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Todas as manhãs avaliamos e pontuamos os protagonistas da atualidade com José Manuel Fernandes, Paulo Ferreira e Júlio Magalhães. Hoje também com a Filomena Martins, diretora adjunta d'O Observador, e com o Carlos Diogo Santos, editor de sociedade d'O Observador. A moderação é, como de costume, da Carla Jorge Carvalho.

Olá, bom dia a todos. 45 conselhos do país já estão a aplicar as novas medidas decretadas ontem pelo Governo, em Conselho de Ministros, mas parece haver aqui uma dúvida entre a obrigação ou a recomendação para ficar em casa a partir das 11 da noite. Filomena Martins, já percebeste o que é que podemos ou não fazer a partir dessa hora?

Eu não percebi mesmo nada, nem isso, nem o resto. Para variar. Aliás, fica sempre esta dúvida, que é para nós ficarmos com dúvidas. Para ficar o país todo com dúvidas. Eu começo por dizer que não percebo o que se está a passar, mas já vem de trás, não vem de hoje. Vem da semana passada e vem da outra. Sobre o caso concreto, é difícil, porque ontem a ministra falou em limitação e nunca desmentiu a parte de ser recolhimento obrigatório quando foram feitas perguntas. Portanto, a ideia que passou cá para fora é que estamos em recolhimento obrigatório, ou seja, temos de ir para casa e temos de ficar quietinhos a partir das 23h.

E sem exceções.

E sem exceções. Ou seja, nem com certificado digital, nem nada. Por isso, a ideia é: vamos todos para casa àquela hora. A ideia que quiseram passar foi que em 43 conselhos, todos os de Lisboa, todos da área metropolitana, portanto 23 só aí, temos de ficar quietinhos. A ideia que ela quis passar foi isso. Na verdade, depois de eu ouvir constitucionalistas e toda a gente contra essa medida, porque parece que é inconstitucional, é só um detalhe, não é bem assim, é apenas uma recomendação. Está certo, é uma forma de dar a volta à lei. Mas o que me faz confusão é tudo isto, porque, na prática, que medidas são estas? Com que base é que estão a ser tomadas? Porque todos os especialistas são contra estas medidas. Todos têm avisado que isto está completamente enviesado. Não se sabe o que se passa nem como é que têm sido tomadas estas medidas. É ao sabor de que números é que elas... Estão sendo assim tomadas, uma aqui, uma ali, uma semana uma, uma semana outra. Porque primeiro foram-se embora as conferências de imprensa diárias, depois foram-se embora as reuniões com os peritos. A oposição está calada, nem sequer sabemos se é informada, se não é informada. O governo anda ao sabor de uma matriz que toda a gente está a dizer que está completamente ultrapassada. A ministra está desaparecida, vai aos programas da Júlia de vez em quando. A DGS, a nossa Diretora-Geral de Saúde, há de estar de férias. O cerco em Lisboa não funcionou, claramente. E obviamente que tal não funcionou. A área é tão grande que está isolada, que quando estava concentrado o vírus em Lisboa e um ou dois conselhos, neste momento está em todos, está em 23. Ninguém dá crédito já a nenhuma destas medidas.

Desculpa, deixa só eu interromper.

Nada.

Como é que tu querias que o cerco a Lisboa funcionasse? E a ideia do cerco a Lisboa...

Mas eu nunca ia.

Claro.

Sempre não funcionava.

A ideia era evitar que esta variante Delta se espalhasse pelo resto do país.

Nada.

Mas como é que uma coisa que funciona de sexta à tarde até domingo. Parece que entre segunda-feira e sexta-feira de manhã as pessoas não saem de Lisboa para trabalhar, já agora.

