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Dantes havia uma espécie de respeito divino pelos músicos das gerações anteriores, mas é como se houvesse uma maldade do outro lado e fosse uma coisa de: "tu para seres músico vais ter que passar mal, vais ter que sofrer, vais ter que ir às jam sessions e ser humilhado para depois seres alguém e tens que provar aquilo que vales". Havia muita competição, que para algumas pessoas não é nada benéfico. Por exemplo, a mim não me incomoda. Embora não goste, não mexe comigo.
A ideia de fazer o caminho das pedras.
Exatamente. É uma coisa que eu consigo estar presente, embora não concorde e não goste. Mas há pessoas que não conseguem e isso faz-lhes mal. E isso existia na minha geração, pessoas a serem quase humilhadas em certos contextos musicais e de concertos. E isso hoje em dia acontece menos.
Começou a ouvir música à boleia dos discos da irmã mais velha. Estudou as escalas pentatônicas e tantos outros segredos sonoros na Escola Superior de Música de Lisboa e no Hot Club de Portugal. Diz que não quis ser rockstar, mas as circunstâncias da vida e o seu esforço, claro, fizeram dele um dos músicos mais talentosos da atualidade. É músico, compositor, produtor e com esses atributos já assinou vários discos e bandas sonoras de séries, programas de televisão e também anúncios publicitários. Recentemente firmou a banda sonora do mais recente podcast plus do Observador, "A Vida Dupla do Espião Traidor". Bruno Pernadas, agora em 40 Minutos. Bem-vindo, Bruno.
Obrigado pelo convite.
Bruno, satisfaz a minha curiosidade imediata e até um bocadinho infantil. Pernadas, de onde é que vem este nome? É de família ou é nome artístico?
É de família.
Ah, é de família!
Sim, vem do Ribatejo. Ou seja, a minha família é do Ribatejo, a maior parte da minha família é de lá. Eu já nasci em Lisboa, mas o apelido vem de lá. Acho que há uma relação com árvores. Eu sou Oliveira Pernadas, portanto, há essa relação com as árvores, que eu acho que tem a ver com famílias antigas naquela zona. Famílias muito antigas tinham nomes relacionados com árvores.
Com árvores no Ribatejo. É uma região à qual manténs ligação?
Sim, eu vou lá todos os anos, gosto muito de lá. É no distrito de Santarém, Abrantes. É perto de Abrantes, é uma aldeia que se chama Alvega.
Sim.
E eu costumo ir para lá todos os anos. Principalmente nas festas de Alvega, que acontecem no último fim de semana de agosto. Tentamos sempre ir.
Muito bem, está para breve, então.
Está, sim.
Esse momento. Quando dizes tentamos sempre, é tu ou tu e a banda?
Não, eu e a minha família.
Ah, tu e a tua família. Ok.
A banda não tem relação com Alvega.
Muito bem, mas tu és lisboeta de alma e coração, é isso?
Sim, embora tenha crescido sempre um bocadinho à margem, porque eu cresci entre as Portas de Benfica e Amadora, e também mais ali ao pé da Professor Reinaldo Santos, dessa rua, que até tinha a antiga Vadeca, que pertencia ao Valentim de Carvalho, onde faziam muitas gravações de locução. Quando eu era muito pequenino, ia almoçar lá a um restaurante com os meus pais, que eles tinham lá uma loja. E era muito comum encontrar figuras públicas a almoçar nesse restaurante que se chamava O Malatan. Já não existe, porque eu estive lá há pouco tempo. Encontrar tipo o Sérgio Godinho ou o Jorge Palma, cantores que já eram famosos antes de eu nascer e continuaram famosos durante a minha vida.
Abordaste algum desses famosos no almoço?
Não, eu só abordei uma pessoa uma vez, que foi a Isabel Rute. Fui fazer uma entrevista a um programa de rádio e ela estava à porta e eu não consegui ir falar um bocadinho com ela.
Muito bem. Olha, em que momento é que tu decidiste ser músico, Bruno?
Eu sempre soube que ia estar perto da música. E sempre soube que queria estudar e aprofundar a música. Só que também quis fazer outras coisas, porque eu treinei desporto, inclusive no Benfica.
Que desporto é que praticavas?
Natação.
Natação.
E depois mudei para o atletismo, mas não resistência, coisas mais rápidas, tipo estafetas, velocidade. E gostava de fazer isso, mas a música esteve sempre presente desde tenra idade, como ainda há pouco apresentaste muito bem, através dos discos da minha irmã. Então eu comecei a estudar música muito cedo, aos 12 anos, e sempre soube que isso me ia acompanhar. Agora, quando terminei o secundário, havia algumas opções que eu gostaria de ter ponderado melhor. Por exemplo, eu gostava de fazer o que vocês fazem, queria seguir jornalismo e comunicação social. Aliás, eu já fiz o ensino integrado na escola secundária, para me preparar para seguir jornalismo e comunicação social. Gostava muito, ainda gosto, leio muito jornais e artigos sobre música, revistas.
