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Começa agora o e o Vencedor das manhãs 360 e esta quinta-feira para a análise aos protagonistas do dia juntam-se a nós a Sara Antunes de Oliveira, o Miguel Pinheiro e o Pedro Jorge Castro. Carla.
Bom dia. As eleições autárquicas estão a aproximar-se e por isso continuam no foco do vencedor, mas há outros temas da atualidade e há outros que não estão na atualidade, mas se calhar deviam. Pedro Jorge Castro, não era suposto estarmos já a pensar em deixar a máscara na rua com o avanço da vacinação?
Bom dia.
Bom dia.
Olha, Carla, eu sei que tu te levantas muito cedo e, portanto, nem sempre dá, mas tu tens saudades de ir a um espetáculo?
Tenho. Tenho muitas.
Maria João, estás aí?
E bem, claro que sim. Claro que estou aqui, claro que tenho saudades.
Estás farta de ter de usar máscaras na rua?
Fartinha. Sim, e com o calor não é agradável.
Não apetece.
Muito bem. Paulo, sei que és um homem digital, mas também tens de lidar com muita burocracia e estás farto de não poder ir a uma loja do cidadão sem marcação prévia?
Completamente.
As saudades que o Paulo tem de ir a uma loja do cidadão.
Exato, não seria a primeira coisa que eu me lembrasse, mas obviamente faz falta.
Diz que sim para não estragar aqui o efeito. Sara, sei que tens muitos amigos. Incomoda-te ou não ter de contar os amigos quando há jantar fora e não poder estar à vontade para levar o teu grupo de 15 pessoas para uma esplanada ou a noite para dentro de um restaurante?
Ou mais, 15 é uma chatice, de facto.
Mais ainda não, calma. Mais ainda não, mas 15 já seria possível. Miguel, conheço-te há muito tempo. Sei que te chateia mesmo muito.
Eu não tenho amigos, não tenho 15 amigos. Não me faças essa pergunta, por favor.
Não, para ti guardei outra que é mais apropriada. Eu sei que te chateia mesmo muito esta coisa dos casamentos e batizados só poderem ter metade dos convidados.
Sabes que por acaso tem dado alguns aí, mas sim, chateia-me imenso. É horrível.
Parece que temos todos razões para ficar ainda um bocadinho mais chateados. Parece que estamos mesmo quase a atingir os 70% de população com a vacinação completa. Está previsto que isso possa acontecer já esta sexta-feira. Se não for sexta-feira, será muito em breve. Estamos, de facto, muito perto dessa meta. E qual é a importância deste número dos 70%? É que é a meta mágica anunciada por António Costa para passarmos à fase dois deste alívio das restrições. Ora, tendo em conta a importância que isto tem para tanta gente, incluindo para vocês, e o impacto em tantos negócios, devíamos estar todos a assistir uma corrida em todo o país para ver quem é o vacinado 70%. Faz lembrar aqueles concursos antigos, a pessoa sete milhões a receber a segunda dose da vacina devia ganhar um prémio, ser entrevistada nas televisões, com um arco-iris dentro e tudo. Só que sexta-feira, já amanhã, isto está tudo muito parado. Ontem vi uma peça na SIC a falar disto e dizia-se que nem há Conselho de Ministros esta semana, porque só reúne duas em duas semanas em agosto, devido às férias. E também não está previsto convocar nenhuma reunião extraordinária para antecipar o alívio das restrições ou pelo menos para discutir o assunto. Custou-me um pouco a acreditar nisto, porque o governo é que aprovou esta resolução do Conselho de Ministros a fixar esta meta dos 70% vacinados completamente. Andaram as equipas dos centros de vacinação a fazer horas extraordinárias numa corrida contra o tempo para vacinar o máximo de pessoas. Estamos a falar de um esforço muito significativo, tendo em conta que estamos em agosto e sabe-se lá com que dificuldades é que conseguiram acelerar este ritmo. Também conheço vários casos de famílias que interromperam as férias para se deslocar ao centro de vacinação da área de residência, porque não era possível as pessoas serem vacinadas noutro local, para apanhar a vacina e não correrem o risco de ficar para o fim. Atingiu os 70% e agora ficamos à espera, todos aqui com as vidas penduradas. Vamos ficar à espera de quê? Que os governantes em funções cumpram o calendário que tinham previsto antes, em vez de se dignarem a cumprir aquilo que prometeram aos portugueses, ou pelo menos a avaliar se há condições para avançar neste desconfinamento. Isto até é um bocadinho contra natura com as próprias políticas defendidas pelo governo. Tivemos a ministra da Cultura muito preocupada com a situação dos artistas. Agora a possibilidade de colocar mais gente nas salas de espetáculos, que passam a poder preencher até 75% da lotação. E parece que é indiferente, mais espetáculo, menos espetáculo. Já estão os artistas todos arruinados mesmo, portanto, isto não faz muito sentido.
