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Temos em direto ao telefone agora Inês de Sousa Real, porta-voz do PAN. Boa tarde, Inês. Como é que reage também a este nome conhecido hoje?
Muito boa tarde. Antes de mais, nós discordamos das palavras que acabámos de ouvir por parte de Maria Manuel Lopes. Achamos que a independência política vale tanto para os nomeados da direita como da esquerda e, portanto, as críticas que são apontadas pela proximidade política em relação a Mário Centeno, também não as podemos deixar de fazer em relação a esta nomeação de Álvaro Santos Pereira. No entanto, preocupa-nos que, neste caso, Luís Montenegro venha de alguma forma ficar constantemente fechado no circuito dos tempos da troika e até mesmo do governo de Passos Coelho, ou seja, não há aqui o rasgo de trazer políticas mais ajustadas aos tempos que vivemos e aos desafios que vivemos. É verdade que reconhecemos que tem um currículo bastante positivo naquilo que diz em termos de matéria de credibilidade internacional e que é também necessário em relação à União Europeia. E nesse sentido, o PAN reconhece que Álvaro Santos Pereira tem um currículo relevante até no domínio do combate à corrupção, algo que valorizamos, e sabemos que até na OCDE, enquanto ministro da Economia e no cargo que de alguma forma ocupou, mostrou de alguma maneira não ser permeável a algumas pressões privadas, o que esperamos que se mantenha. Agora nós vamos ter aqui a oportunidade de ouvir, no âmbito das auscultações que são feitas, porque em 2020, pela mão do PAN, aprovou-se que o governador teria que ser ouvido no Parlamento. Vamos procurar perceber a visão de Álvaro Santos Pereira quanto aos diferentes desafios económicos, sociais, mas também naquilo que possa ser o investimento e Portugal ter maior ambição, por exemplo, nos investimentos ligados até mesmo aos riscos das alterações climáticas, as chamadas green and blue bonds, ou seja, o investimento azul e verde, que é algo que tem sido sistematicamente criticado até por parte do Banco Central Europeu, como os Estados-membros e em particular Portugal, estando atrasado nesse tipo de investimento. Mas esperamos que, de facto, haja independência política, haja também a capacidade, em relação aos privados, de mostrar que não é permeável, pois recordo que demonstrou alguma capacidade de enfrentar os lobbies da energia e das PPPs rodoviárias, mas que os tempos sendo outros, que o mesmo não ceda à tentação de ir atrás daquilo que têm sido políticas que, em nosso entender, são políticas de recuo e não de valorização, porque os portugueses ainda têm muito presente o impacto que a troika teve nas empresas, na vida das famílias, nos despedimentos e naquilo que foi também o fecho de muitas empresas que não conseguiram aguentar a crise económica que o país atravessou. Porque neste momento o que precisamos é de visão e de ambição para que Portugal seja mais sustentável e resiliente e até mais competitivo face a outros mercados da União Europeia, o que, no entender do PAN, só se fará com uma forte aposta na economia verde.
E como é que olha para a saída de Mário Centeno e a não recondução de Mário Centeno deste cargo, Inês de Sousa Real?
É claramente uma opção política. Sabemos que o mesmo se manterá até setembro e, portanto, não há aqui uma transição que é saudável e que é desejável. Mas claramente estamos aqui a falar de opções políticas, porque se é certo que Álvaro Santos Pereira tem currículo, Mário Centeno também o tinha. É verdade que ambos poderão tomar decisões mais ligadas àquilo que são as suas convicções ou ideologias políticas, mas Portugal não pode ficar refém, no caso destes cargos institucionais e com a importância que têm para o país, da troca das cadeiras sempre que existe uma troca de governos. É por isso que em 2020, pela mão do PAN, se começou a prever estas auscultações na Assembleia da República, porque é importante precisamente que o futuro governador se comprometa perante o Parlamento com aquela que é a sua visão para o país. E por isso mesmo entendemos que, mais do que diferenças ideológicas num cargo desta natureza, em que é preciso credibilidade, seriedade e equidistância política, terá que haver esse compromisso e esperamos, evidentemente, que isso venha a acontecer.