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Já está no púlpito, numa sala muito cheia no Hotel Altis, onde se ouviram gritos de PS, agora aplausos. O cenário não é nada o de uma derrota. Pedro Nuno Santos que está no palco com Carlos César, presidente do partido, e também com João Torres, diretor de campanha, e é ele que já falou ao início da noite sobre as projeções, numa declaração onde disse que o PS teria a obrigação de liderar a oposição. Veremos se, com o andamento dos resultados, com o PS muito próximo da AD, essa intenção mantém-se. Pedro Nuno Santos aguarda apenas pelo fim dos aplausos e dos cânticos para dar início à declaração e para percebermos também o rumo que Pedro Nuno Santos quer, tendo em conta os resultados agora conhecidos, numa altura em que falta apurar apenas uma freguesia para definir o número dos deputados. Mas António Costa também já avisou, à chegada, que a correlação de forças pode não ficar percetível hoje por causa dos votos da imigração. E certo é que, para já, a distância curta entre todos está a dar razão a António Costa. Pedro Nuno Santos começa agora a falar.

Agradeço muito a vossa força, o vosso apoio, mas é altura de falarmos. Boa noite a todas e a todos. Boa noite aos portugueses que nos acompanham ainda. Eu queria, aliás, começar por agradecer a participação de todos os portugueses neste ato eleitoral e elogiar a participação massiva dos portugueses neste ato eleitoral, no dia maior da nossa democracia.

O primeiro elogio é para a redução da abstenção e para a participação eleitoral. É também uma tradição arrancar por aí estas intervenções.

O primeiro elogio é mesmo aos portugueses que decidiram participar neste ato eleitoral. Estamos a falar de seis milhões de portugueses. É uma participação muito expressiva, muito importante e que só enriquece a democracia que tão arduamente os portugueses conquistaram. Em segundo lugar, agradecer àqueles que votaram no Partido Socialista e confiaram em nós, no nosso projeto e na nossa candidatura. Obrigado a todos eles. Agradecer ao Partido Socialista, aos militantes, aos apoiantes. Nós fizemos uma campanha extraordinária, cheia de força, com uma forte participação, e isso é motivo de orgulho para todos nós e para mim, em particular, a gratidão ao PS e aos apoiantes do PS é total, é absoluta. Foi extraordinário.

Agradecimento aos que ajudaram na campanha, aos que estiveram na volta nacional do Partido Socialista e a mobilização das bases, que foi também algo muito elogiado pela estrutura principalmente na última semana.

Temos um partido forte e unido, pronto para os combates que nós temos pela frente. Apesar da diferença tangencial entre nós e a AD, e sem desrespeitar os votos e os eleitores dos círculos eleitorais das nossas comunidades, tudo indica que o resultado não permitirá ao PS ser o partido mais votado. Quero, por isso, dar os parabéns e felicitar a AD pela vitória nestas eleições.

Está entregue a vitória a Luís Montenegro.

Já tive a oportunidade de felicitar pessoalmente o líder da AD e felicito, obviamente, em público, a coligação que ficou à frente neste ato eleitoral. O Partido Socialista será oposição. Nós vamos liderar a oposição.

Mantém-se essa indicação do início da noite. O PS vai ser líder da oposição. A AD ganha. É o que diz Pedro Nuno Santos, que já telefonou a Luís Montenegro a dar os parabéns.

Seremos oposição, renovaremos o partido e procuraremos recuperar os portugueses descontentes com o PS. Essa é a nossa tarefa daqui para frente. O Chega teve um resultado muito expressivo, que não dá para ignorar. Não há 18,1% de portugueses votantes racistas ou xenófobos em Portugal. Mas há muitos portugueses zangados, que sentem que não têm tido representação e que não foi dada resposta aos seus problemas concretos. Nós queremos reconquistar a confiança destes portugueses e mostrar-lhes que as soluções para os problemas concretos das suas vidas passam pelo Partido Socialista e nem pelo Chega nem pela AD. E nós trabalharemos ao longo dos próximos meses.

O PS perdeu muitos deputados diretamente para o Chega, sobretudo em círculos eleitorais mais pequenos, por exemplo, em Portalegre.

Nós trabalharemos no futuro Para mostrar, para conseguir convencer e voltar a ter connosco todos aqueles que estão descontentes. Descontentes com a política, descontentes com o sistema político, descontentes com o PS.

E dei também esta citação de Pedro Nuno Santos, que sabe que muitos dos votantes do Chega queriam manifestar esse descontentamento com o Partido Socialista e não são estruturalmente eleitores do partido de André Ventura.

O nosso caminho começa agora, hoje.

Pedro Nuno Santos está para ficar neste novo ciclo. Também agora Carlos César levanta o punho esquerdo. Pedro Nuno Santos vai assumir este ciclo de liderança da oposição do PS numa renovação do partido.

Como dizia o nosso militante número um: "só é vencido quem desiste de lutar" e nós não desistimos.