Eu não acho nada que seja contra natura. Pelo contrário, acho que revela coerência, porque quando era preciso tomar medidas de restrição, nós esperávamos pela próxima reunião do Infarmed, esperávamos pelo próximo Conselho de Ministros, esperávamos pela revisão da matriz de risco, esperávamos por qualquer regra que estivesse criada, independentemente de já todos estarmos a ver que era preciso algum confinamento em algum sítio, alguma cerca sanitária, que todos nós fomos antecipando já as coisas à medida que elas iam acontecendo. O governo foi, aliás, muito criticado por esperar sempre pelo dia X para ir avaliar como se o vírus estivesse à espera do cumprimento desses tempos. Agora o governo está a fazer o mesmo.
Mas repara que esse dia X foi traçado pelo próprio governo. O próprio governo é que pôs esta meta dos 70%.
Não foi o dia, já era uma meta.
Exatamente. Portanto, deviam estar à espera do dia em que chegássemos a isso.
Mas também tem a regra de que em agosto é de 15 em 15 dias, Pedro.
Pronto, isso é que é um problema grave.
Pedro, e se fizéssemos ao contrário? E se atrasássemos a vacinação? Eu acho que se calhar isso resolvia. Fazíamos isto de maneira a só chegar aos 70% na véspera do Conselho de Ministros. Eu acho que isto conseguimos.
Sara, quem é que se preocupa?
Fazemos que trazemos os nutricionistas para irem para os centros de vacinação impedirem as pessoas. Eu acho que podia ser uma solução. Eu dei uma solução para isto, agora se não quiserem...
E boa. A verdade é que isto acontece porque estamos em férias. Aliás, temos uma primeira-ministra em funções, que é a Mariana Vieira da Silva, mas isto também não é uma coisa só do governo, porque a regra da máscara na rua, por exemplo, está em vigor até dia 12 de setembro. É uma regra decidida e votada pela Assembleia da República, que só volta a reunir em plenário no dia 15 de setembro. O governo no dia 26 de agosto até pode decidir novas medidas, mas esta pelo menos vai manter-se até setembro. Por quê? Porque as pessoas estão de férias. Eu tenho pena é de Gouveia e Melo, porque se calhar o vice-almirante não tirou férias pra acelerar. Esteve aqui muito aplicado a tentar chegar mais rápido. O homem anda a falar da meta dos 70% há uma data de tempo e agora que chega lá, está tudo de férias, não há ninguém pra celebrar. Se calhar, era a altura pra, pelo menos em setembro, Gouveia e Melo tirar férias, porque ele está claramente desajustado desta estrutura.
Mas será que ninguém pensou nisto, Pedro?
Nessa da máscara, há um detalhe adicional que é: o primeiro-ministro prometeu algo que não podia cumprir.
Estás a brincar, Pedro, como é que isso é possível?
No briefing de 29 de julho, ele falou do fim da imposição do uso de máscara obrigatória na rua e afinal nem sequer tem ele poder pra decidir uma coisa dessas.
