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Ricardo Araújo Pereira foi um dos participantes no debate "Humor e Política", no segundo dia da Festa do Avante. O painel foi moderado pelo jornalista Pedro Tadeu e contou ainda com a presença de Margarida Botelho, do Comitê Central do Partido Comunista Português. Depois dos contratempos com a afluência de pessoas ao local do debate, Ricardo Araújo Pereira começou por esclarecer a posição bizarra em que se colocou ao ir à Festa do Avante.
Eu estou aqui numa posição, digamos, bizarra. Reparem, em todo lado eu sou o comuna. É possível que este é o único sítio em que eu não seja. A minha vida é ser demasiado comunista em todo lado, exceto na Festa do Avante. No outro dia alguém escreveu no muro da minha casa: "comuna". E eu sei qual é o objetivo. O objetivo não é dizer uma coisa que é mais ou menos óbvia, ou seja, "comuna", para a pessoa que escreve comuna no meu muro, quer dizer que eu sou uma pessoa que é demasiado à esquerda para aquilo que ele acha. Mas o que comuna escrito no muro significa é: eu sei onde é que tu moras, eu consigo escrever coisas na tua casa sem tu me veres. É uma estratégia de intimidação. Era para explicar isto, precisamente. Porque às vezes as pessoas acusam-me de ter muitas piadas sobre o Cavaco, mas pouquíssimas sobre o Jerónimo. Há várias razões para isso. A primeira é que o Cavaco foi primeiro-ministro durante 10 anos e presidente da República durante 10 anos. E o Jerónimo é secretário-geral de um partido que tem um pequeno grupo parlamentar e, portanto, é óbvio que para mim, enquanto humorista, para qualquer humorista, para qualquer pessoa que faz sátira política, a quem é que se aponta? Aponta-se para quem está em cima, aponta-se por esta ordem: primeiro-ministro, presidente da República, governo. Primeiro que eu chego ao Jerónimo, falta-me muito. Segundo, há outra questão. Eu vou tentar ser breve, mas eu queria só falar deste ponto, que é o seguinte: normalmente, debates deste tipo, sobre humor político, sobre sátira política, são normalmente dominados pelas pessoas que estão mais interessadas em política do que em sátira. E eu sei que aqui, em princípio, eu não vou ter sorte, porque estamos numa iniciativa político-partidária, por isso é possível que eu esteja rodeado de pessoas que estão mais interessadas em política do que em sátira. Não é o meu caso. Eu acho que a expressão sátira política é correta porque sátira é que é o substantivo, político é um mero adjetivo nesta expressão. E, portanto, o que me interessa é a sátira. O que me interessa é que aquilo tenha graça. É isso, essa é a minha ética. Isto tem graça ou não tem? Tem. Então vou dizer. Por que é diferente discutir com pessoas que estão mais interessadas em política do que em sátira? Porque as pessoas que estão mais interessadas em política, primeiro, dividem-se em dois grupos: o grupo das pessoas que concordam mais ou menos comigo e que por isso acham que eu devo ir derrubar o governo, eu devo ir contribuir para instituir um regime de que eles gostam, e as pessoas que não concordam de todo comigo e por isso acham que eu, no mínimo, devo ser isento. Faço uma piada sobre o Ventura, depois tenho que fazer outra de sinal inverso e com a mesma piada. Faço um sketch sobre o Marcelo no aborto, agora tenho que fazer outro sobre as pessoas que são pela despenalização. Eu discordo dessas pessoas em vários capítulos. O primeiro é que eu acho que não tenho nada que ser imparcial. Eu tenho as minhas posições e falo, como a Margarida disse, a partir do meu ponto de vista. Até é possível que o meu ponto de vista seja muitas vezes coincidente com o do Jerónimo, mas isso não interessa para a história.
O humorista explicou a forma como atua nos dois momentos do programa televisivo e qual o palco que os líderes políticos acabam por ter neste formato.