O que gostavas de ter sido, jornalista cultural?
Sim, diria que sim.
Especializado em música?
Cinema e música.
Uau!
E entretanto a minha vida foi mudando e agora também já me interesso por muitos outros tópicos. Mas sim, seria mais nessa perspectiva. E também entrevistar músicos e compositores da perspectiva do músico, aquilo que também falávamos há pouco.
Em off.
Em off, exatamente. E a outra vertente seria psicologia.
Gostavas de entrevistar músicos. Se tu, Bruno Pernadas, ex-futuro jornalista, tivesse de fazer uma pergunta ao Bruno Pernadas músico, qual seria?
Seriam coisas mais específicas, técnicas.
Vamos lá.
Ainda ontem, por exemplo, anteontem estava a ouvir uma entrevista do Rick Beato, que com certeza vocês conhecem o Rick Beato, que é um youtuber, mas não é um youtuber novo, é uma pessoa que começou a ser youtuber muito mais velho. E eu vi anteontem, entrevistou um duo Que se chama Domi & J.D. Beck. Ela é francesa, ele é americano do Texas, eles têm um grupo de jazz fusão e ele fez-lhes uma pergunta que eu achei muito interessante, que era a pergunta que eu faria, que seria: como é que vamos conseguir combater os ímpetos mais imediatos que ficam na memória física, na memória gestual? Ou seja, as pessoas quando tocam um instrumento, têm que ter muito cuidado em os dedos não tocarem primeiro que a cabeça. E então há muitos recursos que ficam mais ou menos viciados. Eu estou a fazer estes gestos porque no piano é mais evidente.
Tu estás a fazer os gestos de quem-
Sim, está a tocar acordes.
Exato.
Sim. E então como é que se combate isso? E a forma que eles encontraram, por exemplo, para este novo disco, foi não tocar. Eu às vezes também faço isso.
Não tocar como assim?
Não compor através dos instrumentos, compor só a cantar, por exemplo. Depois eles estavam a dizer que fazem a música no Sibelius e eu também faço, que é um software de notação. Mas o Sibelius também é um instrumento. Nós se começarmos a usar o software não só para escrever música, mas para ouvir sons, acaba por ser também um instrumento. Então essa era a pergunta que eu faria: como é que se combate estes vícios que nós temos, seja a nível de composição, recursos, resoluções harmônicas, melódicas, como é que se combate? Porque é preciso combater, porque senão nós podemos acabar por estar sempre a fazer o mesmo sem nos apercebermos.
Ou seja, ficar preso à técnica, é isso?
Ficar preso aos recursos que nós fomos adquirindo ao longo da vida.
No teu caso, o guitarrista é ficar preso ao braço da guitarra, é isso?
É assim, eu é raro compor na guitarra, na verdade.
Compões onde?
No piano.
No piano.
É. Na guitarra já aconteceu, mas é mais como no piano.
E as frases musicais surgem onde? Na tua cabeça ou quando martelas as teclas do piano?
Ambos os casos.
É? Compões muito a assobiar, por exemplo?
Eu assobio muito mal, porque eu não sei assobiar para fora.
Sim.
Mas componho muito, sim.
Assobiar para fora, por quê? Há assobiar para dentro?
Isto é para dentro.
Ah, ok. Tu assobias a expirar.
A expirar.
Ok.
Sim, é esse tipo de melodias que surgem e eu normalmente gravo. Gravo com o telefone ou então se estiver logo perto do meu computador, escrevo logo a música em pauta e guardo os ficheiros. E então, normalmente, o meu arquivo varia entre recordings do telefone, pautas perdidas e demos de softwares de gravação. Fica assim tudo misturado. Ou às vezes até vídeos. Aconteceu coisas assim que eu sei que vou demorar mais tempo a aprender de ouvido.
É possível que daqui a muitas décadas alguém vai encontrar um baú cheio de tesouros do Bruno Pernadas.
Pois, talvez.
Bruno, és músico, produtor, também compositor. O que é que mais gostas de ser?
Vai variando. Ainda há dias falava disso com um colega meu, porque ele é compositor, e é um compositor de música erudita e escreve muito para orquestra. A meio da conversa, estávamos a falar sobre um projeto que eu vou ter em 2027, podemos falar disso um bocadinho mais à frente, e ele dizia: "Não me apetece compor". E eu fiquei a pensar: "Como assim, não te apetece compor?" Ele: "Não apetece. Apetece-me só tocar guitarra", que ele também estudou guitarra no conservatório. Eu estava: "Uau!" Nunca tinha pensado nisso. Realmente, há fases que não apetece, mas vamos fazendo. É por fases. Às vezes gosto de estar muito tempo a tocar guitarra e outros instrumentos, outras vezes gosto muito de compor e não me apetece estar a estudar o instrumento. Mas curiosamente, é quando eu estou a estudar o instrumento, por outra razão qualquer, que surgem essas ideias para composições. No caso do cinema e nas artes performativas, eu tenho mesmo que compor, tenho um deadline. Haja inspiração ou não, temos que fazer música.