Eu perguntava: ninguém pensou nisto a sério? Não se pensou que quando as coisas batem em agosto, demoram sempre um bocadinho mais a ser realizadas?
Eu acho é que quando as pessoas, se calhar-
É pra quem consiga responder.
Eu acho é que se calhar não se pensou que isto podia correr incrivelmente bem.
Houve uma pessoa que pensou mais ou menos nisto a sério, apesar de tudo, no meio disto tudo, foi a ministra Alexandra Leitão. No caso específico das lojas de cidadão, saiu um despacho já a explicar como é que deve ser retomado o atendimento presencial quando forem atingidos os 70%. Mas não diz quando. Provavelmente vão ficar à espera de tudo o resto. Vai haver mais não sei quantos dias em que as pessoas têm tanta coisa pra tratar, vão ter que ficar à espera ou tentar fazer por marcação. Desculpa, Sara.
Pedro, mas não é só uma questão prática, tem também aqui um problema que é aquela coisa que já não falamos muito, a fadiga pandémica. Andámos aqui a falar da importância das pessoas compreenderem as medidas, a execução das medidas, que as coisas fossem claras, que as regras fossem impostas e retiradas nos momentos certos, porque não fazê-lo contribui pra fadiga pandémica e a fadiga pandémica faz com que as pessoas depois não cumpram as outras regras que têm que continuar em vigor. Pelos vistos, ninguém tem fadiga pandémica durante as férias, porque podemos estar todos a borrifar-nos pro fato de as pessoas agora olharem e pensarem: "Então, mas esperem lá, quando passássemos 120 íamos ter que fechar, íamos ter que fazer não sei o quê. Agora que chegamos aos 70% da vacinação, era suposto isto acontecer, não acontece nada." Pronto, continuem lá de férias.
Eu acho que isto é tudo um grande ensaio, se calhar vocês não estão a contar com isso, mas a próxima meta em que mudam coisas é os 85%. Deve estar já quase aí. E com 85% já vamos todos poder entrar numa discoteca. Creio que vai estar mais gente em cima. Olha, eu vou estar em cima do vacinado 85%.
Ele vai estar à porta.
Com sorte conseguimos ter a Maria João Simões a passar música e o Diogo Queirós a dançar no meio da pista.
Com certeza. A Maria João Simões é ótima a fazer diretas.
O Paulo Ferreira chegará mais tarde porque está numa loja de cidadão.
Vai demorar um pouco mais.
E aquilo atrasou.
Bom, posto isto, tem que haver as primeiras notas. Pedro Jorge Castro, queres dar ou é melhor deixar pra setembro?
É mesmo uma nota em jeito de recado pra primeira-ministra Mariana Vieira da Silva. Faça qualquer coisa, não deixe isto andar. Cada dia na vida dos portugueses conta. Não deixe isto ficar assim.
E então, e a nota? Baixinha?
A nota é um oito com expectativa.
Ainda é um estímulo. Sara, também queres incentivar a primeira-ministra a agir?
Não, eu vou aproveitar pra juntar aqui a Assembleia da República. Também podia voltar mais cedo pra resolver esta coisa das máscaras. E portanto, o meu oito é pra Assembleia da República, mas junto-me também aqui ao oito do governo do Pedro Jorge Castro, porque de facto, era possível fazer isto mais rápido.
Era possível fazer isto mais rápido. Um oito. Paulo Ferreira, já olhas pras eleições autárquicas, é um dos temas. São a 26 de setembro e parece que não está tudo a postos.
