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Miguel, oficialmente estamos no terceiro dia da Jornada Mundial da Juventude, mas na verdade este evento começou dias antes com muitos peregrinos em Portugal.

Sim, para além de toda a componente religiosa, há centenas de eventos paralelos por toda a cidade, há concertos, há atividades, há eventos desportivos, tudo para animar a juventude que chegou a Lisboa já há alguns dias, desde a semana passada. Mas o Observador foi também tentar perceber se também há peregrinos na zona noturna da capital portuguesa. E a resposta é simples: claro que há. Por estes dias, as ruas do Cais do Sodré, do Cais do Gás e do Bairro Alto contam também com peregrinos e grupos de escuteiros. A jornalista Ana Salés esteve já esta semana em reportagem pelas zonas de atividade noturna da cidade de Lisboa. E Ana, com moderação, o peregrino também sai à noite?

Com moderação, o peregrino sai à noite e com hora para voltar para casa. Foi essa uma das curiosidades que eu e o André Dias Nobre descobrimos na reportagem que fomos fazer para a noite lisboeta. Como referiste, fomos aos bairros mais conhecidos de animação noturna, Bairro Alto, Cais do Sodré, e íamos naquela expectativa: será que vêm? Será que não vêm? Depois percebemos, claro, são jovens, vão beber uma cerveja, estão muitas vezes acompanhados por padres, pelos padres que os acompanham nesta jornada. Também eles sem problema nenhum em admitir que sim, viemos sair, viemos beber um copo. Muitos franceses. A noite lisboeta, nessa noite em que nós fomos fazer a reportagem, foi absolutamente invadida por franceses.

Foi de terça para quarta.

Terça para quarta-feira. Muito animados e até a contrariar aquela que era a expectativa inicial dos donos dos bares, onde nós fomos ao início da noite perguntar qual era a expectativa, se acham que os peregrinos vão animar um bocadinho o negócio. E encontrámos alguns empresários bastante pessimistas, porque pensavam: "Eles são muito jovens, não bebem, não trazem muito dinheiro para gastar, não podem sair até muito tarde". Houve até bares que decidiram fechar esta semana precisamente por causa disso. Há bares no Bairro Alto e no Cais do Sodré encerrados. Outros até esperavam que a jornada tivesse o efeito contrário, ou seja, o cliente habitual, o português, o lisboeta e muitos turistas que se calhar viram que este evento ia acontecer em Lisboa e escolheram não vir esta semana, vão deixar de frequentar aquela zona por causa do aumento esperado da confusão. E os jovens peregrinos não vão compensar essas saídas. No entanto, em alguns bares, pelo menos até certa hora, conseguimos verificar o contrário. Por que estou a salientar a questão da hora? Era uma coisa que sempre que nos aproximávamos dos peregrinos, eles diziam. Perguntávamos: "E então, vão sair à noite? O que é que vão fazer? Até que horas? Se vão dançar". Eles disseram: "Viemos realmente beber aqui uma cerveja, desanuviar um bocadinho, mas à meia-noite temos que estar de volta". Sobretudo aqueles que estão a dormir em escolas.

Sim, há o recolher obrigatório.

Há o recolher obrigatório, o que eles nos explicaram, alguns até não estavam muito satisfeitos com isso, porque as escolas dizem que por questões de segurança, à meia-noite fecham mesmo os portões. Também encontrámos peregrinos que não se importaram de revelar que sim, há o recolher obrigatório, à meia-noite temos que lá estar, mas se chegarmos mais tarde e saltarmos os muros, como já aconteceu no dia anterior, eles olham de lado, mas não há nenhuma espécie de penalização e percebem que são jovens, queremos divertir-nos. E foi essa a mensagem passada por todos os jovens com quem falámos na noite lisboeta.

Sim, sabemos que o peregrino bebe muita água durante o dia, mas também bebe durante a noite. Cerveja, essencialmente, foi o que viram?

Essencialmente, cerveja. Vimos um ou outro mojito, mas essencialmente cerveja, curiosamente sempre acompanhado por uma garrafa de água. Foi uma observação curiosa. Muitas vezes os empregados de mesa chegavam com tabletes cheios de cerveja e ao lado tinham sempre uma garrafa de água para eles se irem hidratando. E realmente não vimos ninguém num estado absolutamente alcoolizado. Era realmente uma cerveja, vamos aqui divertir-nos um bocadinho, cantar. Cantam muito pelas ruas de Lisboa.

Se está a haver música no bar, eles fazem a festa.

Eles fazem a festa, certamente. E portaram-se bem, divertiram-se para a seguir recolherem aos alojamentos, porque os dias deles também começam bastante cedo. Às 7h ou 8h mais tardar, já estão a acordar, portanto, as noites não se prolongam muito.

Sim, muito bem. Portanto, se dúvidas houvesse, sim, os peregrinos saem também à noite. A caso para dizer "tomai e bebei" está precisamente no título deste artigo assinado por Ana Salés, já está disponível em observador.pt.