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Na próxima segunda-feira, o Observador organiza em Lisboa um grande evento sobre a principal causa de morte em Portugal, os AVC e os infartos. Ao longo dos próximos dias, a jornalista Cláudia Pinto vai ouvir investigadores e especialistas que vão participar nesse debate, que acontece no Pavilhão do Conhecimento no próximo dia 17 e no qual os ouvintes do Observador também podem assistir. Hoje a jornalista conversou com Cristina Gavina, é presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, diretora do serviço de cardiologia da ULS de Matosinhos, e ela fala-nos sobre o que pode ser feito para inverter os números das doenças que matam mais em Portugal e de que forma podem também hospitais e centros de saúde trabalhar em maior articulação.
Se nós queremos realmente reduzir as doenças cardiovasculares como um todo, a carga da doença, mas em particular a morte cardiovascular, nós vamos ter que realmente fazer aqui alguma coisa para reorganizar todo o circuito do doente com doença, mas também, acima de tudo, para fazer a prevenção das doenças. Há aqui duas esferas que são completamente diferentes. É aquilo que nós temos que fazer ao nível dos cuidados hospitalares, para garantir que haja um melhor acesso, por um lado, às consultas de especialidade, que podem fazer com que o diagnóstico seja precoce e, por outro lado, há uma necessidade de intervir, nomeadamente ao nível dos cuidados de saúde primários, para ser possível reduzir aquilo que vão ser os fatores de risco que vão conduzir à doença. Nós temos feito um longo caminho em termos de tratamento da doença aguda. As unidades coronárias, as unidades da AVC, o acesso à trombectomia, no caso do AVC, o acesso à angioplastia no caso do infarto do miocárdio, levaram a uma redução de mais de metade, nos últimos 20 anos, daquilo que tem sido a mortalidade por estas causas. Mas há todo o resto que está por fazer. E esse ponto fundamental é, por um lado, nós conseguirmos encontrar as pessoas, promover bons estilos de vida, saber encontrar aqueles que têm fatores de risco, para tratar os fatores de risco. Estamos a falar de tabagismo, de hipertensão, de obesidade, que hoje em dia tanto se tem discutido, mas também estamos a falar de permitir o diagnóstico precoce e o acesso precoce a cuidados mais diferenciados de saúde hospitalares. Portanto, se nós não conseguirmos ter esta articulação entre cuidados de saúde primários e cuidados hospitalares, que permita que o fluxo seja fácil e rápido, e quando eu digo isto, quero dizer de forma biunívoca, isto é, ser possível rapidamente uma pessoa chegar aos cuidados hospitalares. E da mesma forma, os cuidados hospitalares terem a garantia que podem passar, uma vez resolvidos os problemas, poder passar na fase crônica as pessoas para os cuidados de saúde primários, onde, na realidade, é onde têm que estar a ser seguidas as doenças crônicas estáveis. Se nós não tivermos este binômio bem aprimorado, nós não vamos claramente conseguir ultrapassar aqueles que foram os números já atingidos até o momento em termos de resultados. Nós estamos muito melhor do que já estivemos, mas ainda podíamos estar ainda melhor se conseguíssemos, na verdade, investir naquilo que é prevenção e o diagnóstico precoce.
Cristina Gavina, cardiologista e é uma das oradoras convidadas para o evento Observador, que acontece na próxima segunda-feira no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Ela vai falar-nos sobre a reorganização dos serviços de saúde no tratamento das doenças cerebrocardiovasculares. Se quiser participar, basta inscrever-se em observador.pt.