Não, não está tudo a postos. Aliás, estes temas tocam-se de alguma maneira. Há aqui um arrastar de pés institucional e um deixa andar. E isso já aconteceu. Estou a falar do calendário eleitoral e da forma como as pessoas vão poder votar, sobretudo aquelas pessoas que estão em confinamento obrigatório, não podem obviamente sair de casa para exercer o seu direito de voto. Isso já tinha acontecido nas presidenciais, em que se arranjou um sistema em que havia uma inscrição para voto antecipado para estas pessoas, mas essa inscrição terminava precisamente a uma semana das eleições, portanto, no domingo anterior. O que significou, nas presidenciais, que todas as pessoas a quem foi decretado o confinamento obrigatório na última semana antes das eleições, portanto, domingo a domingo, já não puderam votar. Nas presidenciais foram qualquer coisa como mais de 130 mil pessoas as infetadas, estávamos num pico da pandemia também, que não puderam, por decisão oficial do Estado e dos seus órgãos, exercer aquele que é um direito sagrado, talvez o direito mais sagrado numa democracia, que é o direito de voto. Bom, isto aconteceu em janeiro, já íamos quase com um ano de pandemia. Pode-se perguntar por que o Parlamento e os órgãos de gestão do processo eleitoral não arranjaram uma forma de resolver isto, não arranjaram de todo. E entretanto passaram mais oito meses. E agora quando foi publicado ontem pela Comissão Nacional de Eleições o calendário eleitoral pra essas autárquicas, lá está rigorosamente a mesma coisa Todos aqueles a quem as autoridades de saúde irão decretar na última semana de campanha eleitoral, naqueles sete dias antes do ato eleitoral de 26 de setembro, os que tiverem decretado o confinamento obrigatório, que são os infectados mais os contactos de risco dessas pessoas, não vão poder votar nas autárquicas. Eu, pessoalmente, acho isto um escândalo, não entendo como não se arranja maneira, 50 anos depois do homem ter pisado a Lua, de permitir que pessoas que estão nesta situação exerçam o seu direito de voto no prazo de uma semana. Para um sistema eletrónico, porque é um universo relativamente reduzido de eleitores, sabe-se quem eles são, já que eles se podem inscrever eletronicamente para o voto antecipado, devia se arranjar uma maneira depois de eles poderem votar. Voto depois da data das eleições, isto é, prolongar, em vez de voto antecipado, voto póstitcipado, devia ser possível.
Póstitcipado?
Eu não entendo. Por que não?
Eu voto nesse.
Mas além do mais, o máximo aqui é que tu podes ter a situação de alguém com vacinação completa, que não esteja infectado e que não possa votar, porque basta ter tido um contacto de risco. Se mantiver esta medida da quarentena, do isolamento obrigatório, mesmo para os vacinados, podes ter alguém que está perfeitamente bem de saúde, que tomou as duas vacinas e que mesmo assim está impedido de votar. Nós devíamos primeiro lembrar às pessoas que isto não é assim em todo lado, porque às vezes nós ouvimos isto, obviamente estamos em Portugal, lemos os jornais portugueses, ouvimos as rádios portuguesas, e bem, e podemos pensar: "Claro, é evidente, como é que se podia fazer de outra maneira? Isto deve ser assim em todo o mundo." Não é assim em todo o mundo e não é preciso ir muito longe. Em Espanha, as pessoas que estão em isolamento, as pessoas que estão infectadas, podem votar. Há uma hora, entre as 19h e as 20h, é uma hora reservada às pessoas que estão em isolamento ou que estão infectadas, que podem ir à mesa de voto. As pessoas que estão na mesa de voto têm fatos de proteção pra usar naquela hora e as pessoas vão votar. Isso já aconteceu em várias eleições em Espanha neste período. Não há notícia de ter havido surtos por causa do exercício do direito de voto. Basta ir a Espanha. Nós vamos todos a Espanha meter gasolina e comprar caramelos, quer dizer, podíamos ir lá também, podia ir uma delegação da CNE num dia de eleições pra ver como é que isto se passa e como é que é feito lá. É possível. Mas não só seria possível importar uma ideia lá longe de Espanha, lá do estrangeiro, como também simplesmente repetir uma coisa que já foi feita. Nós nas últimas eleições presidenciais tivemos dois dias pra votar. Podíamos perfeitamente ter tido-
Uma semana antes e no dia das eleições.
Ou no sábado e domingo.
Um fim de semana, todo o fim de semana.
