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Está na hora da análise aos protagonistas da atualidade. Para avaliar e pontuar, hoje estão conosco, para além do José Manuel Fernandes, o Miguel Pinheiro, e a estrear-se nas manhãs de 360, temos o editor de sociedade do Observador, o Carlos Diogo Santos, que já me disse que, como manda a tradição, temos um bolo na receção à nossa espera. Assim, sim. Bem-vindo, Carlos.

Mesmo? Eu vou lá verificar.

É verdade.

Bom dia.

Ouvi isso mesmo.

Sempre simpático. Assim está bem. Muito bem. Ora, a semana vai começar com o bolo do Carlos Diogo Santos, mas também com comparações com o resto da Europa. E não, não vamos falar da Alemanha, vamos começar pela comissária europeia Elisa Ferreira. Paulo, queres dar o pontapé de saída?

Posso dar o pontapé de saída, mas olha que a conversa não vai ser em melhor tom do que foi o jogo com a Alemanha.

Então, também foi uma goleada.

Exatamente. Não é por aqui que vamos levantar o astral, seguramente, por esta conversa. Mas Elisa Ferreira saúda-se. Aliás, o Miguel Pinheiro já há pouco falou disso no Bom, Mau e Vilão. Saúda-se a vinda de Elisa Ferreira, militante socialista há décadas, já ocupou muitos cargos no país e também lá fora. Este momento de docilidade com que ela fez a manchete da entrevista que deu este fim de semana ao Jornal de Negócios e à Antena Um. Diz ela que neste momento é penoso ver que Portugal, com estes anos todos de apoio, ainda está dentro dos países atrasados. Refere-se, obviamente, às bazadas de dinheiro que Portugal recebeu desde a adesão à Comunidade Europeia, à União Europeia na década de 80. E como é que Portugal, num estudo que tem dois anos, calculou em cerca de 3% do PIB ao ano. Se nós fizermos as contas, andarmos para trás e tirarmos 3% de PIB todos os anos, nós percebemos que sem este dinheiro da União Europeia, tínhamos estado em recessão a maior parte do tempo e a nossa miséria económica das duas últimas décadas teria sido ainda pior. E portanto ela diz que o país devia concentrar-se, ter como objetivo central, deixar de pertencer a este grupo, o chamado grupo da coesão, que é um nome simpático para designar os países mais atrasados, que têm menos PIB per capita e continuam a precisar de fundos de Bruxelas, que vêm dos países mais ricos, como é evidente, porque o dinheiro não nasce nas árvores, nem em Bruxelas. E no fundo, o que a Elisa Ferreira está a dizer é o seguinte: nós precisamos de criar riqueza suficiente em Portugal para deixar de precisar de ajuda, basicamente. E portanto saúda-se, antes de mais, que Elisa Ferreira tenha agora chegado a esta conclusão, que é uma conclusão que nem sequer é nova. Eu imagino que isto seja dos ares de Bruxelas. Ela já estava no Parlamento Europeu como eurodeputada socialista, mas de qualquer maneira, os ares de Bruxelas devem ser diferentes, porque ela está num cargo de comissária, comissária da Coesão e Reformas, que não depende de filiação partidária. Obviamente, foi designada pelo governo português, mas não está ali a representar nenhum partido, nem sequer o governo português. E portanto devem ser estes ares do distanciamento do cargo e esta abertura de lente da distância que lhe dá esta perspectiva diferente. Portanto, ela já percebeu que Portugal está especializado e viciado em fundos, basicamente, em subsídios. Somos os campeões, se quisermos pôr aqui um termo em inglês que torna a coisa melhor, mais tecnocrática. Nós estamos especializados em pedinchising. É a nossa especialização.

É o termo técnico.

É o termo técnico para isto. Agora, alguém conhece algum plano, alguma estratégia das lideranças políticas para nos tirar desta mediocridade, para deixarmos de estar dependentes deste pedinchising? Não.

Não é o plano de recuperação e resiliência?

Não, aquilo é uma série de chavões, aquilo dois terços vão para o Estado, vão ser para pagar obras.