Não é nada, mas isso é tão fácil de levar. Primeira coisa, esta ideia dos jovens não se reunirem é uma coisa de loucos. Eu nem entendo esta história de testar os jovens ou testar as pessoas, e agora com os testes grátis. Assim não funciona. Tu consegues perceber? Eu tenho uma filha de 23 anos e tenho um sobrinho de 23 anos que são da mesma idade. Achas que eles vão fazer um teste à farmácia? Não. Ou lhe levam um teste e levam forma de eles o fazerem, ou eles nem sequer pagam, nem o que quer que seja, nem com testes gratuitos. Ou lhe arranjam forma de eles o fazerem. E de outra forma. É muito fácil. As pessoas não saem ao meio-dia, como eu costumo dizer, saem às 10h, saem às 8h. A oposição também está calada, tudo ao Deus dará. É uma bandalheira completa, parece que está tudo satisfeito com o que está a acontecer. Além disso, o Marcelo depois entretém-se a arranjar desculpas para não chamar a isto confinamento, mas safar, com o rabo à seringa, neste caso concreto. E a ministra do tudo, que agora temos uma ministra do tudo, diz umas coisas, também não se sabe quem é que está a decidir isto. E o que se sabe é que isto é tudo absolutamente ridículo, digo eu. E os miúdos, obviamente, não se juntam nos bares, ainda por cima me irrita isso, não se juntam nas esplanadas, que estava bom tempo, juntam-se em casa. Porque há um ano e meio que os bares e as discotecas estão fechadas e não é por isso que não tivemos já quatro ondas. Juntam-se em casa, que é pior, porque supostamente ao ar livre até é melhor. E é fácil furar os cercos, sejam os jovens, sejam os mais velhos, porque tu não sais de casa às 15h de sexta-feira e sais às 21h, 22h, 23h, e estás em qualquer sítio do país em três horas. E portanto, levas na bagagem a Alfa, Beta, Delta, o que tu quiseres. Isto é absolutamente inconcebível que tenha acontecido. Aliás, não é inconcebível, é ridículo, porque estas medidas das últimas três semanas são absolutamente ridículas. E para a semana temos mais umas. Pronto, acabou.

São ridículas, mas custam empregos, custam empresas.

Custa mais que isso.

Muita gente. Custa mudar a vida a milhares ou milhões de pessoas. É ridículo, mas não são sem custo. Podia ser uma coisa ridícula sem grande impacto na vida de qualquer cidadão.

Deixem-me só chamar um pouquinho a atenção para aquilo que é...

Muita gente vai começar de férias amanhã.

Sim, José Manuel Fernandes, queria chamar a atenção para?

Eu queria chamar a atenção para aquilo que me parece... Várias pessoas têm dito que nós não podemos continuar a trabalhar com a matriz Que foi desenhada numa altura em que a situação do país era muito diferente da atual. A situação do país quando a matriz foi desenhada, não havia vacinados ou praticamente não havia vacinados, era irrelevante o número, e hoje temos vacinados. E vamos ver qual é a diferença. O ano passado, nesta altura, nós tínhamos uma situação em que não havia vacinados e agora temos vacinados. Na altura, toda a gente se recordará, estávamos a entrar em julho, éramos um exemplo da Europa, tudo tranquilo. O país já tinha passado por aquele primeiro grande susto, as pessoas estavam todas a desconfinar, a voltar a fazer umas férias domésticas, muita tranquilidade no país. Tínhamos uma média, em julho, tenho os números aqui à frente, 336 casos por dia. Hoje estamos com 1700, cinco vezes mais. Ora bem, mas também estamos com cinco vezes mais testes. Em termos profissionais, estamos a fazer cinco vezes mais testes, estamos a apanhar cinco vezes mais casos. Como é que estamos de internados? Tínhamos 468 internados o ano passado, por esta altura, temos 480 agora, o mesmo número de internados, praticamente 12 de diferença. E como é que estamos de mortos? Média de mortos nos últimos sete dias: cinco mortos no ano passado, três mortos este ano. Estamos melhor. Portanto, por que é que o ano passado estávamos tranquilíssimos, não havia cercas, não havia conselhos fechados, não havia ameaças de recolher obrigatório e agora estamos neste histerismo? Porque temos uma matriz que não faz sentido e vamos continuar a ter as pessoas todas preocupadíssimas, porque naturalmente, como agora vamos ter ainda mais testes, ainda vamos apanhar mais infectados e portanto, como a matriz está baseada no número de infectados, estamos todos centrados nisso. Não percebemos que a maior parte dos infectados que estamos a apanhar são pessoas que têm uma infecção ligeira, que não dão, como eu acabei de mostrar, doença grave. Porque os casos que dão doença grave, felizmente, as pessoas já estão vacinadas e isto tem que ser tratado de uma maneira diferente. Deve ser tratado de uma maneira diferente. E é isso que nós devíamos estar a tratar. E o foco devia estar em dizer como é que as pessoas se devem comportar para não aumentar o número de infectados. Independentemente, se nós fizermos mais testes, vai aumentar o número, porque há uma taxa de positividade e uma taxa de testes. Quanto mais testes realizarmos, mais pessoas vamos apanhar. E agora com os testes comparticipados e testes gratuitos, e a obrigatoriedade dos testes, vamos apanhar mais pessoas, naturalmente. Mas há uma questão que é muito importante e que entretanto se perdeu no meio desta confusão de comunicação. É que basta andar na rua pra perceber que há muito desleixo no cumprimento das regras de afastamento, no cumprimento das regras de higiene, no cumprimento de regras de comportamento, porque sobre isso já ninguém fala. Isto perdeu-se.

