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E agora sim, Paulo Raimundo já foi anunciado e vai começar este discurso de encerramento que fecha o 22º Congresso do PCP. Vamos escutar esta intervenção de encerramento de Paulo Raimundo.
PCP! PCP! Camaradas, permitam-me iniciar com uma saudação aos convidados que muito nos honram com a sua presença, organizações e estruturas diversas, associações, movimentos, partidos políticos e organizações sociais, onde destaco a delegação da CGTP-IN aqui no nosso congresso. Uma saudação particular ainda aos nossos aliados, ao Partido Ecologista Os Verdes, à Associação Intervenção Democrática e aos muitos independentes sem filiação partidária, componentes deste projeto de trabalho, honestidade e competência que é a CDU. Estamos a chegar ao fim do nosso 22º congresso e aqui chegados, podemos afirmar com segurança que atingimos os seus objetivos. Aqui analisamos a evolução da situação internacional e nacional, alargamos a compreensão do quadro em que intervimos e a dimensão da ofensiva, identificamos as dificuldades e o chão que pisamos, tomamos decisões para reforçar o partido e relançá-lo na tomada de iniciativa, afinamos a tática, sublinhamos a estratégia, definimos a alternativa patriótica e de esquerda como tarefa central que está colocada aos democratas, aos trabalhadores, ao povo e à juventude, reafirmamos a nossa entidade comunista, aprovamos a resolução política e elegemos o novo Comitê Central. E sobre o Comitê Central, permitam-me uma saudação a todos os camaradas que agora saíram. Entrega, militância e determinação foi assim a vossa ação enquanto membros do Comitê Central e será assim, com toda a certeza, em todas as tarefas que vão agora abraçar. Uma saudação que estendo também a todos aqueles que iniciam funções e em particular àqueles que integram o Comitê Central pela primeira vez. E camaradas, o congresso foi, como esperávamos, um momento de grande significado para o partido e de importância acrescida para os trabalhadores, para o povo, para a juventude e para o país. O congresso não foi uma montagem ou um espetáculo. Foi, isso sim, um banho de realidade, uma expressão da vida vivida e das dificuldades do dia a dia, mas também da luta que faz frente a essas mesmas dificuldades. O congresso foi, isso sim, uma manifestação de força, determinação, coragem e esperança para milhares e milhares e milhares que justamente ambicionam uma vida melhor. E a todos esses, aos que trabalham e põem o país a funcionar, aos que trabalharam uma vida inteira, aos jovens que querem cá estudar, trabalhar e viver, aos que procuram em Portugal uma vida melhor, àqueles que foram lá fora à procura de oportunidades que o seu país lhes negou, às mulheres que justamente ambicionam igualdade no trabalho e na vida. A todos aqueles que são alvos da política de direita, a todos lhes dizemos: Portugal tem futuro e esse futuro constrói-se no presente, com confiança, com determinação e com a luta. Há força e forças suficientes, se organizadas e mobilizadas, para travar a minoria que capturou o país, que submete o poder político e domina a economia ao sabor dos interesses dos grupos económicos. Esses tais que concentram 32 milhões de euros de lucros por dia, ao mesmo tempo que cerca de dois milhões de pessoas vivem em risco de pobreza, milhares delas incluindo crianças, mais de um milhão de reformados vive com pensões de miséria e numa altura em que se acentua a exploração e a política dos baixos salários. Há força e forças suficientes, se organizadas e mobilizadas, para enfrentar a política de classe ao serviço dos poderosos e pôr fim às desculpas esfarrapadas de que nunca há dinheiro para aumentar salários e reformas, nunca há condições para valorizar carreiras e profissões, nunca se pode fixar profissionais nos serviços públicos, nomeadamente no Serviço Nacional de Saúde, que nunca é possível avançar para a rede pública de creches ou de lares, ou para apoiar