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Relatório de jogo na Rádio Observador. Nos próximos minutos, vamos falar sobre o Casa Pia-Sporting. Jogo da 10ª jornada da Primeira Liga, que terminou com um triunfo leonino por 2 x 0. Pedro Lima fez o primeiro gol, Geny Catamo confirmou o triunfo do Sporting. O gol do moçambicano foi alcançado já nos últimos instantes da partida, numa altura em que o Casa Pia apostou tudo e acabou por perder. O guarda-redes casa-piano subiu à área do Sporting e, no contra-ataque, Geny Catamo conseguiu mesmo confirmar esse triunfo leonino. O Sporting está de regresso às vitórias depois de ter perdido com o Académico de Viseu na última jornada. Para entregar este relatório de jogo, Mário Cajica, já aqui comigo. Mário, que primeiras notas a retirar deste Casa Pia-Sporting, onde o Sporting não tinha qualquer tipo de margem para facilitar?
Exatamente. Estou à vontade para dizer, e falámos disso até, que acho que o Rui Borges tomou as decisões corretas em termos de escolha para este encontro. Parece-me que este 11, nesta altura e perante uma equipa mais descontrolada e sem confiança, é um 11 que faz sentido, principalmente o tridente do meio-campo. O Silas Anderson, nesta fase em que é preciso um pouquinho mais de estabilidade e de mais controlo, faz muito mais sentido estar ao lado do Altimira do que o Doumbia, que é um jogador um pouquinho mais caótico. E percebeu-se isso até mesmo com a entrada do Doumbia e do João Simões, como o jogo começou ainda a partir mais para o Sporting, que já não conseguiu ter sequências de posse de bola mais controlada. E o Pedro Lima, que no fundo, consegue ser um terceiro médio quando a equipa precisa, mas ao mesmo tempo é aquele elemento diferenciador entre linhas que tem faltado ao Sporting. Na ausência de jogo interior nos últimos jogos, hoje, Rui Borges, parece-me que encontrou uma fórmula mais adequada para o jogo do Sporting, nesta altura, reforço. Altimira, Anderson e Pedro Lima são escolhas acertadas. Depois percebe-se um bocadinho a ideia do Luís Guilherme e do Nkunku, tendo em conta o que têm sido os últimos jogos. Hoje, um jogo muito abaixo do Nkunku face ao que produziu, até, por exemplo, com o Académico de Viseu, que se calhar foi o melhor em campo hoje, muito abaixo e mesmo sem bola, é um jogador muito desligado. Mas acima de tudo, acho que o Sporting, de forma global, faz um jogo que se pode dizer que poderia ter sido resolvido rapidamente.
Falta de nervosismo?
É falta de confiança e percebe-se isso nos momentos de finalização. Este jogo, de forma clara, o Sporting podia ter arrumado com a questão mais cedo. Não o fez e ficou ali.
Há inclusivamente lance em que há três jogadores do Sporting para um do Casa Pia.
Uma situação normal, não se pode falhar. O Flávio permite a defesa do Patrick Sequeira, que foi um dos melhores em campo. Grande exibição do Patrick Sequeira, muitas defesas de alto nível. A verdade é que o Sporting criou oportunidades para fechar o jogo. Não fechou e foi dando confiança e foi dando combustível ao Casa Pia para se aproximar da sua grande área. Portanto, eu percebo que o Rui Borges, no final do jogo, diga que a equipa não sofreu. Claro que sofreu um bocadinho, obviamente, tinha de sofrer, até pelo que tem acontecido. O Sporting tem sofrido muito, às vezes em jogos que aparentam estar controlados e não estão. E, portanto, honestamente, dir-te-ia que é um jogo competente do Sporting em alguns momentos. A primeira parte eu acho que é uma primeira parte segura, não entra ali em grandes sobressaltos, a segunda é em queda. E é em queda porque com as alterações, acho que o Sporting se perdeu um pouco, principalmente com a saída do Silas Anderson, e o próprio Rui Borges diz que é uma saída forçada pelo cartão amarelo. E neste momento arriscaria dizer, Zé, com total sinceridade, que se Rui Borges puder tomar decisões de não mexer muito no meio-campo, acho que não vai fazer. E, portanto, nesta fase, até para equilibrar a equipa numa altura em que a equipa, como sabemos, se desequilibra muito, acho que o Rui Borges vai agarrar muito nestes jogadores. Talvez, se calhar, no próximo jogo, retire o Luís Guilherme e volte a pôr o Catamo, mas não vai mexer muito nesta fase, até porque estes 11, ou vá, 12, 13, o que seja, são os jogadores que neste momento estão a dar mais garantias ao Sporting, que com as entradas, principalmente do Doumbia e do João Simões, começou a partir-se muito. E o Sporting, nesta fase, mais do que elementos de transição, de rasgo e de condução, precisa de elementos que tenham inteligência com bola e que saibam estabilizar a equipa. E eu acho que nesta fase é o Altimira, o Anderson e o Pedro Lima que dão essas garantias.
