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Permitam-me que comece por endereçar um cumprimento muito especial a todas e a todos os portugueses. É um privilégio estar aqui no final deste longo dia de eleições e comprovar a forma como decorreu este ato eleitoral, a prova de vitalidade democrática e de tolerância democrática do povo português. Ainda para mais, com um nível de participação que finalmente inverteu aquela que era uma tendência que parecia difícil de contrariar. Felizmente, estas eleições motivaram a adesão dos portugueses a participar na decisão cujo resultado acabamos há pouco de conhecer. Quero também cumprimentar todos quantos colaboraram na organização deste ato eleitoral, em particular os milhares de portugueses que cumpriram o dever de estar nas mesas de voto e assegurar a normalidade do ato eleitoral.
Aplausos para Luís Montenegro, a falar também sobre essa diminuição da abstenção.
Quero também saudar todas e todos os candidatos de todas as forças políticas que concorreram a estas eleições. E quero partilhar com eles precisamente a circunstância de todos juntos, com o debate que tivemos, termos colaborado pra recuperação da participação dos portugueses nas eleições. Creio que é mérito de todos.
A apontar pra o mérito de todos os partidos para reduzir essa abstenção, Luís Montenegro.
Creio que é mérito de todos e por isso saúdo todos os candidatos. Quero, obviamente, agradecer de uma forma especial àqueles que manifestaram confiança na candidatura da Aliança Democrática, a candidatura que venceu estas eleições.
A apontar pra vitória da Aliança Democrática, grita-se "vitória, vitória" no Hotel Sana Marquês, Luís Montenegro a fazer esse discurso.
Sempre disse, com implicações em termos de compromisso com as portuguesas e os portugueses, que vencer as eleições era ter mais um voto que qualquer outra candidatura, e que só nessa circunstância assumiria as funções de Primeiro-Ministro. Pois bem.
A apontar pra o que disse durante a campanha, que só iria governar se vencesse as eleições, Luís Montenegro.
Pois bem, parece incontornável que a Aliança Democrática ganhou as eleições e o Partido Socialista perdeu as eleições.
Aplauso para esse momento de Luís Montenegro, a apontar pra derrota do PS depois de uma maioria absoluta em 2022.
No nosso entendimento, os portugueses falaram e disseram, em primeiro lugar, que queriam mudar de governo. Em segundo lugar, que queriam mudar de políticas. Em terceiro lugar, creio que é relevante também esse sinal, as portuguesas e os portugueses querem que os grandes partidos possam apresentar-se de forma renovada e com capacidade de inovar. E em quarto lugar, creio que os portugueses também disseram que é necessário que os partidos políticos, nomeadamente aqueles que têm representação parlamentar, devem privilegiar mais o diálogo e a concertação entre líderes e entre partidos.
Mais um aplauso para Luís Montenegro, a apontar pra essa necessidade de entendimentos.
Até esta altura, e como sabem, faltam ainda apurar os resultados dos círculos das comunidades portuguesas, a Aliança Democrática, com os partidos que a compõem, face àquilo que foi o resultado que obtiveram em 2022, há apenas dois anos, terá recuperado cerca de novos 200 mil eleitores, cerca de 200 mil eleitores a mais, e também mais mandatos. Em face disso, e em face da vitória eleitoral, é minha expectativa fundada que Sua Excelência, o senhor Presidente da República, depois de ouvir todas as demais forças políticas, me possa indigitar para formar governo.
Luís Montenegro a dizer que espera que Marcelo Rebelo de Sousa aponte a AD como partido com possibilidade de formar governo, depois, claro, desses encontros com os diferentes partidos com assento parlamentar.
Na expectativa de que tal vai acontecer O meu compromisso é, no respeito pela vontade hoje expressa de forma livre e democrática pelo povo português, cumprir a mudança. A mudança vai se cumprir com um novo primeiro-ministro, com um novo governo e com novas políticas.
Ainda sem avançar qualquer entendimento, a apontar apenas para esse sentido de mudança.
Sabemos que o desafio é grande. Sabemos que vai exigir grande sentido de responsabilidade a todos. Sabemos que vai exigir da nossa parte, e da minha, em especial, grande capacidade de diálogo e tolerância democrática. Mas, em respeito pela vontade livre do povo português, nós temos de dar ao país novas políticas e cumprir o programa, a base do programa que foi hoje sufragado.
Luís Montenegro a apontar para o programa da Aliança Democrática e dizer que quer cumprir esse programa, que os portugueses deram uma vitória ao programa da AD.
Como afirmei na campanha eleitoral, há todas as condições pra nós acreditarmos em Portugal, acreditarmos nos portugueses, acreditarmos nas instituições portuguesas. É possível que a nossa economia possa crescer mais. É possível que crescendo mais, possa pagar melhores salários. É possível que crescendo mais e pagando melhores salários, os jovens não tenham de emigrar, como tem acontecido nos últimos anos. É possível.