Tens aquela encomenda, não é?
Tenho aquela encomenda.
Tens um cliente para satisfazer, digamos assim.
Sim.
A palavra cliente não tem nada pejorativo.
Não.
Os músicos também vivem de encomendas, não é?
Sim, alguns sim. E é isso, vai variando.
Quando te é solicitada uma peça musical, tu sentes essa pressão: "Caramba, agora vou ter de satisfazer aquela pessoa, a necessidade daquela pessoa". Isso coloca em ti maior pressão ou tu lidas bem com isso?
Eu lido bem, mas coloca uma pressão, porque é assim, há pessoas que não são da área da música, dentro do cinema, da publicidade, teatro, dança, que têm muita dificuldade em partilhar aquilo que lhes vai na cabeça de uma forma que se entenda, numa forma mais direta. E às vezes é muito difícil nós, compositores, percebermos o que a pessoa está à procura, porque traduz aquilo que está a pensar com imagens, com sons, com fotografias, e depois nós podemos não ir ao seu encontro. Pode ser um bocadinho mais difícil nesse sentido. E há pessoas que se explicam mal, no geral, também. Então isso pode ser um problema, e isso é um desafio e coloca alguma pressão, porque às vezes não vamos diretamente ao encontro, estamos a ir noutro caminho, mas para chegar a esse caminho, às vezes demora uma semana, um mês, mas entretanto o tempo vai esgotando. Portanto, há que ser muito claro no discurso e na forma como se articula a contratação para não haver problemas no futuro. Mas eu tenho tido sorte nesse sentido, que normalmente as pessoas gostam sempre da música que eu faço para os seus trabalhos.
Ainda bem.
Sim.
Ótimo. Então vamos lá, deixaste para trás a vontade de querer ser jornalista.
Sim, pois foi. Acho que nunca disse isto a ninguém.
É um exclusivo no "Em 40 Minutos". Deixaste para trás também a vontade de um dia ser psicólogo.
Eu queria estudar psicologia, sim, no geral. Não exercer.
Decidiste então estudar música na Escola Superior de Música de Lisboa e também no Audio Club de Portugal. A formação musical é importante para os músicos, Bruno Pernadas?
Depende daquilo que os músicos querem alcançar e a forma como o querem fazer, porque eu acho que não é preciso estudar música para ser bom músico. E temos vários exemplos disso na história da música ocidental e não só. Aliás, mais até na música fora do Ocidente. Portanto, eu acho, se as pessoas quiserem ser compositores de música erudita e escrever para orquestra sinfônica e coro, acho que devem estudar música.
Tem um nível de tecnicidade muito elevado.
Sim, têm que estudar muitos anos. Podem não estudar e podem ter a sorte. E depois, se as pessoas quiserem ser instrumentistas de jazz e tocar só música de jazz, podem aprender de ouvido. Têm é que ser muito bons. Temos esses casos, o Wes Montgomery não sabia ler música, enfim, muitos outros exemplos assim na área de jazz.
E o que significa ser muito bons?
É ter aptidão ou estudar muito, porque há pessoas que pegam nos instrumentos e é muito natural para eles tocar o instrumento. E há pessoas que pegam no instrumento e têm uma extrema dificuldade em conseguir fazer o que quer que seja, porque eu sou professor e vejo isso. E eu tenho colegas, por exemplo, que tocam contrabaixo e pegam no contrabaixo e aquilo é como se fosse um ukulele, um cavaquinho, é tudo muito simples. E tenho outras pessoas que quiseram muito aprender esse instrumento e pegam e tudo que eles fazem vem com esforço, têm que estudar muito mais do que os outros. É isso, eu acho que é mesmo a aptidão para o instrumento.
Tu és poliinstrumentista? Vais para além da guitarra, obviamente, e também do piano?
Sim. Eu estudei um bocadinho de órgão quando era criança e depois o primeiro instrumento foi bateria, mas depois estava num prédio, então não dava jeito, depois mudei para guitarra. Mas sim, e há pessoas que realmente para elas é simples tocar e, por exemplo, se não for preciso ler música, saber música, saber teoria musical, saber harmonia, é possível e há pessoas que soam muito bem. E então fora da área mais acadêmica, da música erudita e do jazz, há imensos músicos a fazer música incrível, que eu tenho a certeza que se soubessem música, iam estragar. Iam estragar toda aquela beleza, tudo aquilo que eles alcançaram.
Por quê?
