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Se há instituição que tem sido muito citada ao longo do dia, é a Universidade do Minho. O Raul Fangueiro é pró-reitor da Universidade do Minho para a Inovação, Empreendedorismo e Transferência de Conhecimento. Raul Fangueiro, agradeço-lhe ter aceitado o convite para estar aqui conosco. Transporta uma grande responsabilidade, porque a Universidade do Minho, diria que por praticamente todas as pessoas que falam sobre indústria aqui na cidade de Braga, citam a Universidade do Minho como uma espécie de embrião deste clima que se vive, extraordinário pra indústria bracarense. Confirma?

Boa tarde e obrigado pelo convite. Sim, sendo parte interessada, obviamente, penso que na história de Braga, há o antes da Universidade do Minho e há o pós-Universidade do Minho, ou pós-criação da Universidade do Minho, principalmente nos últimos anos.

Deu-se uma turma branca. A Universidade do Minho foi fundada em?

1973. É considerada uma das universidades novas do país, portanto, criada naquela altura e realmente tem tido um impacto muito forte no desenvolvimento da região, não só de Braga, mas de todo o território aqui em torno de Braga, noutros conselhos também, porque realmente é uma universidade que se caracteriza pela sua relação muito forte com o tecido econômico, com as empresas, com as autarquias. E desde cedo foi criada muito com esse objetivo de desenvolvimento também regional.

É uma universidade de proximidade, é isso?

É, muito próxima, sem dúvida, muito próxima das autarquias, das empresas e portanto com uma capacidade grande de atração também de alunos em áreas que na altura, quando foi criada, não estavam tão desenvolvidas noutras universidades mais clássicas.

Por que isso existe? Porque eu diria que Braga é a cidade dos arcebispos, carrega o peso da história. Qualquer pessoa dirá: "Bom, se calhar em Braga eles são mais frios, mais distantes". Afinal, não. Se calhar foi para contrapor a essa maior frieza à sociedade.

Claro, eu acho que na altura houve a identificação de uma necessidade específica da região, do território, de se poder desenvolver também com base em conhecimento científico e conhecimento técnico-científico. E portanto, esse percurso tem sido um percurso que eu diria, de forte ligação ao meio, de sucesso nesse aspecto. E, portanto, a Universidade do Minho trouxe uma lufada de ar fresco aqui à região e acho natural que muitos dos agentes, e aqui falamos sobretudo dos agentes econômicos, das empresas da região, refiram a Universidade do Minho como sendo um pilar fundamental desse desenvolvimento. Até porque muitos destes atores já foram formados pela própria universidade. E portanto, são ex-alunos da universidade, são nossos alumni e portanto são pessoas que têm uma relação muito forte.

Tivemos aqui na última hora a Teresa Martins, a CEO da Neadventis.

Claro, é um dos bons exemplos.

Engenheira de Sistemas Informáticos da turma de 1987, licenciou-se.

Claro, é um dos bons exemplos da qualidade também da formação da própria universidade. E esse aspecto é importante, esta ligação da formação com o empreendedorismo, porque é algo que nós valorizamos muito. E portanto, ao longo da história da Universidade do Minho, também essa vertente.

Depois era isso que queria perguntar. Está no ADN da Universidade do Minho formar pessoas não para serem trabalhadores, mas para serem criadores. É isso?

Sim, de alguma forma, essa componente é muito importante. Não quer dizer que a outra também não seja, e se calhar, grande parte ainda continua a satisfazer os requisitos da outra componente. Mas nós incutimos essa questão do empreendedorismo desde cedo nos nossos alunos.

Isso passa por quê?

Isso passa por ir muito para além daquilo que são as aulas tradicionais.

Exemplos.

O envolvermos os alunos em projetos que são empreendedores na própria universidade. Temos, por exemplo, empresas criadas pelos próprios alunos, a que nós chamamos as juniors empresas. Temos projetos que ligam alunos de várias áreas para desenvolverem. Por exemplo, há um projeto grande que teve agora um sucesso bem mediático, que foi o desenvolvimento de um carro elétrico a partir de 70 estudantes que estiveram envolvidos com várias empresas e conseguiram levar a cabo a construção de um protótipo, que nesta altura vai entrar em competições internacionais com alunos de outras universidades à escala europeia. E portanto, depois também impulsionamos muito o envolvimento dos alunos nas atividades culturais, nas atividades esportivas, e acho que isso, de alguma forma, cria um contexto próprio para que os alunos desenvolvam esta competência de empreendedor e eles próprios queiram, de alguma forma, ser bem-sucedidos também nesse aspecto.

