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Viveu com doença poliquística renal toda a vida, herança familiar. Mas foi aos 40 anos que tudo se complicou. Os rins passaram a não funcionar bem e, consequentemente, o coração também não. A insuficiência dos dois órgãos conduziu Gonçalo Figueiredo (na foto) a um duplo transplante: renal e cardíaco. A cirurgia aconteceu no Hospital de Santa Marta e salvou-lhe a vida. “Sou hoje um filho do Serviço Nacional de Saúde”, disse à jornalista Paula Sofia Luz, que recebeu na casa de uma das irmãs, numa manhã chuvosa, em que também esteve o fotojornalista Tomás Silva e algumas pessoas da sua rede familiar e de amigos, que o apoiaram a vários níveis, de uma forma próxima e prática, para que nada lhe faltasse. Pode ler a reportagem aqui. |
Este mês, no episódio “Quando a minha vida mudou”, a jornalista Sofia Teixeira falou com José Vicente Moura sobre o enfarte que teve aos 78 anos. Dez anos depois, vive de forma ativa, é muito disciplinado, pratica exercício físico regularmente, cumpre a medicação e agradece esta segunda oportunidade. “É uma vida extra” depois de o coração ter parado, de ter sido reanimado seis vezes e de ter estado duas semanas ligado às máquinas. Uma história de superação a ver aqui. A imagem é de Larissa Lewandoski e Nuno Neves [que acumula também a realização e edição]. |
As doenças cérebro-cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal e são o mote do Arterial, o projeto do Observador totalmente dedicado a este tema. No último mês, os meios de comunicação social têm destacado sobretudo o AVC, depois de alguns episódios a afetar figuras públicas. Nuno Markl [que revelou recentemente no podcast Isto não se diz de Bruno Nogueira, que teve um segundo AVC no hospital e durante a sua recuperação], Olga Cardoso [que infelizmente não resistiu e morreu], Joaquim Monchique e Ruy de Carvalho. É importante falar sobre estas doenças e trazer ao debate público o que pode ser feito para evitar um segundo episódio, a chamada prevenção secundária, que destacámos várias vezes no Arterial. |
Enquanto escrevo estas linhas muitos dos leitores estão já de olhos postos em 2026. A celebração do novo ano costuma ser acompanhada de resoluções, muitas delas ligadas a melhores estilos de vida. Mudar a alimentação, comer melhor, praticar exercício físico, reduzir o stress, deixar de fumar… são alguns dos desejos que acompanham as doze passas. E se na teoria isto é positivo e faz todo o sentido, o desafio está em colocar em prática. O entusiasmo do ambiente de festa pode levar a promessas que não conseguimos cumprir. |
É difícil mudar hábitos, e mais complexo é ter determinação e consistência. Mas não é impossível. Os vários especialistas com quem falamos no Arterial recomendam uma mudança de cada vez Liliana Sousa, bastonária da Ordem dos Nutricionistas assina um artigo de opinião em que defende que o que colocamos no prato todos os dias pode ser decisivo para reduzir o risco de enfarte e de AVC. Sim, eu sei que poderá estar a pensar nos excessos do Natal e da passagem de ano, mas estas são as exceções à regra. |
O ano que agora termina simboliza os 20 anos do Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares da Direção-Geral da Saúde (DGS) e foi marcado com um evento em novembro. Em destaque esteve a redução da taxa de mortalidade por doenças do aparelho circulatório (AVC e enfarte) entre 2012 e 2023 e foram apresentados dados que demonstram que este é o melhor resultado das últimas três décadas. Nesse período, há também a destacar uma redução dos internamentos por insuficiência cardíaca. Segundo a DGS estes dados resultam da melhoria dos fatores de risco e o acesso a tratamentos inovadores. |
Apesar desta conclusão, o relatório Health at a Glance da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) coloca Portugal acima da média no que respeita à mortalidade em 30 dias após enfarte (7,1%) e AVC (9,3%). |
É tempo de balanço do Arterial. Só em 2025 publicámos mais de 60 conteúdos, entre vídeos, podcast, reportagens e artigos de opinião. Criámos rubricas novas, convidámos médicos, profissionais de saúde, doentes e gestores hospitalares e realizámos um evento. Aconteceu a 17 de novembro no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Pode ver o vídeo best-off aqui. Ou ler os artigos de cobertura do que por lá se debateu nas várias mesas redondas. |
Não posso terminar o ano sem agradecer aos parceiros desta iniciativa editorial do Observador e que estão connosco desde o primeiro momento: Novartis, Associação de Apoio aos Doentes com Insuficiência Cardíaca, da Fundação Portuguesa de Cardiologia, da Portugal AVC, da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral, da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose e da Sociedade Portuguesa de Cardiologia. É um conteúdo editorial completamente independente. |
Deixo-lhe alguns dos artigos publicados no último mês, desejo-lhe boas leituras e uma excelente passagem de ano. |