O Miguel, o Paulo, sabe qual é que é? É que em outubro de 2020, Elisa Ferreira disse: "Portugal gastar mal o dinheiro europeu é uma ideia completamente absurda." E agora, de repente, mudou de ideias, porque de facto, o problema, eu não sei o que a levou a mudar de ideias. É que o problema é que nós levamos 35 anos a não gastar bem o dinheiro europeu. E talvez tenha feito agora luz na cabeça de Elisa Ferreira, porque de facto o que aconteceu é que ainda há um ano ela achava uma ideia completamente absurda nós gastarmos mal o dinheiro europeu, quando de facto, durante 35 anos, nós pelo menos bem não o gastámos, porque se tivéssemos gasto bem, ela não chegava à conclusão que agora chega, não é? Que é tanto ano a gastar bem o dinheiro europeu.

Provavelmente foi estudar melhor os números, não é? E comparar com os outros países da União Europeia.

Pois.

Era interessante perceber a rentabilidade económica e social de 1 € investido pela União Europeia aqui e noutros países, na República Checa, por exemplo.

Mas o problema não é esse.

Designadamente não se esquecer que em 2009 ela chegou a dizer que o dinheiro do Estado é do PS. Houve uma altura em que ela chegou a dizer isso. Eu acho que fez luz. Espero que finalmente se tenha feito luz na cabeça da Elisa Ferreira. Agora o problema é como é que ela passa essa luz à cabeça de outras pessoas.

Diz Miguel Pinheiro.

É exatamente isso. Eu acho que não nos devemos concentrar excessivamente em Elisa Ferreira, porque Elisa Ferreira pelo menos percebeu. Agora, mais ninguém percebeu, porque se formos perguntar...

Miguel, já toda a gente percebeu, acho eu.

Paulo, não sei. Acho que há aqui uma capacidade de ilusão tão grande.

Achas que o primeiro-ministro e o presidente da República não sabem de trás para frente, não fazem este diagnóstico? Quando estão ali sozinhos, naqueles minutos à noite antes de adormecer, a falar sozinhos só com o travesseiro, achas que eles não chegam a esta conclusão?

Mas acho pior, Paulo. Acho que se tu fores falar com eleitores, se fores à rua falar com pessoas e se disseres assim: "Desculpe, o senhor sabe que nós somos um país miserável, que somos um país pobre?" Que somos um dos países mais pobres da União Europeia, as pessoas ficam a olhar pra ti com surpresa, porque criou-se a ilusão de que nós, pelo simples fato de estarmos na União Europeia, somos um país rico. Se nós lhes dissermos: "Já percebeu que nós estamos há 35 anos a pedir dinheiro emprestado e que mesmo assim não saímos disto?" As pessoas sentem que o dinheiro vir da Europa é um direito que nós temos. E esta ideia que falava a Elisa Ferreira, que é nós temos que chegar a um ponto em que já não pedimos mais dinheiro à Europa, eu nem quero imaginar o que seria pras pessoas nós deixarmos de pedir dinheiro à Europa. Que razão haveria para os eleitores portugueses, pra nós estarmos na Europa, pra continuarmos na Europa, que projeto europeu seria o nosso se deixássemos de receber dinheiro? E como os eleitores ainda não se confrontaram com o fato de nós sermos um país pobre, porque nós conseguimos viver aqui numa espécie de autarcia intelectual, em que nada entra cá dentro, não nos confrontamos com a comparação entre aquilo que nós somos e aquilo que os países europeus, e até muito próximos de nós são, nós continuamos a achar que tudo isto é normal. É por isso que não existem cataclismos eleitorais, nem uma exigência dos eleitores perante os responsáveis políticos. Eu até acho que os responsáveis políticos se calhar sabem, mas também sabem que podem continuar a fazer de conta, sem que lhes aconteça nada no dia das eleições.

Esse é o drama, não é? E daí também não haver o tal plano, a tal ideia.

Eu acho que o Miguel tocou num ponto muito importante, que é o seguinte: o que é que restava do projeto europeu em Portugal sem o dinheiro da Europa?

Sem os fundos.

Sem os fundos. Porque basicamente o que muitas pessoas dizem em Portugal, muitos políticos têm dito em Portugal é: nós precisamos da Europa porque precisamos do dinheiro da Europa. E cada vez que há uma semana europeia, cada vez que há um tema europeu, cada vez que se fala do que a Europa nos dá, é quanto dinheiro é que vem aí. Ainda esta semana tivemos isto aqui, quando é que posso ir ao banheiro?

Juli Magalhães, também achas que somos e seremos subsidiodependentes da Europa?

