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E Carlos Carreiras é apoiante da candidatura do almirante Henrique Gouveia e Melo e também já está aqui conosco e agradeço-lhe, Carlos Carreiras, a disponibilidade para participar nesta emissão especial. Bem-vindo. Esta candidatura de André Ventura aumenta ou reduz as possibilidades de Gouveia e Melo, o candidato que o senhor apoia, vir a vencer estas eleições?

Antes de mais, boa tarde ao auditório e também boa tarde a todos os que estão em estúdio. Em primeiro lugar, é uma candidatura que era expectável e previsível e, se me é permitido, coerente. E explico porquê. Primeiro, porque o dr. André Ventura concorre a tudo que é eleições. Também é certo que todas aquelas que concorreu, quer a nível de primeiro-ministro, quer a nível de presidente da República, quer agora até está a concorrer em 308 municípios do país, de facto, até agora não ganhou nenhuma, portanto perdeu todas as eleições. Em segundo lugar, porque tal como foi a afirmação do próprio dr. André Ventura, ele não concorre para ser presidente da República, ele concorre para se afirmar como líder da oposição. E portanto, aqui deixou bem claro e foi coerente com tudo aquilo que tem sido o seu desenvolvimento em termos políticos e em termos eleitorais. Acima de tudo, concorre para defender uma posição do partido que preside, do partido Chega, para que não caia nessas eleições, que não seja o volte face em relação à progressão positiva que tem tido nas eleições anteriores. Portanto, era tudo expectável e era tudo previsível que assim acontecesse. Quanto ao resultado, o próprio dr. André Ventura também se reposicionou em que ele não está a concorrer para ser primeiro, está a concorrer para conseguir ser segundo, para poder ir a uma segunda volta e portanto afirmar-se como líder da oposição, sabendo todos nós que o presidente da República não é oposição nem posição, é um árbitro e, portanto, não pode estar, neste caso, a tomar partido pelo partido A ou pelo partido B. Isso para mim é claro. Segundo lugar, em relação à pergunta que me coloca, isso serão os eleitores a decidir no dia das eleições e, portanto, consoante vão votar nas próximas eleições.

Mas há partilha de eleitorado?

Como?

Se há partilha de eleitorado.

Isso percebe-se que há. Todos entram em todo lado e todos têm, embora mais apoiados por determinados segmentos partidários, mas que todos acabam por entrar em todos os eleitorados. Isso é uma eleição que não é partidária, é uma eleição unipessoal e depende muito daquilo que são as avaliações que o eleitor faz em relação às próprias características, quer do candidato, quer das funções que o candidato vai desempenhar. E hoje na declaração de princípios do dr. André Ventura, foi uma declaração de princípios relacionadas com governação. Ora, o presidente da República não governa, tem que ser exatamente esse árbitro. Tal como já referi anteriormente, até porque o dr. André Ventura, uma das suas especialidades é de facto comentador desportivo, o que é que diria o comentador desportivo André Ventura sobre um determinado árbitro ir se equipar numa das equipas, no balneário de uma das equipas? A sua independência estaria imediatamente em risco e, portanto, ele também não se declara como independente. Ele declara-se claramente como um candidato partidário que quer, no âmbito partidário, ser líder, afirmar-se como líder da oposição ao outro partido.

Estamos de saída. Deixe-me só fazer-lhe mais uma pergunta em jeito de esclarecimento. Gouveia e Melo é socialista, como disse André Ventura?

Não, considero que o almirante Henrique Gouveia e Melo situa-se ao centro. Se considerar que neste momento os dois partidos que estão ao centro é de facto o Partido Socialista e o Partido Social-Democrata, só nesse âmbito, coisa que o dr. André Ventura tem demonstrado não estar nada ao centro, portanto não está numa lógica de união, de motivação de todo o povo português. Está numa lógica de fratura e de ir contra aquilo que ele designa o sistema, sendo ele o próprio homem do sistema