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Junta-se a esta edição Joaquim Letria, jornalista e figura incontornável da comunicação social portuguesa. Muito boa noite.
Olá, boa noite. Diga.
Estamos a olhar para este dia eleitoral no Benfica. Como é que vê todo este dia em que foram batidos todos os recordes a nível de participação? Já vamos em mais de 36 mil votantes.
Vejo de uma maneira muito entusiasmante, porque isto mostra bem a pujança e a força do Benfica, aquilo que o Benfica pode ser e poderá ser ainda melhor no futuro. E depois, não me preocupa muito não sabermos os resultados ainda, naturalmente, a esta hora, mas quando soubermos, logo vejo. E isso não me preocupa muito, porque o Benfica é tão grande que olhe, só lembrar alguns presidentes: Joaquim Bugalho, Queimado, Jorge Brito, Adolfo Ferreira de Brito. Tanta gente, já por quem eu passei, o Vale e Azevedo, também passamos por esse e por esse sobressalto. Vilarinho. E o Benfica continua sempre grande. Eu penso que é uma questão de continuidade ou de rutura. Havia aqui muita gente a falar nisso.
Sim.
Eu penso que não é uma questão de rutura, é uma questão de programa. E foi isso que me fez apoiar um candidato que não é o Luís Filipe Vieira, a quem eu penso, apesar de tudo, que o Benfica deve bastante, e deve muito, e que tem a apoiá-lo gente ilustre.
Joaquim Letria, voltando só um bocadinho atrás, e já que estava a fazer quase um historial dos presidentes que estiveram no Sport Lisboa e Benfica, há algum em particular que lhe tenha deixado boas recordações e que possa servir como exemplo para o próximo presidente?
O senhor Fernando Martins foi um homem de quem fui amigo e que acabou o terceiro anel, fez o estádio, tinha uma relação com os sócios, com o futebol e com tudo aquilo de uma maneira extraordinária. Tinha uma relação com os outros clubes também, de uma maneira extremamente correta e educada. Não é por acaso que ainda hoje o Futebol Clube do Porto, quando vem a Lisboa, fica no Hotel Altis, que era do Fernando Martins. Mas o Jorge Brito, era um homem encantador também e que foi um grande presidente do Benfica. E depois, já na minha juventude e quase infância, o Joaquim Bugalho, de quem me lembro muito bem, e o senhor Vale Queimado. Muita gente, Adolfo Ferreira Brito. Isto é a história do Benfica, são muitos e ainda haverá outros, possivelmente, que estarei aqui a falhar. Mas repare, apesar disto tudo, destas mudanças todas e de filosofias diferentes para o próprio clube, o Benfica é uma nação. E além disso, é uma ternura, para mim é uma ternura. E por isso eu, desta vez, pela primeira vez, que me lembro, a alinhar publicamente numa campanha, que foi a do Noronha Lopes, por uma razão que eu não conheço, não sei quem é o senhor Noronha Lopes, mas eu penso que isto é como nos partidos, a gente nunca vai pelas pessoas. Eu não vou pela pessoas, não conheço o senhor Noronha Lopes, mas vou pelo programa. E vou também pela garantia que um homem como o João Malheiro ou como o António Simões, principalmente, nos deram de que era uma boa escolha. Mas não estou preocupado, se não for esse. O Luís Filipe Vieira terá feito coisas que não devia ter feito, mas fez coisas muito boas e há que reconhecer isso também. Portanto, não estou nada sobressaltado nem com o resultado, nem vou perder, nem vou ganhar. Tenho muita curiosidade em ver o que toda esta afluência quer dizer. Mas, de resto, não estou nada preocupado com o futuro do Benfica. O Benfica passa pelos presidentes todos e continua sempre a ser grande e a despertar em todos nós este sentimento um bocado estranho que eu tenho desde criança.
Sim. Joaquim Letria, apesar de dizer e reconhecer que não está preocupado com o futuro do Benfica, nesta noite vai ficar acordado para acompanhar o resultado destas eleições?
Sim, gostava de saber o resultado, mas não é uma preocupação, é uma curiosidade. Fico muito curioso e aborrecer-me-ia ir-me deitar sem saber quem é que ganhou, se é que os resultados ainda serão conhecidos hoje, porque isto não é Digo-lhe uma coisa: eu acredito mais nas eleições do Benfica do que nas eleições dos Estados Unidos e do Trump, que vêm aí.
Joaquim, vão ser no próximo dia 3.
Vou ficar com curiosidade para saber o resultado dessas, naturalmente.
Vão ser no próximo dia 3, na madrugada de 3 para 4. Também vamos acompanhar aqui com emissão especial na Rádio Observador, mas olhando para o Benfica e para todo este processo eleitoral, teve a oportunidade de ir votar hoje?