Agora a apontar para alguns dos discursos que fez também durante a campanha, evitar a imigração dos jovens, um deles, muito abordado durante a campanha.
É possível aumentar mais o esforço de quem trabalha e, portanto, diminuir a carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho. É possível dar esperança aos jovens, dar estabilidade e justiça a quem está na vida ativa e dar dignidade e segurança àqueles que já não estão na vida ativa, os mais idosos, pensionistas e reformados.
Um lado claro também para os pensionistas, também um dos temas mais abordados durante esta campanha, tentou essa reconciliação com os mais velhos.
É possível apresentar e implementar um programa de emergência de saúde nos primeiros sessenta dias do governo, como prometi na campanha eleitoral. É possível dar estabilidade à escola pública e fazer travar a desigualdade que nos últimos anos se tem vindo a agravar entre aqueles que têm professor e aqueles que não têm, aqueles que têm as aprendizagens todas e aqueles que as foram perdendo. É possível haver mais exigência e qualidade na escola pública. É possível termos no mercado de habitação mais oferta, do lado público e do lado privado, e com isso, não agravar mais o aumento de preços e dar acesso, seja pelo arrendamento, seja pela aquisição. É possível dar às forças de segurança melhores condições de trabalho e de remuneração. É possível.
Luís Montenegro continua a enumerar algumas das medidas que estão no programa da Aliança Democrática e que foi detalhando ao longo das últimas duas semanas, especialmente durante essa campanha.
Mudar o sistema de justiça e combater de forma mais eficaz a corrupção. É possível restabelecer o prestígio das instituições portuguesas.
Vai avançando por essas medidas e por esses temas que foi falando nos últimos dias, vai havendo também os aplausos, sala completamente cheia.
Tudo isto é possível se houver vontade política. Tudo isto é possível se acreditarmos nas portuguesas e nos portugueses. Nós temos vontade política e acreditamos nas portuguesas e nos portugueses.
E a referir também essa mensagem, a AD acredita nos portugueses, no trabalho dos portugueses. Grita-se "Portugal, Portugal". Levantam-se também as bandeiras nesta sala do Hotel Sana Marquês.
Como também afirmei na campanha eleitoral, quem viabilizou a possibilidade de haver um governo novo liderado pela AD, foram os portugueses com o seu voto. Isso é o essencial pra termos governo. Mas pra termos governabilidade e estabilidade, há que apelar ao sentido de responsabilidade de todos quantos se vão sentar na Assembleia da República em representação do povo português. A todos é exigido que deem ao país condições de estabilidade e de governabilidade. Não me eximo à principal responsabilidade que será minha, mas é preciso também exigir aos outros que cumpram aquilo que foi a palavra do povo português.
Pedir sentido de responsabilidade aos restantes partidos com assento parlamentar, diz Montenegro que vai respeitar a vontade dos portugueses e espera que os restantes partidos façam o mesmo.
É importante para a segurança dos portugueses e também é importante que esse sinal seja apreendido do exterior, porque aquilo que nós pudermos dar Àqueles que nos seguem na Europa, é relevante para os objetivos de cumprimento das políticas públicas que podem melhorar a vida dos portugueses. Quero, finalmente, dizer que é com elevado sentido de responsabilidade que irei, naturalmente, ao senhor presidente da República, dar nota da nossa predisposição para governar com a representação que o povo português nos confiou.
A apontar para esse governo minoritário, Luís Montenegro, disponível para formar governo, vai discursando com Manuel de um lado, Gonçalo da Câmara Pereira do outro e escuta agora esta plateia gritar "vitória".
Da nossa parte, não falharemos a Portugal. Da nossa parte, não vamos virar as costas às portuguesas e aos portugueses. Quero assegurar a todos que aqui estaremos, e no governo, para cumprir a obrigação de zelar pelas políticas públicas, pela execução das leis, pela direção da administração pública, pelo cumprimento das funções que a Constituição atribui ao governo. Finalmente, quero aproveitar a ocasião para agradecer a esplêndida campanha que fomos capazes de realizar.
Luís Montenegro a destacar agora a campanha, a recolher também vários sorrisos por parte dos mais jovens, os Jotas do CDS, também do JSD, que estiveram muito presentes durante estas duas semanas de campanha. Também já foi perceptível ouvir o apito nesta sala, que vai soando cada vez que Montenegro é interrompido pelas palmas. Agora escutamos uma das canções que entrou na campanha, já na segunda semana, e que tem sido entoada durante estes últimos dias. Montenegro está a chegar à fase final deste discurso do Hotel Sana Marquês.
Quero agradecer a toda a estrutura da campanha, aos milhares de voluntários que nos ajudaram nestas últimas semanas, aos jovens da Aliança Democrática, aos partidos políticos que compõem esta coligação, a todos os cidadãos independentes que se juntaram a nós, a todas e a todos os candidatos, a todos, e foram muitos, que de alguma maneira contribuíram para o nosso sucesso. E também, obviamente, à minha família. Eu não vou...