Citação de Mário Soares, aqui aplaudida de pé. Isabel Soares, a filha de Mário Soares, que está presente também nesta noite eleitoral do Hotel Altis, e é o primeiro aplauso de pé para Pedro Nuno Santos.

E por isso, caras e caros camaradas, preparemo-nos. Vamos ter muito trabalho pela frente, muito combate pela frente, com frontalidade, com vontade de o travar, com alegria, mas com a convicção de que nós voltaremos a reconstruir uma maioria que nos permita governar Portugal. É nisso que nós teremos focados. Muito obrigado.

A curto de Pedro Nuno Santos. Vamos entrar agora na fase das perguntas. O Observador aqui no sorteio ficou com a quinta pergunta. Aliás, Pedro Nuno Santos comprometeu-se a responder cinco perguntas e pede agora aos apoiantes que deixe a comunicação social responder algumas perguntas. Vamos à primeira.

Para a TSF. Pergunto-lhe primeiro porquê de estar já a assumir uma derrota, tendo em conta, como disse, o PS ainda pode ficar à frente em número de mandatos, se não é cedo demais para assumir essa derrota. E, em segundo lugar, se mantém que vai viabilizar um governo, mesmo que seja minoritário, da Aliança Democrática e se compromete ou não com a viabilização também de um orçamento do Estado lá mais para o final do ano.

Ó camarada, eu vou-lhe pedir uma coisa. Nós aqui só batemos palmas, ok? Não vaiamos, eu peço-vos isso a todos.

Pedro Nuno Santos já a antecipar estes momentos de perguntas dos jornalistas, que por norma geram sempre reações de maior animosidade por parte dos apoiantes. Vamos a mais.

E depois se eu posso me perder, pois são logo três de rajada, porque assim não é bem nenhum órgão de comunicação social de cada vez. Mas pronto, vamos tentar então responder uma a uma. Em primeiro lugar, a diferença é tangencial, mesmo do ponto de vista de mandatos e de resultado. Não era aquilo que se perspetivava nem em nenhuma sondagem, nem na sondagem à boca das urnas. Estamos muito longe disso. Mas obviamente há uma diferença de cerca de cinquenta, sessenta mil, que não é muito significativo, mas será muito difícil que o resultado nos círculos das comunidades, uma eventual vitória do PS, viesse a compensar a diferença que nós já temos. Nós não podemos estar a manter o país em suspenso mais 15 dias, quando é quase impossível ou é muito improvável que o resultado no círculo das comunidades venha a compensar a diferença que nós temos hoje. E portanto, não vale a pena estarmos aqui a fazer de conta. Temos resultados que nos mostram que é muito difícil ao Partido Socialista ganhar as eleições em termos de votos e em termos de mandatos, mesmo que do ponto de vista depois no Parlamento, até possa haver mais surpresas. Mas quer dizer, neste momento não faz sentido estarmos a manter nenhum suspense sobre eleições. Acho que nos cabe a nós, Partido Socialista, reconhecer aquilo que é mais provável que se venha a confirmar daqui a 15 dias do que estar a manter em suspenso uma situação que não beneficia ninguém. Essa é a primeira. A segunda: nós sempre dissemos que não criaríamos nenhum impasse constitucional, a não ser que o Partido Socialista conseguisse apresentar uma maioria alternativa. É evidente, olhando para os resultados dos eleitorais, que não há possibilidade do Partido Socialista apresentar uma maioria alternativa e por isso nós não obstaculizaremos a formação do governo. Isto é, não aprovaremos moções de rejeição e agradecemos também que não sejam apresentadas moções de confiança, porque também não as aprovaríamos. E portanto, nós não inviabilizaremos a formação do governo. Terceiro.

Fica já a garantia de que o governo da AD é para passar, tem livre-trânsito na Assembleia da República e apesar da derrota tangencial, fala deste número de mandatos, que pode ser muito idêntico.

O Partido Socialista não ganhou as eleições. O Partido Socialista vai liderar a oposição. O Partido Socialista nunca deixará a liderança da oposição para o Chega ou para André Ventura. A liderança da oposição é do PS.

Referência novamente ao partido de André Ventura e aqui também indica que André Ventura ficará na oposição, portanto, que confia na palavra de Luís Montenegro de que o não ao Chega é mesmo para manter.

Vou dizer mais sobre isso, porque entretanto nós já fomos recebendo muita pressão ao longo das últimas semanas e já comecei a sentir alguma. E eu quero que fique já claro e quero dizer mais ainda sobre este partido. Este partido está unido, está forte e está coeso. Não vale a pena criar a impressão sobre o PS, porque nós sabemos bem o caminho que vamos trilhar. A nossa vida, o nosso caminho, começa hoje e é esse o caminho que vamos trilhar na oposição, a liderar a oposição. Isso quer dizer que é praticamente impossível, para não dizer impossível, a direita ou a AD, que não conte com o PS para governar. Não somos nós que vamos suportar um governo da AD. Que fique claro! E não vai haver divisão no PS.