Comigo, duvido que alguém diga: "Este sketch sobre o aborto está engraçado, vou votar pela despenalização". Lamento, mas em princípio, não. Agora, eles vão lá. Eles beneficiam? É possível. O programa tem duas partes e são claramente distintas. Na primeira, eu digo o que me apetece. Na segunda, eu não digo tudo o que me apetece, porque eu tenho uma pessoa lá que é minha convidada e, portanto, por mais que eu discorde politicamente dela, é feio, não se faz eu convidá-la para a enxovalhar. Mas provocar eu posso. Provocações são aceitáveis e, portanto, a conversa é essa. A conversa parte de uma provocação. Se eles me provocarem de volta, melhor. E eu até acho que isso é pedagógico, porque demonstra que duas pessoas que têm posições políticas muito díspares podem ter uma conversa em que expõem os seus argumentos humoristicamente e até encontrar-se, porque estão a rir da mesma coisa, se calhar, e continuam a pensar diferente, atenção. Por que isso lhes dá jeito? Dá-me jeito a mim, eu já expliquei porque é que me dá jeito a mim, dá-me jeito a mim por uma outra razão, por uma razão humorística, que é: quando eu tenho um primeiro-ministro à minha frente, isso em princípio, tem graça. Um palhaço a acertar com uma maçã podre na testa do primeiro-ministro, tem graça. Há um atrativo humorístico nisso. Por que é atraente para eles? Porque eu tenho muito mais audiência do que os tempos de antena, porque eu tenho uma audiência diferente daquela que eles estão habituados, porque eles podem ir lá exibir uma personalidade que não exibem normalmente. Isso tem aspetos até injustos. Por exemplo, pessoas podem ser excelentes políticos, mas Terem algum embaraço em participar naquele tipo de momento e, por isso, saírem de lá prejudicados. Isso pode ser injusto, pode ser um excelente político e muito mal-jeitoso, com muita falta de jeito para coisas daquelas. E o contrário, pode ter muito jeito para aquilo e depois ser um político desastroso. O que eu queria dizer é que isso está para além da minha responsabilidade. Eu convido quem quero, devo dizer isso, e quem quer aceita. E as regras do jogo são essas.
Durante o debate, um dos últimos sketches do humorista foi assunto em cima da mesa, com Ricardo Araújo Pereira a contar a forma como foi surpreendido com a interpretação de uma piada sobre André Ventura.
Repare, a piada que citei há bocadinho, sobre o Hitlerilas. O que é que aconteceu? O Ventura, numa destas semanas, pegou-se com um cantor, é o tipo de nível do debate político a que ele gosta de se entregar. Pegou-se com um cantor no Twitter e um argumento realmente imbatível da parte dele foi: "Tu és um bocado efeminado." Ora, havia essas imagens do Ventura na sua casa, toda ela muito cor-de-rosa, com ele a segurar numa coelhinha, a dar beijinhos na coelhinha e a falar ternamente da sua coelhinha, coisa que, na verdade, não tem mal nenhum. Mas ele acabou de acusar outra pessoa de ser efeminada. Reparem, tem algum mal comer bifanas? Nenhum. Mas se eu, enquanto como bifanas, estiver a dizer: "Esta malta come bifanas, pá." Isso tem graça. E portanto, aquilo que nos chamou a atenção foi isso, foi uma pessoa bastante efeminada, que está a acusar os outros de serem efeminados. Então a gente fez isso, chamou-lhe o Hitlerilas. Ora, eu estava convencido de que a palavra Hitlerilas ia ser polêmica por causa das primeiras seis letras.
Foi por causa das outras.
