação..."
Ou precisa de um lugar numa unidade de cuidados continuados.
De cuidados continuados, como também acontece aqui. Aqui já entramos, de facto, na questão da cunha. Já não é apenas um pedido de informação acerca do estado clínico. E toda a gente adotar este comportamento como normal, dirigindo-se a uma pessoa com responsabilidades políticas, não é a uma pessoa que esteja no hospital, é a uma pessoa que tem responsabilidades políticas e que eu imagino que, se estiver a responder a estes e-mails, deixe de estar a fazer coisas que são da competência de um secretário de Estado da Saúde. Porque lendo aqui esta notícia e a informação que é dada acerca destes e-mails encaminhados, por exemplo, por Edite Estrela ou Ana Catarina Mendes, o que vemos é Lacerda Sales imediatamente a reencaminhar os e-mails.
Para o Luís Pinheiro, diretor clínico.
Do Hospital de Santa Maria.
Que também era rápido a responder.
Que também era muito rápido para estas situações, que eu imagino que também tivesse outras coisas mais importantes para fazer. Mas de facto, estes pedidos têm aqui um nível de prioridade, isto de acordo com a triagem, não é de Manchester, mas a triagem de Lisboa, têm aqui um nível de prioridade muito elevado, porque são rapidamente encaminhados. Parece que há aqui uma urgência.
Uma via verde, uma via rápida.
Exato. Não é rápida, é quase automática. Aquilo já passa à frente de tudo e de todos, porque pelo menos aqui num dos e-mails, é reencaminhado um minuto depois.
Quase todos são reencaminhados logo imediatamente. E têm a resposta praticamente imediata também.
Afinal de contas, nós que nos queixamos tanto da falta de celeridade dos serviços, afinal temos aqui um bom exemplo.
Mas esse é um dos pontos, já agora pegando nisto. Há pessoas, há uma elite para quem o SNS funciona muito bem. São as pessoas que têm acesso aos governantes. Neste caso, Ana Catarina Mendes, Edite Estrela, Rita Ferro Rodrigues, e haverá outros casos, certamente, e noutras áreas também. Nem direi sequer que é um exclusivo do anterior governo. Nem vou por aí. Neste caso, nós temos dados, provas, nomes, factos e podemos afirmá-lo. E há uma série de pessoas, muitas delas têm que tomar decisões importantes para o país, nomeadamente sobre o SNS, para quem o SNS funciona muito bem, não há problemas de atrasos. E quem pensa no SNS, pensa noutros serviços. Não precisam de ir para as filas às 05:00 da manhã na Loja do Cidadão para terem um documento, uma senha, nem de ir para a AIMA, nem de ir para o centro de saúde, lá está, às 04:00, 05:00 da manhã para marcar uma consulta para dois meses depois, e por aí fora. E é normal que depois governantes com este acesso, que entram sempre pela porta das traseiras, que são claramente beneficiados, têm um privilégio que não está previsto na lei e que é só um privilégio que decorre ou do cargo que ocupam ou da lista telefónica, dos contactos telefónicos que têm no telemóvel, que não percebam sequer que os serviços públicos não funcionam para o comum dos mortais, que não têm esse privilégio.
E depois desfazem-se em elogios ao SNS, ao funcionamento.
Exatamente.
É o que nos vai salvar. Aquilo que estávamos a dizer em relação a isso, esse sentimento de que funciona muito bem para nós que temos acesso. Vamos imaginar uma destas pessoas que aqui até estão a fazer pedidos para outras.
Não, ainda por cima, lá está, deixa-me só fazer a diferença. Aqui estamos a falar da saúde, em que não há aqui um pedido para um benefício próprio, muitas vezes. Isto é, são pedidos bondosos. Certo? Como a maioria do pessoal querem resolver o problema de outras pessoas.
Agora imagina que uma destas pessoas tem uma consulta marcada para daí a um ano, como acontece com inúmeras pessoas, uma consulta de especialidade num hospital. Tu achas que esta pessoa, com estes contactos, vai ficar um ano à espera?
