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Começa agora o E o Vencedor É das manhãs 360. Ao João, ao Paulo e ao Júlio, que está no Porto, juntam-se para analisar os protagonistas do dia, o José Manuel Fernandes, como sempre, e hoje também a Sara Antunes de Oliveira e o Rui Pedro Antunes. João.
E começo precisamente pelo Rui Pedro Antunes, que quer falar sobre as jornadas parlamentares do CDS, os centristas que estão reunidos em São João da Madeira. E já houve críticas internas. Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, muito bom dia. Ouvimos já esta manhã aqui na antena da Rádio Observador as declarações de Nuno Melo, que foi muito duro com críticas dirigidas ao líder do partido, Francisco Rodrigues dos Santos.
Bom dia, João. Bom dia a todos. Na verdade, sim, eu não sei se aquilo é bem jornadas parlamentares do CDS ou se é um roast ao Francisco Rodrigues dos Santos, porque de facto não é apenas Nuno Melo, foi também Telmo Correia, que aquilo parece uma espécie de tiro ao chicão. Aquilo faz-me lembrar uma espécie de um provérbio que é: "Casa onde não há pão, todos ralham com o chicão." Porque o primeiro foi logo o Telmo Correia. Começa por enaltecer a forma como João Almeida pediu no Congresso que as jornadas fossem ali. Portanto, logo um elogio a João Almeida, que foi o adversário interno de Francisco Rodrigues dos Santos. Depois agradeceu a presença de João Gonçalves Pereira, que é nada mais, nada menos o deputado que se afastou do Parlamento em rutura com o líder. E por quê? Porque queria ser candidato a vereador a Lisboa e não foi. E, portanto, o Telmo Correia diz que tem muita pena e terá uma grande pena se João Gonçalves Pereira não continuar como vereador. Portanto, mais um desafio ao líder, desafio no sentido crítico. E depois à noite, Nuno Melo também tinha um painel que se chamava Os Desafios da Oposição, mas também era suposto ser sobre a oposição ao governo e foi, sobretudo, ou pelo menos apesar de ser uma parte mais pequena, foi significativa de oposição à própria liderança do CDS e a Francisco Rodrigues dos Santos. Também há ali uma pequena nuance, que é Francisco Rodrigues dos Santos ficou a saber que tem ali no Nuno Melo uma espécie de challenger. Se Adolfo Mesquita Nunes não estiver para aí virado, cada vez mais parece estar a perfilar-se Nuno Melo e disse qualquer coisa do género: "Enquanto tiver de ser, eu estou cá." Manuel Acácio. Não, esta parte não é ele.
Não, é importante para os partidos saberem que podem contar com os seus militantes.
Exato. E Nuno Melo elogiou-
A verdade é que costuma dizer-se que é dentro das famílias que se dizem as verdades, não é?
Sim, mas naquele-
Aqui a questão é perceber se são verdades ou se não são verdades.
Não, aqui foi mais aquele jantar de família em que há uma intervenção, podemos chamar assim, que senta uma pessoa. Creio que Francisco Rodrigues dos Santos vai lá hoje, não sei se estava lá fisicamente ontem, mas há uma crítica de todos os membros da família, neste caso a um jovem rebelde, porque é assim que eles continuam a tratá-lo. Ontem Nuno Melo dizia também que não aceita lições porque já combatia o socialismo quando eles ainda andavam na escola. Inclui-se aqui Francisco Rodrigues dos Santos e portanto acusou o líder do CDS, não de ter transformado o partido no partido do táxi, porque isso foi um resultado de Assunção Cristas, mas por ter tentado transformar o partido numa espécie de partido do mata velhos, em que os mais velhos não são considerados.
Nuno Melo aludiu até aos cristãos novos. Foi uma expressão utilizada também no discurso que fez.
Exatamente. Foi um puxão de orelhas, como quem diz a Francisco Rodrigues dos Santos: "Tu ainda estavas na escola ou ainda não eras nascido, já eu combatia o socialismo" e portanto está-se a transformar numa espécie de guerra à liderança. Jornadas parlamentares de um partido normalmente não costumam ser assim.