a ciência, ou para apoiar a investigação, ou para apoiar a cultura, mas pasme-se, há sempre razões e há sempre recursos públicos disponíveis Para mais descidas de IRC e mais transferências de recursos públicos para os grupos económicos. Camaradas, o que serve ao país não é a submissão aos interesses dos grupos económicos e das multinacionais. O que serve ao país, o que serve a quem produz a riqueza e põe o país e a economia a funcionar, é uma política ao serviço do povo, uma política ao serviço da maioria. E se é verdade, e é verdade, a situação que enfrentamos é de grande exigência, o inimigo tem muita força e tem meios poderosos, como sabemos. Mas este não é o momento pra desânimos. E àqueles que perdem a esperança, dizemos olhos nos olhos: olhem pra este congresso, confiem neste partido e juntos, ombro a ombro, vamos resistir, vamos acumular forças e vamos criar as condições pra avançar e pra vencer. Neste tempo em que vivemos, cheio de incertezas e de justas inquietações, em que soam os tambores da guerra, em que se acentuam as injustiças, em que o grande capital joga a cartada da extrema-direita, os trabalhadores e todos os democratas precisam, e cada vez mais, de um PCP mais forte. Precisam de um partido em que possam confiar e que não ceda ao oportunismo perante as dificuldades. Um partido que seja um porto seguro de firmeza e de coragem, que seja portador da confiança, da esperança, que seja o farol da possibilidade de vencer as dificuldades por mais maiores que elas sejam. E é a partir dessa necessidade e do justo reconhecimento do papel do PCP, um reconhecimento que se alarga a cada vez mais gente e gente mais variada, da tribuna do nosso 22º Congresso, apelamos e convocamos os democratas, os patriotas, os que cá vivem e trabalham, a juventude e todos aqueles que são atingidos pela injustiça e as desigualdades, para que, com o PCP, tomem nas suas mãos a luta pela rutura com a política de direita, que derrotemos os projetos reacionários, defendamos juntos o regime democrático inscrito na Constituição da República. Se no PCP nos assumimos como a força determinante pra impulsionar a alternativa patriótica e de esquerda, a responsabilidade da construção dessa mesma alternativa está também nas mãos dos trabalhadores do povo, dos democratas, da juventude, de todos aqueles que são os principais interessados na sua concretização. Daqui reafirmamos: não desistimos do país. Portugal não é uma província de um Estado qualquer. Portugal é uma nação soberana com quase novecentos anos de história. Portugal é resultado da construção e da luta de um povo que em momentos decisivos da nossa história, tomou nas mãos o seu destino. Este povo que se renova e este povo que se abre a novos tempos. Este povo que derrubou o fascismo, que ergueu e construiu a Revolução de Abril, que fez do seu projeto, das suas conquistas e dos seus valores, uma realidade na vida. Este povo que tem a força necessária para recolocar o país no trilho dos valores e das conquistas de Abril, no trilho do qual o país nunca deveria ter saído. O país não está condenado às injustiças e às desigualdades. O país tem recursos, tem meios, tem forças e tem gente séria capaz de construir uma vida melhor, essa vida que justamente ambicionamos. O país precisa responder à emergência nacional do aumento significativo dos salários e das pensões. Precisa de combater a chaga da precariedade, de valorizar carreiras e profissões, precisa de respeitar quem trabalha e quem trabalhou uma vida inteira. O país precisa de pôr fim aos benefícios fiscais, às privatizações, à corrupção, precisa de pôr fim, de uma vez por todas, à rapina de recursos públicos por parte daqueles que se acham os donos disto tudo. O país precisa de mais e melhores serviços públicos, salvar e reforçar o Serviço Nacional de Saúde, fixar e contratar profissionais, garantir a todos o acesso à saúde. Precisa de valorizar a escola pública, responder à falta de professores