Porque vem de uma naturalidade de quem não-- é difícil explicar isto. Ou seja, uma pessoa que tenha muita consciência dos sons e saiba sempre quais são as notas que está a ouvir na cabeça e as funções harmônicas dos acordes, etc., ou que se consegue libertar disso tudo muito rapidamente e faz novas criações, mas as soluções vão ser sempre mais ou menos, não vou dizer presas a isso, mas nota-se. Quando se está a ouvir músicos, eu noto, é difícil explicar isto, porque é difícil explicar estas coisas sem falar de harmonia, mas eu e outros colegas, quando estamos a ouvir um músico-
Podes cantar, se quiseres. Ou entoar, se quiseres.
Não, era uma coisa mais matemática. Ou seja, eu quando ouço um músico a tocar, eu sei se ele estudou música ou não. Eu não sei explicar. É como, eu quando ouço um pianista tocar, eu e os meus colegas, isso não é uma aptidão minha. Nós sabemos quando um pianista está a tocar, nos primeiros minutos, se estudou música clássica ou não. Mesmo se estiver a tocar jazz. Aliás, nesse contexto, está um pianista a tocar jazz e nós sabemos, às vezes em menos que um minuto, se estudou música clássica ou não, por causa da forma como articula. E é isso, eu consigo perceber isso.
É a transição?
É a expressão. A transição também, mas é a expressão, é a forma como toca os acordes, é o facto de nunca ser martelado ou muito raramente, e haver uma relação muito física com o peso dos martelos e a forma como toca, no fundo. É isso. E no caso das pessoas que estudaram música, eu posso dar um exemplo.
Dá.
Eu já ouvi alguns grupos de rock, indie rock, normal, que bandas tocam em festivais de rock. E eu fico sempre assim, eu lembro-me de comentar isto com uma companheira minha na altura, eu disse: "Há qualquer coisa aqui, eu acho que esta pessoa estudou música". É as melodias angulares. Há muitas pessoas que também têm isto, sem nunca ter estudado música. Por exemplo, se o Brian Wilson ainda estivesse vivo, dos Beach Boys, eu iria cometer o erro de dizer: "Eu acho que ele estudou música". E se calhar até teve algumas aulas de piano em casa quando era pequenino. Mas pronto, e é isso. É incrível que essas pessoas que fazem, têm essa liberdade. Eu acho que também já passei o caldeirão e consigo abstrair-me do conhecimento.
Quando ouves música, quem é a pessoa dentro de ti ou quem é o personagem que está ligado àquela música? É o professor, é o músico? Porque isso também deve acontecer, não é?
É verdade.
Há várias formas de ouvir música ou não, dentro de ti.
Sim, há várias formas. Sim, dentro de mim. Houve uma fase ali mais estudantil, quando eu estava na escola do Art Club, que era-me difícil ouvir música sem estar a fazer o cálculo. Ou seja, não conseguia. Estava sempre a pensar, a fazer as contas para ver quais eram os acordes e a melodia, quais eram os graus que estavam a acontecer. E pensei: "Olha, bom, vou ficar assim para sempre". Autoimune. É isto, pronto.
Fechavas os olhos e tinhas escalas musicais, pautas musicais dentro de ti.
Sim. Eu ainda tenho isso hoje em dia, mas é quando estou a adormecer, que a minha cabeça faz um exercício, que não é de todo estressante, que faz combinações de acordes na guitarra. E antes de adormecer, normalmente passa por esse sítio. É estranho e depois eu dou por mim, às vezes, a fazer algumas combinações que acho que surgiram nesses momentos. E depois eu achava que ia ficar assim para sempre, com essa condição de ouvir a música de uma forma um bocadinho matemática e ouvir as notas e ouvir as funções harmônicas dos acordes, mas depois passou Se eu quiser, ligo esse botão e o Bruno consegue ouvir essas coisas, mas se eu quiser estou só a ouvir e não penso nisso.
Só a desfrutar.
Só a desfrutar como qualquer cidadão.
Muito bem. O teu método de trabalho, já percebemos, desculpa utilizar este termo, pode ser injusto, é caótico. Vais gravando aqui e acolá no telemóvel, pautas musicais. O teu último disco, "Unlikely Maybe", na capa aparece uma secretária.
É verdade.
Caótica.
Sim.
É a tua secretária?
É, só que naquele dia estava especialmente mais caótica. É assustador. É o caos organizado.
É?
É.
Não sou desorganizado, Bruno Pernadas?
Não, eu sou organizado no caos, mas consigo me organizar.
Essa é a resposta que toda a gente dá, não é?
Essa imagem dá para provar. Quando eu entrego as pautas ou documentos oficiais, eu sou muito organizado. Quando as pessoas recebem o meu material, vem sempre flawless ou eu tento que seja.
Sem falhas.
Sim, sem falhas, peço desculpa. Um professor de harmonia uma vez disse-me: "Quanto mais informação relevante tiverem nas pautas, mais tempo vão ganhar nos ensaios, porque se não tiverem essa informação nas folhas, há sempre alguém que vai interromper o ensaio e dizer: 'Olha, aqui nesta parte, isto é para tocar ligado ou é para tocar não sei o quê?'". Vão fazer perguntas. Se tiver lá a ligadura de expressão, não vão fazer essa pergunta e já se poupou tempo. Portanto, eu entrego sempre o meu material muito organizado e atempadamente para que as pessoas também tenham tempo de estudar e depois também não tenham muitas desculpas quando chegar a parte séria do ensaio. Eu sou uma pessoa organizada no geral, sim.