Eu não sou sócio. Neste momento, não sou sócio.
Adepto sim.
Sou um adepto. Fui sócio muitos anos, fui sócio desde criança, o meu pai fez-me sócio. Ainda era uma criança, fui um sócio com um número muito baixo. Ainda tenho esse cartão de sócio, que era um cartão que hoje já não há, um cartão com uma capa em cabedal, pequenino, era um encanto. E tenho os outros que tive até há pouco tempo. E por mudar de Lisboa e por mudanças também na minha vida, e por culpa minha, não me estou a desculpar, neste momento não sou sócio, portanto, não poderia votar.
Joaquim Aletrinha, tem que pensar em doar esse espólio de cartões de sócio ao Museu do Benfica, quem sabe?
Não, isso é o meu cartão. É um cartão muito bonito, faz lembrar um pouco o género da antiga carteira profissional dos jornalistas. Também nos anos 50, 60, que também era uma carteirinha em couro e lá dentro tinha a certificação daquilo que nós éramos. E o cartão do Benfica era a mesma coisa. Mas entrei muitas vezes no Estádio da Luz, ainda sem cartão e ainda sem ser sócio, sabe como? Quando era miúdo e quando ia com o meu pai. Mas muitas vezes o meu pai não podia ou não estava, e eu muitas vezes ia para a porta do estádio, para aquele velho sistema que os miúdos do meu tempo costumavam usar, que era: "Deixe-me entrar consigo". Porque até aos 12 anos não se pagava, portanto, qualquer pessoa podia levar uma criança lá para dentro. E então era o: "Deixe-me entrar consigo", e havia sempre quem nos levasse lá para dentro.
Bons tempos.
De maneira que o Benfica é uma paixão.
Tempos diferentes. Joaquim Aletrinha, olhando para a frente, temos aqui várias hipóteses. Temos a continuidade de Luís Filipe Vieira em cima da mesa, mas também Nuno Rui Lopes, de quem já assumiu ser apoiante, e Rui Gomes da Silva. Na sua opinião, e já disse que defende as ideias e não as pessoas, o que espera para o Benfica daqui para a frente?
Olhe, eu tenho saudades do Benfica europeu. Verdadeiramente europeu, não é esta coisa da Taça Europa, que isto não é campeonato para o Benfica. O Benfica é para os campeões europeus, para a Liga dos Campeões, para as "champions", como diz o Jorge Jesus. Eu gostava muito de ver outra vez o Benfica daquela maneira como eu vi quando se ia às 16h para se encontrar um bom lugar no terceiro anel ou numa cabeceira, para se ver um jogo internacional daqueles que nos deixavam a boca, no Jesus, doce. Com toda aquela equipa, aqueles jogadores, aquelas camisolas e tudo. É difícil hoje, mesmo para muita gente hoje é difícil imaginar como era o Benfica. Daqui para a frente, eu penso que o Benfica vai continuar a ser grande. Não gosto nada daquelas camisolas alternativas, devo confessar. E então o Benfica de preto, tenham paciência. Preto para mim é a Académica e tenho muito respeito pela Académica. Mas o Benfica, são as pupuras saltitantes e não há pupuras pretas. De maneira que eu continuo a acreditar muito no Benfica e acho que há de chegar alguém, depois do senhor Luís Filipe Vieira, seja agora ou seja daqui a quatro anos, alguém que volte a pôr o Benfica onde ele já esteve, onde ele já foi e onde continua, porque eu viajo bastante e trabalho bastante fora do país e vejo bem o prestígio e o conhecimento que existe lá fora do Benfica. E aquilo que o Benfica representa para o próprio país, sem dúvida.
E essa presença do Benfica no estrangeiro, deu para perceber nesta eleição, cerca de 5 mil sócios votaram nesta eleição a partir do estrangeiro. Nesta noite eleitoral, votaram cerca de 36 mil adeptos. Esta é a mais recente atualização feita pelo Benfica. E dizia?
Não me espanta que os sócios do estrangeiro, os portugueses da diáspora, manifestem dessa maneira o seu apego ao Benfica. Eu vivi anos fora do país. Trabalhei em Londres, na BBC, durante anos e umas das viagens que eu normalmente fazia não eram de serviço. Era muitas vezes ir atrás do Benfica, e não só do Benfica, até atrás do Vitória de Setúbal também andei, ainda no tempo do senhor Pedrooto e essas coisas todas. Mas o Benfica era uma coisa que lá fora o Benfica era Portugal, e isso espero e penso voltar a ver daqui a alguns tempos, depois também de nós vivermos uma situação melhor do que aquela que estamos a atravessar. Mas eu acredito que sim, acredito que o Benfica vai ser, seja com quem for, tão grande como já foi e vai continuar a ser.
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