Isto perdeu-se porque os sinais que foram sendo dados foram completamente contraditórios.

Exatamente.

Então, mas como é que o Estado permite aos dias pares que haja festejos de futebol com milhares de pessoas na rua, sem qualquer intervenção, sem qualquer prevenção, e depois no dia seguinte vem dizer: "Vocês têm que ficar em casa". Não pode.

Uma pessoa da minha família disse que tem um filho que foi pra Sevilha, que nem sequer tinha bilhete pro jogo e que de repente ela começou a ver as fotografias no Instagram da balbúrdia que foram os festejos em Sevilha, os festejos antes do jogo e o que aconteceu depois do jogo. Toda a gente que foi ao apelo de Sua Excelência o Presidente da Assembleia da República, acompanhar a Seleção pra Sevilha. Resultado: quando o filho voltou, alugou um quarto no Airbnb pra não ir infectar o resto das pessoas pra casa.

Mas quantas pessoas farão isso, não é?

Mas ela teve cuidado. Agora, a maior parte das pessoas nem tem disponibilidade pra fazer isso. Porque isto custa dinheiro.

Claro. Carlos Diogo Santos, também encontras aqui muito desnorte na forma como se está a abordar a pandemia nesta altura?

Sem dúvida. E além de tudo aquilo que o José Manuel estava a dizer agora, e voltando àquilo com que iniciámos, nós voltámos a um problema de comunicação. Porque aquilo que nós falámos aqui esta manhã é aparentemente um problema de comunicação, de comunicar as medidas de forma não clara, porque o que ontem era uma proibição de circulação a partir das 23h nos conselhos de risco elevado e muito elevado, sem exceções, nem sequer pra quem tinha o certificado digital, segundo a ministra. Hoje, afinal, vamos descobrir que é uma recomendação. E não foi só toda a gente a entender mal e a interpretar mal aquilo que foi dito. Está por escrito num PowerPoint do Conselho de Ministros: "Limitação da circulação na via pública a partir das 23h nos conselhos de risco elevado e muito elevado". Não foi só uma interpretação dos jornalistas, não é: "Bom, interpretou-se mal e ninguém corrigiu." Não, isto está escrito e não diz em lado nenhum que é uma recomendação. E isto, às vezes, deixa Dá a entender, como hoje, que os problemas de comunicação não são apenas isso. Parece que é um se pegar, pegou. Nós não podemos ter esta medida, vamos comunicar esta medida e depois, no papel, naquilo que vale, coloca-se o que é realmente. Mas se as pessoas souberem hoje, neste briefing, que não podem sair de casa a partir das 23:00, nem com teste, nem com certificado, pode ser que consigamos que haja menos pessoas nas ruas. E isso é muito difícil de gerir e de perceber. E de fato, a mensagem nunca passa ou raramente tem passado, e é muito por culpa também destes erros.