Neste caso é mesmo para lamentar.
Exatamente, é para lamentar. Principalmente quem tem que lamentar muito é o líder do CDS que está a ser atacado e hoje terá a oportunidade de se defender. Mas mais uma vez o CDS está em queda e esta divisão interna só vai levar à saída de cada vez mais pessoas. Não sei se a solução em termos de se discutiu se a direita é Nuno Melo, agora discute-se CDS Nuno Melo. Vamos ver se isto pode ser a salvação do CDS, este aparecimento de Nuno Melo com um interesse que parece genuíno de liderar o partido e de ser oposição a Francisco Rodrigues dos Santos. De qualquer forma, é relevante estas movimentações.
Rui Pedro Antunes, vamos então à nota?
A nota é 4,22 a Francisco Rodrigues dos Santos.
Esse é um resultado eleitoral qualquer, não?
É o resultado de 2019 das legislativas, que é um resultado de Assunção Cristas, mas que persegue Francisco Rodrigues dos Santos, porque tem um partido que só com essa representação representa muito bem a oposição ao líder do próprio partido.
Vamos seguir então em frente com outro tema.
Comenta aí a discussão agora.
Vamos então seguir com a questão do Banco de Fomento, com Vítor Fernandes e também com essa cautela que houve por parte do ministro da Economia em relação a esse nome que tinha sido indicado para o lugar de chairman do Banco de Fomento. Paulo Ferreira, tu consideras que houve aqui cautela por parte do ministro da Economia, Pedro Siza Vieira? Creio que há aqui umas abordagens um pouco diferentes em relação a este assunto, mas começamos por ti. O ministro da Economia esteve bem ou mal? Foi um vencedor ou um vencido neste caso?
Eu acho que é vencedor, acho que ele esteve bem, acho que a cautela neste momento deve ser a pedra de toque na gestão deste assunto. Já percebi que, pelo menos para o Miguel Pinheiro, não é nada assim. Há pouco tivemos aqui em antena já uma pequena troca de argumentos sobre isto, a propósito de bom, mau e vilão. O Miguel acha que o governo neste momento não tinha mais nada que fazer senão de facto terminar esta nomeação, porque considera que desta forma, espero não estar aqui a torcer os argumentos do Do Miguel Pinheiro. Desta forma, continua a se arrastar o nome do banco pela lama, um banco que ainda nem abriu atividade e já anda metido nestas confusões. Como é que eu olho para isto? Acho que o governo podia ter metido a cabeça debaixo da areia, dizer que Vítor Fernandes, neste momento, o nome dele aparece, de facto, nesta investigação, mas contra ele não é apontado nenhum ilícito. Já tem o aval, obviamente, do Banco de Portugal, ele que tem uma carreira toda na banca também, e que, portanto, neste momento, não há nada que justifique, em termos formais, que ele não continue o seu processo de nomeação e não venha a ser o chairman, o presidente do conselho de administração do Banco de Fomento. O governo iria mal se tivesse feito isto e eu acho que a prudência revelada ontem por Pedro Siza Vieira deve ser sublinhada.
Eu acho que tu já contas com tão pouco.
Provavelmente. Estamos tão habituados a uma certa arrogância de fazermos o que queremos, independentemente das circunstâncias. Vai ser assim, está decidido e não há nada neste momento em termos formais.
O prego afunda até ao muro.
Exatamente, até ao muro, se o muro aparecer, e neste caso não sabemos se o muro vai aparecer ou não. De facto, é o que diz a Sara, eu já dou graças a esta prudência quando acontece e eu acho que ontem esteve bem. Qual era a alternativa, de facto? Terminamos aqui a nomeação, retiramos o nome, não é?
Custa-me concordar com o Miguel Pinheiro, custa mesmo muito concordar com o Miguel Pinheiro.