Foi por causa das últimas três. Eu acho que o meu texto era suficientemente claro a demonstrar que não havia nenhum problema. Eu dizia isso, aliás, não havia nenhum problema em ser efeminado. Aliás, a palavra Larilas está ali. Isso é uma outra coisa, que é estar ali a espreitar. Não está ali, mas está a espreitar, a palavra Larilas, e eu sei que a palavra Larilas é ofensiva, num determinado contexto. Se eu vir um senhor efeminado na rua e me dirigir a ele dizendo: "Ó Larilas, tu tens horas?" Eu estou a ofendê-lo, eu estou a ofender o homem. Sim. Se eu disser: "E depois houve uma pessoa que disse Larilas", estou a citar. Naquele contexto específico, a palavra é suficientemente ambígua para designar uma pessoa que é efeminada. Sim, eu sei que há contextos em que ela é ofensiva. Não me parece que fosse aquele o contexto. No entanto, houve gente que disse: "Eu nem dormi nessa noite, eu nem vi o programa, mas a palavra é de tal forma ofensiva, que me estragou o dia." Eu acho que a palavra depende do contexto em que está inserida. Nos Estados Unidos, neste momento, há uma corrente para, por exemplo, retirar dos programas escolares, das bibliotecas, livros como o "Huckleberry Finn", ou o "Não Matem a Cotovia", porque têm várias vezes a palavra "nigger", que é uma palavra racista. É muito natural que livros que denunciem o racismo tenham palavras racistas, porque estão a apontar para o racismo. Houve professores que disseram: "Não, há livros melhores do que este, que passam a mesma mensagem." E eu fiquei perplexo que professores de Literatura dissessem: "Não, há livros que passam exatamente esta mensagem e não têm estas palavras." Porque eu nunca pensei que a experiência de ler um livro fosse, no final, dizer: "Captei a mensagem." Não é isso. A experiência de ler um livro é a experiência de ler um livro da primeira palavra até à última. E fico aflito quando, por exemplo, professores de Literatura acham que isso é um argumento aceitável.
E a dualidade de critérios. Estou me a lembrar quando, na última semana, começou o julgamento de algumas pessoas que são acusadas de estarem envolvidas no massacre do Charlie Hebdo. E a reação generalizada, e bem, que houve de condenação do atentado e a defesa do direito a caricaturar Maomé ou qualquer figura religiosa. Depois, passado uns anos, ter tido um contraponto no New York Times, embora, obviamente, não se pode comparar um massacre com simplesmente a abolição de um tipo de cartoon. Mas quando o António desenhou um cartoon em que punha o Trump aliado de Israel e foi acusado de antissemitismo, imediatamente houve uma reação e não houve um movimento de indignação a acompanhar esse ato de censura, não é bem a palavra correta, mas de discriminação religiosa no cartoon.
Eu falei disso, porque eu acho que os cartoonistas, por exemplo, são o canário na mina da liberdade de expressão. A partir do momento em que um tipo com um lápis não pode fazer uma caricatura, a seguir vai chegar a nós. Aquele é o primeiro, por quê? Porque eles jogam com o exagero. E, portanto, eles são os primeiros. E realmente, a gente olha à volta e percebe. O New York Times acaba com os cartoons na sua versão internacional, na sequência do cartoon do António. O Correspondents' Dinner da Casa Branca acaba com a sua tradição de ter um humorista a falar lá na sequência das piadas da Michelle Wolf terem sido mal recebidas. A Polícia de Segurança Pública processa o inimigo público porque também se ofendeu com um desenho. Mesmo na altura do Charlie Hebdo, toda a gente condenou aquilo, muita gente escreveu "Je suis Charlie", houve gente que disse: "Eu não escrevo Je suis Charlie, porque eu não gosto nada dos cartoons deles." Eu nunca comprei um número do Charlie Hebdo. Quando uma pessoa diz "Je suis Charlie", o que isso significa é: "Eu sou uma pessoa que acredita que a um desenho não se responde com tiros na nuca." É isso que Je suis Charlie quer dizer. Não é "eu sou um fã deste jornal e comprei todos os números." Não é isso. Atenção, o Papa, líder espiritual de um quarto da humanidade, na sequência do atentado, disse: "Condeno, com certeza, mas..." Esse é o problema, de repente, vinha a adversativa. Ele disse: "Mas não se pode ofender." Ele estava no avião e disse: "Se aqui este meu amigo disser alguma coisa sobre a minha mama, eu dou-lhe um soco na cara." Disse o Papa! O Papa, o herdeiro da "a outra face", daquele senhor que disse. Dá a outra face. O Papa disse: "Não, exceto se me ofenderem. Aí levam na cara." Não, lamento, mas não é o procedimento. Nós na civilização não reagimos assim. Fizeram um cartoon e eu fiquei indignadíssimo. Faz outro cartoon. Não pegas na G3. Nós na civilização é assim que fazemos.
