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Para conversarmos com o Luís Rodrigues, administrador executivo da Invest Braga, empresa municipal que funciona como uma espécie, espécie não, funciona mesmo como agência de dinamização económica do Conselho. Luís Rodrigues, obrigado por estar aqui connosco.

Obrigado o convite.

Como é que uma empresa municipal, que é uma agência de dinamização económica, dinamiza a atividade, vossa redundância, económica de Braga?

Sim, muito obrigado pelo convite, é um gosto. Tem que dinamizar a partir de uma estreita ligação com as empresas, com o tecido económico e produtivo.

Da sempre regiões, é isso?

Um pouco. A Invest Braga atua como o braço armado do município para o desenvolvimento económico, para atração de investimento. Foi criada em 2014, num novo ciclo político autárquico, por assim dizer, ou imediatamente após uma mudança de ciclo político em Braga.

Portanto, resultante das últimas eleições autárquicas.

Exatamente, em 2013.

13? Não.

Não, foi criada em 2014. Há 12, 13 anos atrás, a Invest Braga efetivamente foi criada em 2014 e ao longo dos últimos 12 anos tem desenvolvido o seu trabalho, lá está, como eu dizia, enquanto braço armado do município.

Portanto, tem muito know-how já, muita experiência.

Eu diria que tem um histórico que é relevante, com caminho seguramente para fazer e com oportunidades para explorar, mas ao mesmo tempo também com um caminho que se tem vindo a consolidar e com números interessantes que permitem comprar Braga muito bem no plano nacional. Em 2014, quando a Invest Braga foi criada, desde logo foi a primeira agência de dinamização económica de base local a ser criada em Portugal.

2014, foi ali naquela fase da reta final do programa de assistência financeira da Troika, não é? Isso condicionou muito o arranque desta operação da agência Invest Braga?

Não, eu diria que condicionou. Diria que acima de tudo trouxe mais oportunidades. Havia desafios do ponto de vista de retenção de talento, de fixação do talento qualificado em Braga, de recuperação de talento que eventualmente também se tinha vindo a perder. E um dos aspetos em que Braga efetivamente conseguiu traçar um caminho de referência, diria, no panorama nacional, foi precisamente na capacidade de fixar o talento, muito a partir também da atração de grandes multinacionais e empresas tecnológicas.

Como é que isso se faz? Dê-me exemplos. Para mim e aos ouvintes da Rádio Observador.

Certo. Podemos dar o exemplo, que já hoje ouvimos esse testemunho, o caso da Bosch em Braga. A Bosch passou de um cenário em que era uma unidade produtiva, uma fábrica, na aceção mais pura da palavra, para uma unidade de investigação e de desenvolvimento e para uma unidade tecnológica, uma das suas mais relevantes na sua operação em toda a Europa.

Como é as patentes já registadas?

Como é as patentes, é seguramente uma das entidades que mais patentes regista em Portugal e passa de um universo de 1000 colaboradores para quase 4000. E desses 4000, muitos deles são altamente qualificados em projetos de investigação e desenvolvimento com universidades.

Mas teve o apoio da Invest Braga?

Teve a articulação e o apoio do município, da Invest Braga, em todo esse processo, ainda que a maior parte dos projetos sejam em articulação com centros de conhecimento, em particular com a Universidade do Minho. Noutro plano, podemos estar a falar da atração de outras multinacionais que não estavam ainda em Braga, como as Accentures, as Fujitsus, as Deloittes, as Mercedes-Benz IO, as Checkmarks, as Critical TechWorks, portanto, a Fidelocial, a Nestle Business Services, portanto, um conjunto de empresas de diferentes setores, da área tecnológica, da área da consultoria, de áreas mais industriais, que acabaram por escolher Braga para sediar importantes operações ou importantes centros tecnológicos das suas operações, precisamente pela capacidade de contratarem talento a partir de Braga. Braga tem-se afirmado muito por essa capacidade de colocar todos os anos no mercado de trabalho cerca de 3500 diplomados, vindos maioritariamente da Universidade do Minho, mas também da Universidade Católica, do IPCA. Isto naturalmente que tem permitido afirmar a região enquanto uma das regiões mais jovens da Europa. Foi a cidade, foi o conselho que mais cresceu em termos absolutos em população nos últimos censos. Isso, naturalmente, é um atrativo importante quando estamos a falar de fixar empresas que precisam de talento, que precisam contratar jovens e, portanto, isto depois torna-se naturalmente um ciclo virtuoso. E este plano estratégico de desenvolvimento económico, que estava a falar há pouco, foi traçado em 2014. Por outro lado, também traçou aquilo que eram a estratégia e as grandes opções de especialização inteligente do território e quais eram os setores prioritários de investimento também no plano da Invest Braga, em termos de mapeamento e tentativa de atração de empresas e de indústrias.