Tá certo.
Mas é verdade. À espera de quê? E quanto tempo é que temos para isto? Porque tu dizias, e bem, que este banco ainda nem abriu atividade. Por este andar, quando é que vai abrir, a sério?
Ele vai abrir já. Eu espero é que não fique dependente disto, como é evidente, não é obrigatório ser sem presidente de conselho de administração.
Vai abrir já com um presidente interino. Vai abrir já com uma administradora que nem sequer foi administradora, nunca trabalhou na banca, que vem diretamente de um gabinete de um ministro.
Vocês acham então que o Vítor Fernandes devia ser retirado já do Banco de Fomento e acabou?
Vítor Fernandes nunca devia ter estado nessa lista.
Isso é outra questão.
Certo.
Como eu ontem defendi aqui, ele nunca devia ter entrado e não era por este assunto que apareceu agora, é porque ele fazia parte do triumvirato, que passou da Caixa para o BCP. Portanto, ele já tinha cadastro.
A questão é essa. Isto está num tal ponto, se tu começas a cortar os nomes de toda a gente que passou pelas administrações da Caixa, Banco Espírito Santo, BPN e por aí fora, não resta ninguém.
Nem todos os antigos administradores da Caixa são pessoas com quem arguidos de processos importantes estão proibidos de falar, são pessoas que foram buscadas nos seus computadores pessoais, nos seus cofres pessoais, são pessoas que estão sob suspeita. Eu confesso que a minha nota não vai para o governo, vai para pessoas que vivem em realidades paralelas. E eu acho que o Vítor Fernandes, neste momento, é uma delas, porque eu compreendo que Vítor Fernandes queira, e acho que tem todo o direito, vir dizer: "Atenção, eu sou um homem inocente. Isto que está a acontecer não faz sentido nenhum. Eu não tenho nenhuma relação privilegiada com o senhor Luís Filipe Vieira e, portanto, nada disto que está a acontecer faz sentido." Agora, ele tem que ter noção do cargo que se preparava para ocupar ou que se preparará ainda para ocupar e tem de ter noção de quando é envolvido de alguma forma, de forma justa ou injusta, não é isso que está em causa. Ninguém aqui está a dizer que de certeza que Vítor Fernandes fez alguma coisa de ilícito, longe disso. Mas numa situação destas, para um cargo como aquele que ele vai ocupar, que é a presidência de um banco de fomento, que vai lidar com fundos, com uma série de questões, não ter noção de que neste momento ele próprio devia ser a primeira pessoa a dizer: "Olhem, eu não tenho nada a ver com isto. Isto que está a acontecer é uma mentira, mas parece-me que não há condições para eu avançar, porque tudo o que eu fizer daqui para frente vai ser posto em causa e, portanto, por uma questão de dar tranquilidade a este processo e normalidade ao início de funções deste banco, eu próprio me afasto." Mas não, está aqui a dizer que isto acaba com a carreira dele e que isto não faz sentido nenhum. Enfim, tenho pena que viva nessa realidade paralela, porque de facto devia ser evidente. E eu não concordo contigo, Paulo, porque acho que também devia ser evidente para o governo.
O problema é que o governo, se vamos por aqui-
Eu acho que devia ser evidente, que alguém, quem participou, eu acho que aqui é um problema que é de origem. O problema deles começaram, de facto, quando ele participou no assalto ao BCP. Ele fez parte do grupo Carlos Santos Ferreira, Hermano Vara. Era o terceiro mosqueteiro. É bom ter noção do que se passou nessa altura. Isso foi a coisa mais grave que se passou no sistema bancário português nos últimos 20 anos. Ele não pode dizer que não viu, que não sabia, que não estava a par. Foi um dos agentes. E se ele está agora preocupado porque a sua carreira vai acabar, devia ter estado preocupado há 13 anos, não é agora.
Isabel, eu até posso olhar contra isso.
Por que a sua carreira agora vai acabar?
Não vai acabar, isso é outra questão.