e de outros profissionais, precisa de avançar, precisa mesmo de avançar para uma rede pública de creches gratuitas e o acesso universal à educação pré-escolar. O país precisa de enfrentar o drama da habitação, dar combate à especulação, reduzir o valor das rendas e pôr a banca a suportar os efeitos da taxa de juro O país precisa de recuperar os instrumentos para definir, de forma soberana, o seu próprio rumo de desenvolvimento, investindo mais e onde faz mais falta, e não onde a União Europeia e as suas regras orçamentais querem impor que seja o nosso investimento. O país precisa, pode e deve produzir mais para criar mais riqueza e para se desenvolver enquanto nação soberana. O país precisa de colocar todo o saber e o conhecimento científico e tecnológico, precisa de colocar a ciência e a investigação ao serviço do país. O país precisa da força e a criatividade da juventude, respondendo às suas necessidades, aumento dos salários, estabilidade, educação e acesso à habitação. O país precisa de todos aqueles que cá procuram uma vida melhor e dispensa o bafiento e desviante discurso do ódio, do racismo e da xenofobia. É possível um país desenvolvido, de progresso e soberano, e cá estamos para, com muitos outros, o construir. Saímos do Congresso mais fortes, mais preparados e determinados para tomar a iniciativa. Não faltaremos a nenhuma batalha, seja ela econômica, social, política, institucional ou até eleitoral, estaremos em todas essas batalhas. Vamos agir a todos os níveis. Desde logo, contribuindo pra intervenção da Juventude Comunista Portuguesa e pro sucesso do seu Congresso. Vamos tomar a iniciativa pelo aumento dos salários e das pensões, contra as injustiças e desigualdades, pelos serviços públicos, por uma rede pública de creches para todas as crianças, pelo direito à habitação. Tomar a iniciativa com o desenvolvimento da ação, aumentar salários e pensões para uma vida melhor. E daqui relançamos esta ação com um desafio ao partido, mas também aos trabalhadores, ao povo e à juventude. Levemos por diante uma das maiores recolhas de apoio e exigência que realizamos até hoje. Nos próximos tempos, em todo lado, contactar, esclarecer, conversar, mobilizar para assinar. E no próximo dia 14 de janeiro, em todo o país, vamos ainda com mais empenho e com confiança, realizar 100 ações pra 100 mil assinaturas. Camaradas, tal como foi muito visível no Congresso, esta ação impõe um estilo de trabalho que deve ser uma referência da nossa ação geral, ligação às massas e um partido ainda mais ligado à vida. Aproveitemos esta experiência pra tomar a iniciativa e a intensificar a preparação das próximas eleições autárquicas. Façamos das eleições autárquicas uma grande jornada de contacto e mobilização. Levemos por diante uma ampla ação de apoio popular à CDU, a este espaço de ampla convergência, onde cabem todos os que anseiam resolver os problemas concretos das populações, daqueles que querem justamente viver melhor na sua própria terra. Mobilizemos comunistas, ecologistas, mobilizemos independentes, mobilizemos todos, independentemente das suas opções partidárias, pra dar ainda mais força a um projeto que não se confunde com nenhum outro, que queremos que se alargue, queremos que cresça e vá mais longe, desde logo, com mais candidaturas. Quem tem um projeto autárquico sem paralelo como o nosso e com provas dadas, quem tem eleitos ligados às populações, como são os eleitos da CDU, quem tem como marca trabalho, honestidade e competência, quem se lança numa ampla jornada de contacto, mobilização, envolvimento e apoio popular, só tem razões acrescidas pra ter confiança na batalha das eleições autárquicas. Tomar a iniciativa, sem nenhuma hesitação, pela paz e contra a guerra, pela solidariedade e contra o militarismo e contra a indústria da morte. Camaradas, não desistimos da paz e estaremos, como sempre estivemos, na primeira linha de exigência da paz. Lá estaremos, no próximo dia 18 de