Orientada para a produtividade?
Sim.
Não admites aqueles ensaios em que está toda a gente a divagar e a levantar dúvidas.
Eu dantes era mais sério com isso no sentido em que ficava chateado. Agora simplesmente não volto a trabalhar com as pessoas. Se alguém tem esse tipo de comportamentos ou comportamentos inadequados no ensaio ou falta de respeito, eu não comento, mas não volto a chamar essa pessoa. Se calhar devia, porque assim a pessoa sabia que tinha agido mal, mas agora já não o faço, não sei por quê.
Bruno Pernadas em "40 Minutos" esta semana na Rádio Observador. Fazemos aqui uma pausa, regressamos a seguir. Até já. Em "40 Minutos" esta semana com o músico Bruno Pernadas. O Bruno é autor da banda sonora do mais recente podcast Plus do Observador, "A Vida Dupla do Espião Traidor". Bruno, já falaste um pouco aqui da tua relação com a música.
Sim.
Enfim, já percebemos que é muito profunda.
Sim.
Nem sei como dizer, poliinstrumentativa. Esta palavra nem existe. Tocas guitarra, tocas piano, seguramente te sentirás bem a tocar outros instrumentos.
Sim.
Diz uma coisa, li ou ouvi que na tua juventude tiraste um ano para viajar pela Europa, foi?
Sim, um ano sabático.
Quando é que aconteceu isso?
Aconteceu quando terminei a escola do Hot Club, enquanto aluno, onde atualmente sou professor, mas na altura, sim, fiz isso.
A ideia era quê? Procurar música feita por aí, pelo continente?
Também já pensei em fazer isso.
Fazer uma viagem musical?
Sim, ir a alguns países que eu gosto muito da música tradicional, cultural. E ouvir ao vivo. Há certos países que eu nunca visitei, gostaria de visitar para ter a experiência de estar presente num desses concertos de música tradicional. Mais no Norte da África, primeiramente. Depois iria a outros países, mas primeiramente iria ao Norte da África.
Por que o Norte da África?
Porque me identifico muito com a música que é feita. Não quero falar de uma forma genérica, porque é injusto, mas há obviamente uma tendência diferente. Por exemplo, eu adoro a música tradicional da Etiópia. Acho que é absolutamente maravilhoso, tudo, não é só na área da música mais próxima da tradição mesmo, mas a música pop, por exemplo, a música pop dos anos 80 da Etiópia, que também tem essa influência de música tradicional, é incrível. E havia aquele arquivo do Awesome Tapes From Africa, que é um site de internet de uma pessoa que juntou essas cassetes todas, que ainda muitas delas estão à venda, e na altura dava para fazer o download gratuito. Agora não sei como é que está o site, acho que não funciona e tem uma página de Bandcamp. E eu descobri imensas coisas nesse site e noutros sites de músicas do mundo. Mas agora afastei-me e não me lembro do que estávamos a falar do início.
Da tua viagem.
Da viagem, exatamente.
Depois de terminado o Hot Club.
Do secundário. Não era para uma viagem musical, mas era para parar de estudar. Senti que tinha que parar de estudar música, porque as coisas demoram a assimilar. Há coisas que uma pessoa estuda num ano que só passado dois anos é que começam a fazer sentido e a vir ao de cima. Então, eu acho que é bom interromper o estudo para deixar também o cérebro descansar e ir assimilando toda aquela informação.
E depois revisitar um dia mais tarde.
Sim, revisitar esse estudo ou revisitar esses sítios?
Não, revisitar esse estudo, não é?
Sim, exatamente.
Ou seja, deixar que o tempo passe por nós, que nos amadureça, para depois nós um dia mais tarde revisitarmos aqueles ensinamentos que na altura nos pareceram disparatados.
Sim, alguns foram, mas há outros que não. Por exemplo, eu lembro-me quando estava na Escola Superior de Música de Lisboa, fazer exercícios muito chatos que eu sei que surgiram músicas por causa disso.
Músicas, duas?
Sim.
A sério?
Sim.
Que surgiram do tempo da-
Não, com um exercício em específico
Com um exercício de castigo musical.
Um exercício de castigo musical. Eu sou um bocadinho desobediente, há coisas que eu não faço. Eu lembro-me de haver certos exercícios que eu me recusava a fazer. Mas eu sempre fui assim.
Por exemplo?
Por exemplo, professores, a uma semana do exame final, pedirem novos exercícios porque se tinham esquecido que fazia parte do programa. Isso eu recusava-me a fazer.
E recusaste?
Sim, não fiz. Claro que baixa a média, mas só há opções.