Claro que não. Para essa pessoa, o SNS funciona quase tão bem como os privados.
Mas eu gostava de dizer o seguinte: é possível alguém, vou falar do meu caso, que tenho um implante coclear, que estive uma altura da minha vida em que estava completamente surdo, recolhi a informação de qual era o melhor hospital para me tratar, que era o Hospital dos Covões, em Coimbra, e o que eu fiz? Descobri o e-mail do hospital na internet, o e-mail geral, e enviei. E recomendo isto a toda a gente que tenha problemas de surdez, que esteja a ouvir, tenha problemas de surdez graves, como é o meu caso Envie informação para o Hospital dos Covões para pedir uma consulta. Foi o que eu fiz. Identifiquei-me, mandei os meus atestados, os meus relatórios médicos, disse qual era o diagnóstico que eu tinha e pedi uma consulta. Recebi uma resposta. Não foi rápida, é verdade, mas recebi uma resposta passado um mês.
Mas responderam-
Mas deixa-me só dizer, responderam passado um mês, um mês e pouco.
Mas responderam por seres o Luís Rosa?
Claro que não.
Pronto, então.
Como é óbvio.
Então isso significa que qualquer cidadão que fizesse o que tu fizeste teria o mesmo tipo de resposta.
Com certeza que teria uma resposta. A minha crítica é esta questão das cunhas, e tu tens toda a razão na introdução que tu fizeste. Todos nós já fizemos uma coisa: "Olha, eu estou a recolher informação sobre um meu familiar, conheço alguém." Começar a recolher informação sobre como é que a pessoa está, como é que a pessoa não está, como é que está a ser tratada. Isso é uma coisa, não é passar à frente das outras. Isso é outra coisa completamente diferente. E é perfeitamente possível, e muitas vezes os titulares de cargos políticos, eu já conheci alguns, de todos os partidos. Lembro-me, por exemplo, de uma velha discussão que eu tive com o Miguel Relvas, agora vou falar do PSD antes de criticar o PS, que achava muito bem que a mulher ficou sem o passaporte e ele ligou diretamente para o presidente do Instituto dos Registos e Notariado para pedir o passaporte no fim de semana, porque a mulher precisava de viajar rapidamente. Lamento, não tem esse direito. Então ficou muito chateado comigo, porque eu decidi fazer uma manchete no "Ví" sobre isso. E depois fez lá os seus contactos, mas não conseguiu impedir a manchete, que a manchete saiu à mesma. Isso é um bom exemplo que não tem nada a ver com o partido. Se me permites, falando aquilo, Lacerda Sales, eu acho que era importante dizer o seguinte: Lacerda Sales foi acusado de prevaricação e de abuso de poder por ter violado as regras de acesso ao SNS, ou seja, beneficiou aquelas duas crianças brasileiras. Agora o que nós estamos aqui a falar não é crime, é eticamente censurável, na minha opinião. Por quê? Porque isso demonstra que existia aqui um padrão. Ou seja, existe um padrão de que alguém do PS, diretamente, como o ministro Estrela, ou indiretamente, como a Catarina Mendes ou Mariana Vieira da Silva, que são referidas, não quer dizer que o tenham feito, mas são referidas nesses e-mails, pediram uma cunha e o Lacerda Sales aceita automaticamente. Ou seja, falava diretamente com Luís Pinheiro, que era o responsável clínico do Santa Maria, que respondia também praticamente imediatamente. A cunha é algo que faz parte da nossa cultura. E aliás, recomendo também a leitura de um livro, que é a tese de doutoramento resumida do João Ribeiro, que ironicamente é ex-porta-voz do Partido Socialista no tempo de António José Seguro como secretário-geral. Mas é uma leitura muito interessante e, aliás, João Ribeiro, isso já foi noticiado, está a pedir aos partidos políticos, está a falar com os partidos políticos, ele é jurista, está a pedir que haja alguma espécie de criminalização da cunha. Isso é uma coisa também interessante que eu vou desenvolver no "Justiça Cega", depois num episódio futuro. Agora, este leve é muito interessante. Qual é aqui a questão? Quando é uma coisa entre privados, é uma coisa. Quando envolve titulares de cargos políticos, já é diferente. Isto não é uma questão de opinião ou de estar aqui a fazer o papel de moralista, é uma questão de lei. O titular de cargo político está obrigado a adquirir princípios de independência, transparência. Ora isto não é independente e é obscuro, porque é feito pela porta do cavalo.