Ricardo Araújo Pereira utilizou o caso da eleição de Donald Trump para mostrar que os humoristas não têm assim tanta influência, mas que têm um importante papel, o de fazer rir.
Quando eu acabei a faculdade, vou já terminar. Quando eu acabei a faculdade, fui trabalhar para um jornal chamado Jornal de Letras e um antigo editor que lá estava, num dia de fecho do jornal especialmente difícil, proferiu a frase que tem sido o meu lema, não só como humorista, mas também como pessoa que está viva. Estávamos todos atrapalhadíssimos. Os fechos de jornal normalmente são difíceis, aquele era especialmente difícil. E o meu amigo Rodrigues da Silva, era esse homem, já morreu, coitado. Um homem de esquerda, virou-se para nós e disse assim: "Vamos! A vitória é difícil, mas é deles." Eu sei que estou no sítio ideal para que esta piada faça sentido. Porque nós todos sabemos aqui o que ele fez. Nós sabemos que a frase que ele devia ter dito era: "A vitória é difícil, mas é nossa." O que eu acho? Eu acho que é mais eficaz "a vitória é difícil, mas é deles" por várias razões. Primeiro, tira-nos a responsabilidade da vitória. Nós já não temos que ganhar e isso é um peso que nos sai de cima. É um peso e sem peso em cima, vive-se melhor e se calhar até se ganha mais. Segundo, oferece-nos uma pequena consolação, uma pequena vingança, que é: "Está bem, a vitória é dos outros, mas vai ser difícil. Vai ser difícil a vitória é deles, mas vai lhes custar. A gente vai lhes dar cabo dessa satisfação." Terceiro, não nos vende falsas esperanças. A minha experiência é que a vida é feita de uma sucessão de derrotas. Quarto, diz-nos que o facto da provável inevitabilidade da derrota não é razão para perder o ânimo. Vamos embora, vamos! Exatamente. Quinto, e mais importante do que tudo, a frase dá vontade de rir a quem está preocupado. Eu não conheço nada, eu não conheço vitória acima dessa. No dia de fecho do jornal, em que tudo parecia perdido, ele disse uma frase que nos fez rir a todos. Num momento em que toda a gente está preocupadíssima, ser capaz de rir, eu não conheço outra. Reparem, eu vou já concluir com isto. A minha mãe, os meus amigos e eu uma vez fazíamos uma coisa muito fácil, que era ir buscar coisas da televisão antiga e fazer pouco dela. Tinha tudo para resultar, porque as pessoas estavam vestidas anos 70, faziam programas como se fazia nos anos 80. Era tudo estranho para nós hoje. E a gente chamava aquilo, era um tesourinho de experimentos, a gente ia buscar tesourinhos de experimentos. Um deles era um bruxo que tinha ido a um programa e ele dizia que fazia exorcismos e no decurso desses exorcismos, dizia ele: "Há pessoas que vomitam, na minha frente, vomitam munelhos de cavelo." Dizia ele. Bom, passaram uns anos e a minha mãe teve cancro da mama. Teve cancro da mama. Está tudo bem, não se preocupem. Eu volte e meia ligava-lhe para saber como é que estava tudo. E uma vez a minha mãe disse, estava a fazer quimioterapia, e disse: "Está tudo bem, estão a cair-me munelhos de cavelo." E deu uma gargalhada. Ora, reparem, a quimioterapia é que estava a fazer o seu trabalho, isso não há dúvida. Aquilo não fez nada pela minha mãe, exceto, deu-lhe vontade de rir naquele momento. Eu valorizo isso. Valorizo que às vezes as pessoas têm, digamos, um desdém sobre: "Mas é para rir?" Há pessoas até que dizem assim: "Isto o que faz falta é animar a malta." Dizem com ar de desdém. Quando a música "O que faz falta", que o Zeca Afonso cantou pela primeira vez na fábrica da Abelheira para funcionários que estavam em lockout, a fábrica tinha feito lockout, os trabalhadores estavam em lockout. A canção em lado nenhum é irônica. "O que faz falta é animar a malta", diz a canção. E diz: "O que faz falta é empurrar a malta, o que faz falta é dar poder à malta, o que faz falta é agitar a malta." Está ao mesmo nível. Dar poder e animar está ao mesmo nível. E não é irônico, é o que faz falta. E eu subscrevo, eu também acho que faz falta.