Claro que somos, eu só discordo num ponto do José Manuel, do Paulo e do Miguel. E é neste: nós não somos um país pobre. Ou melhor, somos. A região de Lisboa e Vale do Tejo esteve sempre na média europeia de dinheiros. O país de fato é pobre, mas Lisboa e Vale do Tejo, isto que a Elisa Ferreira disse, e já há anos, já falei aqui até do spillover que houve de fundos que vinham pra Portugal, que deviam ser distribuídos por todas as regiões do país, e Lisboa e Vale do Tejo se embarcava tudo. Isso sim foi má distribuição. Não fizemos foi uma distribuição pelo país que permitisse ao país não ser pobre. O resto do país nós temos é regiões mais pobres da Europa. Somos no conjunto, porque depois na média somos dos mais pobres. Mas Lisboa e Vale do Tejo esteve sempre, ao longo dos anos, com os fundos que vieram da Europa, entre as regiões com mais dinheiro da Europa, na média europeia, sempre. E porque houve distribuição de dinheiro, isso tem a ver com a centralização do país, e não tem a ver só com o que se passa em Lisboa, não tem nada a ver com Lisboa e Vale do Tejo e com esta guerra de outras regiões contra Lisboa, nada disso. Tem a ver com aquilo que foi a governança do país à esquerda e à direita durante anos, que nunca alteraram esta situação, apesar dos muitos apelos, dos muitos discursos, de toda a gente saber isto que acontecia e ninguém fazia nada. E por isso é que Portugal, na média, é um país pobre, mas Lisboa e Vale do Tejo não era, nunca foi.

Deixa-me só dar uma achega nisso. O nosso vício em relação à ajuda europeia é tanto é que nós passamos a vida em esquemas estatísticos, não se pode chamar outra coisa, para ir retirando zonas a Lisboa e Vale do Tejo que sejam mais pobres, para que essas zonas continuem a receber dinheiro. Portanto, agora o que se fala é que fazemos um arranjo nós nas nossas regiões do plano, para que a zona de Setúbal saia de Lisboa e Vale do Tejo, para que a média do PIB per capita permita àquela zona continuar a receber fundos. E portanto, é isto, a nossa vida tem sido o pequeno esquema, neste caso mudam-se regiões do plano e por aí fora, para mostrar estatísticas a Bruxelas, para lhes dizer: "Olha, tá aqui, nós continuamos a precisar de dinheiro pra esta região." E é isto.

Não é difícil acontecer num país como o nosso. Vemos aqui na economia do jornal Expresso concursos viciados em 69% de mil e 600 cargos de todo o Estado. Como é que se governa um país e fundos quando as pessoas que estão nos cargos não têm capacidade pra o fazer? E depois é assim, os melhores tão a ir pra Bruxelas há muito tempo. Há poucos dias falei na desilusão que sentia pelo Porto não gerar políticos de topo. E não gera o país, porque os melhores vão pra política pra depois irem pra Bruxelas. Eu já falei com vários eurodeputados que me diziam: "Eu já nem consigo olhar pra política em Portugal, aquilo é tão pequenino, se concentram em coisas tão pequeninas pra quem está em Bruxelas." Há pouco o Miguel Tinheiro e o José Manuel Fernandes falavam da lente de quem está em Bruxelas. De fato, é uma lente muito mais abrangente, que depois olham pra esta política, como o José Manuel Fernandes vai falar daqui a pouco, no caso do António Oliveira e do PSD, que é um caso de fato que atravessa sobretudo os dois principais partidos, e de fato tudo isto é muito pequenino. E já há quem diga que o plano de resiliência vai ser outra vez, andam a dizer que vão criar comissões para este plano de resiliência não haver, ser bem distribuído. Não vai nada ser bem distribuído, está à vista.

Juli, queres dar a pontuação?

Pois, dou pontuação à Elisa Ferreira, porque também por sinal acho que é um nome de topo da política portuguesa que agora está em Bruxelas e que é uma pena, porque não teve lugar provavelmente aqui no nosso país. Foi pra Bruxelas, é um nome que está, mas dou-lhe 14, de fato, por esta entrevista.

Um 14 para a comissária europeia. José Manuel Fernandes, e a tua pontuação?

Eu não consigo dar uma nota positiva, porque era preciso que ela tivesse sido coerente durante mais anos. Portanto, fica-se por um nó. Fica ali nas bordinhas.

Podia, mas não chega lá.

Podia, mas não chega lá. Era preciso que ela se tivesse lembrado de tudo aquilo que, no fundo, não fez nestes anos todos. Já está a ver a luz, finalmente, mas devia ter ido um pouquinho mais longe sobre aquilo que não nos fez ver luz ao resto do país durante tantos anos.