É o que é.
É o que é, sim.
Muito bem. Esta é uma pergunta, sempre que nós, pessoas que fazem entrevistas a alguém, e sobretudo a músicos, é uma pergunta que se coloca quase sempre: de onde é que vem a inspiração para escrever músicas, Bruno Pernadas?
Pergunta muito difícil, mas muito difícil mesmo. Mas eu acho que pra mim vem do cinema. Ou seja, não das bandas sonoras dos filmes, mas da minha relação, eu estou deste lado do ecrã e depois há uma outra narrativa que está a acontecer do outro lado. E essa conjuntura cria uma ligação muito especial pra mim que eu não sei explicar qual é. Não é de abstração, embora também possa existir no entretenimento, mas eu agora estou a falar do sentido mais profundo, em que o tempo é como se deixasse de existir, o tempo lá fora, e fico só eu e a obra daquela pessoa, daquele realizador. Nunca é só o realizador que faz o filme. São todas as pessoas envolvidas. E prefiro estar nesse contexto sozinho. E esse sítio mágico, que só existo eu e a obra cinematográfica, seja de que ano for, pra mim é das melhores inspirações pra fazer música, porque ali eu encontro um sítio de felicidade artística profunda, em filmes que eu às vezes nem quero rever porque acho que são tão maravilhosos.
Mas é o quê? É o filme, ou seja, é a obra, ou é a sala de cinema?
Não é a sala. Eu não gosto de ir à sala de cinema, senão vou discutir com as pessoas, porque elas começam a falar e depois dá confusão. Não, numa sessão, seja ela qual for, principalmente em casa. É essa relação que eu tenho com a obra, com aquilo que eu estou a ver, com o filme em si, que é isso, é o filme em si e eu estar a ver o filme naquele momento e estas duas coisas existirem ao mesmo tempo. O filme estar a ser projetado naquele momento específico da minha vida, àquela hora, e eu estar àquela hora a ver esse filme. Eu não sei se me faço entender, isso pode parecer um bocadinho coconut, mas é isso.
Materializando: tu vês um filme, e enquanto vês um filme, não estás a prestar atenção nenhuma, é que não estás a compor frases musicais.
Eu estou a prestar atenção, mas está a mexer comigo em sítios que se vai traduzir mais cedo ou mais tarde numa composição. Por exemplo, eu quando vi o filme, ele só não há uma hora, que é o "I Am Love", que é a Tilda Swinton num filme em Itália. Estou a dar um exemplo, podia dar muitos outros, mas esse foi um filme recente que eu vi. Eu achei aquilo maravilhoso. Tudo o que aconteceu no filme e a música também, a música é incrível. E essa tal magia que eu falava há pouco aconteceu com esse filme. Mas também aconteceu quando eu era adolescente e vi o "La Ventura". Vai variando, mas isso eu diria que é a maior inspiração, essa sensação de conforto e pura felicidade da relação com o cinema.
Tu também és professor de música. Sentes alguma diferença quando confrontas a geração de hoje com a tua geração, Bruno?
Sim, claramente. E posso dizer sem grandes problemas que melhorou.
Melhorou?
Substancialmente, sim. Já na minha melhorou em relação à anterior, mas nesta então houve um salto gigante. Eu acho que estamos num caminho muito mais, nem sei como explicar isto por palavras, mas eu diria muito mais livre de cânones e de princípios acadêmicos que não fazem sentido. É mais livre no geral. Por exemplo, quando eu estudava música jazz, só se ouvia jazz, os meus colegas só ouviam jazz e bossa nova. E havia lá um rapaz, ou dois, que ouvia Sonic Youth. E eu falava muito com essas pessoas, porque eu também ouvia, nunca estive preso só à música de jazz.
Sonic Youth, rock experimentalista de final dos anos 80, 90.
Exatamente. E o que eu acho curioso é que esta geração, muitos estudam música jazz para fazer outra coisa. Mas já sabem isso desde o início.
Ou seja, procuram-
Mais ferramentas, acho eu. Mas depois pra fazer outras coisas. E fazem muito mais coisas hoje em dia. Primeiro, fazem uma coisa que eu não sei se será assim tão acertada, não tenho uma resposta concreta, é teórico, que é gravar discos quando têm 20, 22, 23, e gravam álbuns. Pronto, não sei. Não sei porque muitas coisas que ouço não são assim tão interessantes. Não quer dizer que agora vou estar aqui velhote a dizer: "Não, tem que esperar". Não, querem gravar, gravem.
É porque hoje em dia é muito fácil.
Pois, é isso. Pra mim, tem que fazer muito sentido e eu acho que às vezes há pessoas que têm muita urgência, muita pressa, alunos assim de 20 anos, 19, têm muita pressa em se emanciparem na indústria e gravam logo. E eu não sei se isso não pode ir um bocadinho depois contra, fazer o sentido inverso.
Mas tu também gravaste cedo.