E às vezes confundimos a cunha com outra coisa, que é quando um cidadão se dirige, por exemplo, a um responsável político. Estávamos aqui a lembrar que há uns tempos o antigo ministro Correia de Campos disse que tinha um assessor para as cunhas.
A propósito já deste caso.
Já, a propósito do caso das gêmeas, tinha um assessor para as cunhas. Ora, uma pessoa que esteja numa situação de necessidade e que se dirija ao Presidente da República, sem o conhecer, um cidadão comum, ou enviar um e-mail até para os serviços a dizer: "Eu estou nesta situação, gostava de..." Isso não é cunha. A cunha não é isso.
Certo. Mas lá está essa declaração corajosa de Correia de Campos também.
Mas eu não acredito que fosse para as cunhas.
Não tem nada a ver. Tem a ver com membros colegas do governo e membros do partido do governo.
Claro, é diferente.
Ora aí está.
Outra coisa é alguém fazer como o Luís Rosa fez, que foi à procura do e-mail do hospital e enviou e por aí fora. Eu posso também, qualquer pessoa pode ir ver os contactos do Ministério ou a OB e enviar um e-mail.
Isso não é uma cunha. Eu acho que o Correia de Campos quando dizia que tinha um assessor era para ele servir de forma natural e pela via oficial.
Claro, mas o ponto é este: se Correia de Campos tinha meios no Estado para ter alguém dedicado a isto, então que se institucionalizasse esse canal. E até podiam pôr cunhas@ministériodaSaúde.
Mas deixa-me abordar aqui o caso específico. Deixa-me só falar do caso específico de Lacerda Sales, que eu acho que é muito engraçado. A notícia que nós publicamos no "Observador" é do João Paulo Godinho, o nosso jornalista que está a consultar os autos do caso das gêmeas.
Isto agora à medida que vocês vão lendo, vão saltando coisas, não é? Como é o caso.
E vão, ainda vão surgir mais coisas. Vamos ver. Vamos ter mais trabalhos. Mas eu estive a editar a peça e li aquelas mensagens com toda a atenção. Achei muita piada que Lacerda Sales, quando se dirige ao Luís Pinheiro-
É colega.
Que ele também é médico.
Que é médico.
São médicos. Mas ele não é-
Na cabeça de Lacerda Sales, ele não está a agir como político, ele está a agir como médico.
Não, não.
Como colega de serviço.
Espera, ele sabe bem que é responsável político.
Precisamente.
O que ele quer com a utilização desse termo é cativar.
Lógico.
Não, é colocá-lo no mesmo patamar do Luís Pinheiro, mas não está no mesmo patamar.
Isso é uma empatia.
Ele tem uma relação de hierarquia com o Luís Pinheiro.
Obviamente.
Imagina que o Luís Pinheiro não respondia.
É uma empatia ao nível daquela das compotas, de estar umas compotas no vão das escadas a apodrecer.