Não cria obstáculos, mas também não é o PS que vai dar a mão à AD para fazer aprovar documentos estruturais como o Orçamento do Estado.

Nós lutaremos pelo nosso país, pelo nosso ideário, pelo nosso programa, na oposição. É isso que faremos, com respeito democrático pelos resultados eleitorais.

João Manuel Mestre, da SIC. Para seguir o exemplo, eu só vou fazer duas perguntas. Uma é em relação a essa sua última frase, de que não irá suportar o governo da AD, que ainda não respondeu à outra do Orçamento do Estado, já respondeu, portanto, está a dizer que vai lutar contra, e aí pode acontecer uma coisa, que é o governo cair. Se isso acontecer, normalmente são penalizados os partidos que estão no poder. Já agora, queria fazer outra pergunta, que é a possibilidade, ainda, de haver uma maioria.

Vou responder à pergunta de cada vez, porque elas são complexas.

Está bem.

Nós não vamos ceder a nenhum tipo de pressão desse tipo. O tempo da tática na política conosco acabou e comigo acabou. Não há tática aqui na política, é fazer aquilo que nós viemos fazer. O nosso projeto para o país não é compatível, é alternativo ao da AD. Nós não andamos na campanha a fazer de conta. Nós andamos na campanha a defender o nosso programa e a dizer que o programa da AD era errado e era mau para o país. Não mudou nada sobre isso. E por isso nós vamos continuar a defender a nossa visão para o país, ouvindo, percebendo onde é que há fonte de descontentamento no povo português, tentando ir ao encontro desse povo que está descontente conosco, isso nós faremos. Nós não vamos passar é a aderir ao programa que nós combatemos e contestamos na campanha, continuamos a achar que é errado para o país.

Mantém essa estratégia. Ou seja, o PS não cria obstáculos, mas também não vai ser com a ajuda do PS que a AD vai ter condições para governar ad eternum. Ou seja, se quiser aprovar Orçamentos do Estado, tem que encontrar uma maioria de votos a favor.

E por isso não é a nós que nos têm de pedir para suportar um governo. Isso não vai acontecer. E por isso é que eu quero que fique claro desde já. Nós sabemos que a pressão acontecerá. Os camaradas socialistas sabem bem que ela virá, mas nós vamo-nos aguentar firmes a defender o nosso programa, as nossas ideias e os nossos valores. É isso que nós faremos.

Tinha-se afirmado à altura da campanha que, tirando o Chega, poderia haver uma maioria, ou que as contas se poderiam fazer entre a AD e a Iniciativa Liberal e um bloco de esquerda. Há a hipótese, um bloco à esquerda, chamemos assim para não confundir. Neste momento, se as eleições terminassem agora, esse bloco à esquerda teria mais dois deputados do que a AD mais a Iniciativa Liberal. Também há ainda a hipótese do Partido Socialista vir a ser o mais votado. Nesse caso, estamos a falar daqui a 15 dias, já deixou claro, mas quando os resultados todos forem conhecidos e se houver uma maioria fora o Chega à esquerda, ou se o Partido Socialista acabar por ter mais deputados, mantém tudo o que agora disse aqui?

Para já é um facto, e por isso é que eu tenho dificuldade em perceber a grande vitória que vai em Santana Lapa, exatamente por aquilo que acabou de dizer. É um facto.

Lá está aqui o significado que para o PS esta não é uma grande derrota e a farpa de que não há uma grande vitória do lado da direita.

No entanto, sejamos realistas. Qualquer solução dessas teria um chumbo de toda a direita. Porque se é verdade que a AD excluiu o Chega e que houve outros intervenientes políticos que também excluíram o Chega, se isso é verdade, também é verdade que na hora de uma solução apresentada pelo resto da esquerda, também é verdade que ela seria chumbada por toda essa direita que se uniria. Por isso, quer dizer, está fora de questão. Mais uma vez, as coisas são simples e são claras, não as compliquemos e deixemos a tática de fora. Nós não temos uma maioria. E se não temos uma maioria, nós não a podemos apresentar como solução.

Pedro Nuno Santos, que sabe que não conseguiria fazer passar no Parlamento uma solução alternativa à esquerda, porque a direita teria essa maioria dos votos, e aqui incluísse já os deputados do Chega, que também não iriam viabilizar um governo das esquerdas.

Perante esse clima de instabilidade que o país pode viver e perante a possibilidade de novas eleições em breve, pergunto-lhe se perante esse cenário acha que estará em melhores condições para conseguir o melhor resultado e qual é que considera ser a cota de responsabilidade de Pedro Nuno Santos neste resultado do Partido Socialista. Obrigada.

Eu sou o líder do PS e, portanto, eu sou o responsável máximo. E assumi, óbvio.

A responsabilidade, mas António Costa também já disse que se, em caso de derrota, se fosse preciso assumir responsabilidade, António Costa assumiria essa responsabilidade por parte do Partido Socialista.