Por exemplo, eu não editei o primeiro álbum que gravei, gravei um álbum em 2008, que pouca gente sabe, e eu não editei esse álbum. Eu não editei. O meu primeiro álbum saiu em 2014.
2014, exatamente. "How Can We Be Joyful In A World Full of Knowledge?" Gostas de títulos grandes.
Exatamente.
Gostas de complicar a vida de toda gente.
Eu gosto de coisas longas. Eu gosto de óperas de três horas, eu gosto de filmes de três horas, eu gosto de ficar no mesmo café, falar durante horas e ouvir música longa.
Isso deve-se a quê, Bruno?
Não sei.
Gostas das coisas bem mastigadas, bem saboreadas.
Sim, acho que sim. Desculpa, só para terminar em relação a esta nova geração, eu acho que tem essa liberdade que se ganhou. E também tem uma coisa que eu gosto muito, que é: dantes havia uma espécie de respeito divino pelos músicos das gerações anteriores, mas é como se houvesse uma altivez do outro lado e fosse uma coisa de tu para seres músico vais ter que passar mal, vais ter que sofrer, vais ter que ir às jam sessions e ser humilhado para depois seres alguém e tens que provar aquilo que vales. Havia muita competição, que para algumas pessoas não é nada benéfico. Eu, por exemplo, a mim não me incomoda, embora não goste, mas não mexe comigo.
A ideia de fazer o caminho das pedras.
Exatamente. É uma coisa que eu consigo estar presente, embora não concorde, não goste. Mas há pessoas que não conseguem e isso faz-lhes mal. E isso existia na minha geração, pessoas a serem quase humilhadas em certos contextos musicais e de concertos. E isso hoje em dia acontece menos e as pessoas têm mais confiança no seu trabalho e têm mais confiança naquilo que querem fazer e têm uma palavra mais forte, se calhar, do que alguns professores e fazem muita música diferente, são produtores, tocam em bandas de rock e tocam em bandas de jazz e dividem a sua atividade musical em mais funções. E isso na minha geração não era assim tão comum.
Muito bem. A conversa levou-nos para a música e afastámo-nos da pergunta inicial da segunda parte, que era a tal viagem pela Europa.
Sim.
Assististe a muitos concertos ou não é por isso?
Assisti a alguns.
Deu para lavar a cabeça de tudo o que tinhas aprendido do Hot Club?
Deu. Não conhecia muitos-
Lavar no bom sentido.
Sim.
Não levem a mal.
Quando se viaja sozinho.
Foi quanto tempo essa viagem?
Eu ia e voltava, mas durou um ano.
Ok.
O que acontece é que há pessoas que são antissociais. Eu não sou antissocial, mas também não sou aquela pessoa que chega ao café e diz: "Então, não se prefiga". Começa logo a falar com toda a gente. Não sou, porque eu não tenho essa energia. Eu preciso de mais tempo, normalmente, para conhecer as pessoas, mas tenho colegas que assim o são. Para mim, que não sou assim, pode haver muitos momentos de profunda solidão, quando se viaja sozinho pelo mundo. E também temos que conseguir lidar com isso, mas eu ainda ponderava voltar a fazer isso, sinceramente.
Pois, e há de incluir o Norte de África, não é?
É, sim, eu adorava.
O Mali, por exemplo, que é um país super musical também.
Sim.
Com muitas expressões musicais. Falavas há pouco que tens um projeto para 2027. Que projeto é esse, Bruno?
Tenho vários, se calhar posso aproveitar o tempo de antena?
Podes.
Obrigado. Para já, vou continuar com a digressão deste último álbum, o "Likely Maybe", no final do mês de agosto, no Festival Calorama, no mesmo palco da Lauryn Hill, que vai ser um evento.
Uau!
Sim.
Vais cruzar-te com ela no backstage?
Acho que não. Acho que é o tipo de artista que tem backstage do backstage, tipo York, que tem um backstage dentro do backstage, onde não há acesso.
Ok.
Também acontece nalguns festivais grandes haver uma espécie de uma divisão, e tem seguranças e tudo. Tem o próprio chefe. Pronto, são outras formas de fazer digressões.
Vais tentar chegar a falar com a Lauryn Hill, ou não?
Vou tentar falar com o Mos Def e vou tentar falar com o Vince Staples, que são dois rappers de diferentes gerações que também vão lá estar nesse dia. Temos o Calorama e depois uns concertos em Portugal, no Porto, em Torres Vedras, e depois uma estreia na Suécia, em Estocolmo, onde vamos tocar num clube de jazz e depois em Londres, no Jazz Café, que eu acho que vai ser uma boa oportunidade para mim, para mostrar a música e porque sei que Londres é a terceira cidade no mundo que mais ouve a minha música.
Uau! Como é que sabes isso?
Através das estatísticas.
Do Spotify.
E das outras aplicações.
Aplicações.