janeiro, em Lisboa, nessa manifestação sob o lema "É urgente pôr fim à guerra, todos juntos pela paz". Lá estaremos e seremos, com toda a certeza, muitos, porque são muitos e cada vez mais os que não aceitam o caminho da guerra e do desastre pra onde querem arrastar o povo Tomar a iniciativa e dinamizar a justa luta que aí está e tem que se intensificar, desde logo no motor central dessa luta, que é a luta dos trabalhadores. Mas também de outros setores e camadas, seja pela habitação, seja pelo Serviço Nacional de Saúde, pelos serviços públicos, pelo aumento das reformas, pelo transporte público, pelo ambiente, contra as discriminações e preconceitos, pelos direitos, pelo respeito e pela dignidade, por tantas e tantas justas causas que aí estão, que é preciso atacar, mobilizar e lutar. Tomar a iniciativa pelo reforço do partido, concretizando um movimento geral do reforço que agora decidimos. Um movimento que exige de todo o partido a tomada de medidas concretas, tendo como elemento central a responsabilização de quadros, alargando a nossa capacidade de intervenção para se chegar mais longe, para intervir em mais frentes, para mobilizar ainda mais gente. Reforço de um partido que faz falta ao país, aos trabalhadores, ao povo, à juventude, que faz falta aos democratas e patriotas. E camaradas, quem achava que vínhamos para o 22º Congresso para carpir mágoas, mais uma vez se enganou. Quem esperava que confundíssemos resistência com desistência, encontrou aqui um partido consciente do torrente que pisa, das dificuldades que o nosso povo enfrenta mas que está aqui a resistir. Sim, a resistir, mas de uma resistência que não fica à espera, que se lança na luta, que se lança a acumular forças para avançar e transformar. Quem esperava fraqueza, encontrou aqui a força, a unidade, a determinação e a coragem, como foi aqui dito ontem no nosso Congresso, essa coragem que é a irmã gêmea da militância. Encontrou aqui toda essa determinação. Quem esperava isolamento, encontrou aqui um partido ligado à vida e à realidade, disponível e empenhado em juntar forças com todos aqueles que justamente não desistem do país e estão preocupados com o atual rumo. Quem esperava estagnação, encontrou aqui a criatividade da juventude e a força da JCP. Os que propositadamente confundem mensagens novas com demagogia, mentira e desinformação, encontraram aqui um partido que não abdica dessa mensagem, a mensagem da verdade. Quem esperava conformismo, encontrou aqui a luta que lhe faz frente. Encontrou a esperança de Abril e a força de Maio. Encontrou uma inabalável confiança na força dos trabalhadores, do nosso povo, dos democratas e da juventude. Quem esperava pessimismo, encontrou a alegria. Essa alegria própria de quem sabe que é justa a causa por que luta. Lamentamos desiludir os que tomaram desejos por realidade. O PCP cá está com a força do seu ideal, com a força do seu projeto, com a determinação e a coragem do seu grandioso coletivo partidário. O PCP cá está a desmentir e, acima de tudo, pronto a enfrentar e a derrotar todos quantos gostariam que o partido se fragasse ao poder e aos interesses do grande capital. Mas este não é um partido do capital, desses já há muitos. Este é, e com muito orgulho, o partido do trabalho, o Partido Comunista Português. E quem nos queria ajoelhados, aqui estamos de pé, com os olhos postos na felicidade do nosso povo. Quem desejava um partido condenado, encontrou aqui e vai encontrar amanhã, nas empresas e nos locais de trabalho, nas ruas e nos bairros, nos centros de saúde, nas escolas, nas universidades, nos centros de investigação, nas associações, vai encontrar em todos os locais onde pulsa a vida, o Partido Comunista Português. A força de Abril que está a tomar a iniciativa com os trabalhadores, com o povo, com os olhos postos na construção da democracia e do socialismo. A luta continua! Viva a paz! Viva o 22º Congresso! Viva a JCP! Viva o Partido Comunista Português!