Isto foi discutido na assembleia.
Mas depois não há dia de reflexão, nem há tempo pra campanha eleitoral.
Mas as pessoas que votam antecipadamente não têm dia de reflexão. Nós ficamos presos a esta tralha burocrática, que não tem outro nome. Vamos à U e ao sotão acumular esta tralha toda e ficamos presos a isto.
Mas atenção, esse argumento da campanha eleitoral, que foi usado, de facto, neste debate pelos opositores da medida, que dizem: "Então, mas as pessoas votam no fim de semana anterior e depois não têm o resto da campanha." Bem, isso acontece em várias democracias avançadas e não há notícia de que as pessoas, ao fim de um tempo, tenham pensado: "Bom, fui enganado, quero mudar aqui o meu voto." Mas eu nem sequer falo da antecipação numa semana. Já nem sequer falo disso. Um dos argumentos usados nesse debate foi a questão da segurança do voto, como se nós vivêssemos num faroeste em que houvesse chapeladas permanentes com os boletins eleitorais. Mas já nem falo disso. Sábado e domingo. Nas presidenciais, a possibilidade de voto antecipado foi um enorme sucesso. Aliás, as autoridades regozijaram-se publicamente pela maturidade mostrada pelos portugueses de aderirem ao voto antecipado. Chegamos às autárquicas e não se permite isto. Aliás, este é daqueles casos em que temos que elogiar Eduardo Cabrita, que tentou lançar esta discussão numa entrevista e passados uns dias António Costa veio dizer-lhe pra não pensar nisso, pra se dedicar a outras coisas, não se preocupar com esse assunto, porque o primeiro-ministro achava isso uma ideia muito perigosa. O que nós vamos ter no dia das eleições? Vamos ter a liturgia de sempre sobre a abstenção.
A abstenção, claro.
O regime gosta muito de se queixar da abstenção, mas a verdade é que não cria condições. Atenção, isto não tem nada de mais. Há muitos países democráticos, ocidentais, com regimes políticos iguais ao nosso, em que isto está resolvido. Isto não é física nuclear, isto é muito fácil de resolver. E mesmo sendo eleições autárquicas, onde vem sempre este argumento que há 3 mil boletins de voto para impedir que as pessoas possam votar antecipadamente fora
fora da sua freguesia, fora do sítio onde estão inscritos. Mesmo esse argumento é um argumento que não sobrevive a uma hora de discussão, mas mesmo as coisas mais básicas nós não fazemos e depois queixamo-nos que há abstenção.
E com isto, que nota é que dás, Miguel Pinheiro?
Com isto, dou um 12 a Eduardo Cabrita, haja aqui uma oportunidade de dizer bem do Eduardo Cabrita, que tentou fazer com que discutíssemos isto a tempo e horas e o primeiro-ministro não. O primeiro-ministro não quis saber e os partidos também fizeram de conta que não era com eles. Tirando o Bloco de Esquerda, que também tentou discutir isso e quanto ao resto, acharam que era melhor não mexer.
E por isso o 12 hoje vai para Eduardo Cabrita, é a primeira positiva. Paulo Ferreira, eu sei que também queres falar do ministro da Administração Interna, mas para já vamos focar-nos nas regras para as autárquicas. Que nota é que dás?
Sim, eu dou um cinco ao Parlamento, porque é o Parlamento que dita estas regras, depois têm que ser implementadas pela CNE e pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna. E dou o cinco pelo desprezo que isto demonstra. A casa da democracia é a primeira a desprezar aquilo que é mais sagrado e o princípio que devia ser precioso de uma pessoa, um voto. O Parlamento não pode, não deve com esta facilidade, por mera preguiça de pensar e preguiça burocrática e logística, impedir largos milhares de pessoas de votar. Leva um quatro.
Um quatro então para a Assembleia da República. Vamos continuar ainda nas autárquicas, Pedro Jorge Castro, porque estás a olhar com atenção para os candidatos de todos os municípios e paraste numa candidata em concreto.