Ou seja, vocês identificaram áreas em que podiam fazer a diferença.

Exatamente, mapeando aquilo que eram as principais forças do ecossistema. Desde logo, a área dos sistemas de informação, das TIC, da indústria de software, que historicamente sempre teve um peso muito relevante em Braga, a partir da qual emergiram empresas tecnológicas como a Primavera, como a F3M, como a Eurotux, como a Edigma e muitas outras, mas outras áreas também, nomeadamente a área das ciências da vida e da saúde ou das tecnologias médicas, a área da nanotecnologia. O Instituto Ibérico de Nanotecnologia desempenha também aqui um papel preponderante no ecossistema de inovação e empreendedorismo. Hoje tem cerca de 400 investigadores, de mais de 60 nacionalidades, portanto, é uma estrutura absolutamente central naquilo que é o ecossistema de inovação da cidade. Isso depois também acaba por ter lateralidades muito importantes quando falamos na criação de novas startups, de novas empresas tecnológicas emergentes. E portanto, aqui também eu destacaria, se me permitem, no espaço da Invest Braga, a criação do seu hub de inovação, a Startup Braga, que é uma das aceleradoras, incubadoras, obviamente que me sinto suspeito para falar sobre isso, mas de referência no ecossistema nacional.

Tem já bons frutos?

Tem dado excelentes frutos. Hoje em dia, conseguimos já ter um conjunto de scaleups que são muito relevantes no panorama do ecossistema de empresas tecnológicas emergentes em Portugal, a Picmed, a Nutrium, a Automaze, a Genfi, a Coverflex, um conjunto de empresas de referência que nasceram como startups há meia dúzia de anos atrás, há oito, 10 anos atrás, e que hoje são empregadoras de talento altamente qualificado, com 50, 100, 120 postos de trabalho criados.

A Invest Braga tem uma lógica municipal. Acha que chegou a altura de abolir essa lógica e torná-la regional?

Fazer também o seu scaleup.

Isso.

Eu diria que é um bom desafio, sem dúvida.

Mas tem sido discutido?

A Invest Braga tem sempre a sua vocação, o seu ADN, a partir do município, do local.

Eu pergunto isso porque há pouco o presidente da Câmara dizia que a cidade de Braga vai crescer e muito nos próximos tempos. Isso significa que vai atrair mais gente, a cidade vai tornar-se maior e se calhar é preciso mudar um pouco a lógica de pensamento, não?

Respondendo à sua questão, acho que é um excelente desafio para a própria Invest Braga, que hoje em dia tem uma oportunidade de poder olhar para o território, juntamente com o município, e perceber que oportunidades na atração de grandes indústrias, em grandes áreas de acolhimento empresarial e em setores estratégicos para Braga. Há uns anos atrás falávamos das TIS, falávamos das ciências da vida e da saúde. Hoje em dia temos a oportunidade, até com a construção do novo Centro de Valorização e Transferência de Tecnologia, o Biomed Tech Hub, mas olhando também para outras áreas, eventualmente áreas mais transversais, da microeletrónica, dos semicondutores, da inteligência artificial ou dos dados, em que Braga claramente tem uma oportunidade também de atrair uma nova vaga de empresas e de diferentes indústrias.

Era isso, rapidamente, que eu lhe pedia uma resposta muito rápida. Poderão nascer coisas boas para o país no domínio da inteligência artificial aqui de Braga?

Acredito que sim. Há todo um trabalho nesse sentido. Estamos a trabalhar nesse sentido.

Muito bem. Luís Rodrigues, agradeço-lhe. Muito obrigado por ter estado aqui connosco. Depois da síntese das 15h30, vamos perceber como é que se colocam milhares de pessoas a movimentar num território e num concelho como Braga. Até já.