E por isso o nove. Paulo Ferreira, e a tua nota?

Olha, eu vou tomar uma posição guterrista aqui no meio, entre o Júlio e o José Manuel. Vou dar um 12, não tão alta como o Júlio. Mais vale chegar lá tarde do que nunca e pode ser que, como fala a partir de Bruxelas, que a Elisa Ferreira seja ouvida agora por cá, pelo primeiro-ministro e pelo presidente da República. Pelo menos por esses dois.

Aqui ficam as pontuações para a comissária europeia, a comissária portuguesa. Miguel Pinheiro, não vais dar nota à Elisa Ferreira, porque queres olhar para o processo de vacinação. E aqui também comparando com o resto da Europa, é isso?

Sim, eu queria dar uma nota pra espicaçar o nosso vice-almirante Gouveia e Melo. Queria dar-lhe um nove, mas é um nove pra ver se ele se mexe mais. A forma como o nosso plano de vacinação estava planeado, até estaria tudo muito bem se estivéssemos em circunstâncias normais. Nós estamos ligeiramente abaixo da média europeia, mas tivemos os nossos responsáveis políticos a fazer o que se sabe, a permitirem festejos de futebol, quando toda mundo sabia que isso devia ter sido impedido a todo o custo. Tivemos os nossos responsáveis políticos a desvalorizarem a variante Delta e a fazer de conta que os ingleses eram maluquinhos, que estavam a dizer uns disparates e que não valia a pena estar a ouvi-los. E agora estamos nisto. E como estamos nisto, as coisas têm que andar mais depressa, porque a única forma de nós conseguirmos ultrapassar a variante Delta é com a vacinação completa. Já não é com a primeira dose, é com a primeira dose e com a segunda dose. Portanto, temos que acelerar. E a verdade é que nós vemos, nos últimos dias, que é possível acelerar, que era possível já ter acelerado mais, porque afinal nós não conseguimos ainda a meta dos 100 mil vacinados por dia que nos tinha sido prometida. Afinal, os centros de vacinação em Lisboa vão estar abertos por mais uma hora, portanto, era possível trabalhar mais uma hora. A partir de julho, vão estar a funcionar durante 14 horas, portanto, era possível trabalhar durante 14 horas, incluindo ao fim de semana. Em Lisboa vai se abrir mais um centro de vacinação, portanto, era possível ter mais um centro de vacinação. Hoje supostamente teríamos a funcionar o autoagendamento para as pessoas com mais de 35 anos e também não está operacional. Portanto, o autoagendamento falhou nos 45 anos, que não começou no dia em que era suposto. Falhou nos mais de 40 anos, em que se atrasou quase uma semana e agora está a falhar novamente nos 35 anos. Talvez o vice-almirante pudesse despedir o informático e resolver este problema. Por isso, era possível já estarmos a andar mais depressa e não estamos. O vice-almirante tem que ir bater à porta do António Costa e exigir mais do que tem agora, porque o que tem agora não é suficiente. Nós com esta taxa de vacinação e com a variante Delta não vamos lá. E depois, se calhar, começarmos já a pensar e a falar dos próximos passos. Já há vários países a vacinar aqueles com mais de 12 anos. A Suíça já está a vacinar as pessoas com mais de 12 anos e outros países também.

França também, creio eu.

Acabo já. Convinha só começar a falar sobre este assunto, porque vai haver muitas pessoas com muitas dúvidas, muitos pais com muitas dúvidas, e não vamos estar à espera da hora de começar a vacinar os miúdos para responder a essas dúvidas. E só um último ponto: mais uma vez, o rastreio está fora de controle. Continuamos a não conseguir acompanhar o rastreio. Ao fim de um ano e meio de pandemia, na suposta quarta vaga em Lisboa, continuamos a não conseguir rastrear isto decentemente. Por isso, vamos lá acelerar isto.

E por isso é que você dá esse nove.