Com o politicamente correto a ser o novo, quais são os limites do humor, o humorista quis mostrar a diferença entre criticar e censurar, que se tem confundido nos últimos tempos.
Criticar não é censurar. É exatamente isso. O meu problema é o seguinte Primeiro, nunca me aconteceu e essa é uma das razões por causa das quais eu estou tão à vontade. Mas há pessoas que perdem o emprego por causa de uma piada. No outro dia aconteceu, uma senhora nos Estados Unidos fez uma piada no Twitter. Ia embarcar para Joanesburgo, pôs uma piada no seu Twitter, que até tinha pouca gente. O problema das redes sociais é que qualquer pessoa é potencialmente uma figura pública. Ela tinha muito pouca gente no seu Twitter. Fez a seguinte piada: ela ia para Joanesburgo e escreveu o seguinte: "Vou agora pra África, só espero não apanhar SIDA. Claro que não apanho, eu sou branca." Pôs no Twitter e entrou no avião. Agora, a gente pode achar o que quiser sobre esta piada da senhora. Na verdade, a piada significa o seguinte, a piada é sobre ela. É sobre uma mulher branca que diz assim: "Vou pra África" e o estereótipo da branca é: África, basicamente, é o sítio da SIDA, e o outro estereótipo da branca é: mas a mim não me toca, porque eu sou branca, eu não apanho. O que esta piada significa, objetivamente, é isto. É a senhora a fazer pouco de si própria. Quando ela aterrou em Joanesburgo, já estava despedida, porque gerou-se uma tempestade tal no Twitter que no período que durou a viagem, a empresa onde ela trabalhava a despediu. Aí, sim, eu tenho problemas com isso, porque de fato ela foi despedida. E, portanto, o meu ponto é: uma pessoa fala, outra critica, perfeito. E mais, não acaba aí. Uma pessoa fala, outra critica, outra critica a crítica, outra critica a crítica da crítica. Por quê? Vamos supor que alguém leu "Os Maias", ou nem sequer leu "Os Maias", também está nesse direito. E diz assim: "Não gostei deste livro sobre a civilização maia." Eu acho que essa pessoa tem todo o direito de fazer a crítica. Todo o direito. E a gente tem o direito de chegar a seguir e dizer: "Desculpe, mas não leu isto como deve ser. Na verdade, não é isso que lá está. Falhou, a sua leitura falhou." Até aqui tudo bem, pra mim é ótimo. Se essa pessoa, com base nesses argumentos, disser: "Eu acho que do programa do nono ano não deve fazer parte um livro desinteressante sobre a civilização maia", e conseguir tirá-lo do programa, já tenho um problema com isso. Eu não tenho nenhum problema com o fato de dizerem assim: "Essa piada é homofóbica", mesmo que não seja homofóbica. A opinião das pessoas é: essa piada é homofóbica. Certo, é uma opinião. É uma opinião que é difícil de rebater, porque mais do que uma opinião, é uma acusação. E, portanto, não é uma mera diferença de opiniões.
Ricardo Araújo Pereira regressou à Festa do Avante 20 anos depois, desde os tempos que era militante do Partido Comunista.
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