Mas isto acontece, Paulo, e chamando também para esta discussão, este se pegar, se pegou, como diz o Carlos. É porque o governo não pode legalmente, nesta altura, obrigar ao recolher obrigatório.

Não pode, aparentemente, pela Constituição. A não ser que haja um Conselho de Ministros que ache que pode.

O Diário da República diz que não quer voltar ao estado de emergência.

Sem dúvida, mas isto que o Carlos estava a dizer, de facto, há aqui esta ideia que é: deixar passar uma ideia para as pessoas que não é real. Porque não há nesta portaria, nesta resolução do Conselho de Ministros, nada que impeça as pessoas de sair. A formulação, já agora, é que nesses municípios de elevado risco, entre aquelas horas, 23:00 e 05:00, e cito agora: "Os cidadãos devem abster-se de circular em espaços e vias públicas." É isto, devem abster-se. Devem abster-se é assim, devem evitar, no fundo, mas podem não evitar. Vai ser muito interessante ver se-

É que não só é o devem, como é o abster-se. Não é devem ficar em casa.

Não, exatamente. Devem abster-se de sair na rua. E vai ser interessante perceber qual vai ser a atitude das autoridades policiais, nomeadamente nos próximos dias, quando a medida entrar em vigor. Vão mandar as pessoas para casa, se houver pessoas que estão na rua sozinhas? Vão recomendar?

Vão aconselhar.

E com que base legal? Vai ser interessante perceber isto. Mas o que o Carlos dizia é isto: mesmo que se deixe passar a ideia de que há um recolher obrigatório, e basta fazer uma ronda hoje pelos títulos de jornais, toda a gente, mas toda a gente, o Público, os Pretos, JN, Observador, toda a gente fala de recolher obrigatório. E recolher obrigatório é aquilo mesmo, é obrigatório, não é o devem abster-se.

Já aconteceu ano passado.

Exatamente. E, portanto, a formulação do Diário da República não é aquilo que o governo ontem quis fazer passar, porque se o governo com esta ideia conseguir fazer com que mais pessoas fiquem em casa, tanto melhor para o controle da pandemia. Mas basicamente, nós estamos aqui a ser vítima. Não é de agora, já foi assim em janeiro.

Olha que nem se esquece de ser melhor para o controle da pandemia.

Pois, porque as pessoas depois juntam-se em casa, não é? Não podem ir para a rua, sobretudo os mais novos, que agora ainda por cima estão a entrar de férias. Vai se vendo aqui e ali, de facto, em varandas e por aí fora, ajuntamentos de malta mais nova. Mas basicamente, nós estamos a ser vítimas naquilo que é tudo feito em cima de esgolho, de improviso, sem preparação. Falha-se a testagem em massa e devidamente organizada, desde o início que se fala nisto. Continua-se a dizer: "É preciso testar em massa". Falha-se na identificação das cadeias de contágio, nunca se consegue chegar a lado nenhum. Nos outros países já se vai vendo que o jogo de futebol A, o evento B, contribuiu para o contágio de 500 pessoas, de 300. Todos os dias está nas notícias. Nós cá estamos há 50 dias, talvez, sem saber o que se passou naqueles festejos do Sporting. À espera de um inquérito. Nem sabemos se houve um contagiado aí. Já se disse que nos transportes públicos não há contágios, já se disse que nas escolas não havia contágios, tal como não há nos festejos do futebol e na Champions League. Andamos sempre nisto. Basicamente, eu acho que a agenda do governo essa fase, em termos de comunicação para o dia seguinte, não deixar que haja casos que alastrem muito. Casos não de Covid, casos midiáticos e políticos. E andamos nisto.

Sim, Filomena.