E era importante perceber que, de facto, há aqui uma diferença de entendimentos, muitas vezes, se estamos ou não a ir rápido na vacinação. E aquilo que o Miguel te vai dizer é fundamental, porque de facto, se nós tivermos em conta a expectativa, a nossa expectativa até há bem pouco tempo, nós estamos a ir bem, porque se calhar não pensávamos que chegávamos a junho e estávamos nos 35 anos. O problema não é esse. O problema é que temos de pensar na disponibilidade de vacinas atual e de nos comparar com os outros países da União Europeia. E se pensarmos nisso tudo, temos de facto que concluir que não estamos bem e que esta imagem de rigor da task force, liderada por militares e pelo vice-almirante, não tirando méritos que possam ter e que serão vários, não está afinal a ser tão eficiente porque nos continua a deixar atrás da média europeia, de outros países que estão com os mesmos problemas, que tiveram que se adaptar rapidamente a uma vacinação em massa e que não têm militares à frente, alguns deles. Isto ainda é mais importante se nós tivermos em conta que foi crucificado o anterior coordenador da Task Force por algumas coisas que não correram bem, e de facto não correram bem. Mas agora há de facto uma imagem positiva de tudo, mesmo daquilo que não está a correr muito bem. E só aqui uma nota em relação à Elisa Ferreira, que eu não disse. Importante, e eu concordo com o que o Miguel disse, que parece que outras pessoas ainda não perceberam. E eu vou até mais longe, porque mesmo que o primeiro-ministro e o presidente já tenham percebido, de facto, os discursos de orgulho, quase de continuarmos a conseguir e de conseguirmos muito dinheiro da Europa, fica bastante claro no discurso do Dia de Portugal, quando o presidente da República disse que devemos agora usar bem este dinheiro como fizemos com o ouro do Brasil. Eu pensei que já tinha ficado claro que não devíamos sequer ter trazido o ouro do Brasil. Portanto, eu até acho que sim, devemos pensar no dinheiro da Europa como o ouro do Brasil, mas não pelos motivos que ele disse. E claro que depois com as questões dos rios, dos NUT para ajudar Setúbal. De facto, percebe-se que há muita expertice no meio disso tudo.

João Manuel Fernandes, querias também acrescentar alguma coisa? Mostrei aqui ainda a vacinação.

Queria só acrescentar uma coisa muito rápida sobre a vacinação. Acho que é o seguinte: todos nós já percebemos que cercar Lisboa é folclore, é relações públicas. Ao contrário, vacinar rapidamente a região da Grande Lisboa devia ser uma prioridade. Eu não entendo porque é que não há uma vacinação até mais tarde. Portanto, por que os centros não funcionam até mais tarde? Não compreendo porque os centros não estão abertos todo o tempo possível, isso é, também aos fins de semana, e porque não se abrem mais centros e porque neste caso concreto, uma vez que se quer proteger o país, é preciso resolver o problema de Lisboa. Não creio que neste momento haja um problema de falta de vacinas para inocular. Se já se passou também para as oito semanas na segunda dose da AstraZeneca, vamos tentar rapidamente chamar todas as pessoas que estavam à espera das 12 semanas para dar a segunda vacina, porque faz uma imensa diferença em termos de proteção. Estamos a falar de passar de 33% de proteção para 80% de proteção no caso da AstraZeneca, e acelerar o processo de vacinação, porque é a única forma de suster o problema da variante indiana, da variante Delta, que há claramente já na zona da Grande Lisboa.

É uma corrida contra o tempo.

É uma corrida contra o tempo na região da Grande Lisboa. Portanto, aí é trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana. É isso que eu acho que devia estar a ser feito. E não folclore como polícias a fazer barreiras, a fingir que não sai de Lisboa e coisas desse gênero, que é aquilo que tem vindo a ser feito.

E é por isso que o Miguel Pinheiro deu um nove ao vice-almirante. Carlos Diego Santos.

A prioridade aqui não é o vice-almirante, o vice-almirante não resolve estes problemas, porque muitos dos centros de vacinação dependem das autarquias, há prioridades diferentes. Portanto, é preciso alguém acima do vice-almirante que imponha um pouquinho de ordem nesta casa.

Carlos Diego Santos, já temos o teu bolo, só nos falta a tua nota.

Eu vou dar um 11 ao vice-almirante, exatamente pela expectativa ter sido ultrapassada e portanto, já estarmos em junho, mas de facto, com alerta muito grande que é uma positiva que sabe a negativa.

Aqui fica então esta última nota.

Entrou no espírito de presto, o Carlos. É uma positiva, mas diz: "Isto sabe a negativa, atenção."

Já vamos estar a vê-lo dar zeros. Dá-lhe dois dias que já está nos zeros, Carlos. Amanhã voltamos com nova análise da atualidade. Até lá.