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Está no ar o Euromilhões, hoje com a jornalista Mariana Fernandes, que se junta também ao Bruno Vieira Amaral para comentários aos temas que a Mariana aqui trouxe. Olá, Mariana, boa tarde.

Olá, boa tarde.

Vamos começar com João Félix. É tema do dia para ti esta entrevista do jogador português. Ainda não li. Onde está? Onde é que posso ler?

Mundo Desportivo.

Ok.

É uma entrevista ao Mundo Desportivo.

Então é em família.

Exatamente, fica tudo ali em família, é um jornal catalão.

Jornal do Barça.

Sim, também não havia muita coisa para sair dali que não estivesse à espera, mas acaba por aparecer aqui num timing perfeito, porque a verdade é que seria uma entrevista bastante diferente se João Félix não tivesse feito o que fez nos últimos tempos. Marcou um gol com a seleção nacional contra o Luxemburgo, marcou depois na estreia titular pelo Barcelona contra o Betis e fez dois gols e uma assistência na Liga dos Campeões contra o Antuérpia. Temos aqui uma série muito boa de João Félix e uma boa estreia no Barcelona. Há uma entrevista obviamente muito positiva aqui, tanto para o Barça como para o próprio Mundo Desportivo, como para o próprio João Félix. Ele não disse nada de extraordinariamente novo, mas deixou esta ideia de que Xavi lhe disse que o mais importante nesta altura era desfrutar do futebol e jogar com alegria, algo que também andávamos aqui a dizer há muito tempo, que faltava alegria, faltava o sorriso a João Félix e que tem voltado nestes primeiros jogos com o Barcelona. Disse também que não estava à espera deste início tão bom e que as coisas não resultaram no Atlético de Madrid, porque não se adaptou às ideias do clube e às ideias do treinador. E deixou uma frase que eu acho curiosa, que é: "Quem está mal, só tem que mudar de sítio." E foi precisamente isso que ele fez. Tentou fazê-lo no Chelsea o ano passado, não resultou, teve de voltar e voltou a fazê-lo agora com esta ida para o Barcelona. Lembrou que rejeitou muito dinheiro para ir para o Barcelona. Ele não diz ou não aborda especificamente que propostas é que teve, mas sabemos que à partida serão propostas da Turquia, propostas da Arábia Saudita, valores muito elevados, salários muito elevados que João Félix recusou, para onde João Félix não quis ir por serem ligas mais periféricas e por preferir ficar nas Big Five, e aqui em específico no Barcelona, e que fez também esse esforço. Ele chama-lhe um sacrifício de não aceitar esse dinheiro. Eu não digo que não é propriamente um sacrifício, mas ele acha que sim, por acreditar que o Barcelona é o melhor sítio para estar neste momento e para relançar a carreira. Terminou a elogiar muito João Cancelo, outro português que também chegou no último dia de mercado ao Barcelona. Algo que não deixa de ser importante, porque a verdade é que João Félix desta vez tem ali dentro do balneário um apoio que nunca teve no Atlético de Madrid e que também o pode ajudar em eventuais momentos um bocadinho mais difíceis e um bocadinho mais complexos. Em resumo, e agora falando eu e não o João, em entrevista ao Mundo Desportivo, eu acho que ele está finalmente envolvido num projeto que também está a renascer, que está a viver o seu terceiro ano da era pós-Messi e que já não tem os outros dinossauros que também faziam ainda parte dessa era, o Piqué, o Busquets, Jordi Alba, que está claramente à procura da recuperação do sucesso na Liga dos Campeões depois da conquista do campeonato na época passada, que tem um líder em Xavi perfeitamente identificado, obviamente, com aquilo que é o Barcelona, para além de ter João Félix sem Deco, também um interlocutor muito importante dentro do clube, ter nesta altura um diretor desportivo que não só fala português, como foi também internacional português, como foi jogador do Barcelona. Está obviamente criado um contexto muito positivo para João Félix. É perceber se dentro de campo ele consegue dar-lhe continuidade.

Este início não poderia ser melhor para João Félix, Bruno, a chegada a Barcelona, as últimas exibições, os gols que tem conseguido. Precisava disso. Agora o desafio é manter, não é?