É verdade. A candidata do PSD e do CDS e do PPM, creio, a Cuba, no Alentejo.
Cuba, do Alentejo.
Foi alvo ontem de uma peça na SIC e tem um perfil muito inusitado, porque ela foi apresentada como empresária, psicóloga e cartomante.
Por essa ordem.
Por esta ordem. Eu fiquei no cartomante, ou mesmo nesta conjugação do psicólogo e cartomante, porque estou a imaginar como é que isto vai funcionar. Sendo que eu percebo que é muito difícil encontrar candidatos para certos partidos, nomeadamente para o PSD e CDS, encontrarem candidatos em certas zonas do Alentejo. E aparecia ali cristalina a história toda de como é que tinha sido. Foi a filha, que acho que é militante, convenceu a mãe. A mãe, ao fim de 15 minutos de uma conversa de carro a dizer que não, lá disse que sim para não ouvir mais a filha. E de repente, um dia ouviu o Rui Rio a anunciar o nome dela como candidata e caiu nela. Depois faltava arranjar pessoas para as listas e como é que foram arranjar? Entre as clientes. Convenceram as clientes. Até tem este lado interessante e meritório, porque é uma lista com 60% de mulheres. E foi assim, e tudo isto foi contado desta forma cristalina. A filha é a candidata à Assembleia Municipal, também porque não havia mais alternativas. Mas eu imagino como é que será esta autarca a tomar decisões. Se tiver que tomar decisões importantes, ia lançar as cartas, ia ver o que é que as cartas lhe dizem. Vamos ver se não lançará cartas antes o doutor Rui Rio sobre os resultados das eleições autárquicas.
E atenção que não é caso único, porque a Assembleia Municipal de Vendas Novas, a candidata número um da lista à Assembleia Municipal, também dá consultas de tarot e vende produtos contra a bruxaria.
E é ali perto, portanto, podem fazer concorrência uma à outra.
E não há incompatibilidades.
E ninguém perguntou à candidata o que é que pensa sobre a região, o que quereria fazer se fosse eleita. Ninguém no PSD se deu ao trabalho de lhe perguntar isso.
Só as cartas, não é? Paulo Ferreira, já vimos aqui um 12 atribuído ao ministro da Administração Interna e tu também não queres deixar escapar o momento, também vais para a positiva?
Exato. Eu acho que todos temos que fixar este dia, 19 de agosto de 2021. O dia em que Eduardo Cabrita tem duas positivas e a minha vai ser bem alta no "O Vencedor É". O meu tema é diferente e eu vou só ler-vos a primeira frase de uma notícia da Lusa de ontem sobre a possibilidade de Portugal receber refugiados afegãos. Diz assim: "O número de refugiados afegãos que Portugal irá receber ainda não é certo e também não há uma data definida para a sua chegada", explicou Eduardo Cabrita em declarações à Agência Lusa. Ora bem, isto é uma positiva e uma positiva alta, um 16, porque Eduardo Cabrita arranjou uma solução definitiva para resolver todos os problemas das promessas não cumpridas pelo governo, que é dizer: não sabemos ao certo o que é que vai acontecer, nem quando vai acontecer. Eu acho que é fabuloso. Portanto, esta explicação do Eduardo Cabrita, ficamos todos descansados com isto, seguramente esta promessa o governo não vai falhar. Portanto, um 15, ou um 16 mesmo para Eduardo Cabrita, por ter resolvido um problema que atormenta sempre os políticos, que é fazerem promessas que depois não são cumpridas.
Se Eduardo Cabrita estiver a ouvir isto, deve pensar: "Isto não está a acontecer, isto é um sonho. O que se passa com esta gente?" Um 12 e agora um 15 ou um 16.
A minha positiva para Eduardo Cabrita foi sem ironia acoplada. Atenção.
Esse 12 vale então mais. Fizemos a ronda pelos vencedores desta quinta-feira. Amanhã uma nova análise. Adeus, até amanhã. Até lá.