Deixa-me só meter aqui uma colherada, que é: fui ontem às farmácias onde já era grátis fazer o teste. Todas as farmácias, primeiro ponto, não sabiam ainda, apesar de já estar em Diário da República, já tinha sido promulgado, estava tudo ok, era grátis fazer o teste, mas nenhuma farmácia tinha ainda a indicação. Nós tínhamos que nos impor para fazer o teste grátis, ponto um. E depois, toda a gente tinha corrido às farmácias de Lisboa para fazer o teste grátis. Havia uma loucura nas farmácias de Lisboa. E todas as farmácias tinham que passar pela aquela parte burocrática que o ano passado entupiu hospitais, que era: tinham que colocar os dados naquele Sinelab, ou como é que se chamava aquilo, aquele programa, aquela base de dados, das pessoas que tinham ido fazer o teste. E vai entupir as farmácias com aquela parte burocrática. Isto vai ser completamente loucos fazerem o teste grátis. É a loucura completa.

Filomena, temo uma nota muito baixa da tua parte, queres dizer quem é o teu vencedor/perdedor?

E o teste não é grátis. O teste não é grátis, porque o teste custa €25 e a comparticipação é €10.

Eu gostava de saber quais são os miúdos que vão trocar uma cerveja pelos €10. Quanto é que custa uma cerveja, que eu não sei agora? Quem me ajuda?

Depende do sítio. No supermercado é bem mais barato. €1,50, talvez, uma Imperial.

Pronto. Então 10 cervejas por um teste.

Filomena, a tua nota.

Eu ainda estive inclinada a dar à Mariana Vieira da Silva, que agora é a ministra do tudo. Mas eu acho que ela é só a porta-voz, coitada, que diz as medidas que foram decididas não sei por quem. O chefe do governo, para a minha nota, é zero, como sempre.

Aqui fica um zero.

Não vale a pena dizer porquê. Ainda por cima se esconde, eu detesto pessoas que se escondem, não gosto.

E por isso vai o teu zero hoje para o primeiro-ministro. Carlos Diogo Santos, tens vencedor ou tens perdedor?

Tenho também perdedor. Acho que não podemos desculpar assim tanto a ministra Mariana Vieira da Silva, porque ela de facto esteve no Conselho de Ministros e sabe o que foi decidido e é um pouco mais do que porta-voz quando chega àquela conferência de imprensa e anuncia. Vai um cinco para a ministra Mariana Vieira da Silva, porque de facto aquilo que disse não se veio a confirmar.

Aqui fica um cinco então para Mariana Vieira da Silva. José Manuel Fernandes, e o teu vencedor?

Eu vou ter que acompanhar a nota da Filomena, mas vai para a Mariana Vieira da Silva, porque eu não gosto de ministros que mentem. Vou ter que ser duro, não vou usar o eufemismo da moda que é faltar à verdade. Neste caso, é mesmo mentir.

Não vais para a nota humilhante, vais mesmo para o zero.

Vou mesmo para o zero.

O zero ainda é mais humilhante. Paulo Ferreira, o teu vencedor?

Eu acompanho o Carlos aqui no cinco.

São simpáticos.

Há que ponderar toda uma prestação de um ano letivo inteiro e não apenas com base num exame. Acompanho o cinco do Carlos, porque de facto há aqui uma confusão de comunicação, premeditada ou não, que nasceu ontem neste briefing. Portanto, cinco.

Um cinco aqui.

Agora vem o simpaticérrimo do Júlio.

Exatamente. Então vamos ao Júlio, que é muitas vezes simpaticérrimo. Não sei se é o caso. Júlio quer mudar de tema. Esteve a ler a entrevista que o ministro Augusto Santos Silva deu ao Expresso e é sobre isso que queres falar. Júlio, ficas com a ideia que Augusto Santos Silva se está a despedir do governo?

Pois, bom dia. Eu prometo entrar nesta vossa discussão quando for decretado o cerco ao Porto, por isso é que eu hoje estou bem. Quis aligeirar hoje, até porque é sexta-feira, vamos fim de semana. E deixa-me fazer só uma correção.