A sua carreira agora vai acabar. Por uma razão, que eu não sei qual é, uma razão que eu desconheço. A Lone Star não estava contente com o seu desempenho à frente do Novo Banco. Portanto, ele é administrador do Novo Banco e houve um desentendimento sobre o seu desempenho à frente da administração do Novo Banco. Renunciou.
Eu acho que ainda vamos ter que saber mais coisas sobre isso, inclusivamente sobre a saída dele do banco, que abriu agora uma auditoria. Vamos lá ver uma coisa. Eu acho que isto é o início de um processo. Eu não sei como é que isto vai acabar. Eu não sei que conclusão é que o governo vai chegar. E tem que ser rápida.
Não vai seguramente para baixo de uma ponte.
Não, a questão não é essa. A última preocupação que nós temos neste momento, como é evidente num caso destes, é saber se é mais um elemento que vai engrossar as fileiras da pobreza um administrador bancário da há 20 ou 30 anos. Portanto, a questão não é essa. Não temos que estar preocupados com a saúde financeira de Vítor Fernandes.
Paulo, hoje o que tu estavas a fazer era elogiar o fato do governo não ser inflexível.
Não ser inflexível é. Vamos parar pra pensar, vamos lá ver.
Vítor Fernandes não tem os códigos da conta onde Eduardo Cabrita tem escondido os queridos de António Costa.
Vamos lá ver, deixem-me só pôr um ponto. Há uma nomeação.
Acaba lá o teu argumento, depois eu acabo o meu argumento.
Há uma nomeação que é feita pelo governo, que é validada pelo Banco de Portugal, como é evidente. Nós podemos depois ir ao passado e ver o que Vítor Fernandes fez e não fez. Até à semana passada, isso não era assunto. Há um processo em curso de investigação em que o nome dele aparece referenciado, não lhe parece importar nada que leve, neste momento, a pensar que ele pode ser arguido. Pode acontecer no futuro, mas neste momento nada.
Já agora, Paulo, deixem-me só acrescentar isto, creio que já foi relativamente abordado, mas o próprio ministro da Economia disse que iria esperar por informações que o próprio pediu já à Procuradoria-Geral da República.
À Procuradoria-Geral da República. Levanta-se naturalmente em todos os partidos.
Informações da Justiça, não.
Certo, vamos ver como é que isso se desenvolve. Levanta-se em todos os partidos, e justificadamente, a política é isto, um coro de críticas a dizer que o governo não pode avançar agora com estas circunstâncias. O que é que um governo faz? Recua imediatamente e diz: "Ok, vamos retirar." O processo está a meio de nomeação, já uma parte dos processos burocráticos estão cumpridos, falta outras, falta nomeadamente a CReSAP e depois falta a nomeação final. O que é que um governo faz? Continua ou não? Continuar era completamente estúpido, neste momento, confirmar definitivamente a nomeação dele. Recua já, cedendo àquilo que é o coro de críticas da oposição, dos partidos da oposição, ou faz um compasso de espera a dizer: "Deixem-nos ir buscar mais informação." Agora, não sei se essa informação vem em tempo útil, não sei se a PGR pode dá-la, não sei o que é que o governo está à espera. Eu acho que o governo está à espera de ganhar tempo, que podem ser dois ou três dias ou uma semana.
E pode continuar a cozinhar Vítor Fernandes em lume brando.
Que é a pior coisa. Agora há aqui um equilíbrio que é assim: ponto um, o banco definitivamente não pode ficar com o presidente interino ou sem presidente nomeado durante muito tempo. O banco está a arrancar. Se não houver desclarecido devidamente avançar com Vítor Fernandes, não pode ser também, é impossível. Provavelmente, o governo está à espera. O próprio devia ter colocado o lugar à disposição ou saído pelo próprio pé, como disse a Sara, não o fez, antes pelo contrário. Disse que está inocente, que a carreira dele está em causa e, portanto, basicamente, referiu-se à velha história do assassinato de caráter. Eu acho que em termos de posição política do governo neste momento em que as coisas estão a correr, não se conhece a informação toda, o governo fez bem em parar, vamos pensar um bocadinho e vamos ver o que fazer. O que é que vai acontecer nos próximos dias? Não faço ideia. Provavelmente, a fasquia baixa demais, estamos habituados a ter um governo que contra tudo e contra todos segue.