É manter, essa que é a grande dificuldade ou o grande desafio, como dizes, para João Félix, é manter este nível. Não vai marcar dois gols e fazer uma assistência em todos os jogos.

Mas quanto mais tempo passa, também mais se incompatibiliza com os adeptos do Atlético, se começam a correr muito bem as coisas em Barcelona.

Pois, mas eu acho que para ele o melhor é que corram mesmo muito bem em Barcelona. É preciso ver também como é que ele vai reagir quando as coisas não correrem tão bem, quando houver um jogo que não corre tão bem, porque também vimos bons momentos dele no Atlético de Madrid, e ele jogava, estava na equipa do Simeone, ia brilhar em jogos da Liga dos Campeões, em jogos do campeonato, e depois isso esfumava-se rapidamente. A qualidade do João Félix, segundo a minha, é inquestionável. Ninguém pode negar o talento que ele tem. Esse é o grande desafio dele, é manter a regularidade exibicional. E em relação ao tempo que passou no Atlético de Madrid, ainda tem o contrato com o Atlético de Madrid, há responsabilidades dele, há responsabilidades do treinador e há responsabilidades do clube, que fez um investimento bastante avultado, o maior de sempre do clube num jogador, sem garantir que o treinador percebia o jogador e que o jogador percebia o treinador.

A ver, vamos ao futuro e vamos falar de António Silva. A Mariana traz para aqui o jogador do Benfica, que ontem não teve uma noite fácil, mas querias destacar a resposta ao cartão vermelho?

Sim, eu acho que num dia em que tudo pareceu correr mal ao Benfica, algo correu bastante bem. Se calhar o Benfica ou ganhou ontem ou cimentou essa ideia de que ganhou um capitão. Para já, e se esquecermos o que se passou entre penáltis e expulsão, e deixando aqui a minha opinião, eu acho que Roger Schmidt acaba por ser também o principal culpado por tudo o que se passou a partir da expulsão e a partir do primeiro gol. Tirou João Mário quando estava claramente a ser o melhor jogador e tinha tido as duas melhores oportunidades do Benfica até então. Mexeu muito tarde e de forma quase inócua e eu acho que ele começa ali a conquistar um problema de balneário, porque ainda não se percebeu, e também ainda não foi justificado, por que tem que Steed agora ter prioridade em relação a Arthur Cabral, que supostamente foi contratado para substituir diretamente Gonçalo Ramos. Voltando a António Silva, foi expulso muito cedo, abriu a porta, é certo, ao primeiro gol do Salzburgo, mas eu acho que depois teve a coragem de, aos 19 anos, aparecer na zona de entrevistas rápidas depois do jogo, já expulso, não tinha de o fazer, pedir desculpa, garantir que vai aprender com o erro, que sai deste jogo mais crescido, assumindo desde logo que terá de trabalhar mais, muito mais a partir de agora, para manter a titularidade ao lado de Otamendi. E acho que demonstrou ou voltou a demonstrar a maturidade que já tinha ficado provada ao longo da época passada, que ficou provada principalmente quando se estreou pelo Benfica no Bessa, com o Boavista, onde vê um cartão amarelo muito cedo e consegue aguentar o jogo todo. E também contra o Caldas, na Taça de Portugal, onde comete um erro que dá gol do adversário, soube também aí recuperar a confiança. Acredito que o fará aqui novamente. E é preciso não esquecer, o António Silva já leva uma temporada muito positiva, já esteve no Campeonato do Mundo, mas tem 19 anos. O António Silva continua a ter 19 anos, apesar do tempo continuar a passar. E acho que estas demonstrações de maturidade que ele vai dando quando comete erros, mostram aqui que eu acho que o Benfica tem, se não for um capitão, um líder para as próximas gerações.

Concordas com esta ideia? António Silva é um valor seguro do Benfica, apesar de um jogo para esquecer.

Sim, um jogo para esquecer, não só do António Silva. Acho que, aliás, o erro do António Silva até se calhar é dos mais desculpáveis. Fico contente pela personalidade do António Silva, por o Benfica, como sugere a Mariana, ganhar um capitão ou poder ontem ter ganhado um capitão, mas eu preferia ganhar o jogo, preferia não perder um guarda-redes, preferia ter um lateral direito em alternativa.