Portanto, a vida acadêmica na Universidade do Minho é uma vida em permanente sobrestímulo.

Sim. Nós tentamos que seja em todas as vertentes, naquelas que cabem à reitoria, obviamente, tem muita seriedade no ensino e nas competências que passamos aos nossos alunos. Portanto, as competências técnico-científicas são fundamentais na formação, mas depois o estímulo é que a participação noutras atividades que fazem parte da atividade acadêmica, vamos chamar assim, também são estimuladas pelo próprio contexto. Até a relação com as empresas é uma relação muito natural, muito orgânica, e percebeu isso, certamente, ao longo da edição, porque realmente há uma ligação umbilical entre todos os agentes. E, portanto, é normal vermos projetos.

No mundo da cultura, diz-se: "há uma cena".

Há uma cena, que é partilhada e que é partilhada por todos.

Há uma cena bracarense.

Há uma cena bracarense, mas realmente não tem só a ver com esta questão da colocação dos nossos alunos no mercado de trabalho, mas também tem muita a ver com a valorização e transferência do nosso conhecimento científico, que é gerado a partir dos nossos centros de investigação. E nessa vertente, a Universidade do Minho claramente tem um destaque significativo ao nível do panorama nacional, porque há uma relação realmente com resultados e com impacto real na sociedadeE nas empresas e, portanto, uma forma geral-

No sentido socioeconómico da Universidade.

Sim, sentimos de alguma forma o efeito da universidade nesse aspecto também.

Esse efeito também já se sente nos candidatos à Universidade do Minho. Ou seja, quem concorre para determinados cursos da Universidade do Minho já transporta com ele também esse ADN de querer criar cenas em Braga.

Sim, eu penso que há, de alguma forma, também essa expectativa. Percebem exatamente que não vão entrar numa universidade clássica, é uma universidade que tem uma visão muito própria da sua ligação à sociedade e, portanto, é expectável que desde os primeiros anos sintam também esse apelo a que eles próprios sejam empreendedores. Depois, o ecossistema da própria universidade. A universidade não é só a universidade e os seus laboratórios e as suas salas de aulas. Portanto, ao longo da história, a universidade foi criando outras infraestruturas, que nós designamos por interfaces de ligação à sociedade, sobretudo às empresas, que têm precisamente esse papel de transferir o conhecimento e de criar valor a partir do conhecimento que é gerado na universidade. E muitos dos nossos alunos estão envolvidos desde cedo em projetos de transferência e de valorização de conhecimento ou projetos de investigação mais pura, ou mais fundamental, ou projetos de investigação mais aplicada. Eles próprios sentem-se muito satisfeitos por ter esse envolvimento e serem valorizados também nesse aspecto. Claro que depois, todas estas competências que são ganhas a partir daí, são valorizadas também por futuros empregadores, futuras entidades criadas pelos nossos alunos e, portanto, vejo que há aqui um ecossistema muito favorável a estas questões.

Permita-me uma pergunta mais pessoal. O Rui Fanger é de Braga?

Eu sou de Braga.

Ah, ok.

Portanto, eu sou de Braga. Sou de Braga e fiz a minha formação na Universidade do Minho também.

Também é um filho da Universidade do Minho.

Também sou um filho da Universidade do Minho, portanto, também com alguma carga emotiva. Também falo do crescimento da universidade e do meu próprio percurso na Universidade do Minho e de ter visto de que forma é que a Universidade do Minho transformou. Obviamente, estamos aqui em Braga, mas podemos falar de Guimarães também, onde a universidade tem um polo muito importante, o polo da engenharia, sobretudo, está em Guimarães e portanto também Guimarães sofreu uma transformação muito significativa. As empresas sediadas naquela região, mas também em Famalicão. Portanto, eu diria que a Universidade do Minho extravasa muito o concelho de Braga e tem uma influência regional muito forte.

Tenta colar.

Claro, tenta ligar também todo este território de alguma forma.

Muito bem. Rui Fanger, agradeço-lhe muito. Obrigado por ter aceitado o convite para estar aqui conosco hoje nesta edição especial a partir do Teatro Circo em Braga, paralelamente à Cimeira da Indústria organizada pelo Observador. Queria deixar um agradecimento especial ao Nelson Ferreira pelo apoio a partir dos estúdios de Lisboa e também à produtora Maria Nunes e à Rita Reves. Foi um gosto. Até à próxima.