Já agora, Paulo Ferreira, creio que ainda não deste a tua nota, vamos já avançar com isso.
Pedro de Sousa Vieira, 12.
Um 12 para Pedro de Sousa Vieira. Vamos avançar para a Sara Santos Oliveira e para o José Manuel Fernandes com este tema, até porque o Júlio Magalhães também quer depois falar sobre este tema, mas também sobre as declarações do advogado Magalhães e Silva, o advogado do Luís Felipe Vieira. José Manuel Fernandes.
Deixa-me só contrariar um pouco aqui o Paulo. Eu não vou argumentar mais sobre o Vítor Fernandes, mas queria só dizer: eu acho que seria um bom sinal de que o governo está a considerar e a sopesar os argumentos e olhar para as decisões que tomou eventualmente apressadamente, se Pedro de Sousa Vieira ontem praticamente ao mesmo tempo que anunciava esta decisão, tivesse também considerado que na quinta-feira passada o Conselho de Ministros também foi um bocado apressado ao tomar as decisões sobre os restaurantes, porque disse: "Foi uma decisão tomada muito à pressa, foi em cima do joelho e por isso as coisas correram mal no fim de semana." Porque foi isso que ele disse: "Foi uma decisão que tivemos que tomar ali, foi uma complicação e tal."
Houve uma coisa nova, uma pandemia que apareceu nos últimos dias.
Pois, houve uma coisa que enfim, fomos apanhados de surpresa e tal. E depois o que ele acrescentou? Quem não cumprir, fechamos, multamos, perseguimos. Quer dizer, em vez de fazer assim: se calhar vamos pensar um bocadinho melhor. Se isto de obrigar pessoas com uma família que leva ao fim de semana um filho de 10, 12, 15, 16 anos com ela, sei lá, situações em que as pessoas não têm vacina, não vão ter e, portanto, não vão ter o certificado permanente. Portanto, vão ter que andar a fazer permanentemente testes a comer, vão poder comer durante as férias todas dentro de um restaurante, vão andar a fazer testes durante todo o verão.
Sim, é surreal isso.
Que é uma coisa absurda. Pensaram bem no que fizeram. Já tiveram tempo pra pensar, já passaram dias, já viram o que aconteceu aos restaurantes este fim de semana, já perceberam bem o que estão a fazer a todo um setor da economia portuguesa. Ele é o ministro da Economia, já pensou nisso? Já teve tempo? Aparentemente não teve tempo. Não teve tempo pra considerar o que se passou e, portanto, se calhar pensa que em Portugal só existem esplanadas. Enfim. Portanto, eu não consigo dar-lhe nota positiva depois disto tudo. Ainda pensei dar-lhe um 10, mas depois de ouvir os argumentos todos, vou ter que lhe dar um oito.
Sara Antunes de Oliveira, qual é o teu vencedor ou o teu vencido? É o Ministro da Economia?