Por exemplo, eu adorava que Portugal tivesse um ranking ali um bocadinho mais acima do que está, porque em primeiro lugar estão os Estados Unidos.
A ouvir a tua música.
Sim, mas é uma percentagem muito maior, é tipo 70 e tal por cento. E depois é o México, também a América do Norte, depois o Canadá, depois vem o Reino Unido e a cidade é Londres.
E Portugal?
Portugal está lá para baixo.
Portanto, a maior parte dos ouvintes da tua música vivem nos Estados Unidos, é isso?
Vivem nos Estados Unidos, no Japão, México, Canadá. Sim, não é em Portugal.
O que é que encontras explicação para isso?
Não tenho explicação para isto, até porque poderia ser mais simples pensar nisto se fosse um grupo mais ligado à música tradicional, por exemplo, que normalmente tem uma expressão maior lá fora. Ou seja, sem descurar o que as pessoas fazem, a música que querem fazer, mas uma banda de indie, rock, folk, portuguesa, a tocar nos Estados Unidos, não vai ter o mesmo impacto como uma fadista ou um grupo de música tradicional portuguesa. Nunca, porque uma banda indie folk eles têm Debaixo de cada pedra da calçada. Eu não consigo explicar porque é que gostam tanto da minha música. Já houve convites para ir lá várias vezes. Só que não há condições e a FLAD não apoiou.
Não há condições, como assim? O que queres dizer com não há condições?
Eu uma vez tive um convite para fazer uma digressão com os Mutantes, que é uma banda brasileira, em que só há uma pessoa viva do grupo original. Só que a agência não pagava as deslocações, as viagens. Havia poucas condições, nem as carrinhas, nem a estadia. Há muito poucas condições para tocar. Então só dá mesmo com apoios.
Só com apoios.
Desculpa, só para terminar. Desculpa, João. Mas o projeto que eu queria falar há pouco era que em março de 2027 tive o convite para fazer uma carta branca no CCB e é um dos maiores projetos que vai acontecer para 2027. Vai ser esse, é a carta branca que vai acontecer no dia 20 de março, no Grande Auditório do CCB.
O que é uma carta branca?
Uma carta branca foi um projeto que surgiu no CCB há 20 anos e o primeiro convidado foi o José Mário Branco. Basicamente, o CCB convida o artista, o compositor ou o músico a fazer o que ele quiser durante o tempo que quiser no Grande Auditório.
Que luxo!
É um luxo. No meu caso, será no dia 20 de março e haverá uma parte de homenagem ao José Mário Branco no meio da minha carta branca. Haverá um momento que será de homenagem ao José Mário Branco.
Ao José Mário Branco. Muito bem. Olha, em poucos minutos ou em poucos segundos, explica-me como é que foi criar a banda sonora do mais recente podcast Plus do Observador, "A Vida Dupla do Espião Traidor".
Foi muito divertido.
Foi?
Foi, porque eu já estava à espera de um convite desse há muito tempo, porque queria fazer música para um filme de espionagem. Eu estou a lhe chamar filme, mas é um podcast. Há algum tempo, eu tive uma experiência porque eu fiz a banda sonora do "Glória", da série da Netflix.
Isso.
Que também é sobre espionagem russa e americana em Portugal. E há uma relação aqui também com esta história. Mas a forma como eu tive que compor ou como caminhou, foi para um sítio mais ambiental e textural, e não tanto para esta coisa que, por exemplo, nos Estados Unidos, nas escolas de música para cinema, chamam de main theme, que é o tema genérico. E aqui eu tinha mesmo que fazer um tema genérico, e foi sempre isso que eu quis fazer, ter a oportunidade para numa peça, explorar um tema genérico, que é a melodia principal, como toda gente reconhece logo a "Missão Impossível", só ver o início de uma melodia. E eu queria ter na vida a oportunidade para criar um tema genérico e explorar esse tema genérico de várias formas musicais. E foi o que aconteceu com este podcast do nosso espião. Portanto, foi uma grande surpresa e uma alegria ter recebido o convite para fazer a música para o podcast.
Deu-te muitas dores de cabeça ou já tinhas a tal frase?
Não, ainda foi bastante trabalhoso.
A frase musical dentro da cabeça.
Ainda foi bastante trabalhoso, porque eu gosto de fazer as coisas com muito tempo e aqui não tive assim muito tempo para fazer. Portanto, nesse sentido, houve ali muitas horas de trabalho à procura dessa tal melodia que agora falávamos, mais detalhada e que realmente fizesse sentido com o material que me iam passando. Mas depois, acho que consegui chegar num sítio. Eu gostei muito do resultado.
Ainda bem. E o resultado pode ser ouvido em "A Vida Dupla do Espião Traidor", novo podcast Plus do Observador, que tem banda sonora do Bruno Pernadas. Bruno, foi um gosto.
Muito obrigado pelo convite.
Muito obrigado e bons concertos.
Obrigado.
Obrigado.
Obrigado.