Mário, apontaste boas escolhas, no teu entender, de Rui Borges para começar este encontro e ao longo da partida. Sentes que o treinador do Sporting conseguiu ler bem o que o Sporting estava a precisar?
Honestamente, acho que as alterações, ou seja, vamos lá ver. O Rui Borges estava a confirmar o minuto. Ao minuto 62 e na altura era para lançar apenas o Catamo e o Flávio Gonçalves.
Há o tal lance.
Faria sentido.
O cartão amarelo.
O cartão e podia ter sido ali o segundo cartão, ou não, não sei. Depois o Pedro Henriques fala.
Sempre falta mais equipa.
O Pedro Henriques depois resolve a questão, mas esse lance dita a alteração do Anderson. E percebe-se, o Rui Borges quase que admitiu isso de forma clara na flash, que tirou o Silas Anderson pela questão até do cartão, porque estava a fazer um bom jogo. E honestamente Essa alteração não ajudou o Sporting, mas é uma alteração forçada, porque pior ficaria se o Silas Anderson depois fosse expulso. Portanto, o Rui Borges tinha que tomar uma decisão. Havia duas possibilidades: baixava o Pedro Lima e colocava um elemento mais à frente, talvez o João Simões, ou o que seja, até podia ser o Doumbia, mas optou pelo Doumbia. E eu acho que, nesta fase, não é nada contra o Doumbia e contra a qualidade do Doumbia, que é um excelente jogador, mas as características do Doumbia não servem, neste momento, o Sporting mais estável. E percebeu-se isso. A partir do momento em que entra o Doumbia, o meio-campo começa a se partir, depois entra o João Simões, mais partida ainda estava a equipe do Sporting, mais iniciativa para o Casa Pia, e as coisas começaram a deteriorar-se. O Sporting ainda assim criou oportunidades, podia ter fechado o jogo, volto a dizer, mas a segunda parte é claramente uma segunda parte a decrescer e muito pela forma como o Sporting ainda não consegue equilibrar-se em momentos com bola, sequências de posse de bola mais prolongadas.
Uma segunda parte do Sporting em diminuição, como falavas, mas um Santa Clara que não teve a melhor das entradas, mas foi crescendo ao longo da partida. E digo Santa Clara, mas não é Santa Clara, é Casa Pia.
Casa Pia, sim. Foi crescendo um bocadinho também por iniciativa do Sporting quando começa a baixar o bloco. E o Sporting, com esta fase de menor confiança, é uma equipa que naturalmente já não consegue controlar tantas vezes o jogo com bola como faria, por exemplo, na época passada, e fazia tão bem. Nesta época não tem essa capacidade, não há essa qualidade neste momento. E o Casa Pia foi ganhando confiança. Também muito mérito para o Patrick Sequeira, faz um excelente jogo. Não vou dar já o spoiler do melhor em campo, mas acho que é óbvio que é um dos jogadores em destaque no jogo. E o Patrick Sequeira aguentou a equipa e depois é isso, o Casa Pia tem ali alguns momentos, o João Rêgo quando teve bola e esteve perto da grande área, criou muito desconforto no Sporting. E depois são rasgos. Tiveste o rasgo do Rosas, tiveste ali um momento ou outro em que o Casa Pia tem aproximações à grande área e eu acho que o alerta máximo para o Rui Borges é quando entra, depois já na fase final, o Jata e o Cassiano, porque aí era um jogo-
Apresentaram muitos centímetros.