Não, são as pessoas que vivem em realidades paralelas. E aqui eu incluo Vítor Fernandes, por achar que tem condições para continuar, mas também Luís Filipe Vieira. Percebemos ontem pela entrevista que o seu advogado deu à TVI, que Luís Filipe Vieira ficou muito sentido com Rui Costa, porque Rui Costa assumiu a presidência. Luís Filipe Vieira, que renunciou ao seu cargo, suspendeu as suas funções quando foi tido de livre e espontânea vontade, não sei o que esperava. Se calhar esperava que ficasse ninguém à frente dos destinos do clube. E depois ficou sentido e agora pondera voltar ao Benfica, um homem que, lá está, tal como Vítor Fernandes, terá a convicção da sua inocência, tem todo o espaço para dizer que é inocente e que aquilo que lhe é imputado não corresponde à realidade. Agora, achar que no meio desta situação é possível voltar ao Benfica e retomar as suas funções de presidente e ficar magoado porque alguém está a tentar não deixar o clube cair, bem, mal, com eleições, sem eleições, nem sequer entro nessa discussão, não é a minha praia, é viver noutra realidade. E já agora, o próprio advogado, que assim também dou aqui a deixa ao Júlio Magalhães, também viverá numa outra realidade, porque nós ouvimos Magalhães e Silva, creio que logo no primeiro dia de interrogatórios, dizer que apesar de ter sérias dúvidas de que as suspeitas correspondiam à realidade, a descrição dos factos que era feita pelo Ministério Público tinha alguma gravidade. E agora veio dizer que não está dito em lado nenhum, em momento nenhum, que havia irregularidades nos contratos relativos à aquisição de jogadores. O que está descrito contra o presidente do Benfica são atividades económicas absolutamente normais. Portanto, durante estes dias todos de interrogatório, andou toda a gente a sonhar. O Ministério Público não imputa praticamente nenhum crime a Luís Filipe Vieira, não existe gravidade em coisa nenhuma. Não há nada aqui para desmontar. Enfim, foi uma no cravo, outra na ferradura a entrevista toda e, portanto, três pessoas que vivem numa realidade paralela. Parabéns, deve ser super divertido, mas para mim levam um seis.
Seis para todos juntos. É um pacote completo.
Mas atenção que não dá 18.
Não é dois para cada um.
Não.
Vamos então aqui ao Júlio Magalhães. Júlio, vais pegar também neste tema da Operação Cartão Vermelho e também nessas declarações do advogado Magalhães e Silva.
Isso mesmo. Hoje estou 50% com a Sara e 50% contra a Sara. Mas queria pegar primeiro, ponto um, Vítor Fernandes e o ministro Pedro Siza Vieira, porque ontem quando dei seis, três divididos por dois, foi precisamente por não terem ainda falado e por não terem ainda vindo fazer uma declaração que era óbvia. Isto se conhece desde quarta-feira. O ministro não precisava de falar, bastava um comunicado logo na sexta ou na quinta, porque a partir do momento em que há alguém que está nomeado e ainda há buscas, há suspeitas, etc, basta fazer um comunicado a dizer que a nomeação está suspensa. Não era preciso até esperar por segunda-feira para falar disso. Há coisas que merecem ponderação. Esta não é uma coisa que mereça assim tanta ponderação. Há buscas, há suspeitas para alguém que está para ser nomeado para o Banco de Fomento, que vai trabalhar com milhões de euros para a recuperação da economia, tem que haver pelo menos uma suspensão da nomeação. Vítor Fernandes também, e estou completamente de acordo com a Sara, devia ter logo dito imediatamente que não estava em condições e que enquanto isto não se esclarecesse, não queria assumir o cargo, nem queria ser nomeado para este cargo. O que ele veio dizer, e quer-me parecer é que houve uma conversa entre os dois, ao que sei, Vítor Fernandes não está proibido de falar com o ministro, foi que Vítor Fernandes não deixou o governo confortável nesta questão ou então combinaram, porque ao vir dizer que tem condições para continuar no banco, que isto é um ataque ao seu caráter, etc, está a dizer: "Não, eu tenho condições, portanto, não vou também deixar que este processo manche o meu nome ou pelo menos me tire do Banco do Fomento." E por isso dá aqui uma sensação de Vítor Fernandes estar agarrado ao lugar, um lugar que quer muito e por isso deixou o governo nesta situação desconfortável em que o governo tem que fazer aqui também um compasso de espera. Era uma coisa que devia ter sido feita logo na sexta-feira, para que as pessoas ficassem devidamente elucidadas.