Como perderam o guarda-redes.

Em muito poucos passes. Foi o que aconteceu ao Benfica. Preferia também perceber por que há dois laterais esquerdos no plantel e joga Aouch nesse lugar. Também queria perceber, afinal de contas, o Benfica vai buscar um ponta de lança por 20 milhões, que não conta para o treinador, pelos vistos não conta. Gostava de perceber tudo isso e gostava que o Benfica tivesse ganhado o jogo, quase € 3 milhões, e não tivesse complicado muito as contas do apuramento para os oitavos de final, porque com a derrota, com aquela que teoricamente era a equipa mais acessível do grupo em casa, o Benfica complicou bastante as contas do apuramento.

Mariana, conseguimos num minuto olhar para os 32 anos da convocatória da Dream Team de 1992. Falamos de basquetebol, claro.

Sim, muito rapidamente, faz hoje 32 anos que foi anunciada a convocatória para a seleção norte-americana de basquetebol, que foi aos Jogos Olímpicos 92. Naquele foi o primeiro ano em que a utilização de jogadores profissionais foi autorizada. Esta convocatória foi a 21 de setembro de 1991, naturalmente. Este termo Dream Team, que todos conhecemos, foi inventado pela Sports Illustrated, que fez uma capa com alguns dos jogadores convocados e utilizou precisamente essa expressão, Dream Team. A partir daí, todos nós no mundo inteiro começamos a usá-la também. Os nomes eram muitos, obviamente são muito conhecidos: Michael Jordan, Scottie Pippen, Magic Johnson, Larry Bird, Charles Barkley, entre muitos outros.

Karl Malone, Patrick Ewing.

Eu acho que podíamos ficar aqui o resto da tarde a dizer nomes.

É a nata da nata.

Que conhecemos todos, exatamente. Sendo que existe aquela polêmica questão de Isiah Thomas, que inicialmente foi convocado, que depois foi substituído por Clyde Drexler e que sempre alegou que essa mudança tinha acontecido a pedido de Michael Jordan, porque os dois não se davam bem, também devido à rivalidade na altura entre os Bulls e os Pistons. Não se davam bem, supostamente, de acordo com Isiah Thomas, era Jordan que mandava na seleção. Ele foi desconvocado por causa disso. O treinador era Chuck Daly, a equipa conquistou, naturalmente, a medalha de ouro ao derrotar a Croácia na final, tornando-se, acho eu, uma memória coletiva de todos aqueles que assistiram aos Jogos Olímpicos de Barcelona. Uma memória coletiva que já não acontece hoje em dia, porque os principais jogadores da NBA preferem não ir à seleção, seja aos Jogos Olímpicos, seja aos Mundiais, por recearem lesões, por também preferirem ter férias mais compridas, portanto, não ocuparem o verão ainda com mais jogos, e que eu acho que mudou um bocadinho este paradigma com a eliminação agora precoce dos Estados Unidos no último mundial, que foi conquistado pela Alemanha, porque depressa surgiram notícias de que LeBron James vai tentar juntar uma equipa de jogadores da NBA e estar nos Jogos Olímpicos de Paris em 2024. Eu acho que só tínhamos a ganhar se isto realmente acontecer.

Não sei se concordas, Bruno, é ainda a geração do basquetebol que tenho mais presente. Não sei se os jogos, na altura, como ainda jogava computador e os jogos ajudavam a isto a conhecer os jogadores. Mas também havia a própria RTP diria, tinha uma atenção diferente à NBA.

Havia cadernetas. Eu lembro-me, foi naquelas épocas.

São estes jogadores, é esta Dream Team.

Dos Portland Trail Blazers e os Pistons, que começou a aparecer umas cadernetas pela primeira vez. E sim, a memória, a questão aqui é saber se esta não será a melhor equipa de sempre de um desporto coletivo. Eu acho que é capaz de ser.

Olha, fica aí a aposta do Bruno Vieira Amaral para este Dream Team de 1992, dos Estados Unidos, que foram às Olimpíadas, aqui trazida também pela Mariana Fernandes neste Euromilhões. Obrigado, Mariana. Até amanhã.

Até amanhã.

Rádio Observador, Oeiras