Já há alguém com bom senso aqui, Júlio.

É, tem que haver. É fim de semana. E quero dar uma correção, porque também fui eu que te informei mal. Eu não li ainda a entrevista do ministro Santos Silva ao Expresso. Hoje a minha explanação vai só para o título da entrevista do ministro.

Só listas gordas ainda, não acho mal a esta hora da manhã.

Portanto, é só baseado no título e vou tentar ser breve, porque a nossa única medida restritiva neste programa é o tempo. O ministro Augusto Santos Silva já tem 5229 dias no poder, nem Cavaco, nem Costa o ultrapassam, é um longo percurso. Só por isto já merece nota positiva, porque nos tempos modernos temos que reconhecer que não é fácil ser político, ministro durante tanto tempo, estando com uma exposição muito grande e hoje com o escrutínio que há até nas redes sociais. Este é um ministro discreto, que para estar tanto tempo no poder e para se ter aguentado é porque também nunca se expôs a escândalos, a coisas complicadas, não cometeu assim tantos erros. Terá cometido muitos, com toda a certeza, mas não cometeu tantos erros. Mas olho para este título e o título é este: "Espero que o PS me permita voltar à minha profissão". E depois até se diz: "Santos Silva prepara o adeus ao governo". Eu não fiquei nada com essa ideia. Até fiz aqui um quiz, não é para vocês responderem, não temos tempo para isso. Como eu vos disse, era para aligeirar um pouco isso. Baseado nesta pergunta, fazia este quiz: A, se não me permitirem, eu fico. B, é um recado combinado com o primeiro-ministro a outros ministros para facilitarem ao primeiro-ministro a tarefa de remodelar. C, já que me comeram a carne, agora também me comem os ossos e se não quiserem que eu saia, pois, eu fico. Ou ainda outro quiz. A, eu quero ir de vez para o Porto. B, isto não está para melhorar e por isso o melhor é sair quanto antes. C, caro António, ou mudas isto ou eu não estou para isto. Não é para vocês responderem, mas vocês até têm outras questões para acrescentar.

Se calhar é um bocadinho disso tudo, não, Júlio?

É um bocadinho disso tudo, se calhar. Mas foi mesmo para aligeirar e foi mesmo para dizer que esta frase: "Espero que o PS permita voltar à minha profissão", embora tenha um poder político e tenha uma expressão política grande, uma altura.

Qual é a profissão de Augusto Santos Silva? Já me perdi no meio disto tudo.

Podia ser uma frase mais expressiva. Ou "quero mesmo ir-me embora", porque isto faz lembrar aqueles presidentes de clubes ou os presidentes de câmaras que dizem: "Eu vou-me embora, estou farto", a menos que haja uma vaga de fundo.

"Segurem-me, senão vou-me embora", não é?

"Eu fico, segurem-me, senão vou-me embora". Apesar de tudo, dou um 16 ao ministro, porque cinco mil e tal dias no poder é obra no país que temos. Dou 10, porque esta frase podia ser um pouco mais explícita ou pelo menos ter outra força política, ou pelo menos dizer: "Eu vou-me embora, chega. Agora quero voltar mesmo à minha profissão e à minha cidade." Fica numa média, num 13, para ser simpático como vocês ficam. E não é por ser um homem do Porto.

Não, isso fazemos outro quiz para ver se és ou não condicionado por isso. Entretanto, o Paulo Ferreira já foi tentar perceber qual é a profissão de Augusto Santos Silva.

Figuras como a de Santos Silva, que estão há tanto tempo na política que nós já não sabemos o que é que eles fizeram antes. Ele foi membro do governo e deputado, é licenciado em História e é professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Vai dar aulas.

Em princípio, o regresso à profissão deve ser dar aulas. Eu não sei se ele ainda sabe como é que se dá uma aula.

E António Costa vai ter que o deixar sair também. Bom, fica feita a ronda pelos vencedores desta sexta-feira. Estamos de regresso na segunda para uma nova análise à atualidade. Até lá, bom fim de semana.