Imagina que o Luís Pinheiro não respondia a Lacerda Sales ou dizia: "Olhe, o senhor vai dar uma volta ao Bilhã Grande." Eu acho que ele se calhar não duraria muito tempo no cargo. Isso leva a outra questão, que é a questão da politização do SNS, que é outra questão. Mas só pra terminar, eu acho que o PS é um partido que nos últimos 30 anos esteve mais tempo no poder do que o PSD. Isso se fosse o contrário, se fosse o PSD, seria a mesma coisa, ou se fosse o Chega, ou se fosse qual fosse o partido. Ou seja, isto é uma questão de quanto mais tempo tu estás no poder, mais uma lógica Nem que seja inconsciente de abuso de poder, instala-se. É por isso que nós na democracia temos regimes como limitação de mandatos, como tentar ter separação de poderes. São essas regras da democracia que tentam atenuar esses abusos de poder, não os impedem totalmente, mas tentam atenuar. E eu queria avaliar o Eurico Brilhante Dias, porque Eurico Brilhante Dias fez uma defesa férrea do Lacerda Sales quando foi acusado, quando saiu a acusação. Dizia ele: "Foi buscar os tempos da pandemia pra dizer que Sales é um homem sério e servidor do povo, que defende os mais rigorosos princípios éticos." Eu não estou a dizer que isso não acontece, mas estou a dizer que notícias como esta colocam em causa esta defesa férrea de Eurico Brilhante Dias, que é líder parlamentar do Partido Socialista.
Às vezes não conhecem os colegas de governo.
Lá está, o PS não aprende. E já agora, o PSD também teria a mesma coisa. Não aprende. Os partidos não aprendem. Tenham calma. Deixe lá os jornalistas
Então vamos a notas. Já te passo a palavra. Vamos a notas e começando por ti, Luís, nota para o Eurico Brilhante Dias.
Vou dar uma nota a Eurico Brilhante Dias. Vou lhe dar um oito pra lhe aconselhar serenidade. Ele que é muito radical a fazer declarações, lá está mais uma declaração em que ele devia ter tido mais serenidade. Para ele ter mais calma. Deixe lá sair as notícias sobre o caso das gêmeas e depois logo defende o Lacerda Sales.
O prognóstico só no fim do jogo é importante aqui.
Paulo, a tua nota também.
Só duas notas muito breves sobre isto. Primeiro, eu gostava de saber se depois também não há questões de sigilo clínico envolvidas nisso. Qualquer pessoa pode pedir um relatório clínico sobre outra pessoa e é lhe fornecido por esta via? Uma questão. Segunda questão, há aqui também pedidos de emprego, há o pedido pra uma pessoa específica deixar de estar a recibos verdes, passar a contrato. Isso foi feito ou não? E ao abrigo de que regras e com que necessidade dos serviços? Era importante também. Por último, só referir o e-mail ou a mensagem que Lacerda Sales enviou em dezembro de 2023, quando a TVI noticiou o assunto. Reparem só na sonsice. Lacerda Sales aqui já estava a tentar culpar pessoas do seu gabinete, porque ele envia para Luís Pinheiro, sabendo ele o que é que tinha feito durante esse tempo todo, troca de mensagens e estes pedidos a Luís Pinheiro, diretor clínico, envia esta mensagem a Luís Pinheiro: "É explícito que foi a diretora de serviço que marcou a consulta e, portanto, nenhum de nós." Está ele logo aqui, o Luís Pinheiro.
A obviar a questão.
A obviar a questão, ele responde: "Mantenhamos a justa serenidade." Ora bem, estão os dois agora envolvidos e acusados e em princípio vão a julgamento neste caso. É a justa serenidade.
Quanto é a tua nota, Paulo?
Eu dou um zero, não tanto pela prática, mas pela sonsice e pela defesa que Lacerda Sales sempre fez. Para fazer a sua defesa, tentou empurrar para a sua secretária, para o seu gabinete, atos que ele sabia que tinha praticado ele próprio.
E a forma como ele tratou a secretária.
Isto é tudo, e a forma como tratou a secretária. Portanto, eu acho que isso ultrapassa uma questão de lei, tem uma questão de moral e comportamento pessoal.
Vale um zero pro Paulo Ferreira. Este "O Vencedor" fica por aqui e regressa mais logo na tarde política.
Começa a seguir ao jornal das 18h. Esta tarde dão notas às "Dito França", o António Costa e a Raquel Caciz.