Era um jogo mais difícil, um jogo de bola na área, jogo aéreo. E aliás, o Sporting consegue marcar o segundo na sequência de uma saída rápida e com o guarda-redes fora da baliza, mas o Filipe Coelho percebeu que era o tudo ou nada e que numa bola parada podia ferir o Sporting. Não sei se foi cedo demais, eu acho que foi um bocadinho cedo demais lançar o guarda-redes já para a grande área, ainda faltavam três minutos, creio eu, para o fim, mas a verdade é que sentiu, e eu acho que bem, que o Sporting podia estar um bocadinho mais vulnerável na bola parada, mas o Sporting acabou por se resguardar bem.
Bons indicadores já para o Shakhtar Donetsk, por parte do Sporting?
Na primeira parte, principalmente. E eu acho que o Rui Borges quererá uma equipa muito mais próxima daquilo que apresentou na primeira parte do que na segunda. É uma equipa mais sólida, uma equipa com sequências de posse de bola mais prolongadas, em que os extremos têm mais liberdade para aparecer e com espaço, porque o meio-campo também já é um meio-campo mais capaz com o Pedro Lima entre linhas, com o aparecimento também do Andersen a dar mais capacidade aos extremos para se desprenderem da equipa e irem para cima. Portanto, honestamente, acho que é por aqui que o Sporting melhora o seu jogo. Tem mais jogo interior, tem mais capacidade para municiar o Luís Guilherme, o Iranunda ou o Geny Catamo, quem seja, com espaço. E portanto, honestamente, acho que é mais por aqui, pelo menos para o Sporting de hoje, para o Sporting que precisa de ter alguma estabilidade, acho que é mais por aqui do que propriamente o Sporting da segunda parte.
Mário Cajica, vamos ao melhor e ao pior deste encontro. A começar pelo melhor a retirar desta partida.
Vou dar ao Pedro Lima, que é o diferenciador, digamos assim, neste Sporting. É um jogador que acrescenta muito entre linhas, que oferece a possibilidade de ser um terceiro médio quando a equipa precisa, mas ao mesmo tempo também dá muita qualidade na zona interior, que era algo que estava a faltar ao Sporting e que eu acho que o Pedro Lima tem e aporta essas qualidades que não só têm a possibilidade de se aproximar do Suárez, como também de explorar espaços na zona interior que efetivamente estavam a ser pouco utilizados pela equipa do Sporting. Portanto, honestamente, o Pedro Lima faz um belo jogo. Hoje gostei mais do Inácio na equipa, um bocadinho mais seguro, também do Fresneda e do outro lado, o Patrick Sequeira faz um excelente jogo. Portanto, se calhar estes quatro, com maior destaque para o Pedro Lima e para o Patrick Sequeira.
E o pior deste encontro, Mário Cajica?
O pior acaba por ser, diria, o Sporting na segunda parte, mas não na globalidade da segunda parte. Pós as alterações, principalmente a entrada do Doumbia e do João Simões, é um Sporting que não consegue agarrar no jogo, que oferece em demasia, parece-me, a iniciativa ao Casa Pia. Acho que o Sporting tem todo o direito, e claro, e faz bem, em baixar o jogo, mas acho que baixou demasiado e depois não conseguia ter sequências de posse de bola muito prolongadas. Portanto, parece-me que, honestamente, será algo a rever para Rui Borges. Do outro lado, honestamente, acho que o Casa Pia, na primeira parte, teve muita dificuldade e houve ali alguma dificuldade para ganhar duelos perante o Sporting, mas do ponto de vista do Rui Borges, acho que há ainda muito para trabalhar, principalmente nessa equipa que acabou o jogo.
Está entregue o relatório de jogo, da autoria do Mário Cajica, sobre a vitória do Sporting sobre o Casa Pia por 2 x 0. Mário, um grande abraço.
Obrigado, Zé.