Aliás, o próprio ministro da Economia admitiu que havia aqui uma possibilidade de contaminar a posição do Banco de Fomento.
Exatamente. E, portanto, ontem já é tarde e o que foi dito ontem é evidente que não faz sentido nenhum e por isso ontem dei nota negativa a ambos, porque isto devia ter sido feito há mais tempo. Podia ter sido nestes moldes, até admito, mas devia ter sido feito já na sexta-feira e não estar cinco dias. Até porque isto não é um processo que me parece que vá demorar poucos dias e, portanto, se vamos estar à espera que isto se resolva, quer dizer, daqui a uns meses, então ainda não há presidente para o Banco do Fomento ou administrador para o Banco do Fomento. Este era um ponto em relação ao advogado de Luís Filipe Vieira, que estive a ouvir ontem à noite. É aí que eu estou em desacordo com a Sara. Sara, é que nestes dias, a opinião pública, eu falo com toda a gente, falas, toda a gente fala e toda a gente ouve, ficou com a nítida sensação que Vieira não tem possibilidade nenhuma de voltar ao Benfica e que está metido em tudo o que é crime que ali estava falado, porque continuam a passar para fora coisas que são internas do processo, que estão em segredo de justiça e que isto começa a ser uma prática muito comum em Portugal. E, portanto, o país inteiro ficou convencidíssimo, como eu, que Luís Filipe Vieira não tinha hipótese nenhuma. Ontem eu vi o advogado e ouvi muita gente a dizer: "Afinal, isto não é bem assim." A acusação tem direito a que se acredite nela, mas a defesa também tem. E ontem o advogado Luís Filipe Vieira, na minha opinião, deu uma boa lição de comunicação, porque foi lá explicar o que estava em causa e explicou muito bem, foi muito claro. Não sei se ele tem razão, também não sei se a acusação tem razão, fiquei mais na dúvida, mas temos que esperar por uma decisão do juiz. Mas a verdade é que nestes cinco dias, o ex-presidente do Benfica, o suspenso presidente do Benfica, nós enchemos a boca de presunção de inocência e não há presunção de inocência nenhuma, porque se o advogado ontem não tivesse vindo falar, ele está automaticamente condenado. Ontem o advogado falou.
Mas há, porque aqui em causa também não está a presunção de inocência do Vítor Fernandes. Como é que o Luís Filipe Vieira, no meio desta situação, com tudo o que foi revelado, com todas as dúvidas que persistem.
Suspenso, claro.
Suspenso, mas aparentemente ficou magoado, porque o clube seguiu em frente e está a ponderar voltar numa situação destas. Quer dizer, é uma coisa que não cabe na cabeça de ninguém.
A semana passada eu falei aquilo que é a vertente humana da coisa. E eu não sei de que forma é que o Luís Filipe Vieira ficou também magoado. Foi porque obviamente não contaria que no primeiro momento aqueles que foram seus companheiros de vida, que ele levou a todos para a direção do Benfica, fizessem aquilo. Por quê? O problema não foi só o Rui Costa ter assumido a presidência, que é normal, até, é o vice-presidente.
Juli e Sara, não quero também que fiquem magoados comigo, mas cinco segundos. Juli, temos de ir à nota.
Não, o que terá provavelmente magoado o Vieira é que não houve sequer uma palavra para o Luís Filipe Vieira, tanto no comunicado da administração, como naquela declaração que o Rui Costa fez. Os advogados, provavelmente, já ali não deixaram. Boa, mas os advogados mandam na lei, não mandam nos sentimentos das pessoas. Por isso mesmo, a minha nota vai para o advogado Luís Filipe Vieira, que acho que independente de ter razão ou não, porque não somos nós que decidimos isso, independente disso, acho que foi claro na forma como ontem comunicou as suas alegações ou a sua defesa. Dou-lhe 12.
Estão dadas as notas, fica por aqui o "E o Vencedor É..." de hoje. Estamos de regresso amanhã com mais pontuações e mais protagonistas.