Montenegro a agradecer à família, que tem feito acompanhar pela esposa durante esta campanha, que está também presente nesta sala.
Eu não vou, propositadamente, nomear ninguém, porque para mim, todos, rigorosamente todos, foram fundamentais.
Montenegro a chegar ao final deste discurso, a agradecer todo o apoio e toda a ajuda que recebeu durante a campanha até o dia de hoje, para este momento em que consegue vencer as eleições legislativas. Vamos agora ao momento de perguntas dos jornalistas.
Em relação ao PS, e nesse esforço de diálogo que falava há pouco, se mantém o seu não é não, de que não vai dialogar de forma nenhuma com o partido de André Ventura.
Por favor.
Se mantém o não é não e não vai dialogar com o partido de André Ventura.
Começando já pelo fim, eu assumi dois compromissos na campanha eleitoral e naturalmente que cumprirei a minha palavra.
Portugal! Portugal! Portugal! Portugal! Portugal! Portugal! Portugal!
Nunca faria a mim próprio, ao meu partido e à democracia portuguesa, tamanha maldade que seria incumprir compromissos que assumi de forma tão clara. Quanto à vitória, ela tem a expressão que os portugueses lhe quiseram dar. Há uma coisa que nós podemos concluir. Há dois anos, havia uma maioria absoluta do Partido Socialista. Agora, há uma maioria relativa da Aliança Democrática. Da mesma forma que nós fomos capazes de juntar, de agregar, de somar nesta candidatura, vamos governar agregando, somando e acrescentando, sempre ao lado dos portugueses.
Dr. Luís Montenegro, boa noite, João Ferreira da CMTV. Mantendo a sua palavra do não é não, não teme que, eventualmente, numa primeira oportunidade, em termos conjunturais, o Chega possa contribuir para derrubar o governo? E se admite que tem condições para levar esta legislatura até o fim?
Eu só posso responder pela Aliança Democrática. Aquilo que direi a Sua Excelência, o senhor Presidente da República, é que estamos prontos para iniciar a governação. Estamos prontos para respeitar a palavra do povo português. Estamos prontos para mudar de governo e mudar de políticas. Estamos cientes que, em muitas ocasiões, a execução do programa do governo terá de passar pelo diálogo político na Assembleia da República. Quando isso tiver que suceder, é natural, e a nossa expectativa, que todos os partidos possam assumir a sua responsabilidade. A começar pelo principal partido da oposição. O Partido Socialista teve muito menos votos e muito menos mandatos. A Aliança Democrática teve mais votos e mais mandatos. Aquilo que aconteceu com a pronúncia do povo português deve ser interpretado por todos os partidos políticos. A minha expectativa é que estejamos todos à altura daquilo que é servir o interesse do país, servir o interesse dos cidadãos.
Boa noite, António Nafe da RTP. Peço desculpa, mas tenho que insistir um pouco mais nesta questão. A minha questão tem a ver com o Partido Socialista já disse que não vai aceitar viabilizar orçamentos do seu governo. Significa isso que vai ter que negociar com o Chega? A outra questão-
Noutras ocasiões, o Partido Socialista diria que primeiro era preciso apresentar e ver o orçamento pra depois dizer o que é que se fazia com ele. Mas eu quero responder a essa questão de uma forma democrática. Eu compreendo que o Partido Socialista não se reveja no programa de governo que nós iremos apresentar. É normal. O Partido Socialista foi a alternativa à AD nesta campanha eleitoral. Há várias divergências do ponto de vista da prossecução das políticas públicas fundamentais. O que se pede ao Partido Socialista não é que adira às propostas do nosso governo. O que se pede ao Partido Socialista é que respeite a vontade do povo português. E é nessa lógica que a minha mais firme expectativa é que o Partido Socialista e o Chega não constituam uma aliança negativa pra impedir o governo que os portugueses quiseram.
Vou pedir que deixem o PS e peçam o governo da AD. Vamos ouvir mais uma pergunta.
Boa noite, TVI, CNI Portugal. De alguma forma respondeu, mas eu gostava de precisar relativamente ao Chega. O doutor André Ventura disse hoje que só o líder de um partido muito irresponsável deixará o PS governar. Pergunto-lhe se teve algum contacto do doutor André Ventura e se esta intenção lhe foi expressa diretamente ou não.
Não tive, não era necessário, e aquilo que se coloca não é a viabilização de um governo do PS. Aquilo que se coloca é deixar o governo que foi escolhido pelos portugueses iniciar o seu trabalho e executar seu programa. Mais uma, então.
Miguel Cordeiro, da Rádio Observador. Olhando para um próximo governo, o governo da AD, será um governo com CDS no governo e com PPM no governo?
Teremos a oportunidade, depois de falar com Sua Excelência, o senhor Presidente da República, e partindo do princípio de que ele irá indigitar o líder desta aliança pra formar governo, de nessa altura poder esclarecer esses e outros assuntos que tenham a ver com a orgânica do governo. Muito obrigado a todos.